ze carlos
Lateral-esquerdo Zé Carlos, um destaque do Santos na Copa São Paulo.

gabriel gol
Gabriel teve altos e baixos, mas procurou o jogo e fez o gol da vitória contra o XV.

oswaldo oliveira
Oswaldo de Oliveira terá muito trabalho. A bandeirinha teve e se saiu bem.

bola de ouro
Uma justa homenagem ao primeiro, único e eterno Rei do Futebol.

http://youtu.be/ReTR24dJeHQ

Gabriel passou as férias treinando. O trabalho compensou. Golaço!

Vitória preguiçosa sobre o XV

Tudo bem que foi o primeiro jogo depois das férias, mas era para o Santos ter apresentado um futebol mais digno na sua estreia do Campeonato Paulista, na primeira partida em que foi dirigido por Oswaldo de Oliveira. Disperso nas jogadas de ataque e apelando para os velhos chutões para sair da defesa para o ataque, o Alvinegro Praiano venceu o XV de Piracicaba por mísero 1 a 0, gol de Gabriel aos 40 minutos do primeiro tempo.

Ao contrário do time Sub-20 que jogou pela manhã, os profissionais não marcaram a saída de bola do adversário e erraram muitos passes, a ponto de terem menos posse de bola do que o XV no primeiro tempo (48%, contra 52% do adversário). Enfim, não empolgaram.

Montillo sentiu uma fisgada na coxa e não voltou para o segundo tempo. Provavelmente o Santos ficará sem ele e Leandro Damião nos próximos jogos, tendo de se valer de uma maioria de Meninos vindos da base. Léo Cittadini entrou no lugar de Montillo e perdeu a chance de deixar uma boa impressão. Só tocou de lado e parecia cansado.

Dos garotos, Geuvânio foi o melhor contra o XV. Gabriel fez o gol e buscou participar mais das jogadas, mas tentou dar uma cavadinha em uma chance clara e quase compromete a vitória. Era só tocar para Thiago Ribeiro, à sua esquerda. Além disso, tentou cavar um pênalti e, além de perder o gol, recebeu um justo cartão amarelo. Émerson apoiou bem pela esquerda. Gustavo Henrique e Jubal não se destacaram, mas deram pro gasto. Leandrinho entrou com o sono de sempre, mas deu uma melhoradinha. Foi bem substituído por Alan Santos.

Dos mais rodados, Arouca mostrou disposição e foi um carrapato na marcação; Aranha não teve trabalho e Cicinho se virou como pôde. Thiago Ribeiro errou demais. Será que Cícero fez falta?

O jogo foi lento. Muitos santistas pareciam fora de forma e terminaram a partida exaustos. O XV só não empatou porque não mostrou a mínima aptidão ofensiva. Enfim, o jogo não foi bom. Mas vamos dar um desconto, pois o campeonato está apenas começando. Terça-feira o time joga no Pacaembu contra o Audax e espera-se um público maior do que os menos de 8 mil pagantes que viram a estreia da equipe no Paulista.

Santos 1 X 0 XV de Piracicaba

Santos: Aranha; Cicinho, Jubal, Gustavo Henrique e Emerson (Mena); Arouca, Leandrinho (Alan Santos) e Montillo (Léo Cittadini); Geuvânio, Thiago Ribeiro e Gabriel. Técnico: Oswaldo de Oliveira.

XV de Piracicaba: Márcio, Vinicius Bovi, Leonardo Luiz, Pitty e Aelson (Rodrigo); Alan Bahia, Adilson Goiano, Danilo Sacramento e Jean Carioca (Gilsinho); Pipico e Adilson (Felipe Adão). Técnico: Edison Só

Gol: Gabriel, aos 40 minutos do primeiro tempo, acertando um belo chute de canhota, após linda assistência de Geuvânio.

Arbitragem: Vinicius Gonçalves Dias Araújo, auxiliado por Vicente Romano Neto e Tatiane Sacilotti dos Santos Camargo. Essa Tatiane foi muito bem. Acertou todas as marcações.

Cartões amarelos: Gabriel e Leandrinho (Santos); Alan Bahia, Danilo Sacramento e Adilson Goiano (XV de Piracicaba).

Nenhum Menino está pronto, mas alguns estão chegando lá!

http://youtu.be/B1s8pLyG3Uc
Paulo Ricardo, Serginho e Diogo Cardoso marcaram os gols da vitória sobre o Taboão da Serra que colocou o Santos na semifinal da Copa São Paulo de Futebol Júnior

O técnico Oswaldo de Oliveira tem acompanhado as atuações do Santos na Copa São Paulo de Futebol Júnior e elogiou o time e alguns jogadores, mas disse que nenhum está pronto para o profissionalismo. “No futuro eles darão uma resposta positiva, mas agora acho muito prematuro. As fases têm de ser respeitadas”, ensinou ele.

Assisti com atenção a vitória por 3 a 0 sobre o Taboão da Serra, em Barueri, e entendo muito bem o que Oliveira disse. O time dirigido por Pepinho Macia é ofensivo, joga bonito, prefere o toque ao chutão, sai com tranqüilidade da defesa ao ataque e tem bons jogadores. Mas nenhum deles, realmente, está pronto para atuar no time profissional do Santos.

Alguns leitores, oportunamente, me perguntarão: “Mas no ano passado você não defendeu que se desse mais oportunidades para os Meninos vindos da base? Não falava em Gabriel, Victor Andrade, Neilton, Leandrinho, Gustavo Henrique, Jubal e Giva, entre outros? O que mudou de lá para cá?”.

É claro que respondo com o peito aberto e a maior boa vontade: O que mudou é que em 2013 o Santos não tinha elenco e lutava agoniadamente para fugir do descenso. Diante da mediocridade de alguns jogadores do time de cima e da tática medrosa dos técnicos Muricy Ramalho e, em menor escala, de Claudiney Oliveira, um garoto no ataque, ou no meio, significava a esperança de algo novo, ousado, que no mínimo não tornaria o time pior do que já estava.

De lá para cá, porém, vieram Cicinho, Mena, Thiago Ribeiro, e a equipe ganhou corpo. Dos Meninos, Gustavo Henrique, Alison, Alan Santos e Geuvânio mostraram que podem se tornar bons profissionais. Outros, como Gabriel, Victor Andrade e Giva ainda estão amadurecendo. Enfim, ainda há muitos jovens da fornada anterior que não podem ser descartados.

Desses garotos que estão vestindo a gloriosa camisa do Alvinegro Praiano em busca do bicampeonato da Copa São Paulo, nenhum deve ser integrado à equipe de Oswaldo Oliveira, mas alguns estão bem próximos de se tornarem jogadores mais regulares e seguros, condições essenciais para ingressarem no profissionalismo.

Mas o que é preciso para que esses Meninos desabrochem e se transformem em titulares, ou, quem sabe, futuros ídolos do Peixe? Bem, do pouco que joguei – apenas na fase amadora – e do muito que vi, li e aprendi sobre futebol, tomo a liberdade de dar uns toques para nossos queridos Meninos. A começar pelo goleiro, João Paulo, que tem como qualidade sair jogando rapidamente e com as mãos.

João Paulo dá passes, não chutões. Isso é ótimo. Contra o Taboão também saiu muito bem do gol nos cruzamentos altos. Mas tem de evitar espalmar bolas para o centro da área. Se não der para encaixar, jogue para longe, ou para escanteio.

Laterais Daniel Guedes e Zé Carlos: muito bons. Dominam bem a bola, sabem tocar, são rápidos. Daniel chuta melhor, enquanto Zé Carlos tabela bem e deu um passe espetacular para Serginho fazer o segundo gol contra o Taboão. Pelos jogos que vi, parece-me que ambos não são exímios marcadores, algo que precisam corrigir. Mas é só uma questão de tempo para o Santos ter dois ótimos laterais. Esses só precisam se conscientizar que a evolução no futebol exige um trabalho constante, porém ambos já têm o dom, o que é essencial para se tornar craque.

Paulo Ricardo e Naílson: ainda não formam uma dupla como Gustavo Henrique e Jubal, mas não ficam muito atrás. Ótimos nas bolas altas, decididos, foram muito bem contra o Taboão, e Paulo Ricardo ainda fez o primeiro gol do jogo. Naílson recebeu o terceiro cartão amarelo e não joga a semifinal. É cedo para falar de futuro, mas estão indo bem.

Lucas Otávio: as qualidades dele todo mundo vê, que são a dedicação ao time, o tempo certo para fazer o corte, o fôlego para estar em vários lugares do campo. Mas ele tem também deficiências que precisam ser superadas. Uma delas, óbvia, é o tamanho. Não dá para disputar bola alta na área, por exemplo. Porém, suas falhas mais graves têm sido a dificuldade para acertar chutes a gol e passes medidos.

Um jogador de meio-campo não deveria se limitar a ser um ladrão de bolas, como a maioria dos volantes brasileiros. Se durante o jogo surgem várias oportunidades para uma assistência ou um chute vencedores, por que desperdiçar? E isso é algo que Lucas Otávio pode e deve treinar.

Outro detalhe é a atenção ao jogo, a capacidade de fazer a análise correta da gravidade de cada lance. Há bolas que não se pode perder em hipótese alguma. Tentar um drible arriscado ou uma jogada de efeito no meio-campo, quando o time está saindo da defesa, é totalmente reprovável. E contra o Taboão, por três ou quatro vezes Lucas Otávio perdeu a bola no meio-campo e deu contra-ataques ao adversário. Em um time profissional, apenas um desses erros poderia tirar suas chances de continuar na equipe (foi por falhas assim que Rodrigo Mancha saiu do Santos, lembram-se?).

Este canhoto, Serginho, é outro que impressiona bem. Talvez o jogador de maior potencial deles todos. É o meia atacante do Santos que melhor bate na bola. Já que tem esse dom, que o aprimore, treinando chutes em todas as situações, com todos os efeitos e forças. Mas futebol não é só chutar a gol. É preciso que participe mais do jogo e, ao participar, acerte os passes, os dribles, mantenha a posse de bola.

Algo que distingue um amador de um profissional, é que o primeiro tem muita dificuldade de segurar a bola, de mantê-la sob o seu domínio, enquanto o profissional sabe segurá-la o tempo necessário para dar andamento à jogada sem que ela passe para o poder do adversário. Às vezes o toque tem de ser de primeira, mas outras vezes o melhor é prender e passar para um companheiro melhor colocado. E passar certo, claro!

Com trabalho e humildade – receita que serve para tudo na vida – Serginho pode se tornar um grande meia-esquerda. Do contrário, será mais um que apenas passará pela história do Santos, sem deixar saudades. Mesmo considerando-se que a sorte é importante no futebol, o futuro de Serginho só depende dele. Com mais trabalho físico e de fundamento, terá tudo para vencer no esporte.

Grandalhão, com boa presença de área, Stéfano Yuri tem marcado muitos gols pelo time Sub-20 e já merece elogios rasgados de alguns torcedores. Porém, o garoto ainda tem alguma dificuldade para se colocar à espera do passe, é lento e às vezes tropeça na bola. Uma grande pena que tenha se machucado, pois é muito eficaz para aproveitar cruzamentos, alternativa que sempre pode decidir partidas, principalmente as mais atravancadas.

Por fim, Diogo Cardoso, o jogador deste Sub-20 mais perto do nível que se espera de um profissional. Não digo isso só pela técnica, acima da média, ou pelo físico, forte e ágil, mas também pela atitude. Ao contrário de muitos, não o considero fominha. Sabe criar a jogada para os companheiros, desde que eles se apresentem para conclui-la, mas também finaliza bem, quando preciso.

Mostrou uma maturidade muito grande ao receber cartão amarelo do péssimo árbitro Marcos Silva dos Santos Gonçalves, em uma jogada em que foi ele, Diogo, quem sofreu a falta no momento em que disparava em direção ao gol adversário. O cartão, que deveria ser dado ao zagueiro do Taboão, acabou impedindo Diogo de jogar a semifinal. Uma lástima! Qualquer outro teria se rebelado e poderia ser expulso. O rapaz se segurou e engoliu a injustiça, como gente grande.

O árbitro também não respeitou a lei de vantagem em favor do Santos e demorou uma eternidade para dar o primeiro cartão amarelo ao adversário. Tão ruins quanto ele foram os bandeirinhas Marcelo Ferreira da Silva e Adilson Roberto de Oliveira. Cada um anulou um gol legítimo: do Santos e do Taboão, só que o primeiro foi do santista Diogo Cardoso.

Dos outros Meninos da Vila eu falo quando tiver uma opinião mais abalizada. Mas do técnico Pepinho Macia eu já posso falar. Filho do maior artilheiro humano do Santos, obviamente Pepinho é adepto do futebol ofensivo. E veja que mesmo tendo o ataque mais positivo da competição, o Santos só sofreu um gol. Aprovo o sistema 4-3-3- e a disposição que Pepinho passa aos seus jogadores. As origens do Santos se harmonizam nesse time. E ainda tem gente que duvida da força do DNA ofensivo.

E pra você, o que falta para esses Meninos subirem para o time do Oswaldo de Oliveira?