Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Nilton Batata

Juventude e irreverência incomodam muita gente

(Este é o texto publicado ontem pelo jornal Lance)

O esquadrão que se mobiliza diariamente para perseguir Neymar, o Menino da Ouro da Vila Belmiro, ainda não se deu conta, mas está apenas cumprindo o script de uma história que começou em 14 de abril de 1912.

Sim, desde que foi fundado, a história do Santos se baseia em garotos talentosos versus o status quo do futebol, leia-se sociedade. O primeiro a assinar a lista de presenças da ata de fundação do Alvinegro Praiano foi um rapaz de 18 anos, Adolfo Millon Junior, que dois anos depois se tornou o primeiro ponta-direita da primeira Seleção brasileira.

Na mesma tarde histórica de domingo do clube Concórdia, havia outro jovem bom de bola, Arnaldo Silveira, que não só seria o primeiro ponta-esquerda da primeira Seleção Brasileira, como se tornaria, pela personalidade e liderança, capitão do escrete nacional.

Adolfo e Arnaldo, além de Haroldo, fizeram do Santos o time que mais cedeu jogadores para a primeira conquista importante do futebol brasileiro, o Sul-americano de 1919, jogado no Estádio das Laranjeiras.

Perceba que o Santos, desde o início, revelou craques fantásticos ainda imberbes, e entregou a eles o seu destino.

O fenômeno se repetiu em 1924, quando, com a o caixa a zero, o clube foi buscar a linha ofensiva do Brasil Futebol Clube, respeitado time amador de Santos. Com o ponta-direita Omar e os irmãos Camarão e Siriri iniciou-se a estrutura do famoso ataque dos 100 gols, o primeiro a alcançar a marca centenária em uma competição na América do Sul.

Com a ascensão de Araken Patusca, filho de Sizino, primeiro presidente do clube; com a chegada de Evangelista, ponta-esquerda da Portuguesa Santista, além do artilheiro Feitiço, que abandonou a profissão de carroceiro na capital para voltar ao futebol, o Santos chegou à média inacreditável de 6,25 gols por jogo no Campeonato Paulista de 1927.

Depois, nos anos 50, vieram Pagão, Pelé, Pepe, Coutinho, Del Vecchio e um grupo de meninos que nenhum time jamais teve em época alguma. Os tempos eram outros e os jovens menos rebeldes, mas não faltou quem visse naquela meninada um bando de garotos metidos à besta.

Da mesma forma que falaram de Juary, João Paulo, Pita, Nilton Batata, oficialmente os legítimos Meninos da Vila, que cometeram a ousadia de ganhar o Campeonato Paulista de 1978 batendo o São Paulo, campeão brasileiro de 1977, em pleno Morumbi.

Demorou um pouco, mas nova geração de garotos encantou o Brasil em 2002, quando Robinho, Diego, Elano, Renato, Alex e cia eliminaram todos os favoritos, um a um, dentro ou fora ao Alçapão.

Nem sei quantas vezes Robinho foi ameaçada pela ousadia de driblar, pedalar, criar jogadas e espaços que só ele via. Lembro-me que o goleiro Danrlei, do Grêmio, disse que jogando assim, alguém ainda iria “quebrar a sua perna”. Não foi o único a fazer tal ameaça.

A arte e o talento incomodam demais a quem não os têm, pois deve ser mesmo irritante ver que o craque torna tudo simples, fácil, como se jogar futebol fosse brincadeira de criança.

Neste 2010 tivemos os Meninos da Vila edição VI encantando o Brasil de novo. Paulo Henrique Ganso, André, Neymar, Wesley e o decano dos Meninos que retornava ao lar, Robinho.

Todos deveriam ficar agradecidos de o futebol brasileiro contar com essa fonte perpétua de arte e beleza populares, que é a Vila Belmiro. Mas sempre há os espíritos de porco, os mal servidos pelo destino, os pernas de pau no campo e da vida.

E queriam que Neymar fosse para a Europa de qualquer jeito, e queriam que fosse punido mais e mais por ter discutido com o técnico, e agora estão, lentes e lupas na mão, acompanhando tudo o que o garoto diz e faz.

A inveja pode se revelar de diversas maneiras. Uma deles é através da chamada crônica esportiva, profissão que dá licença para se atacar um ser humano que paira bem acima da mediocridade com a desculpa de o estar educando.

Ora, senhores da crônica, eduquem-se vocês. Deixem o talento de quem o tem fluir livremente. Percebam que nem criativos os senhores estão sendo, pois essa implicância com quem brilha é coisa velha, é roteiro antigo no qual os senhores serão, sempre, coadjuvantes.

Odir Cunha

Agora curtam um filme que deve deixar os tradicionalistas loucos da vida.


Relembre o Futebol Discoteca dos Meninos da Vila campeões de 1978

Como vocês sabem, por problemas do provedor, este blog ficou fora do ar na maior parte desta terça-feira. Curta o post que já estava pronto para entrar ao meio-dia. Logo mais, antes da uma da manhã, outro artigo será postado. Grato pela participação.
Odir Cunha

De pé: Gilberto Sorriso, Victor, Joãozinho, Neto, Clodoaldo e Nelsinho Batista. Agachados: Nilton Batata, Ailton Lira, Juary, Pita e João Paulo. Técnico: Francisco Formiga.

Acabei de receber este vídeo produzido pelo Wesley Miranda, que iniciou o blog Santistas Loucos e escreve para uma grande comunidade de santistas no orkut. Este vídeo, que trata da conquista do título paulista de 1978, vai para a página de Artes deste Blog do Odir, mas antes ficará um pouco na home para quem quiser relembrar o time que originou a marca Meninos da Vila.

Na verdade, o Santos já foi fundado por uma geração de Meninos da Vila, mas este nome foi criado pelo técnico Francisco Formiga, que dirigiu o time – quase todo saído das divisões de base do Santos – no título paulista de 1978, jogado em meados de 1979.

O amigo Wesley Miranda fez um trabalho muito interessante, ligando o ritmo frenético do time, realmente muito rápido, com a moda musical da época. Juary, João Paulo, Rubens Feijão, alimentados pelos passes medidos de Pita e Ailton Lira formavam o ataque mais velos Brasil na época, o que batizou seu estilo de “futebol discoteca”.

Quando Clodoaldo se machucou, surgiu o garoto Zé Carlos. Outro volante acima da média era o então menino Toninho Vieira. Nas finais, mesmo sem cinco titulares e obrigado a entrar em campo com vários reservas, como o goleiro Flávio e os atacantes Célio e Claudinho, o Santos superou o São Paulo, campeão brasileiro de 1977, em três partidas, todas no Morumbi.

Além da garotada, havia a experiência e a categoria de um zagueiro como Joãozinho e um meia maravilhoso, que punha a bola onde queria, como Ailton Lira. Havia ainda o capitão Clodoaldo, os laterais Nelsinho Batista (esse mesmo que hoje é técnico) e Gilberto Sorriso.

Acabei de assistir novamente a cenas que tive a felicidade de ver pessoalmente, e hoje fica ainda mais claro que se tratava de um time excelente, que em 2010 não teria adversários no Brasil.

Sei que muitos santistas – como o cantor e compositor Zeca Baleiro, um dos expoentes da nova geração da música popular brasileira – ficaram santistas nessa época. Então, este vídeo é também uma homenagem a eles, que vibravam na conquista de um título estadual como se o Santos estivesse sendo campeão do mundo de novo.

Você conhece alguém que ficou santista no tempo do futebol discoteca dos Meninos da Vila?


Ganso e Neymar estreiam na Seleção, como já aconteceu com os Meninos da Vila Millon e Arnaldo, Pelé e Del Vechio, Juary e Nilton Batata, Robinho e Diego…

Guardem bem esta data: 10 de agosto de 2010, dia que pode entrar para a história do futebol, pois hoje os Meninos da Vila Neymar e Paulo Henrique Ganso estreiam na Seleção Brasileira. Como tudo que acontece no Santos, o fato de dois garotos começarem juntos sua carreira na Seleção não é novidade. A história começou logo no primeiro jogo oficial do Escrete, no longínquo 27 de setembro de 1914, em Buenos Aires.

No campo do Club Gimnasia Y Esgrima e diante de um público de 17.200 pessoas – excelente para a época – a Seleção Brasileira jogou a primeira partida oficial de sua história contra a Argentina, em disputa da Copa Roca. Entre os titulares do Brasil lá estavam dois jovens, de 20 e 22 anos, que dois anos antes tinham participado da fundação do Santos: o ponta-direita Adolfo Millon Junior e o ponta-esquerda Arnaldo Silveira.

O Brasil venceu por 1 a 0, gol de Rubens Salles, do Paulistano, aos 13 minutos do primeiro tempo, mas lembro esta partida apenas para perguntar: Não é assombroso que a primeira geração dos Menino das Vila já tenha sido representada logo no primeiro jogo oficial da Seleção Brasileira?

Pelé, bem acompanhado

No dia 7 de julho de 1957, ao estrear na Seleção Brasileira, com apenas 16 anos, Pelé olhou para o lado e lá estava o santista Del Vecchio, outro Menino da Vila, 22 anos. Mais à esquerda, mais um santista, Tite. Atrás, Zito, que depois foi substituído por Urubatão, também do Santos. Era o Maracanã, mas parecia um jogo na Vila Belmiro. À vontade, o estreante marcou o gol de empate, aproveitando um rebote do goleiro.

Daquele período até 1970 o Santos e a Seleção Brasileira se confundiram e muitos Meninos da Vila honraram também a amarelinha, como Pepe, Coutinho, Pagão, Joel Camargo, Clodoaldo, Edu…

Em 1978/79, quando surgiu a geração que consagrou a denominação “Meninos da Vila”, todos eles também chegaram à Seleção Brasileira na mesma época: no segundo semestre de 1979 o técnico Cláudio Coutinho chamou os meninos Juary, João Paulo, Nilton Batata e Pita.

O mesmo aconteceu com Robinho e Diego, estrelas do time campeão brasileiro de 2002, que embora tivessem apenas 21 e 20 anos, respectivamente, passaram a ser convocados regularmente para a Seleção a partir de 2004.

Agora é a vez de Neymar e Paulo Henrique Ganso, que representam não só o orgulho dos santistas, mas a esperança do futebol brasileiro de reencontrar suas origens de futebol bonito e ofensivo. Que os deuses do futebol os protejam hoje à noite e que possam jogar tão alegres e irreverentes como se estivessem na Vila mais famoso do mundo.

O que você espera da atuação de Neymar e Ganso no jogo de hoje? Acha que sentirão o peso da camisa da Seleção, ou jogarão tranqüilos e darão show?


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