Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Oswaldo Oliveira

Com Robinho ou sem Robinho

Ricardo Oliveira
Torcida foi ao CT apoiar o último treino antes da final (Ivan Storti/ Santos FC)

Robinho é dúvida para o jogo deste domingo, às 16 horas, no estádio do Palmeiras, o primeiro da decisão do título paulista de 2015. Porém, mesmo sem ele, que tem um edema muscular, o Santos poderá fazer uma boa partida e conseguir, no mínimo, o empate.

Se Robinho não puder jogar, provavelmente o técnico Marcelo Fernandes colocará o experiente Marquinhos Gabriel em campo, guardando o rápido e definidor Gabriel para entrar no segundo tempo. Outras dúvidas são Valencia e Gustavo Henrique.

Sem Valencia, creio que Lucas Otávio poderá dar conta do recado. o rapaz é um ótimo ladrão de bolas. E se Gustavo Henrique ficar de fora, o garoto Paulo Ricardo deverá fazer o seu quarto jogo no time profissional do Santos. Confio nesses garotos e acho que jogarão tranqüilos e se darão bem.

Mesmo sem esses titulares, a espinha dorsal do time permanecerá praticamente intacta, com o goleiro Vladimir, o zagueiro David Braz, os laterais Victor Ferraz e Chiquinho, os meio-campistas Renato e Lucas Lima e os atacantes Geuvânio e Ricardo Oliveira. Isso deverá manter a equipe equilibrada, mesmo nos momentos mais tensos da partida.

Um amigo do blog ainda lembrou que nas finais do Campeonato Paulista de 1978 o Santos foi perdendo titular após titular e chegou ao jogo decisivo, contra o São Paulo, com cinco reservas – Flávio, Antonio Carlos, Zé Carlos, Toninho Vieira, e Claudinho – que se tornaram sete quando Pita torceu o tornozelo e foi substituído por Rubens Feijão, e o zagueiro Neto também cedeu o lugar a Fernando.

Pois mesmo sem titulares experientes como o goleiro Vitor, o zagueiro Joãozinho, o volante Clodoaldo, o meia Ailton Lira e o atacante João Paulo (sem contar Pita e Neto, que começaram a partida, mas tiveram de sair), o Santos buscou o primeiro título sem Pelé, diante de 80 mil pessoas que lotavam o Morumbi em uma quarta-feira à noite.

Portanto, é claro que titulares fazem falta, ainda mais do nível de um Robinho, mas o bom ambiente e o sabor do desafio podem fazer milagres em jogadores motivados, que encaram a chance de entrar em um jogo desses como uma grande oportunidade para suas carreiras.

Sem contar que Marcelo Fernandes, caso não possa escalar Robinho, tem a opção de incluir mais um jogador no meio, Elano ou Leandrinho, e atuar com Geuvânio e Ricardo Oliveira à frente, adiantando Lucas Lima quando o time retomar a posse da bola.

Pelo lado palmeirense, não acredito que Valdívia será poupado. Talvez o chileno não esteja cem por cento, mas não deixará de jogar essa partida decisiva para o seu clube. E espero que Marcelo Fernandes arme um esquema para neutralizar as assistências e arrancadas de Valdívia, um dos poucos craques em atividade no futebol brasileiro.

Minha previsão? Como um pugilista que busca a ofensiva desde o soar do gongo, o Palmeiras deverá pressionar o Santos no começo, e se o Alvinegro Praiano ficar só nas cordas, certamente sofrerá o nocaute. O ideal é já entrar bem esperto e aproveitar toda oportunidade de contra-ataque. Quem toma a iniciativa, abre a guarda e pode sofrer uns contragolpes de vez em quando. Assim deverá ser o jogo do Santos.

Para mim, Robinho vai jogar


Robinho foi ao CT e fez exercícios leves (Ivan Storti/ Santos FC)

Pelo que me lembro dos meus tempos de repórter no Jornal da Tarde, uma contusão como a de Robinho – edema na coxa – pode ter uma recuperação de apenas cinco a seis dias caso seja do tipo mais leve. Aposto nisso, pois Robinho saiu de campo logo que a sentiu e, pelo jeito, é a mesma que já o atrapalhou antes e exigiu menos de uma semana para o seu tratamento.

Aposto também que ele vai jogar porque mesmo que não tenha 100% de sua mobilidade e velocidade, ainda assim Robinho pode – com sua experiência e visão de jogo – criar boas jogadas, liderar o time em campo e assustar os adversários.

Caso tenha sido uma contusão menos grave, como imagino, talvez o incomode muito pouco, mesmo que não esteja totalmente curada. Nesse caso, ele poderia iniciar a partida para ver até onde poderia ir. Como Marcelo Fernandes pode fazer três substituições, arriscar uma com Robinho não será nenhum desperdício. Em um caso bem mais grave, Leão colocou Diego para jogar apenas um minuto na final do Brasileiro de 2002, lembram-se?

Clique aqui e entenda mais sobre edema muscular, nesta boa matéria do blog de Jafé Alves.

Entrevista de Marcelo Fernandes:
“Sabemos que o Palmeiras virá pra cima, mas o Santos não ficará acuado”

Santos e Unicef, tudo a ver:

História: como foi a decisão de 1959:

Museu Pelé patrocinará o Santos nestas finais

Clique aqui para ler matéria em A Tribuna sobre o patrocínio do Museu Pelé ao Santos nestas finais do Campeonato Paulista

E pra você, como o Santos jogará sem Robinho?


Hoje Santos x Palmeiras dará mais de 20 pontos. Assista!

Veja como foi o rachão de ontem:

Gabriel
Gabriel marcou no treino de ontem. Repetirá o feito hoje? (Ricardo Saibun/ Santos FC)

elano-thiago reservasMarcelo Fernandes dá os coletes de reservas para Elano e Thiago Ribeiro (Ivan Storti/ Santos FC)

Como foi o jogo no Paulista do ano passado:

Uma matéria do UOL diz que a Globo está correndo risco ao transmitir Santos e Palmeiras, hoje, às 22 horas, direto da Vila Belmiro, pois a audiência pode ser fraca. Assim eu vou cancelar minha assinatura do UOL. É uma bobagem atrás da outra. Pois eu digo que a audiência do clássico será uma dos maiores do ano. Mais de 21 pontos no Ibope. Somadas, as torcidas de Santos e Palmeiras são a terceira do Brasil. E ainda tem muito torcedor de outros times que assistirão ao jogo.

Na disputa entre Oswaldo de Oliveira e o interino Marcelo Fernandes, auxiliado por Serginho Chulapa, fico com a dupla santista. Oswaldo, como conhecemos bem, tem uma dificuldade enorme para montar times em jogos fora de casa. Na Vila, que esperamos esteja lotada, o domínio será do Santos.

Os times se equivalem, mas o ataque do Santos é bem superior. Robinho, o original, voltará; Ricardo Oliveira está começando a fazer gols, Geuvânio é um perigo constante, Lucas Lima está em grande fase e ainda temos Gabriel e Thiago Ribeiro no banco. Renato está bem como volante e a defesa tem sofrido poucos gols. Vanderlei é um bom goleiro.

Santos e Palmeiras é sempre um jogo gostoso de assistir. Os times costumam jogar soltos e há um respeito no ar. Afinal, fizeram o maior clássico paulista na fase de ouro do futebol brasileiro, de 1958 a 1970. Essa tradição pesa.

Desta vez, só para desmentir os que defendem que jogos do Santos não dão Ibope, verei pela Globo e espero que outros santistas o façam. Se a narração for do Cléber Machado, pode crer que os fluidos serão positivos.

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Clássico comemora 100 anos

Neste ano de 2015 Santos e Palmeiras comemoram um século do clássico. No primeiro jogo, em 3 de outubro de 1915, no Campo do Velódromo, na Capital, o Santos goleou por 7 a 0, com três gols de Ary Patusca, dois de Anacleto Ferramenta, um de Arnaldo Silveira e um de Aranha. A torcida do Santos subiu a serra para ver este jogo que representou a maior goleada sofrida pelo time paulistano no confronto. O Palmeiras, ainda denominado Palestra Itália, era formado por italianos ou descendentes. Hoje o Palmeiras leva ampla vantagem no confronto direto, mas está há sete jogos sem vencer o Santos. Nesta noite os dois times jogarão com todos os seus titulares.

Santos x Palmeiras – Vila Belmiro, 11/03/2015, 22 horas

Santos: Vanderlei; Cicinho, Werley, David Braz e Victor Ferraz, Valencia, Renato e Lucas Lima; Geuvânio, Robinho e Ricardo Oliveira. Técnico: Marcelo Fernandes.

Palmeiras: Fernando Prass, Lucas, Tobio, Vitor Hugo e Zé Roberto; Gabriel e Arouca; Allione, Robinho e Dudu; Cristaldo. Técnico: Oswaldo de Oliveira.

Arbitragem: Thiago Duarte Peixoto, auxiliado por Danilo Ricardo Simon Manis e Luis Alexandre Nilsen, todos de São Paulo.

Acho o elenco do Santos bom, e você? Clique na imagem para ampliar
Material de Imprensa - Santos FC X Palmeiras

Quais os critérios da Caixa para patrocinar os clubes?

A Caixa Econômica Federal patrocina 14 cubes brasileiros. A verba é distribuída aleatoriamente, sem nenhum critério visível. Corinthians e Flamengo, os clubes de maior torcida, são os que recebem a maior verba; 30 milhões anuais para o paulista, 25 milhões para o carioca. O Vasco, cuja torcida cai a cada ano, recebe 15 milhões. Mas São Paulo, Palmeiras, Santos, Grêmio, Internacional, Cruzeiro, Atlético/PR, outros clubes de grande torcida, nada recebem.

Mais dois do Paraná, Coritiba e Atlético, recebem 6 milhões cada um. Da Bahia, só o Vitória é contemplado, também com 6 milhões. Por que o popular Bahia ficou de fora? De Pernambuco, o felizardo é o Sport, também com 6 milhões por ano. De Goiás, o clube mais conhecido é ignorado. O patrocinado é o Atlético Goianiense, com 2,4 milhões.

Em Santa Catarina, o Figueirense recebe 4,5 milhões e o Chapecoense, 4 milhões. Dois clubes do Rio Grande do Norte – ABC e América – recebem 2 milhões cada um, e mais dois de Alagoas – CRB e ASA – ganham 500 mil por ano. Como se vê, não há critério. Cheque a lista completa:

Corinthians/SP R$ 30.000.000,00
Flamengo/RJ R$ 25.000.000,00
Vasco da Gama/RJ R$ 15.000.000,00
Atlético Paranaense/PR R$ 6.000.000,00
Coritiba FC/PR R$ 6.000.000,00
EC Vitória/ES R$ 6.000.000,00
Sport Club Recife/PE R$ 6.000.000,00
Figueirense FC/SC $ 4.500.000,00
Chapecoense/SC 4.000.000,00
Atlético Goianiense/GO R$ 2.400.000,00
ABC Futebol Clube/RN R$ 2.000.000,00
América FC /RN R$ 2.000.000,00
CRB /AL R$ 500.000,00
ASA de Arapiraca/AL R$ 500.000,00
TOTAL R$ 109.900.000,00

Some esta distribuição maluca de verba de patrocínio da Caixa Econômica Federal à nova determinação da CBF de que clube devedor de salários perderá pontos e poderá até ser rebaixado e entenda como o poder do futebol pode privilegiar uns e prejudicar outros. Logicamente os que recebem verba de empresa estatal têm mais facilidade para pagar os salários e evitar punições. Veja a matéria no link abaixo:

Clube que dever salários perderá pontos – Clique aqui para ler

E você, o que espera do jogo e da audiência de Santos x Palmeiras?


Comodidade é tudo o que o futebol brasileiro não precisa

Gostei do que vi! O Santos teve a chamada atitude

Uma disposição para correr e jogar os 90 minutos, empenho na marcação e velocidade nos ataques e contra-ataques, um capricho maior nos passes (com exceção do ainda desligado Cicinho), uma atuação sensacional de Aranha, uma boa volta de Thiago Ribeiro e atuações convincentes da maioria dos jogadores, de David Braz, Bruno Uvini e Mena, até Arouca, Gabriel, Rildo, Lucas Lima e Diogo Cardoso. Enfim, este Santos não é um super time, mas se jogar sempre com o mesmo espírito, não fará feio neste Campeonato Brasileiro.

comodismo

O técnico Oswaldo de Oliveira disse que o Santos vai jogar na Vila Belmiro contra a Chapecoense, em vez do Pacaembu, como estava previsto, porque, entre outros motivos, é mais cômodo. Ora, a última coisa da qual o Santos e o futebol brasileiro precisam no momento é de comodidade.

O clube necessita de maior visibilidade – para conseguir um patrocinador máster – e de mais dinheiro em caixa, já que as despesas crescem mais do que o faturamento. E o futebol brasileiro carece de mais trabalho para sair dessa mesmice.

Nem vou comentar a indicação de Dunga para técnico da Seleção. Trata-se de uma apologia ao retrocesso. O ideal era trazer um bom técnico estrangeiro. O jogador brasileiro precisa de disciplina, preparação física, apuro tático e humildade para treinar fundamento. E não é só treinar, é treinar muiiiito.

Lembro-me de um jogo na Inglaterra, entre a Seleção Brasileira e o English Team, em que o público aplaudiu uma matada perfeita de um jogador brasileiro. A bola viajou de um lado a outro do campo e morreu no pé do lateral do Brasil. Admirados, os ingleses festejaram o lance.

Nesta malfadada Copa vi jogadores brasileiros matando de canela, errando passes de três metros, pecando em fundamentos que antes eram obrigatórios para quem se atrevesse a vestir a sagrada camisa canarinho.

Trabalho, trabalho, trabalho… É só a velha e boa labuta, embaixo de sol e chuva, que pode tirar o Santos e a Seleção Brasileira do buraco. Quem podia pensar em comodidade é a Alemanha, a legítima campeã do mundo. Mas aposto que lá o título motivou ainda mais técnicos e jogadores. Aqui, como se dizia há algum tempo, querem que o mundo acabe em barranco para morrerem encostados.

E você, o que achou da opção de Oswaldo Oliveira pela cômoda Vila Belmiro?


Futebol nota zero

gabriel - coritiba
As poucas chances de gol do Santos estiveram nos pés de Gabriel, nem sempre no pé certo (Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC)

Falta menos de um minuto para terminar os acréscimos. A bola cai no pé de Cícero, considerado o cérebro do meio-campo do Santos, o que para este time significa que é o único jogador do setor capaz de acertar um passe. Pode ser o último contra-ataque, a derradeira chance de uma vitória improvável. Mas Cícero joga a bola nos pés do adversário e o Santos toma mais um sufoco antes de garantir o zero a zero contra o limitado Coritiba.

Poderia ser pior, previne minha consciência. Claro, perder é sempre mais doloroso do que empatar. “É preciso também ver o mérito do adversário”, grita a Suzana da área de serviço, percebendo, pelo tec-tec do teclado, que já estou escrevendo o texto do jogo. Sim, admito que o Coritiba marcou bem e deu pouco espaço. Mas não consigo ver no time do Paraná uma equipe que almejará neste Brasileiro algo além de se manter na Série A.

Outro, mais atento, argumentará: “Mas Odir, você já disse que nunca dá nota zero a um jogador”. Eu fico admirado com a memória do tal leitor e lhe explico que, realmente, não dou nota zero individualmente, pois mesmo quando falta a técnica, pode sobrar a luta, a garra. E este Santos que empatou no Couto Pereira, ou ao menos a sua defesa, merece o benefício do espírito de luta, em cujo quesito me baseio para dar nota 7, ou 8. Mas a garra é essencial para outros times, historicamente pouco exigentes. Para o santista, que prioriza o futebol, a nota é zero mesmo.

Explico-me melhor: não dou zero para ninguém da defesa, muito menos para o garoto Jubal, mas continuo com o zero coletivo, pois futebol não é esporte de autistas (até o Messi, que parece padecer desse mal, joga para o time).

Se eu quisesse mesmo sacanear, faria um título assim: “Quem foi ver Leandro Damião, viu Zé Love”. Não seria uma inverdade, pois o atacante do Coxa criou bem mais jogadas do que o milionário executivo do ataque santista. Em pensar que a torcida respirou aliviada quando Zé Love partiu e hoje é obrigada a empurrar um bonde ainda maior.

Mas não adianta colocar a culpa em Damião. A verdade é que Geuvânio entrou e nada fez. Individualista e peladeiro, o rapaz não encontrou um lugar no campo e muito menos a bola. Lucas Lima entrou melhor, em substituição a um cada vez mais nulo Thiago Ribeiro, e Stefano Yuri só entrou porque Gabriel ainda parece um garoto no meio dos adultos.

Técnica, Gabriel tem, mas não ganha uma dividida, não protege a bola como se deve e peca na hora de arrematar a gol. Teve três chances e nas três lhe faltou ou habilidade, ou inteligência. Na primeira, tocasse de direita e encobriria o goleiro, mas, como não tem a perna direita, bateu com a esquerda, desequilibrado, e jogou para fora.

Na segunda chance, chutou apressadamente sobre o jogador caído, quando podia deixar a bola rolar mais meio metro e só assim, livre, disparar o tiro. Na terceira, tentou bater de primeira uma bola que permitia a matada antes do chute. Então, meus amigos, apesar de sua boa técnica, não esperemos muito de Gabriel enquanto ele não trabalhar para corrigir seus defeitos.

O problema não é a defesa

O problema maior do Santos não foi a defesa. Ela não é a melhor do Brasil, mas segurou bem o ataque do Coritiba. Aranha mostrou calma nos momentos de perigo; Jubal e David Braz se entenderam e devem ter saído com as cabeças doendo de tanto despachar os centros sobre a área; Émerson se esforçou, mesmo sem cobertura pelo seu lado, e Cicinho foi o mesmo atabalhoado de sempre, mas se segurou, e os volantes Alison e Alan Santos ao menos lutaram como leões.

Não peça, porém, que Alison enfie um passe; ou que Alan Santos faça uma tabela na intermediária adversária. Bem que o adversário lhes dá espaço, pois sabe que de seus erros pode nascer o contra-ataque tão esperado, como ocorreu por duas vezes seguidas no segundo tempo.

O grande motivo de preocupação do Santos tem sido a desincronia do ataque. Leandro Damião e Thiago Ribeiro são jogadores de conclusão, incapazes de segurar a bola na frente. Gabriel é imaturo, ainda não aprendeu a jogar para o time. O único que ainda protege bem a bola é Cícero, mas parece mais preocupado em cavar faltas do que criar jogadas. Então, ocorre que mal a bola é despachada por Aranha ou Jubal, e já volta para a intermediária santista.

Se Oswaldo de Oliveira queria frear o ímpeto ofensivo do time e tornar a defesa mais segura, talvez não tenha conseguido nem uma coisa, nem outra. O Santos passou sufoco em Curitiba e quase não incomodou o adversário. Aquela fome de gol que se viu no início do Paulista parece que é coisa de um passado distante. A bola voltou a ser tocada de lado, sem pressa.

Conclusão: Juninho Paulista está certo

A conclusão que um desempenho desses nos oferece é a de que Juninho Paulista, o presidente do Ituano, está completamente certo quando diz que faltam bons jogadores nos times grandes de São Paulo, e por isso o seu Ituano acabou superando todos eles no Campeonato Paulista.

Hoje os elencos dos times brasileiros se equivalem. A diferença de valores e salários dos jogadores está, geralmente, no poder de argumentação de alguns empresários e na ingenuidade, ou matreirice, de certos dirigentes. Um gringo que visse Coritiba e Santos não diria que o Alvinegro Praiano possui o terceiro elenco mais caro do Brasil.

Este Santos não tem nenhum craque, temos de admitir. O único que demonstra uma categoriazinha a mais, o armador Cícero, no meu time de várzea só teria a vantagem de não pagar a mensalidade. E ouviria berro a toda hora, pois se esconde na hora de decidir os jogos. O craque do time tem também de ser o construtor das vitórias. Para ganhar mais do que os outros, tem de ser mais decisivo. Do jeito que Cícero tem jogado, 120 pilas por mês seria uma fortuna.

Já deu para perceber que mais uma vez o santista está certo ao não se entusiasmar com o time em mais um Campeonato Brasileiro. Veja na enquete aí do lado direito que as opções mais votadas são “meio da tabela” e “escapar do rebaixamento”. Ah se os diretores do Santos tivessem a humildade de sentir o coração dos torcedores. Quantas bobagens não teriam sido evitadas…

O que dói mais é que dava para ter um time rendendo bem acima deste Santos com um investimento beeem menor. Mas não vamos falar de dinheiro, se não perdemos o resto do fim de semana. “Sim, amor, pode deixar, eu sei que o Coritiba teve méritos. Mas que o Santos jogou mal, jogou”.

Veja os melhores momentos de Coritiba 0 x 0 Santos

E você, o que achou do Santos nesse 0 a 0 gelado em Coritiba?


Por que tanta gente ganha fortunas no Santos?

Se jogasse sempre assim, seria campeão brasileiro!

Sem mala branca, que a última impressão do ano seja boa

Se Edu Dracena não joga e se este último jogo – contra o Goiás, neste domingo, às 17 horas – não vale absolutamente nada, por que Claudinei Oliveira não escalou a zaga com a dupla de garotos Gustavo Henrique e Jubal? Não sei, não sabe ninguém, como diria Amália Rodrigues. Durval jogará no lugar de Dracena e o medo do torcedor do Santos aumenta. E se Durval joga mais ou menos e a diretoria resolve renovar com ele, como fez com o Léo? Não, não, nem quero pensar nisso.

O Santos tem de ter coragem de se renovar, se reciclar, rejuvenescer, criar uma nova filosofia, sacudir o marasmo, dar a volta por cima. Isso é o óbvio dos óbvios. A campanha vexatória de 2013 pede mudança, trabalho, imaginação. Talvez isso ocorra no Campeonato Paulista. Porém, neste domingo, não queira novidades. O time vai de Aranha, Cicinho, Gustavo Henrique, Durval e Eugenio Mena; Alison, Arouca, Cícero e Montillo; Geuvânio e Thiago Ribeiro.

Para o Santos não vale nada, mas para o Goiás é um duelo de vida ou morte. O clube até abaixou o preço dos ingressos e espera 37 mil torcedores no Serra Dourada. Uma vitória e o Goiás pode se garantir no G4 e se candidatar a uma vaga para a Libertadores de 2014. Para isso, o artilheiro Walter deve ser escalado, mesmo ainda não estando cem por cento de uma entorse no tornozelo.

O time será dirigido pelo auxiliar Luis Fernando Flores, já que o técnico Anderson Moreira se submetará a uma cirurgia cardíaca. E Flores escalará o Goiás com Renan, Vítor, Rodrigo, Ernando e William Matheus; Amaral, Dudu Cearense, Renan Oliveira, Hugo e Eduardo Sasha; Walter.

Meus amigos e amigas, a perspectiva para o Santos não é boa, visto que o adversário lutará renhidamente pela vitória e não deverá haver nenhuma mala branca de incentivo aos santistas. Terão de jogar mesmo pela honra, pela camisa, pela vergonha na cara. Será que esses motivos são suficientes para garantir um time correndo em campo o tempo todo?

Lanterna sai invicto contra o campeão do mundo

Com a vitória, neste sábado, sobre o Corinthians, por 1 a 0, em Recife, o Náutico, orientado pelo ex-santista Marcelo Martelotte, disse um honroso adeus à Série A do Campeonato Brasileiro. Mesmo lanterna da competição, o time não perdeu em nenhum dos dois turnos e nem sofreu gol do atual campeão do mundo. Veja o gol:

Por que tanta gente ganha fortunas no Santos?

Será que os dirigentes do Santos tentam negociar os contratos com os jogadores e técnicos que contratam, ou esvaziam os cofres do clube sem discutir? Se o dinheiro estivesse saindo do bolso deles, será que seriam tão perdulários?

Digo isso porque leio que o técnico Oswaldo de Oliveira receberá um salário de 400 mil reais; que o jogador Cícero, que recebe 350 mil, quer arredondar pra 400; que Montillo embolsa meio milhão a cada 30 dias; Arouca e Edu Dracena também ganham 350 mil cada um…

Agora fico sabendo que Léo, que está para se aposentar, terá seu contrato renovado para jogar o Campeonato Paulista. Detalhe: o Santos já tem os laterais-direitos Émerson e Mena e mais um monte de gente no meio-campo, posições nas quais Léo pode atuar.

Por outro lado, o Palmeiras manteve o salário do Gilson Kleina em 300 mil reais e ofereceu um contrato de produtividade, e ele aceitou. O São Paulo ofereceu só 300 mil para o mesmo Muricy Ramalho que no Santos ganhava 750 mil para trabalhar muito pouco. Será que só o Santos não consegue reduzir o salário de alguém, e ainda dá aumento? Cadê o catso de gestão corporativa?

Um time que fatura menos e é boicotado pela tevê, como é o caso do Santos, tem de trabalhar mais, ser mais criativo e usar o dinheiro com uma precisão cirúrgica. Não pode continuar com essa farra do boi. Escrevi em 2011, quando era coordenador do Centenário do Santos (em troca de uma ajuda de custo), que a alta folha de pagamentos do clube era uma bomba relógio. Tentaram me convencer de que estava errado. Vejam no que deu…

Não sou contra uma remuneração condizente com a capacidade e responsabilidade do profissional. Acho, por exemplo, que um dirigente esportivo precisa receber mesmo um salário de mercado, mas em contrapartida tem de dar expediente e realmente trabalhar pelo clube. Esse negócio de não ganhar nada, mas se envolver em todo negócio milionário na compra e venda de jogadores, nunca deu e não pode dar certo. Um dirigente esportivo tem de abrir sua conta antes e depois de assumir função em um clube. Isso é transparência. Mas estou falando de jogadores e técnicos, não de dirigentes…

Já disse mais de uma vez que considero os 80 mil que Claudinei Oliveira recebe como o teto salarial condizente com o nível e o conhecimento dos técnicos brasileiros de futebol. Está bem que um ou outro mereça ganhar mais, porém essas coisas de 700, 800 mil são loucuras que cobram seu preço rapidamente.

Felipão ganhou 750 mil do Palmeiras para levar o time para a… Série B – mesmo lugar para o qual Muricy Ramalho levaria o Santos se não tivesse sido defenestrado antes. Vanderley Luxemburgo e Dorival Junior fizeram papeis ainda piores em 2013. Repare que os técnicos mais famosos fracassaram no Campeonato Brasileiro, e muitos dos menos badalados, de salários menores, renderam bem mais.

Está mais do que evidente que, em se tratando de técnicos brasileiros, pagar muito é bobagem. Prova disso é que Muricy aceitou rapidinho os 300 mil do São Paulo. Mais um pouco e ninguém iria se lembrar de que ele existia, como não lembramos hoje de Émerson Leão, Joel Santana, Geninho e tantos outros.

Teto salarial é uma necessidade do futebol brasileiro

No caso dos técnicos, os clubes não estabelecem um teto salarial porque não querem, ou porque o dinheiro não é de quem o administra. Tudo bem, abro mão dos 80 mil e aceito um teto de 150 mil reais. Não está ótimo? Beleza. Este deve ser o máximo que um clube brasileiro poderia pagar a um técnico.

Eles vão chiar? Vão trabalhar em outro país? Ótimo, façam isso. Sempre haverá outros para as vagas deixadas. E, quem sabe, jovens estudiosos, mais bem preparados e educados, ocupem os lugares dos mesmos de sempre.

Agora, não espere que nossos técnicos sigam para a Europa, a fim de aprender no continente que hoje pratica o melhor e mais profissional futebol do planeta. Vão é tirar dinheiro dos árabes, dos asiáticos, dos africanos, pois lá ainda é possível ganhar dinheiro com a fama e o blá-blá-blá.

Quanto a um teto salarial para os jogadores, sei que é mais difícil. Não é só a qualidade do jogador que conta, mas também seu apelo midiático. O chamado carisma também tem seu preço, pois atrai torcedores, visibilidade e patrocinadores. Tudo bem. O Santos não poderá competir com os clubes que hoje ganham mais dinheiro da tevê, e por isso mesmo não pode entrar na orgia financeira que eles praticam.

E se o jogador quiser ir embora? Ora, que vá. Que seu passe seja bem negociado e se transforme em dinheiro que possa ser utilizado para contratar outro mais afinado com a política salarial do clube. Sei que no Santos a competência para gerir essa operação não existe. Os últimos bons negócios que o clube fez foram a troca de Arouca por Rodrigo Souto e as contratações de Danilo e Alex Sandro, há quase três anos.

Como vocês sabem, defendo a vida simples e já escrevi alguns livros sobre isso. Estudos comprovam que 25 mil dólares por ano dão a um ser humano as condições suficientes para viver dignamente e feliz. Acha pouco? Está bem, multiplique por dois. Ainda é pouco? Está bem. Multiplique por dez! Teremos 250 mil dólares por ano. Isso dá cerca de 84 mil reais por mês. Vai dizer que isso é pouco para um jogador brasileiro?! E ainda um jogador que, ou é um refugo na Europa, ou está em fim ou começo de carreira…

Sei lá, meu amigo, mas gostaria de ver esses contratos, saber se realmente os valores informados vão direto para a conta do contratado, ou boa parte fica no caminho, nas mãos dos atravessadores. É uma curiosidade que, acho, todo mundo que acompanha o futebol e lé essas notícias tem. Como a propalada transparência prometida por essa diretoria ficou no papel e na garganta, espero que a próxima gestão tenha como ponto de honra informar aos sócios e torcedores os valores exatos dos negócios do clube.

Às vezes fico com a impressão de que os dirigentes do Santos não fazem a mínima questão de pechinchar, de conseguir um contrato menos dispendioso. Deveriam ter uma responsabilidade maior com um dinheiro que não é deles, dinheiro que só entra nos cofres do clube devido à história, ao prestígio, aos milhões de torcedores e à influência que o Santos ainda exerce no futebol.

Você também não acha que o Santos paga demais para jogadores e técnicos?


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