Blog do Odir Cunha

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Cotas de tevê: por que tem jornalista “ético” lavando as mãos?

Estou impressionado com a capacidade de alguns jornalistas de fechar os olhos para a questão mais importante do momento, que é a divisão de cotas de tevê. Alguns deles foram incisivos, insistentes, desagradáveis e grosseiros no caso da justíssima Unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959. Encheram-se de discursos, morais e éticas, enfurecidos porque, em sua maneira limitada de enxergar a história, seus clubes queridos estavam sendo prejudicados.

Fingiram ver profundas manobras políticas no reconhecimento das glórias do passado, e convenceram seus seguidores a agirem com a mesma estupidez diante da história. Mas agora, em que Corinthians e Flamengo, seus times do coração, são privilegiados por um conluio sórdido desta mesma CBF, das tevês e dos dirigentes destes dois clubes, fazem de conta que não vêem.

Agora que as negociações individuais com a tevê cavam um abismo entre estes dois clubes e os demais, mantêm publicamente uma atitude blasé, mas esfregam as mãos e sorriem internamente com essa negociata que dará a seus times vantagens desproporcionais contra os concorrentes.

Pelo que se sabe, o Grêmio receberá um terço de Corinthians e Flamengo. Gostaria de saber dos gremistas, que se autodenominam imortais, se essa divisão desmedida não significa morte lenta para a capacidade de competir do grande tricolor do Sul.

Há alguma justiça nesse método de divisão de cotas? Nenhuma. A única divisão saudável para o futebol brasileiro seria o de cotas iguais, ou ao menos bem semelhantes, para todos os clubes grandes do país. Ou a valorização do mérito esportivo, a premiação aos que praticam o melhor futebol, são mais vencedores, produzem o melhor espetáculo para a tevê.

Em mais de um século de vida, Flamengo e Corinthians não conseguiram ser os clubes brasileiros mais vitoriosos e poucas vezes tiveram times que encheram os olhos. Por que mereceriam ganhar mais? Por que têm mais torcedores? Ora, quantidade nunca representou qualidade.

O Brasil também tem uma grande maioria de analfabetos e ignorantes que desprezam o saber e a ética e, como já dizia Sérgio Buarque de Holanda em “Raízes do Brasil”, é habitado por um povo omisso, que se vale de uma pretensa cordialidade para se auto-definir feliz, quase superior.

A valorização da quantidade parte de uma premissa falsa, pois em nosso país ela não é sinônimo de desenvolvimento. Os exemplos das nações desenvolvidas, baseadas em um comportamento ético, mostra que um sistema justo deve permitir a ascensão pelo mérito.

Esportes mais modernos e aprimorados, que colocam a qualidade do espetáculo em primeiro lugar e não se baseiam em reservas de mercado, tornam-se mais atrativos e empolgantes. Veja o caso do tênis, em que surgem campeões a cada temporada. Se a estrutura fosse outra, nosso Guga jamais teria se tornado um astro da noite para o dia.

Ângulos de visão que estão sendo ignorados

Discutimos a Unificação por mais de dois anos e alguns jornalistas, acomodados e mal informados, diziam que não tinha havido discussão suficiente antes da aprovação da CBF. E agora, em que de um momento para outro se quer perpetuar uma situação extremamente desigual no futebol brasileiro, os mesmos “críticos” colocam seu senso moral em hibernação.

Uma sociedade que não se baseia na justiça, se corrompe. Isto está ficando evidente no caso das cotas de tevê. A história de um clube não pode depender do poder de barganha de seu dirigente, ou de suas relações políticas. O torcedor percebe os conluios, os privilégios, e reage. O resultado é a total falta de credibilidade na estrutura do futebol brasileiro (estrutura que não depende só da CBF ou dos clubes, mas também da imprensa, dos formadores de opinião, que não podem colocar esta opinião apenas a serviço dos interesses de seu time preferido).

Há muitas outras formas de se discutir a divisão das cotas de tevê que não dependem apenas do primarismo de se premiar quem tem mais torcida. Se hoje nosso futebol, a Seleção e a CBF, são respeitados no mundo, isto se deve à decisiva atuação de determinados clubes que não são estes dois considerados “de massa”. Todos sabem, aliás, quais foram os times que mais mais contribuíram para este sucesso que valorizou o futebol praticado no país.

Bem, esta é apenas uma questão que poderia ser discutida. O certo é que privilégios que não são conquistados por mérito, tornam-se odiosos. E há momentos em que mesmo o torcedor mais fanático não pode pensar apenas no seu time, mas no todo, no futebol brasileiro. E para este futebol a negociação individual é extremamente maléfica, pois, repito, cristaliza superioridades que não se justificam onde interessa, que é o campo de jogo, e esta injustiça diminui o encanto e o interesse pelo esporte.

Enfim, a ampla discussão que se pediu tanto no caso da Unificação, agora é ignorada. Os clubes e as tevês se envolvem em ações sorrateiras, por baixo do pano, sem que se brigue, sem que se exija transparência.

Já deu para perceber que isso não acabará bem. A RedeTV ganhou a concorrência, mas a Globo e a Record agem por fora, aliciando quem podem. Só que para haver um jogo são necessários dois times, e o que acontecerá se cada um tiver um contrato à parte?

O risco de não se ter um Campeonato Brasileiro em 2012 existe e não é pequeno. A verdade é que a ganância de dois clubes, estimulada pelas redes de tevê, a CBF e uma imprensa conivente, levou o futebol brasileiro a esta situação caótica.

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Você acha que a imprensa tem dado ao caso a importância que ele merece?


Dinheiro “de dízimo” da Record não interessa ao Santos

No café da manhã que 18 blogueiros tiveram ontem com o presidente do Santos, Luis Álvaro Ribeiro, ficou evidente que o clube não cogita fechar contrato com a TV Record, mesmo que esta ofereça bem mais do que a Globo pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.

A origem do dinheiro que enriquece a Record, o dízimo pago por milhões de fiéis, incomoda o presidente Luís Álvaro. Também causa desconforto o fato de a Record não ter tradição em transmissões de futebol, não manter uma grade que privilegia o esporte e não contar com os mesmos equipamentos da Globo.

Lembrei-lhe que neste blog, refletindo a opinião do torcedor do Santos, a maioria prefere que o clube feche com a Record e fuja do monopólio da emissora carioca, mas Luís Álvaro respondeu que o torcedor pensa assim porque não está bem informado.

Segundo ele, não há garantias de que a Record transmita os jogos, mesmo que ganhe a concorrência. E, pelo que entendi, sem Corinthians e Flamengo, o Clube dos 13 tenderia a favorecer o São Paulo, que passaria a receber a maior cota, com exceção dos dois mais populares do Brasil.

O presidente garantiu que mesmo negociando em separado, a diferença dos valores pagos a Flamengo e Corinthians para o Santos será de 18%, não mais do que isso. Por outro lado, o Alvinegro da Vila Belmiro, segundo a proposta da Globo, receberia tanto quanto São Paulo, Vasco e Palmeiras.

Argumentei se não seria melhor valorizar mais o mérito esportivo do que o número de torcedores de cada clube, mas o presidente respondeu que é a lei do mercado e que o time que tem mais audiência quererá receber mais por isso. Entendi que seria impossível um movimento político dos outros clubes para impedir que Flamengo e Corinthians sejam privilegiados.

Se a moda de maior torcida pega, a Seleção Brasileira passará a receber cotas menores do que a China, ou a Índia, ou o Paquistão, que têm muito mais habitantes/torcedores do que o Brasil. Enfim, não acho esse critério ético ou justo, mas parece que os clubes nada farão contra ele.

Estatuto

Amanhã, sábado, é dia de votar o novo estatuto do Santos. Todos os sócios estão convidados. Será na Vila Belmiro. O novo estatuto prevê que o associado poderá votar nas eleições para presidente depois de apenas um ano de filiação, e não de três, como tem sido hoje. Cada mandato terá três anos e o presidente poderá ser reeleito por um mandato, ou seja, poderá permanecer, ininterruptamente, seis anos no poder. Mas o poder não será absoluto, como antes, já que seus atos serão supervisionados por um colegiado.

Que golaço do Táchira

A boa notícia do dia é o golaço de Sérgio Herrera, atacante do Táchira, que impediu que o Cerro Porteño disparasse na liderança do grupo do Santos na Libertadores. Justamente quando o comentarista do Sportv dizia que o Cerro controlava o jogo sem dificuldade, saiu o gol de empate do Táchira, que depois garantiu o resultado de 1 a 1 com bravura.

Em pensar que se segurasse a vitória contra o Cerro por mais um minuto o Santos agora jogaria pelo empate com o Colo Colo, no Chile, para assumir a liderança do grupo. De qualquer forma, com dois empates fora de casa e duas vitórias no Brasil o Santos deve passar para a próxima fase.

Reveja os gols de ontem, de Cerro Porteño 1, Deportivo Táchira 1, em Assunção.

E você, o que acha das cotas de tevê, do estatuto e do Santos na Libertadores?


Samba, futebol e sonho


Cosme Damião, presidente de honra da Torcida Jovem do Santos

Vislumbrei Cosme Damião caminhando apressado para a área de concentração. Alcancei-o, dei-lhe um abraço e desejei sorte. O presidente de honra da Torcida Jovem me olhou meio assustado e, antes de seguir, voltou os olhos para o chão e exclamou: “Se você soubesse o que nós tivemos de fazer para colocar a escola na avenida”.

Duas horas depois vi Cosme, feliz como uma criança, desfilando com a Torcida Jovem, abrindo o desfile do Grupo de Acesso, ontem, no Sambódromo. Acho que ele estava contente porque, apesar de só ter conseguido metade da verba necessária para fazer um desfile campeão, que garantisse a Jovem no Grupo Especial do importante Carnaval paulista justo em 2012, ano do Centenário do Santos, e apesar de uma enchente ter destruído boa parte das fantasias e danificado os carros alegóricos, a Jovem saiu empolgante, com muita garra e samba no pé.

Confesso que me emocionei ao testemunhar a felicidade do Cosme velho de guerra, a entrega dos sambistas da Jovem e o apoio que seus companheiros, que vieram uniformizados, davam das arquibancadas. Era só amor, carinho, nenhum palavrão, nenhum sinal de animosidade. Enfim, o lado bom e puro de uma torcida organizada.

Há muitos anos não via as escolas do Grupo de Acesso, uma espécie de segunda divisão do Carnaval paulista. Como me surpreendi! Elas estão em um nível melhor do que as do Grupo Especial do meu tempo. Os sambas, as baterias, fantasias, carros alegóricos… Um espetáculo!

Gostei muito da Torcida Jovem. Creio que ela possa ter nota máxima em alguns quesitos, como bateria, samba-enredo, comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira, harmonia e enredo.

A briga por uma das vagas que dão acesso ao Grupo Especial em 2012 será renhida. Outras escolas fizeram grandes desfiles. Das que eu vi, destaco também a Imperador do Ipiranga e o Morro da Casa Verde, além da Camisa Verde e Branco e sua bateria incrível.

A relevância do Carnaval

Fui e levei a Suzana, minha mulher. Ela nunca tinha apreciado o desfile na avenida e ficou encantada. Trata-se, realmente, de um espetáculo completo, que envolve música, dança, figurino, enredo, cenário, interpretação, além de gerar uma interatividade mágica com o espectador.

É uma oportunidade única de se contar histórias, valorizar a cultura popular, criar momentos artísticos que ficarão para sempre no coração das pessoas. Por isso, considero de extrema importância o Santos ser representado por uma escola no Grupo Especial do Carnaval paulista.

A visibilidade que uma escola de samba pode gerar é muito valiosa. Se não der este ano, que seja feito um grande esforço para que a ascensão da Torcida Jovem seja conquistada no ano que vem, o ano do Centenário do clube.

A favor da Record e torcida no jogo com o Colo Colo

Na arquibancada, após o desfile, dirigentes da Torcida Jovem me pediram que conversasse com o presidente Luís Álvaro sobre a negociação das cotas de tevê. Eles temem que o presidente deixe passar uma oportunidade de o Santos se equiparar aos clubes que ganham mais e ao mesmo tempo permitir uma vantagem perpétua a Corinthians e Flamengo.

“Odir, diga ao presidente que não importa se for com a Record ou com a Globo, mas que o presidente faça o melhor acordo para o Santos, aquele que dê mais dinheiro para o clube”, enfatizava José Amilton, relações públicas da Jovem.

Bem, não sou tão próximo do presidente assim. Ele ia os lançamentos dos meus livros quando era apenas um torcedor. Mas, agora, como presidente do clube, só o vi uma vez em 14 meses. Espero que um de seus assessores lhe passe esta informação, a de que a Torcida Jovem quer que ele feche com a Record, desde que esta emissora realmente possa oferecer mais ao Santos.

O mesmo Amilton me disse que a Torcida Jovem levará dois ônibus até Santiago do Chile, para torcer pelo Santos no jogo decisivo contra o Colo Colo, dia 16. Outros 12 torcedores também já reservaram passagens de avião. Espera-se que chilenos que apreciam o Santos engrossem a torcida que apoiará o time na partida que marcará a volta do maestro Paulo Henrique Ganso. A sorte na Libertadores estará em jogo. Todo empenho é pouco.

Você acha importante o Santos ter uma escola de samba no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo? Os santistas deveriam apoiar mais a Jovem, assim como os corintianos fazem com a Gaviões da Fiel?


Cotas de tevê: Minha proposta para uma fórmula boa para todos

Para a Globo, vale a pena pagar bem mais para Corinthians e Flamengo, pois são os times que dão maior audiência na tevê. Para a Record, vale a fórmula que já existe, com cinco clubes ganhando mais e o Santos logo abaixo.

As duas emissoras devem pagar ao Santos o equivalente a R$ 70 milhões por ano, mas a diferença é que o esquema da Globo criará um desequilíbrio que, a médio prazo, tornará Flamengo e Corinthians bem mais poderosos do que os demais, prejudicando a competitividade do Campeonato Brasileiro.

A Globo sugere uma estrutura com Corinthians e Flamengo no topo e um grupo de quatro times logo abaixo: Santos, São Paulo, Palmeiras e Vasco. Os do segundo escalação receberiam cerca de R$ 70 milhões cada, enquanto Flamengo e Corinthians teriam, no mínimo, uma verba de R$ 100 milhões.

É só somar as outras vantagens que um clube de grande torcida tem no Brasil – patrocínio, merchandising, marketing, bilheteria, visibilidade, possibilidade de adquirir mais sócios… – e fica fácil constatar que essa diferença enorme nos direitos de tevê será multiplicada por outros fatores e farão com que Flamengo e Corinthians passem a faturar, por ano, cerca de R$ 100 milhões a mais do que seus adversários, tornando a concorrência desigual.

E estamos falando só de cifras, sem levar em conta o que é mais importante no futebol ou em qualquer esporte, que é o mérito, o resultado em campo. Mesmo que percam competições seguidas, ainda assim estas duas equipes estariam ficando cada vez mais ricas. O que, convenhamos, não é moral e nem ético.

A Record, que tem mais dinheiro e certamente ganhará a concorrência, pagará R$ 84 milhões para cinco clubes – Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco –; R$ 72 milhões para o Santos; R$ 60 milhões para Grêmio, Internacional, Cruzeiro, Atlético-PR. Fluminense, Botafogo e Bahia; e o restante segundo a tabela acima.

Não é justo que o Santos receba menos do que Vasco e Palmeiras, mas, ainda assim, a fórmula da Record, que é a adotada pelo Clube dos 13, ainda é menos desequilibrante e permite que não se perca tanto a competitividade como a sugerida pela Globo, que quer criar no Brasil uma nova Espanha, com apenas dois times grandes.

Minha sugestão para um sistema mais justo

A audiência da tevê é apenas um dos fatores que deve ser levado em conta para a divisão da verba, mas nunca o único. Já ficou provado – e o Santos foi o autor dessa façanha várias vezes – que mesmo um time sem a maior torcida pode dar o maior ibope, desde que pratique um futebol que agrade à maioria dos telespectadores. Um sistema de distribuição de cotas tem de levar isso em conta, ou se tornará odiosamente injusto.

Portanto, uma significativa porcentagem do valor total arrecadado tem de ser distribuído conforme a colocação do time no campeonato, obviamente com a destinação de valores com um peso maior para os mais bem classificados.

Outro detalhe que não pode ser esquecido é que só o fato de participar do Campeonato Brasileiro da Série A, de jogar a mesma quantidade de partidas que os demais e, naturalmente, se envolver em jogos importantes, dá a todo time o direito de receber um valor importante por isso.

Por outro lado, o fator popularidade não pode ser esquecido e os times de maior audiência na tevê realmente devem receber por isso.

Assim, minha sugestão para a divisão de cotas, levando em conta o mérito esportivo, o estímulo à competição e a premiação aos de maior audiência na tevê é a seguinte:

Dos 1,32 bilhão de reais que devem ser arrecadados com todos os direitos de transmissão (tevê aberta e fechada, pay per view, internet, telefonia, naming rights, direitos internacionais de tevê e publicidade estática), eu separaria 120 milhões de reais para a Série B e dividiria o bolo de 1,2 bilhão assim:

Prêmio de participação

1 – 40% do total de R$ 1,2 bilhão iriam, como cota de participação, para os 20 times da Série A. Ou seja, R$ 480 milhões seriam distribuídos igualmente entre os participantes da competição, cabendo R$ 24 milhões a cada um.

Justificativa – Participar da divisão mais importante do futebol brasileiro já é uma vitória. E todos os 20 clubes, como integrantes do espetáculo, estarão envolvidos em jogos importantes, decisivos e de grande interesse. A cota de participação é o mínimo que devem receber pelo trabalho.

Prêmio por mérito técnico

2 – 40% do total dividido pelo critério técnico. R$ 480 milhões serão distribuídos de acordo com a posição final de cada um dos 20 times no campeonato. Obviamente o título e as melhores posições serão valorizadas. A distribuição do prêmio total obedecerá à seguinte ordem:

Campeão – 20% do total, ou R$ 96 milhões
Vice-campeão – 10% do total, ou R$ 48 milhões
Terceiro colocado – 8% do total, ou R$ 38,8 milhões
Quarto – 6% do total, ou 28,8 milhões
Do quinto ao oitavo – 5% para cada um, ou R$ 24 milhões
Do nono ao décimo-segundo – 4% para cada um, ou R$ 19,2 milhões
Do décimo-terceiro ao décimo-sexto – 3% do total, ou R$ 14,4 milhões
Do décimo-sétimo ao vigésimo – 2% do total, ou R$ 9,6 milhões

Justificativa – O estímulo ao mérito esportivo proporcionará jogos mais disputados, espetáculos mais interessantes. Os melhores ganharão mais, o que é e deve ser a essência do espetáculo esportivo. Haverá uma disputa maior mesmo pelas competições secundárias. Por exemplo: a diferença entre a décima-segunda e a décima-terceira posições valerá R$ 4,8 milhões.

Prêmio por visibilidade
3 – 20% do total será dividido conforme o critério de audiência. R$ 240 milhões serão distribuídos de acordo com o índice de audiência de tevê ou de média de público de cada equipe na competição. Os critérios de aferição deverão ser analisados e votados pelos clubes. As regras devem ser claras, justas e divulgadas com antecedência pela mídia.

Os prêmios por visibilidade deverão levar em conta ou os índices de audiência na tevê (aberta, fechada e pay per view) ou a média de público, ou uma combinação de todos esses fatores. Assim, a distribuição do prêmio total de visibilidade obedecerá à seguinte ordem:

Campeão – 20% do total, ou R$ 48 milhões
Vice-campeão – 10% do total, ou R$ 24 milhões
Terceiro colocado – 8% do total, ou R$ 19,2 milhões
Quarto – 6% do total, ou 14,4 milhões
Do quinto ao oitavo – 5% para cada um, ou R$ 12 milhões
Do nono ao décimo-segundo – 4% para cada um, ou R$ 9,6 milhões
Do décimo-terceiro ao décimo-sexto – 3% do total, ou R$ 7,2 milhões
Do décimo-sétimo ao vigésimo – 2% do total, ou R$ 4,8 milhões

Justificativa – O índice de popularidade das equipes deve ser levado em conta e devidamente premiado, só não pode ter um peso desproporcional. Os melhores neste quesito serão regiamente premiados por isso.

Melhores ganharão bem mais, piores ainda ganharão bem

Por esta fórmula que sugiro, mesmo os clubes mais populares, como Corinthians e Flamengo, receberão ainda mais do que promete a Rede Globo, desde que tenham boas performances. E mesmo a equipes de pios campanha ainda terão assegurado uma bolsa bem maior do que recebem hoje.

Se Flamengo ou Corinthians vencerem o campeonato e, o que acaba sendo uma consequência do título, tiverem também a maior audiência de tevê, ou a melhor media de público (este critério, repito, deve ser avaliado e definido pelos clubes), receberão um total de R$ 168 milhões, mais de 50% a mais do que se assinarem em separado com a Globo (R$ 24 milhões pela participação, mais R$ 96 milhões pelo título e outros R$ 48 milhões pela visibilidade).

E mesmo que uma delas fique em segundo na classificação final e em segundo em visibilidade, ainda assim terá abiscoitado R$ 96 milhões, um valor bem próximo do máximo que poderá conseguir nessas negociações individuais.

Do lado de baixo da tabela, até os quatro rabeiras, mesmo rebaixados, terão assegurado, ao menos, uma bolsa de R$ 38,4 milhões.

Uma fórmula justa, que estimulará o bom espetáculo

Há uma diferença enorme entre um time iniciar uma competição já sabendo que vai ganhar uma fortuna, qualquer que seja o seu desempenho, e ter a consciência de que dependerá de uma ótima performance para obter tal prêmio.

Haverá um esforço maior dos clubes pela vitória e isso acabará premiando o espectador, que terá espetáculos de melhor nível para assistir.

Sem a valorização do mérito esportivo haverá a consolidação de um nociva reserva de mercado para alguns clubes privilegiados, que não ajudará em nada o desenvolvimento do futebol brasileiro.

Esta fórmula que premia a participação dos clubes, seu desempenho e também sua visibilidade, acredito ser a mais equilibrada e a que seria recebida com mais entusiasmo pelos amantes do futebol.

Ela obrigará os clubes a terem uma administração eficiente, planejarem melhor a temporada, montarem bons elencos e contratarem bons profissionais. Nenhum poderá baixar a guarda, pois quando mais destaque tiverem no campeonato, mais receberão por isso.

Ofereço esta fórmula para a análise dos leitores deste blog e espero que alcance a cabeça dos homens que dirigem o futebol brasileiro, antes que medidas elitistas eliminem uma das vantagens do nosso futebol, que é a grande e saudável competitividade que existe entre seus grandes clubes.

Você gostou desta fórmula? Tem outra sugestão para um Campeonato Brasileiro mais justo e atraente?


Cotas de tevê: pagar mais por torcida gerará abismo entre clubes

Quarta-feira tivemos um sinal do que irá acontecer se a tevê priorizar em suas transmissões os clubes de maior torcida. A Globo escolheu transmitir Palmeiras e Comercial do Piauí, do Pacaembu, ao invés de Santos e Cerro Porteño, da Vila Belmiro, e amargou o seu pior ibope de quartas-feiras no ano.

Calcula-se que o Palmeiras tenha 2 milhões de torcedores na Grande São Paulo, apenas 500 mil a mais do que o Santos, que ganha do rival na Baixada Santista e mantém um empate técnico no resto do Estado. Essa pequena diferença, como se esperava, não foi suficiente para suprir a falta de interesse pelo jogo e fazer com que tivesse mais audiência do que a partida em Santos, válida pela bem mais relevante Libertadores da América.

Apenas 0,015% da torcida do Palmeiras na Grande São Paulo compareceu ao Pacaembu (3.500 pagantes), em uma clara demonstração de que não é qualquer jogo que atrai a massa de palmeirenses. Isso nos faz refletir sobre a divisão de cotas de tevê que está sendo negociada.

É evidente que não é só a quantidade de torcedores de cada time, mas as circunstâncias das partidas que fazem com que despertem maior ou menor atenção. Se o Palmeiras enfrentasse o Cerro pela Libertadores, obviamente teria uma audiência maior na tevê e um público bem maior no estádio.

A questão não é uma disputa entre Santos e Palmeiras, que, para mim, estão no mesmo barco. A questão mais importante nesta discussão sobre cotas é a intenção da TV Globo de privilegiar Flamengo e Corinthians, pagando-lhes cotas bem superiores aos demais.

Favorecer ainda mais os times mais agraciados com patrocínio, espaço na mídia e benesses do poder só vai cavar um buraco cada vez maior entre eles e os demais, colocando o Brasil no mesmo caminho da Espanha, que hoje só tem dois times efetivamente grandes: Real Madrid e Barcelona.

Lá, ao menos estes dois acumularam méritos esportivos durante sua existência para justificar a popularidade. Aqui, talvez por questão de gosto, os times mais vitoriosos não são os de maior torcida, o que torna a manobra para favorece-lo, de certa forma, indecente.

Não há duvida de que o populismo que assola o País tem muito a ver com essa tendência de privilegiar Flamengo e Corinthians, que tiveram mais de um século para justificar sua supremacia em campo, mas não conseguiram.

Estádio de mão beijada com dinheiro público (Corinthians), verba milionária da tevê ao clube mais endividado do Brasil (Flamengo) são fatos que boa parte da mídia, conivente, e às vezes apaixonada, nem ousa discordar. Mas que não é ético, não é mesmo.

Privilégios geram mais privilégios

Para contentar os maiores rivais, a Globo tem oferecido um valor bem maior a quatro outros clubes de boa visibilidade em todo o Brasil, e não só em regiões específicas (como é o caso de Grêmio e Internacional, que só são populares no Sul do País).

Assim, logo depois dos queridinhos Flamengo e Corinthians, virão Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco. Está provado que jogos destes quatro times têm boa audiência em qualquer região do Brasil, facilitando a comercialização das partidas.

Como a verba para estes quatro será quase o triplo do que andam recebendo, alguns presidentes destes clubes estão bem animados com a possibilidade de colocar a mão na grana. Mas estão se esquecendo de que, aceitando essa manobra, estarão permitindo que se instale um sistema de desigualdade que gradativamente colocará Flamengo e Corinthians em um patamar inalcançável.

Clubes com mais dinheiro contratam melhores jogadores, ganham mais títulos, atraem mais mídia, conquistam mais e mais torcedores, conseguem contratos de patrocínio mais polpudos e com tudo isso se mantêm sempre na frente, em um círculo vicioso que nunca poderá ser rompido.

Clubes realmente grandes têm de lutar pelo primeiro lugar

O objetivo principal de um clube grande não é o de estabilizar suas finanças, mas de lutar por títulos, de ter sempre o objetivo de ser o campeão, o primeiro. Ao serem seduzidos pela oferta da Globo, todos os clubes, com exceção de Flamengo e Corinthians, estarão se colocando em uma perigosa e talvez irreversível situação de inferioridade.

O ideal é de que a negociação fosse coletiva e que o equilíbrio fosse mantido, assim como nos países onde o futebol é mais organizado e desenvolvido. A fórmula da Espanha fracassou, tanto que no próximo campeonato a negociação com a tevê de lá passará a ser coletiva.

O exemplo da NBA é outro que não pode ser esquecido. A filosofia que impera no campeonato do basquete profissional dos Estados Unidos, um dos mais ricos e de maior prestígio no mundo, é a de que quanto maior equilíbrio houver entre os contendores, melhor para o espetáculo, para o público e para os anunciantes.

Ao aceitar a negociação individual com a tevê, que privilegiará dois clubes, o Brasil está indo na contramão das tendências do esporte moderno e revivendo uma historia de privilégios típica de uma nação que confunde populismo com igualdade e democracia.

O momento de fazer algo para que este retrocesso não seja definitivamente estabelecido é agora. Os outros grandes clubes do Brasil, unidos, detêm a força política, já que apenas dois times não podem disputar um campeonato sozinhos. Porém, se os demais forem seduzidos pela verba maior que receberão, estarão se apequenando, vendendo sua alma e também o sonho de seus torcedores.

Você acha justo a tevê pagar mais para Flamengo e Corinthians, ou os outros clubes grandes deveriam se unir e exigir cotas iguais?


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