Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Só você, santista, salva

Com a alma de Rodrigão, o pedreiro artilheiro

O jogador que fez o Santos jogar com garra e confiança não é um craque nem tem toques sutis, mas é daqueles centroavantes machos que não têm mi-mi-mi. Rodrigão, o pedreiro que virou artilheiro, arrancou para fazer o gol de empate e participou do terceiro e do quarto gols santistas. Seu momento exemplar, porém, foi quando teve cãibras. Ninguém foi esticar sua perna, nem precisou ser atendido ou sair de maca. Levantou-se sozinho, voltou ao jogo com a perna ainda dolorida e deu, de cabeça, o passe para Luiz Felipe marcar o quarto gol do Santos, quando o Glorioso Alvinegro Praiano já ameaçava entregar mais um jogo ganho.

Pelo placar – 4 a 2 – parece que a partida contra o Fluminense, em Cariacica, com boa presença da torcida santista, foi até fácil. Mas não foi não. O sistema defensivo do Santos, que deveria passar a funcionar quando o time perde a bola, falhou muito. Os dianteiros Gabriel, Vitor Bueno e Léo Cittadini não marcam ninguém, Renato também marca muito frouxamente, assim como Victor Ferraz, que entregou o segundo gol para o time carioca. Assim, mesmo diante de um time bastante limitado e recheado de veteranos, o Santos deu muitos sustos e só passou a controlar mais a partida quando Dorival Junior fez o óbvio ululante e tirou Cittadini e Vitor Bueno para as entradas de Lucas Lima e Yuri.

Dos santistas, destaques positivos para o goleiro Vanderlei, o lateral Zeca e o estreante Rodrigão. Gustavo Henrique, Luiz Felipe e Thiago Maia foram regulares. Vitor Bueno não marcou e nem foi bem no ataque, fazendo sua pior atuação no Santos. Cittadini deu alguns bons passes, mas quando perdia a bola parecia que não estava mais no jogo, e o mesmo se pode dizer de Gabriel, um jogador que só joga com a bola nos pés. Se for mesmo para a Europa, não será titular de time nenhum chupando tanto o sangue dos companheiros assim. Lá é preciso ser solidário.

Dorival Junior quase arrisca uma vitória certa ao insistir com jogadores sem esse sagrado sangue nas veias. Acho que com Jean Mota, Vecchio e Copete o time deve melhorar mais e se tornar mais sério e menos rebolativo. Está na hora de dar um descanso para Cittafini, Vitor Bueno e Renato. Outro muito mal na partida foi Victor Ferraz. Mas uma coisa deu para perceber: o time tocou menos a bola para trás. Diminuiu o tiki e aumentou o taka, mesmo fora de casa.

O bom desse resultado é que vai motivar ainda mais o torcedor santista para lotar o Pacaembu domingo. Esperemos que Dorival Junior tenha coragem de escalar os melhores jogadores e não os mais amigos.


Ricardo Oliveira e o compositor e intérprete Guilherme Arantes agora já conhecem. E você, santista, já foi visitar o imperdível Museu Pelé?

Só você, santista, salva

Que os santistas do Espírito Santo compareçam nesta quarta-feira ao setor A do estádio Kleber Andrade, em Cariacica, na grande Vitória, e empurrem o time para um triunfo, mesmo que de garra e superação, diante do respeitável Fluminense. Que muitos mais santistas lotem o Pacaembu domingo, em um Sansão que tem tudo para ser histórico. Confesso que confio bem mais na energia do torcedor do Santos, nesse momento delicado que o clube vive, do que nos homens que o dirigem, que estão tocando violino enquanto o Glorioso Alvinegro Praiano naufraga.

Não, não estou sendo sensacionalista. Como informou o conselheiro Rachid em seu comentário, o balanço desse primeiro trimestre de 2016 diz que a dívida do Santos é de 433,8 milhões de reais e que de março de 2015 até março de 2016, mesmo sabendo da delicada situação financeira do clube, essa diretoria aumentou o número de funcionários registrados de 257 para 308, os funcionários autônomos de 144 para 218 e os atletas profissionais de 76 para 123. Com isso, a folha de pagamentos, ao invés de ser diminuída, como aconselhava o Conselho Fiscal, aumentou em 38%.

Na verdade, todas as recomendações do competente e neutro Conselho Fiscal do Santos Futebol Clube – formado pelo presidente por Antonio Gonçalves Neto e os membros Dagoberto Cipriano de Jesus Oliva, José Carlos de Oliveira e Sylvio Affonso Moita Figo – vêm sendo ignoradas pelo presidente Modesto Roma e a direção do clube.

Como escreveu o Rachid, parece que a crise não chegou ao Santos. O presidente e seu staff vivem como a nobreza francesa vivia pouco antes da Revolução que trouxe a democracia para o mundo moderno: encastelados em sua elegante e faustosa Versalhes, enquanto o santista, atormentado e faminto, não tem o pão da eficiência, da transparência e do verdadeiro amor ao Santos para comer.

O balanço do primeiro semestre deste ano mostra que o único dinheiro importante que entrou ao clube representa os 17 milhões de reais da venda de Geuvânio e o adiantamento de 40 milhões de reais do contrato com o Esporte Interativo. Porém, esse momentâneo superávit já está sendo engolido pelas despesas e, segundo o Conselho Fiscal, “nos próximos três trimestres o Santos deve gastar 70 milhões a mais do que deve arrecadar, e terminar o ano com um déficit de mais 20 milhões de reais”.

CORTE DE GASTOS – assim mesmo, em letras maiúsculas, é a recomendação, o pedido, quase um apelo desesperado do Comitê Fiscal a essas pessoas que hoje pisam no acelerar do Santos em direção ao abismo. Esses cortes, obviamente, precisam atingir o inchado elenco de jogadores. Só quem for bom, tiver potencial e estiver sendo útil ao time deve ficar. Não dá para ter tanto come-e-dorme de férias no Recanto Alvinegro.

Um novo Santos contra o Fluminense

Percebe-se, nas manifestações de torcedores que inundam a Internet, que o santista quer um novo clube e um novo time. Um novo clube porque não suporta a administração mesquinha e bairrista que assola o Alvinegro Praiano, e um novo time porque percebe que alguns jogadores parecem ter reserva de marcado em algumas posições. Sinto que a torcida já quer ver os recém-contratados Yuri, Jean Mota e Vecchio contra o Fluminense. Mesmo que isso pareça precipitado, eu concordo com a voz do povo.

Yuri estreou como zagueiro e já se saiu muito bem, imagine então como não será em sua posição original, que é volante. Jean Mota e Vecchio também jogam ali, na meiúca, onde Lucas Lima está com dodói e Renato se segura na base da simpatia e da camaradagem. Fôlego e força, que é bom, o veterano já não possui mais. Então, que tal um time com Vanderlei, Victor Ferraz, Gustavo Henrique, Yuri e Zeca; Thiago Maia, Jean Mota e Vecchio; Gabriel, Rodrigão e Vitor Bueno?

Ao menos com essa equipe aí teremos muita gente querendo mostrar serviço, indo para a bola como se vai para um prato de comida. Sim, porque essa fome, de bola e de gol, é que falta ao Santos, principalmente quando joga fora de casa. Mas, dirão, e se perder? Ora, quem garante que com o time que vinha jogando antes o Santos não perderá para o Fluminense, já que o mando de campo é do adversário?

O tricolor carioca, orientado por Levir Culpi, é um time regular, que mescla veteranos e jovens e tem os mesmos 13 pontos do Santos. Seus jogadores mais conhecidos são Diego Cavalieri, 33 anos; Cícero, 31; Gum, 30; Pierre, 32; Oswaldo, 29; Marcos Junior, 32, e o veteraníssimo Magno Alves, 40.

O estádio Kleber Andrade, em Cariacica, tem capacidade para 18 mil pessoas. É uma Vila Belmiro do Espírito Santo. O Fluminense já teve público inferior a três mil pessoas lá. Se os santistas comparecerem, dá para fazer um bom barulho. Se não acreditarmos nessa vitória, vamos acreditar no quê?

Domingo, espetáculo histórico do Pacaembu

Em 1956 o Santos teve de decidir o título Paulista no Pacaembu, diante do São Paulo. É óbvio que naquela época 90% das 51.600 pessoas que tomaram o estádio eram torcedoras do São Paulo. Isso não impediu, porém, que o Glorioso Alvinegro Praiano vencesse por 4 a 2, conquistando seu terceiro título estadual. Agora, 60 anos passados, o Santos enfrentará o rival em um Pacaembu todinho alvinegro. Só isso já é uma grande vitória, independentemente do resultado.

Será lindo ver, ouvir e respirar a enorme torcida santista que, tenho certeza absoluta, tomará o Pacaembu. Vejo isso como um prenúncio do que o Santos será no futuro: um time capaz de atrair multidões pelo seu carisma, sua história, sua volúpia de gol. Perderá, às vezes, como o Santos de Pelé também perdia, mas fará de cada ida ao estádio uma grande alegria e emoção para seu torcedor.

Percebo, na Internet, uma torcida santista bem jovem e bem atuante. Espero que essa garotada se empenhe na divulgação do Sansão de domingo. Dessa vez, mulheres, crianças e idosos podem ir sem susto. Será o espetáculo de uma torcida só, da mesma forma que no segundo turno apenas são-paulinos poderão assistir ao clássico. Pena que tenha de ser assim, mas se é para acabar com a violência, que seja.

Creio que, se não puder enfrentar o tricolor carioca, Lucas Lima ao menos estará pronto para o grande clássico de domingo. Será especial vê-lo duelar, na bola, com outro craque, o ex-santista Paulo Henrique Ganso. Quem sabe um jogo como esse não comece a trazer de volta a arte e a alegria que o futebol brasileiro esqueceu lá atrás?

Estarei lá, e espero que você também. Anote aí os postos de venda de ingressos para o clássico:

Santos na Área/Meltex (São Paulo) – Rua Augusta, 1931, Cerqueira César, São Paulo/SP – Tel.: (11) 3064-1574 / (11) 3064-1576 – De segunda a sábado, das 10 às 19h00; domingo e feriado não abre.

Subsede do Santos FC (São Paulo) – Av. Indianópolis, 1.772 – Planalto Paulista, São Paulo – Te.: (11) 3181-5188 ramal 5000 e (13) 3257-4000 / Ramal 5000 – Horário: das 11 às 17h00.

Pacaembu: Praça Charles Miller s/n – São Paulo – Bilheteria principal (próxima do portão principal) – Aberto de segunda a sábado, das 11 às 17 horas. Domingo e feriado não abre.

Ginásio do Ibirapuera (São Paulo) – Av. Manoel da Nóbrega, 1361 – Guichê 1 – Ibirapuera – São Paulo – Aberto de segunda à sábado, das 11 às 17 horas. Domingo e feriado não abre

Vila Belmiro (Santos) – Rua Princesa Isabel, s/ nº – Santos/SP – Guichês próximos à Portaria 6 e aos Portões 7/8.

Estádio Anacleto Campanella (São Caetano) – Av. Thomé, 64 – São Caetano do Sul – Horário: das 11 às 17h00 – Domingo e feriado não abre.

Torne-se um conhecedor e divulgador da rica história do Santos. Mantenha vivo o bem mais precioso do nosso time.

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Os valentes que vieram do gelo
Sofremos quando o Santos joga fora de casa, mesmo contra adversários mais fracos, por isso não é difícil avaliar o tamanho da façanha da Islândia, ou Iceland (Terra do Gelo), que para se classificar para a Eurocopa teve de eliminar a Holanda, e nesta quarta-feira venceu a Áustria, passando para as quartas de final da competição (na mesma chave, Áustria e Hungria foram desclassificadas). Um detalhe: a Islândia tem apenas 323 mil habitantes, quase 100 mil a menos do que a cidade de Santos e oito mil a menos do que São Vicente. Palmas aos valentes islandeses (os de azul)!

E então, está disposto a salvar o Santos?


A inteligência de Cruyff

Um tributo ao craque incomparável:

Um exemplo do futebol solidário da Holanda na Copa de 1974:

Morreu hoje, a um mês de completar 69 anos, o holandês Johan Cruyff, provavelmente o craque mais inteligente que pisou um campo de futebol. Não falo só da inteligência de jogar, mas de enxergar o todo que envolve o esporte. E mais do que inteligente, Cruyff tinha personalidade e era um líder respeitado. Por isso foi um atleta, técnico e dirigente bem acima da média.

Melhor jogador da Copa de 1974, merecia ter sido campeão. Um título ali o teria colocado em um patamar ainda mais alto na história do futebol. Mesmo assim, nenhum jogador brasileiro – com exceção de Pelé – representou tanto para o esporte como ele.

Maior expoente do estilo revolucionário da Holanda, seleção que foi chamada de “Laranja Mecânica”, mas também de “Carrossel Holandês”, pois fazia o jogo evoluir em círculos, Cruyff era o maestro daquele “futebol total”, em que os jogadores não guardavam posição e os defensores tinham tanta habilidade quanto os atacantes. Depois, como técnico, levou essa filosofia para o Barcelona, que hoje domina seus adversários com muita movimentação e um toque de bola irresistível.

Contrariado com a ditadura que imperava na Argentina, recusou-se a jogar a Copa de 1978, na qual a Holanda terminou em segundo lugar. Antes, sua opinião tinha sido decisiva para impedir o Ajax de disputar o título mundial na América do Sul, contra o campeão da Copa Libertadores. Abominava a violência e as trapaças usadas pelos times sul-americanos para vencer os europeus. A recusa do Ajax acabou com o sistema anterior do Mundial Interclubes e levou a decisão para um jogo só, em campo neutro, no Japão.

Em seu livro sobre a Copa de 74, que li em apenas uma tarde, define a Seleção Brasileira como “Os Gigantes Sul-americanos”. Cruyff, assunto de 80% dos blogs esportivos nesta quinta-feira, resumiu seus conhecimentos sobre o futebol em frases claras e profundas. Abaixo reproduzo as 10 que considero mais importantes:

10 frases de Cruyff

1. Técnica não é poder fazer 100 embaixadas. Qualquer um pode fazer isso, se praticar. Dá até para trabalhar no circo. Técnica é passar a bola com um toque, na velocidade correta, no pé certo do seu companheiro.

2. Escolha o melhor jogador para cada posição e você não terá, obrigatoriamente, a melhor equipe.

3. No meu time o goleiro é o primeiro atacante e o atacante, o primeiro defensor.

4. Jogadores que não são verdadeiros líderes, mas tentam ser, sempre brigam com os outros depois de um erro. Líderes de verdade já sabem que os outros vão errar.

05. Em uma partida de futebol é estatisticamente provado que os jogadores tem a posse de bola por 3 minutos, em média. Então, o mais importante é: o que fazer nos 87 minutos em que você não tem a bola. Isso é o que determina se você é um bom jogador ou não.

06. Não sou religioso. Na Espanha todos os 22 jogadores faziam o sinal da cruz antes de entrar em campo. Se isso funcionasse, todas as partidas terminariam empatadas.

07. Se você tem a posse da bola, precisa fazer com que o campo seja o maior possível, mas se você não tem, precisa fazer com que fique o menor possível.

08. Qualidade sem resultado é inútil. Resultado sem qualidade é entediante.

09. Acho ridículo quando um talento é rejeitado baseado em estatísticas de computador. Baseado nos critérios do Ajax de hoje eu teria sido rejeitado. Quando tinha 15 anos não conseguia chutar uma bola mais de 15 metros com minha perna esquerda e talvez 20 com a direita. Minhas qualidades, técnicas e visões não podem ser detectadas por um computador.

10. Jogar futebol é muito simples, mas jogar um futebol simples é a parte mais difícil do jogo.

Ganso fora do Sansão

Por uma falta boba diante do Botafogo, Paulo Henrique Ganso foi suspenso e desfalcará o São Paulo no clássico de domingo, na Vila. Bom para o Santos, ruim para o Sansão. Quando ele surgiu, me deu a impressão de que finalmente o Brasil teria um meia como os melhores da história. Mas, provavelmente devido aos seus problemas clínicos, além de seu caráter instável e individualista, Ganso poucas vezes justificou o prestígio conquistado naquele primeiro semestre mágico de 2010. Mais uma prova de que para ser um jogador completo, como Cruyff, é preciso muito mais do que ter habilidade e visão de jogo. É preciso ser um craque o tempo todo, dentro e fora do campo.

E você, o que acha disso?


A volta do filho pródigo

Sem Lucas Lima, que deve ir para o Porto, e talvez sem Robinho, que tem ofertas mais tentadoras do que a do Santos, a volta de Paulo Henrique Ganso pode ser a grande atração para o segundo semestre do Alvinegro Praiano. Essa possibilidade tem dividido os santistas.

O Menino da Vila que foi embora dizendo que ia para um clube mais profissional, organizado, maior, pode voltar ao Santos com o rabinho entre as pernas. Paulo Henrique Ganso fracassou no São Paulo e agora pode tentar salvar sua carreira no Santos, a exemplo de tantos outros. O assunto é polêmico. Há quem acredite que na Vila ele reencontrará o seu “belo futebol”, outras acham que só virá engrossar seu pé-de-meia antes de encerrar sua precoce carreira em um time de um país distante e endinheirado. Acho que tudo é uma questão de custo-benefício.

Que o Ganso, com um pé só, ainda é um dos melhores meias do Brasil, não há dúvida. Mas que ele não vinha jogando nada no São Paulo, sem vontade alguma de entrar em campo, também era evidente. Que o Santos tem pecado por ter dirigentes incompetentes e amadores, é incontestável, mas que o ambiente dos treinos e do vestiário é um dos mais leves e divertidos, não resta dúvida. E hoje há um detalhe que pode seduzir Ganso: não há mais Neymar para chamar toda a atenção da mídia e da direção do clube.

O presidente Luis Álvaro Ribeiro só faltou babar em cima de Neymar, a quem definiu como “um filho”. Enquanto isso, Ganso era esquecido, sem um tratamento digno de sua qualidade como jogador. Hoje as coisas seriam diferentes e talvez ele ganhasse o respeito e a visibilidade que ainda não teve, o que poderia fazer dele o líder que pode ser.

Mas tudo pode esbarrar no dinheiro. Se Ganso, a exemplo de Ricardo Oliveira, admitir que precisa fazer um sacrifício e baixar sua bola para voltar a ter oportunidades e reconquistar seu espaço, acho que o negócio seria viável e bom para as duas partes. Porém, se insistir em ganhar um salário ao qual já não faz mais jus, creio que o negócio empacará, ou se revelará mais uma temeridade da direção santista.

A realidade é que o Santos deveria estar promovendo jovens e garimpando jogadores perdidos nos buracos negros do mercado, jogadores bons mas, por motivos diversos, esquecidos dos clubes e da mídia. Mas alguém pode responder: “Ué, mas o Ganso não é um deles?”. Não, verdadeiramente. No São Paulo teve mais nome e salário do que futebol. Para retomar sua carreira também terá de dar sua cota de sacrifício. Ou então ir para a Índia, China ou Estados Unidos, mercados que pagam bem para quem ainda joga apenas com o nome.

E você, como receberia Paulo Henrique Ganso de volta ao Santos?


Com Gabriel, Santos vai atacar o São Paulo no Morumbi

Minha previsão: Um jogo entre a maior categoria do São Paulo e a energia que pode vir da juventude e do preparo físico do Santos. O Alvinegro Praiano só poderá vencer se marcar bem e aproveitar as oportunidades. Será preciso dar uma embolada no meio-de-campo, pois se Ganso e Kaká tiverem espaço para armar as jogadas, e se Pato e Alan Kardec ficarem no mano a mano com Edu Dracena e David Braz, isso provavelmente será fatal. Mas craque muitas vezes não têm paciência para jogo pegado. Se o Santos conseguir equilibrar na marcação, o São Paulo pode dar uma relaxada e abrir brechas na defesa. Se der para jogar bonito, ótimo, mas não é dia para isso. É dia de ser humilde e tentar impedir o adversário de jogar com liberdade. O favoritismo é do São Paulo, não há como negar isso. Mas a vontade faz milagres.

Timemania passa de dois milhões de apostas e Santos prossegue em quarto

Exatos 2.030.900 volantes foram preenchidos no teste 615 da Timemania, de 19 de agosto. A classificação dos dez times mais votados continua a mesma que tem se mantido em 2014, com o Santos em quarto lugar. Confira:

1º FLAMENGO RJ 95.726 4,72%
2º CORINTHIANS SP 82.975 4,09%
3º SAO PAULO SP 67.583 3,33%
4º SANTOS SP 64.043 3,16%
5º GREMIO RS 58.171 2,87%
6º PALMEIRAS SP 57.267 2,83%
7º VASCO DA GAMA RJ 53.290 2,63%
8º CRUZEIRO MG 51.513 2,54%
9º INTERNACIONAL RS 50.993 2,52%
10º BOTAFOGO RJ 45.508 2,25%

Oswaldo deve mesmo escalar três atacantes no clássico

O técnico Oswaldo de Oliveira não relacionou Renato e muito menos Robinho para o clássico deste domingo. Robinho ainda deu umas voltas no campo, mas foi vetado para o jogo. Se não for tão grave, quem sabe possa jogar contra o Grêmio no meio da semana, pela Copa do Brasil, mas o mais certo é ficar ao menos 10 dias de molho. Renato também não foi incluído entre os jogadores relacionados. Oswaldo escolheu os volantes Alison, Arouca, Alan Santos e Souza, e os meias Lucas Lima e Leandrinho.

Os outros relacionados são os goleiros Aranha e Vladimir; os zagueiros Edu Dracena, David Braz e Nailson (Bruno Uvini terá de operar a face devido à cotovelada de Moreno); os laterais Cicinho, Mena, Victor Ferraz e Zeca, e os atacantes Gabriel, Thiago Ribeiro, Leandro Damião, Rildo, Stéfano Yuri e Patito Rodríguez.

Tudo indica que o técnico santista prosseguirá escalando o time com três atacantes. assim, a equipe mais provável para iniciar o Sansão é Aranha; Cicinho, Edu Dracena, David Braz e Mena; Alison, Arouca e Lucas Lima; Thiago Ribeiro, Leandro Damião e Gabriel.

Gabriel direita
Gabriel chegou da Europa e já foi para os treinos. É o favorito para entrar no lugar de Robinho, afastado do time por duas semanas. Mas Rildo também tem chances (Foto: Ivan Storti/ Santos FC).
robinho no CTrenato direita
Robinho passou no auditório do CT e fez a alegria dos alunos da “Escola de Craques”. Renato já voltou aos treinos, mas não foi relacionado para o clássico. (Fotos: Clayton Galvão e Ivan Storti/ Santos FC)

Robinho vai mesmo ficar duas semanas afastado dos campos. Provavelmente não jogará mais até o final do turno. Em tratamento de um estiramento na coxa que o deixará fora dos próximos quatro compromissos do Santos, sexta-feira ele esteve no CT Rei Pelé e acabou batendo um papo com os alunos da “Escola de Craques” que visitavam o CT. O técnico Oswaldo de Oliveira assegura que manterá o esquema ofensivo contra o São Paulo, domingo, o que quer dizer que Rildo ou Gabriel ocuparão a vaga do Rei do Drible.

A lógica indicaria que Gabriel voltaria da Seleção Sub-20 direto para o time titular, mas pelo treino de sexta-feira fiquei com a impressão de que o técnico preferirá Rildo, que tem entrado bem no time, criando boas chances pela esquerda e ainda ajudando na marcação por aquele setor.

“Vamos jogar da mesma maneira que temos jogado. Somos uma das melhores defesas do e temos a capacidade de defender e atacar, embora algumas vezes não tenhamos sido tão efetivos atacando. Mesmo nos jogos que perdemos tivemos mais oportunidades que os adversários”, disse Oswaldo.

Sempre defendi que o Santos jogasse com três atacantes, mas alertei que isso seria uma temeridade contra o Cruzeiro. Temo que tenha de repetir o mesmo antes do Sansão deste domingo. Com um time mais entrosado, que se baseia no triângulo Paulo Henrique Ganso-Kaká-Pato, o Santos tem de fechar melhor aquele miolo, e isso não é tarefa para atacantes improvisados em marcadores.

Arouca, Alison e Lucas Lima, contando com a ajuda dos atacantes Thiago Ribeiro, Leandro Damião e Gabriel (ou Rildo) podem dar conta do recado? Acredito que sim, mas isso exigirá bastante empenho. Provavelmente com a entrada de mais um jogador no meio o bloqueio seria mais eficiente por ali, assim como a cobertura dos laterais e a proteção à zaga, e não se perderia tanto do poder ofensivo.

Cheguei a torcer pela recuperação de Renato e sua escalação no clássico, mas ele não foi relacionado. Então, eu ficaria com a entrada de mais um jogador no meio, que pode ser Alan Santos, Souza, Leandrinho ou mesmo Patito, compondo o setor com Alison, Arouca e Lucas Lima, deixando dois atacantes na frente.

Vimos contra o Cruzeiro que apesar de no papel ter apenas um atacante – o boliviano Moreno -, na prática o campeão brasileiro é bastante agressivo quando tem a bola. O Santos poderia fazer o mesmo, adiantando Lucas Lima e mais um jogador de meio quando tivesse a bola.

Outro em quem tenho alguma expectativa ainda é Patito Rodríguez. O rapaz voltou ao Santos e já está participando dos coletivos. Ágil, rápido, Patito está longe de ser um craque, mas sempre se empenhou muito e chegou a fazer algumas partidas boas. Ele estava emprestado ao Estudiantes, da Argentina, por quem fez 27 jogos e marcou dois gols. Ele entra em campo a 100 por hora e depois vai arrefecendo o ritmo, mas pode ser útil para acelerar o jogo.

A velocidade de jogadores como Gabriel, Rildo,Thiago Ribeiro e o próprio Patito pode ser uma arma importante do Santos contra um time que tem grandes jogadores, toca bem a bola, mas é um pouco lento para os padrões modernos do futebol. E também se cansa no final das partidas, como demonstrou diante do Internacional no meio da semana.

Imagino que o Santos possa até vencer se conseguir manter o jogo amarrado, sem tempo e espaço para as jogadas de Ganso, Kaká e Pato. É assim que o São Paulo tem tido dificuldades no Morumbi este ano. Não vejo grande possibilidade de vitória santista em um jogo mais aberto e franco, em que o talento se sobressaia.

Ingressos para o clássico

Os torcedores do Santos que quiserem assistir ao clássico contra o São Paulo neste domingo, às 16 horas, no Morumbi, podem comprar os ingressos para a partida na bilheteria do portão 3 do Morumbi, das 10 às 17 horas. No dia do jogo, as vendas seguem até as 12 horas. Só terá acesso ao estádio quem estiver portando o ingresso. A torcida do Santos deverá ficar na arquibancada vermelha visitante (acesso pelo portão 15). Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$20 (meia-entrada). Não há venda online, só na bilheteria.

Estudantes e pessoas com mais de 60 anos, professores e coordenadores pedagógicos da rede pública têm direito à meia entrada, mas devem apresentar documento no momento na compra. O aposentado do INSS também tem direito à meia, e deve apresentar holerite ou cartão do benefício e RG original ou cópia autenticada.

Saudades dos verdadeiros Baleiinha e Baleião

baleiao feio e murcho
Será que não deu para perceber que esse Baleião é feio e murcho? Criança percebe. (Foto: Ricardo Saibun/ Santos FC).

O marketing do Santos anunciou uma família de personagens marinhos em substituição aos já conhecidos Baleiinha e Baleião, que já deram ao clube o prêmio Ibest de marketing. Na verdade, a dupla continua, só com outro design, mais pobre. A idéia de aumentar a família foi boa, mas os novos personagens foram muito mal produzidos. Um diferencial do Baleiinha e o Baleião era o design e a textura das fantasias. O novo Baleião é murcho e sem graça. Criança repara nessas coisas. O que você e seus filhos acharam?
O Baleiinha e o Baleião

Nova família do Baleeinha e do Baleião

Direto do Túnel do Tempo, há 11 anos, na Vila…
Há exatos 11 anos, no dia 23 de agosto de 2003, o Santos de Robinho, Diego, Elano, Renato, Alex e companhia, recebia o Flamengo na Vila Belmiro. Relembre jogadas que hoje são raras. Repare no golaço de falta de Alex. Um detalhe: o técnico do Flamengo era o mesmo Oswaldo de Oliveira que hoje dirige o Santos. A narração é de Deva Pasvicci. Veja:

E pra você, como o Santos deve jogar contra o São Paulo, no Morumbi?


Apogeu, queda e renascimento da torcida do Santos

santos a maior torcida em 1969

A matéria acima foi publicada em uma revista especial sobre o Santos editada pelo Lance. Seu autor, o jornalista Mauro Cezar Pereira, nada tem de santista. Ao contrário. É simpatizante ferrenho do Flamengo.

Realmente, quem é daquele tempo, ou ao menos têm o hábito de se informar sobre a história do futebol antes de ter uma opinião formada, sabe que em 1969, depois de ganhar a média de dois títulos oficiais por ano, realizar dezenas de partidas espetaculares, manter-se como o time-base da Seleção Brasileira (que nesse período fez três jogos com oito titulares santistas) e ter, acima de tudo, o Rei Pelé, o Santos chegou o mais perto que um time brasileiro já chegou de ser uma unanimidade nacional.

É impressionantes constatar que a soma das torcidas de Flamengo e Corinthians não chegava perto do contingente de santistas em todo o Brasil. Enquanto o Santos tinha 49% das preferências, a soma de flamenguistas, com 20%, e corintianos, com 14%, dava 34%, 15% a menos do que o líder.

Vitórias, títulos, futebol bonito, ídolos…

Essa pesquisa do Ibope em 1969 mostra que a receita para se formar uma grande torcida não passa por misticismos, religiosidades e outras bobagens que alguns usam para iludir o povo incauto. Não há outra forma a não ser vencer belos jogos, conquistar títulos e ter e manter ídolos de expressão nacional e, se possível, internacional.

Enquanto preencheu esses requisitos, a torcida do Santos cresceu, ou ao menos se manteve entre as maiores do País. A queda começou a ocorrer sentidamente a partir de meados dos anos 80, quando o elenco campeão paulista de 1984 foi desmanchado e o time deixou de lutar pelos títulos.

“Dei uma olhada do túnel e vi que tinha mais santista do que corintiano no Morumbi naquele dia. Voltei para o vestiário e incentivei meus companheiros. A torcida tinha feito sua parte, a gente tinha de fazer a nossa. Entrei em campo com a certeza de que seríamos campeões”, afirma Serginho Chulapa, lembrando o último jogo do campeonato Paulista de 1984, em que o Santos venceu por 1 a 0 – gol dele, Serginho – e impediu o rival de se tornar tricampeão do Estado.

Vacas magras. Magérrimas…

Um pai que ama seu filho, quer que ele sofra? Obviamente, não, e por isso não há como fazer uma torcida crescer, ou deixar de diminuir, em um longo período de vacas magras. Isso que palmeirenses e vascaínos estão sofrendo agora os santistas sofreram de 1985 a 2002.

Tudo bem que nesse período Márcio Rezende de Freitas surrupiou o título brasileiro de 1995 e o Santos ainda foi campeão do Rio-São Paulo em 1997 e da Conmebol em 1998, mas era muito pouco para uma torcida acostumada a comemorar duas taças por temporada. Nesse período, temos de admitir, a torcida do Santos regrediu. Mesmo em São Paulo acabou superada pelos outros três grandes.

Os novos Meninos e o renascimento

O título brasileiro de 2002, conquistado em uma final memorável por um bando de novos Meninos da Vila liderados por Diego e Robinho, começou, naturalmente, a atrair torcedores mirins para as fileiras santistas.

O melhor é que não se tratou de uma conquista isolada. A partir daí o Santos se colocaria entre os primeiros e geralmente brigaria pelo título em qualquer competição da qual participasse. Vice-brasileiro e vice da Libertadores em 2003, campeão Brasileiro em 2004, bicampeão paulista em 2006/07, campeão da Copa do Brasil em 2010, da Libertadores em 2011, tricampeão paulista em 2010/11/12, da Recopa em 2012, vice Mundial em 2011…

O futebol também voltou a ser espetacular, mormente no primeiro semestre de 2010. E também surgiram ídolos, como Paulo Henrique Ganso e Neymar, este último o grande ídolo brasileiro do momento.

Todas essas circunstâncias dão ao santista o direito de sonhar com um aumento exponencial de sua torcida. Não creio, porém, que nenhum time brasileiro possa atingir os altíssimos índices de preferência que o Santos alcançou em 1969, quando completou 12 anos de domínio absoluto no futebol nacional. Mas quem já chegou lá, tem o direito de sonhar…

E você, o que pensa sobre isso?


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