A dança das baleias deve continuar? Ou só tira o foco do time e motiva os adversários?

Sem querer fazer média com meus leitores, sempre acreditei no poder da opinião da maioria. Leio todos os comentários deste blog e todos são plausíveis, coerentes, têm a sua lógica. Algo que se percebe é que o próprio torcedor santista não aprova tanto rebolation após os gols. Ficou evidente ontem que essa prática mexeu com os brios e motivou o adversário.

Todos sabemos que uma propriedade essencial que difere um time grande de um pequeno é a motivação. Enquanto o pequeno se contenta com o empate e se joga todo na defesa para segurar uma pequena vantagem, o grande tem um nome a zelar e se julga no direito de buscar sempre a vitória.

Foi o que o Palmeiras fez ontem na Vila Belmiro, mais uma vez. Nunca foi um time batido. Mesmo perdendo de 2 a 0 e pressionado, percebia-se que ao conquistar a bola e ir para o ataque, o fazia com determinação. Teve tanto ou mais posse de bola do que o Santos no primeiro tempo, seus jogadores entravam decididos nas divididas, jogou sério, de forma objetiva e fez por merecer a vitória. Não pela categoria superior, que não tem, mas pela garra, que também ganha jogo, sim.

Poderia ser empate? Poderia. O Santos poderia ter vencido? Sim, teve oportunidades para isso. Mas, no todo, o time que se mostrou mais focado na busca do resultado, que não desperdiçou energias com filigramas e bailados, foi o Palmeiras.

O leitor Renato Martins Bueloni, em seu comentário no post anterior, afirma que as comemorações exageradas que Robinho levou para o Real Madrid (que fazia com Ronaldo e Roberto Carlos), geraram antipatia e foram o início de sua decadência por lá. Não tenho argumentos para discutir isso, mas realmente esse tipo de comemoração debochada e constante deve enervar e motivar o adversário. De vez em quando é legal, mas toda hora enche.

O grande Santos dos anos 60 comemorava os gols se abraçando. Pelé e Toninho Guerreiro socavam o ar (Toninho sem pular), Coutinho virava as costas e já voltava para o meio-campo, Pepe corria para os abraços, assim como Dorval. Só. O gol já é humilhação suficiente para o adversário e aquele Santos queria faze-los mais e mais.

Não digo que as comemorações deste jovem e impetuoso Santos não sejam vistosas, mas, se vão continuar, que ocorram em circunstâncias nas quais o jogo já esteja realmente definido. Cutucar a onça (ou seria o porco?) com vara curta pode dar muito errado, como ficou provado ontem.

Entre times grandes não há supremacia absoluta e completa. As hierarquias mudam rapidamente. Como o Palmeiras fez o favor ao Santos de provar ontem, uma equipe desacreditada pode se erguer e vencer, fora de casa, outra considerada melhor. Isso sempre aconteceu no futebol e continuará acontecendo.

Ao invés de procurar outros motivos para explicar a derrota (erros da arbitragem, violência demasiada do adversário), Dorival Junior e seus comandados deveriam agradecer ao Palmeiras pela lição de humildade, garra e profissionalismo, qualidades essenciais para um time que não quer apenas ser lembrado por algumas partidas espetaculares, mas por ter tido competência de ser campeão.

E você, querido leitor e leitora, acha que estou sendo chato, que coreografia de gol não faz mal nenhum e deve continuar? Ou é melhor ser usada com parcimônia, apenas quando os jogos já estão definidos? Ou ainda é melhor abolir de vez e deixar para a comemoração dos títulos?