Blog do Odir Cunha

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O craque Robinho perdeu para o populismo

Contra um queridinho da mídia, todo cuidado é pouco

Sabe aquelas expulsões nebulosas, aqueles pênaltis mandrakes, aquelas agressões que o juiz não vê, aqueles gols absurdamente anulados, ou validados? Pois é. Essas coisas geralmente acontecem a favor dos dois queridinhos da mídia, da CBF e do governo. Por isso, todo cuidado é pouco neste sábado, a partir das 16h20m, no Maracanã, quando o Santos enfrentará o Flamengo do professô Luxemburgo.

Time por time, dá para ser um jogo equilibrado e até terminar com uma vitória santista, mas a gente sabe que nessas partidas contra os dois privilegiados, nem só o futebol resolve. O trio de arbitragem será baiano. O sr. Marielson Alves Silva será auxiliado por Alessandro Rocha de Matos (Fifa-BA) e Luiz Carlos Silva Teixeira. Que façam um trabalho correto e honesto.

O técnico Enderson Moreira deve repetir o time que no meio da semana bateu o Botafogo por 3 a 2, no mesmo Maracanã, pela Copa do Brasil. O Glorioso Alvinegro Praiano provavelmente entrará em campo com Vladimir, Cicinho, Edu Dracena, David Braz e Mena; Alison, Arouca e Lucas Lima; Robinho, Geuvânio e Leandro Damião.

O rubro-negro carioca, um pouco atrás do Santos na classificação do Brasileiro, terá Paulo Victor, Leonardo Moura, Wallace, Samir e João Paulo; Victor Cáceres, Márcio Araújo, Héctor Canteros e Everton; Gabriel e Alecsandro.

Minha coluna no jornal Metro:
Por que a Espn e o Sportv torceram para o Botafogo contra o Santos?

Na quinta-feira à noite, no emblemático Maracanã, Robinho marcou dois gols de extrema categoria contra o Botafogo, tabelando na entrada da área e tocando, com tranquilidade, na saída do goleiro da Seleção Brasileira. Com isso, chegou a 101 gols só pelo o Santos, próximo de 200 na carreira.

Graças ao talento e ao sangue-frio de Robinho o Santos venceu um respeitável adversário fora de casa, dando um passo importante para chegar à semifinal da Copa do Brasil. Entretanto, quem lesse os jornais de ontem, ou acompanhasse certos programas de tevê, ou rádio, acharia que o grande personagem do futebol brasileiro na quinta-feira foi o atacante Guerrero, o peruano que atua no Alvinegro de Itaquera.

Qualquer criança sabe que fazer dois gols é melhor do que fazer um; que Robinho é o melhor atacante em atividade no Brasil – com dois títulos brasileiros, uma Copa do Brasil, um Paulista, participação em duas Copas do Mundo e ainda chamado, e não dispensado, pela Seleção Brasileira. Vai fazer 31 anos no dia 25 de janeiro, mas ainda é 24 dias mais jovem do que Guerrero, que fará aniversário no primeiro dia de 2015.

Robinho é craque, pela habilidade, visão de jogo, e personalidade. Aos 18 anos pedalou, colocou a bola embaixo do braço e decidiu um título brasileiro contra o alvinegro da capital. Guerrero é um jogador limitado que às vezes faz gols, quase sempre de cabeça, tem bem menos títulos, fez menos gols na carreira (30 a menos do que Robinho) e é um atacante tão descartável da humilde Seleção do Peru, que foi dispensado do próximo jogo de sua equipe. É badalado no Brasil simplesmente porque joga no time que parte da imprensa esportiva resolveu badalar, seguindo a perniciosa tendência populista que nosso País amarga no momento.

Imagine se Robinho jogasse no time do sistema. Na sexta-feira ele teria foto de corpo inteiro nas primeiras páginas de todos os cadernos esportivos e os comentaristas não cansariam de dizer que ele deve ser o titular da Seleção de Dunga, pois está ainda melhor do que quando surgiu no Santos, já que agora, além da habilidade, tem mais liderança, visão de jogo e tranquilidade.

Para completar a notícia, ainda haveria o fato de ter sido expulso absurdamente. Se os programas de esporte gastam tanto tempo falando sobre nada, imagine se decidissem analisar com profundidade a expulsão do atacante santista… Pois é. Mas a determinação é falar do time considerado mais popular, com ou sem notícia. E assim, essa mania de topar tudo pelo Ibope está desmoralizando a imprensa esportiva brasileira.

Trabalhei anos em veículos conhecidos da imprensa esportiva (Jornal da Tarde, jornal O Globo, rádios Globo, Record, Boa Vontade), fui diretor cultural da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo, e fico sinceramente triste com essa preocupação excessiva da imprensa paulista de tentar agradar a maioria, prática que não combina com o bom jornalismo, pois acaba distorcendo os fatos e os méritos do esporte.

O feito de Robinho foi muito mais importante para o futebol brasileiro, do que o do atacante peruano que atua no alvinegro de Itaquera. Só não viu quem não quis, não entende de futebol ou é mal intencionado. Mas é importante que ao menos os santistas saibam disso.

Entrevista de José Carlos Peres no jornal A Tribuna de Santos

E você, o que achou das performances de Robinho e Guerrero na quinta-feira?


Para a TV populista, os currículos de Santos e Inter não valem nada

O Internacional, campeão da Copa Libertadores em 2010, estreou na competição, semana passada, sem a presença da tevê. Amanhã, na Bolívia, o atual campeão da Libertadores, o Santos, também estreará – contra o Strongest – sem tevê aberta e talvez nem mesmo a fechada. Enquanto isso, um certo time, parceiro da Globo e apadrinhado pelo ex-presidente da República, terá todos os seus jogos às quartas-feiras, no horário nobre da tevê.

Quem lê este blog não está espantado com isso, pois sabe dos desejos inconfessos da Globo e do poder político deste País de espanholizar o futebol brasileiro. Se os dois últimos campeões da Libertadores podem ser tratados com tamanho desprezo, se o privilégio do alvinegro paulistano é tão flagrante, é porque vivemos no País em que o mérito, qualquer que seja, vale muito pouco, enquanto a influência política – e econômica – predominam insolentemente.

Enquanto os santistas, que têm o orgulho e a felicidade de torcer para o atual campeão das Américas – time de Neymar, o grande jogador do continente -, terão de sair catando a transmissão do jogo de seu time pelo rádio ou Internet, os torcedores do time que em 101 anos jamais ganhou um título internacional, terão à sua disposição o cobiçado horário que vem depois da novela.

É uma vergonha que em pleno século XXI a TV brasileira seja dominada por critérios tão inescrupulosos, por pessoas tão mal intencionadas, por valores tão desprezíveis. Que mensagem essa decisão está passando para a população brasileira? Que qualidade, que currículo, não valem nada. Que o que interessa é a quantidade, o discutível ibope.

No dia em que os ladrões forem maioria neste País, ser honesto passará a ser crime? Pelos populistas, provavelmente sim. Se a maioria dita as normas, então de que valem a justiça e a ética? Por isso é que torcedores de todos os outros times prejudicados não devem assistir mais a jogos dos dois privilegiados, principalmente do queridinho do “puder”, o alvinegro paulistano.

A única linguagem que um dinheirista amoral entende é a dos ganhos e perdas financeiras. Por isso, apenas reduzindo o ibope desses times é que haverá uma chance de se tentar um novo caminho para o futebol brasileiro. Do jeito que está, não haverá esperança.

Pressinto que logo, logo, a pressão política e financeira entrará em campo também na Libertadores, que até agora foi imune aos conchavos que se vê no Brasil. Está cada vez mais perto o dia em que o time que já foi campeão tantas vezes por influências externas, também chegará ao seu título internacional levado por decisões confusas de árbitros e entidades.

É uma vergonha que assim seja, mas é a realidade. Em muitos aspectos o futebol brasileiro regrediu. Terá estádios novos e uma grande maquiagem para a Copa do Mundo, mas nos bastidores a situação é tão ou mais suja ou confusa como sempre. Há um time que querem fazer campeão na marra. Há outros, como Santos e Inter, que apenas jogam futebol.

Quer falar com a Globo? Mande e-mail para http://falecomaredeglobo.globo.com/

O que você acha de a Globo não transmitir o jogo do Santos?


Para os amigos, estádios e rolagem de dívidas. Para os inimigos, a lei…

Some vésperas de eleições, acrescente os milhões de torcedores corintianos, junte ainda o apoio de Andrés Sanches à política de Ricardo Teixeira e compreenderá, sem grande esforço, por que a mesma CBF que não aprovou o estádio do Morumbi, ofereceu a abertura do Mundial de 2014 a um hipotético estádio do Corinthians que ainda não tem nenhum tijolo assentado.

Era esperado que o São Paulo fosse punido pela CBF por ter apoiado a permanência de Fábio Koff no Clube dos Treze, em detrimento de Kléber Leite, candidato de Ricardo Teixeira. Todo mundo sabe que o presidente da CBF passa por cima da ética e das leis para prejudicar os adversários e ajudar os parceiros.

Em um país dominado pelo populismo, não é de se admirar que os dois clubes com mais torcedores sejam tratados com privilégios. Enquanto o Corinthians, sem dinheiro, quer erguer um estádio para 50, 60, 80 mil pessoas, no Rio o Flamengo continua contratando jogadores de renome, apesar de uma dívida que é a maior entre os clubes brasileiros e aumenta a cada mês.

Há dois anos o ex-jogador Leonardo, recentemente técnico do Milan, disse em um programa do Sportv que a dívida do Flamengo era impagável. Algumas fontes falavam em um valor aproximado de um bilhão de reais, que aumentava dezenas de milhões a cada mês, devido aos altos juros bancários.

Fiquei esperando, mas não li e nem assisti a nenhuma reportagem sobre o assunto. Será que não é relevante saber quanto deve o clube mais popular do país? Por que deve, não paga e ainda contrai mais dívidas ao contratar jogadores famosos? Como é possível um milagre desses?

Bem, há perguntas que nunca terão respostas baseadas na lógica e no bom senso. A única explicação é a de que Flamengo e Corinthians, clubes que, juntos, têm torcedores suficientes para eleger um presidente da república, recebem um tratamento especial não pelo que representam para o esporte, mas pelo que significam como escada para o poder político.

Em um país em que tudo é transformado em cifrões e índices de popularidade, o mérito esportivo é o que menos conta para um clube de futebol. Os amigos do rei, os freqüentadores da corte, sempre terão uma vida mais fácil. A dureza da lei só existe para os outros.

Você achou justa a maneira como o Governo e a CBF decidiram dar ao imaginário estádio do Corinthians a abertura da Copa de 2014?


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