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Tag: Material Esportivo

Por que a Under Armour escolheu patrocinar o São Paulo e não o Santos?


Sede da Under Armour em Baltimore, Maryland, Estados Unidos.

O Santos tinha negociações bem adiantadas com a empresa norte-americana Under Armour para que ela se tornasse a sua fornecedora de material esportivo. No entanto, nesta terça-feira veio o anúncio oficial de que a Under Armour assinará um contrato de cinco anos com o São Paulo, pagando R$ 15 milhões anuais em dinheiro e mais R$ 12 milhões por ano em material esportivo, fora premiações por títulos. A pergunta que ficou no ar é: por que a Under Armour decidiu patrocinar o São Paulo e não o Santos?

A pergunta se torna ainda mais necessária quando se sabe que nenhum outro time brasileiro, além do Santos, representava fielmente a imagem que a Under Armour quer manter no Brasil. Em seu site oficial, a empresa se define como “uma marca de Underdogs”. Como se sabe, underdog quer dizer azarão, marginalizado, carta fora do baralho.

O site prossegue: “Você não leu errado, azarões mesmo. Azarão é aquele no qual ninguém acredita, ninguém aposta. Mas ele vence. Não conta com a sorte e não acredita em dom. Vence porque é disciplinado, determinado e sua para isso. Não precisa de exposição, de mérito ou aplausos, ele precisa do resultado.”

Bem, e qual é o maior time underdog do Brasil, o único que não é de uma capital e se mantém entre os mais vitoriosos do País, com feitos históricos inigualáveis e berço de tantos craques incomparáveis, entre eles o Rei Pelé? Não, nenhum outro time brasileiro é tão underdog, é tão Under Armour como o Santos.

Então, não fechar com o Santos foi um erro na empresa norte-americana? Não se pode dizer isso. Uma empresa de material esportivo quer visibilidade, lucro, participação maior no mercado, e viu mais isso no São Paulo do que no Santos. Entretanto, quem sou eu para analisar questões de marketing. Sou apenas um jornalista e como tal busquei fontes fidedignas sobre a negociação da Armour com os dois grandes clubes brasileiros. Pelas informações que apurei, a Under Armour fechou com o São Paulo, e não com o Santos, pelos seguintes fatores:

1 – O São Paulo é de São Paulo, uma das maiores cidades do mundo, com 15 milhões de habitantes. O Santos também tem muitos torcedores em São Paulo, mas prefere jogar em Santos, no menor estádio entre todos os times do Campeonato Brasileiro.

2 – O São Paulo, mesmo com problemas financeiros, tenta manter uma imagem saudável na mídia, enquanto a nova diretoria do Santos fez questão de revelar que estava assumindo um clube falido. Uma empresa próspera não quer associar sua marca a um clube falido.

3 – O Santos tem atributos que poderiam fazer a negociação pender para o seu lado, como sua brilhante história internacional e a ligação com Pelé, mas o São Paulo se empenhou bem mais na negociação. Seu presidente, Carlos Miguel Aidar, foi pessoalmente a Baltimore, em Maryland, Estados Unidos, sede da Under Armour, para tratar do negócio diretamente com a direção da empresa.

Agora veja os bastidores do Santos antes, durante e depois o jogo contra o Londrina. Robinho assumiu a liderança do elenco? Assista a este vídeo da SantosTV e tire suas conclusões:

E pra você, por que a Under Armour patrocinou o São Paulo e não o Santos?


Avaliando a Nike no Santos

Recebi a sugestão de abrir essa discussão pelo Marcelo Melo, além de muitos comentários do blog comentando sobre esta situação.

Logo estaremos completando o primeiro ano do contrato de fornecimento de material esportivo pela Nike. A multinacional substituiu a Umbro, com quem o Santos manteve uma das parcerias mais longas dos últimos tempos no futebol brasileiro. Este período nos permite fazer algumas considerações, pensando principalmente na melhoria dessa relação, pensando em todos os pontos cruciais de um time de futebol.

Primeiro vamos relembrar um pouco o que tínhamos com a Umbro. A marca da Umbro era licenciada no Brasil por uma fábrica, portanto eles tinham a autorização de uso da marca e eram responsáveis por todas as etapas de trabalho dos produtos, desde a produção até a distribuição. Mesmo sendo uma empresa grande, eram menores que as principais empresas do mercado esportivo, por isso ficavam devendo um pouco na escala de produção e principalmente na distribuição para pontos venda. Em compensação o produto era de boa qualidade. Como colecionador digo que esteticamente foram pouquíssimas as camisas que me desagradaram, além do material ser durável.

O contrato do Santos com a Nike é uma salada que ainda tento compreender. Segundo informações publicadas na imprensa, quem controla a distribuição do material é a gigante da internet Netshoes. A produção seria “mista”, com a fabricante que trabalha com a Nike fornecendo a camisa “limpa” e a Netshoes sendo a responsável pela montagem do quebra-cabeça de patrocínios, número e outras estampas. Esse novo modelo de contrato foi firmado pela empresa também com o Coritiba e com o Bahia. Já o Corinthians possui um contrato mais tradicional, com a Nike gerenciando todas as pontas do negócio.

Como o modelo do Santos é novo e ainda não está consolidado isso gera uma certa discórdia, requer um pouco de atenção e um bom acompanhamento por parte da direção, mas só o tempo dirá qual é mais vantajoso.

Agora vamos ao que tem chamado a nossa atenção, os pontos negativos desse novo contrato!

-A distribuição com a Netshoes é muito eficiente na internet, mas nem todo mundo compra por este canal e muitos torcedores de outros estados e cidades do interior reclamam que as lojas de suas regiões ainda não são abastecidas. A exclusividade com a Netshoes faz também com que algumas grandes redes como a Centauro acabem não vendendo alguns itens como a camisa de jogo.

-Algumas pessoas têm reclamado do material da Nike, assim como da estética da camisa. Aqui trata-se de uma questão de gosto pessoal, mas eu concordo que o produto parece ter recebido menos atenção no desenvolvimento do que na época da Umbro recebíamos.

-A estratégia de lançamento da camisa 3 antes do lançamento da camisa 2 é extremamente polêmica. Alguns dados levam a acreditar que a estratégia teve um bom retorno comercial, porém estamos no ano do centenário e um grau de consumo acima do normal dos produtos licenciados já deveria ser esperado. O problema foi exatamente o não cumprimento da agenda inicial, com frequentes atrasos nos lançamentos. Passamos praticamente o ano inteiro do centenário sem a camisa 2 e datas históricas que deveriam aproveitar os lançamentos acabaram passando batidas, algo lamentável.

-Um problema cultural que se repete novamente com a Nike é sobre a aceitação da camisa 3. Disputas e discussões entre a própria torcida muitas vezes não são produtivas, e mais uma vez não vejo nenhuma iniciativa da fabricante para atenuar isso. O fato de não termos a camisa 2 ajuda a colocar mais gasolina nesse fogo. Em parte a torcida também tem sua parcela de culpa, tenho como opinião pessoal que falta bom senso em algumas situações, como por exemplo no jogo da libertadores entre Santos X Bolivar tivemos centenas de pessoas na Vila com a camisa 3, praticamente idêntica à do adversário.

-A linha de produtos lançada pela Nike é extremamente limitada. Passamos o inverno inteiro sem o lançamento de agasalhos. Um portfólio tão limitado no ano centenário, quando todos estaríamos dispostos a adquirir produtos exclusivos, foi um desperdício enorme.

Quando pensamos no fornecimento de material esportivo, a primeira coisa que passa pela nossa cabeça é quanto dinheiro o clube vai ganhar. Mas devemos lembrar que muitos fatores devem ser considerados e que também têm seu peso nessa balança.

Qual o seu grau de satisfação com o fornecimento da Nike? O Santos está ganhando ou perdendo com esse contrato?

 


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