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Tag: Neymar pai

Neymar jogou o Mundial já comprometido com o Barcelona

messi e neymar
Um mês antes da final o Barcelona tinha pago por Neymar a primeira parte de 10 milhões de euros.

Em novembro de 2011, um mês antes de entrar em campo para enfrentar o Barcelona pelo título mundial, Neymar havia recebido do clube catalão a primeira parte de um pagamento de 10 milhões de euros como adiantamento pela compra de seu passe. Ou seja, o garoto já estava comprometido com o clube que sonhava defender um dia. Então, fica a primeira pergunta: com que cabeça e ânimo o jovem craque deve ter entrado em campo para o jogo mais importante do Santos dos últimos 50 anos?

Como ficamos sabendo nestes últimos dias, Neymar sempre sonhou jogar no Barcelona – que ele considera mais do que um clube de futebol – e atuar como garçom de seu ídolo, Messi. Com a pequena fortuna de adiantamento do Barcelona paga, estrategicamente, a partir de um mês antes do provável confronto entre os dois times, é evidente que o atacante do Santos, na euforia de seus 19 anos, estava totalmente despreparado psicologicamente para atuar naquela partida frente o poderoso campeão europeu.

Uma decisão de Mundial é para se matar ou morrer, é jogo para se dividir com a cabeça, como costumava dizer Clodoaldo – ainda mais para um time sul-americano, que tem nessa competição a chance única de mostrar sua cara e ser respeitado pelo mundo. A forma apática, conformada, com que o Santos se apresentou, pode ser explicada, em parte, pelo desinteresse de Neymar. Ele sabia que se brigasse, arrumasse confusão, fosse considerado hostil pelos jogadores e pela comissão técnica do Barcelona, ainda poderia ter sua contratação vetada. Então, foi dócil, pouco atrevido, quase submisso.

A informação do adiantamento de dez milhões está no site oficial do Barcelona e foi divulgada pelo vice-presidente do clube, Josep Maria Bartomeu. Se o dinheiro foi entregue a Neymar sem o conhecimento do Santos, então o caso deve ir à Fifa, o negócio poderá ser impugnado e o Barcelona arcará com punição pesada. Porém, se o Santos sabia de tudo, o que é a hipótese mais provável, então chega a hora da segunda pergunta: Por que a diretoria santista, o pai de Neymar e o próprio jogador negaram o tempo todo que já tinham um pré-acordo com o Barcelona?

E logo em seguida somos obrigados, nessa busca pela verdade, a fazer outra pergunta crucial: Por que aceitaram um negócio com o Barcelona um mês antes do Mundial da Fifa, no qual, provavelmente, o clube catalão seria o adversário do Santos na disputa pelo título? Será que era tão difícil perceber que isso iria ficar martelando na cabeça de Neymar e reduziria drasticamente o seu desempenho?

Por fim, a questão primordial: por que a direção do Santos escondeu do próprio Conselho do Clube e dos seus 50 mil sócios que Neymar já estava negociado com o Barcelona e já tinha recebido 10 milhões de euros do time catalão? Como fica agora a confiança dos conselheiros, dos sócios e dos torcedores do Santos nessa diretoria?

Não sei, mas acredito que depois dessa quebra total de confiança entre os santistas e a direção do clube, a atitude mais correta e ética que as pessoas do Santos envolvidas nesse caso deveriam tomar é colocar seus cargos à disposição e, se o estatuto permitir, marcar novas eleições para a presidência do clube. Não haverá mais clima para continuar convivendo e aceitando decisões de gente tão mentirosa.

Reveja o desempenho de Neymar contra o Barcelona, na final do MUndial da Fifa:

O que você achou disso tudo?


A verdade, só a verdade, sobre os Neymares e eu

Fiquei abismado sobre a nota que saiu no site oficial de Neymar sobre mim. Sei que não foi Neymar quem escreveu, e sim o seu assessor Eduardo Musa, mas fiquei preocupado por perceber que Neymar está avalizando declarações inverídicas de um funcionário de sua equipe que distorce os fatos e usa de todos os recursos – até a deselegância de divulgar e-mails que trocamos confidencialmente – para me jogar contra os Neymares, pai e filho.

Na verdade, o texto está assinado por Neymar da Silva Santos, que é seu pai. O nome completo de Neymar tem um “Junior” no fim. Portanto, como eu previa, Neymar, o craque do Santos que amamos, não tem nada a ver com esse texto, que o pai pediu e o assessor Eduardo Musa escreveu.

Em primeiro lugar, e os leitores do meu blog sabem, não tenho absolutamente nada a esconder e costumo usar desses, digamos, mal entendidos, para esclarecer os fatos.

Todos sabem que quando escrevo que adoro Neymar, adoro mesmo. Adoro seu talento, seu coração e seu caráter. Declaro isso desde a primeira vez que o vi jogar, pelo Paulista de 2009. E quero, quero mesmo, nunca escondi isso, que ele permaneça a vida inteira no Santos e no Brasil. Quem tiver paciência, pesquise o primeiro texto que escrevi sobre o garoto quando estreou no Santos, e procure depois por todos os posts nos quais comprei e compro briga com colegas jornalistas que preferem vê-lo longe de nós.

Já disse pessoalmente a Neymar que ele é mais importante para o Brasil do que para a Europa, que aqui ele fará a diferença, influenciando os jovens e chacoalhando esse complexo de vira-latas que faz com que nossa imprensa esportiva considere abandonar o futebol brasileiro como o caminho mais viável para ele.

Lancei no blog e no twitter a campanha para que Neymar e Ganso fossem convocados por Dunga para a Copa de 2010, lancei a campanha pelo “Dia do Fico” quando da primeira proposta séria, do Chelsea, em 2010. Pressionei até rudemente a direção do Santos para dar tudo que Neymar e seu pai pedissem, a fim de que o garoto não fosse embora. Acho até que extrapolei a condição de jornalista para defender Neymar dos abutres que o menosprezam e, no fundo, querem ver o seu mal.

Já cheguei a sugerir a Eduardo Musa que consultasse Neymar sobre a possibilidade de nós, santistas, criarmos uma campanha para arrecadar dinheiro a fim de mantê-lo no Brasil. Neymar foi consultado por seu assessor e não concordou. Segundo Musa, o menino disse que não se sentiria bem sendo pago pelos torcedores, o que para mim foi mais uma prova de seu enorme caráter.

E já que não tenho dinheiro e nem parentes importantes, uso de argumentos para convencer a ele e a quem cuida de sua carreira de que ainda é cedo para ir embora em busca de um destino incerto. E se meus artigos incomodam tanto, a ponto deste último provocar uma resposta no site oficial de Neymar, é porque calam fundo na consciência de quem se sente tocado por eles.

Bem, mas o objetivo deste post é esclarecer as acusações escritas por Eduardo Musa no site oficial de nosso Menino de Ouro. Vamos, então, ao seu texto e as verdades sobre cada um dos fatos relatados. Principia ele:

Há algum tempo fomos procurados insistentemente pelo jornalista Odir Cunha, um profissional bastante identificado com o Santos FC e autor de vários livros dedicados a contar a história do clube pelo qual declaradamente torce. Ele mostrava disposição em escrever um livro sobre o Neymar Jr a quem, palavras dele, “simplesmente adorava”!!

Seguiu-se a troca de e-mails tradicional em toda negociação comercial. Claro está que não se trata de uma publicação escrita por um fã que deseja apenas elevar a imagem de um clube e de um atleta. Há toda uma preocupação comercial neste tipo de ação e não foi diferente com o Sr. Odir Cunha. O que não é nenhum pecado, deixo claro.

Em primeiro lugar, reproduzir os e-mails comerciais foi um gesto extremamente amador e comprometedor do sr. Musa. Com que confiança outras pessoas tratarão de negócios com ele, sabendo que de uma hora para outra todas as condições confidenciais de uma negociação virão a público?

Mas, aspectos éticos à parte, vamos aos fatos. A história do livro começou bem antes. Em meados de 2011 fui procurado por Marcia Batista, editora-chefe da editora Universo dos Livros, com a proposta de escrever um livro sobre Neymar. Ela sabia de minha afinidade com o Santos e dos livros que eu já tinha escrito sobre o clube. É claro que gostei da idéia. O projeto foi encaminhado ao sr. Musa, mas não andou.

Em 2012 eu era editor do Selo Jovem da Novo Conceito, editora de grande prestígio, sediada em Ribeirão Preto, e surgiu a ideia de lançarmos um livro sobre Neymar, aproveitando sua grande penetração entre os adolescentes. Depois de troca de e-mails pelos quais informei o currículo invejável da Novo Conceito, editora que ficou entre as que mais venderam livros em 2011 e 2012, marquei reunião com o sr. Musa e fui ao seu escritório, em Santos.

Na reunião, fiquei sabendo que Neymar preferiria que seu livro fosse escrito por um amigo dele, a quem já havia prometido a tarefa. Concordei prontamente. O essencial, para mim, era editar e lançar o livro. Como alguém que já escreveu tantos livros de esporte, entre eles a biografia de Oscar Schmidt, é óbvio que eu gostaria de ter a honra de contar a história de Neymar, mas na mesma reunião me convenci de que um autor mais próximo e mais familiarizado com o estilo de vida de Neymar, poderia se sair melhor.

Voltei para Ribeirão Preto e passei a responder, por e-mail, todas as informações pedidas pelo escritório do sr. Musa. Ofereci a ele o máximo que a editora podia, com relação a royalties, marketing, divulgação. Até que recebi o pedido do escritório do sr. Musa de que, além do livro de Neymar, a editora teria de fazer uma outra obra, sobre o pai de Neymar. Aí não pude concordar. Expliquei que como o pai era importante para a vida e a carreira do filho, dedicaríamos um bom capítulo sobre ele, mas não havia interesse comercial de fazer um livro apenas sobre o pai de Neymar. A partir daí os contatos cessaram e o projeto foi abortado.

No post no site oficial de Neymar ainda está escrito: Apenas estranho que alguém que defenda tanto o Santos FC em seus textos não pense, em momento algum, em participar o clube nas receitas provenientes da venda do produto. Afinal, mesmo que indiretamente, o livro que seria desenvolvido usaria a imagem do clube. Digo isso com tranqüilidade baseado no primeiro e no terceiro dos e-mails reproduzidos abaixo onde são discutidos percentuais sobre as venda.

Aqui há uma confusão muito grande e, provavelmente, Eduardo Musa tenha se valido de outras fontes para produzir esse parágrafo. Esse tema já foi motivo de uma discussão minha com o Arnaldo Hase, assessor de comunicação do Santos, e com Armênio Neto e Luciana Xavier, do departamento de marketing do clube.

Respeito as opinião deles, claro, mas acho que um livro, uma obra cultural, não deveria pagar royalties aos clubes. Se obras artísticas e culturais dessem dinheiro neste País, não haveria tantas leis de incentivo à cultura. Quando se coloca 10%, ou mesmo 8% de royalties de um livro para o clube, as contas não fecham. Vamos checar?

Do preço de capa de um livro, 55% metade ficam com a distribuidora e a livraria. Coloque mais 8%, que seja, para o clube, e terá 63%. Coloque mais 8% para o autor, e chegará a 71%. Ou seja, apenas 29% irá para a editora, que investiu em profissionais qualificados, papel, impressão, escritório, depósito e ainda paga imposto sobre as vendas.

Então, é necessário que um livro venda no mínimo 10 mil exemplares para começar a dar lucro para uma editora no Brasil. E menos de 1% (um por cento) dos livros lançados sobre futebol vende isso. Portanto, a não ser em datas específicas – como a comemoração de um grande feito –, livros sobre futebol são deficitários. Sempre disse isso e sempre defendi que ao menos o Santos não cobrasse royalties, pois isso estimularia mais editoras e mais autores a escreverem sobre a história do nosso glorioso Alvinegro Praiano.

Para concluir o assunto, lembro de uma conversa que tive com um gerente de marketing do Santos de uma gestão anterior: “Um dos maiores argumentos de marketing do Santos não é a sua história?”. “Sim”, ele respondeu. “Se ninguém fizesse um livro sobre a história do Santos, o próprio clube não teria de fazê-lo?”. “Sim”, ele concordou novamente. “Pois então”, concluí, “se há uma boa editora interessada em editar o livro por sua conta e risco, e se esse livro poderá ser usado pelo marketing do clube, por que inibir essa editora cobrando-lhe royalties?”.

Enfim, ajudo o Santos como posso, divulgando-lhe a história, resgatando suas conquistas, pagando minha anuidade de sócio (mesmo sendo jornalista e podendo entrar de graça nos jogos), argumentando e até mesmo brigando contra os que querem diminuí-lo. Também incentivo, ajudo e apoio quem pesquisa e escreve sobre o Santos, mas não posso concordar com o tratamento que coloca livros no mesmo nível de latinhas de cerveja e pacotinhos de biscoito. Quem preserva a história, a cultura do Santos, deve ser incentivado, e não taxado. Essa ao menos é minha opinião e creio que tenha o direito de tê-la.

O post no site do nosso ídolo prossegue: Chegamos em determinado momento a receber o jornalista no escritório da NR Sports, em Santos. Eu não estava presente. Todas as conversas foram conduzidas pelo Sr. Eduardo Musa. Eu e minha família não o conhecemos pessoalmente e não fazemos questão de conhecer. As negociações foram interrompidas a meu pedido em razão de termos sido informados sobre o caráter do jornalista, informação que viria a se confirmar com os fatos de hoje.

Este parágrafo obviamente não poderia ser escrito por Neymar. E acredito que nem por Musa. Mostra uma arrogância que Neymar ou seu assessor jamais demonstrariam. Dizer que não faz questão de me conhecer e julgar o meu caráter mesmo sem me conhecer é profundamente desrespeitoso.

Tive pouco contato com o Neymar craque – entre eles a participação em um programa de fim de ano na TV Gazeta –, mas sempre deixei claro que o admirava e o respeitava. Sem contar os muitos artigos que escrevi ressaltando suas qualidades e fechando os olhos para suas idiossincrasias de menino. Na verdade, as negociações sobre o livro não foram interrompidas por Neymar pai ou mesmo por Eduardo Musa. Cessaram quando não concordei em publicar um livro sobre o pai de Neymar.

O lamentável post do qual Neymar nem deve ter tomado conhecimento, apesar de ser publicado em seu site oficial, termina assim:

A negociação não avançou. O livro não foi escrito pelo Sr. Odir Cunha e publicado pela Editora a qual ele está(va) ligado. Hoje, 19/04, ele publicou um texto em seu blog – http://blogdoodir.com.br/2013/04/o-pai-de-neymar-e-a-vida-apos-a-morte/ – com graves acusações pessoais sobre a minha família. Os constantes elogios foram trocados por palavras que expõem certa mágoa com o fracasso da negociação, com a perda da receita esperada, mostrando o quanto interesses comerciais podem mover a “caneta” de um jornalista.
Lamentavelmente Sr. Odir Cunha, após recebermos você em nossa “casa”, descobrimos quem é a “mídia do mal” a quem você se referiu no e-mail encaminhado em 10/09/2012.
Você !!
Neymar da Silva Santos

É óbvio, também, que este final piegas e apelativo, foi escrito pela dupla pai de Neymar/Eduardo Musa. Ficou evidente que a negociação não avançou porque não concordei em lançar um livro sobre o sr. Neymar. Com todo o respeito por ele, de quem só tinha ouvido boas referências, acho que o livro não teria grande interesse. Não foi uma decisão pessoal, mas estritamente profissional.

Outro detalhe é que não fui recebido na casa de Neymar, mas sim no escritório de seu empresário, interessado, mui justamente, em fazer um bom negócio para o seu atleta.

Também não tenho mágoa alguma por deixar de escrever o livro. Não sou e nunca fui dinheirista. Não sou de ir à missa ou ao culto, mas não jogo meus princípios para escanteio por causa do dinheiro, nunca servi a dois senhores ao mesmo tempo. O livro era uma oportunidade de consolidar a imagem de Neymar junto aos jovens e com isso conquistar mais torcedores e simpatizantes para o meu Santos. Sou santista acima de tudo e vejo em Neymar alguém que já fez, tem feito e ainda pode fazer muito mais pelo time que amamos.

Não me lembrava de ter usado essa expressão “midia do mal”, mas todo santista sabe a quem estou me referindo. São as pessoas que usam dos veículos de comunicação pretensamente neutros para expulsar Neymar do Brasil (já pensou se tudo que é dito nos bastidores do futebol fosse revelado?).

Não faço nenhuma acusação contra família alguma. Ao contrário. Sei que o instinto familiar de Neymar, que o atrai para junto de seu filho, sua irmã e seus pais, é que o mantém no Brasil. Apenas apelo para a consciência cristã do pai de Neymar, que cuida da carreira do filho. E para não ser mal interpretado mais uma vez, lembrarei uma frase que o pai de Neymar deve conhecer de cor, pois está na Bíblia. Ela diz: “Muitos são os chamados, poucos os escolhidos” (Mateus, 22:14).

Meu desejo, enfim, é que apesar dos muitos chamados para ir embora, Neymar seja o escolhido para ficar no Brasil e iniciar a redenção do futebol brasileiro. Quanto a mim, esse episódio não diminuiu uma gota no imenso mar de simpatia, carinho e gratidão que sinto por Neymar, nosso eterno Menino de Ouro.

E você, o que achou disso tudo?


O pai de Neymar e a vida após a morte

neymar e monica
Na festa de Neymar e Mauricio de Sousa, uma revelação: Magali é santista!

Tinha um tio que gostava de discursar sobre a vida após a morte. Um dia me enchi e sugeri que nos preocupássemos com a única vida que temos. Se existisse outra, que premiasse os justos e os bons, ótimo, mas só teríamos certeza depois do apito, digo, suspiro final. Lembro isso agora porque o caso me faz lembrar a comoção provocada pelo último pronunciamento do sr. Neymar.

No lançamento do personagem Neymarzinho, de Mauricio de Souza, Neymar pai disse que após a Copa de 2014 terá 100% dos direitos do filho e então ambos decidirão para que clube europeu o jovem ídolo irá.

Nós, santistas, somos emotivos e sonhadores e queremos ver Neymar repetir a longa histórica de amor entre Pelé e o Alvinegro Praiano. Porém, os tempos são outros. E os pais também. Dondinho, o progenitor do Rei do Futebol, jamais insistiu ou quis que o filho abandonasse o Santos.

Católico, Dondinho acreditava na justiça divina e cultivava a gratidão, um dos sentimentos mais nobres que um homem pode ter. Jamais incentivaria o filho a virar as costas para o clube que lhe deu guarida e apoio e tornou menos áspero o seu caminho no futebol.

Hoje os tempos são outros e outra também a fé. Ensinam-se em igrejas improvisadas até em garagens que a prosperidade material é um direito e um dever do cristão. Balela! É impossível servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo.

Estou dizendo com isso que o pai de Neymar é um mau cristão? Não, em absoluto. Sei que ele deixou de pagar o dízimo em sua igreja desde que o talento do filho o enriqueceu, mas não sei que destino dá aos milhões que recebe. Vai ver reserva uma parte para obras assistenciais, para ajudar pessoas como ele também foi um dia.

Vai ver ainda se lembre das vezes em que, mesmo embaixo de chuva, levava e trazia o pequeno Neymar em sua moto barata. Vai ver ainda se recorde dos tempos em que ele, a mulher e o casal de filhos viviam felizes e unidos, mesmo sem a fama e a fortuna que hoje os embala – e os separa.

Sim, quando terminar o contrato, talvez Neymar possa ir embora e deixe o fique sem um tostão. Mas veja que coisa curiosa: justo o Santos, que é uma empresa e que se programou para ser estritamente profissional, acabou deixando-se levar pelo coração, pelo sonho, pela paixão por um menino que trouxe com sua genialidade um pouco do passado de ouro construído pela geração de Pelé.

E justo o pai de Neymar, que vivia na igreja, que sabia tudo sobre os ensinamentos de Deus, um especialista em fraternidade e compaixão, uma pessoa simples que defendia a tese de que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico ir para o reino dos céus”, justo essa pessoa pode levar nosso herói embora e deixar o Santos com as calças na mão.

Digo que é o pai, e não o filho, porque sei que Neymar não é dinheirista. Mais influenciado pela mãe, o garoto estaria feliz mesmo que não tivesse a fortuna que tem. Seu maior tesouro é o filho, os amigos, a irmã, a presença dos pais – que, mesmo separados, vivem no mesmo prédio – e o carinho dos torcedores, principalmente dos santistas.

Neymar já afirmou que nunca sairia do Santos e deixaria o clube de mãos abanando. Eu acredito nele e creio que ninguém tem motivos para desconfiar de suas palavras, pois sempre foi ele, e mais ninguém, que decidiu recusar as muitas propostas de clubes europeus e continuar na Vila Belmiro.

Não sei se há vida depois da morte, mas posso afirmar que os jogadores passarão – por melhores e mais carismáticos que sejam – e o Santos prosseguirá, forte e eterno. E com ele prosseguirão, amadas e perenes, as pessoas que o honraram e o gratificaram.

E pra você, haverá vida depois de Neymar?


Carta aberta a Neymar, filho e pai

Por Ernesto Franze

Neymar, peço a sua permissão para falar de algumas coisas que andam mexendo com milhões de corações alvinegros, torcedores santistas apaixonados, como eu.

A gente levou um susto grande com essa notícia que você vai para a Europa na metade do ano vem, na verdade esperávamos que ficasse até a copa do mundo, aí tudo bem, aí você já estaria com vinte e dois anos, mais experiente, com mais cancha e rodagem, inclusive na seleção brasileira.

É muito cedo, o ano que vem você terá APENAS VINTE ANOS. O sentimento é que estão arrancando você a força, e prematuramente do meio do seu povo, numa atitude colonialista de uma Espanha rica e poderosa.

Na verdade, a situação hoje é outra, a Europa vive uma crise, e a Espanha é a chamada “bola da vez”. E quando a crise assola um país e o dinheiro diminui, até os mais civilizados se transformam rapidamente nos piores xenófobos, e esse não é um momento legal para estar por lá.

Veja que loucura essa situação do Breno na Alemanha: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2011/09/24/breno-e-preso-preventivamente-por-suspeita-de-incendiar-propria-casa.htm

Até 2.014 os olhos do mundo do futebol estarão voltados para o Brasil. A nossa economia cresce, e a Espanha vive uma grande crise, mantendo esse ritmo, daqui alguns anos o PIB brasileiro será duas vezes maior que o deles, eles estão ficando pobre e o Brasil rico, e ainda não perderam a velha arrogância colonial.

O que há de bom em Madri eu não preciso dizer, certamente já lhe foi dito à exaustão, e é tudo verdade, acredite. Eu vou falar um pouco da parte ruim, sei que também já te falaram, mas, não custa repetir.

Já li, e ouvi declarações de jogadores da seleção espanhola sub 20, dizendo que o Madri não precisa de “Neymar”, e que, enquanto o Madri correr atrás de Neymar eles nunca terão um time como o do Barcelona, e que o segredo do time catalão é ter vários jogadores oriundos da base no time principal.

Li durante esse período da janela de transferência internacional, comentários de torcedores do Madri fazendo criticas duras a você nos blogs do jornal Marca, criticas que para nós, alvinegros, são verdadeiras heresias em se tratando do nosso novo REI DO FUTEBOL.

Mourinho é um grande técnico é inegável, mas, é chefe. Já enviou cobranças via imprensa a você. O rigor tático dele poderá impedir sua criatividade, acho que o Messi não seria o Messi que a gente está acostumado a ver sob a batuta do Mourinho, no Madri. Lá você será apenas mais um AQUI VOCÊ É REI.

No Madri você vai enfrentar a questão dos “egos”, imagino que comece pelo treinador, o Mourinho, “estrelona” e o que falar de Cristiano Ronaldo e Cia Ltda.? Será muito difícil, se não, impossível, um garoto de apenas vinte anos ser feliz num lugar assim, e eu, e mais a torcida do Santos inteira tem muitas dúvidas que o projeto madrilenho de certo??? http://uolesporte.blogosfera.uol.com.br/2011/09/24/mourinho-e-estrela-de-propaganda-de-barbeador-e-vira-embaixador-global-de-empresa-de-beleza-assista/

Tem mais: http://uolesporte.blogosfera.uol.com.br/2011/09/25/mourinho-esbanja-lado-egocentrico-e-diz-ser-o-melhor-do-mundo/

E a questão financeira, tão importante na vida de um profissional de sucesso e de carreira curta como a de jogador de futebol, imagino, será resolvida da melhor maneira possível. A direção do Santos tem tratado o assunto de forma exemplar e profissional, certamente não terás nenhum prejuízo, e quando for embora os direitos federativos serão seus.

Está ocorrendo um fenômeno que a gente ainda não sabe exatamente sua dimensão, a verdade é que o Brasil está vivendo um grande caso de amor com você, como diria os italianos “o Brasil está enamorado de ti”, são milhões de crianças e jovens imitando o ídolo, multidões que se aglomeram nos aeroportos e nas portas dos hotéis por onde quer o time do Santos vai, como no tempo dos Beatles.

Encerrar esse processo agora seria um aborto com proporções absurdas digna de uma tragédia popular, e que só interessa a alguns torcedores fanáticos dos rivais travestidos de jornalistas que iniciaram uma campanha sórdida “vá embora Neymar”, e evidentemente interessa também aos intermediários que vão embolsar alguns milhões de dólares, e estão desesperados para que a transação aconteça o mais rápido possível.

Senhores Neymar da Silva, e Neymar Jr., reflitam. Ainda não está na hora de ir embora, caminhe um pouco mais, até a copa, a gente ainda não tem a noção exata, mas, pode estar começando a história mais linda do futebol mundial desse século, e justamente no país do futebol.

E você, o que acha desse artigo de Ernesto Franze?


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