Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Planejamento

Como será daqui a 100 anos?

Eu e Suzana, às vezes, fazemos um metódico exercício de planejamento para o futuro. Nele, nós nos sentamos, com tempo para divagar, e, em vários aspectos, principalmente com relação aos nossos projetos pessoais e conjuntos, estabelecemos metas e tentamos responder à seguinte pergunta: Como queremos estar daqui a cinco anos?

Posso garantir que só o fato de mentalizar um objetivo já o torna mais palpável, pois começa a ocorrer o que se chama foco. Temos conseguido progressos que dariam um livro de autoajuda. Claro que essa estratégia serve tanto para casais, quanto para solteiros, pessoas físicas, jurídicas e até sem fins lucrativos, como é o caso de um time de futebol. Enfim, não dá para viver sem metas, sem nenhum planejamento.

Neste mesmo blog há muita gente que gasta horas e neurônios para discutir os problemas do Santos e propor-lhes solução. Destes, o amigo Douglas, que aqui assina como “Eu não sou o Bozo”, tem se destacado por esmiuçar os boletins financeiros dos jogos do Santos e mostrar o desequilíbrio entre receitas e despesas nesses eventos. O mesmo Bozo compara os programas de sócios de vários clubes brasileiros e mostra como o nosso querido Alvinegro Praiano está ficando para trás nesse quesito. Finalmente, um dia desses, Bozo lembrou que o Atlético Paranaense criou um plano para chegar ao título mundial em dez anos.

Considero impossível prever títulos, ainda mais um dessa grandeza, mas só de se propor a uma meta tão ousada, o grande clube do Paraná merece elogios, pois isso exigirá disciplina, eficácia e muito trabalho. Lembro que desde que caiu para a Série B o Atlético Paranaense tem seguido à risca um plano de recuperação de suas finanças, e hoje é um dos clubes da Série A mais saudáveis nesse aspecto, além de manter boas performances em campo.

O nosso Santos em 2115

Nosso Santos, por outro lado, não sabe nem o que tomou ou comeu no café da manhã. Em vez daqueles imensos e modernos navios que vemos no porto, vivemos como em uma jangada, ao sabor das marés e dos ventos. Temos um universo de milhões de torcedores, mas o clube não cria uma campanha nacional de associação em massa; estamos ao lado da cidade mais rica da América Latina, com um milhão e meio de santistas e um grande e histórico estádio abandonado, mas fazemos clássicos de tradição para cinco mil torcedores. E, o pior, temos uma direção que não dá satisfação de seus atos.

O pedido de quase 40 conselheiros para que o time fizesse mais jogos em São Paulo foi solenemente ignorado. Vão alegar que faltava a assinatura de cada um dos conselheiros. Ora, papo furadíssimo. Não é hora de apelar para a burocracia, senhores. É hora de se pensar na sobrevivência e no futuro do Santos. É hora de se respeitar as pessoas eleitas pelo voto do associado.

Como esse governo que dirige o País está mostrando, se você gasta mais do que arrecada, obviamente um dia quebrará. E o Santos tem acumulado déficit em cima de déficit. Se não reduzir as despesas e aumentar as receitas, entrará logo, logo, em estado falimentar, ganhando ou perdendo seus jogos em campo.

O ideal, para o nosso Santos, seria um planejamento não para dez, mas para os próximos cem anos. Para começar, não só a direção atual, mas todas as lideranças políticas que almejam assumir o clube em algum momento, deveriam se reunir e redigir uma carta de intenções que estivesse acima das vontades e vaidades de cada um.

O Santos não pode mais suportar as idiossincrasias, a teomania e o autoritarismo de cada presidente que o dirige. É preciso que todos ao menos sigam um plano estratégico básico que responda à crucial pergunta: como queremos o Santos daqui a 100 anos?

Uma homenagem a todos os underdogs do mundo:

Time dos Sonhos
Acabou na noite de sexta-feira a campanha de financiamento coletivo para a reimpressão do livro Time dos Sonhos. A edição terá 1.000 exemplares. Os participantes serão informados sobre o coquetel de lançamento e o bate-papo com os pesquisadores da história santista. As despesas de correio, para a entrega do livro, já estão pagas. Como foi dito, o livro pagará royalties e cederá 50 exemplares ao Santos Futebol Clube, além de outros exemplares à imprensa, pesquisadores e jogadores do Santos. Agradeço a todos que participaram e garanto que passarão bons momentos desfrutando da rica história santista. Os exemplares restantes serão vendidos nas lojas do Santos pelo preço de 120 reais.

E você, como quer o Santos em 2115?


Os sete desafios do Santos

Não, não me refiro ao São Paulo, nesta quarta-feira, às 22 horas, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro, e tampouco ao duelo contra o Figueirense, pelas quartas-de-final da Copa do Brasil. Falo de desafios maiores, mais abrangentes e duradouros, falo de um plano estratégico para o Santos crescer, como clube, e se manter no mais alto nível por todo o sempre. Isso será impossível, porém, enquanto algumas pendências não forem resolvidas. Para mim, as principais são as seguintes:

1 – Tornar-se especialista em eventos de futebol

A razão de existência do Santos é jogar futebol. Como se costuma dizer, o Alvinegro Praiano pode ser resumido a 11 camisas. É, dos clubes tradicionais brasileiros, o que tem a menor estrutura poliesportiva e social. Portanto, algo obrigatório no Santos é ter uma equipe de profissionais altamente especializados em organizar jogos de futebol, e isso inclui o relacionamento com sócios, torcedores, patrocinadores, jornalistas, fornecedores. E inclui também, principalmente, a administração das despesas e receitas. O Santos não pode continuar tão ineficiente a ponto de ser o clube com a menor lucratividade e a maior taxa de despesas diversas do futebol brasileiro.

2 – Aumentar, permanentemente, suas fontes de renda

O Santos é o produto e o torcedor santista é o consumidor. Há milhões deles espalhados pelo País, mas concentrados, principalmente, na Grande São Paulo, Baixada Santista, Interior de São Paulo, Sul de Minas Gerais, Norte do Paraná,Leste de Santa Catarina e Sul do Mato Grosso do Sul. Muitos adorariam contribuir para que o clube seja do tamanho de seus sonhos. Essa contribuição pode se dar não apenas comprando produtos oficiais do time, mas tornando-se sócio. Veja que se um dia o Santos tiver 100 mil sócios pagando 30 reais por mês, isso resultará em um total de três milhões mensais, ou 36 milhões brutos por ano. É impossível? Claro que não. Contratem um especialista no ramo que ele consegue. Nessa questão há, ainda, um universo de possibilidades que podem e devem ser pensadas e implementadas pelo marketing. Esta é uma área que exige extrema competência e dedicação absoluta. Uma pergunta: se o grande mercado financeiro e publicitário do Brasil está em São Paulo, por que o marketing do Santos continua, preguiçosamente, sediado embaixo das arquibancadas da Vila Belmiro?

3 – Definir a questão do estádio

Na Baixada Santista ou na Capital, em que lugar o Santos atrairá mais torcedores e terá maior lucratividade mandando os seus jogos? Para que as paixões regionais não influam, sugiro a contratação de uma empresa de marketing competente e neutra. Sei que a construtora que faria o estádio em Diadema, após pesquisa de mercado, chegou à conclusão de que ele deveria ser ali para ficar no meio do caminho entre a Capital e Santos. Segundo os estudos dessa empresa, em 2004 o Santos tinha 1,5 milhão de torcedores em São Paulo e 500 mil na Baixada Santista. Como a viabilidade do estádio dependia, em um primeiro momento, da venda de camarotes, e a empresa tinha detectado que 80% dos prováveis compradores de camarotes viviam em São Paulo, o estádio tinha de ser mais perto da metrópole. Porém, e se a Prefeitura de Santos, hoje tocada pelo santista fanático Paulo Alexandre Barbosa, assumisse o projeto de uma moderna arena municipal para, digamos, 30 mil pessoas, que pudesse ser utilizada pelos clubes profissionais da cidade, entre eles o Santos, e também servisse para os eventos do município e da região? Afinal, só a soma das populações de Santos, São Vicente, Guarujá e Praia Grande dá 1,1 milhão de pessoas, com mais de 400 mil torcedores do Santos. O que não se pode é ficar empurrando a questão com a barriga. Se é um alçapão o que se quer, que se projete um novo estádio com essas características, mas o que não se pode é deixar de crescer pela limitação a um palco bem aquém do potencial de sua torcida.

4 – Quitar suas dívidas

Como a maioria dos clubes brasileiros, o Santos se conformou em ser uma agremiação deficitária, como se a má administração e o eterno endividamento provocado por ela fossem um mal impossível de ser evitado, ou tratado. Não precisa e não deve ser assim. Com as novas leis que regem o futebol, um clube endividado correrá sérios riscos de perder seu patrimônio e de amargar graves prejuízos técnicos e de imagem. Até o rebaixamento está previsto aos maus pagadores e, sabemos muito bem, essa pena só será aplicada aos clubes que não fazem parte dos privilegiados pelo sistema. Tentar conviver com uma dívida de 400 milhões de reais, que cresce a cada mês devido aos juros, é viver no fio da navalha. É preciso reduzir drasticamente esse passivo, ou, repito, o risco será enorme.

5 – Evitar a falência

Esse desafio parece ser o mesmo do anterior, mas é mais grave. Dívidas os clubes brasileiros sempre tiveram, sem que corressem o risco de fechar as portas. O Flamengo já deveu, e talvez ainda deva, um bilhão de reais, e está aí, todo faceiro, fazendo seus golzinhos de mão, sem que jamais peçam sua falência. Nem todos os clubes, porém, terão a mesma complacência de nossa legislação e de nossos imprevisíveis órgãos públicos. O exemplo do Guarani, um dos melhores times brasileiros entre o final da década de 1970 e meados da de 1980, está aí para servir de alerta. Uma das situações que gera a falência é a incapacidade de pagar as causas trabalhistas, mesmo desfazendo-se de seu patrimônio. Na verdade, a partir de um certo momento o clube é proibido de vender seus bens para pagar as dívidas trabalhistas, pois estes ficam imobilizados pela Justiça e precisam passar por uma avaliação e um leilão, processo que reduz drasticamente o seu valor real. Digamos, por exemplo, que a Chácara Nicolau Moran valha 200 milhões de reais e o Santos precise desse valor para quitar causas trabalhistas. Se o imóvel não for vendido antes dos processos, depois terá de passar por uma avaliação e por um leilão público, que acabarão reduzindo o valor do imóvel em mais de 50%. Foi assim, por exemplo, que nem a venda do Estádio Brinco de Ouro salvou o Guarani.

6 – Definir sua posição política

O sistema político vigente no futebol brasileiro interessa ao Santos? Essa relação com a Rede Globo e a CBF são benéficas ao clube? Essa é uma questão crucial para o destino do Alvinegro Praiano e não pode ser empurrada com a barriga. Nos grandes mercados mundiais do futebol, as ligas de clubes assumiram o lugar das confederações e federações no comando do esporte. Na verdade, no Brasil federações estaduais e a CBF funcionam como esses sindicatos que a gente nem sabe para que servem, mas vivem das taxas tiradas de patrões e funcionários. Se não existissem federações e nem CBF, os clubes seriam mais ricos, ou menos pobres, e poderiam reger com maior planejamento o seu destino. Onde já se viu o Santos perder o seu principal jogador para essa série de jogos caça-níqueis da malfadada Seleção Brasileira? Enfim, a Liga é essencial. Porém, se o Santos escolher aceitar o sistema atual, controlado pela tevê e pela CBF, que ao menos saiba os motivos pelos quais está tomando essa decisão. O que não pode é deixar como está para ver como fica.

7 – Elaborar seu calendário com antecedência

Um dia o presidente diz que o time vai fazer tantos jogos em arenas, tantos no Pacaembu e muitos na Vila Belmiro. Chegam as datas e a equipe não sai do velho Urbano Caldeira, lugar preferido dos jogadores e do técnico. Essa improvisação é muito prejudicial para o clube. Um calendário de jogos planejado e divulgado com antecedência permitiria à comissão técnica e aos jogadores um plano mais racional de trabalho, geraria mais ações de propaganda e merchandising, facilitaria as pautas da imprensa e, o que é essencial, propiciaria maior acesso de torcedores aos jogos. Seria possível até criar o tão sonhado carnê de ingressos para todo o campeonato, um dos segredos da grande média de público nas competições europeias.

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E você, teria outro desafio a acrescentar ao Santos?


Muricy Ramalho – Culpado ou inocente?

Acompanhando as discussões vejo que muitos criticam os jogadores por sua ruindade, outros a diretoria por causa do planejamento, mas uma quase unanimidade é o técnico Muricy Ramalho. Tanto que foram muitos os textos enviados relacionados ao técnico santista. Para não espalhar os comentários, que em tese vão estar relacionados, vou convergir os textos em um só post, assim a discussão do tema poderá fluir melhor. Confiram as colaborações de nossos leitores:


Muricy Ainda é Cara de Pau!
Por J M Rosseto

Muricy declara: “Perdí Elano e Ganso ao mesmo tempo, faltou gente pra cadenciar o time”.
Que cara de pau do Muricy, o Elano simplesmente deixou de jogar seu autêntico futebol em abril de 2011, justamente quando ele assumiu o Santos. Quem liberou o Elano foi ele.

Não consegue dar padrão de jogo ao time. Reclama de plantel. Mas tem em mãos um elenco infinitamente melhor que todos que estão abaixo e estão acima do Santos na tabela até o oitavo colocado Botafogo.

Não conseguiu fazer o time jogar contra times medíocres ao longo do campeonato.

Vejamos, contra o Bahia perdeu em casa e empatou fora, menos 5 pontos; Contra o Sport empatou em casa e perdeu fora, idem; Contra a Lusinha empatou em casa e perdeu fora, idem, já são 15 pontos jogados na lata do lixo. Contra o Coritiba empatou em casa, menos 2 pontos, idem contra Botafogo, Atlético-GO, todos no primeiro turno, são mais 6 pontos na lata do lixo.

Contra o Náutico foi patético e escandaloso a entrega dos 3 pontos lá. Assim como foi no último domingo contra a Macaca. Veja bem, um time que deixa de ganhar 27 pontos em jogos pra lá de fáceis como citei não pode chegar a lugar nenhum.

A culpa é única e exclusiva de Muricy. Porque mesmo sem Neymar era obrigação ter ganhado estes jogos. O Santos com 42 pontos somaria 27 pontos mais e estaria junto com Flu na liderança do Brasileirão. A diretoria contratou mal, óbvio. Mas foi o Muricy que quando não indicou foi o avalista nas negociações. Portanto, 80% da culpa cabe a ele.


Manual de Entrevista com o Muricy
Por Eros Silva

Aproveitando o momento estéril do Santos, em que os mesmos problemas e questionamentos abarrotam caixas de comentários e redes sociais, vou tentar algo mais prático.

Sim, porque infelizmente não temos o poder de um cara-a-cara com o técnico, como os repórteres de campo e os de coletiva. Mas podemos sugerir. Estes momentos podem revelar muita coisa.

Resumindo, vou tentar ajudar aqueles que têm o poder de perguntar, mas não o de contestar, nem de pensar, a fazerem boas perguntas. A ideia é evitar o senso comum, as perguntas “pagas”, as perguntas óbvias, o desvio do foco etc. É de graça.

Olha só como é fácil ludibriar um técnico enganador e incompetente, elogiando seu trabalho e seu time, camuflando erros grotescos, fingindo admiração, interesse e arrancando as respostas certas, aquelas que escancaram os erros do Comitê Indigestão, do LAOR e do próprio técnico, também conhecido como cúmplice.

Algumas poderão sofrer o rancor e as respostas sem educação do Muricy, sua já consagrada muleta. Mas, pelo menos, servirá para colocá-lo em situações constrangedoras, já que “aceitou” o astronômico salário para ficar quieto e inventar desculpas, só esperando que 2012 acabe logo e que a promessa engenhosa, duvidosa e arriscada da diretoria, de um novo Santos em 2013, seja posta em prática.

Todos sabemos que, se um jornalista faz, recorrentemente, perguntas muito apimentadas, muito maliciosas, capciosas, ele não participa mais das coletivas. Ou não entra mais em campo. Por isso acho que poucos terão peito ou caráter para questionar o Muricy.

Mesmo assim, aí vão as perguntas com terceiras intenções. Torço para que um, unzinho sequer, chegue perto de alguma das perguntas criadas abaixo.

– Muricy, os três principais volantes do Santos, Arouca, Henrique e Adriano, evoluíram muito sob seu comando, porém não chutam a gol. Não caberia um treinamento específico para corrigir esse defeito?

– Após sua chegada ao Santos, o futebol do Rafael cresceu e ele chegou à Seleção. Mas continua com defeito em sair do gol. Na maioria das vezes, nem sai. Não caberia um treinamento específico ou é caso perdido?

– Gustavo Henrique e Jubal provaram na Copa SP e provam nos treinos que são zagueiros técnicos, que evitam chutões desnecessários e priorizam o toque de bola. Uma filosofia moderna e vitoriosa como a sua não precisa de jogadores assim?

– Mesmo nas suas piores campanhas, o Santos costumava ir pra cima do adversário na Vila Belmiro. Essa nova cara que você deu ao time, coroada com títulos, não fez o Santos perder a identidade do time que mais gols fez no mundo?

– Muricy, o Santos está com muito azar nas laterais, por conta de contusões, improvisos e atuações apagadas. Não há outra alternativa? A base está errando na formação de laterais?

– Em 2013, o Santos pretende contratar, já que está com dinheiro em caixa. Você já está pensando na lista de dispensa?

– Victor Andrade é uma das grandes promessas do futebol brasileiro, apesar da irregularidade. Colocando-o para jogar esse ano, você alavancou a carreira do menino. Mas hoje ele perde a posição para Miralles, Bill e André. Ele tem muito ainda a aprender?

– A torcida do Santos gosta muito do seu trabalho e seu relacionamento com os jogadores é ótimo, apesar da má fase e de você não gostar de lançar ninguém da base. Se um dia você pedir demissão, do que você terá mais saudades?

Sei que cabem mais perguntas…


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