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Estádio ou CT para a base no terreno dos Portuários?

Por Tana Blaze, da Alemanha

Já havia defendido a construção de um CT para a Base no terreno arrendado pelos Portuários no comentário “O cinema e o verdadeiro projeto” em 23.10.2015, mas face à galopada continuada do Modesto Júnior em direção à construção do estádio neste terreno, nunca será tarde esmiuçar as consequências previsíveis das duas opções de investimento.

1-Administrações passadas: salvação por meninos e milagres
Convém fazer uma breve resenha histórica do Santos, para ventilar as prioridades atuais em função dos fatores que importaram no passado. Os atos da administração Laor-Odílio são ainda tão conhecidos, que não é necessário arrolá-los; vale recordar principalmente os eventos do início dos anos 2000, nos quais se fez o Santos moderno, e cuja administração era do mesmo grupo que a atual.

O clube havia perdido sua posição quase solitária de 15 anos no topo do futebol brasileiro investindo em projetos sem retorno, como o da compra do Parque Balneário. Foi também foi suplantado pelo agigantamento de rivais na sombra de novos estádios, o Cruzeiro no estádio público do Mineirão e o São Paulo com 10 anos de retardo após a inauguração do Morumbi em 1960.

No início de 2000 o Santos ameaçava sumir do mapa dos grandes, com 15 anos sem título paulista e 32 anos de jejum brasileiro, a sua torcida em São Paulo tendo caído de 10% para menos de 5% e com a maioria dos torcedores com idade acima de 40 anos.

Foi então que o jovem presidente Marcelo Teixeira eleito em 1999 tentou arrombar a porta do jejum de títulos, investindo nos medalhões Rincón, Edmundo, Marcelinho. O malogro esportivo e financeiro desta manobra piorou a situação do clube. No início de 2002 só restavam pouquíssimos jogadores de gabarito, entre eles Robert, Fabio Costa, dois garotos Elano e Renato originários de um clube mais falido ainda, o Guarani, e alguns outros jogadores desconhecidos, os juvenis.

E quando ninguém via luz no fim do túnel, eis que ocorrem três milagres:

O primeiro milagre, em torno do dia 20 de Julho de 2002 em Nova York

Três semanas antes do início do Brasileirão de 2002 o Santos foi convidado para um amistoso contra o escocês Glasgow Rangers em Nova York, para exibir os jogadores Diego e Elano que despontaram no Rio-São Paulo, com o objetivo de eventual transferência. A partida foi precedida pelo pôquer habitual anunciando-se na Folha de São Paulo que o Juventus teria oferecido 6 milhões de dólares pelo Diego, valor inverossímil visto que o Santos vendeu 40% do Neymar à DIS sete anos depois por menos de 2,5 milhões de Euros. Possivelmente o Santos teria vendido o Diego por um valor baixo, mas por graça divina, seja por má apreciação dos olheiros de Nova York ou por outra razão, as transferências não foram encaminhadas.

O segundo milagre, de 17 de Novembro de 2002 em Brasília

O jovem time do Santos estava sem forças nos últimos dois jogos da fase inicial do Brasileirão perdendo por 1×3 da Ponte Preta na Vila Belmiro e por 2×3 do São Caetano no Anacleto. Quando tudo parecia perdido o Gama de Brasília já rebaixado resolveu se despedir para sempre da Série A goleando o forte Coritiba por 4×0. Inesperadamente o rebaixado Gama tirou o Coritiba e colocou o Santos na fase final.

O terceiro milagre: a fase final do Brasileirão de 23.11. a 15.12.2002

O técnico Leão escalou um time com muitos juvenis por necessidade pura pela falta de jogadores com nível de campeonato, devido à crise financeira do clube. Pode ser comum um time ser campeão com um jogador de 17 anos em campo, se os demais forem tarimbados. Mas é raro um time constituído apenas por dois jogadores experimentados, o goleiro Fabio Costa e o meia Robert, ganhar um Brasileirão com quatro jovens, Paulo Almeida 19, Robinho 18, Alex 18, e Diego 17 anos e outros jogadores como o Maurinho, André Luiz, Leo e Alberto até então desconhecidos. Ainda mais que o Santos derrotou nos mata-mata da fase final o São Paulo e o Corinthians, que no mesmo ano haviam cedido Kaká, Ceni, Belletti, Vampeta e Ricardinho à Seleção campeã da Copa do Mundo e que haviam vencido soberanamente a fase inicial do Brasileirão e o Rio- São Paulo de 2002, no qual ao Santos sequer conseguiu ultrapassar o Etti-Paulista. Na finalíssima, Diego com 17 anos, considerado o principal jogador do Santos, sentiu a fisgada no primeiro lance e saiu chorando de campo e foi aí que o segundo moleque de 18 anos com pernas de palito deu um show aos 74.000 espectadores no Morumbi. As circunstâncias improváveis e o grande espetáculo de futebol representam talvez a maior vitória na história do Santos e uma das grandes jornadas do futebol brasileiro.

Se apenas um desses três fatos improváveis não tivesse ocorrido, o jovem time sem o carisma e a sagração pelo título de 2002 teria provavelmente sido desmanchado ao fim da primeira fase ou após eliminação, para pagar as contas do dia e o Santos teria se consolidado como clube médio. E sem a aura quase perdida que o clube reconquistou nas campanhas de 2002 e 2004, o pai do Neymar talvez não tivesse colocado o seu filho no Santos.

Marcelo Teixeira, que havia apostado seu cacife em figurões, parece ter reconhecido naquele momento que não fora ele o pai da sobrevida do Santos, mas sim a conjunção de três milagres mais divinos que terrenos e com toda razão fez rezar uma missa pela conquista do título no Monte Serrat. O investimento sem retorno no parrudo Rincón e no animal Edmundo em contraposição à explosão do perna de palito e gratuito Robinho iluminaram o Presidente por algum tempo, no qual promoveu as três boas ações da sua gestão, construir o CT Rei Pelé, fazer o Robinho sair pela porta de frente para realizar a sua venda inevitável a preço razoável e buscar o Neymar, já com um pé no Real Madrid.

Mesmo salvo por três milagres, o presidente se enroscou na dependência do Luxemburgo e do colorado convicto e duvidoso santista Delcir Sonda, ao qual vendeu direitos de seis jogadores a preço de banana, entregando no fim da sua gestão um clube sustentado financeiramente com empréstimos avalizados pessoalmente. Sendo ainda salvo do descenso em 2008 pelo quarto milagre de dois pontos na tabela por aquela bola que o Quiñonez chutou em direção à lateral e a cara do Gustavo Nery a desviou para as redes. O Santos ao fim de 2009 voltou a ser o que era antes, financeiramente à beira da inviabilidade.

2- O quinto milagre impedido

A ressureição do Santos em 2002 deve ter contribuído para o projeto de construção de um estádio em Diadema por parte de um grupo formado em torno da empresa alemã Hellmich em contato com a Secretaria de Esportes do município, com o seu Secretário, o grande caráter e ex-lateral corintiano Wladimir. O Grupo Hellmich havia construído a Arena do Schalke um dos cinco estádios do mundo que são verdadeiramente multiuso.

Mas a chance única foi descartada pelo Marcelo Teixeira, como publicava o Diário do Grande ABC em 8 de Janeiro de 2009: “O projeto, que já perdura dez anos, retrocedeu depois que o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, declarou que o clube não tem mais interesse em erguer uma arena em Diadema”. O fato de o Morumbi ter sido cogitado e depois o Itaquerão escolhido para a Copa do Mundo deve ter enfraquecido o projeto Diadema, mas este jamais deveria ter sido abandonado, porque o município tinha à disposição uma área de 600.000 m2.

Enquanto isto o Grêmio e o Palmeiras, mesmo vendo seus projetos fora da Copa do Mundo, não hesitaram em erguer os seus estádios ao mesmo tempo em que os da Copa eram construídos e hoje estão colhendo frutos milionários. O Palmeiras faturou 50 milhões de reais de receitas de bilheteria em um ano. Praticamente tão endividado e com torcida menor que a do Santos, o Grêmio seguiu o preceito universal de que a localização em relação ao mercado, que é a torcida, é determinante para qualquer empreendimento imobiliário e gastou 50 milhões de reais na época 17 milhões de euros, para comprar o terreno do novo estádio.

O projeto de Diadema teria colocado o Santos na vanguarda das receitas de bilheteria dos grandes clubes brasileiros e o seu descontinuamento irresponsável o colocou na lanterna. Todos os grandes têm estádio grande à disposição, os dois gaúchos, os dois mineiros, os quatro cariocas e o trio de ferro. Quem achar que o público pequeno em Santos permitirá o clube sobreviver e que receita de bilheteria é algo de secundário, está enganado. As receitas de estádio do Bayern em 2013/14 foram de 88 milhões de euros.

4 – É prioritário salvar e melhorar a competitividade da base santista

Turbinado pelo bing bang das revelações dos irmãos Álvaro e Ramiro, do Del Vecchio, do Pagão e do Pepe nos anos cinquenta, o clube conquistou a fama de “revelador” e sempre manteve aberta a sua base para promessas.

Sem desconsiderar a grande atuação do Formiga, do Zito e de muitos outros, é notório que foram os pais ou padrinhos dos grandes raios que escolheram o Santos e não o inverso, como gostam de propagar alguns cartolas. Os grandes raios que agigantaram o clube chegaram sem que houvesse participação de relevo dos funcionários do clube. Ninguém chamou o Pelé para a Vila, ele foi trazido, Waldemar de Brito dizia que trouxe Pelé para o Santos por causa da fama (recém-adquirida) do clube de revelador e tinha amigos que moravam na aprazível cidade de Santos. Pita morava em Cubatão e vendia siris na Via Anchieta, Robinho nasceu em São Vicente e jogava no Portuários, Diego veio a Santos porque não gostou da sua passagem curta pelo CT do São Paulo, que era o seu time do coração (apesar da dança sobe o escudo anos depois) e menos ainda da cidade de São Paulo, idem Gabriel que ficou mais tempo no CT do São Paulo. Ganso tampouco foi descoberto, foi trazido pelo Giovanni. Neymar foi posto no clube pelos pais, que como os de Gabriel eram santistas. Não chegou a ser façanha de olharia “descobrir” o Robinho fazendo 73 gols pelo Futsal no Portuários, o Neymar na Briosa e o Gabriel no Futsal do São Paulo, marcando seis gols no Santos numa partida.

Não se sabe por qual razão o Santos atrai tantos talentos, possivelmente seja a imagem perpetuada de clube revelador, o bom ambiente no clube para os jovens e a aprazibilidade da cidade que atrai os jovens e seus pais. O último fator deve ter pesado nos casos Diego, Gabriel e Neymar. Acresce-se o fato de pais serem santistas, que ajudou nos casos Neymar e Gabriel.

Diego conta porque não ficou nem um ano no tricolor: “Aos 11 anos, fui tentar jogar no São Paulo porque era meu time do coração. A experiência não foi das melhores. Achei aquilo tudo muito grande, não bateu comigo: a cidade, o Morumbi, a vida. Levei um susto.“.

Valdemir Silva, pai do Gabriel, além de santista, justificou a saída do garoto do São Paulo para o Santos, com o fato da esposa lá em São Paulo ter que acompanhar o filho, “tomando três conduções de São Bernardo do Campo a Cotia e quando não dava para pagar a condução, tinha de pegar dinheiro emprestado de amigos, ao passo que em Santos tudo era perto.”

Também os pais de Neymar igualmente santistas prestigiaram a cidade Santos deixando o seu garoto cinco anos na Portuguesa Santista bem localizada na zona urbana de Santos. Quando o Santos pagou 1 milhão de reais aos Neymares para que o garoto voltasse do Real Madrid, onde já estava registrado, os pais compraram um apartamento perto da Vila Belmiro para ficar perto do garoto.

A LOCALIZAÇÃO URBANA, com possibilidades de pais ou pessoas designadas acompanharem e abrigarem os garotos, demonstrou ser de IMPORTÂNCIA SUPREMA para a captação de talentos com idade menor que 12 anos para a base santista. Foi nesta faixa etária que Diego (12), Robinho (12), Neymar (11) e Gabriel (8) ingressaram no clube. O que demonstra inequivocamente ser necessário assegurar o critério de localização urbana para que os raios do futuro optem igualmente pelo Santos. Localização urbana não significa no alto de um morro ou a 50 quilômetros num manguezal perto de Bertioga, onde a mãe de um Robinho de 11 anos terá dificuldade em trazê-lo e buscá-lo. O terreno como o dos Portuários cairia como uma luva para um CT para a Base, que neste local seria imbatível no Brasil.

Tudo indica que se o CT permanecer no Saboó, sem espaço e atratividade, o Santos perderá a sua liderança na revelação de craques, pelas tendências que se definem:

1-Na época do big-bang santista no início dos anos cinquenta, a cidade de Santos era a segunda do Estado e maior que várias capitais de outros Estados e as rivais no interior eram poeirentas dispondo de pouca infraestrutura. Hoje várias cidades do interior se equiparam a Santos, têm infraestrutura de alto nível, qualidade de vida muito boa e criminalidade menor que a da Baixada Santista. Ao contrário da cidade de Santos, encurralada por manguezais, mar, rios e morros, cidades do interior tem espaço de sobra ainda para campos de futebol e a concorrência de CTs para a Base nos grandes centros do interior deverá aumentar de forma significante.

2-Muitos clubes brasileiros e alguns estrangeiros expandiram seus tentáculos de olharia com escolinhas e redes de franquias pelo Brasil afora. A crescente igualdade entre as redes de olharia e captação e a disponibilidade universal de You Tubes e dados estatísticos sobre os jovens, faz com que a qualidade do CT para a Base se torne cada vez mais o critério diferenciador na captação de talentos.

3-Já existem hoje CTs para a base melhor equipados, como o de Cotia, que inaugurado em 2005 vem revelando muitos jogadores, só que o São Paulo não demonstrou capacidade de intregrá-los na sua equipe profissional. Dos 28 jogadores que entraram em campo no famigerado 1×7 contra a Alemanha na Copa do Mundo estavam 8 jogadores que vieram de dois CTs apenas, cinco do CT do Bayern, Müller, Schweinsteiger, Hummels, Kroos e Lahm e três do CT de Cotia do São Paulo, David Luís, Hulk, Oscar. Poderiam ser até seis jogadores de Cotia, se o Hernanes tivesse entrado em campo e se o Lucas e Kaká tivessem sido convocados e jogado, satisfazendo as esperanças de parte da torcida. O único jogador naquela Copa formado no Santos foi Neymar, trazido ao clube pelo pai. Diego, Robinho e Neymar optaram pelo Santos ANTES da abertura do CT de Cotia em 2005.

4-Com a previsível gentrificação dos jogadores e de seus pais, o CT do Saboó se tornará cada vez menos atrativo. CT para a Base tem que convencer com padrão de primeira linha, ser condizente com os sonhos dos pais e de seus garotos, bem localizado na zona urbana, fora de qualquer zona de criminalidade e tráfico de drogas, com amplas instalações sanitárias, alguns verdes, quadra de futebol de salão, campo de areia, um pequeno anfiteatro para conferências e filmes e uma pequena área social. Atributos que serão mais importantes do que a questão da disponibilidade de quatro ou seis campos de futebol.

5-Caso o Profut pegar, dezenas de clubes obterão Certidões Negativas de Débitos Fiscais e candidatarão para os incentivos do esporte para financiar os CTs para a base. Incentivos que serão como sempre versados para os amigos do rei. E o Santos não tem nem terreno ainda.

6- Independente da disponibilidade de incentivos ao esporte, o fato de TODOS os grandes clubes brasileiros, os dois gaúchos, os dois mineiros os quatro cariocas e o trio de ferro, EXCETO o Santos, já terem estádio moderno à disposição, os levará forçosamente a investir no que falta ainda, que são os CTs para a Base.

7- A proibição pela FIFA dos investidores-atravessadores em direitos econômicos de jogadores favorecerá tanto os clubes vendedores como os compradores de direitos econômicos de jogadores e incentivará clubes brasileiros a investir mais na base.

8-Finalmente, o ajuste cambial recente da moeda brasileira vai incentivar as exportações em geral e os clubes brasileiros a revelar jogadores para um dia vender os seus direitos à Europa. A queda da cotação do real nada mais foi que um ajuste em direção da paridade de compra que se fazia necessário. O real estava grotescamente supervalorizado a ponto do Índice Big-Mac mostrar que São Paulo depois de Oslo era cidade mais cara do mundo, sendo corresponsável para retração da economia brasileira. Portanto a correção cambial veio antes para ficar. Os direitos econômicos de um Neymar, que em Abril de 2013 valiam 90 milhões de euros, na época 234 milhões de reais, hoje pressuposto o mesmo montante em euros, valeriam 360 milhões de reais.

Estas tendências indicam que a concorrência entre os clubes na captação de talentos para as suas bases vai crescer significantemente e que o Santos não tem alternativa senão investir rapidamente no setor que foi o principal responsável da sua sobrevivência e formador da sua imagem. Se nada fizer vai perder a sua posição de revelador e passar a clube médio.

4-Prioridade de investimento tem que ser definida pelo critério do retorno
Num jogo de “Banco Imobiliário” conviria numa primeira etapa investir os recursos escassos em casinhas e hotéis nos endereços que rendem o maior retorno possível, com o qual se poderá numa segunda etapa financiar construções nos endereços de menor retorno (“os nichos de mercado”) também. O inverso não seria recomendável, pois se investir primeiro no endereço de menor retorno, a probabilidade de ser eliminado precocemente do jogo é maior. O jogo pune quem inverte as prioridades.

O Santos está em situação similar, tem a escolha de num terreno localizado em Santos de realizar um investimento num CT para a Base de retorno alto e rápido e num estádio de retorno menor e lento, o que foi exemplificado mais uma vez há poucos dias quando compareceram apenas 8.000 espectadores para ver o time na luta decisiva pelo G4 contra o Flamengo depois de 19 dias de ausência do estádio.

São ínfimas as receitas de estádio atuais da Vila Belmiro; a receita líquida (após despesas) tem colocado o Santos sistematicamente no Z4 do Brasileirão desta categoria. A razão é o comparecimento fraquíssimo de torcedores do estádio da Vila Belmiro, isolado pela Serra do Mar da massa dos torcedores no planalto. Mesmo com o Neymar e com a fase boa do time em 2015, o Santos não consegue colocar nem uma fração do número de torcedores que o Palmeiras coloca no Allianz Parque a preço de ingresso duplo em relação ao preço meio do ingresso da Vila Belmiro. A Serra do Mar não é apenas barreira para os santistas como também para torcedores de outros clubes residentes no planalto. Os 20 e 30 milhões de habitantes do planalto e os 2,5milhões de simpatizantes do Santos permitiriam facilmente encher um estádio com fazem o Palmeiras e o Corinthians, com preços equivalentes, pois está comprovado que o poder aquisitivo médio do torcedor do Santos é G4 no Brasil.

Sem dúvida haveria melhora de público com um novo estádio nos Portuários principalmente no setor de camarotes, com boa melhora percentual da receita líquida. Mas a despeito da evolução percentual, o incremento de renda líquida em termos absolutos será acanhado, devido à base muito baixa e a apenas 600.000 torcedores santistas captados no raio do estádio, havendo risco de saturação de oferta de ingressos com o Santos jogando todas as partidas no novo estádio.

Mesmo se supuséssemos que o incremento (acima do valor atual) de receita liquida de bilheteria (após despesas de caixa e após a parte que será retida por um investidor) de um novo estádio fosse, digamos, de 20 milhões de reais por ano (o que é propositalmente otimista), um novo CT para a Base poderá render o triplo anual, 15 milhões anuais pela economia na compra de direitos econômicos, 30 milhões anuais na poupança anual de salários, já realizada no início da gestão do Modesto usando jogadores da base, e 15 milhões com a venda de um jogador formado na base por ano.

Não há dúvida que a construção de um CT para a Base, conjugada às evoluções recentes, como a proibição dos investidores em direitos econômicos pela FIFA e à valorização cambial do Euro, representa um potencial retorno múltiplo em relação ao potencial retorno máximo que poderia ser gerado por um novo estádio no mesmo terreno em Santos. Resumindo os pontos de retorno financeiro:

a – Economia na compra de direitos econômicos

Em vez de pagar 20 milhões de reais por um Cicinho e um Thiago Ribeiro, se lança um Daniel Guedes, um Zeca, e um Gabriel sem pagar por direitos econômicos.

b – Economia de salários

Em vez de pagar um salário alto para um Arouca, o Dracena e o Mena, paga-se menos para um Daniel Guedes um Thiago Maia e um Zeca. Ao todo a administração Modesto diminuiu a folha salarial em 30 milhões de reais anuais, essencialmente escalando jogadores da base.

c – Aumento de receitas na venda de direitos econômicos

Não há lucro significante quando se compra e vende direitos de jogadores estabelecidos como Ibson, Montillo, Thiago Ribeiro, Damião, mas um lucro enorme quando se vende um Thiago Maia ou um Gabriel formados na base.

d – Um CT para a Base moderno melhora o espetáculo nos estádios

Através da formação de um maior número de jovens jogadores de alto nível, aumenta forçosamente a produtividade dos estádios, porque com mais craques, haverá mais público que se empolgará com eles. O inverso não será possível, um estádio novo não possibilita aumentar a produtividade da base.

e – Maior possibilidade de surgirem novos “raios”

Mesmo que diminuta por natureza, se mantém a probabilidade através de um CT para a Base moderno de atrair novos “raios”, não havendo qualquer potencial similar por parte de um estádio. Se cair um novo raio no Santos, a venda de seus direitos econômicos, se executada de forma profissional, poderá render o fluxo de caixa para construir “meio estádio”.

f – O CT para a Base manterá o Santos flexível, ao contrário do estádio

Se investir num CT para a Base, o Santos permanecerá flexível, ao passo que no caso
da construção de um estádio em Santos, o investidor certamente não se contentará com as receitas dos jogos do Jabaquara e da Portuguesa Santista para amortizar o seu investimento e obrigará o Santos contratualmente a jogar em Santos.

O descaso com o projeto Diadema, a tirada do time dos campos do planalto em 2015, e a iniciativa de um estádio no terreno arrendado aos Portuários refletem a vontade decidida do grupo em torno do Marcelo Teixeira em relegar a maior torcida santista localizada no planalto ao segundo plano, priorizando se sentar e fazer sentar empresários e cartolas amigos em novos camarotes em Santos. E possivelmente cooptar uma maioria de associados residentes em Santos para ganhar as futuras eleições.

Enquanto que o futebol é feito nas equipes de base, na luta e no brilho dos campos e na vibração das gerais e arquibancadas, muitos cartolas o veem como evento de camarote. Cartola prefere botar placa, puxar saco recepcionando outros cartolas e empresários, a construir instalações condizentes com as necessidades básicas dos garotos num CT para a Base. Cartolas tendem a se julgar mais importantes do que os que fazem o futebol em campo, o que aliás já transparece pela simples aberração hierárquica da nomenclatura santista com um “CT Rei Pelé” como parte ou ao lado de um “Complexo Modesto Roma”.

Foram e serão sempre os grandes craques os principais responsáveis pela grandeza dos clubes, menos os técnicos e muito menos ainda os cartolas. O Leão sem Diego e Robinho não ganhou mais nada. O Luxa sem Roberto Carlos, Mazinho, Cezar Sampaio, Edmundo, Alex e Robinho implodiu de gênio do futebol a técnico comum e o Muricy sem Conca, Danilo, Alex Sandro e Neymar sumiu.

A ideia de ocupar o terreno dos Portuários é ótima, não podendo ser desperdiçada, sendo também necessário ter um novo estádio em Santos um dia, não há dúvida. Mas um estádio novo em Santos gerando retorno baixo e lento tem prioridade três, depois de um CT para a Base na zona urbana de Santos e de um Estádio no Planalto, para captar mais de 30.000 espectadores por partida a preços mais elevados por ingresso, como faz o Palmeiras. Quem inverter as prioridades dos fluxos de caixas será punido pela história.

Findos 74 anos de igualdade pacaembuana e extinto o Clube dos Treze, novos milagres, além de improváveis, mal salvariam o Santos. Distanciado irremediavelmente pelo trio de ferro tanto nas receitas televisivas como nas de bilheterias, não pode haver mais lugar para decisões baseadas em paixões ou rivalidades internas.

A possibilidade de ocupar o terreno dos Portuários colocou o Santos numa encruzilhada que poderá decidir se permanecerá entre os grandes. Se investir no estádio em Santos, arriscará ficar contratualmente trancado na cidade, com receitas de bilheteria baixas, abandonando e sendo abandonado pela torcida do maior centro econômico e populacional do hemisfério sul, que é o Planalto Paulistano. Será financeiramente engolido pelos rivais do trio de ferro e seria a primeira associação da qual se tem notícia que abandona por obstinação de um pequeno grupo a sua sólida posição no maior mercado e centro econômico do hemisfério sul.

Se utilizar o terreno dos Portuários como CT para a Base, permanecerá vivo com acesso privilegiado à mina de ouro do futebol que são as revelações e manterá todas as opções abertas para se impor no
Planalto Paulistano.

Está soando cada vez mais alto o tique-taque da bomba relógio das dívidas do Santos, com novos prejuízos a cada mês e o Santos perdendo um tempo precioso com miragens de camarotes, ao invés de sacramentar a medida certa para dar a volta por cima, que será um CT para a Base moderno na zona urbana em Santos.

O passado mostrou que foram antes os pais ou padrinhos dos grandes raios que escolheram o Santos e não o inverso e que o agigantamento do clube se deveu essencialmente a eles a não aos cartolas, que almejavam politicas arriscadas ou ruinosas investindo em figurões. Portanto é indispensável manter a base do Santos mais atraente que as demais.

Um CT para a base é igualmente interessante para o município de Santos, porque os raios porventura formados no CT, como foram Pelé, Robinho em Neymar levarão o nome da cidade para o mundo. “La Masia”, o nome de uma simples casa, é conhecida no mundo inteiro.

E pra você, o melhor é construir um moderno CT para a base no terreno dos Portuários, ou um estádio para 25 mil pessoas?


O estádio do Santos no mar – sonho que pode se tornar realidade

Com uma parceria entre Santos, Petrobras, Prefeituras de Santos, São Vicente, Mongaguá, Cubatão, Itanhaém, Praia Grande, Guarujá e região, além do patrocínio de marcas mundiais que investem no esporte, apoio da Federação Paulista de Futebol e da CBF, do Governo do Estado e da Presidência da República, além de grandes redes de comunicação, seria possível contruir este estádio que se tornaria um marco não só no futebol, mas no turismo mundial. Por que não pensar grande?


Prefeitura de Santos, uma parceira que poderia oferecer muito mais


O prefeito Papa e os Jardins de Santos, vistosos, mas mal iluminados.

Tenho recebido queixas de algumas pessoas que moram em Santos de que o jardim da praia pode ser lindo, o maior do mundo, mas à noite não se pode passear nele, pois é muito mal iluminado, assim como toda a cidade. Reclamam também do alto preço e da precariedade do transporte público e da sujeira das ruas. Falam ainda do pouco apoio da prefeitura às manifestações culturais da cidade.

Não moro em Santos, apenas visito a cidade continuamente. Também não conheço o prefeito João Paulo Tavares Papa. Acho que os santistas confiam, ou confiavam nele em 2008, já que foi reeleito com 77,22% dos votos válidos. Mas uma coisa me incomoda: por que a Prefeitura de Santos não é uma parceira mais fiel e efetiva do clube que leva o nome da cidade e lhe abre as portas em todo o mundo?

Por que a Prefeitura de Santos não pode ser a maior aliada do Santos, como as de Real Madrid e Barcelona, responsáveis diretas pela grandeza que esses clubes têm? Não digo que se isente o clube de impostos, como fazem lá, não digo que compre áreas do clube por uma fortuna e depois permita que use outra, pública, com valor mínimo de arrendamento, como fazem por lá, mas que ao menos congreguem a cidade e o Santos, que participem de mais ações em parceria com o clube.

Digo isso porque, entre outras coisas, tenho tido muita dificuldade de, ao menos, marcar uma audiência formal com o prefeito para apresentar idéias de eventos para o Centenário do Santos. Já falei com a dona Angelina, que anotou meus telefones e passou para a dona Marlene. Falei também com os senhor Henrique, que me aconselhou a falar com a dona Suzana. Falei com ela, Suzana Silveira, secretária do prefeito, liguei, passei e-mails requisitando a audiência, e nada.

É estranho porque em São Paulo, cidade 30 vezes maior do que Santos, com 30 vezes mais problemas, nas duas vezes em que precisei marcar audiências com o prefeito, consegui rapidamente, sem burocracias e sem má vontade.

O Centenário do Santos nada significa para a cidade?

Ontem dei longa entrevista aos amigos da Rádio Cultura de Santos, o Edson Calegares e o Guido, e o Edson disse que o Santos já entrou no seu Centenário desde 14 de abril e não há nenhuma menção sobre isso na cidade. Ele está certo. Mas o que o clube pode fazer?

O Santos, como todos sabem, está vivendo dias delicados, em que a prioridade é manter seus principais atletas no time e manter vivo o sonho da terceira estrela. Não pode, infelizmente, reservar uma grande verba ao Centenário, a não ser através de parcerias. A Prefeitura, por outro lado, tem um vasto orçamento para cada uma de suas secretarias – entre elas Esporte, Cultura… – e pode muito bem considerar a festa do Santos como uma festa da cidade.

Cerca de metade dos cidadãos de Santos torcem pelo Santos. Creio que isso já é um motivo suficiente para que o meio político olhe o clube com mais carinho. Não acho que se deva votar em um prefeito pelo time que ele torce, mas é possível, sim, ser um bom prefeito, fazer o que a cidade precisa e ainda assim olhar pelo clube que tornou esse nome conhecido em todo o planeta.

Não pedirei aos santistas que votem apenas em prefeito que ama o Santos, mas peço, sim, que em dúvida entre dois igualmente competentes, prefira o que traz o Alvinegro Praiano no coração.

O futebol chegou a um momento em que não dá mais para ser meio bom, meio grande. Ou se é dos um maiores, ou se faz coisas realmente importantes e com isso se atrai um número cada vez maior de adeptos, ou é melhor desistir de sonhos grandiosos. Como o Santos nunca desistirá desses sonhos, ele precisa de parceiros fortes e compenetrados. E o maior deles deve ser a Prefeitura de Santos.

Você não acha que a Prefeitura de Santos poderia ser uma parceira mais fiel ao clube, já que o Santos é tão importante para a cidade?


Veja Neymar assistindo à vitória e Consentino pintando o muro

Neymar não jogou contra o Cerro Porteño, em Assunção, mas acompanhou a partida de sua casa, com amigos, e vibrou muito com a vitória de seus companheiros. O Menino de Ouro da Vila volta ao Alvinegro Praiano quarta-feira, contra o Deportivo Táchira, no Pacaembu.

O muro do CT começou a virar o mural do Centenário

Acompanhe as primeiras pinceladas do artista plástico Paulo Consentino e sua equipe do projeto “Cem anos de futebol arte” no muro do CT Rei Pelé, que se transformará no maior mural ao ar livre do mundo. Urbano Caldeira é o primeiro ídolo retratado.

Logo mais eu volto para falar da relação entre o Alvinegro Praiano e a Prefeitura de Santos.


Falcão, Marta, Ganso, Neymar, Elano… O melhor futebol do mundo está indo para Santos

Há um mês o gerente de marketing Armênio Neto me confidenciou que tinha um sonho: montar um time de futsal com Falcão, o melhor jogador do mundo da modalidade; trazer Marta para reforçar as Sereias da Vila e, com as contratações do time masculino para 2011, justificar o slogan que ele queria para identificar o Santos: O MELHOR FUTEBOL DO MUNDO.

Sim, hoje podemos dizer que não há um clube neste planeta que, somados o seu time profissional de futebol, sua equipe feminina e a de futsal, tenha o nível do Santos.

O mesmo sorriso de Elano por voltar ao Santos se viu no rosto de Falcão, que aos 33 anos realiza o sonho de jogar no seu time do coração: “Coisas que a gente não imaginava mais que fossem acontecer, de repente acontecem. Espero retribuir o carinho que já estou recebendo”, disse.

O time de futsal do Santos disputará o Campeonato Paulista e a Liga Nacional em 2011 e disputará também os principais torneios de 2012, ano do Centenário do clube.

O projeto foi possível devido a uma parceria com a Prefeitura de Santos e a Cortiana Plásticos, que será uma das patrocinadoras da equipe e cederá ao clube sua vaga Liga Nacional.

Futsal jogará na Arena Santos

Os jogos da equipe serão realizados na Arena Santos, um ginásio moderno, com capacidade para cinco mil pessoas, construído na Vila Mathias. A quadra, do tipo flutuante, tem piso reforçado, que amortece o impacto de saltos e quedas dos atletas, e pontos para a arbitragem informatizada. Dispõe também de placar eletrônico e moderno sistema de som.

As arquibancadas têm assentos e espaços reservados para pessoas com mobilidade reduzida e acompanhantes, cadeirantes e obesos. Visando à segurança do público, há saídas distintas para as torcidas e oito saídas de emergência, além de câmeras de monitoramento.

“Montamos um projeto ousado, que conseguiu sensibilizar atletas de ponta como o Falcão e uma competente comissão técnica. E é fundamental observar que conseguimos parceiros que confiaram na ideia e a viabilizaram financeiramente, ou seja, o Santos não está tirando dinheiro do futebol para o futsal”, explica Armênio Neto.

Marta virá para torneio internacional em Araraquara

Nesta quinta-feira o Santos anunciou a contratação de Marta, 24 anos, considerada a melhor jogadora do mundo, para reforçar o time na disputa do Torneio Internacional Interclubes de Futebol Feminino que será disputado entre os dias 5 e 15 de janeiro no estádio Fonte Luminosa, em Araraquara. Participarão ainda as equipes Umea, da Suécia, Palmeiras e Foz do Iguaçu.

Marta será comandada por Kleiton Lima, técnico do Santos e da Seleção Brasileira, e estará ao lado de outras companheiras que atuam na Seleção, como a goleira Andréia Suntaque, as zagueiras Aline Pellegrino e Renata Costa, a lateral Maurine, as volantes Ester e Fran e as atacantes Grazi e Cristiane.

Os ídolos em ação, provocando movimento

Eu já desconfiava que Falcão era santista. Veja este vídeo abaixo, extraído do filme “Ginga” e perceba a alegria e a camaradagem entre ele e Robinho. Ah, e aproveite o show de dois dos jogadores mais habilidosos do mundo.

Agora veja Marta, a melhor do mundo, estreando no Santos em 16/09/2009, em amistoso contra o Comercial de Campo Grande. Nada menos do que 12 mil pessoas lotaram o Morenão para ver uma partida de futebol feminino.

Ver Marta e Falcão no Santos enche a gente de orgulho, não? Até que ponto o futebol feminino e o futsal são importantes para o clube?


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