Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Mundiais de Clubes: desta vez Juca Kfouri concorda comigo

Nos votos para um novo ano sempre falamos de paz, tolerância, compreensão, mas depois dificilmente praticamos o que dissemos. Em 2013 resolvi, humildemente, colocar em prática esses nobres augúrios e tentar entender até àqueles que não tenho conseguido. Sempre tive muitos amigos na imprensa esportiva, mas os últimos acontecimentos, como meu trabalho no Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros, parecem ter abalado o respeito e o carinho que alguns sempre demonstraram por mim.

Uma das pessoas com quem, digamos, tive um ruído na comunicação, foi o blogueiro José Carlos Amaral, mais conhecido como Juca Kfouri. Muitos de vocês devem se lembrar que no tema Unificação dos Títulos Brasileiros ficamos em campos opostos. Não sei se por ser inimigo de Ricardo Teixeira, o antigo presidente da CBF; por torcer por um time que não se destacou entre meados da década de 1950 e final da década de 1970, ou realmente por acreditar no que dizia e escrevia, Juca Kfouri, mesmo sem ler o documento, mostrou-se um crítico feroz do Dossiê que, após analisado por três departamentos da CBF, conseguiu a Unificação dos Títulos Brasileiros, em uma decisão irrevogável que impediu que um capítulo precioso da história do nosso futebol fosse apagado.

Mas isso é, ao menos para mim, coisa do passado. A vida é muito curta para carregar rancores por assuntos que, comparados aos que realmente interessam, chegam a ser irrelevantes. Tudo passa e, em uma linguagem comum, mas sábia, do povo, a grande verdade é que o tempo cura todas as feridas.

O futebol, entretanto, está no nosso sangue, na nossa alma, e analisar sua história – principalmente quando ela se confunde com a do Santos, assunto principal deste blog – faz parte do meu ofício. Assim, novos temas delicados surgem e é impossível deixar de comentá-los. E quando isso acontece, só me resta torcer para que as discussões se restrinjam ao campo das ideias, sem nunca avançar para aspectos pessoais, como o caráter, a honra, ou a ética, que, a princípio, todos os formadores de opinião têm, ou devem ter.

A questão dos Mundiais de clubes

Pois agora faz-se necessário discutir a questão dos mundiais de clubes. Como a Fifa se apega à nomenclatura para considerar oficiais apenas os torneios que ela realizou – o de 2000 e a partir de 2005 –, muitos torcedores compraram a idéia de que para ser considerado um campeão mundial de verdade, um clube tem de competir com representantes de todos os continentes (da poderosa Oceania, inclusive).

A tese é de uma incoerência total, visto que a própria Fifa só conseguiu reunir seleções de todos os continentes na Copa de 1982, na Espanha, depois de realizar nada menos do que 11 Copas do Mundo. Isso quer dizer que todas as Copas anteriores devem ser batizadas de Copas Intercontinentais? O Brasil, portanto, seria apenas duas vezes campeão Mundial e três vezes campeão Intercontinental?

É claro que não vejo assim e, modestamente, acho que o bom senso nos pede para continuar considerando todos os países campeões do mundo, mesmo sabendo que na Copa de 1930, a primeira, só participaram equipes da América do Sul e da Europa, e que nos quatro primeiros Mundiais o campeão só realizou quatro partidas, o que dá bem a idéia da precariedade daquelas primeiras competições.

Um blog dedicado a assuntos relacionados ao Santos não pode aceitar passivamente a versão de que os títulos de 1962 e 1963, que tornaram o Alvinegro Praiano o primeiro bicampeão mundial, são menos relevantes do que os atuais. Acho até que eram mais importantes (pela época, pelos craques, pelo nível de futebol jogado), mas, tudo bem, ano novo, vida nova, paz, compreensão, sem polêmicas…

Assim, pesquisando mais ainda sobre o tema e procurando conhecer a opinião de alguns colegas sobre ele, deparei-me, surpreso e feliz, com a coluna de Juca Kfouri de 12 de dezembro de 2011, no UOL, intitulada “Ora, a Fifa…”. Nela, Juca escreve:

Diz a Fifa que o Corinthians é o primeiro campeão mundial de clubes, em 2000.

Diga o que a Fifa disser, mas o primeiro campeão é o Real Madrid, em 1960.

Como o segundo é o Peñarol, o terceiro o Santos e assim por diante.

E em 2000 tem outro campeão mundial, junto com o Corinthians, o Boca Juniors.

A Fifa e a CBF, e qualquer outra entidade dessas, podem dizer o que quiserem, mas não mudarão aquilo que o torcedor comemorou…

A íntegra da coluna pode ser lida no link: http://blogdojuca.uol.com.br/2011/12/ora-a-fifa/

Pois eu também afirmo que o primeiro campeão mundial é o Real Madrid, em 1960, seguido por Peñarol, Santos, Santos, Independiente… E também concordo plenamente com Juca Kfouri quando ele escreve que “A Fifa e a CBF, e qualquer outra entidade dessas, podem dizer o que quiserem, mas não mudarão aquilo que o torcedor comemorou…”

Enquanto isso, vá saboreando os gols e as belas jogadas de André “Pinga” Luciano, no ótimo trabalho de pesquisa e edição dos amigos do COMANDO SANTISTA. Olha, se o moço jogar tudo isso, vamos queimar nossa língua. Ou melhor: vamos pedir limão, gelo, açúcar e comemorar:

http://youtu.be/bbyiSQAhgPo

Que tipo de sentimento pode fazer alguém negar que o Santos é o primeiro bicampeão mundial?


Ganso, Fundo, Sport e 50 anos do título histórico na Libertadores

Como já escrevi antes na minha coluna do jornal Metro de Santos, o melhor que a diretoria do Alvinegro Praiano faz é não colocar empecilhos para que o Ganso possa bater as asas. Desde que um clube brasileiro pague a multa, claro. E fiquei sabendo que não é só o São Paulo que está interessado no grande meia santista. Ganso pode até ir para outro grande brasileiro que não é paulista. O telefone de Luis Álvaro não para de tocar…

Também como já escrevi, acho que Ganso e Neymar se afinaram tão bem que nunca deveriam se separar. Porém, enquanto o Menino de Ouro é feliz da vida e muito bem orientado pelo pai, Ganso seguiu os maus conselhos de seus mentores da Dis. E, como diz minha sábia mãe, “quando a cabeça não pensa, o corpo padece”.

É um craque, muito jovem ainda, e saberá superar esse momento difícil de sua carreira e ainda colocar muitos atacantes na cara do gol. Seremos eternamente gratos pelo que já fez pelo Santos, assim como esperamos que ele saiba mostrar gratidão – o que parece não ser o seu forte – pelo time que lhe permitiu ser alguém no futebol e na vida.

Prós e contras do Fundo que vem por aí

Esta semana, talvez para amenizar a crise que começou a se instalar com a derrota vexatória para o Bahia na Vila Belmiro, a diretoria do Santos anunciou que o fundo para contratar jogadores, prometido há quase três anos, finalmente sairá do papel. Num primeiro momento isso parece ótimo. Mas na verdade esse fundo é uma moeda de duas faces.

Antes, presidentes ricos colocavam dinheiro no Santos e depois o recebiam de volta. Milton Teixeira e seu filho, Marcelo, cansaram de fazer isso e conseguiram montar alguns grandes times, como o Santos de 1983/84 e a partir de 2001. Os Teixeira afirmam que perdoaram parte da dívida ou receberam juros bem menores do que um banco cobraria.

Agora, um grupo de investidores colocará dinheiro no clube e, é claro, quererá recebê-lo de volta com algum lucro. Investidores estão longe de ser padres franciscanos. As duas questões que deverão ser esclarecidas são:

1 – Quais serão os juros a serem pagos pelo Santos e o prazo de pagamento?

2 – Quem decidirá quais jogadores serão contratados? Se for para trazer apostas desesperadas como Bill, sinto que, só para usar mais um ditado popular, o tiro poderá sair pela culatra.

50 anos do primeiro título da Libertadores


Imagens de uma conquista histórica do futebol brasileiro

Na quinta-feira, 30 de agosto, completaram-se 50 anos do primeiro título do Santos na Copa Libertadores. Tratou-se da conquista mais importante de um time brasileiro até aquele momento, pois até ali não eram disputadas competições oficiais para definir o campeão sul-americano. E o Santos enfrentou nada menos do que o bicampeão do continente e campeão mundial: o clássico e aguerrido Penãrol, do Uruguai.

O futebol brasileiro e sul-americano vivia seu período áureo. Naquele mesmo ano a Seleção Brasileira tinha conquistado o bicampeonato mundial, no Chile. Nas disputas intercontinentais entre os clubes campeões da América do Sul e da Europa, o domínio era sul-americano (nos dez anos iniciais de decisões do Mundial Interclubes, de 1960 a 1969, os times do continentes somaram seis títulos, contra quatro dos europeu).

Algo impensável hoje, foi comum, até pouco mais da metade da década de 1960, assistir aos grandes europeus excursionando pela América do Sul. Aqui estava o melhor futebol, os craques, a referência técnica do esporte no planeta. Como o valor de cada conquista não pode ser avaliada apenas pela frieza burra dos números, mas sim pela época em que está inserida e pelo nível dos contendores, pode-se afirmar que aquela conquista do Santos, que seria sacramentada logo depois com o primeiro título Mundial de um time brasileiro, colocou o nosso futebol em um patamar que jamais foi alcançado novamente.

O amigo e colaborador deste blog, Wesley Miranda, produziu um vídeo sobre o primeiro este título histórico do Santos e me enviou em tempo hábil para que fosse postado na quinta-feira, dia do cinqüentenário da conquista. Porém, o blog fervia com as discussões após a derrota para o Bahia e resolvei deixar o vídeo para este sábado, um dia mais light por aqui. Divirta-se:

E amanhã, o que esperar do time contra o Sport?

Os chineses já dizem que crise é sinônimo de oportunidade. Acho que o técnico Muricy Ramalho deveria usar um pouquinho de seu salário para fazer um cursinho que ao menos mude o seu discurso. “É difícil… não é fácil… sem o Neymar e o Arouca não dá… sem o Ganso não dá…”. Isso já encheu o torcedor. Trabalha, pô!

Sem o Ganso escale o Felipe Anderson, que apesar de inexperiente ao menos mostra mais vontade e não foge das divididas. Se o Patito não estiver bem, coloque o Victor Andrade. Se os garotos seguraram as pontas nas horas difíceis, por que não podem voltar ao time agora? Será que jogando ao lado de Neymar não renderão muito mais?

Bem, e você, o que acha destes assuntos do sábado?


Reveja os melhores momentos do Santos em 2011

O ano de 2011, em que ganhou dois títulos, entre eles a sua terceira Copa Libertadores, merece ser chamado de o mais importante da história do Santos desde 1963, quando conquistou não só a Libertadores, como o Mundial, a Taça Brasil (o seu terceiro Brasileiro) e o Rio-São Paulo.

Mas no início parecia que a temporada não seria tão promissora. O time, que já tinha sido treinado por Adilson Batista e Marcelo Martelotte, estava para ser eliminado na Libertadores, e no Paulista, que não era prioridade, seguia aos trancos e barrancos, terminando a primeira fase em quarto lugar.

Nas oitavas do Paulista o Santos venceu a Ponte Preta, em Campinas, por 1 a 0. Em seguida, porém, em um jogo só, definiu contra o São Paulo, no Morumbi, uma vaga para a final. Além de jogar em seu campo e poder contar com a maior parte da torcida, o São Paulo tinha tido a melhor campanha na primeira fase. Para alguns, era o favorito. Vejamos o que aconteceu:

Uma decisão na Vila contra o outro alvinegro. Que delícia!

Depois de um empate sem gols no Pacaembu, o Santos, por ter melhor campanha, teve o direito de jogar pelo bicampeonato na Vila Belmiro. O adversário, com um time mais forte do que aquele que seria campeão brasileiro – pois ainda tinha Bruno César e Dentinho – ficou feliz de perder só por 2 a 1. Reveja:

Contra o Cerro, o jogo do ano

O técnico Muricy Ramalho assumiu o comando do time justamente no aniversário de 99 anos do clube, em 14 de abril. E alguns anti-santistas brincavam no twitter que o dia da fundação do clube seria o de sua “afundação”, pois precisaria vencer o poderoso Cerro Porteño, no Paraguai, ou estaria praticamente eliminado da Libertadores. Um detalhe: nesse jogo o Santos não teria Neymar, Elano e Zé Eduardo, expulsos no polêmico jogo das máscaras, contra o Colo Colo, na Vila.

Porém, os deuses do futebol estavam com o Santos, que, mesmo com um time recheado de reservas – como Maikon Leite, Diogo, Keirrison – obteve uma vitória crucial, iniciada com um gol antológico de Danilo. Vale a pena rever este que para mim foi o grande jogo do ano:

Enfim, o terceiro título da Libertadores

A conquista que passou perto em 2003, finalmente chegou este ano, com uma final histórica contra o Peñarol. Dos Meninos de 2003, apenas Léo e Elano estavam presentes para gozar a glória de ser campeão da América. Após o empate sem gols em Montevidéu, o Pacaembu se tornou Alvinegro Praiano para testemunhar o seu primeiro título da Copa Libertadores. Nenhum santista, em nenhum momento, duvidou desse título que você saboreia de novo agora:

Para sorte dos outros, Santos negligenciou o Brasileiro

Concentrado no Mundial da Fifa, no final do ano, o Santos não se empenhou suficientemente no Campeonato Brasileiro, para sorte dos adversários. Mesmo assim, no segundo turno, um pouco mais concentrado, deu uma demonstração do que poderia fazer, ao vencer, sem grande dificuldade, aqueles que no final seriam campeão e vice. Reveja os principais lances:

http://youtu.be/-zw7OGIHcHQ

http://youtu.be/k_m4In6HjaQ

Três golaços que valeram o vice-campeonato Mundial

Quando o Mundial era decidido em um jogo só, ser vice-campeão não tinha mérito algum. Mas agora o torneio tem sete participantes e é preciso vencer a semifinal antes de jogar a decisão – o que nem sempre é fácil, como o Mazembe provou no ano passado. Este ano coube ao Santos enfrentar o Kashiwa Reysol, campeão japonês, que já havia passado por dois times, entre eles o perigoso Monterrey, do México.

Porém, com golaços de Neymar, Borges e Danilo, o Santos derrotou o Kashiwa e garantiu ao menos o segundo lugar no torneio de clubes mais importante do ano. Veja os gols novamente:

http://youtu.be/yN1jx9cP5HU

O Fico de Neymar

Outra vitória importante do Santos em 2011 aconteceu nos bastidores. O esforço do clube para manter o ídolo Neymar marcou uma nova etapa na história do futebol brasileiro e deu ao clube uma visibilidade jamais vista. Com Neymar, o Santos caminha, sim, para ter uma das maiores torcidas do Brasil.

Eleito hoje, 31 de dezembro, como o melhor jogador das Américas, Neymar continua fazendo história no futebol e deixa seu nome gravado em letras de ouro nos anais do Alvinegro Praiano. Em 2011 o Menino de Ouro teve de repetir inúmeras vezes que ficaria no Santos. Lembremos uma delas:

http://youtu.be/I4FQ4kZxGEw

Falcão e o futsal – um momento único

Pena que o futsal do Santos foi desativado, pois o momento que ele proporcionou aos santistas ficará na história. Falcão e o melhor time do Brasil deram aula de habilidade, solidariedade e garra. A vitória na decisão da Liga Futsal contra Carlos Barbosa foi emocionante, impagável, única:

http://youtu.be/ZPw6dAJP8dk

Assim foi 2011. Que 2012, o Ano do Centenário, reserve novas e duradouras alegrias aos santistas. Agradeço aos que prestigiam este blog e desejo um Reveillon cheio de alegria e um Ano Novo pleno de realizações. Fortíssimos abraços!


Bandidos da torcida do Peñarol fazem vaquinha e são soltos

Em Assunção, 39 integrantes da Torcida Jovem erraram e ficaram presos por vários dias. Mesmo com o atenuante de terem o ônibus atacado por pedras lançadas pela torcida do Cerro Porteño, os brasileiros foram detidos por agressão e furto e tiveram de pagar um valor cinco vezes maior do que os prejuízos que causaram. Sem contar que antes já tinham sido achacados por policiais paraguaios.

No Brasil, mais precisamente em Santa Catarina, torcedores do Peñarol que voltavam com o rabinho entre as pernas para seu país e saquearam uma loja de conveniência em um posto de estrada, só tiveram de devolver o que roubaram e foram soltos.

Essa diferença de tratamento só consegue acirrar os ódios e tornar mais problemática a vida fora de campo na próxima Copa Libertadores. É preciso que a Conmebol e as federações nacionais se reúnam para discutir essa delicada questão dos grupos de torcedores que viajam para outros países a fim de acompanhar seus times. O tratamento deve ser igual para infratores de qualquer nacionalidade.

Sem contar que os santistas foram apedrejados e bombardeados em Assunção e em Montevidéu, enquanto os torcedores de Cerro Porteño e Peñarol foram, como deve ser sempre, muito bem protegidos quando vieram acompanhar seu time em São Paulo.

O consolo para os santistas foi uma torcedora que fez questão de posar para uma foto à frente dos valentes uruguaios detidos em Santa Catarina. Veja a foto no filme e se divirta com a cara de bunda dos uruguaios babacas que viram o time perder a final da Libertadores e ainda pagaram um mico de serem pegos pela polícia e zoados pela santista.

O que você achou de a polícia de Santa Catarina deixar os torcedores do Peñarol irem embora? Foi melhor mesmo, ou mereciam uma cana?


Santos conquista a América. Futebol-arte supera o jogo sujo


O técnico Muricy Ramalho e Neymar foram os grandes artífices dessa conquista. O primeiro assumiu o time em uma situação crítica, e logo de início – sem Neymar, Elano e Zé Eduardo – conseguiu a vitória mais importante desta campanha, em Assunção (2 a 1 sobre o Cerro Porteño), quando até o empate eliminaria o Santos. Depois dos dois, vem Paulo Henrique Ganso, que jogou pouco, mas comandou o time justamente na vitória essencial contra o Cerro. Outros destaques foram Rafael, Danilo, Adriano, Arouca, Léo, Durval, Edu Dracena e Jonathan. Dos reservas Pará, Alex Sandro, Alan Patrick, Keirrison e Maikon Leite, o último se sobressaiu também pela atuação contra o Cerro, enquanto os demais não comprometerem. As decepções fircaram por conta de Elano e Zé Eduardo. O primeiro jogou bem menos do que pode e do que o santista espera dele, e o segundo, infelizmente, correspondeu às expectativas (Fotos: Divulgação Santos FC)

Como se esperava, o Santos foi melhor do que o Peñarol o tempo todo. Único time que pôs a bola no chão e criou jogadas de ataque, o Alvinegro Praiano construiu inúmeras chances, principalmente no segundo tempo, e a vitória de 2 a 1 – com todos os gols na segunda etapa – acabou ficando barata para o time uruguaio, que no final foi provocado por penetras que invadiram o campo e partiu para uma briga que envolveu vários jogadores.

Neymar, o melhor jogador desta Libertadores, também foi o melhor em campo. Além do gol, deu passes, segurou a bola e agüentou as botinadas do adversário. É difícil acreditar que um jogador tão seguro do que faz, com tanto controle da bola e dos espaços do campo, tem apenas 19 anos.

Definido pelo presidente do Peñarol, Juan Pedro Damiani, como “um jogador de outra galáxia”, Neymar saiu deste jogo muito mais valorizado. Ele é a esperança da América de um dia ter o melhor jogador do mundo. Como foi Pelé, que para a festa ser completa, estava lá, abraçando os santistas e o técnico Muricy Ramalho – que calou a boca de quem dizia que ele não ganhava torneio mata-mata.

Ganso, com dificuldades de locomoção, não foi o mesmo, mas fez o suficiente para dar mais equilibro ao time, além do passe de calcanhar para que Arouca penetrasse e servisse a Neymar – que abriu o marcador justamente quando o Pacaembu, em uníssono, pedia “Vai pra cima dele Santos”!

Depois, veio o gol de Danilo, em bela jogada individual, driblando e batendo cruzado. Com 2 a 0 surgiram mais oportunidades, mas Zé Eduardo continuou brigando como nunca e não marcando gols como sempre. Obrigado Zé, mas você não fará falta. Se fosse o Borges, teria sido goleada.

A saída de Léo, cansado, fez o Peñarol atacar em cima de Alex Sandro – que bobeou no gol do time uruguaio (contra, de Durval). A partir daí, o Peñarol tentou alguma coisa, mas, como se esperava, só viveu de bolas altas na área, encontrões e pontapés. Enfim, um time limitado, que acha que ainda está no tempo em que o futebol poderia ser decidido pela violência e intimidação.

Santos poderia ter virado na frente

Uma bola que Arouca poderia ter matado no peito ao invés de cabecear, uma cabeça de Dorval para fora, um chute de Elano, um passe de Ganso que quase deixa Neymar na cara do gol… Enfim, em 10 minutos de jogo o Santos, com um pouco de sorte, já poderia ter aberto o marcador.

O Peñarol teve uma chance real aos 12 minutos, quando a defesa do Santos parou e dois jogadores do time uruguaio apareceram livres diante de Rafael, que no final defendeu bem. Mas foi uma chance esporádica.

O domínio santista prosseguiu até o final da primeira etapa. Entre cobranças de falta de Elano, escanteios e penetrações, o Santos procurou mais o gol. A melhor oportunidade ocorreu aos 43 minutos, quando Léo ganhou duas divididas, passou para Zé Eduardo, que arremeteu contra a defesa uruguaia. A bola sobrou para o pé direito de Léo, que quase na pequena área chutou para fora.

O árbitro, Sérgio Pezzota, no todo foi bem na primeira etapa. Não deixou passar em branco as faltas em Neymar, evitou que o jogo desandasse. Deu cartões amarelos para Gonzalez por falta em Neymar e para Neymar por falta em Gonzalez (o uruguaio saiu de campo depois da entrada no santista).

Mas poderia ter sido um pouco mais rigoroso. Ganso levou duas faltas que deveriam provocar um amarelo para o adversário. No final, veio o erro mais grave de Pezzota: como foi o time uruguaio que fez cera, o árbitro não deveria ter esperado que o Peñarol cobrasse a falta para a área santista antes de encerrar o primeiro tempo. Com isso, ele favoreceu o time que praticou o anti-jogo.

A primeira etapa deixou a impressão de que só o nervosismo poderia impedir que o Santos saísse do Pacaembu com o título da Libertadores. Na ida para o vestiário, Ganso quase foi agredido. Os uruguaios já mostravam do que seriam capazes se não vencessem.

Agora, meta é se preparar para um segundo semestre mundial

O grande campeonato do Santos, agora, é criar condições para manter Ganso e Neymar e estruturar uma equipe que possa se firmar, como nos anos 60, entre as melhores do mundo.

Não creio que isso deva ser uma meta só do Santos, mas sim do mercado brasileiro e sul-americano de futebol. Não está escrito em nenhum lugar que os astros da América do Sul são obrigados a se transferir para a Europa para serem reconhecidos. Neymar e Ganso são dois exemplos de que é possível atingir o status de super astro sem sair do Brasil.

Com a depuração do elenco – a saída de jogadores que, mesmo sendo campeões sul-americanos, não estão jogando bem – e a vinda de outros, mais competitivos, o Santos poderá fazer também um segundo semestre vitorioso. Não se pode esquecer que a partir de agora o mundo já estará antevendo um duelo entre Barcelona e Santos, entre Messi e Neymar.

Conmebol precisa reorganizar a Libertadores

Não é porque o Santos foi campeão que vamos fechar os olhos para os problemas desta Copa Libertadores. A impunidade contra a violência dentro e fora do campo gerou cenas grotescas, que envergonharam o continente sul-americano. A agressão aos jogadores do Fluminense na Argentina e aos torcedores do Santos em Assunção e Montevidéu não podem ser esquecidas, assim como não se pode esquecer a briga de ontem, ao final da partida.

No início imaginei que a confusão tivesse sido provocada por jogadores do Peñarol, inconformados com a derrota. Mas, depois de assistir a um filme sobre o começo do incidente, percebi que um rapaz que invadiu o campo é que provocou um jogador do Peñarol e começou a confusão.

Acho que, para dar o exemplo, o Santos deveria descobrir quem é este rapaz e, caso seja sócio, exclui-lo do quadro associativo. Ele estragou uma festa esperada há 48 anos e quase provoca uma tragédia.

Escrevi neste post que o Santos foi o responsável pelo número excessivo de pessoas sem função que estavam no gramado, pois, pelo regulamento da Conmebol, o clube mandante é o responsável. Mas hoje recebi um e-mail de Arnaldo Hase, coordenação de comunicação do Santos, que diz o seguinte:

Sobre o que você coloca no blog, sobre invasão do gramado a partir do vestiário do Santos, posso dizer que não procede. Eu estava no vestiário ao lado de vários integrantes da comissão técnica e de nossa TV, que havia conseguido liberação para registrar as imagens do gramado pós-jogo. Mas os policiais impediram a entrada de qualquer pessoa partindo do nosso vestiário desde os 35 do segundo tempo. Se puder corrigir no blog, seria interessante.

Agora, se filhos de diretores e conselheiros entraram, não foi por ali.
Outro detalhe que vale a pena saber, embora seja sabido da maioria: o gramado em dia de jogo não pertence ao time mandante, mas à Conmebol, que é a organizadora do evento. Nem os jornalistas credenciados o são a partir do Santos, mas via Aceesp e Federação Paulista. Se for para a Conmebol punir alguém, que seja a si mesma.

Bem, eu me baseei na informação de Paulo César Vasconcelos e de Maurício Noriega, comentaristas do Sportv. A tevê também mostrou muita gente saindo do vestiário do Santos logo após o apito final do árbitro. Segundo informações que obtive, esses torcedores que invadiram o campo são, em sua maioria, filhos de conselheiros e diretores do Santos, que se usam da posição dos pais para terem certos privilégios nos jogos do Santos.

De qualquer forma, assim como recriminamos a falta de segurança em outros estadios desta Libertadores, não podemos deixar passar em branco o que aconteceu no Pacaembu. Não tira o mérito da vitória santista, mas dá aos europeus argumentos para falarem mais uma vez da selvageria que predomina nos campos sul-americanos.

Festa da medalha

Outro fato insólito é o número de funcionários do Santos, além dos jogadores, que entram na fila para receber medalhas. É uma festa. Fiquei em dúvida se se não ficou faltando medalha para alguns jogadores. Acho que isso banaliza o mérito. Seria o mesmo que um cartola subir no pódio ao lado de um campeão olímpico. Seria ridículo. Já tinha visto a mesma coisa na Copa do Brasil, em Salvador.

Vamos combinar que quem merece medalha de campeão são os atletas. No máximo, também o técnico e o preparador físico. Tinha gente na fila que não tinha nada de estar ali. É o tipo da coisa que deve encher o saco do jogador, pois ele se mata em campo, ele é o artista, e no final aparece um monte de cartolas e agregados na fila da medalha.

Vi Danilo, um dos heróis do título, esperando a sua vez de receber o prêmio atrás de alguns funcionários do departamento de futebol. Depois vi o Vinicius Simon no fim da fila e fiquei com a impressão de que não havia mais medalha pra ele. No próximo título é bom organizar melhor isso.

Uma sugestão é de que se houver medalha sobrando, que na cerimônia após o jogo, ainda no campo, elas sejam entregues apenas aos jogadores, técnico, auxiliar e preparador físico, os que efetivamente participaram do espetáculo. Que as outras sejam deixadas com o presidente do clube para entregar depois. Ver os heróis do time recebendo seu prêmio depois dos funcionários chega a ser um acinte.

Reveja os gols históricos de Santos 2 x 1 Peñarol:

http://youtu.be/doNeAVv1RdI

Reveja agora a confusão, provocada pela invasão de campo a partir do vestiário do Santos:

E para você, qual o significado deste título do Santos?


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