Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: público nos estádios

A questão é pragmática

Reunião do Conselho Deliberativo
Na reunião do Conselho Deliberativo do Santos, na noite de quinta-feira, o conselheiro da oposição, Sergio Ramos, foi absolvido por 11 votos de diferença de uma pena de suspensão de dois meses pedida pela Comissão de Inquérito e Sindicância por “falta de urbanidade com seus colegas de Conselho”. A Comissão Fiscal apresentou o balanço do primeiro trimestre de 2017: o clube previa um superávit de 30 milhões e teve um prejuízo de nove milhões. Como consequência, não poderá gastar mais nada até o final do ano e nem pedir empréstimos bancários. Vender jogadores é a única solução para pagar as contas.

Vi, com alguma inveja, o estádio Couto Pereira lotado na empolgante vitória do humilde Paraná sobre o Atlético Mineiro, pela Copa do Brasil. Enquanto isso, nosso incomensurável Santos tem jogado para uma média de seis mil pessoas na Vila Belmiro, onde voltará a se apresentar nesse domingo, às 16 horas, diante do Cruzeiro, em um dos grandes clássicos do futebol nacional. Muitos estão discutindo, de forma apaixonada, as razões dos públicos tão baixos no Urbano Caldeira. Porém, a meu ver, a questão não é emocional, mas pragmática,ou seja, há razões práticas que impedem um público médio maior no centenário Urbano Caldeira.

Veja você, amigo e amiga leitores deste blog, que um dos detalhes que atrapalham a lotação da Vila Belmiro é, simplesmente, geográfico. Até a década de 1950 Santos estava entre as dez cidades mais populosas do Brasil, era a décima, com 203.562 habitantes, contra 180.575 de Curitiba, que era a décima segunda. Várias capitais tinham menos habitantes do que a maior cidade da Baixada Santista. Isso mudou radicalmente. Em 2010 Santos era a 48ª cidade mais populosa do país, com 419.400 habitantes, enquanto Curitiba era a oitava, com 1.751.907 habitantes, quase quatro vezes mais. Essa diferença só tem aumentado, visto que o município de Santos não tem para onde crescer.

Essa questão se acentua quando se analisa o aspecto econômico. Não só o porto tem problemas, mas as poucas grandes empresas de Santos, incluindo-se a prefeitura, passam por sérios problemas financeiros. O desemprego é grande na cidade e isso, logicamente, influi no poder aquisitivo. Enquanto isso, cidades como Curitiba crescem a olhos vistos, com o surgimento de mais empresas todos os anos, que significam mais empregos, maior poder aquisitivo e a atração de mais e mais moradores.

Ainda há os aspectos interesse e mobilização, que fazem ou não parte do comportamento dos torcedores de um time. A cidade do Porto, em Portugal, tem menos habitantes do que Santos e sua área expandida chega a um total de pessoas similar ao da Baixada Santista. Ocorre que além de um poder aquisitivo médio maior, os torcedores do Porto são super interessados e mobilizados, a ponto de no início da temporada comprar carnês para todos os jogos do time. Assim, a média de público no Estádio do Dragão é de 20 mil pessoas no Campeonato Português e ultrapassa 30 mil pessoas na Champions League.

Se houvesse o mesmo interesse e a mesma capacidade de mobilização dos santistas, se ao menos cinco por cento dos 300 mil torcedores do Santos espalhados pelas cidades contíguas de Santos e São Vicente fossem regularmente à Vila Belmiro, já teríamos 15 mil pessoas a cada jogo, praticamente a lotação máxima do estádio.

Outro detalhe que atrapalha uma melhor lotação na Vila Belmiro é a distribuição e a categoria dos assentos. Além do eterno problema das cadeiras cativas, ainda não solucionado, o clube optou por investir em camarotes, ocupando o espaço que antes pertencia ao torcedor comum. Pelas características do público consumidor santista, aumentar o número de lugares populares seria a melhor medida para atrair mais gente aos jogos.

Por fim, a polarização regionalista empreendida pela gestão atual do clube, incentivada por alguns representantes da imprensa de Santos, ao tentar pintar o santista da Grande São Paulo como “forasteiro” ou como um torcedor de segunda categoria, pois não nasceu, não vive e nem morrerá na Vila Belmiro, essa polarização desrespeitosa acabou afastando muitos torcedores do planalto que antes, de bom grado, desciam a serra a cada jogo do time, em um esforço não reconhecido pela direção do clube.

A tremenda má vontade com o torcedor de fora de Santos, a falta de compreensão com um santista que investe tempo e dinheiro para incentivar o time, as ofensas do tipo “se querem que o Santos jogue em São Paulo, fundem o Santos de São Paulo” e outras tolices do gênero, acabaram desgostando boa parte dos torcedores de fora da cidade que iam regularmente à Vila Belmiro. Com isso, os jogos na Vila têm contado com uma maioria de torcedores da Baixada Santista.

Para completar há a tendência, histórica, de públicos pequenos na Vila Belmiro. Mesmo nos períodos áureos do time, com aquela ataque dos sonhos estrelado por Pelé, a média de espectadores não ultrapassava 10 mil pessoas. Só mesmo nos grandes jogos, e com uma grande assistência de torcedores de São Paulo e outras cidades, é que a Vila Belmiro se enchia.

E você, o que acha disso?

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Por que o Santos só leva sete mil pessoas à Vila Belmiro

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Conforme prometi ao leitor Scylas Santista, analisarei a questão da reduzida torcida nos jogos do Santos. O tema é relevante e preocupante. O fato de um dos times de maior torcida no Brasil (quarto na melhor das hipóteses, oitavo na pior) ter um público médio de apenas sete mil pessoas quando joga na Vila Belmiro, e, pior ainda, a insistência da direção do clube de manter seus jogos no mesmo local, é algo que em sã consciência não se pode entender ou explicar.

Ainda mais porque esta gestão assumiu o clube com a promessa de trazer para o futebol métodos de administração que alavancam empresas, aumentando-lhes o faturamento. Se é possível atrair mais público e com isso não só arrecadar mais dinheiro, mas também recrudescer a pressão sobre os visitantes, por que nada se faz para mudar esse desanimador quadro atual?

A resposta só poderia ser dada pelos dirigentes do clube, mas creio que a falta de conhecimento, aliada à arrogância, os impedem de mudar o que está dando errado. E seria muito simples resolver o problema. Para começar, eu convidaria para uma conversa o Rachid e o Douglas Aluisio, que neste blog assina @anos60fs. Ambos vivem, pensam, se preocupam com a causa do torcedor há muito tempo, e por isso tem ótimas ideias que podem resolver a questão.

Em suma, os administradores do Santos deveriam apenas seguir o be-a-bá da lei da oferta e da procura. Ela diz que o preço de algo só pode ser aumentado quando a procura é maior do que a oferta. Ora, se a Vila comporta 16 mil lugares e o público médio é de sete mil, ou menos de 50% de sua capacidade, é óbvio que para se conseguir uma lotação máxima é necessário diminuir o valor dos ingressos.

Pois a lei a que eu me referi, diz: “Quanto mais alto for o preço de um produto, menos pessoas estarão dispostas ou poderão comprá-lo… Quando o preço de um bem sobe, o poder de compra geral diminui (efeito renda) e os consumidores mudam para bens mais baratos (efeito substituição)”. Se quiser conhecer a lei a fundo, vá para http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_da_oferta_e_da_procura

Um membro dessa diretoria poderia responder: “Mas por que reduzir o preço do ingresso se com sete mil pessoas pagando 40 reais eu faturo mais do que com 14 mil pagando 20?”. É uma pergunta pertinente, sem dúvida, e merece uma consideração que vai além da questão financeira imediata. Vamos a ela:

Um estádio lotado tem um efeito múltiplicador que se espalha não só para o campo de jogo, motivando ainda mais o time da casa, como impregna as pessoas que assistem pela tevê, se espalha pelas cidades, chega aos ouvidos e aos olhos de crianças e adultos prestes a escolher um time para torcer, alcança, enfim, a razão e o coração dos patrocinadores.

A imagem de um estádio lotado é a imagem de um time popular e bem-sucedido. A imagem de um estádio vazio, ou semivazio, sempre será a de um time secundário, mal amado e menos importante. Não importa que o caixa mostre um lucrozinho a mais. A popularidade, mesmo às custas do ingresso barato, um dia se reverte em maior interesse da mídia e dos patrocinadores. É só olhar em volta e ver as benesses que se oferecem aos chamados times de massa – que o Santos é, mas parece não fazer questão de ser.

Não há torcida forte sem ser mobilizada

Não acredito que a torcida do Santos, de uma hora para outra, vá tirar a bunda do sofá e começar a encher estádios. Ela já fez isso várias vezes, mas sempre por um bom motivo e sempre bem mobilizada. Em 1978, um ano depois do alvinegro de Itaquera sair da sua filha de 23 anos, o Santos foi o time que levou mais público ao Campeonato Paulista, superando as hordas do rival. Mas o trabalho de mobilização era o melhor dentre as torcidas organizadas.

A Torcida Jovem, que não recebia ônibus de graça e nem ingressos da diretoria do clube, chegou a preparar em segredo a maior bandeira já vista em um estádio de futebol. Os adversários eram sempre pegos desprevenidos. O Santos dava espetáculo no campo e nas arquibancadas.

Agora falta essa mobilização, que deveria ser feita não só pelas organizadas, mas pelo próprio clube. Para começar, a direção santista deveria tornar mais democrática e acessível essas “embaixadas”. Exigir 100 sócios de cada uma é uma extravagância de quem não conhece a realidade do trabalhador/consumidor brasileiro. Estou certo que se o Rachid ou o Douglas Aluísio teriam sugestões melhores para tornar essas embaixadas um ponto de encontro, lazer, conhecimento da história do Santos e discussão dos grandes temas do clube.

Aliás, a ideia do sócio+1 foi do Douglas. Ela é simples, inteligente e cristalina, e o clube só não a utilizou mais por teimosia. O Santos já é um clube que não tem absolutamente nada e nada oferece ao sócio. Custa dar a este sócio a oportunidade de, em alguns jogos, comprar o seu ingresso e comprar também, sem desconto, o ingresso para um acompanhante?

Enfim, as ideias de se mobilizar a torcida do Santos são muitas. Para colocá-las em prática basta boa vontade – o que, infelizmente, nesses três anos e meio de gestão, essa diretoria ainda não mostrou. Nem falarei que jogar no Pacaembu daria mais público, visibilidade e renda, pois acho que é impossível que alguém não perceba isso.

Enfim, há alguns dias as ruas do Brasil estavam tomadas por jovens inconformados com a corrupção e a incompetência que grassam no País e muitos diziam que finalmente a nação tinha acordado. Não vou entrar no mérito de dizer se acordou ou não, pois acho que a poeira está abaixando e tudo está como antes no quartel de Abrantes. Porém, a imagem serve para o Santos: um gigante adormecido comandado por homens sonolentos e preguiçosos, incapazes de lhe dar o que prometeram. Está passando a hora de acordar.

E pra você, por que o Santos só leva sete mil pessoas aos seus jogos?


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