Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Rentería (page 1 of 2)

Grupo gestor decide que Riquelme não interessa ao Santos

Tiremos o cavalo da chuva. Juan Roman Riquelme, o melhor meia que já surgiu na América do Sul nos últimos 20 anos, não virá para o Santos. Ele preferia a Vila Belmiro, mas, devido ao desinteresse do grupo gestor que dirige o Alvinegro Praiano, deverá assinar com o Cruzeiro por 280 mil reais por mês, 30 mil a mais do que receberia na Vila Belmiro. Este episódio deixa algo muito claro: o que é bom para o torcedor santista nem sempre é bom para o grupo gestor que comanda o clube.

Para não ser injusto, sempre tento me colocar no lugar das pessoas a fim de entender o porquê de suas decisões. Sei que os sete elementos que hoje ditam os destinos do Santos são profissionais conceituados em suas áreas. Porém, como sócio do clube, torcedor há cinco décadas e também persistente pesquisador da história do Santos, acho que tenho o direito de lhes perguntar: os senhores entendem o coração do santista, sabem exatamente o que ele quer, ou isso não tem a mínima importância?

Sim, porque se o santista quer o Riquelme, e se o valor a ser gasto com o jogador é compatível com o que se gastava com Borges, Rentería, Alan Kardec e Elano – que deram pouquíssimo retorno –, por que não investir em um craque que valeria só pela experiência e pelas mortais bolas paradas, além de possuir grande visibilidade e enorme apelo de marketing? Sem contar o que para mim é o mais importante: o resgate do orgulho do torcedor do Santos, muito ferido pelos últimos acontecimentos.

Com exceção do presidente Luis Álvaro, do vice Odílio Rodrigues e do ex-diretor de futebol Pedro Nunes da Conceição, não conheço os outros quatro integrantes do grupo gestor: os executivos Augusto Videira, Álvaro de Souza, José Berenguer e Eduardo Vassimon, que eram do Grupo Guia. Não os conheço mas, até que provem o contrário, merecem o meu respeito como abnegados santistas que parecem ser.

Porém, se o Santos é um clube essencialmente de futebol, não entendo porque nesse grupo não há nenhum especialista no assunto. Por que rejeitar um jogador que custaria menos do que a soma dos salários de Rentería e Alan Kardec? Só se for porque o técnico Muricy Ramalho decidiu que o meia titular será o garoto Felipe Anderson, ou que Ganso não sairá do Santos. É isso?

Pois, me corrijam se eu estiver errado: Ganso irá para o Internacional e Muricy ainda não confiará a titularidade a Felipe Anderson. Assim, mesmo tendo 40 jogadores em seu elenco profissional, o Santos não contará com um meia com a experiência e a categoria de Riquelme.

E mesmo que Robinho venha, acho que os senhores gestores devem saber que ele não é um meia, não é um passador, um cobrador de faltas, um jogador que prende a bola e cadencia o jogo quando precisa. Robinho é um ponta de lança, um atacante que vem de trás e usa a velocidade para abrir espaços na defesa contrária. Ou seja: Riquelme e Robinho não jogam da mesma forma e seus estilos, ao invés de se chocarem, se complementam.

Como santista que já esteve e estará ao lado do time nos piores momentos, espero que os senhores tenham agido corretamente ao ignorar a vontade de Riquelme de jogar no Santos. Espero, mas espero sincera e profundamente, que eu e a maioria dos torcedores do Santos é que estejamos errados. Pois ficarei imensamente frustrado se constatar que a opinião do torcedor comum, que simplesmente se deixa levar pelo coração, era a mais abalizada do que a de sete respeitáveis senhores escolhidos a dedo para decidir sobre os caminhos do Santos Futebol Clube.

Você concorda que um grupo gestor comande o Santos?


Santos está sem dinheiro porque jogou muito pela janela

Nessa busca por jogadores argentinos – algo que já deveria ter sido feito há muito tempo –, o gerente de futebol Nei Pandolfo alegou que está difícil trazer Martínez, do Vélez, porque o Santos não tem nem seis milhões de reais para a contratação (a multa é de 12 milhões, mas o jogador abre mão de sua parte para jogar do famoso Santos de Pelé). Nisso, o santista se remexe na poltrona, pois começa a fazer os cálculos de quanto dinheiro foi jogado fora com contratações ruins.

Esse blog chegou a ser radical quando soube das vindas de Ibson, Henrique e Alan Kardec. Destes, só Kardec fez alguma coisa. O medíocre Ibson apenas esvaziou os cofres do Glorioso Alvinegro Praiano. Henrique continua jogando por falta de opção melhor, mas é outro investimento sem retorno.

De Rentería falar o quê? Veio, passeou, foi embora. Comeu, bebeu, dormiu, brincou, recebeu o salário em dia e jogar bola quer é bom, nada. O que esperar de David Braz e Gérson Magrão?

O que se podia esperar de Elano e Borges depois do fiasco do Mundial? Uma diretoria mais esperta já teria negociado os dois enquanto seus passes ainda estavam valorizados. Desde a final com o Barcelona quanto já não se desperdiçou com jogadores que se mantém no time no grito?

O que ainda esperamos do Ganso, que nunca mais jogou o futebol de 2010 e só faz uma ótima partida por ano? Só falta darem aumento para ele. Pois que consigam um clube interessado no “seu belo futebol” e lhe deem passagem só de ida. Não deixará saudades.

O que esperar do valente mas atabalhoado Durval, do veteraníssimo Léo ou do professor Muricy Ramalho, que ganha 700 mil reais por mês para ensinar o time a fazer chuveirinhos ou jogar a bola na direção do Neymar? Se Muricy só sabe trabalhar com jogadores experientes e o Santos não tem dinheiro para contratá-los, o melhor é trazer um técnico que saiba lidar com jogadores da base e que seja bom e barato. Onde está o Ney Franco? Por que não falar com o homem?

Não escrevo isso com nenhum prazer. Se há algo que abomino é o desperdício, e é isso que a diretoria de futebol do Santos tem feito com o suado dinheirinho que vem do marketing, da verba da tevê, das arrecadações dos jogos e das mensalidades dos sócios.

Está na hora de o Santos rever o seu elenco e sua filosofia de trabalho. De que adianta ter quase 40 jogadores profissionais e não conseguir formar um time decente? É preciso fazer um plano que comece nas categorias de base. Chega de improvisação, de chute, de contratações absurdas. Sejam humildes, senhores. Admitam que não entendem nada de futebol e procurem alguém que conheça do negócio.

Na pior das hipóteses, é melhor um jogador mediano comprometido com o clube, que se entregue a cada partida como se fosse a última batalha de sua vida, do que pseudocraques acomodados que se escondem da bola e só sabem exigir mais e mais.

Enquanto conservou a política de pagar um teto salarial de 160 mil reais, o Santos manteve um time competitivo e concentrado. Depois que começou a dar aumentos abusivos, inchou a folha de pagamentos e o rendimento da equipe caiu. Uma prova definitiva de que muito dinheiro na mão dos diretores do Santos é como revólver na mão de macaco, ou seja, é um tiro para cada lado.

Você poderia sugerir umas contratações boas e baratas para o Santos?


Sobrou garra, mas faltou um atacante pra botar pra dentro

Melhor do que se poderia esperar de um time que jamais jogou junto, os reservas do Santos fizeram um jogo igual contra o campeão da Bahia. Correram, lutaram e – apesar do campo encharcado – conseguiram criar algumas jogadas ofensivas que poderiam ter definido o jogo. De qualquer forma, o empate foi justo, pois o Bahia também teve boas chances e só não marcou devido à ótima atuação de Aranha.

Na verdade, o experiente goleiro foi o melhor jogador em campo. No Santos ainda se destacaram Bruno Rodrigo e Léo. Dos cinco estreantes, nenhum teve uma atuação espetacular, mas até que deram conta do recado. Fiquei com boa impressão de Bernardo e Ewerton Páscoa.

Gérson Magrão correu bastante, mas não me parece muito melhor do que o nada saudoso Rodrigo Mancha. Quanto aos ex-flamenguistas David Braz e Galhardo, sairam de campo com problemas musculares, provavelmente um sinal de que no time do Rio os treinamentos não era tão puxados.

O empate não foi ruim, mas com um pouco mais de vontade e determinação – UM POUCO MAIS DE VONTADE DE GANHAR O JOGO – o Santos teria estreado com uma ótima vitória. Faltou aquele “querer mais” que distinguem os vencedores dos mediocres. Faltou um cara tipo Felipe Anderson, Borges ou Renteria assumir que esse era o jogo da vida dele e iria decidir a parada e mostrar que merece um lugar no time.

Que me desculpe Borges, mas se “não há esse negócio de má fase”, como ele respondeu ao repórter do Sportv, é porque ele não é um bom atacante mesmo. Contra o Bahia, apanhou da bola o tempo todo. Não conseguiu completar uma jogada, dar um drible, segurar a bola para a entrada de algum companheiro. E quando teve a chance de marcar o gol e dar uma importante vitória ao Santos, perdeu o gol (duas vezes).

O desempenho de Borges mostrou que ele não só merece ser reserva do limitado Alan Kardec, como talvez já esteja fazendo hora-extra na Vila Belmiro. Na verdade, desde o Mundial do Japão Borges tem jogado mal. Está lento, fora de forma, com dificuldade para dominar a bola. Talvez o seu ciclo no Santos tenha chegado ao fim. O mesmo pode se dizer de Rentería, que hoje mais uma vez tropeçou na bola.

De qualquer forma, o resultado não foi péssimo. Esses reservas são mais consistentes do que os reservas que começaram o Campeonato Brasileiro no ano passado e, com mais entrosamento, poderão conseguir bons resultados. Quanto a Borges e Rentería, se não melhorarem, não vejo sentido em serem mantidos no elenco. Hoje foram pesos mortos que atrapalharam o time.

Até tu, site oficial do Santos?

Leitores deste blog me informam que o site oficial do Santos fez matéria em que contou os confrontos entre Santos e Bahia, pelo Campeonato Brasileiro, apenas de 1971 para cá. Parece brincadeira! A gente batalhando para consolidar uma história e o pessoal nem para ler o Dossiê. Em dúvida, leiam este blog. Santos e Bahia se enfrentam, pelo Brasileiro, desde 1959!

Na próxima terça-feira faremos uma grande promoções de Dossiês aqui no blog. Nesse dia serão vendidos com 50% de desconto, ou seja, a apenas 30 reais. Espero que o Santos compre um monte e distribua para seus jornalistas, marqueteiros, funcionários em geral. O próprio site oficial do clube não levar em conta a Unificação é o chamado Ó DO BOROGODÓ!

Veja agora mais uma bela reportagem do Rachid para a Santos TV. Desta vez com os torcedores santistas que foram ver a partida contra o Vélez Sarsfield, em Buenos Aires:

Morreu Carol, a jovem filha do pesquisador Guilherme Nascimento

Fiquei sabendo agora à noite. Que dor! A jovem Carol, 20 anos, vítima de AVC, que estava internada no Hospital do Servidor Público, em São Paulo, acabou falecendo. Filha do amigo Guilherme Nascimento, professor em Mongaguá, pesquisador que está concluindo o Almanaque do Santos, Carol era a companheira de Guilherme nos jogos do Alvinegro Praiano na Vila Belmiro. Nem sei o que dizer ou escrever em uma hora dessas. Apenas pedir aos amigos do Guilherme que o abracem nessa hora de tristeza. A vida continua, meu amigo. Força! Eu e a Suzana oraremos para a Carol logo mais.

E você, o que achou dos reservas do Santos contra o Bahia?


Só Aranha e Anderson Carvalho merecem aplausos

Sei que é preciso dar um desconto porque é o time reserva e está voltando de férias. Mesmo assim, acho que o Santos ficou devendo em sua estreia no Campeonato Paulista. Faltou mais vontade e determinação. Além de tranqüilidade, confiança, inteligência, habilidade… É, vendo bem, faltou muita coisa… No final, o empate em 1 a 1 com o XV de Piracicaba foi justo. O time da casa não merecia perder.

Não vi os números finais, mas tenho quase certeza de que o XV teve mais posse de bola que o Santos. Fico aqui imaginando quando será que o Santos voltará a controlar mais a bola do que o adversário – algo que foi sempre uma de suas características. Não encontro outra explicação para esse fenômeno a não ser uma grande dificuldade em acertar os passes e uma displicência nas divididas.

Um time que quer ganhar não faz frescuras. Tem hora que é preciso dar um bico pra frente e não tentar sair jogando. O jogo caminhava para o fim e Felipe Anderson quis dar um passe curto, entre jogadores do XV, e acabou propiciando a jogada que gerou o pênalti e o gol de empate de André Cunha, quase no final da partida. Para completar, Crystian fez um pênalti infantil.

Uma pena que Felipe Anderson esteja perdendo, por falta de vontade e inteligência, essa grande oportunidade de ser o substituto do Ganso. Sei que ele tem categoria, mas sua falta de garra e energia irrita os torcedores. Se não se coçar rápido, será outra promessa que não dará em nada. Por outro lado, mesmo mais limitado tecnicamente, Anderson Carvalho tem demonstrado uma atitude mais positiva – chegou até a construir uma bela jogada ofensiva – e é o garoto mais próximo de subir para os titulares.

O veterano Íbson foi um pouco melhor, mas acho que não adianta esperar muito mais dele. Em várias oportunidades em que podia enfiar uma bola, ou ir pra cima e tentar o chute, deu meia volta passou pra trás. Mais um jogo e um dos maiores salários do Santos continua sem dar uma assistência e nem fazer gol. Algo me diz que Íbson não sairá disso…

Gostei de Aranha. Não fosse sua boa atuação e o Santos teria perdido. No ataque, Tiago Alves continua correndo mais do que a bola; Alan Kardec, o autor do gol santista, continua correndo atrás da bola e Rentería continua esperando a bola chegar aos seus pés. Na defesa, Maranhão tem altos e baixos o jogo todo; Crystian teve mais baixos do que altos, assim como Vinícius Simon, que começou bem, mas foi se atrapalhando com o tempo. Bruno Rodrigo ao menos rebate para onde está virado.

Tudo bem que o XV está treinando desde novembro. Mas se você é um reserva do Santos e sabe que será utilizado nos jogos iniciais do Campeonato Paulista, o que você faria nas férias? Se cuidaria, se prepararia, pois não quer ser um reserva eterno, certo? Parece que nem todos os santistas pensam assim. No final, o time estava cansado, sem forças para sair da pressão do time catalão, ou melhor, do onze quinzista.

Muller comentava para a TV do XV?

Não entendi absolutamente nada da postura do comentarista Muller, do Sportv. O rapaz comentou todo o jogo do ângulo do XV de Piracicaba, como se estivesse a trabalho da TV do time de Piracicaba. Em todas as suas intervenções Muller se preocupou em dizer o que o XV deveria fazer para ganhar o jogo, que tática deveria utilizar, ou como seus jogadores deveriam atuar. Como Muller jogou no Santos em 1997 – período em que atuou tão bem que foi chamado novamente para a Seleção Brasileira – fiquei pensando se houve algum problema entre ele e o Alvinegro Praiano. O consolo é que Muller também é um reserva que está tapando o buraco deixado pelas férias do competente Maurício Noriega.

E você, o que achou do Santos em sua estréia no Paulistão?


Mistão do Santos no Paulista, Meninos na Copinha e Boicote Permamente

Gostei da idéia de se fazer um Mistão do Santos para iniciar as disputas do Campeonato Paulista. Se o time estiver bem, que continue, mas se não inspirar confiança, que alguns titulares importantes voltem ao menos nos clássicos. Afinal, este ano há a possibilidade de se conseguir um tricampeonato, que não ocorre em São Paulo desde 1969, quando o próprio Santos realizou a façanha.

O time treinou ontem sob as ordens do auxiliar técnico Tata, que usou os seguintes titulares: Aranha, Maranhão, Bruno Rodrigo, Vinícius Simon e Émerson; Anderson Carvalho, Íbson e Felipe Anderson; Alan Kardec, Tiago Alves e Rentería.

Hoje, às 15h30m, no CT Rei Pelé, este time faz amistoso contra o Guarani de Divinópolis. Veremos como se sairá. A seguir, analiso cada um dos prováveis titulares do Mistão:

Aranha – Bom goleiro. Mais experiente do que Vladimir, o outro reserva de Rafael. É uma posição em que o Santos está bem servido.

Maranhão – Pecava mais pelo descontrole emocional do que por falta de técnica. Quem sabe agora, mais experiente, possa queimar a nossa língua.

Bruno Rodrigo – Brigador, destemido, é um Domingos melhorado.

Vinícius Simon – Se jogar à vontade, com liberdade para sair com a bola, pode se revelar o grande zagueiro que pode ser.

Émerson – Não tenho informações precisas sobre o rapaz. Alguém me ajude.

Anderson Carvalho – Algo me diz que é mais um garoto que se firmará no time. Este é o seu ano.

Íbson – Pode jogar muito mais do que está jogando. Por sua experiência e técnica, é natural que seja o líder desse time. Vejamos como se sairá.

Felipe Anderson – Tem categoria, mas às vezes se esquece de que um jogador também joga sem a bola. Este é o seu ano. Ou vai, ou racha.

Alan Kardec – Já fez boas algumas partidas. Tem potencial e experiência para jogar bem.

Tiago Alves – É rápido, tem habilidade, mas comete o erro de tentar resolver tudo sozinho. Vamos ver se melhorou.

Rentería – Bastante rodado, forte, com bom chute, pode começar a justificar sua contratação pelo Santos.

Amanhã tem Santos na Copinha

Acostumado a presenciar o surgimento de grandes jogadores nas suas categorias de base, o santista espera com ansiedade mais um jogo do time na Copa São Paulo. O próximo compromisso será amanhã, às 21 horas, contra o Desportivo Brasil, que goza de ótima estrutura oferecida pela Traffic. Tudo indica que veremos uma grande partida.

Oitavas de final da Copa São Paulo de Futebol Júnior

JOGO DATA HORA LOCAL JOGOS

17 17/01 18h30 Benedito Teixeira Atlético-PR x Olé Brasil

18 17/01 21h Fonte Luminosa Palmeiras x Paulista

19 17/01 17h Professor Luís Augusto de Oliveira Red Bull Brasil x América-MG

20 17/01 16h Alfredo Schiavetto Corinthians x Primeira Camisa

21 18/01 21h Professor Luís Augusto de Oliveira Santos x Desportivo Brasil

22 18/01 16h Nicolau Alayon Grêmio x Fluminense

23 18/01 18h30 Arena Barueri Internacional x Coritiba

24 18/01 10h Martins Pereira Vitória x Rondonópolis

Boicote Permanente a favor do Futebol Brasileiro

Esse boicote – que deve ser permanente – de todos os torcedores de clubes grandes do Brasil, contra a transmissão de jogos de Corinthians e Flamengo na tevê, quer apenas recuperar o mínimo de justiça e equilíbrio no futebol brasileiro. É extremamente injusto pinçar um momento da história e tentar perpetuá-lo por meio de um maciço apoio financeiro a apenas dois clubes do País, como a Rede Globo está fazendo.

Seria o mesmo que, no início do século XX, quando o futebol era praticado apenas por clubes de elite, ou de origem inglesa, que se fizessem regras impedindo o crescimento das outras agremiações. Na época, é óbvio que os clubes mais estruturados – como Paulistano, São Paulo Athletic, Germania e Americano –, detinham o poder político e econômico do futebol paulista. Teimassem em não dividi-lo e não teríamos o surgimento das equipes populares, vindas da várzea paulistana, como o Corinthians e o Palestra Itália.

Portanto, houve um momento em que o espírito democrático prevaleceu no futebol. Por que agora ele terá de ser substituído pela mesma aristocracia há tanto tempo banida, que privilegia pouquíssimos e condena os demais a eternos coadjuvantes?

O argumento de que é bom para a tevê não serve, pois desde que ela se apoderou do nosso futebol, vemos um predomínio cada vez maior do futebol europeu e um enfraquecimento contínuo dos grandes clubes brasileiros, que têm perdido, gradativamente, sua capacidade competitiva.

Não é preciso recorrer a nenhum milagre para melhorar as coisas. É só copiar as fórmulas que dão certo. A divisão justa, que valoriza o mérito esportivo e dá a muito mais times a possibilidade de lutar pelo título tornam os campeonatos nacionais de Inglaterra e Alemanha um grande sucesso. É só copiá-los.

A discriminação feita pela Globo é odiosa e só poderá gerar fortes reações contrárias dos outros clubes e seus torcedores. Se uma agremiação mais popular já tem inúmeras vantagens sobre as demais, por que ainda precisa receber uma verba desproporcional da tevê?

Sim, pois um clube popular tem a vantagem de conseguir maiores arrecadações, atrair mais sócios, cobrar mais caro pelos espaços em seu uniforme, atrair mais verba para ações de marketing, ter mais visibilidade na mídia e, com tudo isso, conquistar mais torcedores. Ora, isso tudo já não basta?

Que ainda haja um adicional pelo ibope na tevê ainda é compreensível, mas quando essa diferença para os demais representa dezenas de milhões de reais a cada ano, aí o buraco vai ficando cada vez maior, até que se torne intransponível. É só ver o que acontece na Espanha, em que os outros clubes, por mais que sejam competentes em sua administração, por mais que revelem grandes jogadores, estão fadados a viver das migalhas de Real Madrid e Barcelona. Chegou a um ponto em que, mesmo extremamente incompetentes, mesmo que joguem milhões pela janela, os dois gigantes continuarão bem acima dos outros.

Entre os argumentos esdrúxulos para defender o sistema espanhol, citam que a maioria dos titulares do Barcelona vieram das categorias de base do clube, portanto, não foram comprados a peso de ouro. Sim, mas não fosse o Barcelona um dos times mais ricos do mundo e não teria conservado nenhum desses craques que vieram da base.

Recentemente, o Santo André foi vice-campeão paulista com um bom time. De futebol ofensivo e vistoso, por muito pouco não tirou o título Paulista do Santos em pleno Pacaembu. Pois bem: o que aconteceu com esse Santo André? Foi destroçado por outros clubes, que lhes extraíram todos os bons jogadores, e acabou rebaixado não só no Paulista, como no Campeonato Brasileiro. Em dois anos o promissor Santo André caiu para a Série A2 do Paulista e, da Série A, para a Série C do Brasileiro.

Portanto, este modelo que a Rede Globo quer implantar é elitista e não serve ao nosso futebol, que sempre se caracterizou pela competitividade. Vença quem for o melhor em campo, quem tiver melhor capacidade administrativa e puder revelar melhores jogadores. Porque é muito fácil vencer quando se tem o dobro, o triplo do dinheiro dos demais adversários diretos.

Por isso, todo torcedor que não é corintiano ou flamenguista tem a obrigação de não assistir aos jogos desses times na tevê. Pois isso só engrossará a audiência dessas equipes e justificará o dinheiro desproporcional que ganham da Globo. Por um futebol brasileiro mais justo, não assista mais a Corinthians e Flamengo na tevê, até que a fórmula seja mudada.

Qual é sua opinião sobre os temas de hoje?


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