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Força Santos! O duelo no Sul vale muito para o Alvinegro Praiano

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Faltou só um pouquinho. De coragem, competência e sorte.

Com gols de Souza, aos 9, e Werley, aos 43 minutos, ambos no segundo tempo, o Grêmio, que manteve muito mais tempo a posse de bola, venceu o Santos por 2 a 0, na Arena do Estádio Olímpico, e se classificou para as quartas-de-final da Copa do Brasil. Mas, por incrível que pareça, se tivesse um pouco mais de coragem, competência e sorte, o Alvinegro Praiano é quem estaria classificado.

Primeiro, vou falar da sorte. Perder Montillo, que vinha sendo o destaque do time, logo aos 22 minutos, foi de amargar. O argentino, eu estava armando bons contra-ataques, corria livre pela esquerda, à espera do passe de Gabriel, quando sentiu a coxa, caiu, e teve de ser substituído. Léo Cittadini entrou no seu lugar. Montillo vinha se empenhando nos jogos sem nada sentir… Paciência, teríamos a chance de ver Cittadini.

E agora vou falar de competência. Pra começar, Cittadini mal tinha entrado e, aos 28 minutos, apareceu livre, na pequena área, para cabecear uma bola para o gol de Dida. Poderia repetir o gol contra o Crac, quem sabe. Mas a cabeçada saiu alta, por cima do travessão.

Aos 20 minutos o Santos já tinha perdido a chance mais clara de gol do primeiro tempo, quando Thiago Ribeiro recebeu com liberdade pela direita, penetrou na área e, em vez de chutar, preferiu passar para Gabriel, que entrava pelo meio. O garoto jogou a bola pro fundo das redes,mas o gol foi acertadamente anulado, pois estava impedido.

Antes de o Grêmio abrir o marcador, no segundo tempo, Gabriel teria outra oportunidade de ouro. Aos 6 minutos Bressan recuou mal e o atacante santista roubou a bola, driblou Dida e, com pouco ângulo, tentou cruzar nem perceber que não tinha ninguém na área. O certo seria ter batido de três dedos e tentado o gol dali mesmo. Faltou habilidade e confiança

Surgiria outra boa chance aos 37 minutos do segundo tempo. Everton Costa, que entrara no lugar de Gabriel 14 minutos antes, pôde bater a gol de dentro da área, mas o chute saiu cruzado, para fora.

Quanto à falta de um pouco mais de coragem, esse pecado ficou com o técnico Claudinei Oliveira, que aos 34 minutos do segundo tempo, diante das câimbras de Renê Junior, preferiu colocar Neto nos eu lugar e formar uma linha de zagueiros. Ora, dificilmente o Santos joga com essa tal linha de zagueiros. O resultado foi que o time ficou ainda mais recuado e o montão de zagueiros bateu cabeça no segundo gol do Grêmio, no qual Pará – ele mesmo – encontrou Werley livre quase na marca do pênalti, para erguer a cabeça e colocar no canto direito de Aranha.

O que Claudinei poderia fazer? Colocar Leandrinho, que ao menos daria um toque de bola um pouco melhor pelo meio, com possibilidades de armar alguma jogada ofensiva. Não se pode esquecer que se encaixasse apenas um ataque bem-sucedido, o Santos estaria classificado. Neto, repito, só se embolou com Durval, Gustavo Henrique e Alison lá atrás.

Sem opção ofensiva, o Santos jogou os últimos minutos à espera do fim do jogo, que levaria a decisão para os pênaltis. Mas sempre que um técnico toma essa decisão chama o adversário pra cima e sofrer ou não o gol passa a ser questão de detalhes.

De qualquer forma, apesar da má sorte da contusão de Montillo e do domínio do adversário, o Santos fez o que pôde diante das circunstâncias, teve ao menos quatro chances de gol e, caso marcasse apenas um, estaria classificado, já que ficaria com a vantagem do gol fora de casa.

Apesar na noite fria, 26.900 pessoas pagaram ingresso para ver um duelo que foi bem disputado, mas tecnicamente já teve dias melhores – pois a verdade é que esse Grêmio, apesar de ter vencido as últimas quatro partidas no Campeonato Brasileiro, é uma equipe limitada e reflete a queda de nível de todos os times grandes do Brasil.

Para o Santos, ficam as preciosas lições que uma derrota sempre traz – lições que ele poderá pôr em prática no Campeonato Brasileiro, a competição que realmente merece toda a concentração possível.

E pra você, que lições o Santos tirou dessa derrota?

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Gabriel vai pro jogo. Léo Cittadini espera a sua vez (Foto: Ivan Storti/ Divulgação Santos FC)

Enfrentar o Grêmio em Porto Alegre foi, é e sempre será uma missão difícil, que exige doação e valentia, mas também coragem e inteligência. Quando santistas e gremistas estiverem entrando em campo para o jogo que se iniciará às 21h50m, aquele frisson que antecede os grandes jogos tomará de assalto milhões de amantes do futebol. O empate classifica o Santos para a próxima fase da Copa do Brasil, mas eu nunca escreveria “apenas” o empate, pois hoje mesmo este resultado não será conseguido sem muita dedicação (o leitor Luiz Fernando informa que “o jogo será transmitido para a Baixada Santista e para o Rio Grande do Sul pela Rede Globo. Na tevê fechada passará apenas no SPORTV 4, que será aberto temporariamente em um dos canais que transmitem o PFC. Na Sky passará no 124 e nas demais operadoras os assinantes devem ligar para saber em qual canal passará.”).

Na verdade, o time que joga pelo empate jamais deve jogar apenas pelo empate, pois isso tolheria sua ambição ofensiva de tal forma, que se veria pressionado o tempo todo pelo adversário. O Santos deve estar preparado para se defender, sim, mas com mentalidade ofensiva.

Um time que pode contar com a habilidade e a visão de jogo de Montillo, a experiência e o bom chute de fora da área de Thiago Ribeiro, a veloz impetuosidade de Gabriel e ainda as avançadas de Montillo, não pode se abster de marcar gols (eu havia informado que o Marcos Assunção deveria ser escalado no lugar de Alan Santos, que machucou os dedos do pé em um ensaio de teatro, mas as últimas informações dão conta de que Renê Junior é que deverá entrar, já que o time terEa de marcar bem no meio-campo. Gosto da voluntariedade do Renê, mas ele deve tomar cuidado, pois chega muito pesado e o jogo de hoje poderá ser catimbado, o que provocará muitos cartões).

Não, não sou um otimista babaca. Sei das limitações do Santos e do perigo que o time correrá hoje, diante de tão tradicional adversário. Mas acredito no sucesso do Santos nessa quarta-feira, pois o esporte já me deu – como torcedor, jornalista e praticamente – exemplos suficientes para jamais aceitar uma derrota, ainda mais na véspera.

arena do gremio
A bela arena do Grêmio sendo preparada para o jogo desta noite (Foto: Omar Freitas/ Agência RBS).

O ágil Santos contra o milionário tricolor do Sul

Com Galhardo pela direita e Mena pela esquerda; Alison, Cícero e Montillo no meio e Gabriel e Thiago Ribeiro no ataque, o Santos de Claudinei Oliveira está se tornando mais leve, mais rápido na saída da defesa para o ataque. Essas alternativas ofensivas serão importantes, pois um gol obrigará o Grêmio a marcar três para se classificar.

Sem Elano e Zé Roberto, o tricolor do Sul – que mesmo enxugando a folha de pagamentos, ainda a estabilizou em R$ 6,7 milhões atuais – dependerá muito de dois atacantes fixos, Kléber e Barcos. No mais, com exceção do goleiro Dida, o elenco dessa partida é no máximo de qualidade similar à do Santos.

Se não der 15 minutos de bobeira – daqueles em que saem mais de um gol e decidem a partida – e mantiver o jogo equilibrado o tempo todo, o Alvinegro Praiano terá boas chances de sair de Porto Alegre com uma classificação importante, pois dará mais confiança ao grupo também no Campeonato Brasileiro.

O Santos deverá jogar com Aranha, Galhardo, Durval, Gustavo Henrique e Mena; RenIe Junior, Alison, Cícero e Montillo; Thiago Ribeiro e Gabriel. O Grêmio, com Dida, Werley, Rhodolfo e Bressan; Pará, Souza, Ramiro, Riveros e Alex Telles; Kleber e Barcos. A arbitragem será de Felipe Gomes da Silva (PR).

Meus Santos x Grêmio inesquecíveis

Os confrontos mais significativos entre Santos e Grêmio – até porque revelaram ao Brasil o grande time do Sul – ocorreram na semifinal da Taça Brasil de 1964. Na primeira partida, em 16 de janeiro, cerca de 50 mil pessoas proporcionaram um recorde de público no estádio Olímpico para ver o Grêmio sair na frente, com gol de Paulo Lumumba, mas depois assistir ao Santos dar um show e virar para 3 a 1, com jogadas mirabolantes de Pelé e Coutinho. Em um delas, ambos tabelaram de cabeça desde o meio de campo, até que a bola foi defendida pelo goleiro Alberto, em jogada aplaudida pela torcida contrária.

No jogo de volta, no Pacaembu, Pepe marcou, de falta, aos seis minutos, mas o Grêmio virou para 3 a 1, com mais dois gols de Paulo Lumumba. Pele diminuiu ainda no primeiro tempo e marcou mais dois na segunda etapa, em uma daquelas viradas espetaculares. No final, para completar, Gylmar foi expulso aos 41 minutos e Pelé foi para o gol a tempo de se consagrar com duas intervenções.

Em tempos mais recentes, adorei os 3 a 0 e o show de Robinho e Alberto na primeira partida da semifinal do Brasileiro de 2002; os golaços de Ganso, Robinho e Wesley na vitória por 3 a 1 na semifinal da Copa do Brasil de 2010 e aquele empate no final da partida, com um petardo de Molina.

Reveja essa preciosidade garimpada por Wesley Miranda. Grêmio 1 x 3 Santos, primeiro jogo da semifinal da Taça Brasil de 1964, recorde de público no Rio Grande do Sul:

Veja agora o sensacional jogo de volta, no Pacaembu, em outra pesquisa de Wesley Miranda:

Eu falei e não mostrei. Estão aí os gols de Grêmio 1 x 1 Santos, pela primeira rodada do Brasileiro de 2009. Rever marcou no fim e parecia que a derrota santista era certa. Mas aí o colombiano Molina acertou um balaço no ângulo do goleiro Victor. Veja:

E você, o que diz de Santos e Grêmio? Qual foi seu jogo inesquecível?


Santos conseguirá o empate? Ou o destino reserva surpresas?

Sonhei mais uma vez que estava jogando futebol. Como sempre, não era um jogo oficial, com estádio, torcida etc. Era mais importante, pois se tratava de uma pelada solta no tempo e no espaço (na verdade, em determinado momento foi uma partida de futebol de salão, com um goleiro e quatro na linha). Nosso time perdia por 1 a 0 e jogava mal. Tentei algumas jogadas, mas os chutes saiam fracos, sem força e profundidade. Quase tomamos o segundo gol algumas vezes. Só no finalzinho, em uma jogada desesperada, consegui um pênalti, quando pressionei o adversário e ele pegou a bola com a mão dentro da área. Mas, como em toda pelada, estava naquela negócio de bate, não bate, quando despertei. Sabe o que quer dizer este sonho?

Quer dizer que o jogo de amanhã está mais para o adversário, que joga diante de sua torcida e está com o time mais ajustado do que o nosso. Sim, temos Neymar, temos a liderança de Edu Dracena, a experiência de Durval, Léo, Arouca, a vontade de Renê Junior, a elasticidade e o sangue-frio de Rafael e podemos ter o toque mágico de Marcos Assunção. Mas ainda assim, somando-se todos os prós e contras, a vantagem é do outro alvinegro.

Por isso tenho dito, para irritação de alguns santistas, que o o empate seria um ótimo resultado amanhã. E digo isso porque na Vila confio na vitória do Glorioso Alvinegro Praiano. Acho que este é o plano do técnico Muricy Ramalho, que já o praticou com sucesso na decisão de 2011 contra o mesmo rival.

Ao contrário do que disse o técnico Tite, não creio que a decisão do título se dará necessariamente no segundo jogo. Se amanhã o Santos perder por uma diferença de dois gols, dificilmente conseguirá inverter o resultado no Urbano Caldeira. Se perder por um gol, terá, digamos, 45% de chances de vencer e ser campeão em casa; se empatar, passará a ser favorito ao tetra, e se ganhar no Pacaembu, estará a um passo do sonho.

Mesmo técnica e taticamente um pouco abaixo do time da Globo no momento, o Santos é treinado por um técnico que costuma se dar bem em clássicos, principalmente pela capacidade de anular o poder ofensivo do oponente. Temos de admitir que com Muricy o Santos é uma equipe mais equilibrado psicologicamente nos grandes momentos (com a única exceção da decisão do Mundial de Clubes da Fifa, que a gente nem faz questão de lembrar).

Preocupado em não perder nenhum jogador para o jogo decisivo contra o Boca Juniors, no meio da semana, não creio que o Alvinegro de Itaquera apreciará um confronto pegado, com entradas ríspidas, que poderá desfalcar o time para a dramática batalha esperada contra os argentinos.

Por outro lado, o Santos pode arriscar mais nesse primeiro jogo. Uma jogada individual e o rígido sistema de marcação do adversário pode vir por terra. Chutes de longe também podem ser bem-vindos, já que Cássio não tem mostrado a mesma segurança desde que voltou da contusão.

Enfim, mais uma vez “O Grande Jogo” decidirá um Campeonato Paulista. E desta vez será um dos mais importantes, pois pode representar um feito inédito no futebol profissional brasileiro, que ainda não teve nenhum tetracampeão em São Paulo. Independentemente de sonhos e prognósticos, cada jogador do Santos deve ir à luta animado e confiante, pois tem o privilégio de fazer parte de um time predestinado, que se transforma e cresce nas decisões.

Reveja o dia em que um bando de garotos ganhou o título brasileiro derrotando – com talento, vontade e muita raça – o time que vinha sendo o melhor do País:

E você, acha que um empate será um bom resultado para o Santos?


Um novo desafio para Neymar: jogar mais para o time

Ele é a maior preocupação dos jogadores e dos técnicos adversários. Mesmo quando não faz gols ou jogadas espetaculares, sua participação costuma ser importante (ontem sofreu a falta que gerou a cobrança de Marcos Assunção e a cabeçada de Durval que marcou o único gol contra o Joinville). Mas Neymar, para se aprimorar como jogador, precisa aprender a jogar mais para e com o time.

Contei seis bolas perdidas por ele no segundo tempo, quase todas gerando contra-ataques ao adversário. Em todas as situações poderia ter passado antes para um companheiro, mas preferiu a jogada individual, como se estivesse ansioso para provar a si mesmo que continua sendo o Neymar de sempre.

Não o recrimino. Apenas tento entende-lo… e acho que consigo. Pode rir, mas nos meus tempos de peladeiro um dia achei que poderia driblar quem quisesse e quantos quisesse. Tinha alguma habilidade, um certo jogo de cintura e um bom arranque. Imaginei que, com a bola dominada, sempre levaria vantagem sobre um marcador estático, que logicamente levaria algum tempo para sair da inércia. Teoricamente talvez eu até estivesse certo, mas a realidade do futebol é diferente.

Se o outro time percebe que você é um driblador inveterado, logo terá dois ou três no seu encalço, além de as entradas se tornarem mais ríspidas. Foi o que percebi nesse dia que quis dar uma de Garrincha, além de ouvir o seguinte comentário de um colega mais experiente e visivelmente desanimado com minha postura: “É uma pena. Se ele quisesse, poderia jogar bem”.

Se jogasse assim na Europa, iria para a reserva

Nosso Menino de Ouro está agindo como se todos os outros jogadores do Santos tivessem a obrigação de lhe dar a bola, mas ele não precisasse entregá-la a ninguém. Essa postura não seria tolerada em um clube europeu e lá, provavelmente, ele já estaria na reserva de algum jogador mais solidário e participativo (é só ver o que acontece com jogadores tipo Denilson, Robinho, Lucas, cujo individualismo é endeusado aqui e execrado na Europa).

Por mais habilidade que um jogador tenha, dar o passe para um companheiro livre será sempre mais inteligente e eficaz do que tentar driblar três jogadores no canto do campo. O melhor exemplo para este caso é sempre Pelé. Rei do Futebol, ele sabia valorizar quem jogava ao seu lado e não foi à toa que todos os atacantes do Santos dos anos 60 foram convocados para a Seleção Brasileira.

Sim, Pelé fez mais de mil gols com a camisa do Santos, mas Pepe e Coutinho ficaram na casa dos 400 e Dorval chegou perto dos 200. O ataque inteiro se favorecia com as habilidades do melhor jogador de todos os tempos. Pelé nunca driblou para trás e nem fez questão de dar chapéu no meio de campo. Era extremamente objetivo e essa é uma qualidade que alguns atacantes jovens da geração do Youtube estão perdendo, pois hoje um drible inútil é mais visto no mundo do que um gol.

Resta ao craque perceber qual a melhor jogada para cada momento. E às vezes a melhor opção é ceder, generosamente, a glória de um gol a um companheiro. Bem, talvez Neymar seja jovem demais para adquirir essa visão superior do jogo de futebol. Essa sabedoria costuma vir com o tempo e por isso o Pelé da Copa de 70 deu mais assistências do que marcou gols. Aconselho Neymar, se tiver tempo, a rever os lances de Pelé naquele Mundial.

Liderança de Marcos Assunção foi decisiva

O volante Renê Junior é ótimo marcador e sua substituição, ainda no primeiro tempo, acabaria permitindo mais oportunidades ao Joinville. Mas eu entendi Muricy Ramalho. Renê tinha levado o cartão amarelo e caminhava para o vermelho. Por outro lado, Assunção poderia dar um pouco mais de calma e precisão ao toque de bola no meio de campo, além de cobrar as faltas que vinham sendo desperdiçadas.

Não entendo porque o pobre do Cícero fica ao lado da bola em toda cobrança de falta, já que Neymar nunca deixa ele bater. Mas a entrada de Assunção fez com que um especialista assumisse as cobranças e isso acabou dando resultado aos 37 minutos do segundo tempo, com o gol de Durval.

Sei das limitações físicas de Marcos Assunção, mas fiquei estranhamente otimista depois do jogo contra o Joinville, pois percebi que a experiência, a visão de jogo e as cobranças magistrais de falta do velho mestre e eterno Menino da Vila ainda poderão ser muito úteis ao Santos. O Alvinegro Praiano está precisando de alguém que o faça se sentir novamente um time.

O que você acha do espirito de equipe do Santos?


Se Muricy ouvisse o torcedor, o Santos não daria esse vexame

Mesmo sem nenhuma divulgação na “grande imprensa”, mais de 20 mil santistas foram ao Pacaembu no domingo cinzento e chuvoso de Carnaval para ver o líder invicto do Campeonato Paulista, completo, contra o Paulista. Volta de Edu Dracena, estreia de Marcos Assunção, retorno de Neymar da Seleçãozinha, tudo pronto para a festa. Bem, nem tudo…

Só pelo hábito de saudar cada jogador com um cântico de incentivo, deu para perceber, ali ao lado da Suzana, nas arquibancadas, que o santista desconfia muito de Guilherme Santos, e também não confia suficientemente em Bruno Peres. Creio que para a maioria dos torcedores o garoto Emerson Palmieri deveria ser o titular da lateral-esquerda, enquanto Galhardo deveria jogar na direita.

Bem, mas o elenco do Santos é tão superior, que mesmo que um ou outro jogue mal, ainda assim é de se esperar que a vitória venha, e com folga. Por isso, mal o jogo começou e a torcida cantava e pulava, certa de que Neymar & Cia dariam mais um show. Porém, surgiu a primeira pedra no caminho…

Um aguaceiro desaguou de repente. Pingos de chuva grossos, como as jogadas que passamos a ver. Não se podia mais dominar a bola, acertar o drible, o passe rasteiro… O jogo virou uma profusão de chutões e de trombadas. Neste momento, Muricy Ramalho cometeu um erro que seria faltal…

Após o jogo o técnico disse que se soubesse que choveria e o campo ficaria pesado, não teria escalado Edu Dracena e Marcos Assunção, que voltavam de contusões… Ora, por que não os substituiu logo aos 20 minutos do primeiro tempo, quando a chuva caía forte e as entradas de Neto e Renê Junior não só poupariam os convalescentes, como fariam o Santos ganhar mais as bolas divididas e espirradas?

Sem contar que o time vinha jogando melhor, nas partidas anteriores, com Neto e Renê. Assunção visivelmente evitava os pés-de-ferro e parecia pouco à vontade na grama escorregadia. A mesma atitude se percebia em Montillo, que não só perdia todas as divididas, como errava todos os passes, tirando dos companheiros a confiança de lhe passar a bola.

Neymar tentava carregar a bola, driblar todo mundo, como sempre faz, mas essa não era a tática certa para o gramado encharcado, que reduzia sua velocidade e o tornava um alvo mais fácil ainda para os pontapés adversários. O único atacante que parecia usar a cabeça era Miralles, mas era pouco para vazar a boa defesa do Paulista. O jogo seguiu assim, amarrado, até o final do primeiro tempo.

O dia do bode, ou melhor, de Bodini

O time voltou igual para o segundo tempo, naquele que foi o segundo erro de Muricy, pois já era evidente que Montillo estava mal. Quando eu digo mal, não é só mal, é péssimo. O argentino não conseguia fazer nada direito. Às vezes parecia se esconder do jogo. Outro que decepcionava era Cícero. Jogador sério, deu para tentar jogadas de efeito, e justo em um dia em que o campo estava impraticável. Só Arouca segurava a chamada meiuca (rimou, mas é verdade).

As laterais eram o mapa da mina para o Paulista, principalmente a via expressa à direita do ataque. Por lá o experiente Cassiano Bodini, 29 anos, já tinha feito miséria no primeiro tempo, aproveitando-se da inacreditável capacidade de Guilherme Santos de jamais roubar uma bola limpa do adversário. Pois logo no comecinho do segundo tempo, depois de ser entortado novamente, Guilherme se enroscou com Bodini na área e o juizão Leandro Bizzio Marinho, um cara de pau que segurou o jogo o quanto pôde, deu pênalti.

O gol, de Marcelo Macedo, deveria ter feito o Santos ir babando pra cima do adversário, ao menos em respeito aos mais de 20 mil santistas que foram tomar muita chuva no Pacaembu – entre eles um número animador de crianças e jovens, prova de que a torcida do Alvinegro Praiano está realmente se remoçando.

Mas, mesmo perdendo, em determinado momento percebi o Santos todo na defesa, só com Neymar e Montillo no ataque. Como poderia ser o time da virada que o torcedor pedia jogando assim?

Quando começou a mexer no time, Muricy fez uma salada: tirou Guilherme Santos e colocou Felipe Anderson no meio, recuando Cícero para a lateral-esquerda. Depois, tirou Bruno Peres e colocou André no ataque, recuando Felipe Anderson para a lateral-direita. Por fim, quando o time já perdia por 2 a 0 e a derrota era iminente, tirou Montillo e colocou Patito Rodríguez.

Se fizesse o óbvio, ou melhor, se ouvisse o torcedor, Muricy não precisaria fazer nenhuma ginástica e muito menos ter de se esforçar para explicar o inexplicável na sala de entrevistas. E o óbvio era o seguinte:

– Tirar Dracena e Assunção, ou ao menos Assunção, logo que caiu a tempestade, aos 20 minutos do primeiro tempo. Renê Junior teria sido mais eficiente no meio. O jogo pedia um bom marcador, forte e viril. A estreia de Marcos Assunção ficaria para outro dia, com campo seco.

– Não escalar Guilherme Santos, que, toda criança percebe, não tem futebol para jogar no Santos. E colocar Galhardo no lugar de Bruno Peres.

– Substituir Montillo no intervalo. O argentino não estava jogando absolutamente nada. Parecia até um pouco receoso de ir na bola.

Mas a responsabilidade pela derrota não é apenas do técnico, mas do time todo. Recuso-me a imaginar que o fato de jogar no domingo de Carnaval tenha tirado o ânimo de alguns jogadores. São profissionais e devem dar o máximo de si sempre que entram em campo para defender a camisa e a história do Santos. Para isso são bem pagos e bem amparados pelo clube. No mínimo deveriam respeitar os torcedores que foram ao Pacaembu.

O mérito do Paulista

O Paulista tem de emoldurar essa partida e pendurar na parede de sua história como uma de suas melhores exibições. O time foi muito bem, principalmente esse tal de Cassiano Bodini, que teve o seu dia de glória, favorecido pela avenida Guilherme Santos e pela pouca visão do treinador santista. Palmas também para o técnico Giba, que discretamente deu uma aula no professor Muricy.

Reveja os melhores lances de Santos 1 x 3 Paulista:
http://youtu.be/1ZNaa4ZUJaY

E pra você, quais as lições de Santos 1 x 3 Paulista?


Santos persegue o futebol-arte, por isso merece ser visto


Desencanta Montillo! Algo me diz que neste domingo o gringo faz o seu (foto do treino de sexta-feira tirada por Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

Por que você deve reservar a sua tarde-noite de domingo de Carnaval para ver o Santos, no Pacaembu, contra o Paulista? Eu poderia dizer que é porque o time jogará completo e ainda terá as voltas de Edu Dracena e Marcos Assunção. Ou seja, será o Santos que veremos lutando por títulos neste ano. Mas eu direi que, mais do que tudo, o Santos merece ser visto porque é um time que persegue o futebol-arte e isso faz com que possa encontrá-lo a qualquer dia e qualquer hora, que incluem um domingo de Carnaval contra o Paulista, em uma rodada ordinária do Campeonato Estadual.

Nos meus cursos de redação jornalística com criatividade eu ensino que tentar produzir um texto criativo já torna o autor criativo, pois querer inovar é o primeiro passo na fuga dos lugares-comuns que infestam o jornalismo, principalmente o esportivo. Note que ainda dizem “marcar sob pressão”, quando na verdade deveriam dizer “marcar por pressão”, pois se um time marca “sob pressão” quem está sendo pressionado é ele próprio. Bem, mas não perderei tempo com os vários exemplos de maltratos à língua. Vamos ao que interessa, que é a intenção de criar.

A mesma intenção vemos no Santos, time no qual a obsessão pela criatividade tomou, ano após ano, um caminho estético que leva à arte. Sim, o bailado dos corpos, a geometria da bola ligando os flexíveis pontos humanos do grande tabuleiro cria desenhos que resistem ao tempo, ganham a memória e a versão dos torcedores e ficam eternizados como momentos únicos do futebol.

Todo time pode ter craques habilidosos e jogar bonito, como o Santos, mas só o Santos tem essa meta como necessidade vital. Por isso, ao Santos não basta ganhar dois títulos por ano e nem lotar estádios. É preciso produzir jogos de futebol como os grandes compositores produziriam suas melhores óperas, ou os grandes poetas fariam seus mais bem acabados sonetos. O jogador do Santos deve subir aqueles últimos degraus do túnel que leva ao gramado como o maestro se mostra ao púlpito.

E não importa quem seja o adversário, pois a capacidade de produzir uma obra de arte no futebol independe do rival. Quem viu aquele Santos (sem Neymar) 9, Ituano 1, no Campeonato Paulista de 2010, no mesmo Pacaembu que neste domingo abrigará o confronto com o Paulista, sabe que o Santos tem essa capacidade de transformar pedra em ouro, ou um domingo preguiçoso de Carnaval em um momento inesquecível de ousadia e refinamento.

Só o Santos explica Neymar. E vice-versa

É inútil querer que Neymar jogue na Seleção, ou em qualquer outro clube, como joga no Santos. Em que outro time ele pode, com a maior tranqüilidade do mundo, parar a bola em frente a dois, três zagueiros, e tentar o drible que lhe der na teia? E tentar uma, duas, três vezes, até que funcione e abra o caminho para mais um gol?

O santista tem a tolerância necessária que o futebol e a personalidade de Neymar exigem, pois essa é a cultura que embalou o Alvinegro Praiano desde a sua fundação. Meninos irreverentes, bons de bola, extremamente ousados e criativos – esta é a definição que serve para as gerações mais vitoriosas do Santos, em 2012, 1927, 1955, 1964, 1978, 1995, 2002 e 2010.

Quase um estranho no ninho na Seleção Brasileira, Neymar está em plena harmonia com o jeito de ser e com o caráter do Santos e do santista. Houve época em que a Seleção mantinha esse mesmo caráter ofensivo e atrevido e não era à toa que os santistas também a dominavam, a ponto de somarem oito titulares em alguns jogos do Escrete. Hoje valoriza-se o pragmatismo dos resultados, a eficiência das defesas, o toque rápido que muitas vezes só faz com que a bola seja perdida mais rapidamente. Neymar é um Garrincha dos tempos modernos. Como entendê-lo?

Na Europa, alguns técnicos o mandariam para o banco de reservas depois de duas ou três tentativas mal-sucedidas de jogadas individuais. No Santos, errar três vezes seguidas é sinal de que, estatisticamente, a próxima dará certo. Esse é um dos fortes motivos que faz o santista acreditar que Neymar jamais deixará o carinho de quem o compreende para enfrentar a insalubridade dos pretensiosos europeus, que parecem o querer ter apenas pelo prazer de rejeitá-lo depois.

Eu vou, e você?

Acabei de comprar meus ingressos para Santos e Paulista. Estarei com a Suzana no setor laranja do Pacaembu. Comprar ingressos pelo site do Sócio Rei funciona mesmo. Atendimento rápido, perfeito. E a idéia de que sócio pode adquirir mais um ingresso, a preço normal, para um convidado que ainda não é associado do clube, merece todos os elogios. Simples e eficiente, a sugestão do “Sócio + 1” é do leitor Douglas Aluízio, de Guarulhos, que encaminhei ao Arnaldo Hase, do setor de imprensa do Santos.

A oportunidade de ver o Santos completo, com Neymar, Cícero, Montillo e talvez Marcos Assunção não pode ser perdida. O Paulista merece respeito, mas prevejo uma grande atuação do Alvinegro Praiano. A arbitragem será de Leandro Bizzio Marinho, auxiliado por Fabricio Porfirio de Moura e Claudenir Donizeti Gonçalves. Que atuem bem e, se errarem, que seja contra o Santos. Detesto ver o time ganhar com ajuda da arbitragem. Algo me diz que nada impedirá mais uma noite gloriosa do Santos no Pacaembu.

Era um domingo qualquer de uma rodada qualquer do Campeonato Paulista de 2010. Desfalcado de Neymar o Santos enfrentava o Ituano, no Pacaembu. Veja o que ocorreu:

E você, que pressentimento tem para o jogo contra o Paulista?


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