Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Amarilha mostrou que faltam árbitros que gostem do futebol

A perseguição do garoto Neymar, a grande expressão desta Copa Libertadores, pelo árbitro paraguaio Carlos Camarilha, ou melhor, Amarilha, foi definida por Arnaldo César Coelho, comentarista de arbitragem da Rede Globo, como uma questão de simpatia. Sim, segundo Coelho, Amarilha não gosta de Neymar.

Ora, não gostar justo do melhor jogador da competição só pode ser coisa de quem não aprecia o futebol. E se foi este mesmo o motivo, a final da Copa poderia ter ficado sem o seu maior expoente devido aos humores de um árbitro… Durma-se com um barulho desses…

“Se você cair mais uma vez eu te expulso”, ameaçou Amarilha, como se cair ou não dependesse apenas do jogador do Santos. E se ele fosse desequilibrado, e um choque casual fosse interpretado por como digno de mais um amarelo? Neymar estaria expulso e fora do jogo no Pacaembu.

Estranho, muito estranho esse comportamento do mediador paraguaio. Com tanto cabeça de bagre com quem se preocupar, com tanto jogador que confunde futebol com rugby, e Amarilha foi pegar no pé justo daquele que elevou o nível desta competição em 2011.

Não quero acreditar que a América do Sul não está preparada para ter, novamente, um dos melhores jogadores do mundo, como aconteceu até os anos 70. Por mais que Neymar incomode a muitos com sua personalidade e seu talento, craques e ídolos são assim mesmo. Nós é que estamos desacostumados, já que só temos assistido ao restolho, aos refugos que sobram da Europa.

Que ao menos na quarta-feira, no Pacaembu, o futebol viva uma noite gloriosa, uma noite em que a arte e o talento prevaleçam, e as botinadas e o jogo sujo sejam devidamente punidos. Que a arbitragem não goste ou desgoste de ninguém, mas que proteja quem entra em campo só para jogar futebol.

Você acha que havia um esquema para tirar Neymar da final? Ou é melhor esquecer o que se passou em Montevidéu e se concentrar na quarta-feira?


O Santos já venceu El Ciclón. Agora enfrenta el Volcán


Sócios do Peñarol fazem fila para comprar ingressos para o primeiro jogo da final da Libertadores. O vulcão chileno Puyehue, que estava adormecido desde 1961, tinha de acordar logo agora?

Para chegar à final da Copa Libertadores o Santos teve de passar pelo Cerro Porteño, que no Paraguai é conhecido como “El Ciclón” (O Ciclone). Agora, um novo obstáculo surge na decisão contra o Peñarol: o vulcão chileno Puyehue, cujas cinzas estão forçando o cancelamento de vôos na região do Cone Sul e põem em risco a realização da primeira partida pela final, na próxima quarta-feira, em Montevidéu.

Se o jogo for adiado para a semana seguinte, a segunda partida da decisão coincidirá com a Copa América e o Santos terá problemas para conseguir a liberação de seus três jogadores na Seleção Brasileira: Neymar, Paulo Henrique Ganso e Elano.

O vulcão Puyehue, que entrou em erupção sábado, 4 de junho, estava adormecido desde 1961. Suas cinzas estão atrapalhando os vôos nos céus de Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Peru.

A previsão é de melhoras

A previsão para hoje é a de que a partir do meio-dia os aeroportos de Uruguai, Argentina e Sul do Brasil seriam liberados. A Conmebol está de sobreaviso. Segundo seu assessor de comunicação, Nestor Benitez, só haverá adiamento se a situação piorar.

Mesmo que as cinzas perdurem, o Santos tentará manter a data do jogo, já que o maior problema será o transporte da delegação até Montevidéu. A programação do Alvinegro Praiano inclui viajar para a capital do Uruguai na terça-feira pela manhã. Se necessário, o clube deverá fretar um avião até o Rio Grande do Sul e de lá seguir de ônibus até Montevidéu.

Venda de ingressos

Como o Peñarol abriu a venda de ingressos apenas para sócios, muitos estão se associando ao clube só para comprar as entradas. Calcula-se que o clube passará a ter 43 mil sócios até segunda-feira. O astro uruguaio Diego Forlán, do Atlético de Madrid, que começou sua carreira no Peñarol, será homenageado com a carteira de sócio número 40.000.

Não houve evolução nos contatos entre a direção do Peñarol, do Santos e da Conmebol. O Santos deverá ceder apenas 1.800 ingressos para os torcedores do time uruguaio na partida de volta. Assim, o presidente do Peñarol, Edgar Welker, reafirmou que ofertará o mesmo número de ingressos aos santistas.

SANTISTAS FORAM SOLTOS DEPOIS DE FIANÇA E FICHAMENTO

Depois de um pagamento de fianças, de cobertura de prejuízos e de doações a entidades beneficentes, que somou 101 milhões de guaranis (cerca de 25.500 reais), foram expulsos do Paraguai os 31 integrantes da Torcida Jovem que se envolveram em brigas, vandalismo e roubos no país vizinho, após a partida contra o Cerro Porteño.

Incluidos na Lei de Migração, eles não poderão voltar ao Paraguai nos próximos cinco anos e seus nomes constarão na lista da Interpol como condenados a uma pena de dois anos de reclusão no Paraguai. Isso significa que deixam de ser reus primários.

Uma verba de 40 milhões de guaranis foi levada ao tribunal por Cosme Damião, presidente de honra e fundador da Torcida Jovem. “Eu concordaria com a condenação se os torcedores do Cerro que atiraram pedras no ônibus também fossem incluidos no processo”, disse Cosme. E completou: “Graças a Deus vamos embora. Quero agradecer aos paraguaios, à torcida do Olímpia e aos policiais, que nos trataram bem”.

A reação da opinião pública à libertação dos santistas não foi boa. Muitos leitores que se manifestaram pela Internet pediam que os brasileiros cumprissem pena na penitenciária de Tacumbu, o que aconteceria se os réus fossem paraguaios. Viram no episódio mais um capítulo de vergonha para o país, cujas leis teriam se dobrado à força do dinheiro brasileiro.

De qualquer forma, o episódio deixou lições importantes. A principal delas, para mim, é que a desorganização e a impunidade que grassam nas competições organizadas pela Conmebol precisam acabar já! Elas propiciam situações de conflito, como a que aconteceu no Paraguai e acontece sempre, na verdade, em jogos da Libertadores.

Por outro lado, os torcedores brasileiros que se eventurarem em caravanas para torcer por seus times em países da América do Sul, terão de ter muito cuidado com seus atos. Na próxima vez em que forem detidos, dificilmente conseguirão se safar.

Será que este vulcão jogará cinzas no chope do Santos? E que lição tirar desse episódio dos torcedores santistas presos no Paraguai?


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