Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

film izle

Tag: Real Madrid (page 1 of 6)

Só atos políticos impedem a Espanholização


Essa garotada do Sub-13 é infernal. Joga muito e põe o adversário na roda!


Meninada do Sub-11 jogou melhor e merecia o título, mas nessa idade títulos não importam, o que vale é saber jogar futebol, e isso eles sabem.

Os campeões de 1935 nos braços do povo

Por Guilherme Gomez Guarche

O amigo Guilherme Gomez Guarche é o responsável pelo Departamento de Memória e Estatística do Santos e autor de vários livros que abordam a história do clube. Por um erro imperdoável meu, deixei de publicar, ontem, um texto que o Guarche já havia me enviado há dias sobre a chegada da delegação santista à cidade, depois de conquistar o título paulista de 1935.

O emocionante texto está no livro publicado por Guarche em 2002: “O Melhor do Século nas Américas”, e foi extraído do jornal A Tribuna, edição de 18 de novembro de 1935.A matéria aborda a chegada da delegação santista, que chegou à noite na estação do Valongo, em frente onde está situado o Museu Pelé. Segue o texto:

“O feito brilhante do Santos, no campeonato da Liga Paulista, este anno encheu de justo contentamento a população esportiva da cidade. Nunca se constataram no terreno do esporte tantas e tão vivas demonstrações de enthusiasmo. Logo que os radios annunciaram a victoria final, as ruas começaram a movimentar-se, como se qualquer coisa de anormal e estranho houvesse acontecido.

Em pouco tempo, a praça Ruy Barbosa, em frente ao “Café Paulista”, estava repleta de pessoas, e à medida que se aproximava a hora da chegada da delegação, o publico ia aumentando. Tomaram-se preparativos para que a recepção fosse condigna. Duas bandas de musica esperavam os campeões.

Estenderam-se cartazes na rua do Commercio, por onde deveriam passar os jogadores. De tudo se cuidou com carinho. Todos se interessavam pelo brilhantismo da chegada do alvi-negro. Não havia clubismo. Elementos de todos os gremios se faziam representar na estação da inglesa. Era uma victoria do Santos e da cidade de Santos.

Innenarravel o que se passou quando o comboio que conduzia o Santos deu entrada na “gare”. Os jogadores campeões foram como que arrancados dos carros e trazidos para a rua. aos hombros dos aficionados. Flôres cobriam os defensores do Santos. A satisfação era indisfarçavel. Abraços e mais abraços. Vivas e hurras. Contentamento geral.

As bandas de musica executaram as primeiras marchas e ahi o enthusiasmo attingiu o auge. Espectaculo indescriptivel. E a multidão começou a caminhar vagarosamente, em demanda da cidade, engrossando cada vez mais, vivando sempre os campeões.

Na praça Ruy Barbosa subiram ao ar muitos foguetes. Os jogadores conduzidos nos hombros dos torcedores, e assim vieram até a redação desta folha. Ahi fizeram uma parada e foram saudados.

Os milhares de manifestantes dispersaram-se sómente depois que os jogadores deram entrada na séde do clube, onde se repetiram, com a mesma intensidade, as grandes manisfestações de enthusiasmo.

Em todo esse enthusiasmo pela victoria do Santos não se póde esquecer a figura dedicada de Virgílio Pinto de Oliveira (Bilu), a quem coube, nesta temporada, o difficil encargo de tudo prover technicamente na turma do Santos.

Foi elle quem, com acertadas medidas, óra modificando, óra incluindo novos elementos, incentivando-os e animando-os, conduziu o time do Santos à victoria final.

Dentre os elementos por elle “descobertos” destacam-se Mario Pereira, que, ainda militante no quadro juvenil, no anno passado, se tornou em curto espaço de tempo campeão paulista. Os progressos do “mignon” futebolista foram rapidos e hoje póde ser considerado um dos titulares da equipe.

São campeões paulistas de 1935 os seguintes jogadores: Cyro, Neves, Meira, Agostinho, Ferreira, A. Figueira, Marteletti, Jango, Sacy, Mario Pereira, Biruta, Delso, Raul, Araken, Sandro, Logu e Junqueirinha.

Raul também é campeão secundario da cidade”.

SÓ ATOS POLÍTICOS IMPEDEM A ESPANHOLIZAÇÃO

Não há argumentos de mercado para justificar a Espanholização que a Rede Globo quer implantar no futebol brasileiro. Como todos já sabem, a diferença dos números do Ibope não justificam a enorme discrepância nas cotas que a Globo oferece a seus dois clubes escolhidos e aos demais grandes do futebol brasileiro. A Espanholização tem sido movida por interesses políticos e só poderá ser freada por atos políticos dos clubes e dos torcedores prejudicados.

Não procure nos méritos técnicos os motivos que fizeram de um clube rebaixado em 2007 um dos mais ricos do País em apenas oito anos. Também não procure só na boa administração as causas da ainda tênue recuperação financeira do Flamengo. Há um claro interesse político por trás desses fenômenos – perfeitamente compatíveis com a filosofia do populismo e do assistencialismo que vive o País.

Todo especialista em marketing esportivo sabe que os modelos mais bem sucedidos de campeonatos nacionais de futebol são os de Alemanha e Inglaterra, nos quais o dinheiro da tevê é dividido irmanamente entre os participantes. Todos sabem ainda que o equilíbrio entre os rivais é o segredo das grandes competições do esporte norte-americano. Em nenhum país em que o esporte é tratado de forma profissional e responsável estimula-se o desequilíbrio de forças, pois qualquer hegemonia acaba se tornando improdutiva para o espetáculo.

No Brasil, percebe-se claramente o uso de dois pesos e duas medidas. A mesma Globo que mandou esconder o nome do estádio do Palmeiras, o Allianz Parque, agora se oferece para ser parceira no estádio do alvinegro de Itaquera. Essa parcialidade, de um canal de tevê que detém os direitos de transmissão do futebol nacional e deveria tomar uma atitude neutra na cobertura dos eventos, é decepcionante, revoltante e sem precedentes na história do jornalismo brasileiro.

Portanto, não adianta recorrer à história, aos índices de audiência, aos títulos e às verdadeiras dimensões de cada torcida. O poder do futebol, capitaneado pela Globo, que há muito deixou de ser uma empresa jornalística neutra para se tornar uma sócia manipuladora do futebol nacional, já definiu suas próximas cartadas. Nada do que se disser, nenhum fato ou argumento, mesmo incontestáveis, demoverá essa organização de seguir no seu plano de criar profundos contrastes no antes competitivo futebol nacional.


Placas do Allianz Parque cobertas por ordem da Globo.

Se os clubes espanhóis pudessem voltar no tempo…

Imagine se os clubes espanhóis, que hoje vivem das migalhas de Real Madrid e Barcelona, pudessem voltar ao tempo em que se intensificou o processo que os marginalizou das disputas dos títulos mais importantes. Certamente teriam feito algo mais radical, como criar uma liga e ameaçar excluir os dois privilegiados, caso não concordassem com uma divisão mais justa do dinheiro da tevê.

Seria um gesto extremo, polêmico, talvez prejudicial a todos durante algum tempo, mas que depois se revelaria fundamental para salvar o futebol espanhol e devolver a clubes como Sevilha, Atlético de Madrid, Athletic Bilbao, Valencia, La Coruña e outros o direito de continuar sonhando com vitórias e títulos hoje inacessíveis.

Sabemos que hoje a Espanholização restringe de tal maneira as alternativas do futebol espanhol, que até os dois clubes beneficiados estão preocupados com a fraqueza de seus concorrentes e a consequente falta de competitividade interna. Para que o futebol brasileiro não mergulhe rapidamente nessa mesma armadilha, alguma coisa tem de ser feita. Já!


Deportivo La Coruña campeão há 15 anos: uma foto que deve ser guardada com carinho, pois dificilmente se repetirá.

O que os clubes devem fazer para brecar a Espanholização?


Time nacional? Ou regional?

secretaria da presidência protocolando a entrega do documento
A secretária do presidente Modesto Roma protocolou o documento feito pelos conselheiros eleitos do clube e o entregou ao chefe. Fica a pergunta: o presidente leu, analisou com carinho a possibilidade de se fazer o jogo contra o Atlético Mineiro em São Paulo e faturar no mínimo dois milhões de reais?

O pedido que cerca de 40 conselheiros entregaram à presidência do Santos, em tempo hábil, para que o jogo contra o Atlético Mineiro fosse transferido para o Pacaembu, foi solenemente ignorado. Não houve resposta e nem explicação. Assim, esse jogo importante para o Campeonato Brasileiro, que, bem divulgado, poderia atrair até 30 mil pessoas ao Pacaembu, e proporcionar tudo de bom que um jogo de casa cheia proporciona – uma ótima renda, inclusive – será jogado na Vila Belmiro no péssimo horário das 22 horas, atrapalhando a descida da serra dos santistas do planalto, que precisam ir para o batente na quinta-feira pela manhã.

Perceba que na enquete aí do lado 77% dos leitores desse blog, santistas de todas as cores e correntes, também prefeririam o Pacaembu para o jogo contra o Atlético. Porém, se a direção do clube não dá bola para os conselheiros, quanto mais para os sócios e torcedores. Há uma ditadura governando o Santos e o seu templo fica bem em frente ao bar do Alemão, na Praça Princesa Isabel, sem número, Santos.

A discussão, e os santistas de alma nobre e espírito livre compreendem isso, não é se Santos é melhor do que São Paulo, ou se o santista de Santos é melhor do que o da Capital. Esse veneno é semeado nas mentes pouco esclarecidas da mesma forma que esse governo quer jogar o povo contra os empreendedores. Ora, não há empregado sem patrão. Se você mata um, o outro morre de fome. E o governo brasileiro é um patrão mentiroso, corrupto e nada confiável. “Elite branca” é a mãe, assim como “forasteiro”, ou “forasteira”, também é a digna progenitora de quem usa esse termo.

A grande discussão é: o que o Santos pretende daqui para a frente? Continuar sendo um time nacional, com torcedores em todas as regiões do País, e que por isso ainda tem uma boa cobertura de imprensa e recebe uma cota razoável da tevê, ou fechar-se nos muros de sua fortaleza litorânea, dificultar o acesso de santistas do planalto ao seu quadro associativo e instituir uma filosofia belmirense de administrar nosso Glorioso Alvinegro?

Para continuar sendo um time nacional – semente que começou a ser plantada com Pelé & Cia, seguiu com Robinho & Cia e continuou com a geração de Neymar – é preciso tomar atitudes que o clube não vem tomando. Então, presume-se, essa diretoria está, consciente ou inconscientemente, levando o Santos para a armadilha da regionalização.

Como essa não é a intenção da maioria dos santistas, está havendo uma imposição para bloquear planos de expansão e limitar o Santos aos limites de sua Vila. Outros clubes do mundo já tomaram esse caminho regional e um estudo do que aconteceu a eles pode ser positivo para mostrar o que poderá ocorrer com o Alvinegro Praiano se fizer o mesmo. Um bom exemplo é o do Atlético de Bilbao, ou Athletic Club Bilbao, da Espanha.

Atlético de Bilbao, o clube que não quis crescer

O Atlético de Bilbao decidiu ser um clube apenas do país basco, e não aceita jogadores de outras origens. Mesmo assim, veja só o estádio, para 53 mil pessoas, que ele tem.

Com mais de 117 anos, o Atlético Bilbao já foi um dos grandes espanhóis, bem maior do que o Real Madrid. Também já se tornou campeão nacional invicto e entre seus resultados mais expressivos há uma goleada de oito gols sobre o rival Barcelona. A cidade de Bilbao tem 352 mil habitantes, menos do que Santos, mas seu lindo estádio, o San Mamés, comporta 53 mil pessoas e tem sempre uma boa ocupação.

Porém, Bilbao optou por ser um clube em defesa do povo basco e só aceita jogadores com essas origens, o que também diminuiu o seu universo de torcedores. Hoje, mesmo jamais tendo sido rebaixado para a Série B da Espanha, é um time que se contenta em brigar para ser a terceira força do País, pois não tem como disputar títulos importantes com os internacionais Real Madrid e Barcelona.

Será que esta é também a melhor opção paro Santos? Essa é uma questão para ser discutida livremente, sem preconceitos e sem demagogia. Se, após estudos e debates, chegar-se à conclusão de que o melhor para o Alvinegro Praiano é ser o time do bairro e da cidade, reinar em sua província e esquecer o mercado brasileiro, tudo bem. Porém, se o desejo é tornar-se novamente uma equipe respeitada no Brasil e no Exterior, a rota atual tem de ser corrigida. E rapidamente. Na minha modestíssima opinião, deixar de arrecadar milhões de reais por evitar jogar em São Paulo, a cidade dos santistas “forasteiros”, não é só obedecer à ideologia do regionalismo. É burrice mesmo.

Clique aqui para conhecer o Atlético de Bilbao, o time espanhol que escolheu ser apenas do País Basco.

Conheça o Ledesma (o cara parece mais velho do que eu, mas tem jeito de quem joga bola):

E para você, o Santos deve ser regional ou nacional?


Espanha já era. Sigamos o modelo alemão!

estadio borussia
A espantosa fidelidade dos torcedores do Borussia Dortmund é retratada na frequência de seu estádio, cuja capacidade é de 80 mil pessoas e registrou média de 79.151 pessoas na última temporada.

Como diria meu amigo e grande texto do jornalismo esportivo Roberto Avallone, futebol é o momento. E o momento é todo alemão, com o Bayern sapecando 7 a 0 em dois jogos contra o decantado Barcelona do machucadinho Messi e o Borussia passando pelo empolado Real Madrid dos vaidosos portugueses Mourinho e Cristiano Ronaldo.

Mas fazer a final da Liga dos Campeões não é todo o mérito que o futebol da Alemanha tem hoje. Rico e organizado, ele é um exemplo em vários aspectos, a começar pela divisão igualitária das cotas de tevê. Lá, todos os 36 times da Primeira e Segunda Divisão recebem em princípio verbas idênticas da tevê, que aumentam de acordo com a classificação do time nos campeonatos.

No fim da temporada passada, o poderoso Bayern de Munique recebeu 29,96 milhões de euros da tevê, enquanto o humilde Saint Pauli, rebaixado para a Segunda Divisão, recebeu 13,2 milhões, ou 44% da cota paga ao Bayern.

Na Espanha, onde se aposta na fórmula que privilegia apenas dois times, Barcelona e Real Madrid recebem mais do que o triplo do terceiro. Real e Barça ganham 140 milhões de euros por temporada, enquanto o Valencia recebe 40 milhões, ou 30% dos dois queridinhos. Essa divisão desigual tirou toda a competitividade do Campeonato Espanhol, que, assim como o Gaúcho ou o Mineiro, ficou restrito à disputa particular entre duas equipes.

No Brasil, em que a Rede Globo, aproveitando-se da implosão do clube dos Treze, adotou a negociação individual com os clubes e passou a destinar as maiores verbas para Corinthians e Flamengo, numa política semelhante à adotada na Espanha, a desigualdade já atinge níveis alarmantes.

Enquanto o Alvinegro de Itaquera recebe 112 milhões de reais por ano, o Fluminense, duas vezes campeão brasileiro nas ultimas três temporadas, fica com apenas 29 milhões, ou 25%; e o Bahia duas vezes campeão brasileiro e primeiro representante do Brasil na Copa Libertadores, recebe 15 milhões, ou 13,3%.

Esse desequilíbrio pode acabar justamente com o que o futebol brasileiro tem de mais precioso, e que é a competitividade, hoje uma dádiva pretendida também pela Espanha, que já percebeu a ineficiência de seu modelo.

Na Alemanha, nove clubes grandes!

Muito diferente dos países cujo futebol vive de uma eterna polarização, na Alemanha há noves clubes considerados grandes. São eles:

Bayern de Munique, 171.345 sócios e média de público em seu estádio de 69 mil pessoas;
FC Schalke, 100.426 sócios e média de público de 61.320;
Hamburgo SV, 70.920 sócios e média de 54.446;
Borussia Dortmund, 60.000 sócios e média de 79.151;
Colônia, 53.987 sócios;
Borussia Mönchengladbach, 50.000 sócios;
VfB Stuttgart, 43.866 sócios;
Werder Bremen, 40.400 sócios e
Hertha BSC, 29.330 sócios.

Para maiores informações sobre o futebol alemão, entre aqui:
http://sinopsedofutebol.blogspot.com.br/2012/04/maiores-da-alemanha.html

Enfim, está mais do que evidente que o modelo espanhol é um equívoco, tanto assim que já está sendo abandonado pela própria Espanha. Jogar todas as fichas em apenas dois clubes é temerário e desanimador, pois prejudica o nível geral das competições e diminui o interesse nacional pelo esporte – o que influi diretamente na queda das arrecadações e na verba de patrocínio.

E na Europa ainda há a vantagem de se jogar competições internacionais de enorme visibilidade e altíssimas premiações, o que não ocorre no Brasil e na América do Sul, em que competições regionais, como os Estaduais de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul pagam mais do que a Libertadores.

E você, acha que a espanholização está com os dias contados?


Mundiais de Clubes: desta vez Juca Kfouri concorda comigo

Nos votos para um novo ano sempre falamos de paz, tolerância, compreensão, mas depois dificilmente praticamos o que dissemos. Em 2013 resolvi, humildemente, colocar em prática esses nobres augúrios e tentar entender até àqueles que não tenho conseguido. Sempre tive muitos amigos na imprensa esportiva, mas os últimos acontecimentos, como meu trabalho no Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros, parecem ter abalado o respeito e o carinho que alguns sempre demonstraram por mim.

Uma das pessoas com quem, digamos, tive um ruído na comunicação, foi o blogueiro José Carlos Amaral, mais conhecido como Juca Kfouri. Muitos de vocês devem se lembrar que no tema Unificação dos Títulos Brasileiros ficamos em campos opostos. Não sei se por ser inimigo de Ricardo Teixeira, o antigo presidente da CBF; por torcer por um time que não se destacou entre meados da década de 1950 e final da década de 1970, ou realmente por acreditar no que dizia e escrevia, Juca Kfouri, mesmo sem ler o documento, mostrou-se um crítico feroz do Dossiê que, após analisado por três departamentos da CBF, conseguiu a Unificação dos Títulos Brasileiros, em uma decisão irrevogável que impediu que um capítulo precioso da história do nosso futebol fosse apagado.

Mas isso é, ao menos para mim, coisa do passado. A vida é muito curta para carregar rancores por assuntos que, comparados aos que realmente interessam, chegam a ser irrelevantes. Tudo passa e, em uma linguagem comum, mas sábia, do povo, a grande verdade é que o tempo cura todas as feridas.

O futebol, entretanto, está no nosso sangue, na nossa alma, e analisar sua história – principalmente quando ela se confunde com a do Santos, assunto principal deste blog – faz parte do meu ofício. Assim, novos temas delicados surgem e é impossível deixar de comentá-los. E quando isso acontece, só me resta torcer para que as discussões se restrinjam ao campo das ideias, sem nunca avançar para aspectos pessoais, como o caráter, a honra, ou a ética, que, a princípio, todos os formadores de opinião têm, ou devem ter.

A questão dos Mundiais de clubes

Pois agora faz-se necessário discutir a questão dos mundiais de clubes. Como a Fifa se apega à nomenclatura para considerar oficiais apenas os torneios que ela realizou – o de 2000 e a partir de 2005 –, muitos torcedores compraram a idéia de que para ser considerado um campeão mundial de verdade, um clube tem de competir com representantes de todos os continentes (da poderosa Oceania, inclusive).

A tese é de uma incoerência total, visto que a própria Fifa só conseguiu reunir seleções de todos os continentes na Copa de 1982, na Espanha, depois de realizar nada menos do que 11 Copas do Mundo. Isso quer dizer que todas as Copas anteriores devem ser batizadas de Copas Intercontinentais? O Brasil, portanto, seria apenas duas vezes campeão Mundial e três vezes campeão Intercontinental?

É claro que não vejo assim e, modestamente, acho que o bom senso nos pede para continuar considerando todos os países campeões do mundo, mesmo sabendo que na Copa de 1930, a primeira, só participaram equipes da América do Sul e da Europa, e que nos quatro primeiros Mundiais o campeão só realizou quatro partidas, o que dá bem a idéia da precariedade daquelas primeiras competições.

Um blog dedicado a assuntos relacionados ao Santos não pode aceitar passivamente a versão de que os títulos de 1962 e 1963, que tornaram o Alvinegro Praiano o primeiro bicampeão mundial, são menos relevantes do que os atuais. Acho até que eram mais importantes (pela época, pelos craques, pelo nível de futebol jogado), mas, tudo bem, ano novo, vida nova, paz, compreensão, sem polêmicas…

Assim, pesquisando mais ainda sobre o tema e procurando conhecer a opinião de alguns colegas sobre ele, deparei-me, surpreso e feliz, com a coluna de Juca Kfouri de 12 de dezembro de 2011, no UOL, intitulada “Ora, a Fifa…”. Nela, Juca escreve:

Diz a Fifa que o Corinthians é o primeiro campeão mundial de clubes, em 2000.

Diga o que a Fifa disser, mas o primeiro campeão é o Real Madrid, em 1960.

Como o segundo é o Peñarol, o terceiro o Santos e assim por diante.

E em 2000 tem outro campeão mundial, junto com o Corinthians, o Boca Juniors.

A Fifa e a CBF, e qualquer outra entidade dessas, podem dizer o que quiserem, mas não mudarão aquilo que o torcedor comemorou…

A íntegra da coluna pode ser lida no link: http://blogdojuca.uol.com.br/2011/12/ora-a-fifa/

Pois eu também afirmo que o primeiro campeão mundial é o Real Madrid, em 1960, seguido por Peñarol, Santos, Santos, Independiente… E também concordo plenamente com Juca Kfouri quando ele escreve que “A Fifa e a CBF, e qualquer outra entidade dessas, podem dizer o que quiserem, mas não mudarão aquilo que o torcedor comemorou…”

Enquanto isso, vá saboreando os gols e as belas jogadas de André “Pinga” Luciano, no ótimo trabalho de pesquisa e edição dos amigos do COMANDO SANTISTA. Olha, se o moço jogar tudo isso, vamos queimar nossa língua. Ou melhor: vamos pedir limão, gelo, açúcar e comemorar:

http://youtu.be/bbyiSQAhgPo

Que tipo de sentimento pode fazer alguém negar que o Santos é o primeiro bicampeão mundial?


Luta contra espanholização do nosso futebol é agora. Depois, será tarde


Flamengo e Corinthians a caminho de se tornarem novos Real Madrid e Barcelona?

“Existe algum torcedor que não diga que nossa liga está prostituída, adulterada e corrompida? É uma liga de terceiro mundo em que dois clubes roubam o dinheiro de televisão dos demais”.

Guarde bem essa frase. Ela foi dita por José Maria Del Nido, presidente do Sevilha, criticando as desproporcionais cotas de tevê e os privilégios dados a Real Madrid e Barcelona, que tiraram toda a competitividade do Campeonato Espanhol. Daqui a alguns anos, talvez bem mais cedo do que possamos imaginar, queixas idênticas estarão nas bocas dos presidentes de Grêmio, Internacional, Vasco, Fluminense, Santos, Palmeiras, São Paulo…

O presidente do Sevilha sempre alertou para os perigos que a bipolarização traria para o campeonato, mas nunca lhe deram o devido crédito. Agora a Espanha reconhece que o dirigente estava correto. Diz Oscar Murillo, repórter do Diário de Sevilla:

“José María del Nido sempre criticou a divisão dos recursos proveninentes da televisão. No início, era tratado como um louco, mas parece que não estava. Atualmente, o abismo existente cria um sentimento de resignação entre os torcedores dos demais clubes. Eles sabem que é impossível lutar contra os gigantes Real e Barça. Ao mesmo tempo é criado um ciclo perverso, pois esse torcedor deixa de ir ao estádio e de ver os jogos pela televisão. As partidas não são mais tão atrativas. Real e Barça sempre foram mais fortes, só que antes a distância não era tão agressiva como agora.”

Fernando Roig, presidente do Villarreal, concorda com Del Nido. “Essa é a liga que vocês querem? Eu vendo jogadores para equilibrar as minhas contas, enquanto outros pedem crédito e conseguem”, afirmou. “Se querem que a liga tenha duas partidas apenas, que coloquem duas partidas, mas isto será péssimo para o futebol”, completou, referindo-se ao clássico entre Real Madrid e Barcelona.

Para o presidente do Granada, Quique Pina, “com a situação atual é melhor não ter campeonato. Não pode haver uma diferença tão grande de Barcelona e Real Madrid em relação aos demais”. Ele sugere a criação de uma liga independente, sem Real Madrid e Barcelona, que possa resuperar a competitividade perdida no futebol espanhol. “Antes você ia ao Bernabéu ou ao Camp Nou com toda a ilusão do mundo. Hoje em dia, se eu fosse treinador pouparia meus jogadores nessas partidas”, disse Pina.

Os jogadores dos outros times também sentem a impossibilidade de travar uma luta justa com os dois poderosos. “Temos de buscar a vitória na esperança de que Real ou Barça tenham um contratempo. A chance de ganhar um título é como um milagre”, diz Piatti, atacante do Valência. O brasileiro Marcos Senna concorda: “A diferença para Barça e Real é brutal”.

Desigualdade tem rebaixado o Campeonato Espanhol

Com uma parte da verba dividida igualmente entre todos os times da divisão principal e uma porcentagem destinada aos mais bem classificados, os campeonatos nacionais de Alemanha e Inglaterra têm sido escolhidos como os melhores da Europa. Enquanto isso, a Espanha, que preferiu a bipolarização, vê a maioria de seus clubes perderem rapidamente a força que tinham.

Hoje Real Madrid e Barcelona ficam, juntos, com 34% do total pago pela tevê. Os outros 66% são distribuídos entre os 40 clubes que disputam a primeira e a segunda divisões espanholas.

Como resultado dessa partilha desproporcional, clubes que eram grandes, com o Atlético de Madrid, viraram medianos, enquanto outros se apequenaram. Até a década de 70 o Atlético de Madrid era considerado um dos grandes da Espanha e tinha o mesmo número de títulos nacionais do Barcelona. Hoje não tem a mínima possibilidade de ser campeão. Sua cota de tevê é 30% do que recebem Real e Barça.

Outro exemplo é o La Coruña. Campeão espanhol em 2000, com um time no qual despontavam os brasileiros Djalminha e Mauro Silva, hoje a equipe se contenta em não ser rebaixada. Sua cota é 10% dos dois privilegiados.

O resultado disso tudo é que no campo não há mais o mínimo equilíbrio. Ao se iniciar o campeonato, já se sabe quem vai lutar pelo título. Nas últimas sete temporadas, quando não deu Real Madrid, deu Barcelona. A diferença de pontos para os demais tem sido assustadora. Na temporada 2010/11, o Real Madrid, vice-campeão, ficou com 21 pontos a mais do que o Valencia, terceiro colocado.

Ex-diretor do Barcelona também critica a divisão

Mesmo profissionais de Real Madrid e Barcelona estão percebendo que a distância destes dois times para os demais está empobrecendo o Campeonato Espanhol como produto. Este Calzada, ex-diretor de marketing do Barcelona, reconhece que o campeonato está cada vez menos interessante:

“Real Madrid e Barça levam a maior parte dos recursos. Sem dúvida é algo muito ruim para o campeonato. A maior parte dos jogos é desinteressante, e cada vez mais é previsível o resultado de Barcelona e Real Madrid. O natural é que vençam sempre”.

Calzada acredita que “uma divisão mais igualitária fortaleceria os clubes menores e aumentaria a competitividade do campeonato. Porém, o que piora é o fato de a Espanha ser o único país da Europa onde os clubes negociam seus contratos de televisão de forma individual (assim como o Globo está fazendo com os clubes brasileiros). É complicado se chegar a um acordo quando todos não estão à mesa”.

O ex-responsável pelo marketing do Barcelona lembra que a fórmula adotada no Campeonato Inglês seria mais justa, e compara: “Na Espanha, o clube que mais ganha com direitos televisivos tem 11 vezes mais recursos do que o que menos arrecada. No Campeonato Inglês a diferença não chega ao dobro.”

Por que o Brasil adotou o modelo espanhol?

É difícil entender por que os presidentes dos grandes clubes brasileiros permitiram que a Rede Globo promovesse a implosão do Clube dos Treze e, no seu lugar, instituísse a negociação individual dos direitos de tevê, o que, na prática, iniciou a bipolarização do nosso futebol, baseada em Corinthians e Flamengo.

Provavelmente pela necessidade urgente de dinheiro para saldar dívidas, os presidentes dos outros grandes clubes aceitaram assinar um cheque em branco a favor da Globo e de seus dois privilegiados.

Está mais do que evidente que a intenção é dividir o futebol brasileiro entre um grande de São Paulo e um do Rio. Os outros times dessas praças teriam importância cada vez menor. Com o tempo, a massa de torcedores desses outros times diminuiria a tal ponto que nem teriam forças para lutar contra o sistema.

A nomeação de Andrés Sanchez para diretor da CBF; a pressão de Ronaldo Fenômeno para tirar Neymar do Santos; a nomeação do corintiano Mano Menezes para dirigir a Seleção Brasileira; o boicote ao Morumbi como estádio de São Paulo na Copa do Mundo; a construção a toque de caixa, com apoio dos poderes públicos, do estádio do Corinthians; as vistas grossas à dívida impagável do Flamengo; a preferência descarada da Globo pela transmissão de jogos desses dois times – enfim, o que não faltam são evidencias desse plano que pretende transformar o futebol brasileiro em uma nova Espanha.

O que pode ser feito


Viva melhor! Desligue a tevê, ou mude de canal quando eles jogarem (arte de Daniel Galvão)

Em primeiro lugar, é preciso que os presidentes dos outros clubes grandes do Brasil tenham atitudes corajosas, de quem realmente representa comunidades de tradição no futebol brasileiro. Que não se deixem vender por migalhas, enxerguem na frente e restabeleçam um Clube dos Treze, ou dos Quinze, ou dos Vinte, independente e com poder para discutir com a Globo, ou outra rede de tevê, de igual para igual.

Em segundo, que as negociações deixem de ser individuais, ou secretas, o que só é bom para a tevê. E que nessas negociações valorize-se a participação do clube na Série A e também o mérito esportivo, com prêmios aos mais bem classificados.

É importante, ainda, conhecer melhor a proposta do deputado Mendonça Filho, divulgá-la e apoiá-la. Pelo que eu a conheço, é bem melhor do que a proposta da Globo. Por ela, 50% da verba da tevê será dividida entre todos os clubes da Série A e a outra metade distribuída de acordo com a média de classificação de cada equipe nos anos anteriores. É, sem dúvida, muito mais justa e equilibrada do que a que está sendo imposta pela Rede Globo.

Porém, enquanto nada disso acontece, a única saída que nós temos é de boicotar os jogos de Corinthians e Flamengo pela tevê, deixando de assisti-los. Chega de favorecer ao adversário, engrossando o seu ibope. Se suas torcidas são tão grandes assim, que se virem sozinhas.

Este blog deixa claro que não é anti-corintiano e nem anti-flamenguista. Respeita todos os clubes brasileiros e suas torcidas de maneira igual. Só que considera extremamente injusto e maléfico para o nosso futebol esta divisão de cotas – e esta rede de favorecimentos – instituída pela Rede Globo e os poderes políticos e esportivos de nosso País em prol de dois clubes apenas.

Por isso, o que nos resta é esta campanha radical para que torcedores de outros times jamais assistam a jogos de Flamengo e Corinthians pela tevê. Só assim, mexendo nos números – do ibope, do patrocínio, da grana – é que os donos do poder aceitarão rever seus planos.

Mesmo sem a divulgação maciça dos grandes veículos de comunicação, a campanha começa amanhã, quando a Globo instituiu que um amistoso entre os seus dois queridinhos deverá ser transmitido em rede nacional. Vá procurando outra coisa para fazer no horário (ver o jogo do Santos pela Copa São paulo é uma ótima opção para os santistas), mas não dê um minuto de ibope para este jogo de favorecidos).

Você não quer que o Brasil se transforme em uma Espanha, quer?


Older posts

© 2018 Blog do Odir Cunha

Theme by Anders NorenUp ↑