Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

film izle

Tag: Ranking da CBF

Magia da CBF põe o ranking nacional de ponta-cabeça

Desculpem, mas tenho de tirar o chapéu para a CBF. Os caras não são fracos, não. Sabe aquele número de magia em que um espectador escolhe uma carta, o mágico embaralha pra cá e pra lá, manda alguém da plateia cortar o baralho e ao tirar a carta esta é justamente a que tinha sido escolhida?! Pois é. A CBF tem esse incrível dom e o demonstrou, mais uma vez, ao elaborar o seu novo ranking de clubes.

Em primeiro lugar, não é preciso ter poderes extraordinários para perceber que, neste país, quem domina a política do futebol tem a sua vida facilitada também no campo de jogo. E também não é preciso ser bidu para notar que dos quatro times grandes de São Paulo, dois vivem períodos de privilégios por parte da CBF – o alvinegro de Itaquera e o tricolor do Morumbi –, enquanto os outros dois, perseguidos indisfarçadamente, tentam sobreviver ao momento desfavorável.

Os próprios leitores deste blog já me alertavam: com a influência de Mano Menezes, Andrés Sanchez, Ronaldo e Lula, abençoados pela Rede Globo, e a presidência da CBF caindo no colo do medalhista são-paulino José Maria Marin, podíamos esperar medidas que favoreceriam esses dois times, em detrimento do Alviverde e do Glorioso Alvinegro Praiano. Eu lia, mas não queria acreditar – assim como costumamos não acreditar nas mágicas que vemos nos circos da vida, até que elas acontecem.

Pois note, o senhor e a senhora e todo o distinto público, que a CBF transformou um ranking nacional que tinha o Palmeiras em primeiro, o Santos em segundo, o Corinthians em sexto e o São Paulo em nono, em um ranking no qual Santos e Palmeiras foram os que mais caíram e adivinhe só qual foi a dupla que mais subiu? Isso mesmo, o alvinegro de Itaquera e o tricolor do Morumbi.

Na verdade, quem subiu mais, mesmo, foi o Fluminense, que saltou de décimo-segundo para primeiro, enquanto o alvinegro paulistano subiu de sexto para segundo; o tricolor paulista pulou de nono para quarto; o Palmeiras caiu de primeiro para oitavo e o Santos, de segundo para nono.

É que agora, em uma decisão que só foi divulgada há dois meses, o ranking só vai contar os últimos cinco anos! A explicação do diretor de competições da CBF, Virgílio Elísio, é a de que o ranking pretende representar melhor o momento presente dos times. Tudo bem. Mas por que cinco anos? Se vivemos em uma sociedade decimal, em que o tempo é dividido em décadas e seus múltiplos – séculos, milênios –, por que cinco anos?

Se este novo ranking já estava decidido desde o início de 2011, por que a CBF esperou 2012 inteiro para só então divulgá-lo? Só sei dizer que se contasse de 2002 a 2011, ou mesmo só de 2007 a 2011, o Santos estaria entre os primeiros. Excluir 2002 e 2007 fez o Alvinegro Praiano ficar bem abaixo do que poderia. Teria sido apenas coincidência?

O torcedor do Santos sabe que seu time é um dos melhores do País e nos últimos 11 anos participou de sete Libertadores, ganhou dois títulos brasileiros (e foi duas vezes vice), uma Copa do Brasil, uma Libertadores (e foi uma vez vice), cinco Paulistas, uma Recopa e foi a equipe de futebol do Brasil que mais jogadores cedeu à Seleção Brasileira, além de revelar Robinho, Diego, Neymar, Alex, Arouca… Que nos desculpem os adversários, mas ver o Santos em nono lugar em um ranking nacional, atrás de tantas equipes que nesse período só tiveram alguns lampejos, só pode ser magia. Negra.

Mas, por outro lado, a capacidade de fazer rankings da CBF – que deve ser a mesma de sortear chaves de competições eliminatórias – deixa o torcedor brasileiro otimista. Se os sorteios dos jogos da Copa das Confederações e da Copa do Mundo forem elaborados com tanta perícia, certamente a Seleção Brasileira terá grandes possibilidades de ser campeã. Não fique surpreso se, em um mesmo grupo, caírem, por exemplo, Alemanha, Espanha, Argentina e Holanda, enquanto o Brasil for sorteado contra Camarões, Japão e Costa Rica… Espere e verá.

E você, o que achou do novo ranking mágico da CBF?


Meus Deus, de que cabeça saiu este ranking da CBF?!

Dia 7, terça-feira, a Confederação Brasileira de Futebol elaborou o seu ranking brasileiro de clubes, que deve ser o pior ranking jamais elaborado por alguma instituição desportiva. Assinado por Virgílio Elísio da Costa Neto, diretor de competição da CBF, a classificação usa critérios absurdos e só pode chegar a aberrações que fariam corar crianças do pré-primário.

Isso é preocupante, pois esta mesma Confederação, que não consegue estabelecer critérios justos para o ranking de clubes do país mais vitorioso no futebol, está com a incumbência de analisar a ratificação dos títulos brasileiros a partir da Taça Brasil de 1959 – o que exige uma capacidade que, pelo ranking divulgado esta semana, a CBF não tem.

Para começar, o ranking dá mais valor à Copa do Brasil do que ao Campeonato Brasileiro, inversão de valores que já deveria servir de motivo para sua imediata anulação. Uma competição secundária não pode ter um peso maior do que a principal competição do país.

Depois, ignora os times brasileiros que disputam a Libertadores. Por fim, a classificação parte do princípio, falso, de que o Brasil só tem campeões nacionais a partir de 1971, e deixa de fora esquadrões como o Palmeiras de Ademir da Guia, o Santos de Pelé, o Cruzeiro de Tostão e o Botafogo de Garrincha, entre outros timaços da fase áurea do futebol brasileiro.

Diante de tantos disparates, o resultado final dó poderia ser completamente ilógico e o líder anunciado é o Grêmio, que só ganhou dois Campeonatos Brasileiros. Como o time Gaúcho pode estar à frente, por exemplo, do São Paulo, com seis Brasileiros? A alegação é a de que o Grêmio ganhou quatro Copas do Brasil e esta competição secundária, repito, é mais valorizada pela CBF do que o Campeonato Brasileiro.

Por este ranking o São Paulo só aparece em quinto, o Palmeiras (com quatro Brasileiros pós-1971 e quatro pós-1971) é o sétimo e o Santos, maior campeão do Brasil de todos os tempos, o décimo. O Fluminense, campeão deste ano, aparece apenas na décima-primeira posição. Ou seja, conseguiram virar a história do futebol brasileiro de cabeça pra baixo.

Pelo ranking, o rebaixado Vitória foi melhor do que o Fluminense em 2010

Pelo ranking da CBF, o Vitória, mesmo rebaixado no Brasileiro, seria o número um do país este ano se tivesse vencido a final da Copa do Brasil. Isso porque faria 30 pontos pelo título, que somados aos 44 pontos pelo 17º lugar no Brasileiro dariam 74 pontos, 9 a mais do que o Fluminense ganhou por vencer o Campeonato Brasileiro (60) e ser quadrifinalista da Copa do Brasil (5). Dá pra acreditar nisso?

O Santos, mesmo terminando apenas na oitava posição do Brasileiro, foi o número um do ranking nacional este ano, pois somou 83 pontos (30 + 53), 18 a mais do que o tricolor carioca. É claro que isto é de uma sandice total, mas é assim que o tal ranking funciona. Tente compreender:

Na Copa do Brasil os pontos são distribuídos da seguinte forma: 30 para o campeão, 20 para o vice, 10 para os semifinalistas, 5 para os quadrifinalistas, 3 para os times que alcançam as oitavas de final, 2 para que os que param nas dezesseis de final e 1 para os que perdem na primeira rodada.

No Brasileiro, o campeão recebe 60 pontos, o vice 59, o terceiro 58, e assim por diante, diminuindo só um ponto por classificação, até o vigésimo e último colocado, que ganha 41 pontos.

Isso gera uma grande distorção ao se comparar as duas competições, pois em uma, a menos importante, a diferença de uma posição para outra pode chegar a 10 pontos, enquanto na outra, justamente a que define o campeão brasileiro da temporada, é de apenas um ponto.

Todo mundo sabe, por exemplo, que a diferença entre o campeão e o vice deve ser muito maior do que, por exemplo, entre o 13º e o 14º colocados. O esforço e o mérito de ser campeão deve ter uma recompensa muito maior do que a do time que ficou uma posição á frente de ouro, mas na parte final da tabela. Todos os esportes partem desse princípio para elaborar s suas classificações.

Se houvesse só uma competição nacional por ano, tudo bem, mas como há duas, e a menos importante tem um peso maior e ainda não conta com equipes que jogam a mais importante, vira tudo um samba do crioulo doido.

Times do Brasil na Libertadores são “esquecidos”

Ao serem proibidos de participar da Copa do Brasil, os times que defendem o país na Copa Libertadores acabam sendo francamente prejudicados por este ranking maluco. Veja que o Internacional, campeão da Libertadores este ano, terminou a temporada atrás do Atlético Goianiense por esta classificação.

Enquanto o Atlético Goianiense fez 10 pontos por ter chegado às semifinais da Copa do Brasil e mais 45 pelo 16º lugar no Brasileiro, somando 55, o Inter só conseguiu 54 pontos pelo sétimo lugar no Brasileiro.

Outro resultado desta classificação canhestra é perceber que o Atlético Mineiro, que teve um ano péssimo e passou a maior parte do tempo fugindo do rebaixamento, terminou um ponto à frente do São Paulo, que disputou a Libertadores e terminou o Brasileiro na nona posição.

Copa do Brasil foi feita para distribuir privilégios

Conheço um veterano técnico paulista, durante alguns anos integrante do departamento técnico da CBF, que me confidenciou como a chave da Copa do Brasil era feita: “A pessoa me chamou e disse: ‘vamos ver como podemos armar a tabela para favorecer os times cariocas’. Fiquei espantado” (não citarei o seu nome, mas, pessoa íntegra que é, se precisar depor em juízo, já me garantiu que o fará).

Nunca tive dúvidas de que a chave da Copa do Brasil era manipulada. Durante muito tempo a chave era anunciada sem nenhum sorteio anterior. Já vinha decidida pelo comando da CBF.

Criada em 1989 pelo então deputado Eurico Miranda, a Copa do Brasil foi idealizada para dar lugar aos times que não se classificavam para o Campeonato Brasileiro. Teve algum critério no começo, mas logo começou a convidar muito time que não tinha mérito esportivo para participar.

Transformar esta competição na que tem maior peso no ranking nacional é um acinte. Isso deve ser corrigido imediatamente, sob o risco de o país que vai sediar a Copa ser motivo de escárnio das grandes potencias do esporte e da imprensa especializada que estará em nosso País durante o Mundial.

Não acho que este ranking seja apenas motivado pela incompetência do departamento técnico ou de competições da CBF. Há muitíssima má fé escondida nesses métodos maquiavélicos que buscam transformar os resultados em campo.

E a Taça Brasil e o Robertão?

Quando conversei com o senhor José Dias, que se identificou como o autor deste ranking da CBF, ele me disse que considerava a Taça Brasil com o mesmo peso da Copa do Brasil. É um erro crasso e irritante, sobre o qual já falamos muito, mas caso o senhor José Dias aplicasse, na prática, o que me falou, e a Taça Brasil valesse igual à Copa do Brasil, isso tornaria o Santos o líder disparado de qualquer ranking nacional que se faça.

Há ainda o Torneio Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata, de 1967 a 1970, a competição nacional de clubes de melhor índice técnico e melhor média de gols e público já realizada – enfim, um modelo de sucesso que foi jogado fora pelo governo militar e que hoje é esquecida convenientemente não só pela CBF, mas também por algumas alas retrógradas da mídia.

Pois é. Como se pode fazer um ranking nacional de clubes dando mais valor à Copa do Brasil do que ao Campeonato Brasileiro? Ignorando os times que disputam a Libertadores? Esquecendo-se de 12 anos de campeões nacionais da era de ouro do nosso futebol, representada pela Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata?

É simples, Não se pode. Esse ranking da CBF é fruto de um trabalho amador, empírico, desabonador para a entidade que dirige o futebol brasileiro. É, enfim, uma grande piada, que só poderá despertar ironia e desprezo na crônica esportiva dos países do primeiro mundo do futebol.

Clique para ver o ranking maluco da CBF

E você, acha que a CBF está certa e o Grêmio é mesmo o melhor time brasileiro de todos os tempos? Ou os autores desse ranking devem ser internados?


© 2017 Blog do Odir Cunha

Theme by Anders NorenUp ↑