Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

film izle

Tag: Psicologia esportiva

Dentro ou fora do Alçapão


Mesmo com Rafael Longuine e Serginho desperdiçando cobranças de pênaltis, os reservas do Santos sobraram em Rio Branco e venceram com facilidade o Galvez por 3 a 0, gols de Longuine, Paulinho e Fernando Medeiros. Com o resultado, o Santos avança para as oitavas de final da Copa do Brasil. Há que se destacar a boa participação dos torcedores santistas do Acre, provando, mais uma vez, a universalidade da torcida santista.
Levando-se em conta que o sinal + quer dizer que o jogador foi bem, – que foi mal e = que ficou no meio termo, avalio os santistas da seguinte forma: Vladimir (=), Daniel Guedes (+), Valencia (=), Lucas Veríssimo (=), Luiz Felipe (=) e Caju (=); Leandrinho (=), Fernando Medeiros (+), Gregore (=), Rafael Longuine (+) e Serginho (-); Paulinho (+), Maxi Rolón (=) e Lucas Crispim (=). Técnico: Lucas Silvestre (=).


Reveja o golaço de Ricardo Oliveira e os melhores momentos da única vitória do Santos fora de casa no Campeonato Brasileiro do ano passado.

Anteontem o amigo Luiz Tomaz, notável comentarista deste blog, sugeriu que discutíssemos as causas dessa bipolaridade santista, mormente no Campeonato Brasileiro, no qual é um predador na Vila Belmiro e uma presa fácil fora dela. A dificuldade será tática, técnica, psicológica, física ou de caráter? Bem, o assunto está na roda, na qual deve entrar todo aquele que tem algo a dizer.

O tema é grave e causa espécie o fato de a direção de futebol do clube não buscar a ajuda de especialistas para decifrar o que passa no corpo e na mente de nossos heróis durante a relevante competição nacional. Os números são aterradores.

É hora de você comprar o seu Dossiê. E ganhar o Donos da Terra de presente (só por 20 reais e mais as despesas de correio)

dossie - livro

Em comemoração ao início do Campeonato Brasileiro, este blog lança agora a promoção do livro “Dossiê Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959”. A obra, de José Carlos Peres e Odir Cunha, com 323 páginas, resgatou os títulos brasileiros da era de ouro do nosso futebol (o reconhecimento da CBF está impresso no livro). Por apenas 20 reais, mais as despesas de correio, você adquire o Dossiê com dedicatória exclusiva e ainda ganha de presente um exemplar, em PDF, do livro “Donos da Terra”, com a história completa do primeiro título mundial do Santos.

Clique aqui para comprar o seu Dossiê.

No Campeonato Brasileiro do ano passado, por exemplo, das 19 partidas que realizou como visitante, o Santos perdeu 11, empatou sete e venceu apenas uma, sobre o Cruzeiro, graças a um chute excepcional de Ricardo Oliveira, de canhota e de fora da área, em partida na qual o time de Minas teve oportunidades para empatar e mesmo virar o resultado.

Ao final da competição, o Alvinegro Praiano, que fez fama mundial vencendo os mais terríveis rivais em suas casas, tinha conquistado apenas 18,75% dos pontos que disputou em campos adversários, retrospecto pior do que os rebaixados Avaí, Vasco e Goiás e só melhor que o lanterna Joinville.

Justiça seja feita, o problema não é recente e não deve ser creditado apenas a esses jogadores e a essa comissão técnica. Lembro-me que em 1996, convidado para um programa de tevê em Santos, irritei o zagueiro Ronaldão ao lhe perguntar por que em casa o Santos podia vencer qualquer oponente e, fora dela, podia perder para qualquer um. Na verdade, naqueles tempos já era difícil encontrar as respostas.

Creio que os recentes desempenhos dos underdogs Leicester, campeão da Inglaterra, e Audax, semi-campeão paulista, tragam de volta a esquecida e refrescante sensação de que não é só o dinheiro, a fama ou a quantidade de torcedores que faz um time ser vitorioso e exibir-se de cabeça erguida mesmo no campo de batalha inimigo. Resta-nos, humildemente, aprender com esses dois exemplos.

Sabe-se que ambos surpreenderam os favoritos, principalmente, por seu desempenho fora de casa. Quando se julgava que abdicariam do ataque e passariam o tempo a especular alguma fortuita jogada ofensiva, se atreveram a encurralar o opositor, com excelentes resultados. Para conseguir isso, obviamente mostraram qualidades. Quais seriam elas? Eu diria, resumidamente:

1 – Inovação Tática. Ao avançar, quando todos esperavam que recuasse, assumir a posse da bola, ao invés de desfazer-se dela e deixar a iniciativa para o adversário. Inverter os papeis, não se conformar de ser o pequeno, o coadjuvante da história.

2 – Técnica suficiente para fazer a tática funcionar. Sim, porque não adianta pensar nas táticas mais mirabolantes se não há jogadores com habilidade, com fundamento para cumpri-las. Não será qualquer cabeça-de-bagre que terá calma e controle para sair jogando desde a sua defesa, de passar e lançar com perfeição. Contar com essa técnica requer a astúcia de garimpar jogadores bons e baratos no mercado, já que estamos falando de times sem orçamentos competitivos. Para a montagem dessas equipes foi preciso contar com verdadeiros especialistas em futebol, capazes de contratar pelo mérito absoluto e não por indicação ou pela amizade com empresários.

3 – Condição física capaz de impor um ritmo forte aos jogos. Um time menos favorito não pode desprezar a expressão “vencer pelo cansaço”. O condicionamento físico já fez milagres pelo Santos e pela Seleção Brasileira. Hoje se percebe que o Alvinegro Praiano não consegue manter o mesmo ritmo durante todo o jogo. E nesse mesmo quesito entra a idade dos jogadores. Obviamente os mais jovens têm mais força, velocidade e energia. É preciso ter coragem para renovar e visão para perceber quando o grande ídolo está virando o fio.

Quando o futebol é um sonho
Pelé dormindo com os livros Time dos Sonhos
Clique aqui para saber como adquirir o livro Time dos Sonhos sem despesas de correio, com dedicatória exclusiva do autor e ainda ganhar o livro Donos da Terra em versão eletrônica por apenas apenas 68 reais, que podem ser parcelados.

4 – Confiança e desejo de vitória. Bem, este é o aspecto psicológico. Viu-se, ao final do jogo com o Santos, que alguns jogadores do Audax, de tão abatidos, choravam de tristeza. Poderiam estar contentes por, mesmo em um time menor, terem pressionado o Santos na Vila Belmiro. Mas queriam mais, queriam o título. Esse é o sentimento que os jogadores do Santos devem ter quando atuam fora de casa. As dimensões do campo continuam as mesmas e a torcida não participa do jogo. A questão é decidida em campo. Não há motivo real para se dedicar menos à partida, abrir mão da iniciativa, ou acreditar menos na vitória, só porque o jogo é fora de casa.

5 – Por fim, mais até do que a psicologia, há o caráter de cada jogador. Algo que se tem, ou não se tem. O jogador brasileiro de futebol sabe que, quando atua fora de casa, será menos cobrado em caso de derrota. Às vezes, nem cobrado será. Por isso, geralmente corre e se dedica menos ao time quando está longe de sua torcida. Esse comportamento desleixado tem cura? Não sei. Creio que dependa de uma boa liderança, algo que o Santos do técnico Lula e de jogadores como Zito e Mauro Ramos de Oliveira tinha. Caráter, no caso do atleta competitivo, é fazer questão de ganhar mesmo quando não é cobrado por isso. Na verdade, é ter um sistema de cobrança interno tão desenvolvido que independa das pressões externas.

O Leicester e o Audax – este em uma proporção bem menor, é verdade – conseguiram reunir, ao menos por uma temporada, essas condições mágicas que fazem os underdogs rosnarem na casa dos outros. Pena que seus times serão desmanchados pelos mais ricos e, ao que tudo indica, restará apenas a lembrança da efêmera ousadia.

Assim como o campeão inglês e o time de Osasco, um dia o Santos já foi a surpresa, o assombro que encantou a todos. E teve de repetir essa façanha dezenas, centenas de vezes, até conseguir um lugar entre os maiores do futebol. Agora, por ironia, parece destinado a buscar nesses times menores a inspiração para voltar a se impor em qualquer estádio, ou, como diz o seu hino, dentro ou fora do Alçapão.

Nesse sábado, às 18h30, em sua estréia no Campeonato Brasileiro, já terá um teste de ouro para checar seu status de bicampeão paulista em uma partida como visitante. Enfrentará o respeitabilíssimo Atlético Mineiro no Independência. O que veremos em campo com a camisa alvinegra praiana? O tigre que devora a todos na Vila Belmiro, ou o gatinho assustado que se inibe, se intimida ou se acomoda no campo do adversário?

Se eles conseguiram, você também pode
SonhosMaisQuePossiveis
O livro de bolso “Sonhos mais que possíveis” traz 60 histórias reais de superação física e psicológica de atletas olímpicos. Eu o recomendo para todo mundo que anda reclamando da vida, principalmente para os adolescentes.
Ele está sendo oferecido neste blog por apenas 6 reais, mas os custos de correio são maiores do que o preço do exemplar. Dessa forma, se você estiver interessado no livro, com dedicatória do autor, envie e-mail para blogdoodir@blogdoodir.com.br com o seu endereço e vamos estudar a maneira mais econômica de você ter em casa esse livro motivador que é “Sonhos mais que possíveis”.

E pra você: o que falta para o Santos jogar bem fora de casa?


Veja a matéria sobre Neymar no Fantástico de ontem

O programa Fantástico colocou uma câmera para focalizar Neymar durante todo o jogo contra o Atlético Goianiense. A ideia era justamente analisar o comportamento do jogador santista, que já tinha se envolvido em pequenas confusões nos jogos anteriores.

Nem é preciso dizer que o que aconteceu na partida contra o time goiano foi um prato cheio para o programa dominical da TV Globo. Ontem os psicólogos João Ricardo Cozac e Fernando Tavares de Lima analisaram o comportamento do menino de Ouro da Vila Belmiro. Veja a reportagem do Fantástico e depois dê sua opinião.

O que você achou da matéria? Concordou com os depoimentos dos entrevistados? Mudou sua opinião depois de conhecer a análise dos psicólogos?


Método Científico OC calcula as chances de Vitória e Santos na final de hoje

Da mesma forma que na quarta-feira passada, quando ele foi utilizado com acerto de 100%, recorro hoje ao “Método Cientítico OC” para analisar as chances de Vitória e Santos na partida das 21h50m, no Estádio Barradão, em Salvador, que decidirá o título da Copa do Brasil deste ano e ao mesmo tempo assegurará ao vencedor uma vaga na Copa Libertadores da América do ano que vem.

Em primeiro lugar, lembremos que, comparados ao time-padrão eleito, no caso o São Paulo (100 pontos), estabelecemos que o Santos, no máximo de seu potencial, chega a 140, enquanto o Vitória alcança 90 pontos.

Grosso modo, poderíamos afirmar que se o Santos jogar 65% do que já apresentou nas suas melhores apresentações este ano, já terá garantido o título da Copa do Brasil, pois alcançará 91 pontos, o que levará a um empate com o Vitória – resultado suficiente para lhe fazer campeão, pois venceu a partida na Vila Belmiro por 2 a 0 e pode até perder por um gol de diferença hoje.

Entretanto, há muitas variáveis no jogo de hoje que não podem ser desprezadas. Antes de um prognóstico definitivo, temos de analisar todas elas. Veremos:

Gramado
É uma vergonha que em um país que vai sediar a próxima Copa do Mundo, cinco vezes campeão mundial, seu segundo título nacional mais importante seja decidido em um campo cujos buracos são tapados com areia e que ficou ainda pior com as chuvas que caem em Salvador.

É natural que um time mais técnico sinta maiores dificuldades em chafurdar na lama. Não podemos nos esquecer de que a maior zebra das Copas do Mundo, a vitória da Alemanha sobre a Hungria, na final de 1954, foi obtida em um gramado pesado, que favoreceu o vigor físico dos alemães.

Por isso, o péssimo estado do “gramado” do Barradão, que impedirá a velocidade e a troca rápida de passes entre os santistas, deverá ajudar um pouco mais o Vitória, acostumado a jogar neste terreno familiar.

Arbitragem
Os santistas não gostam do árbitro Carlos Eugênio Simon, que nas quartas-de-final da Copa Libertadores, em 2005 simplesmente cismou que não daria nenhum pênalti a favor do Santos contra o Atlético Paranaense, na Vila Belmiro. No Campeonato Brasileiro do ano passado, depois de erros seguidos, o árbitro foi afastado pela CBF.

Por outro lado, Simon representou a arbitragem brasileira na Copa do Mundo da África – repetindo o feito das duas Copas anteriores – e é o mesmo que apitou a decisão do Brasileiro de 2002, na qual Robinho deu as oito pedaladas antes de sofrer o pênalti de Rogério.

O bom de Simon é que ele não costuma ser caseiro, não tem o hábito de, em duvida, dar preferência ao time da casa. Também não é de expulsar a torto e a direito, mesmo mantendo certa disciplina no jogo. Em princípio, a arbitragem não deve ser motivo de maiores preocupações para os dois times.

Estado emocional
Este detalhe é relevante, pois o fato de a partida decidir um título importante e a circunstância de jogar dentro ou fora de casa pode alterar o estado psicológico dos jogadores. Dependendo da importância deste jogador para a equipe, este descontrole pode afetar radicalmente o desempenho do time.

No Vitória, o maestro é o veterano Ramon, que dificilmente se altera, enquanto no Santos o líder tem sido Paulo Henrique Ganso, que mostrou grande personalidade na final do Campeonato Paulista, quando insistiu para ficar em campo e segurar a bola até o apito final.

Neste quesito, mesmo com um time mais experiente, o Santos não tem conseguido jogar tão bem fora de casa, enquanto o Vitória venceu todos os jogos que fez pela Copa do Brasil em seu estádio, onde marcou 19 gols e não sofreu nenhum. O detalhe é que até agora o campeão baiano não enfrentou nenhuma equipe com a força do Santos.

Outro detalhe é que um gol marcado pelo Santos obrigará o Vitória a fazer quatro para ser campeão. Portanto, enquanto não conseguir ao menos a vantagem de 2 a 0, o time baiano deverá atacar, mas ao mesmo tempo terá de se preocupar bastante com a força ofensiva do adversário,o ataque mais eficiene de uma edição da Copa do Brasil, com o recorde de 36 gols em 9 jogos, média de 4 por partida.

Variações no poderio técnico
O Santos poderá contar com todos os seus titulares. O técnico Dorival Junior só está em dúvida entre começar o jogo com Marquinhos ou André. O time que deverá iniciar a partida é Rafael; Pará, Edu Dracena, Durval e Alex Sandro; Arouca, Wesley e Paulo Henrique Ganso; Neymar, Robinho e André (Marquinhos).

O Vitória não terá o volante Vanderson, suspenso com três cartões amarelos, e o lateral-direito Nino recupera-se de uma contusão muscular e talvez não jogue. Por outro lado, o goleiro Viafara voltará ao time. Os jogadores relacionados pelo técnico Ricardo Silva, que tem treinado muito lances de bola parada, foram: Goleiros: Viafara e Lee. Laterais: Nino e Egidio. Zagueiros: Wallace, Anderson Martins, Reniê e Gabriel Paulista. Volante: Neto. Meias: Ramon Menezes, Bida, Elkeson, Fernando, Kleiton Domingues e Renato. Atacantes: Edson, Junior, Adailton e Schwenck.

Depois da volta da Copa as duas equipes têm tido desempenhos equivalentes. Porém, nos últimos jogos o Santos demonstrou alguma melhora. Domingo passado, enquanto um time de reservas santistas venceu o Grêmio Prudente, fora de casa, por 2 a 1; no Barradão o Vitória, que poupou apenas cinco titulares, perdeu para o Botafogo por 3 a 1. O momento dos santistas é um pouco melhor.

Retrospecto na competição
Os torcedores do Vitória dão como certo mais um bom triunfo de seu time, hoje, baseado no retrospecto da equipe nesta Copa do Brasil: dos cinco jogos que fez no Barradão, a menor contagem obtida pelo Vitória foi 2 a 0, contra o Vasco. No mais, ganhou de 4 a 0 de Corinthians alagoano, Goiás e Atlético Goianiense. E de 5 a 0 do Náutico. Na média, o campeão baiano venceria hoje por 4 a 0 e estaria classificado. Mas há o outro lado…

Nos jogos que fez fora de casa, o Santos não perdeu nenhum por mais de um gol de diferença. Foi derrotado por Guarani por 3 a 2, Atlético Mineiro por 3 a 2 e Grêmio por 4 a 3. Assim, na pior das hipóteses, o Santos perderia em Salvador por um gol de diferença e seria campeão. Portanto, neste caso o retrospecto é inconclusivo.

Análise final

Sem levar em conta nenhuma das variáveis citadas acima, o Santos manteria uma vantagem suficiente de pontos (140 a 90) para alcançar um triunfo de, no mínimo, dois gols de diferença. Porém, os cálculos devem ser refeitos, pois algumas das variáveis são francamente favoráveis ao Vitória.

O fator campo, agravado pelo péssimo estado do gramado, não faz o Vitória superar os 90 pontos, que é o seu máximo, mas pode reduzir bastante a força santista. Se o time cair, digamos, em 50%, chegará a 70 pontos, o que implicará uma derrota provável por um gol de diferença.

Há ainda os critérios arbitragem e estado emocional. Partindo-se do princípio que a atuação de Carlos Eugênio Simon não influirá no resultado da partida, teremos como último fator de análise o aspecto psicológico dos jogadores.

Não se pode definir, agora, como eles se comportarão. A motivação do Vitória é evidente, pois este seria o título mais importante nos 111 anos de existência do clube, mas para o Santos o título também é valioso, pois marcaria a confirmação dos Meninos da Vila como o grande time brasileiro no primeiro semestre deste ano, o que valorizaria ainda mais seus jogadores.

Porém, o estado emocional já está meio embutido no “fator campo” e ao se prever que o Santos renderá menos no Barradão do que na Vila, ele já foi levado em conta. De qualquer forma, há circunstâncias que podem agir em cascata, provocando panes momentâneas que definem um jogo. Ninguém poderia prever, por exemplo, que a Alemanha venceria a Argentina por 4 a 0. Entretanto, os gols alemães desencadearam tal descontrole no adversário que a goleada acabou sendo uma conseqüência natural.

O nervosismo exacerbado não provoca apenas erros técnicos inesperados, mas também reações violentas, que podem provocar expulsões. E atuar com jogadores a menos costuma ser fatal em partidas decisivas, marcadas pelo equilíbrio entre as equipes.

Finalmente, o veredicto

A motivação por estar na final de uma competição importante impedirá que o Santos caia tanto de rendimento, mesmo jogando fora de casa. Assim, apesar dos fatores contrários – torcida e “gramado” –, é de se esperar que o Alvinegro alcance, no mínimo, 60% de seu maior rendimento, o que lhe daria 84 pontos.

A arbitragem e a “sorte” são fatores imponderáveis, que podem ajudar uma ou outra equipe, mas, digamos, que prejudique um pouco mais o Santos e o time renda apenas 50% do que pode, atingindo os 70 pontos.

A diferença de 90 para 70 pontos costuma não ser suficiente para uma vitória por dois gols de diferença, mas está dentro de uma margem que, em alguns casos, permite que ela ocorra. Assim, a análise definitiva do Método Científico OC para o jogo de hoje é:

O MÁXIMO QUE O VITÓRIA PODE CONSEGUIR, PARA CONQUISTAR O TÍTULO, É VENCER A PARTIDA POR 2 A 0 E GANHAR NA DISPUTA DE PÊNALTIS.

SE RENDER 65% DO QUE PODE, O QUE É BEM PROVÁVEL, O SANTOS EMPATARÁ A PARTIDA E SAIRÁ DE SALVADOR COMO CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL.

O que achou dos cálculos do Método Científico OC? Tem algo a acrescentar?


Psicólogo esportivo – uma posição carente no Santos

Lembro-me bem da primeira vez que José Carlos Peres falou-me da necessidade de um psicólogo para o Santos. Descíamos a serra para uma reunião com o presidente Marcelo Teixeira, e Peres contou-me sobre o doutor João Ricardo Cozac, presidente da Associação Paulista de Psicologia do Esporte, que propunha montar um departamento de psicologia integrada no clube, atendendo desde os atletas infanto-juvenis até os profissionais.

Isso foi há mais de dois anos. Marcelo Teixeira não se sensibilizou com o pedido. Não sei se foi só uma questão de verba, ou de impedimento do técnico à época, provavelmente Vanderley Luxemburgo. A maioria dos técnicos não gosta de trabalhar com psicólogos, pois teme perder a ascendência sobre os jogadores.

Sei que há um mês a doutora Sônia Roman, psicóloga encarregada das divisões de base do Santos, foi promovida a “coordenadora do centro de estudos”, passando a ser responsável pelo acompanhamento psicológico de todos os atletas do clube.

Quem acompanha o trabalho da doutora me disse que ela já tinha dificuldades para dar conta dos garotos da base. Assim, dificilmente conseguirá atender também aos profissionais. Portanto, o Santos continua carente neste aspecto tão essencial, que é o acompanhamento psicológico de seus atletas.

Costumo dizer que é melhor um craque problemático do que um perna-de-pau de comportamento exemplar. A criatividade está diretamente relacionada à rebeldia. Craques quebram as regras, rompem barreiras, não tem jeito. Para cada um Kaká ou Ademir da Guia existem dezenas de Maradonas, Romários, Edmundos, Adrianos…

Infelizmente, um clube brasileiro não pode se dar ao luxo de contratar jogadores apenas pela boa índole, ou provavelmente teria de abdicar da luta por títulos. A solução não é evitá-los, mas estar preparado para lidar com esses talentosos indomáveis.

Um jogador não é só um corpo que corre. É um cérebro que pensa e um coração que sente. Não basta lhe dar hotéis cinco estrelas, refeições de primeira, quarto com tevê e Internet e um bom salário. Quase todos foram – e muitos ainda são – meninos de origem humilde e difícil. São vencedores, mas ainda brigam internamente com os fantasmas de uma vida de medos e perigos.

Um clube de futebol não é um quartel, onde deve reinar a disciplina absoluta e a total obediência às regras. Fosse assim e os jogos não teriam um drible, uma jogada irreverente e seriam uma infindável troca de passes de três metros. Futebol jogado com maestria exige temperamento revolucionário.

Portanto, é de se prever que um time se faça de personalidades fortes e, aparentemente, complicadas. Elas não devem ser expurgadas, pois são a diferença entre a magia e a mediocridade, mas não podem ser abandonadas à própria sorte. O clube precisa aprender a conviver com elas, a ajudá-las, se for possível.

Não se aceita mais soluções empíricas para o caso. Jogadores são patrimônio do clube e, no caso de um clube como o Santos – que se baseia quase que exclusivamente no futebol profissional –, seu bem mais valioso. Não dá para deixar que a cabeça dos jogadores vague ao Deus dará. Alguém precisa ajudar a colocá-la no lugar.

Como não seria justo esperar que o técnico, o diretor de futebol ou o presidente do clube façam isso – já que não são profissionais do ramo –, está mais do que na hora de o Santos contratar um psicólogo esportivo de gabarito para lidar com as inquietações, temores e anseios de seus atletas. Ou isso, ou a beleza que se produz em campo será destruída fora dele.

Você acha que psicólogo esportivo é essencial para um time de futebol, ou o técnico é que deve cuidar do problema?


© 2017 Blog do Odir Cunha

Theme by Anders NorenUp ↑