Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Marketing

Por que é tão difícil encontrar camisas oficiais do Santos?


Camisas oficiais do Santos, um artigo raro nas lojas de material esportivo.

No fim de semana estive em Sorocaba e, visitando um grande shopping, deparei-me com uma loja de material esportivo que expunha camisas de vários times, menos a do Santos. Entrei e quis saber por que não havia camisas do Alvinegro na vitrine e a resposta do vendedor é que a loja não trabalhava com a Umbro. “É uma pena”, completou ele, “pois se eu tivesse a camisa, já teria vendido dezenas só nestes últimos dias”.

A dificuldade de encontrar as camisas oficiais do Santos e a demora da Umbro em lançar modelos comemorativos tem sido uma queixa recorrente dos torcedores. Isso atrapalha os planos de expansão do clube, pois a venda de camisas é o pãozinho quente do marketing do futebol.

Clubes europeus vendem milhões de camisas de seus ídolos, principalmente dos que estão chegando. Isso é impensável no Brasil. A produção é limitada, assim como os pontos de venda. E os artigos são muito caros, acima do poder aquisitivo do torcedor médio.

Enquanto os fabricantes de material esportivo não chegarem a preços mais populares, estarão estimulando a pirataria. É impossível que não se consiga fazer uma boa camisa por um valor inferior ao que cobram por ela. Assim, o torcedor acaba apelando para a camisa falsificada.

Outra questão, no caso do Santos com a Umbro, é que a porcentagem que fica para o clube é muito pequena – resultado de um acordo que a nova diretoria teve de engolir, pois já foi assinado há alguns anos.

Para dar o salto de qualidade que se quer e passar a ser um clube competitivo também no mercado internacional, o Santos precisa resolver esta questão crucial que é oferecer mais e melhores camisas ao torcedor. O mercado de santistas é imenso e está em crescente evolução, mas parece que a Umbro não está se empenhando o suficiente para atende-lo.

E para você, tem sido fácil encontrar a camisa oficial do Santos? O preço é justo? Como o clube – e a Umbro – devem agir para solucionar o problema?


O que você achou da venda de André? Comente aqui e responda a nova pesquisa aí no canto esquerdo

André e Robinho irão embora. Só Neymar deve ficar

Na pesquisa anterior, com 57% dos 1024 votos, mais do que o dobro dos votos pelo título da Copa do Brasil, o santista deixou bem claro que o que o deixaria mais feliz neste primeiro semestre seria “saber que o Santos manterá estes jogadores por muitos anos”.

Os grandes jogos, as goleadas que entraram para a história e o futebol alegre, bonito e envolvente de mais uma geração de meninos da Vila fizeram do Santos o time mais comentado do Brasil em 2010. A tevê cansou de mostrar o time-espetáculo, no qual se destacaram Robinho, Paulo Henrique Ganso, Neymar e André.

Tudo isso encheu os santistas de orgulho e os fez sonhar com uma felicidade duradoura, baseada na permanência dos principais jogadores da equipe. Esta felicidade pareceu se concretizar quando o presidente que assumiu este ano, Luís Álvaro Ribeiro, disse para todos que quisessem ouvir, que “o Santos venderá o espetáculo, não os artistas”.

Como o departamento de marketing nos tempos do presidente Marcelo Teixeira era muito criticado, e como Luís Álvaro substituiu todos os profissionais da área – além de anunciar o apoio de investidores que colocariam R$ 40 milhões no clube –, o torcedor do Santos não só acreditou que a equipe se manteria intacta, como novos reforços chegariam, colocando o time no nível dos melhores do mundo.

Agora, de chofre, vem a notícia da venda de André, o centroavante mais efetivo do País neste primeiro semestre, para o Dínamo de Kiev. Preço? Oito milhões de euros, dos quais 35% seriam do Santos que, segundo fontes, conseguiu aumentar a porcentagem para 50% – o que resulta em um valor aproximado de oito e meio milhões de reais.

As perguntas que ficam é se valeu a pena e que uso será dado a este dinheiro. O negócio mostra que o presidente do Santos faltou com a palavra, ou André não pode ser considerado um dos jogadores mais importantes da equipe? Bem, agora passo a palavra a você, caro leitor.

Além do comentário, peço que vote na enquete aí do lado. Até para a diretoria do Santos é importante saber o que o torcedor achou dessa transação.


Por que o Santos não segurará Neymar e Ganso

Entrevistarei o presidente Luis Álvaro sobre o assunto, mas enquanto ele arruma um tempinho na sua agenda para atender a este humilde blog, não posso ficar em silêncio diante da inquietação dos santistas, que querem saber o que esperar deste Santos após a Copa do Mundo. A grande questão é se o time perderá jogadores, entre eles os astros Ganso e Neymar…

Pela enquete aí do lado esquerdo se percebe o quanto o tema é crucial para o torcedor do Santos. Mais até do que ganhar a Copa do Brasil, 57% dos votos da enquete, ou seja, 550 santistas, concordam que o mais importante para o clube, no momento, é manter esses jogadores por muitos anos. Infelizmente, porém, isso não vai acontecer.

O que eu sei, a maioria sabe. Mas um simples exercício de lógica demonstra que as maiores probabilidades são as de que o Santos negocie alguns atletas e, naturalmente, se enfraqueça. Bem, esta tendência, natural, poderá ser revertida, claro, mas aí será necessário a conjunção de uma série de fatores que, em princípio, parecem distantes ou abstratos.

Somemos o que já vimos e ouvimos por aí…

Há seis meses Luis Álvaro Ribeiro assumiu a presidência do Santos dizendo que o clube não venderia nenhum jogador importante e montaria um time para ser campeão de toda competição que disputasse.

No início desta nova gestão, o primeiro dinheiro importante a entrar nos cofres do clube veio do G4 Paulista – R$ 2,5 milhões – através de um contrato de patrocínio firmado por José Carlos Peres, ex-superintendente do Santos na Capital.

A dívida do Santos no começo do ano era de R$ 177 milhões, dos quais R$ 100 milhões com encargos sociais.

Mesmo não sendo mais presidente do clube, MarceloTeixeira teve de continuar como fiador do clube nos bancos de Santos.

Há menos de um mês um diretor de futebol do clube confidenciou a Ademir Quintino que o dinheiro do Santos acaba neste mês de junho…

Paulo Henrique Ganso já recebeu várias propostas e está propenso a ir para o Real Madrid. Quando um jogador quer ir embora, é como a mulher que quer fazer sexo. Ninguém segura…

Wagner Ribeiro já tem propostas milionárias pelo Neymar. Há, segundo o empresário, ao menos um clube disposto a pagar a multa integral pelo passe do atacante santista.

Há menos de um mês noticiou-se que Marcelo Teixeira, ainda o avalista do Santos, entrou com uma ação na justiça para receber R$ 15 milhões do clube.

O fundo de investidores que acenou com a possibilidade de injetar R$ 40 milhões no clube caso Luis Álvaro Ribeiro fosse eleito, ainda não o fez.

Isso quer dizer que…

O Santos tem feito das tripas coração para pagar Robinho e manter o elenco –que ainda não é caro, mas, devido à valorização dos jogadores pela ótima fase da equipe no primeiro semestre, inevitavelmente ficará.

Apesar do louvável esforço do marketing – que tem buscado valorizar a marca e fechar contratos de patrocínio maiores do que na gestão anterior –, o Santos continua com o caixa zerado, pois tudo o que entra vai direto para os credores.

O clube recebeu cotas antecipadas – entre elas da Federação Paulista e do Clube dos Treze (direitos de tevê) – para se manter. É este o dinheiro que está acabando este mês.

Se mesmo esta folha de pagamentos – razoavelmente modesta, se excluído o salário de Robinho – está sendo paga na conta do chá, isso indica que se novas e generosas fontes de receita não surgirem e se o fundo de investidores não der o ar de sua graça, será impossível manter Ganso e Neymar, entre outros.

O que deve acontecer é…

Sem um plano emergencial para arrecadar muito dinheiro em pouco tempo e sem a primordial vontade dos jogadores de ficarem no clube e marcarem seu nome na história do Santos – como Rogério Ceni fez muito bem no São Paulo –, o Santos será obrigado a negociar Paulo Henrique Ganso ou Neymar, ou até mesmo os dois.

Desfazendo-se de seus maiores craques o clube se livrará da dívida bancária que cresce em uma progressão geométrica. A dívida com o governo vem sendo abatida pela Timemania, na qual o Santos está entre o quinto e o sexto clubes que recebem as maiores cotas.

Vender Ganso ou Neymar é o alto preço que o clube pagará pela péssima administração financeira do presidente anterior. Marcelo Teixeira teve o mérito de criar e manter uma ótima estrutura para o futebol de base, mas gastou demais e arrecadou de menos, deixando o clube em uma situação grave, que, se prosseguisse no mesmo ritmo, poderia leva-lo à falência.

Normalizada a situação financeira, o clube terá de continuar apostando na revelação e descoberta de jogadores novos. E torcer para que o raio volte a cair mais vezes na Vila Belmiro.

É natural que no segundo semestre haja uma queda no rendimento técnico, principalmente com relação ao ataque, mas caso reforce a defesa e o meio-campo, cujos investimentos necessários são menores – já que atacantes são os jogadores mais valorizados do mercado -, será possível vencer a Copa do Brasil e lutar pelos títulos do Campeonato Brasileiro e da Copa Sul-americana.

O futuro ideal seria…

Que o Santos tenha condições de revelar, ou contratar, ao menos um grande jogador por ano. Esta filosofia é que levou o Real Madrid ao que é hoje.

Que o clube arrecade muito mais – e tem potencial e marca para conseguir no mínimo 50% a mais do que arrecada hoje – e que não precise mais se desfazer de seus melhores jogadores para pagar dívidas.

Ainda sobre arrecadação, não sei quantas camisas do Ganso e do Neymar foram vendidas neste semestre, mas creio que se houvessem alternativas ágeis e oportunas do fabricante, este número poderia ser muito maior. Eles foram os caras mais falados do futebol brasileiro…

Também acho que o Santos viveu um grande momento para uma grande campanha de sócios e de expansão de suas escolinhas (sem contar os trabalhos para o Centen ário, que foram interrompidos). Não sei o que foi feito a respeito, mas foi pouco, pois se fosse muito eu saberia.

Bem, mas o futuro ideal passa, também, pela estrutura do futebol brasileiro. Ouço agora que Kléber, de volta ao palmeiras, estreará contra o Santos. Ótimo para o espetáculo. Com clubes mais fortes, teremos um futebol mais rendoso, que permitirá a manutenção de alguns dos ídolos.

Por fim, resta a consciência do próprio jogador. Enquanto ele imaginar que só será respeitado e realmente famoso quando atuar fora do País, então nada poderá segurá-lo. Não creio que seja só um problema financeiro, pois qualquer um deles também ficaria rico só jogando em times brasileiros.

Se houvesse um trabalho conjunto dos clubes, associações e da própria CBF para criar uma estrutura capaz de manter os craques aqui, a situação seria progressivamente melhor, até que o mercado brasileiro, ao menos para os astros, pudesse ser quase tão atraente como o europeu. Por enquanto, eu sei, isso é apenas um sonho. Mas todo sonho começa com um ideal.

E você, prezado leitor e leitora, o que acha que acontecerá com o Santos no segundo semestre? Já está conformado(a) com a saída de Ganso e de Neymar?


Infiltrado na torcida corintiana

O amigo Sérgio Quintanilha, diretor da revista FourFourTwo, fez questão de me convidar para ir ao Pacaembu, ontem, ver o Corinthians dele contra o Cerro Porteño do Paraguai. Fui. Nos aboletamos onde costumo ficar quando vejo os jogos do Santos e com isso pude não só analisar de perto este Corinthians armado para ganhar a Copa Libertadores, como comparar o comportamento da torcida corintiana com o da santista, que também costuma lotar o Pacaembu. A seguir, minhas observações e conclusões. 

Time

O técnico Mano Menezes está deixando de fazer concessões a alguns jogadores recém-contratados e aos poucos tem colocado em campo o time que o torcedor quer. Por isso Tcheco, Iarley, Defederico e Edu, hoje, são reservas, enquanto Jucilei, Ralf, Elias e Dentinho são titulares.

Para o torcedor, o time jogaria com um volante a menos e Jorge Henrique formaria o ataque com Dentinho e Ronaldo. Foi o time campeão paulista e assim é que a torcida quer. Senti que Jucilei é quem deverá sair para a entrada de Jorge Henrique.

Dos experientes contratados para jogar a Libertadores, só Roberto Carlos está bem. Danilo, apesar da categoria, ainda erra muitos passes. Ele tem um estilo parecido com o de Paulo Henrique Ganso, mas o jogador do Santos é mais ágil, pensa mais rápido, passa melhor e apoia com mais perigo.

O goleiro Rafael Santos não inspira a mínima confiança entre os torcedores. Se não melhorar, pode perder até a condição de primeiro reserva de Felipe.

Ronaldo é realmente um fenômeno. Mesmo em um dia em que não joga quase nada, ainda sai muito aplaudido de campo. Um senhor que insistiu em ofende-lo quase arrumou confusão com outros torcedores. 

Técnico

Mano Menezes já não é uma unanimidade entre os corintianos. Está com fama de retranqueiro. Foi vaiado e xingado quando substituiu Dentinho por Jorge Henrique. A torcida queria a entrada de um, mas não a saída do outro. Porém, Mano não tem aberto mão de jogar com quatro no meio-campo, três deles dedicados quase que exclusivamente à marcação.

Percebe-se que o relacionamento entre o técnico e a torcida está por um fio, ou por uma desclassificação. Se for eliminado da Libertadores sem montar um time que jogue um futebol um pouco mais digno, arrisco dizer que não permanecerá no clube.

Se foi Mano Menezes o único responsável pelas contratações para o time da Libertadores, então ele demonstrou pouca coragem e visão. Dos contratados, a maioria está na reserva. Até agora o técnico se saiu bem com times medianos formados com pouca verba. Agora que teve a oportunidade de armar um esquadrão, está fracassando. Nem o Paulista nem a Libertadores terminaram ainda, o que deixa a esperança no ar, mas a verdade é que este Corinthians, pelo que se esperava dele, é decepcionante.

Torcida

O grande espetáculo de um jogo do Corinthians continua sendo apresentado nas arquibancadas. Há momentos em que nenhuma boca do estádio (com exceção da minha) parecia calada. Todas cantavam cânticos ou gritavam palavras de ordem em louvor do time.

A bandeira que a Gaviões da Fiel estende nas arquibancadas alcança quase 1/3 do estádio. Uma bela demonstração de força, sem dúvida.

A torcida organizou uma “ola” que deu três voltas no Pacaembu antes de parar. Se a torcida quisesse, a “ola” continuaria indefinidamente, pois todos estavam se divertindo muito com ela. 

Torcida/Comportamento

O que deu para perceber, porém, é que o clima de um jogo do Corinthians, no mesmo estádio e com o mesmo público, é bem mais tenso do que em uma partida do Santos. Há algo atávico nisso aí. O santista já não tem essa obsessão por título nenhum. Já ganhou todos. Mas, talvez pela ansiedade de nunca ter vencido uma Libertadores, aos três minutos de partida o torcedor corintiano já está xingando o jogador que segura a bola mais do que dois segundos. Isso acelera o time, multiplica os erros de passe e só ajuda a equipe visitante.

Há um clima de sofrimento no ar. Mesmo quando vai bem, o time está ganhando e o adversário é fraco, o corintiano parece à espera de alguma desgraça. Quando a bola é cruzada para sua área, então, é um desespero só. Não há muita confiança na defesa, apesar de Chicão ser um ídolo.

Havia muito menos mulheres e crianças do que se vê em jogos do Santos. Claro que o fato de ser um jogo noturno pode explicar isso, em parte, mas creio que é evidente que tanto o público feminino, como infantil, tem crescido muito nas fileiras santistas.

Estranhei, ontem, ver muita gente sentada ou conversando durante a execução do Hino Nacional Brasileiro. Nos jogos do Santos há um respeito e uma participação maiores.

Estranhei também ninguém aplaudir as belas cheerleaders, que dançaram, com muita graça – e um gosto discutível -, o “Rebolation”.

O mais importante a dizer sobre a torcida do Corinthians é que seu comportamento extremamente passional, ao mesmo tempo em que pode levar a equipe a vitórias impossíveis, pode levar também a derrotas inesperadas. A afobação do torcedor passa para o time, que avança como se pudesse marcar meia dúzia de gols em um único ataque.

O toque de bola do Corinthians é ruim, com muitos erros de passe. Um pouco por falta de jogadores mais habilidosos e muito pelo ritmo acelerado que o torcedor quer impor a um time que, até pela média de idade, deveria jogar mais pausadamente.

Qualquer jogador mais técnico, que goste de cadenciar o jogo, como Danilo ou Tcheco (que o locutor do estádio chama de “Checo”), dificilmente se firmará nesse time, ao menos nos jogos em casa. E seria essencial ter alguém assim, pois o time não tem padrão de jogo e a bola mal passa pelo meio-campo. Fazem a chamada “ligação direta” o tempo todo, com chutões da defesa para o ataque.

O jogo

Ao amigo Celso Unzelte, que assistiu ao jogo comigo e com o Quintanilha, dei o palpite de que o Corinthians ganharia por três gols de diferença. Seria o normal, diante de uma equipe limitada e sem torcida (só um ônibus trouxe os torcedores do Cerro). Mas o Corinthians jogou com o freio de mão tão puxado que quase complica as coisas.

Ontem o Cerro foi o que tratou melhor a bola. Tocou com mais precisão e criou mais chances no primeiro tempo, que não merecia terminar perdendo por 1 a 0 devido a um gol lotérico de Ronaldo. Na segunda etapa o time paraguaio também não foi dominado. Ao contrário. Após fazer o primeiro gol e diminuir para 2 a 1, levou o estádio a um nível de nervosismo que o encerramento do jogo foi recebido com aplausos aliviados.

Claro que o Corinthians tem camisa e jogadores para crescer mais. Porém, se continuar jogando como tem feito até agora, dificilmente irá longe na fase mata-mata dessa Libertadores. O time não parece ter controle emocional para enfrentar as batalhas que vem pela frente.

Marketing

Antes do jogo o Corinthians usou o campo para apresentar displays enormes.  Os bancos de reservas foram cobertos por propagandas. A impressão que se tem é que se tenta vender todo o espaço possível, o que polui o visual e chega a atrapalhar a visão do torcedor.

A queima de fogos antes do jogo é multicolorida, como num reveillon. Não tem só o objetivo de fazer barulho. É bonito. Gostei.

Em um jogo como este, já que paga tão caro pelo ingresso, o torcedor poderia ganhar alguns brindes, como impressos sobre o time ou sobre a Libertadores, chaveirinhos, bonés, bandeirinhas, DVDs, um tipo de camiseta mais barata… Quem sabe até livros do Celso Unzelte contando a história do clube. Enfim, cobra-se muito e se oferece muito pouco. Como se bastasse ver o jogo. 

Não vi nenhum mascote, quanto mais dois, como a Baleiinha e o Baleião, os mais bonitos mascotes do futebol brasileiro.

E você, leitor e leitora, acha que o Corinthians poderá ganhar a Libertadores desta vez? O que você acha desses jogadores e do técnico Mano Menezes?


A diretoria do Santos agiu bem em marcar o clássico para a Vila e aumentar o preço dos ingressos? Analisemos…

A Vila não será pequena para O Grande Jogo?

Discute-se ainda a decisão da diretoria do Santos, presidida por Luis Álvaro de Oliveira, de marcar o clássico com o Corinthians para a Vila Belmiro e, para compensar a capacidade reduzida do estádio, quadruplicar o preço dos ingressos.

No meio da semana, de tanto ser inquirido sobre a questão, Luís Álvaro declarou que “não dá para assistir a um espetáculo do Cirque de Soleil pagando preço de circo de periferia”. Que tal analisarmos com carinho, e sem paixões, o que esta frase representa…

Em primeiro lugar, o Cirque du Soleil, assim como um renomado espetáculo de teatro, dança ou música, segue um alto padrão constante. As exibições, sempre, são espetaculares. O consumidor sabe o que vai encontrar, e encontra.

Você nunca irá a uma grande ópera em que os principais atores são poupados no segundo ato, ou, no caso de uma peça teatral, esquecem as falas. O rendimento de todos é uniforme, assim como a beleza dos cenários, figurinos e a harmonia do enredo.

O futebol, por sua vez, vive sob o signo da imponderabilidade. Mesmo o grande Santos de Pelé & Cia às vezes frustrava seus espectadores. O cansaço, a violência dos adversários, a parcialidade do árbitro ou mesmo a má jornada dos craques santistas podiam fazer de um domingo de festa um dia de decepções e aborrecimento.

No meio desta semana o Corinthians cobrou arquibancadas a 120 reais, em sua estréia na Libertadores. A renda chegou a dois milhões de reais, apesar de sobrarem mais de 5.000 lugares no Pacaembu. Para os financistas foi ótimo, mas quem foi ao jogo temeu pela revolta da torcida quando o Racing do Uruguai abriu o marcador. Um fracasso naquele jogo teria despertado grande revolta nos corintianos, que já assistiam à partida incomodados com o preço abusivo que pagaram pelo ingresso.

Este Santos que jogará domingo é um time com alguns jogadores bem talentosos, mas ainda é uma equipe instável, que paga o preço da juventude. Não há garantia de que seu rendimento será elevado e constante, como se pode esperar dos artistas do Cirque du Soleil.

Pagar mais pelo mesmo sofrimento?

No Brasil, ir a um estádio de futebol é estar disposto a sofrer. Quem vai, sabe. Você é assaltado desde o momento que estaciona seu carro, até o instante em que resolve matar a sede. Primeiro, o flanelinha só falta enfiar a mão no seu bolso para tirar os 15 reais que ele decidiu ser o valor justo para “tomar conta do seu carro”. Em seguida, os cambistas exigem o absurdo por ingressos que ainda deveriam estar nas bilheterias e já não estão. Por fim, os vendedores do estádio cobram 4,00 por um copo de refrigerante e ainda “ficam devendo” o seu troco.

Nem falemos de banheiros e acomodações. Há estádios, como a Vila Belmiro, com pontos cegos, em que você precisa torcer para que alguma grande jogada aconteça no seu raio de visão, ou o sujeito que ficou em casa diante da tevê, terá mais histórias interessantes para contar.

Infelizmente, apesar de todos os direitos do consumidor apregoados de uns tempos para cá, nossos estádios têm estruturas de no mínimo meio século de existência. Para que os clubes possam exigir mais do consumidor, precisarão também oferecer mais.

Todos sabem que nos grandes estádios europeus o cidadão estaciona seu carro rapidamente, passa no shopping, almoça e pode tomar o elevador a cinco minutos para o início da partida que seu lugar estará lá, intocável e com visão cinematográfica do campo. Aqui, convenhamos, a realidade é bem diferente. Por isso, é óbvio que não se pode aumentar o preço dos ingressos.

Mas a nova diretoria decidiu que sim, que se pode e se deve cobrar mais caro pelo jogo de domingo. Desta forma, a arquibancada, o lugar mais comum e mais barato da Vila Belmiro, passou a R$ 80 (meia por R$ 40), quatro vezes mais do que os usuais R$ 20. As cadeiras de fundo e o Setor Visa, R$ 160 (meia por R$ 80). Já as cadeiras laterais, R$ 200 (meia por R$ 100). Os ingressos para o torcedor-família não estarão disponíveis para esta partida.

Marketing x Bom Senso

Há indícios de que a decisão de se jogar este clássico – que é o mais importante na história do Santos – na Vila Belmiro, segue a estratégia de forçar o torcedor a associar-se ao clube. Haverá tantas mais facilidades de se assistir a um jogo desses sendo sócio, que o quadro social deverá aumentar rapidamente. Ao menos é o que esperam os mentores do plano. Bem, parece um motivo frio e mercadológico, mas, admito, às vezes os administradores precisam mesmo deixar a paixão de lado.

No entanto, se o Santos tem à sua disposição o Pacaembu, um estádio maior, que comporta o dobro de pessoas, onde ese poderia cobrar menos pelos ingressos e mesmo assim o faturamento seria maior do que na Vila. Por que não se pensou nisso? Apenas por causa das promessas de campanha? Ora, a prioridade, hoje, é tirar o time do buraco financeiro. Os banqueiros que fazem parte do conselho diretivo do Santos estão carecas de saber disso.

É um contra-senso cumprir uma promessa ao torcedor sacrificando este mesmo torcedor. Será que, se consultado, o santista preferiria pagar quatro vezes mais para que o jogo fosse na Vila? Obviamente, não. Então, o cumprimento dessa promessa está mais ligada a um romantismo retrógrado do que à praticidade que o momento exige.

O resultado do jogo trará a resposta

Por mais ângulos que analisemos a questão, entretanto, admito que as respostas só virão no domingo à noite, após o jogo. Sim, no futebol as teorias econômicas, os planos de marketing e as estratégias de comunicação, por mais ousadas e mirabolantes que sejam, dependem mais do goleiro e do centroavante do que de um professor-doutor em qualquer coisa. Se a bola entra e o time ganha, está tudo bem, do contrário, estabelece-se a insídia e a revolta.

Sempre foi assim e é importante que os homens que hoje dirigem o Santos tenham plena consciência disso. Foi o Deus Resultado que os colocou no poder e é este mesmo senhor todo-poderoso que pode manter uma gestão indefinidamente, ou guilhotiná-la num piscar de olhos.

Foram os resultados do time, apenas eles, que decidiram as últimas eleições do Santos. A maioria dos associados que votaram em Luís Álvaro de Oliveira não o conheciam, assim como conheciam poucos da chapa oposicionista. Mas já conheciam muito bem Marcelo Teixeira e não estavam mais satisfeitos com sua administração.

Porém, apesar de todos os problemas que cercavam a gestão anterior -como a caótica administração financeira, suspeitas de desvios de arrecadações e de corrupção no departamento de futebol profissional e nas divisões de base – foram os fracassos do time que derrubaram o presidente que há uma década se mantinha no poder.

Dois anos seguidos de futebol apático e medíocre, apesar do alto salário dos jogadores, foram suficientes para fazer o orgulhoso torcedor santista decidir que aquele rumo não era mais o certo. Assim, o mesmo torcedor que até ali tinha dado vitórias esmagadoras a Teixeira, o presidente mais vitorioso do clube após Athiè Jorge Cury, foi às urnas para votar contra ele, qualquer que fosse o candidato da oposição.

Apesar de todo o currículo, o caráter e a simpatia de Luis Álvaro, que ele não se iluda: ele está na liderança do Santos graças ao chamado “voto de protesto”. Fosse o time campeão de alguma coisa em 2009 e o poder certamente não teria mudado de mãos.

Portanto, Luís Álvaro de Oliveira e senhores gestores do mais alto calibre, prestem atenção: o sócio do Santos merece, mais do que nunca, ser ouvido. Ele, só ele, resolveu mudar os destinos do clube. Por isso é preciso lhe dar satisfações de todos os atos desta nova diretoria, principalmente quando estes atos mexem com o sagrado bolso do torcedor santista.

Bem, esta é a minha opinião, mas neste blog ela é apenas um referencial. Quero ouvir a sua. No espaço dos comentários você tem o espaço que quiser para defender seu ponto de vista – e aproveito para convidar a todos para lerem os comentários deste blog, os mais coerentes e bem escritos que eu já li em um blog de futebol.


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