Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Barcelona faz faltas para não deixar o adversário jogar. E outras 10 constatações do dia seguinte…

1 – O Barcelona é um grande time, porém mesquinho. Ele quer ficar com a bola o tempo todo, mas faz de tudo para impedir que o adversário jogue. Ontem, mesmo com 71% de posse de bola, foi o time mais faltoso. Na verdade, a equipe de Pep Guardiola, longe de ser um primor de fair play, como o Santos de Pelé, usa a falta como recurso. Sempre que perdia a bola no ataque, fazia a falta logo no lance seguinte, principalmente para impedir o contra-ataque santista. Além de Piqué e Mascherano, Keita também merecia o cartão amarelo.

2 – O fato de ter ficado muito tempo sem jogar uma partida com a obrigação da vitória, e a admiração declarada do técnico Muricy Ramalho e de muitos jogadores do Santos pelo Barcelona, deram ao jogo um caráter amistoso. Mesmo sendo uma partida que poderia ser uma das mais importantes na história do clube, os santistas foram bonzinhos demais com o adversário, mal cometendo faltas e com isso permitindo que tocassem a bola com mais facilidade.

3 – Neymar deve ter percebido que elogiar os zagueiros Piqué e Puyol, antes do jogo, não impediu que estes mostrassem suas garras quando a bola rolou. Piqué fez falta proposital em Neymar para impedir que este partisse, livre, para o gol, aos 38 minutos do primeiro tempo (um gol santista ali diminuiria a vantagem para 2 a 1). E Puyol, em duas vezes que subiu para cabecear, machucou Danilo e Borges, acertando mais a cabeça dos santistas do que a bola.

4 – Comparar Messi e Neymar após um jogo desses é extremamente injusto. É só trocar os times e imaginar Messi no ataque do Santos, isolado, cercado por três adversários, sem ter com quem tabelar, e Neymar rodeado de jogadores tão habilidosos e inteligentes quanto ele. É claro que o Menino de Ouro se destacaria mais. Messi não precisa decidir o jogo para o Barcelona, ao contrário do que Neymar tem feito no Santos.

5 – Messi tem o corpo de um ginasta: é extremamente baixo (menos de 1,70m) e troncudo. Proporcionalmente, a bola é maior para ele e, naturalmente, mais fácil de controlar. Seu centro de gravidade, mais próximo do solo, lhe dá um equilíbrio muito maior do que o de jogadores mais altos. Isso, explica sua facilidade para correr com a bola rente aos pés e cair pouco. Assim, em que pese seu talento, Messi é uma trapaça da natureza. Além de ser super energético, como um mussaranho.

6 – Se o Barcelona, reconhecidamente o melhor time do mundo, cultiva a posse de bola desde as categorias de base, será que o Santos, que se orgulha de seu DNA ofensivo, também não deveria voltar sua filosofia de jogo para o ataque? Se a resposta é SIM, cabe a pergunta: será Muricy Ramalho o técnico ideal para fazer o time do Santos jogar conforme sua predestinação genética? Por mais que eu goste de Muricy e o considere o maior responsável pelo título da Libertadores, acho que não. Sua filosofia tática se baseia na defesa, que para ele é o melhor ataque. Porém, ao se olhar o mercado, percebe-se que no Brasil todos os técnicos são defensivistas. Seria o caso de se buscar alguém de fora?

7 – Por mais que o Barcelona seja superior a todos os times do mundo, o fato é que o Santos teve um semestre para se preparar para este jogo, que perdeu por 4 a 0, pouco tocou na bola, e poderia ter perdido por mais. Assim, é evidente que além do mérito do adversário, houve o demérito do Santos. Não seria agora o momento ideal para se fazer uma análise do que deu errado e tentar corrigir para o futuro? Se há um momento para se trocar pessoas e metodologias, não é o começo de uma temporada?

8 – O torcedor do Santos diz, desde os tempos do técnico Dorival Junior, no primeiro semestre de 2010, que o problema do time é a defesa. Analistas de jornais espanhóis escreveram o mesmo, que também foi constatado pelos observadores do Barcelona. O jogo de ontem confirmou que o sistema defensivo do Santos é um caos e foi vencido com facilidade pelo ataque do Barcelona . Então, por que não se aproveita o Campeonato Paulista, no começo do ano, para testar uma defesa diferente, mais ágil e jovem? É possível acreditar que dá para vencer o Barcelona, em uma hipotética final do Mundial de 2012, com esta mesma defesa que jogou ontem?

9 – A vitória na Libertadores deu aos heróis santistas lugar cativo no time que jogaria o Mundial. Foi como se durante o segundo semestre de 2011 o torcedor tivesse de engolir a má fase de uns e a má vontade de outros, à espera do grande momento que compensaria tudo. Mas agora, que muitos desses jogadores fracassaram espetacularmente na tentativa de buscar a terceira estrela, não é o momento de rever quem deve continuar e quem deve sair do Santos? Não é o momento de se pensar em montar um time mais forte, mais rápido, mais ofensivo e mais motivado?

10 – Enquanto o Santos abriu mão do Campeonato Brasileiro para descansar o time e só pensar no Mundial, o Barcelona viajou para o Japão depois de jogar completo um clássico efervescente contra o seu maior rival, o Real Madrid. E ainda no Japão perdeu David Villa, com a perna fraturada. No entanto, quando enfrentaram o Santos, parecia que os jogadores do Barcelona é que estavam descansados. Será que em 2012, mesmo que o Santos volte a conquistar a Libertadores, valerá a pena poupar os titulares no Campeonato Brasileiro?

11 – Perder, e de goleada, uma final de Mundial, não é o fim da história. Sinto que hoje todo mundo está falando do jogo de ontem, do Barcelona e sua incrível posse de bola, e do pobre Santos, que não conseguiu jogar. Até mulheres que nunca assistiram a uma partida de futebol estão falando nisso. O jogo criou uma expectativa sobre o Barcelona, mas também sobre o Santos. Se souber dar a volta por cima, o Alvinegro Praiano transformará a tristeza de ontem em muitas alegrias e atrairá a simpatia de muitos novos torcedores. O que não pode, agora, é baixar a cabeça.

E você, o que acha? Tem mais constatações a fazer?


O que esperar deste Barcelona. E como neutralizá-lo

Antes de mais nada, vamos combinar: este Al-Saad é o pior time que já disputou um Mundial. Acho até que chamá-lo de time é um elogio. Qualquer equipe da Série C do Campeonato Paulista golearia este campeão do Oriente Médio. Portanto, estes 4 a 0 obtidos pelo Barcelona, hoje, nada significam como parâmetro para a decisão de domingo, contra o Santos.

Não fossem dois erros grosseiros de sua defesa e o time do Catar provavelmente terminaria o primeiro tempo empatado com aquele que é considerado o melhor do mundo. Fosse uma equipe brasileira, mesmo sem expressão, mas com a técnica e a malícia dos jogadores brasileiros, e o Al-Saad certamente teria complicado a vida do Barcelona, da mesma forma que o bom Kashiwa Reysol complicou para o Santos.

Por falar em brasileiros, foram eles, com sua eterna fome de gol, que resolveram as coisas para a equipe catalã, que às vezes toca, toca, toca, mas não define. Adriano, duas vezes, e Maxwell marcaram três dos quatro gols do jogo e simplificaram algo que os companheiros estavam complicando.

Este não é o melhor time de todos os tempos

Mesmo com a equipe recheada de reservas, foi possível, mais uma vez, perceber como o Barcelona impõe sua filosofia de jogo, que é manter a posse da bola a maior parte do tempo. É eficiente? Sim. Mas não se pode comparar este estilo com o do grande Santos dos anos 60, ainda hoje considerado o melhor time de futebol que já existiu.

Há um quê de covarde e excessivamente pragmático ao se recuar uma bola do meio-campo ao goleiro, a fim de se recomeçar a jogada do zero (ainda mais contra o inofensivo Al-Saad). Pode ser eficiente do ponto de vista tático, mas burla a expectativa do público, que não gosta de ver times refugando uma possibilidade de ataque. O grande Santos não fazia isso. Podia correr mais riscos, mas os enfrentava sem medo e essa coragem, às vezes temerária, cativava o público.

Por mais que os técnicos criem táticas para aumentar as chances de vitória e diminuir sua possibilidade de perder o emprego, o povo gosta dos campeões destemidos, tipo Cassius Clay, que baixava a guarda e ia para cima do rival com o rosto descoberto. Este Barcelona escancara suas qualidades e mascara seus defeitos, mas está longe de ser uma equipe apaixonante, como o Santos de Pelé, Pagão, Coutinho, Pepe, Dorval Mengálvio, Carlos Alberto, Zito, Mauro, Gylmar, Lima, Clodoaldo, Joel, Edu e tantos outros craques.

Posse de bola gera efeito mais psicológico do que prático

Assim como há jogadores que preferem as firulas do que as jogadas objetivas, este Barcelona parece gostar demais de ter a bola sob seu controle. Gosta tanto, que reluta em se desfazer dela, mesmo para chutar a gol.

A questão é que a posse de bola, mesmo quando não muito objetiva, acaba quebrando a moral do adversário. O anseio do jogador de futebol é tocar na bola, é tentar jogadas, é, enfim, jogar. Ficar correndo de um lado para o outro atrás do adversário é frustrante, principalmente para quem está acostumado a ser o centro das atenções.

Ao impedir que o adversário jogue, o Barcelona vai, aos poucos, minando sua resistência, fazendo com que o inimigo, humilhado, se conforme com a derrota diante de um rival potencialmente superior.

Muricy prepara o antídoto

Percebi que o técnico Muricy Ramalho está preocupado com a sensação de abatimento que pode tomar conta dos santistas se forem colocados na roda pelo time espanhol. Ele tem dito que posse de bola é importante, mas não é ela que ganha jogo. Concordo.

Na Libertadores, o Santos ganhou jogos nos quais também não teve o controle da bola. O importante é, mesmo que tenha de tomar uma posição defensiva, manter a mentalidade ofensiva, ou seja, estar sempre preparado para dar o bote e ir pra dentro do adversário.

Assim como, apesar do domínio do jogo, foram duas falhas graves da defesa do Al-Saad que proporcionaram os primeiros gols do Barcelona, domingo o Santos estará esperto para roubar bolas que poderão definir o Mundial.

Por outro lado, dar espaço ao Barcelona pode ser um péssimo negócio. Com tranqüilidade para trabalhar a jogada, até seus bons reservas se destacam e criam a falsa impressão de que a equipe é coalhada de craques. Mas, se forem apertados ocasionalmente, principalmente na saída de bola, duvido que seus jogadores mantenham o ar blasé de quem entra em campo apenas para cumprir obrigação.

A única batalha realmente dura que o Barcelona tem tido é contra o Real Madrid, que, com todo o respeito ao ex-time de Robinho, não tem a mesma capacidade competitiva do Santos. Com um ataque que depende dos arranques de Cristiano Ronaldo, o Real positivamente não tem o poderio ofensivo do Santos.

Então, só pra resumir: acho que Muricy preparará os jogadores do Santos para não se abaterem com a maior posse de bola do adversário, mas para irem pra cima com vontade logo que a recuperarem. E estou quase certo de que o Alvinegro apertará a saída de bola do time catalão.

A perda de Villa e o ponto fraco do Barça

Mais do que a perda de David Villa, que fraturou a perna esquerda, a contusão de Aléxis Sánchez, que saiu de campo com dores no músculo da coxa, pode representar uma perda importante para o técnico Pep Guardiola, já que Aléxis seria o reserva de Villa no jogo contra o Santos.

Porém, como poderá contar com Messi, Xavi, Iniesta, Fábregas & Cia, não creio que o Barcelona perderá muito com a ausência desses jogadores. Perderia mais se um zagueiro titular ficasse de fora da decisão. Algo me diz que, se apertados, esses becões do Barça confessam.

Acostumados a jogos em que não são atacados, em que o adversário se junta lá atrás e lhes oferece três quartos do campo para manobrar, esse Barcelona não sabe o que é passar aperto e sua zaga só joga na sobra, pegando os chutões da defesa adversária. Gostaria de ver o Santos partindo com a bola dominada pra cima dos grandalhões Puyol e Piqué e do errático Daniel Alves.

Algo me diz, ainda, que o Barcelona jamais enfrentou um adversário com tantos recursos ofensivos como o Santos. Um adversário, na verdade, que é sua antítese, pois não faz questão de ficar muito termpo com a bola, mas faz questão de fazer gols.

Santos tem de querer mais este título do que o Barça

Como já foi dito aqui e sempre é bom repetir: o que fará o campeão, domingo, é a vontade. Por mais que a imprensa esportiva brasileira babe ovo para o Barcelona, os jogadores dos times que farão a final se equivalem. Se há uma diferença, e há, ela é tática, mas não é decisiva.

O jogador do Santos não pode entrar em campo apenas para fazer um bom jogo. Tem de entrar em campo para ser campeão. O time não abriu mão de todo o segundo semestre apenas para ser o coadjuvante da final. O Santos só pensou no título mundial desde que conquistou a Copa Libertadores, e a hora chegou. Não há mais nada entre o Santos e o seu sonho realizado, a não ser uma partida.

Querer, querer mais fará ganhar as divididas, chegar primeiro na bola, chutar com precisão, ligar todos os sentidos, o tempo todo, em busca da vitória. Por isso, acima de tudo, é preciso querer muito, do primeiro segundo aos acréscimos. E continuar querendo se o time estiver ganhando ou perdendo.

É preciso gostar do ataque e da defesa, gostar de estar ali, jogando uma partida que todos os jogadores do mundo queriam jogar. E jogando com alegria, sem medo, só com vontade, muita vontade de vencer e ser campeão. Nesta hora, não importa quem está do outro lado. É preciso fazer valer a sua vontade. Que se estrepe o que o Barcelona quer. O Santos tem de querer mais. Isso é o que faz um campeão do mundo!

E você, o que achou do Barcelona hoje? Dá pra encarar?


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