Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Mineirão

O Cruzeiro tem um time campeão, o Santos tem Robinho

Cruzeiro 3 x 0 Santos

O jogo analisado lance a lance

Em uma experiência nova, tentarei ver o jogo e comentar aqui. Vamos la..

Estádio cheio, legal, clima de grande jogo, clássico do futebol brasileiro. Vamos as análises dividindo o jogo por minutos…

6 – Cruzeiro vai ao ataque, cria mais. O Santos só pode se segurar e esperar a chance. Por enquanto, o time mineiro domina o meio-campo. Damiao acaba de ter uma chance, mas se enrolou e fez falta.

10 – Edu Dracena e Dedé estavam caídos e o Vuaden deixou o jogo seguir. Quase gol. Nas poucas chances de contra-ataque, Santos não pode errar passes bobos. Aliás, nunca pode.

11 – Muita bola pipocando na área do Santos, uma dessas pode sobrar pra um adversário.

13 – Cicinho não pode perder a bola com todo mundo na área do Cruzeiro.

15 – A pressão inicial do Cruzeiro diminuiu. Santos já consegue trocar passes.

16 – Moreno acerta o cotovelo no Bruno Uvini. Sem querer? Não sei, só sei que o Santos já está sem zagueiros. Uvini terá de jogar com curativo.

18 – Alan Santos olhou, olhou e entregou no pé do adversário. Aranha salvou.

19 – Everton Ribeiro ajeita com a mão e faz o gol. Bem anulado. Amarelo pra ele.

21 – Bom cruzamento de Cicinho, Damião fura a cabeçada. Bola fora.

24 – Alan Santos pega a bola, mas faz a tesoura com a outra perna e Vuaden da falta. Na cobrança, Marcelo Moreno cabeceia e Aranha aceita. 1 a 0. Água mole em pedra dura…

Com um gol atrás, a chance de o Santos ao menos sair com um empate no Mineirão diminui bastante. Agora o Cruzeiro não precisa se expor mais. Seu time já pode esperar e explorar os buracos na defesa do Santos. De que adiantou ter mais atacantes no papel, se o Santos foi pressionado desde o começo? A vantagem no meio-campo deu o domínio ao time de casa.

34 – Maior chance do Santos. Robinho briga, ganha no jogo de ombro e toca para Lucas Lima, que não consegue chutar por não ter pé direito. E prensado e a bola sai pela lateral.

36 -Robinho cai pela direita, toca para Damião e penetra, mas a bola volta longa demais.

38 – Oswaldo pediu para Rildo e Leandrinho se aquecerem. Creio que Alan Santos deve sair no intervalo. Eu não tiraria o Lucas Lima, mas acho que Oswaldo vai.

39 – Mena chuta forte e a bola cai no pé de Damião, livre, na pequena área, a bola bate nele e sai.

Em seguida, ótimo ataque e a bola cai pra Thiago Ribeiro, livre. Ele corta pra dentro e chuta. Pra fora…

43 – Santos ataca mais. Cruzeiro recua e fica na espreita de contra-ataques. Robinho tem liberdade para jogar em qualquer posição do ataque.

Análise do primeiro tempo

O Cruzeiro foi melhor e pressionou até fazer o gol, aos 24 minutos. Depois, deu mais espaço ao Santos e isso permitiu ao Alvinegro algumas boas chances, com Lucas Lima, Damião e Thiago Ribeiro. Quando pressionado, o Santos mostrou falhas na marcação, principalmente com Alan Santos e Mena. Aranha desta vez falhou no gol.

Mas árbitros europeus não dariam falta de Alan Santos no lance que gerou o gol. Ele trava a bola com o pé direito e depois há o contato da outra.

Para o segundo tempo, duas substituições prováveis seriam as entradas de Rildo e Leandrinho nos lugares, respectivamente, de Damião e Alan Santos. Creio que a segunda será feita, mas tenho dúvidas com relação a saída de Damião, pois mesmo sem estar em boa fase, ele preocupa a defesa do Cruzeiro e segura dois zagueiros lá atrás. Sem ele, o Santos tanto pode se tornar mais rápido e perigoso nos contra-ataques, como pode voltar a ser esmagado na sua defesa pela pressão do Cruzeiro.

Segundo tempo

Saíram Bruno Uvini e Leandro Damião, entraram Nailson, zagueiro da base, e Rildo. Trabalho da defesa será mais complicado. Dracena está voltando e jogará ao lado de um garoto. Alan Santos continua. Caso se acalme, ainda pode jogar bem.

2 – Santos perde a bola na saída da defesa, com Cicinho, o Cruzeiro penetra pelo meio e Ricardo Goulart bate cruzado para fazer 2 a 0. Bola foi forte, mas passou perto de Aranha.

Agora, creio que o estrago já está feito. Mas o Santos tem a obrigação de lutar ate o fim. Quem sabe o Cruzeiro se acomoda com a vantagem…

8 – Alan Santos faz uma falta idiota em Henrique e leva amarelo. Santista continua descontrolado.

Algo me diz que Marcelo Oliveira armou uma armadilha para Oswaldo. Fingiu que se preocupava com o ataque do Santos e induziu o técnico santista a escalar três atacantes no Mineirão. O que poderia colocar o Cruzeiro em dificuldade era o Santos fechar o meio-campo. Enfim, Santos começou a perder o jogo na prancheta.

15 – Cicinho dribla, vai a frente, cruza bem para trás. De frente para o gol, Rildo chuta pra fora. Santos ainda não acertou um único chute no gol.

22 – Cruzeiro permite que o Santos ataque.

23 – Thiago Ribeiro fica com a bola diante do goleiro, mas chuta em cima do mesmo. Era driblar para a direita e estufar as redes.

26 -Robinho caiu muito. Não está conseguindo segurar a bola.

27 – Bela tabela entre Júnior Batista e Willian. O segundo chuta pra fora.

Essa e aquela hora que o torcedor Santista espera por um milagre. Até o Robinho sumiu, parece cansado. Depender do Rildo e dose. Mas vamos lá…

Vuaden e caseiro mesmo. Deu uma falta do Nailson que nenhum árbitro europeu daria. Bola centrada na área, perderemos, mas no fim foi pra fora.

34 – Robinho ajeita para a canhota e chuta de fora da área, mas também não acerta o gol. A chance era boa.

Entra Leandrinho e sai Alan Santos. Agora? O que vai mudar?

38 – Bom passe do Lucas Lima para o Mena, que cruzou pra trás, mas ninguém aproveitou. O mesmo lance ocorreu em seguida, e novamente não havia ninguém do Santos para aproveitar.

Ao menos parece que a preparação física do Santos vai bem. Time mostra mais fôlego ronque o Cruzeiro neste final.

42 – Thiago Ribeiro erra o passe e da o contra-ataque para o Cruzeiro. Gol de Júnior Batista. Thiago Ribeiro não fez gol pelo Santos, mas participou de dois do Cruzeiro.

Fim de jogo. Análise final.

E óbvio que Oswaldo Oliveira escalou mal o time. E óbvio também que Leandro Damião e Thiago Ribeiro vivem péssima fase, principalmente o primeiro. Mas, o que o técnico pode fazer se e obrigado a escalar esses jogadores – que foram um investimento equivocado da diretoria de futebol e da presidência do Santos?

Portanto, tudo começou a piorar com a vinda de Damião. O maior responsável pelo futebol perdedor do Santos e aquele que decidiu contratar Damião e com isso mexeu em toda a estrutura tática do time. Porém, não e só isso que fez o Santos perder para o Cruzeiro.

Perdeu, e com justiça, porque tem menos time, menos elenco, menos técnico e menos direção de futebol. Hoje, infelizmente, não da para comparar Santos e Cruzeiro.

Mas, mesmo assim, poderia ter tido melhor sorte neste domingo? Sim, claro, o futebol permite essas alternâncias. Teremos de recorrer ao indefectível “se” para lembrar que Damião teve uma chance, Thiago teve duas e Rildo mais uma. Então, até daria para esperar outros números, mas a derrota foi justa.

O Santos tem de ser humilde e adotar um estilo de jogo de acordo com suas possibilidades do momento. Não da para enfrentar o melhor time do Pais, na casa deste, com três atacantes, sendo que dois vivem momentos muito ruins. Enfim, desta vez concordarei com as críticas a Oswaldo de Oliveira. Ele começou a perder o jogo na escalação.

Mesmo reconhecendo a justiça da vitória do Cruzeiro, tenho de criticar a arbitragem. No primeiro gol, além de não ser falta do Alan Santos, Leandro Vuaden deveria ter marcado impedimento de Moreno, pois este atrapalhou Aranha, ao tentar e quase tocar na bola. E no terceiro gol, Junior Batista estava impedido.

E você, o que achou de Cruzeiro 3 x 0 Santos?

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Robinho, o craque solitário do Santos (Foto: Ricardo Saibun/ Santos FC)

Vejo e não acredito. O técnico Oswaldo de Oliveira parece que vai mesmo escalar três atacantes contra o Cruzeiro, neste domingo, às 16 horas, no Mineirão, com tevê aberta. Até o momento em que escrevo este post, Thiago Ribeiro, Leandro Damião e Robinho estão confirmados. Se somarmos Lucas Lima, que é um meia ofensivo, teremos um time voltado para o ataque. Teoricamente, está certo. Time que precisa vencer tem de marcar gols. Mas há um problema.

O Cruzeiro, do precavido técnico Marcelo Oliveira, deverá fechar o meio de campo com cinco jogadores – Henrique, Lucas silva, Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e Willian – e deixará apenas Marcelo Moreno mais à frente. Esta formação obviamente se modificará quando o time tiver a bola, e aí sim chegará a ter quatro jogadores no ataque. O que pode ocorrer é que o Santos ficará dando murro em ponta de faca, enquanto o adversário, quando retomar a bola, penetrará na defesa alvinegra como faca quente na manteiga.

Em princípio, porém, os números na prancheta não seriam nenhum empecilho se os atacantes do Santos também voltassem para ajudar o meio-campo. Em 2002 Robinho fazia isso muito bem, agora Thiago Ribeiro está tentando. De qualquer forma, será difícil para o Santos vencer a batalha pela área central e vital da partida sem mais um reforço por ali. Mais uma vez acho que Damião deveria dar lugar a um jogador mais versátil, que possa atacar e também recuar rapidamente quando o time está sem a bola. Mas estou louco para queimar a língua, claro.

De qualquer forma, o Santos precisa vencer e há a possibilidade de esta formação inicial ser modificada se o time fizer o primeiro gol. Nono colocado, com 20 pontos, 10 a menos do que o adversário, o Alvinegro Praiano precisa muito da vitória. E quem sabe conseguirá, repetindo o que fez nos Brasileiros de 2002 e 1012, por exemplo (ver vídeos abaixo).

Quanto ao técnico Marcelo Oliveira, vive a melhor fase de sua carreira e neste domingo completará 100 jogos à frente do time que ele levou ao título brasileiro de 2013. Depois de uma vantagem folgada na liderança, o Cruzeiro teve dois empates seguidos e agora precisa vencer para não ser alcançado pelo Internacional. Mesmo focado na vitória, o técnico se mostrou preocupado com a boa fase de Robinho e não teve vergonha de dizer que vai preparar uma marcação especial sobre o melhor atacante do Santos. Mas não será uma marcação individual. quando estiver na esquerda, Robinho será marcado por Mayke, e quando cair pelo meio, por Henrique.

“O Santos confirmou o que a gente já sabe: se propõe a jogar sempre ofensivamente e vai trazer muita dificuldade para a gente. Robinho acrescenta muito, é muito criativo e técnico. Volta empolgado ao Santos, onde cresceu e se tornou ídolo. Merece toda a atenção pela qualidade técnica e o poder de decisão” – disse o técnico, demonstrando humildade e respeito ao adversário.

“Ele tem muito recurso. Para marcá-lo, tem de estar sempre ligado. Se marca a esquerda, ele vira para a direita. Se marca a direita, ele sai pela esquerda. Tem um drible muito bom e faz a diferença em pequenos espaços. Pode desequilibrar, fazer gols e dar passes” – concordou Henrique, que vive tão boa fase no clube mineiro que já está renovando seu contrato.

Entram Edu Dracena e Alan Santos

Com a suspensão de Alison, Arouca jogará ao lado de Alan Santos, que é mais técnico e tem mais potencial do que Alison e só precisa se aprimorar um pouco mais na marcação e pensar um pouco mais rápido para passar a um outro nível de jogador. No time de Minas, Henrique, aquele que não deu certo no Santos, volta ao jogo depois de cumprir suspensão. Ele formará a dupla de volantes ao lado de Nilton Silva.

Outro fato de destaque é que o capitão Edu Dracena voltará a jogar uma partida desde o começo, após seis meses recuperando-se de uma lesão. É preciso ter muita força de vontade para voltar ao futebol depois de duas lesões graves, mas Edu Dracena tem personalidade e isso pode ser um fator positivo para a defesa do Santos, que anda precisando de um mentor. Ele também é muito querido pelos torcedores do Cruzeiro, pois foi o capitão do time campeão brasileiro de 2003.

Meu palpite? Acho que se o Santos equilibrar a disputa pelo domínio do meio-campo, terá chances até de vitória. Do contrário, será dominado, pressionado, e acabará tomando aqueles gols que a gente conhece e perderá a partida. Como em um jogo de xadrez, a batalha pelo meio decidirá a sorte do duelo. De qualquer forma, apesar da dura marcação que deverá sofrer, tenho esperanças no talento de Robinho.

Mas há outro detalhe a favor do time mineiro: o banco de reservas, que conta com jogadores de bom nível e experientes, como Marquinhos, Júlio Baptista, Dagoberto e Tinga, enquanto Oswaldo de Oliveira, sem o volante Renato, machucado, e o atacante Gabriel na Seleção Sub-20, só terá mesmo a opção de arriscar com algum jogador da base.

A arbitragem será de Leandro Pedro Vuaden, auxiliado por Rafael da Silva Alves e Alexandre Kleiniche, todos do Rio Grande do Sul. Acho que o Vuaden é um árbitro okay, mas foi ele quem não deu um pênalti para o Santos no final do jogo contra o Flamengo, em 2010, no Maracanã. Se novamente atuar como “caseiro”, a coisa ficará ainda mais difícil para o Alvinegro.

Cruzeiro x Santos

Campeonato Brasileiro – 15ª rodada
Mineirão, 16 horas
Cruzeiro: Fábio, Mayke, Dedé, Leo e Egídio; Henrique, Lucas Silva, Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e Willian; Marcelo Moreno. Técnico: Marcelo Oliveira.
Santos: Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Bruno Uvini e Eugenio Mena; Alan Santos, Arouca e Lucas Lima; Thiago Ribeiro, Leandro Damião e Robinho. Técnico: Oswaldo de Oliveira.

Os Meninos da Vila, a caminho do título brasileiro de 2002, goleiam o Cruzeiro em BH:

Cruzeiro 0 x 4 Santos, no Brasileiro de 2012, com coro da torcida saudando Neymar:

Esbarrões no árbitro: dois pesos e duas medidas

Enquanto o jogo do Santos não vem, um aperitivo para a diversão dos leitores do blog. Para quem não se lembra, trago imagens da até então mais famosa esbarrada de um jogador em um árbitro. Só que no caso creio que tenha sido apenas um esbarrão mesmo. Ocorre que o jogador era Éder, do Atlético Mineiro, e o árbitro José Roberto Wright, que parecia totalmente empenhado em ajudar o Flamengo a ir em frente na Copa Libertadores da América de 1981.

O jogo-desempate, em Goiânia, definiria que time brasileiro seguiria na competição. A partida era difícil e equilibrada. Aos 37 minutos, Wright deu cartão vermelho direto para Reinaldo por uma falta em Zico. Exagero. O amarelo era suficiente. Minutos depois – como se poderá ver no vídeo abaixo, a partir da marca de 55 segundos -, Wright dá um pisão na bola que seria tocada por Éder e faz o jogador do Atlético tropeçar. Na volta, Éder pega a bola e dá um leve esbarrão no árbitro, o suficiente, porém, para também ser expulso. Como os jogadores do time mineiro protestaram, Wright expulsou também Chicão, Palhinha e Cerezo, definindo o jogo mais difícil que o Flamengo teria na sua caminhada para a Libertadores e, em seguida, para o Mundial Interclubes.

Por isso é que se diz: Por mais que tivesse um grande time e o craque Zico, não fossem as arbitragens e aquele Flamengo não teria ganhado tantos títulos. Foi um período tenebroso das mutretas no futebol brasileiro, bem maior até do que vemos hoje. E o interessante a notar nesses dois casos – esse antigo, de Éder, e o atual, de Petros – são os critérios: se o contato no árbitro é feito por um adversário de um dos dois queridinhos, a expulsão é imediata, mesmo levando-se em conta a importância do jogo. Porém, se o empurrão, pelas costas e deliberado, é de um jogador de um dos dois protegidos, o árbitro finge que não foi nada e nem procura saber como a jogada aconteceu. Só tomou providências depois que o mundo todo chiou. Veja você mesmo e tire suas conclusões (o gramado está meio estranho porque resolveram fazer uns desenhos geométricos na grama, mas dá para ver bem):

Viu como para alguns é bem mais fácil ser campeão da Libertadores?

E pra você, como será o jogaço entre Cruzeiro e Santos?


E se Neymar comemorasse assim seus gols contra o Atlético?

O que Neymar não fez, o ex-santista Paulinho McLaren não deixou passar. Reveja o dia em que Paulinho imitou o galo (ou seria a galinha?)


Tudo que aconteceu no Mineirão já estava previsto. Mas na Vila, e com Neymar, a história será outra

No jogo de volta, olha aí a dupla o que o Galo terá de aguentar...

Leu meu post de ontem? Está aí embaixo, confira. Não adivinhei nada. Times têm DNA e o futebol é cíclico. Vanderlei Luxemburgo não é tão diferente de Yustrich, técnico do Atlético nos anos 70, quando o time jogava abafando em casa, marcando gols logo no início do jogo e depois se segurando como podia. O Atlético de hoje é um pouco mais técnico, mas jogou à lá Yustrich.

Só para refrescar a memória, relembre o que escrevi ontem:

O Atlético pode vencer, hoje, no Mineirão? Ora, claro que sim. É um dos grandes do Brasil, jogará diante de sua apaixonada torcida (que, é bom lembrar, por mais apaixonada que seja, não entra em campo) e terá de imprimir um ritmo forte, rápido.

Durante muitos anos, lá pelo início dos anos 70, quando foi campeão brasileiro, o Atlético adotava a mesma tática quando jogava em casa: partia como um louco para o ataque nos primeiros minutos, fazia um ou dois gols, e depois se segurava como e o quanto podia.

… Quando teve times modorrentos, o Santos sempre tomou gols logo no início ou no finalzinho dos tempos. Estava tudo bem, de repente, no último minuto do primeiro tempo, gol. Ou logo no comecinho do jogo, ou no princípio do segundo tempo.

… Que o Atlético pode repetir essa blitz inicial e depois fechar a porta do galinheiro, todo mundo sabe. O goleiro, os zagueiros, enfim, todos os jogadores do Santos e o técnico Dorival Junior sabem. Mas o legal do futebol é isso: mesmo sabendo, às vezes não se consegue impedir.

Pois é. O Atlético marcou logo aos 2 minutos, em uma cochilada da defesa, principalmente de Edu Dracena e do goleiro Felipe. O segundo gol foi aos 37 minutos, quando o primeiro tempo se aproximava do fim, e o terceiro aos sete do segundo, quando o Santos esquentava para partir em busca do empate.

Como também se previa, o caseiro árbitro Heber Roberto Lopes (Fifa-PR) prejudicou o Santos. No segundo gol Diego Tardelli estava em cmpleto impedimento, á frente da linha da bola. Vi de casa logo no primeiro lance, sem precisar de tira-teima nenhum. A mesma arbitragem que não viu esse impedimento, viu um de Robinho, no começo do jogo, em que o jogador do Santos estava dois metros atrás do último jogador atleticano. Na sequência, Robinho sofreu pênalti de Aranha, mas a partida já estava providencialmente paralisada.

Hebert também deixou o jogo correr. Jogadores eram agredidos depois de darem o passe e tudo ficava por isso mesmo. André levou um golpe de arte marcial do adversário e, mesmo depois de caído, continuou agarrado, puxado, em jogada que nem foi punida com o amarelo. Ridículo.

Empate seria mais justo

O Atlético fez sua melhor partida no ano. Muriqui foi o melhor em campo enquanto correu como um louco, Tardelli mostrou técnica e oportunismo, Junior foi um ótimo articulador, Ricardinho sabe o que faz com a bola e Aranha estava nos seus dias de ótimo goleiro. Porém, dizer que a vitória atleticana foi justa é analisar depois do resultado.

Além das falhas cruciais de arbitragem, o Santos atacou mais do que foi atacado e criou chances que, se aproveitadas, poderiam lhe dar a vitória. O jogo de conjunto do Santos é melhor, o time não rifa a bola, como o Atlético fez várias vezes. Paulo Henrique Ganso foi um maestro, pairou acima dos outros no meio-campo e foi o autor intelectual do segundo gol santista, que deve ter sido decisivo neste confronto.

Mesmo sem Neymar, o Santos continuou criando boas oportunidades. Além dos gols, Pará acertou o travessão, Robinho deu um cabeçada à queima- roupa e André, Zé Eduardo e Arouca tiveram oportunidades de chutar de frente para o gol. Uma bola dessas que entrasse tornaria o resultado um 3 a 3 muito difícil de ser revertido pelo time mineiro na partida de volta.

No meio do segundo tempo, quando o Atlético vencia por 3 a 1, a tevê pegou uma imagem de Dorival Junior pensativo e constatei que naquele momento ele estava perdendo o jogo tático com Luxemburgo. O time inferior do Atlético estava fazendo tudo o que o professor mandou e se marcasse mais uma vez deixaria sua classificação bem encaminhada. Foi aí que Dorival resolveu tirar Marquinhos e colocar Rodrigo Mancha.

É evidente que o toque de bola caiu muito com a substituição. Mancha só passa de lado e demora meia hora pra pensar. Porém, com ele o Atlético teve menos espaço por ali e o Santos voltou a dominar o jogo. Por aí se vê que nem sempre ter jogadores ofensivos significa ter um time dominador.

No Santos, Paulo Henrique Ganso, Arouca, Wesley e Robinho foram os melhores, mas Pará e o goleiro Felipe não decepcionaram. No Atlético, Tardelli fez os três gols – um em claro impedimento –, mas o velocista Muriqui fez a diferença no primeiro tempo.

A expressão técnica do jogo foi, mais uma vez, Paulo Henrique Ganso. O homem está jogando demais. O lance do segundo gol do Santos tem de ser repetido desde o momento em que ele para a bola, pensa e decide tudo o que vem a seguir. Além de habilidoso, Ganso é cerebral. Deve ir pra Copa na reserva do Kaká, mas hoje está jogando melhor do que o titular.

Bem, quanto ao jogo de volta, na Vila, em que se classifica para a próxima fase se vencer por 1 a 0 ou 2 a 1, o Santos não só tem tudo para obter um resultado suficiente, como deve manter a média de três gols por partida. A defesa atleticana, quando apertada, confessa; o Atlético deixa de ser um galo valente quando está longe do grito de seus torcedores e Aranha, todos sabem, costuma também ter os seus dias de mosca.

 Bolão

Ninguém acertou o resultado de Atlético e Santos e ganhou os dois exemplares da revista FourFourTwo de abril. Mas domingo tem bolão especial, com a entrega do livro “O Grande Jogo” ao vencedor e duas revistas FourFourTwo ao segundo colocado. Vá pensando na final entre Santos e Santo André.

PRIMEIRA PALESTRA SOBRE A VERDADERIA HISTÓRIA DAS COPAS É HOJE

 Está em cima da hora, mas se você está sem compromisso hoje à noite e quer aprender coisas sobre a história das Copas do Mundo que não saiu da grande imprensa, terei grande prazer em recebê-lo a partir das 20 horas no Instituto Bettarello – Rua Teçaindá, 86, Pinheiros (travessa da Avenida Rebouças, sentido bairro). Informações e Inscrições: instituto.bettarello@gmail.com

Hoje, nas primeira das três palestras, sempre às terças-feiras, falarei dos Primórdios do futebol e fase pré-profissional. Copas de 1930 a 1954

Apresentarei uns vídeos fantásticos e darei informações que o ajudarão a entender melhor a influência do futebol do mundo e os bastidores das Copas.  

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Hoje o Atlético vai atacar o Santos? Sim, esta é a fórmula que andam apregoando por aí…

Algo me diz que hoje ele vai mostrar porque será uma das estrelas da Copa

Surge um time acima da média e logo aparecem também os estrategistas de plantão. Ando lendo alguns companheiros e alguns dizem ser simples a fórmula para vencer o Santos: basta atacá-lo. Reafirmam que o Santos reage mal quando é atacado e que nenhum time ainda o fez.

Ora, separemos os alhos dos bugalhos. Vários times já entraram achando que a maneira de vencer era só atacar os Meninos. São Paulo e Corinthians fizeram isso e ganharam como prêmio derrotas inapeláveis. Nada é tão simples como parece.

Obviamente, para se fazer gols é preciso atacar, nem que seja na indefectível bola parada. Mas mesmo esse ataque permite várias opções e pode variar durante os momentos da partida. Não creio que um time que entre para atacar o Santos o tempo todo tenha sucesso, até porque os Meninos têm mais fôlego para fugir da pressão e contra-atacar.

Em segundo lugar vos digo que, para quem prestou mais atenção, este Santos não faz questão de atacar, de encurralar o adversário. Ele sabe que às vezes é melhor ser atacado, pois os espaços se abrem para sua velocidade.

Atlético pode vencer? Claro! Mas…

O Atlético pode vencer o Santos, hoje, no Mineirão, na primeira partida das oitavas da Copa do Brasil? Ora, claro que sim. É um dos grandes do País, jogará diante de sua apaixonada torcida (que, é bom lembrar, por mais apaixonada que seja, não entra em campo) e poderá tentar imprimir um ritmo forte, rápido.

Durante muitos anos, lá pelo início dos anos 70, quando foi campeão brasileiro, o Atlético adotava a mesma tática quando jogava em casa: partia como um louco para o ataque nos primeiros minutos, fazia um ou dois gols, e depois se segurava como e o quanto podia.

Esta, na verdade, é a tática de muito time pequeno que joga em casa. A correria inicial equilibra as coisas, pega o confiante adversário meio frio e pode surpreender. Com a vantagem, usa-se a mesma garra que levou aos gols para se defender heroicamente. Muitas vezes dá certo.

O time inferior também costuma usar os momentos “mortos” do jogo para levar vantagem. Quando teve times modorrentos, o Santos sempre tomou gols logo no início ou no finalzinho dos tempos. Estava tudo bem, de repente, no último minuto do primeiro tempo, gol. Ou logo no comecinho do jogo, ou no princípio do segundo tempo.

Claro que essas coisas podem acontecer. Lembro que na final do Paulista de 2000 o Santos entrou para a melhor de três com o São Paulo precisando reverter a vantagem do adversário, e logo no primeiro minuto do primeiro jogo sofreu um gol de França. Acabou perdendo por 1 a 0 e depois precisou ganhar a segunda partida  por dois gols de diferença. Esteve na frente por duas vezes, mas empatou em 2 a 2 e ficou com o vice. Todo o desequilíbrio santista veio logo no primeiro dos 180 minutos jogados.

Que o Atlético pode repetir essa blitz inicial e depois fechar a porta do galinheiro, todo mundo sabe. O goleiro, os zagueiros, enfim, todos os jogadores do Santos e o técnico Dorival Junior sabem. Mas o legal do futebol é isso: mesmo sabendo, às vezes não se consegue impedir.

Por outro lado, Vanderlei Luxemburgo, Diego Tardelli, Junior e todo o Atlético sabem que o Santos tem um meio-campo e ataque que prima pela rapidez e habilidade, tem facilidade de marcar gols e fatalmente usará as dimensões do Mineirão para imprimir um jogo que lhe favoreça.

Assim, da mesma forma que para vencer o Santos é preciso atacá-lo, também é verdade que é preciso saber se defender bem dos ataques do Santos. Elementar, meu caro. O Santos não gosta muito de se defender, é verdade, mas adora atacar, e toda partida lhe dá muitas oportunidades para fazer o que mais gosta. Hoje não será diferente. Por isso é que, se o árbitro não estragar, teremos um grande espetáculo no Mineirão.

E o ganhador do Bolão de hoje receberá duas edições da revista FourFourTwo, edição de abril. Vá aos comentários e diga quanto será o jogo, a parcial do primeiro tempo e os autores dos gols do Santos. Boa sorte!


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