Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Patrícia Amorim

Caso Ronaldinho escancara protecionismo ao Flamengo

Em 1995, portanto há 17 anos, em uma matéria para a Revista do Futebol, perguntei a Samir Abdul Hack, presidente do Santos, por que o Alvinegro Praiano pagava salários tão mais baixos do que os clubes do Rio de Janeiro. Dei o exemplo do Flamengo, que sob a presidência do ex-radialista Kléber Leite acabara de formar o “ataque dos sonhos”, contratando Edmundo, Romário e Sávio. Samir respondeu com uma frase que lembro até hoje:

– Eles pagam mais, mas não pagam.

Não quis acreditar no que ouvia de um dirigente que devia estar por dentro dos meandros do futebol. Quer dizer que o Flamengo não pagava os altos salários que anunciava, não respeitava os contratos? E como continuava disputando impunemente as competições? Por que os jogadores não recorriam à Justiça Trabalhista? Medo de represálias?

De lá para cá, vários indícios apontaram para o mesmo caminho que leva à prática sistemática do calote. Vampeta disse que jamais recebeu salários do popular clube carioca. No começo do ano passado um dirigente paulista que esperava por uma reunião com a diretoria do Flamengo presenciou uma cena em que Assis, irmão de Ronaldinho Gaúcho, cobrava aos berros os salários atrasados do irmão. Esse mesmo dirigente me assegurou que, na prática, a dívida total do rubro-negro beirava um bilhão de reais.

A verdade é que faz muito tempo que o Flamengo dá calote nos seus jogadores e funcionários. Não dá para entender as razões desse comportamento não ter sido questionado pela imprensa e só estar virando notícia agora porque Ronaldinho Gaúcho, cansado de esperar, foi à Justiça pedindo 40 milhões de reais.

Como diz um amigo, o que é combinado não é caro. O Flamengo ofereceu mundos e fundos ao jogador, desviou-o do seu caminho natural, que seria voltar para o Grêmio, e não cumpriu a sua parte de empregador. Agora, é desprezível jogar a culpa no craque que até outro dia era endeusado pela direção do clube. Que PAGUEM O HOMEM ora bolas!

Agora a tática do clube e de seus aliados na mídia será atacar o jogador, jogar sua imagem na lama, lembrar suas noitadas e indisciplinas. Ora, se Ronaldinho tinha tantos problemas, por que o Flamengo o manteve por tanto tempo? Por que técnico e dirigentes não tomaram as providências cabíveis quando o comportamento do jogador começou a degringolar?

Outra pergunta que se faz necessária é: até que ponto alguém consegue se manter focado no trabalho sem receber salário? Para chegar a uma dívida de 40 milhões de reais, é porque foram meses de enrolação.

Este caso exemplifica bem o mal que o protecionismo faz ao futebol. Não fosse um clube tão bajulado por políticos e jornalistas, e o Flamengo certamente seria melhor administrado e não precisaria fazer um papelão desses com o seu ídolo.

O caso Ronaldinho deixa claro que a tolerância a algumas agremiações só faz com que o futebol brasileiro caminhe para trás. E é essencial que, assim como no campo de jogo, as regras do esporte sejam respeitadas fora dele. Ou os que burlam as leis serão os maiores favorecidos.

Veja a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, anunciando a contratação de Ronaldinho Gaúcho e prometendo que manteria os salários em dia:

E você, o que achou do calote do Flamengo no Ronaldinho Gaúcho?


Episódio Taça das Bolinhas mostra a precariedade da CBF

Patético. Este é o adjetivo apropriado para definir o caso da taça das bolinhas. Alguém acreditou que a CBF fez um estudo sério para decidir que ela pertence ao São Paulo? Como este blog já afirmou ontem – informação comprovada depois pelas declarações da presidente do Flamengo, Patrícia Amorium –, o anúncio intempestivo de Ricardo Teixeira de que a taça irá para o Morumbi é apenas uma retaliação contra o clube carioca pelo fato de ter votado contra a dupla Teixeira-Kléber Leite na eleição do Clube dos Treze.

Será que doeu para Teixeira e Leite decidirem contra o clube de seu coração? Bem, acho que há muito a paixão por um time de futebol deixou de ser a mais intensa professada por estes senhores. Há valore$ na vida que certamente seduzem mais algum tipo de gente do que esta bobagem de se alegrar e sofrer por onze marmanjos correndo atrás de uma bola.

Sou testemunha de que a CBF não tem não apenas um departamento de pesquisa, como sequer uma pessoa escalada para este serviço, e muito menos um arquivo sobre a memória do futebol brasileiro. Os únicos papéis valorizados na entidade que dirige o futebol de história mais rica do planeta devem ser notas fiscais, recibos e contra-cheques.

Quando pesquisei para elaborar o Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959, não consegui uma única informação oficial da CBF sobre Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Só ouvi desculpas do assessor de imprensa Antonio Carlos Napoleão.

Primeiro, de que os documentos estavam na Granja Comary… Depois, que o responsável pelo setor estava de férias… Depois, que tudo estava encaixotado e não se sabia que caixa tinha o quê… Enfim, era evidente a má vontade para esclarecer o passado. Os campeonatos nacionais, oficiais, antecessores de 1971, são assunto maldito na CBF.

O jornalista, escritor e historiador Loris Baena Cunha, que pesquisou nos arquivos da CBD – a confederação original, que colocou o futebol brasileiro no mapa mundi -, confirmou-me que as pastas relativas à Taça Brasil estão identificadas com o título “Campeonato Brasileiro de Clubes”. A revelação destas pastas deixaria claro que a Taça Brasil, como todo mundo que acompanha o futebol há menos de um dia sabe, dava ao vencedor o título de campeão brasileiro e o direito de ser o representante do País na Copa dos Campeões da América, hoje chamada de Copa Libertadores.

Como para a CBF a revelação desta verdade histórica poderia alterar o jogo de forças do futebol brasileiro atual (o que é uma bobagem), ela faz todo o possível para esconder as pastas, se é que já não foram destruídas. O curioso é que querem apagar dos anais justo a era de ouro do futebol brasileiro, em que o País ganhou três Copas em quatro disputadas e com todos os jogadores, titulares e reservas, em atividade nos clubes brasileiros.

Uma coisa tem de ficar bem clara: o fato de ser chamada, ou ser de fato, uma copa ou taça, não tira do vencedor o direito de ser campeão brasileiro. Da mesma forma que o campeão da Libertadores é o campeão da América do Sul e o da Liga dos Campeões o campeão europeu.

No trabalho para o Dossiê – que será transformado em livro – identifiquei todos os jogos de palavras e as confusões que são plantadas na opinião pública para confundir o torcedor sobre a real dimensão das competições que definiam o campeão brasileiro nos anos 60. Obviamente e infelizmente torcedores de clubes que não foram campeões naquele período geralmente aceitam qualquer argumento, por mais imbecil que seja, para diminuir as conquistas de seus adversários.

Se a CBF fosse uma entidade séria, preocupada em preservar a história do futebol nacional, há muito teria anunciado o Santos como o único pentacampeão brasileiro, assim como daria aos vencedores nacionais de 1959 a 1970 o seu devido e merecido mérito. O fato de ela não anunciar, entretanto, não muda a realidade. A história não precisa do aval da CBF, nem de qualquer outro. Ao contrário. O episódio dessa taça das bolinhas deixa claro que não há qualquer critério técnico nas bajulações ou punições da entidade que, desgraçadamente, dirige nosso futebol.

É tudo feito à esmo, ao Deus-dará, decidido nas coxas. Não há historiador ou pesquisador contratado pela CBF, que deve restringir sua folha de pagamentos a agentes comerciais, lobistas, contatos de publicidade e marqueteiros.

Declaração oficial das pessoas sérias que respeitam a história do futebol brasileiro

Em meu nome, que me dedico há décadas à pesquisa do futebol brasileiro; no nome de Loris Baena Cunha, mestre dos historiadores de futebol deste País; em nome do imparcial Celso Unzelte, o escritor mais preciso nos detalhes históricos do futebol; em nome de Guilherme Guarche, alguém que vive a cada minuto os fatos da vida do Santos; em nome de Joelmir Beting, um jornalista esportivo situado em um outro patamar da nossa profissão, e em nome de tantos outros que não me ocorrem agora, mas que são, todos, sérios e dignos, eu declaro o Santos Futebol Clube o único pentacampeão brasileiro de clubes e campeões brasileiros todos os vencedores da Taça brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, no período de 1959 a 1970.

Ah, que inveja da Itália

Enquanto no Brasil usa-se a preciosa história do futebol como réles instrumento político entre clubes e entidades, na Itália valoriza-se as origens de uma forma exemplar e comovente. Assim, o primeiro campeão italiano, o Genoa, que conquistou o título jogando contra apenas dois adversários em um único dia, no longínquo 1898, é lembrado e homenageado até hoje.


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