Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

film izle

Tag: Oswaldo Brandão

Uma final heróica contra o Corinthians. Que poucos conhecem…

Quanto se fala nos jogos entre Santos e Corinthians que decidiram títulos, todos se lembram dos Paulistas de 1935 e 1984, vencidos pelos Santos; do Paulista de 2009, que ficou com o Corinthians; do histórico Brasileiro de 2002, conquistado pelo Alvinegro Praiano e – depois de lembrado por Celso Unzelte no livro “O Grande Jogo” – também do Paulista de 1930, arrancado pelo alvinegro da capital em plena Vila Belmiro. Mas ninguém se recorda daquele que, para mim, foi o mais dramático de todos.

Estou me referindo ao Rio-São Paulo de 1966, decidido, na última rodada, com um confronto entre Corinthians e Santos, no Pacaembu. Naquele domingo, 27 de março de 1966, dois clássicos alvinegros definiriam a competição: aquele do Pacaembu, à tarde, e depois, à noite, Vasco e Botafogo, no Maracanã.

A situação do torneio era a seguinte: o Vasco era o líder, com um ponto ganho a mais do que Santos e Corinthians e dois pontos à frente do Botafogo. Não me pergunte porque os dois jogos não foram realizados no mesmo horário, como a ética mandaria. O certo é que se vencesse, o Vasco seria campeão. Mas, se perdesse, ficaria atrás de Santos ou Corinthians, caso um dos dois saísse vitorioso no clássico paulistano.

Quanto ao Botafogo, sua única possibilidade de chegar ao título seria vencer o Vasco e torcer para o empate em São Paulo, pois isso deixaria os quatro times empatados na primeira posição e obrigaria a realização de um quadrangular final para a definir o torneio.

Vivia-se o auge do tabu

Naquela época, o Corinthians não ganhava do Santos de jeito nenhum. Sabe-se que por 11 anos, de 1957 a 1968, o Santos não perdeu para o rival no Campeonato Paulista. Mas houve um período, de junho de 1962 até março de 1968, que a invencibilidade se estendeu por todas as competições. Só nesse período foram 19 jogos, com 11 vitórias santistas e oito empates.

Pelé, maior algoz do Corinthians, naquele domingo não jogou. O técnico Lula escalou a equipe com Laércio, Carlos Alberto Torres, Oberdan, Haroldo e Zé Carlos; Zito e Mengálvio; Dorval (Lima), Coutinho, Toninho e Edu (Joel).

Oswaldo Brandão armou o Corinthians com Heitor, Jair Marinho, Ditão, Galhardo e Édson; Nair e Rivelino; Garrincha, Flávio (Nei), Tales e Gílson Porto.

O jogo começou e seguiu equilibrado, com tentativas de ambos os lados. Mas, por jogo violento, seguido de reclamação, o árbitro Ethel Rodrigues cismou de expulsar Coutinho e Mengálvio de uma vez só. E aos 30 minutos, ao driblar Zito dentro da área, Garrincha sofreu pênalti.

Eu, com os meus 13 anos e meio, acompanhava a partida pelo rádio e percebi que a situação estava critica. Um pênalti contra e dois jogadores a menos, em um Pacaembu repleto de torcedores contrários… Como o Santos faria para manter o tabu? Mas, lembro-me bem, não desisti. Continuei torcendo pelo improvável.

O primeiro estágio da torcida deu certo. Laércio Milani, tão bom goleiro que chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira mesmo sendo reserva de Gylmar, espalmou o pênalti cobrado por Flávio no canto direito. A bola voltou para a pequena área e Flávio jogou por cima.

Lula substituiu os pontas Dorval e Edu por Lima e Joel e o Santos passou a jogar na defesa. Mas, faltavam, ainda, 15 minutos para terminar o primeiro tempo, além da segunda etapa inteirinha.

Mesmo quando tinha de me distanciar do grande rádio, que ficava na cozinha, torcia para não ouvir o grito de gol, pois isso, inevitavelmente, significaria que o adversário tinha vencido a retranca santista. E assim o tempo passou.

Um título heróico

Nos últimos minutos, já com o coração aos pulos, ouvi quando, em um contra-ataque, Toninho Guerreiro penetrou pela direita e quase fez o gol da vitória santista. De qualquer forma, o empate de 0 a 0, nas circunstâncias em que foi obtido, representou uma grande vitória, que se revelou até mais importante do que a manutenção do tabu.

À noite, o Botafogo venceu o Vasco por 3 a 0, provocando um empate qrádruplo. Sem datas para realizar um quadrangular para definir o campeão, decidiu-se que o título seria dividido entre os quatro.

Assim, se você ainda não sabia, fique sabendo – e não esqueça – que o Santos já foi campeão jogando 60 minutos com dois jogadores a menos do que o Corinthians, em um empate que valeu muito mais do que uma goleada e que deixou no adversário uma sensação terrível de derrota.

Reveja o filme deste jogo no lendário Canal 100:

Corinthians 0, Santos 0

27 de março de 1966, domingo à tarde

Última rodada do Rio-São Paulo de 1966

Pacaembu

Corinthians: Heitor, Jair Marinho, Ditão, Galhardo e Édson; Nair e Rivelino; Garrincha, Flávio (Nei), Tales e Gílson Porto.
Técnico: Oswaldo Brandão.

Santos: Laércio, Carlos Alberto Torres, Oberdan, Haroldo e Zé Carlos; Zito e Mengálvio; Dorval (Lima), Coutinho, Toninho e Edu (Joel).
Técnico: Lula.

Árbitro: Ethel Rodrigues (SP).

Cartões Vermelhos: Mengálvio e Coutinho.

Renda: Cr$ 64.517.500,00

Veja matéria sobre os títulos ganhos pelo Santos no Pacaemnbu no blog Santistas Loucos

Acreditar, sempre

Por ter vivido situações como esta, é que nunca deixei de acreditar no Santos, mesmo nos momentos mais difíceis de sua história. Por isso, vencer o Corinthians, domingo, na Vila, e comemorar mais um título Paulista, é fichinha perto das dificuldades que o time já passou diante de seu tradicional rival.

Você conhecia esta história? Acha que um time que já manteve um tabu jogando com dois jogadores a menos por 60 minutos, no campo do adversário e com torcida contra, pode ter algum receio ao jogar completo e em sua casa?


Um jogo que marcou minha infância

Machado e Pelé, um duelo que o Rei ganhou.

Era um sábado. Eu me lembro bem, pois estava na primeira série do ginásio e à tarde tinha aula no Colégio Padre Francisco João de Azevedo, na Cidade Dutra. Santos e Botafogo de Ribeirão Preto jogavam na Vila Belmiro e eu ouvia a partida pelo rádio, com muito interesse.

No meio da semana o Santos tinha sido goleado pelo Guarani, em Campinas, por 5 a 1. O time chegou a Campinas exausto de jogos no exterior e em cima da hora para enfrentar o perigoso Guarani, cujo técnico, cujo nome não me recordo, afirmou antes da partida que estava otimista de que  venceria o Santos. E venceu mesmo!

O Santos tinha uma particularidade: quando estava “mordido”, entrava em campo para arrebentar. E a derrota vexatória no meio da semana deixou o time fulo da vida. Mesmo nos meus 12 anos, eu já pressentia que algo espetacular poderia acontecer naquele sábado.

O Botafogo não era um time ruim, longe disso, tanto que no primeiro turno vencera o Santos, em Ribeirão, por 2 a 0, mas seria difícil segurar Pelé & Cia loucos para apagar a má imagem da derrota em Campinas.

Está certo que no jogo do primeiro turno Pelé não jogou, substituído por Rossi. Mas a verdade é que o Botafogo era um dos melhores do Interior, dirigido pelo conceituado técnico Oswaldo Brandão e com um goleiro que impunha respeito, o Machado.

7 a 0 no primeiro tempo!

Bem, a história desta partida tão distante hoje é bem conhecida. Mas imagine, leitor e leitora, a alegria de um menino que ao final do primeiro tempo já ouvia o seu time ganhar por 7 a 0! E em 1964 eu já começava a ser um pouquinho mais fanático, a ponto de anotar em um caderno todos os jogos do Santos.

No intervalo fui ao colégio e lá não se falava em outra coisa. Os colegas que torciam para outros clubes (nunca entendi o masoquismo deles, mas gosto não se discute) apostavam que o Botafogo não voltaria para o segundo tempo. Seria uma vergonha tomar de dez, eles argumentavam, preocupados com a marca histórica que o Santos teria.

Mas o Botafogo, que por sinal não deu pontapés e jogou limpamente, não só voltou para a segunda etapa, como sofreu mais quatro gols e saiu da Vila Belmiro com a derrota inesquecível por 11 a 0.

O curioso é que o goleiro Machado, apesar de sofrer 11 gols, foi considerado um dos melhores jogadores em campo. Outra curiosidade é que o técnico Oswaldo Brandão em seguida foi contratado pelo Corinthians e duas semanas depois voltou a enfrentar o Santos, no Pacaembu. Como o Santos goleou o Corinthians por 7 a 4, alguns jogadores santistas passaram a chamar Brandão de “Dezoito”.

Para completar a história, o Santos foi campeão paulista em 1964, assim como já tinha sido em 1960, 61 e 62 e assim como seria em 1965, 67, 68 e 69. Enfim, uma década totalmente santista, dominada pelo futebol artístico, ofensivo, repleto de jogadas bonitas e gols, muitos gols.

Santos 11, Botafogo 0

Primeiro tempo: Santos 7, Botafogo 0

Vila Belmiro, 21/11/1964, sábado à tarde

Santos: Gylmar; Carlos Alberto, Modesto, Haroldo, Geraldino; Lima e Mengálvio; Toninho Guerreiro, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula.

Botafogo/RP: Machado; Ditinho, Hélio Vieira, Tiri e Carlucci; Berguinho e Adalberto; Zuíno, Alex, Antoninho e Gaze. Técnico: Oswaldo Brandão.

Gols: Pelé (8), Pepe, Coutinho e Toninho Guerreiro.

O jogaço de hoje, às 11 horas, pelo Sportv

Novamente como um dos melhores times do Interior de São Paulo, e com chances reais de se classificar para as semifinais, o Botafogo recebe o Santos hoje às 21 horas em Ribeirão Preto (com transmissão do Sportv), no jogo que tem tudo para ser o mais interessante da rodada.

Ontem, Corinthians, São Paulo e Palmeiras fracassaram, mesmo enfrentando adversários que lutam contra o rebaixamento. Hoje o Santos ainda não terá Robinho, contundido, e Neymar, suspenso, mas poderá contar com o mesmo meio-campo e ataque que obteve a maior goleada do Campeonato Paulista nos últimos 46 anos ao bater o Ituano, domingo, por 9 a 1.

Dorival Junior deverá escalar o líder do campeonato com Felipe; George Lucas (ou Roberto Brum), Edu Dracena, Durval e Pará; Rodrigo Mancha, Arouca, Marquinhos e Paulo Henrique; Madson e André.

O técnico José Galli Neto provavelmente colocará o Botafogo em campo com Wéverton; Jonas, Cleiton, Leandro Amaro e Andrezinho; Augusto Recife, Rodrigo Pontes, Ademir Sopa e João Henrique; William e Adriano (ou Ricardinho).

Aposte no Bolão

Um exemplar do livro “O barqueiro de Paraty” será o prêmio do vencedor do Bolão de Botafogo e Santos. Vá à caixa de comentários e diga quanto acha que será o jogo, a parcial do primeiro tempo e os autores dos gols do Santos. Boa sorte!


© 2018 Blog do Odir Cunha

Theme by Anders NorenUp ↑