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Empresa do pai de Neymar quer aumento para Marcelo Fernandes

Após mais de 54 milhões de apostas, em todo o Brasil, Santos foi o terceiro mais apostado no teste 722 da Timemania

Exatas 54.001.011 apostas foram feitas no teste 722 da Timemania, realizado na última quarta-feira, 7 de maio. O Santos ficou em terceiro, com 1.868.435 apostas, 3,46% do total. O time mais votado foi o Flamengo, com 5,21% (menos de 2% do total a mais do que o Santos). Confira:

Colocação Clube UF TOTAL % Total
1º FLAMENGO RJ 2.812.460 5,21%
2º CORINTHIANS SP 2.510.343 4,65%
3º SANTOS SP 1.868.435 3,46%
4º SAO PAULO SP 1.858.871 3,45%
5º PALMEIRAS SP 1.730.957 3,21%
6º GREMIO RS 1.634.263 3,03%
7º VASCO DA GAMA RJ 1.484.235 2,75%
8º INTERNACIONAL RS 1.433.252 2,66%
9º CRUZEIRO MG 1.366.659 2,53%
10º BOTAFOGO RJ 1.314.431 2,44%
11º ATLETICO MG 1.225.020 2,27%
12º BAHIA BA 1.184.462 2,20%
13º FLUMINENSE RJ 1.166.020 2,16%
14º FORTALEZA CE 1.031.526 1,91%
15º GOIAS GO 910.063 1,69%

Empresa do pai de Neymar quer aumento para Marcelo Fernandes

O futebol é mesmo um campo vasto para experiências e descobertas. Quando a gente pensa que já viu tudo, eis que surge mais uma. Agora ficamos sabendo que a empresa do pai de Neymar assinou contrato com Marcelo Fernandes, técnico do Santos, para gerenciar sua carreira. E uma das primeiras medidas para valorizar o treinador santista é conseguir um aumento de salário para ele. Ao menos é o que diz a matéria de A Tribuna:

A empresa quer fazer com Fernandes o que foi feito com Neymar, um modelo de gestão. O objetivo é que a carreira do treinador cresça junto com a marca. A primeira ação é a busca por um aumento no salário de Marcelo, que ainda está longe do padrão brasileiro.”

Pera aí. Vamos por partes. Valorizar um profissional começa por qualificá-lo melhor, fazendo, por exemplo, com que estude métodos modernos de treinamento, de trabalho em equipe, cumpra estágio nos grandes clubes do mundo, participe de congressos e por aí vai. Pedir aumento de salário é a última etapa desse processo.

Neste trecho que tirei da matéria de A Tribuna lemos que “o salário de Marcelo ainda está longe do padrão brasileiro”. E eu digo que ainda bem, pois é justamente por isso que ele foi efetivado e é o técnico do Santos. Sem nenhuma experiência na direção de equipes profissionais, ele foi uma aposta que, com a ajuda dos jogadores, da direção, de todos – até este blog, humildemente, deu sua parcela de apoio ao novo técnico – conseguiu se firmar no cargo. Mas daí a falar em aumento vai uma grande diferença.

Até porque o rapaz já teve um reajuste. Sei lá se ganha 20, 30 mil por mês. De qualquer forma, está excelente para quem ainda está aprendendo os macetes da profissão e ainda se diz discípulo de Muricy Ramalho e Oswaldo de Oliveira. Em outras atividades a pessoa trabalha bem durante um ano, dois, três, para ter um pequeno aumento. O futebol parece a terra prometida de leite e mel. Começou, conseguiu alguma coisinha, já quer mais dinheiro.

Pois, com toda a sinceridade, eu digo que se o Santos não estivesse na penúria em que está, se houvesse muito dinheiro em caixa, Marcelo Fernandes não seria o técnico contratado. Contribuiu demais para sua oportunidade o fato de o clube estar vendendo o almoço para comprar a janta. Espero que, em despeito dos conselhos que deve estar recebendo dos expertos da empresa de Neymar pai, ele não perca de vista que só está no cargo porque é barato e porque o universo santista conspirou a favor dele.

O padrão brasileiro de salários de técnicos de futebol está totalmente fora da realidade. Pelo que sabem, pelo que produzem, pelo que trabalham, os técnicos nacionais jamais deveriam receber salários superiores a, digamos, cinqüenta mil reais por mês. Sei que a experiência, o feeling, o trato com os jogadores é importante, mas um técnico deve ser um especialista em métodos de treinamento, em táticas, em relacionamento com atletas e trabalho em equipe, e isso, quantos treineiros brasileiros são?

Para se manter atualizado com o que se faz de mais moderno no primeiro mundo do futebol, é preciso, no mínimo, entender Inglês e Espanhol para acompanhar as publicações especializadas, participar de congressos, manter contato e intercâmbio com os melhores treinadores do planeta. Se a empresa do pai de Neymar pretende fazer isso com o técnico do Santos, ótimo, mas primeiro realmente faça, mostre resultados, e só depois pense em conseguir-lhe uma melhor remuneração.

Tudo também é uma questão de resultados, de cumprir metas. Ganhar o Paulista foi ótimo, mas o prêmio pela conquista já foi dado e o primeiro contrato assinado. Agora vem a prova de fogo, ou as provas de fogo, que são a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro. A estréia já foi decepcionante, amargando um empate com um time que quase foi rebaixado no Campeonato Catarinense. Agora virá o Cruzeiro, em casa. Vamos desenhando… De acordo com o andar da carruagem veremos até onde vai a competência e o jogo de cintura de Marcelo Fernandes para montar um time competitivo apesar das dificuldades financeiras do clube.

Pois, se já nesses dias, o técnico entrar na sala de Modesto Roma e pedir aumento, acho que não restará outra opção ao presidente do que pegar o celular e chamar o Serginho. E se o Chulapa também quiser ganhar muito, que chame o Pepinho. Em vez de se pagar fortunas aos técnicos, que se reserve o dinheiro para manter os melhores jogadores.

E você, acha que Marcelo Fernandes já merece aumento?


Considerações sobre a demissão de Enderson Moreira

Treino no CT Rei Pelé
O técnico interino Marcelo Fernandes fala com os jogadores que enfrentarão o Botafogo neste domingo (Ricardo Saibun/ SantosFC)

Santos ataca Botafogo com técnico de showbol

Um ex-zagueiro durão, que jogou no time profissional do Santos de 1991 a 1995, atua como técnico do time de showbol da Vila Belmiro e era auxiliar técnico de Enderson Moreira é quem dirigirá o Santos neste domingo, às 18h30, contra o Botafogo de Ribeirão Preto, no estádio Santa Cruz. Marcelo Fernandes, 43 anos, nascido em Santos, terá o auxílio de Serginho Chulapa para comandar o time neste domingo, e manteve a mesma escalação anunciada por Enderson Moreira: Vanderlei, Cicinho, Gustavo Henrique, Werley e Victor Ferraz; Valencia, Renato e Lucas Lima; Geuvânio, Ricardo Oliveira e Gabriel.

O Botafogo também terá técnico novo: Mazola Júnior estreará no lugar de Alexandre Ferreira. O tricolor de Ribeirão Preto, que ainda luta por uma vaga nas quartas-de-final, jogará com Renan Rocha, Roniery, Eli Sabiá, Bruno Costa (Carlos Henrique) e Dênis; Gimenez, André Rocha, André Santos e Rodrigo Andrade; Wesley e Giancarlo. A arbitragem será de Vinicius Gonçalves Dias Araujo, auxiliado por Daniel Luis Marques e Márcio Dias dos Santos.

Leia e comente minha coluna no jornal Metro: “Que despesas diversas são essas, afinal?”

Considerações sobre a demissão de Enderson Moreira

Sem saber exatamente o que conversaram e como foi o ânimo da conversa, fica difícil analisar a justeza ou não da demissão do técnico Enderson Moreira. Há muito boato, mas o que temos de concreto é que Enderson vinha de uma campanha invicta no Campeonato Paulista e o time, apesar das agruras extra-campo, rendia até surpreendentemente bem.

Alguns afirmam que Enderson estaria desagradando os jovens. Fala-se que episódios com Geuvânio e Gabriel o teriam desgastado com o grupo. Os dois jogadores teriam ficado melindrados com a forma ríspida com que foram tratados por Enderson e os companheiros tomaram suas dores. Desculpem-me, mas esta não engulo.

Futebol não é esporte para freiras e nem para homens, ou mulheres, muito sensíveis. Um grito, um palavrão, são normais. Zito cansou de gritar com Pelé em campo e ambos se amam. Perguntei a Pelé, quem, além dele, foi o melhor jogador do Santos, e ele não precisou de um segundo para dizer o apelido do grande José Ely de Miranda. Assisti a um jogo das Sereias da Vila ao lado de Zito e percebi que nem as garotas ele poupava. Zito jamais gostou de perder e o seu jeito de fazer o jogador se esforçar mais era mexer com seus brios.

Acho que Gustavo Henrique às vezes é meio lento mesmo, ou distraído; Geuvânio tem a mania de segurar demais a bola quando a jogada pede um toque rápido, e Gabriel realmente está se achando sem ainda ter feito nada de importante no futebol. Se o técnico não tiver o direito de dar uma dura nessa garotada, quem poderá?

Concordo que esses Meninos da Vila citados merecem atenção, apoio, mas passar a mão na cabeça nunca deu muito certo. Adianto, porém, que não considero Enderson um grande técnico, assim como não morro de amores por nenhum técnico brasileiro. Os poucos vencedores costumam ser exigentes e retranqueiros. Pedem um monte de contratações e depois colocam meia dúzia de volantes. Assim, até eu.

Quem mais entende de futebol é Vanderlei Luxemburgo, mas às vezes escorrega no relacionamento com os jogadores e também não leva tão a sério seus compromissos profissionais. Se resolvesse trabalhar como nos bons tempos, voltaria a nadar de braçada no meio dos treineiros brasileiros.

Não sou fã de Émerson Leão, que deveria agradecer até hoje pelo título brasileiro de 2002 que os Meninos da Vila lhe deram de presente. Também não admiro Dorival Junior, que substitui muito mal e foi campeão duas vezes com derrotas nos jogos decisivos. Porém, adepto da democracia por princípio, aceito o que a maioria quiser e decidir, pois, repito, no Brasil a única divisão de técnicos que existe é entre os caros e os baratos. No frigir dos ovos, são todos a mesma coisa.

Não sei quem o Santos deve contratar e, sinceramente, não estou convicto de que o time mudará muito o seu comportamento com um novo treinador. De qualquer forma, dá para montar uma equipe bem mais jovem com as entradas de Gustavo Henrique, Caju, Lucas Otávio, Lucas Crispim e Gabriel. A questão é encontrar o equilíbrio entre a experiência e a juventude. Enderson apostava mais na experiência e não se pode dizer que estava indo mal. Vejamos o próximo.

Não me peça para arriscar nomes. Acho que Argel poderia ser um dos cotados, mas é disciplinador e talvez melindre os Meninos. Provavelmente Pepinho, o filho do Canhão da Vila, dirija o time neste domingo. Se for bem, não faltarão aqueles que pedirão sua permanência. Para mim, ainda falta um pouco mais para o Pepinho treinar um time profissional.

O que fica evidente com essa demissão é que o Santos quer valorizar seus jogadores da base, provavelmente para depois vendê-los bem. Sem patrocínio máster, sem a esperada campanha de sócios, sem grandes arrecadações, com uma cota de tevê já adiantada e gasta, talvez a saída procurada por esta diretoria seja a venda dos passes fatiados desses Meninos. Aguardemos.

Reveja agora os melhores momentos de Botafogo 1 x 4 Santos, pelo Campeonato Paulista de 2012:

A despedida ao amigo Luciano

Pode-se dizer que a última grande alegria do amigo José Luciano Carvalho foi ser eleito conselheiro do Santos e comparecer a duas reuniões do Conselho. Era um sonho antigo dele viver de perto o clube que amava e contribuir, como fosse possível, para o seu querido Santos.

Luciano era o proprietário da Fator 5, empresa de cosméticos que patrocinou o programa Santos Vivo, apresentado por José Calil, na Rádio Trianon. Com um entusiasmo empolgante, apoiou José Carlos Peres na última eleição do clube. Vítima de câncer, Luciano faleceu na quarta-feira e seu corpo foi velado no dia seguinte, no Cemitério do Carmo, na zona Leste de São Paulo.

Acompanhei os amigos e conselheiros José Carlos Peres e Nilton Ramalho no adeus ao Luciano e no consolo aos seus familiares. Seus filhos, mesmo sem serem santistas, puxaram o coro do hino do Santos, um pedido do eterno menino Luciano. Mais tarde, na reunião do Conselho, em Santos, respeitamos um minuto de silêncio pelas mortes de José Luciano Carvalho e do também conselheiro Leão Vidal Sion.

Permuta do CT Meninos da Vila recusada

Em reunião extraordinária, o Conselho Deliberativo do Santos reprovou a permuta do imóvel onde se localiza o CT Meninos da Vila por uma área a ser cedida pela Leroy Merlin em uma região distante e não urbanizada de Santos. O documento, assinado pelo presidente Odílio Rodrigues no apagar das luzes de seu mandato, estava cheio de buracos e não parecia nada seguro para o clube, que corria o risco de perder um imóvel mais valioso em troca de outro de menor valor e muito mal localizado.

O ideal talvez seja o Santos construir um hotelzinho vertical para os Meninos, a exemplo do hotel dos profissionais, e manter o CT da base no mesmo lugar privilegiado em que está. Já é muito difícil para esses jovens ficarem longe de suas casas, de suas famílias, tentando a sorte no mundo duro e complexo do futebol. Isolá-los no meio do mato aumentaria a sensação de tristeza e lhes diminuiria o ânimo – algo, aliás, que os dirigentes do São Paulo já detectaram nos meninos que treinam em Cotia.

O que você achou da demissão de Enderson Moreira e quem deve ser o novo técnico do Santos?


Ansiedade por garotos craques e por dinheiro para pagar as contas

O santista vive dias ansiosos. Vê o Santos na Copa São Paulo com a esperança de testemunhar o surgimento de novos Pitas, Juarys, Robinhos, Diegos… E ao mesmo tempo faz as contas para que o clube não fique inadimplente. A primeira parte é com os Meninos e só nos resta torcer. A segunda depende de agilidade, criatividade e trabalho, mas parece que a diretoria está optando pelo caminho mais fácil: o de empurrar com a barriga, ou seja, antecipar cotas de tevê.

No campo, mesmo com um jogador a mais durante a maior parte do tempo, o Santos chegou a estar perdendo por 1 a 0, virou para 3 a 1, sofreu mais um gol, e só no final fechou a vitória em 4 a 2 sobre o voluntarioso, mas limitado, Babaçu.

Alguns jogadores santistas têm habilidade, mas o time se embanana quando se aproxima da meta adversária. Falta decisão e uma finalização melhor. Um time treinado por Pepinho, filho do “Canhão da Vila”, tem a obrigação de ter uma melhor aproveitamento nos arremates.

Infelizmente, tive a impressão de que nenhum desses garotos parece pronto para o profissionalismo, se bem que para alguns parece faltar pouco – casos de Serginho, Caio, Matheus Augusto, Fernando… Talvez seja mais uma questão psicológica, uma falta de orientação, o certo é que dificilmente fazem uma jogada perfeita.

Mas alguns não parecem merecer a camisa de titular do Santos. Esperarei os próximos jogos para ter uma ideia melhor antes de descer a lenha. Na sexta-feira o Santos enfrenta o Linense, o time da casa, e se não vencer com folga poderá perder o primeiro lugar do grupo e talvez até ser eliminado. Não me surpreenderia esse desfecho triste, pois este time é bem mais imaturo do que os que deram o bicampeonato da Copa ao Santos.

Como fazer dinheiro em pouco tempo?

Com as contas se amontoando na mesa do presidente, o Santos está fatiando os passes de seus principais jogadores e tentando antecipar cotas de tevê. Isso condenará o time também nas próximas temporadas. Será que não há outro jeito de fazer dinheiro?

As arrecadações, as ações de marketing e uma nova campanha de sócios podem remediar a situação, mas não dá tempo para esperar. Os credores querem os pagamentos para ontem. Os últimos milhões emprestados pela Doyen pagaram só um dos quatro meses de atrasos.

O que não se entende é o clube falando em contratar jogadores. Ora, se não tem nem como pagar os jogadores atuais, por que não dar uma boa enxugada no elenco e experimentar uma equipe mais jovem e barata no Campeonato Paulista?

E você, sabe como o Santos deve fazer dinheiro em pouco tempo?


Neste sábado, às 16 horas, a esperança santista entra em campo

Santos estreia sem gols na Copinha

O Santos dominava o jogo diante de um assustado Penapolense, os canhotos Serginho e Caio controlavam o meio de campo e as chances se sucediam. Caio perdeu uma, Serginho outra, mais uma se foi em um contra-ataque desperdiçado, e a primeira etapa chegou ao final em branco. Veio a sensação de que faltou a Pepinho treinar mais chutes a gol. O time rondou a área adversária, mas foi pouco conclusivo. De qualquer forma, o gol santista parecia uma questão de tempo, mas veio uma chuva forte que encharcou o campo e a partida ficou mais para uma pelada de rugby, em que a valentia temerária dos defensores do time do Interior prevaleceu sobre a tentativa de jogar futebol dos Meninos da Vila. No final, um 0 a 0 preocupante que obriga o Santos, se quiser continuar perseguindo o tricampeonato da Copinha, a vencer o Babaçu, do Maranhão, na próxima terça-feira, e provavelmente vencer novamente o anfitrião Linense no jogo decisivo do grupo (ainda pela primeira rodada do grupo, o Linense venceu o Babaçu por 1 a 0). Não deverá ser uma tarefa fácil. E quanto aos garotos, algum destaque? Por enquanto, prefiro não citar nomes. Vejamos as próximas partidas. Esta, literalmente, passou em branco.

Atual bicampeão do torneio, o Santos do técnico Pepinho estreia na prestigiosa Copa São Paulo de juniores neste sábado, às 16 horas, diante do Penapolense, com transmissão do Sportv e narração do pé quente Odinei Ribeiro. Sem dinheiro para grandes contratações nessa temporada, o Alvinegro Praiano mais uma vez voltará seus olhos e sua esperança para seus Meninos da base. Assim, do goleiro João Paulo, ao atacante Matheus Augusto, todos serão analisados com atenção redobrada.

Pepinho comanda a mesma comissão técnica do ano passado e também adotou o mesmo esquema cinco semanas de preparação, divididas em resistência de jogo, trabalhos de força para dar mais potência e velocidade e exercícios específicos para alguns jogadores. O time é bem jovem, pois quase todos os atletas têm menos de 18 anos. Neste ano a Copa São Paulo, ou Copinha, só aceita jogadores com menos de 19 anos.

O Santos deve entrar em campo com João Paulo, Patrick, Lucas, Sabino e Lucas Ybom; Bruno, Fernando Medeiros e Serginho; Caio, Claudinho e Matheus Augusto. Há ótimas expectativas com relação ao goleiro João Paulo, o volante Fernando Medeiros e o meia Caio. Outro destaque, o volante Thiago Maia, desfalcará o time pois foi convocado para a Seleção Brasileira Sub-20. No seu lugar Pepinho deve improvisar o zagueiro Bruno.

O Santos está no Grupo D, com Penapolense, Linense e Babaçu, do Maranhão. Todos os jogos do grupo serão realizados no estádio Gilberto Siqueira Lopes, o Gilbertão, em Lins. Só um clube se classificará para a fase seguinte.

As muitas maneiras de encarar esse início de ano do Santos

Esse complicado início de ano está dividindo os santistas. Alguns vêem um desígnio dos deuses do futebol nessa dificuldade financeira que obrigará, mais uma vez, o clube a lançar mão de seus Meninos da Vila. Estes são os otimistas, que já adivinham um time jovem e promissor surpreendendo os favoritos, como já ocorreu tantas vezes na história santista.

Há, também, o tipo de torcedor que pode ser definido como “realista esperançoso”, só para usar um termo popularizado por Ariano Suassuna. Eu me incluo neste time nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Sei de todas as dificuldades, dos equívocos, dos erros – intencionais ou não –, mas, além de ser extremamente enfadonho seguir enumerando-os todos os dias, como se eu fosse um ser perfeito e o dono da verdade, reservo-me o direito de sonhar com dias melhores e de nunca perder, totalmente, a fé nas pessoas.

Por fim, há aqueles – felizmente raríssimos – que só vêem problemas e obstáculos insuperáveis e apostam que o Alvinegro Praiano viverá um ano de sofrimento e vergonha, se tornará um time pequeno e jamais se recuperará… Não consigo entender, aliás, qual o interesse dessas pessoas de continuar torcendo para um time que lhes traz tanto amargor e constrangimento. Que tirem umas férias como torcedores, deixem o Santos para os de caráter mais sólido, e voltem apenas quando o pior passar e ser torcedor de um time de futebol se torne uma tarefa mais agradável.

Porém, como lembra a Suzana, lá no fundo todos tentam fazer o melhor, e se o melhor para esses santistas amargurados é criticar tudo e todos, continuarão agindo assim indefinidamente, pois essa atitude está mais ligada às suas questões internas do que ao Santos ou a qualquer outra coisa. Enquanto não vencerem seus desafios interiores, enquanto não conseguirem sentir paixão pela vida, não conseguirão extrair do futebol a beleza, a emoção e o mistério que perduram, mesmo diante das maiores dificuldades.

Seja como você for, volte aqui para analisar a estréia dos Meninos na Copinha, tá?


A popularidade de Robinho. E os críticos de prancheta

Hoje à tarde a volta de Robinho e a grande rivalidade entre Santos e Corinthians darão o maior ibope deste Campeonato Brasileiro.

Veja como os Meninos do Santos foram campeões na África do Sul:

Santos vence Benfica por 2 a 0 e é campeão em Durban

João Igor, o herói do título

A equipe Sub-19 do Santos, orientada por Pepinho, filho do grande Pepe, venceu o Benfica por 2 a 0, com dois gols de João Igor, que entrou no segundo tempo, e se tornou campeã do Torneio de Durban, África do Sul. Mais do que a vitória e o título internacional, os meninos do Santos espalharam alegria na África do Sul e sentiram um pouco do carinho que o grande Santos sentiu quando jogava pelos cinco continentes. Este é o destino do Santos – ser um time do mundo e cativar torcedores de todo o planeta. Isso foi esquecido ou abandonado, mas precisa voltar. Veja e se emocione com uma visita dos Meninos da Vila a uma escola de Durban:

Confira aqui a cobertura no site Supersports, da África do Sul

A popularidade de Robinho. E os críticos de prancheta


Quem não gosta de Robinho e de Neymar provavelmente não teria gostado de Garrincha

Quando voltou ao Santos, em 2010, Robinho, como todos sabem, estreou fazendo, de letra, o gol da vitória diante do São Paulo. Na saída, um repórter ouvia pequenos fãs que esperavam pelo autógrafo do ídolo. Entre os meninos, havia um com a camisa do São Paulo. O repórter lhe perguntou: “Mas você não é são-paulino? Por que quer o autógrafo do Robinho?”. Ao que o garoto, demonstrando uma espontaneidade e uma sabedoria que geralmente escapam das mesas redondas das tevês, respondeu, com um sorriso: “Ué, Robinho é Robinho, né?”.

É difícil encontrar essa mesma sensibilidade em um jornalista, mas há muito tempo conversei com um que a tinha. Não me lembro exatamente quem foi, mas me recordo em detalhes a sua expressão sincera e arrebatada ao falar da dificuldade de ser um jogador de futebol: “Pô, os caras analisam como se jogar futebol fosse fácil. Eu acho que uma das coisas mais difíceis do mundo é ser jogador de futebol. Já pensou entrar naquela estádio lotado, os caras querendo te arrebentar, e você ter de dominar a bola, correr, fazer jogadas, gols… Pô!… (ele sorria, sarcástico, como se interiormente completasse: “Esses caras não sabem de nada!”).

Veja o desafio a que Robinho se impôs: o de ser um artista, um criador de jogadas, um criativo em meio a um bando de burocratas militarizados com a faca dos dentes. Sim, pois hoje o futebol é isso. Trocentos zagueiros, trocentos volantes, todo mundo ajudando na marcação, todos com ordem de matar o contra-ataque adversário, nem que seja na porrada e só um ou outro para fazer o que o torcedor realmente quer, que é o drible, o gol, a irreverência. Robinho, meus amigos, é um sobrevivente.

É importante que haja jornalistas esportivos especializados em números e estatísticas. Também é interessante que existam outros essencialmente críticos, como se estivessem sempre mal-humorados. Das críticas sempre se tira algo proveitoso. Porém, se todos forem assim, as pré-históricas mesas-redondas da tevê virarão uma chatice. Foi o que ocorreu sexta-feira na ESPN.

Não me pergunte o nome do programa. Estava zapeando entre o clássico “O Encouraçado Potemkin”, um documentário sobre Luis Carlos Prestes e o jogo entre Roger Federer e David Ferrer, quando me deparei com o programa comandado pelo José Trajano. Falavam de Robinho. Fiquei pra ver. E percebi o que muitos leitores do blog também perceberam: a má vontade, a indiferença, a quase falta de respeito com um ídolo popular do nosso combalido futebol.

Clubismo? Falta de respeito com um ídolo do Santos? Não chegarei a tal ponto. Mas posso afirmar que se meus colegas de ESPN julgassem todos os jogadores brasileiros com a mesma severidade com que julgaram Robinho, sobraria muito pouca gente para contar a história.

Um jogador que está há nove anos na Europa – jogou três anos no Real Madrid, dois no Manchester City e está desde 2010 no Milan – e recebe um salário equivalente a um milhão de reais por mês, está muito longe de ser um fracassado. Não foi o número um do mundo, como queria, e como todos nós queríamos, mas daí a dizer que passou em branco pelo continente que tem os mais poderosos clubes do planeta, vai uma grande diferença.

Se usarmos o mesmo rigor para analisar a passagem de outros brasileiros pela Europa, como faríamos para definir o estágio de Sócrates, que jogou apenas um ano pela Fiorentina, em 1984/85 e em 25 jogos dez apenas seis gols (um a menos do que marcou pelo Santos em 1988/89)? Ou Junior, que entre 1984 e 1989 defendeu os pequenos Torino e Pescara e voltou para o Flamengo sem nenhum título, nem mesmo em torneios regionais? Ou Roberto Dinamite, que ficou apenas uma temporada no Barcelona (1979/78), fez 8 gols em 17 jogos e voltou correndo para o seu Vasco? Ou mesmo Zico, que defendeu apenas o humilde Udinese por dois anos e, por não receber proposta de nenhum grande europeu, voltou para o seu eterno Flamengo?

Está certo que nos quatro anos em que defendeu o Santos, Robinho fez mais gols (94) do que nos nove de Europa (81), mas mesmo assim seu desempenho no futebol europeu não pode ser desprezado. Foi seis vezes campeão, três pelo Real Madrid e três pelo Milan.

Sem contar sua participação na Seleção Brasileira, pela qual fez 102 jogos (8 pela Sub-23) e marcou 32 gols (3 pela Sub-23). Em 2007 foi artilheiro (6 gols) e considerado o melhor jogador da Copa América, vencida pelo Brasil. Também foi bicampeão da Copa das Confederações, em 2005 e 2009.

E Robinho é o tipo de jogador que não pode ser analisado apenas pelo currículo. Ele pertence a uma classe especial e em extinção, que é aquela que reúne os artistas, os palhaços, aqueles que fazem rir com arte. Ele, como Neymar, é da mesma estirpe de Garrincha, capaz de alegrar o povo sem fazer gol. É isso o que faz tão querido pelo torcedor comum, mesmo pelo adversário.

E veja que, ao contrário de Garrincha, Robinho levou o seu time, o Santos, a dois títulos brasileiros e a uma final da Libertadores, enquanto o título mais importante que o grande Mané ganhou com o seu Botafogo foram três estaduais. Por aí se vê que os números, o currículo, nem sempre definem a relevância da carreira de um jogador.

Na verdade, todos esses jogadores que citei foram grandes, enormes mesmo, para o futebol brasileiro, e é isso que mais deveria interessar aos jornalistas esportivos nesse momento de penúria, e não o desempenho que tiveram na Europa. Quem está com o pires na mão, quem não tem ídolos e nem jogadores carismáticos, quem vê seus times mais populares caindo pela tabela, o público se afastando dos estádios e da tevê, é o pobre futebol que já se considerou o melhor do mundo.

A volta de Robinho ao Brasil deveria ser saudada ao menos como um sinal de esperança, pois, ao contrário de outros que, como o salmão, sobem o rio e voltam às origens para terminar sua história, Robinho ainda tem físico e habilidade para mostrar um futebol que não se vê mais por aqui. E se Alex, aos 36 anos, pode ser uma das últimas reservas de categoria e inteligência que ainda se vê em nossos campos, Robinho ainda tem alguns anos de boa lenha para queimar.

Será que o Robinho está em forma?

E pra você, como a imprensa tem tratado a volta de Robinho?


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