Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Notícias plantadas

Há um complô da imprensa paulistana contra o Santos?


Nesta edição de fevereiro de 1975, a revista Placar decretava que o Santos, endividado e sem Pelé, aprendia “a ser pequeno” (veja título no centro da página, à direita).
Esta publicação, à época semanal e única revista de futebol do País, manteve o mesmo discurso até o surgimentro dos Meninos da Vila, em 1978. Nesse período, a revista chegou a dizer que o Guarani já tinha se tornado um time “grande”, enquanto o Santos voltava a ser “pequeno.”

Hoje é sexta-feira, dia em que, segundo Tiago Leifert, o jornalismo esportivo brasileiro planta notícias. Provavelmente serão divulgadas informações fantasiosas sobre Paulo Henrique Ganso, Neymar… e o torcedor do Santos, indignado, bradará por sites e blogs que a imprensa de São Paulo é anti-santista. Mas essa acusação corresponde à realidade?

Trabalhei por muitos anos nas várias funções do jornalismo – de repórter a editor – em vários veículos importantes, como o Jornal da Tarde e O Globo; rádios Globo, Excelsior e Record; TV Record, além de muitas revistas esportivas, e posso dizer, com toda a convicção, de que não há nenhum complô contra o Santos, nenhum movimento orquestrado para diminuir, ridicularizar ou prejudicar o Alvinegro Praiano.

O que há é a vontade de se agradar a um contingente maior de torcedores – hoje uma questão de sobrevivência para alguns veículos –, o fanatismo de muitos profissionais da imprensa e a falta de cultura esportiva (pois, já disse um amigo, se a imprensa brasileira reconhecesse o que o Santos fez pelo futebol nacional, todo programa esportivo deveria começar com o hino do Alvinegro Praiano).

Perceba que todo caderno esportivo de São Paulo dá um jeito de falar do Corinthians, pois se acredita que isso faz vender mais jornal. Se o Santos fosse o time de maior torcida no país, certamente também seria o mais divulgado. Simples e lamentável assim.

Quando me refiro a fanatismo, quero dizer que o jornalista tem a tendência de falar mais do time para o qual torce. Pode reparar. Por mais neutro que seja, Mauro Beting fala mais do Palmeiras; assim como Milton Neves do Santos; Neto do Corinthians, Wanderley Nogueira do São Paulo; Renato Maurício Prado do Flamengo e por aí vai…

Não dá para se esconder a paixão por um time, por mais que se tente. Com isso, a tendência de uma equipe esportiva depende da orientação dos editores ou da visão de cada profissional. Um veículo pode, deliberadamente, dar mais espaço a um clube, ou isso pode ocorrer ocasionalmente devido à preferência pessoal dos jornalistas que integram a equipe.

É normal um editor preferir empregar repórteres e redatores que torcem pelo mesmo time que ele? Sim, mais comum do que se imagina. É corriqueiro haver desavenças em uma equipe esportiva, discussões e até inimizades devido ao time que os jornalistas torcem? Sim, claro. Torcer pelo mesmo time do chefe traz benefícios profissionais? Por mais ridículo que possa parecer, sim. A preferência do editor, ou de quem contrata, pode ditar também a preferência do veículo? Sem dúvida.

Assim, a Rádio Jovem Pan tem uma clara tendência são-paulina, apesar de não esquecer o Santos; o Jornal da Tarde dá um espaço desproporcional ao Palmeiras, por ser o time preferido de boa parte de seus jornalistas esportivos; a TV Bandeirantes privilegia o Corinthians, time do Neto, doutor Osmar e Datena.

Mas, pode notar, o mesmo jornalista que hoje escreve ou fala algo negativo sobre o Santos, amanhã falará ou escreverá algo positivo. É muito raro encontrar alguém que só critique ou só elogie. Este blog, mesmo, apesar de ser escrito por um santista e dirigido a santistas, aborda tanto aspectos bons, como ruins do clube. Até por isso foi batizado de ombudsman do Santos.

E hoje o respeito pelo Santos é muito maior. Entre 1975 e 76 tenho matérias da revista Placar destacando a penúria do clube – endividado, sem Pelé e perdendo o Parque Balneário -, decretando que o Santos tinha virado time pequeno. Isto, apesar de ter uma torcida que dividia o Morumbi com a corintiana.

Hoje temos inúmeros veículos e programas que tratam o Santos com o devido respeito, como o Globo Esporte do competente Tiago Leifert, as rádios Bandeirantes e Estadão/ESPN, o Arena Sportv…

O remédio é fazer a sua parte

Imagine o santista como era a popularidade de seu clube em meados da década de 1950, antes do bicampeonato paulista de 1955/56. O Santos ocupava o rodapé das páginas esportivas e os cantinhos dos estádios. Só ganhou as manchetes e lotou Maracanãs com o mérito de suas conquistas e de seu talento. Nada veio de graça para o Time dos Sonhos.

É o mérito e o trabalho que acabam prevalecendo, sempre. Assim como o técnico Muricy Ramalho disse aos jogadores que não devem se preocupar com o árbitro e sim em jogar futebol; eu digo a meus amigos santistas, leitores deste blog, que não dêem tanta importância às notícias plantadas prejudiciais ao Santos. Perguntem-se, isto sim, o que estão fazendo para que o Santos cresça continuamente.

E se falam do Santos é porque ele está dando ibope. A imprensa não chuta cachorro morto. E depois, a busca do sensacionalismo não atinge apenas o Alvinegro Praiano. Os escândalos envolvendo Ronaldo – que chegou a ser detido bêbado e com travestis – foram sempre muito mais contundentes, e isso não impediu que hoje ele seja recebido com pompa e circunstância pela Rede Globo.

Quando não se dá muita importância aos boatos, quando se permite que eles entrem por um ouvido e saiam pelo outro, não passa nada, como dizem os argentinos. Eles só causam prejuízos quando são levados a sério, quando são repercutidos.

O santista é extremamente crítico, e isso não é ruim. Credito boa parte do sucesso do Santos a este grau superior de exigência do torcedor com relação ao time. Mas é preciso, também, que este torcedor faça a sua parte. É imprescindível apoiar, acreditar, ser mais atuante. De nada adianta ter uma das maiores torcidas do País, se às vezes ela se esconde.

Quando há esta sinergia entre time e torcida, como aconteceu na reta final dos Brasileiros de 2002 e 2004 e no primeiro semestre do ano passado, nada consegue impedir o sucesso. Nem árbitros, nem dirigentes, nem multidões de torcedores contrários. Muito menos a imprensa.

E você, acha que há um complô da imprensa paulistana contra o Santos?


Notícias contra o Santos são plantadas há decadas. Veja esta, de 1969…

Em 1969 o Santos estava no auge. Nos últimos 15 anos tinha conquistado 11 títulos paulistas, seis brasileiros (5 Taças Brasil e um Roberto Gomes Pedrosa), duas Libertadores, dois Mundiais, quatro Rio-São Paulo, uma Recopa Sul-americana e uma Mundial, além de dezenas de torneios internacionais. A imprensa corintiana vivia louca para tirar alguns jogadores do Santos.

Esta matéria, de um jornal paulistano – enviada pelo amigo Wesley Miranda, do blog Santistas Loucos – mostra que a situação tinha chegado a tal ponto que a diretoria do Alvinegro Praiano teve de fazer um comunicado oficial para acabar com as fofocas.

Percebeu por que não dá para ficar surpreso com essa boataria? Em 1969 já diziam que metade do Santos iria embora.


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