Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Riquelme

A solução é formar e garimpar jogadores. Mas cientificamente

Nesta segunda-feira, em Jaguariúna, pela Copa São Paulo de Futebol Júnior, este ano aberta a jogadores Sub-20, o Santos venceu o São Mateus/ES por 1 a 0, gol de Stefano Yuri no primeiro tempo. Com este resultado o Alvinegro Praiano joga pelo empate com o Corinthians de Alagoas, na quinta-feira, às 16 horas (Sportv), para garantir o primeiro lugar do grupo e a consequente classificação para a próxima fase. Mesmo dominando a partida, o Santos se mostrou dispersivo no ataque e perdeu várias oportunidades. Nenhum jogador se destacou, apesar do empenho de Lucas Otávio e Leandrinho.

Disposto a chegar perto do impossível para trazer ao menos mais um jogador de peso para o seu elenco, o Santos deve continuar especulando esta semana. Não me surpreenderia se Marcos Assunção e Riquelme fossem sondados, e torço para que sejam. Entretanto, e vários leitores do blog também estão percebendo isso, a busca pelo astro não deve ser o caminho prioritário do Santos e nem de qualquer clube grande brasileiro.

A distância tem diminuído, mas o que os grandes estrangeiros pagam aos seus principais jogadores ainda está bem acima do que seria razoável para o mercado nacional. Mesmo atletas na casa dos 30 anos, como Robinho e Nenê, custam bem mais do que um jogador brasileiro de nível técnico similar.

Um clube como o Santos, eternamente interessado em títulos e prestígio, precisa contar com alguns nomes consagrados em seu elenco, mas, pela realidade econômica de nosso futebol, não deve e não pode jogar todas as suas fichas nas grandes contratações – receita que mais tem provocado dívidas profundas do que trazido conquistas duradouras aos nosso clubes.

De nada adianta ter uma receita maior – de tevê, marketing, publicidade – se os clubes usam esse dinheiro para pagar maiores salários aos mesmos técnicos e jogadores de sempre. Haveria superávit se os salários pudessem ser achatados, ou ao menos crescessem em uma proporção menor do que o faturamento. Do jeito que está, assistimos a uma inflação financeira que não tem correspondido à melhoria da qualidade do jogo, ou à consolidação do mercado futebolístico brasileiro.

Uma ideia para mudar o jogo

Quando o amigo Luciano, de Arujá/SP, lançou a novidade de que eu poderia ser candidato à presidência do Santos – hipótese já descartada, visto que ainda não tenho dez anos como sócio do clube – e me pediu algumas ideias para divulgar em um fórum de debates de santistas, falei da criação de uma área de pesquisa ligada ao departamento de futebol que não exigiria muita despesa e certamente traria ótimos resultados.

Lembro de ter escrito que com alguns estagiários e seus respectivos computadores o clube poderia iniciar um trabalho de levantamento dos jogadores em atividade no Brasil, com informações e estatísticas essenciais para aumentar ao máximo a relação custo-benefício de uma contratação.

Só um participante desse fórum comentou essa sugestão, mas não lhe deu o menor crédito. Escreveu que era uma bobagem, pois o futebol deve ficar na mão de quem o conhece a fundo e não de estagiários. Ou seja, ele não entendeu nada. É óbvio que a decisão final por uma contratação continuará sendo do diretor da área, ou até do presidente do clube, mas passará a se basear em dados concretos e não no feeling de um ou outro.

O que se vê hoje é o técnico, ou o diretor de futebol, sugerindo contratações, de jogadores que eles já conhecem de outros clubes nos quais trabalharam. Ou, o que tem sido mais comum, aceitando as indicações dos próprios agentes desses jogadores. Isso é muito pouco, levando-se em conta que o Brasil tem 6.632 times profissionais de futebol, sem contar as milhares de equipes das divisões de base.

Apenas um mês de salário de um jogador comum pode pagar um ano dessa área de pesquisa, que entre outras informações importantes – como condições clínicas e físicas e detalhes do contrato de trabalho do atleta – trará as estatísticas dos jogadores. Não só quantos jogos fizeram, ou gols marcaram, mas sua porcentagem de passes, desarmes, assistências, cruzamentos certos…

Houve tempo em que apenas a dica de um olheiro ou a visão de um técnico tarimbado poderia trazer ao time uma jóia rara, perdida pela infinidade de times do Interior. Isso aconteceu em 1976, quando o técnico Zé Duarte foi à Caldense buscar o meia-esquerda Ailton Lira, que aos 25 anos já pensava em abandonar o futebol e montar uma oficina mecânica com o irmão, em Araras.

Aconteceu novamente em 1994, quando um jogador alto, magro e bastante tímido, de 22 anos, foi trazido da Sãocarlense, num período em que o Santos estava com a caixa a zero. Um ano depois esse rapaz, que se revelou um meia genial, foi escolhido o melhor jogador do Campeonato Brasileiro. Seu nome: Giovanni Silva de Oliveira, ou G10, ou O Messias, maior ídolo do Santos nos anos 90.

Hoje, porém, é quase impossível que um craque como Ailton Lira ou Giovanni alcance 22, 25 anos, sem que não tenha sido descoberto e adotado por algum empresário, que, por sua vez, tratará de negociar seu passe com o máximo de lucro. Mesmo assim, há muitas situações em que contratar um jogador desconhecido ou pouco valorizado pode ser um grande negócio. É preciso, porém, estar ligado ás oportunidades 24 horas por dia.

Moneyball, o filme que explica o que quero dizer

Há um filme nas locadoras, baseado em uma história real, que exemplifica bem o que quero dizer com este post. No Brasil seu título é “O homem que virou o jogo” (Moneyball, nos Estados Unidos). Ele conta a história de Billy Beane, gerente geral do time de basebol do Oakland Athletics, que, apesar da difícil situação financeira do time, conseguiu montar uma equipe competitiva para a temporada de 2002 adotando uma detalhada análise estatística dos jogadores criada pelo jovem Peter Brand, recém formado em Economia pela Universidade de Yale.

Os conselheiros técnicos da equipe rejeitaram e se tornaram agressivos com a teoria de Brand, que consideraram ridícula, mas o gerente Billy Beane deu crédito ao jovem, acabou demitindo todos os medalhões e montou um time bem menos caro, com jogadores sub-valorizados, que depois de um início ruim conseguiu vencer 20 jogos consecutivos, um recorde na Liga Americana.

O Athletics não conquistou o título, mas fez furor. Dois anos depois o Boston foi campeão da Liga adotando as teorias de Beane e Brand. Antes, o mesmo Boston tinha feito uma proposta para Beane de US$ 12,5 milhões por ano, que o tornaria o mais bem pago gerente da história do beisebol, mas Beane recusou.

Veja o trailer e tire suas conclusões:

Por que não Pinga?

Assim como há jogadores que estão recebendo bem mais do que merecem, há outros que, por um motivo ou outro, valem e recebem menos do que poderiam. Pinga pode ser um desses casos. Pelo seu currículo e a edição de seus melhores lances, parece um canhoto de personalidade e chute poderoso.

O que teria atrapalhado sua carreira, a ponto de seu passe valer tão pouco? Incidentes fora do campo? Gênio difícil? Indisciplina? O próprio apelido serviu para desvalorizá-lo? Como saber? O certo é que analisado apenas tecnicamente dá a impressão de ser um jogador bem mais preparado do que João Pedro, Gérson Magrão, Bernardo e outros que recentemente passaram pela Vila Belmiro.

Por que será também que Jucilei e Paulinho foram oferecidos quase de graça ao Santos e mesmo assim recusados? Quanto prejuízo não gerou ao clube essa imperdoável negligência? O que faltou, além de competência, para se avaliar devidamente o potencial desses dois ótimos meio-campistas, que depois foram reforçar o Corinthians?

Pois faltou um departamento moderno e profissional de futebol, que não se valha apenas dos instintos e contatos de uma pessoa, mas de uma pesquisa de mercado minuciosa. A falta desse departamento torna a formação de um elenco no Brasil uma aventura passional, amadora e perdulária.

A solução para o Santos, ou para qualquer clube de prestígio no País, é investir não só na formação de jovens atletas vindos da base, mas em um sistema científico de garimpagem de talentos que por qualquer razão não são valorizados e por isso podem ser contratados por valores compatíveis com o mercado brasileiro de futebol.

A garimpagem científica pode ser a saída para a falta de dinheiro?


Mentiras sobre Neymar, contratações, perguntas ao Alvaro de Souza

Sexta-feira passada, 28 de dezembro, em que a Espanha comemorou o “Dia dos Inocentes”, uma espécie do nosso “Dia da Mentira”, o jornal Sport, da Catalunha, região em que se localiza a cidade de Barcelona e, conseqüentemente, o time de mesmo nome, publicou uma entrevista com Neymar pai, em que ele teria dito que após a Copa de 2014 o filho irá para a Europa e, provavelmente, para o time catalão. Como para muitos formadores de opinião do Brasil mentira ou verdade é a mesma coisa, a “entrevista” teve grande repercussão por aqui.

Bem, eu já escrevi várias vezes que o que é bom para o futebol europeu não é bom para o Brasil. A ausência de Neymar não será ruim apenas para o Santos, mas também para o futebol brasileiro, que já começa a ter uma visibilidade que incomoda os europeus.

Com Neymar mais crianças e adolescentes gostarão do futebol e as competições internas serão mais valorizadas, darão mais ibope e tornarão o Campeonato Brasileiro um produto mais caro e mais requisitado pelo mercado internacional. Sem Neymar, tudo será mais árido, mais difícil, mais pobre.

Mas um pool de empresas patrocinadoras, o próprio Santos e, quem sabe, a Rede Globo – que teria um show de melhor qualidade para vender – podem impedir que o maior astro do nosso futebol vá embora. É só querer. Neymar é uma atração que se paga. Perdê-lo para o mercado espanhol será constrangedor em uma época na qual o Brasil tem uma economia mais forte do que a do país ibérico.

O bumbo e a gaita

Não se espante com o sub-título acima, falarei de contratações. Não dizem que um bom time de futebol joga por música? Pois falemos de jogadores-instrumentos. Veja que por mais que gostemos e respeitemos o grave desempenho do bumbo, sabemos que o tal não consegue solar uma canção. Fica naquele bum-bum o tempo todo.

Por outro lado, há os instrumentos harmônicos, como o violão, o piano, a harmônica (ou sanfona), a gaita de boca, que acompanham, solam, fazem o baixo. Estes se bastam, podem, sozinhos, dar um recital. É deste jogador-instrumento que o Santos precisa. Por isso, entre Robinho, Montillo e Nenê, sou obrigado, como alguém que entende música de ouvido, a preferir o argentino. Mas há pontos a ponderar…

Montillo não é um meia prendedor de bola e distribuidor de jogo, como seria o substituto ideal de Ganso. É mais um ponta de lança, como Robinho e Nenê, mas não tem, para o santista, um décimo do carisma de Robinho. O ideal seria mesmo Riquelme, se estivesse em plenas condições clínicas. E, mesmo que não fosse para atuar em todas as partidas, e aceitasse um salário menor, eu chamaria Marcos Assunção para conversar. Está na hora de o Santos transformar faltas na entrada da área em gols.

Há 20 dias enviamos 25 perguntas a Álvaro de Souza

Importante membro do comitê gestor do Santos, Álvaro de Souza recebeu 25 perguntas desde blog no dia 10 de dezembro, portanto, há 20 dias. Como explicou o assessor de imprensa do Santos, Arnaldo Hase, as respostas deveriam demorar mesmo algum tempo, já que Souza é conselheiro de várias empresas importantes – entre elas a problemática Gol – e só depois de cumprir seus compromissos de final de ano com essas empresas é que se debruçaria sobre as perguntas enviadas pelos santistas deste blog.

Continuamos aguardando pacientemente pelas respostas. Sugiro que da mesma forma que presta contas às outras empresas para as quais trabalha, Souza deveria encarar essas respostas como uma prestação de contas à gigantesca comunidade de santistas que ou lê o blog, ou acaba sabendo dos temas tratados aqui.

Para alegrar o domingo, trago uma homenagem dos compositores Ricardo Peres e Bio Peres – e muitos intérpretes de valor – à alegre, orgulhosa e irreverente cidade geradora de craques. Veja e ouça “Santos, obra-prima da mãe natureza”:

E você, o que acha disso tudo?


Hoje é dia de dar um tempo na cornetagem e apoiar o Santos

O torcedor do Santos está descontente. O time não rende bem e todo jogador que a diretoria tenta contratar, vai outro time lá antes e leva. Riquelme se oferece só pelo salário e o comitê gestor diz que ele não está no perfil do Santos. Mas e o Bill, está? O técnico Muricy Ramalho, especialista em retrancas, que não consegue fazer o time marcar gols, deve renovar por mais um ano e meio. Enfim, a situação não é fácil. Porém, hoje é dia de esquecer tudo isso e acreditar em uma boa e redentora vitória contra o Botafogo, às 19h30m, na Vila Belmiro.

Em outros tempos, precisando da vitória como está, o treinador tiraria um volante e colocaria um jogador mais ofensivo, mas Muricy escalará o meio-campo com os mesmos Adriano, Henrique e Arouca de sempre. Este último terá mais liberdade para avançar. O único meia será Felipe Anderson. No ataque, Dimba e Miralles terão outra oportunidade de mostrar o mínimo de entrosamento.

Há males que vêm para o bem. Expulso, o lateral-esquerdo Juan não joga e será substituído por Léo, que ao menos sabe inflamar o time. Acho que dá para ganhar com a formação que entrará em campo, mas depois de tanto zero a zero, acho que nosso milionário treineiro deveria ser mais ousado. Por que não tirar o Henrique e dar uma oportunidade real ao garoto Victor Andrade? Essa simples mexida poderia adicionar o tempero que o time precisa para sair dessa rotina sem-sal que mantém na competição.

No Botafogo do técnico Oswaldo de Oliveira, um time mais ajustado, que ganhou três dos quatro jogos que fez fora de casa e está em quarto lugar, o torcedor verá novamente Renato, campeão brasileiro pelo Santos em 2002. E verá também a estréia de Rafael Marques na posição de centroavante. Em tempo: esse Vítor Júnior é o mesmo que já passou pelo santos há alguns anos.

Os times mais prováveis são: Santos: Aranha; Bruno Peres, Edu Dracena, Durval e Léo; Adriano, Henrique, Arouca e Felipe Anderson; Dimba e Miralles. Botafogo – Jéfferson, Lucas, Antônio Carlos, Fábio Ferreira e Márcio Azevedo; Lucas Zen, Renato, Andrezinho, Fellype Gabriel e Vítor Júnior; Rafael Marques. A arbitragem será de Cláudio Francisco Lima e Silva, de Sergipe, auxiliado por Márcio Eustáquio Santiago (Fifa-MG) e Cristhian Passos Sorence (GO).

Antes de mostrar um apelo dos jogadores do Santos para que o torcedor compareça à Vila Belmiro, eu também convoco os santistas de Santos que costumam assistir aos jogos do time nos bares e restaurantes, que façam um esforço para ir à Vila. O grito do torcedor de bar não chega ao jogador.

Retrospecto dos confrontos entre Santos e Botafogo

Por Wesley Miranda

Santos e Botafogo já se enfrentaram 95 vezes em jogos oficiais. O Santos obteve 35 vitórias contra 33 vitórias botafoguenses e 27 empates. O Peixe marcou 164 gols e sofreu 145.
Em Brasileiros, desde o primeiro confronto na Taça Brasil de 1962, foram 50 jogos, com 17 vitórias paulistas, 16 vitórias cariocas e 17 empates. O time de Vila Belmiro marcou 70 gols e o time de General Severiano 56.

Artilheiros do Santos
Para variar, Pelé é o artilheiro, com 13 gols, o Rei do Futebol enfrentou o Botafogo em 23 oportunidades, com nove vitórias, seis empates e oito derrotas.
Em seguida vem o pé de valsa Dorval com 9, o canhão Pepe com 8 e o gênio Coutinho com 7. Com 5 gols vem o ponteiro Tite e o meia Diego.

Os primeiros confrontos
O primeiro encontro entre os alvinegros aconteceu no dia do aniversário de seis anos de fundação do Santos FC, 14/04/1918 na Vila Belmiro. O Botafogo já havia conquistado dois campeonatos cariocas – 1910 e 1912 –, por e via judicial, nove décadas depois, conquistaria o título de 1907. O Santos tinha sido bicampeão santista em 1913 e 1915.
Em campo, o Alvinegro Praiano deu um baile no clube carioca, aplicando um sonoro 8 a 2, com gols de Ary Patusca (3), Millon (2) Haroldo, Marba e Arnaldo Silveira. Petiot e Menezes marcaram os gols botafoguenses.
Misericordioso
A grande nota do jogo é impensável para os dias atuais: quando a partida estava 6 a 1 para o Santos, o árbitro marcou um pênalti duvidoso em favor dos santistas e Arnaldo Silveira, propositalmente, cobrou a penalidade para fora. Foi abraçado pelos jogadores cariocas pelo gesto.
Demorou mais sete anos para os dois clubes se enfrentarem, até que em 06/12/1925, em outro amistoso na Vila Belmiro, o Santos goleou por 4 a 1 com gols de Omar(2) Alfredo e Camarão.
Quase dez anos depois foi a vez do Santos conhecer os domínios do clube carioca, e dessa vez em 03/08/1935 foi a vez do Botafogo golear, 9 a 2 tendo Junqueirinha anotado os tentos santistas.
Apesar de viver ótima fase, com o título Carioca em 1930 que não vinha desde 1912, e o Tetra de 32 a 35 o resultado chama atenção até os dias atuais como a maior goleada do confronto. O pesquisador Guilherme Nascimento conta que a partida foi noturna e a iluminação de General Severiano era a famosa luz de “boate”, o que gerou reclamação por parte dos jogadores santistas, que literalmente não viram a cor da bola.
Tanto é que, no dia 25/08/1935 o clube carioca jogou na Vila e saiu derrotado por 2 a 1 com dois gols de Delso, e no dia 27/08/1935 empate em 2 a 2, tendo Logu anotado os dois tentos do Santos.

Final Internacional
Em solo espanhol, no Estádio Municipal de Riazor, em Lã Coruna, no dia 21/06/1959 as duas equipes deram uma prévia do que se tornaria rotina anos depois, já os dois alvinegros estavam entre os melhores do mundo. Foi com 40 mil pessoas no estádio que o Santos goleou o Botafogo de Nilton Santos, Garrincha, Didi, Quarentinha e Zagallo por 4 a 1, com gols de Pepe(2), Pelé e Coutinho e conquistou o rico troféu Tereza Herrera.

O maior jogo do mundo
Então atual campeão Brasileiro de 1961, o Santos teve que eliminar nas semifinais o Sport Recife (1 a 1 em Recife e 4 a 0 no Pacaembu com 4 gols de Coutinho) para decidir a final contra o forte Botafogo de Manga, Rildo, Nilton Santos, Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagallo.
No primeiro duelo, disputado no Pacaembu, a tônica foi o equilíbrio, e o placar de 4 a 3 mostrou bem isso. Os tentos marcados por Pepe (2) Coutinho e Dorval abriram a vantagem do Santos para o título Bastaria apenas um empate no segundo jogo, no Rio, para a conquista do binacional.
A segunda partida foi disputada doze dias depois, no Maracanã, e para cumprir tabela, foi válida também pelo Torneio Rio-SP, conquistado antecipadamente pelo Santos.
Imprimindo um forte jogo, o Botafogo virou o primeiro tempo ganhando por 1 a 0 com gol de Edison. Na segunda etapa ampliou para 3 a 0 com gols de Quarentinha e o possesso Amarildo. O único tento santista foi marcado contra por Rildo já perto do final. O resultado provocou a terceira partida que seria disputada dois dias depois, no mesmo Maracanã.
Injustamente lembrando sempre como técnico de vida fácil por dispor de melhor time de todos os tempos, Lula mostrou nesse jogo sua força no comando. Incumbiu o ponta Dorval de marcar Zagallo quando o Santos tivesse sem a bola. A estratégia surpreendeu a equipe carioca e o Santos virou o primeiro tempo ganhando por 2 a 0, com gols de Dorval e Pepe. Na etapa complementar, Coutinho e Pelé(2) completaram a goleada! Santos 5, Botafogo 0.
Sem reação, a torcida adversária aplaudiu de pé aquele que foi chamado pela imprensa como o maior jogo do mundo.

Libertadores
O Botafogo “herdou” a vaga na Libertadores de 1963 mesmo com o vice na Taça Brasil de 1962, já que o Santos era o atual campeão do torneio sul-americano.
E novamente, os dois maiores times do mundo na época se enfrentaram em uma decisão, desta vez a semifinal da Libertadores. Jogando no Pacaembu no dia 22 de Agosto de 1963, o Santos só empatou com o Botafogo. Jair Felix marcou para o time carioca, e Pelé, marcou o gol de empate aos 45 minutos do 2º tempo.
Na 2ª partida no dia 28/08/1963, o Santos enfrentaria Garrincha, Nilton Santos, Manga, Rildo fora de seus domínios, e precisando vencer para ir à final, contra o Boca Juniors.
Antes dos 35 minutos da primeira etapa o Santos já vencia por 3 a 0, com três gols de Pelé. O curinga Lima aumentou no segundo tempo! Santos 4 a 0, mantendo a sina de golear o rival em jogos decisivos.

Disputa na Venezuela
Os dois times se enfrentaram na Copa Circuito de Jornalistas no início de 1966. E dessa vez o Botafogo levou a melhor vencendo os dois jogos 1×2 e 0x3. O Santos estava em fase de transição, muitos veteranos estavam parando e alguns meninos surgindo, como Clodoaldo, Edu e Joel Camargo.

Rio-SP divididos
Santos e Botafogo dividiram dois torneios Rio-SP em sua história. O primeiro, em 1964, terminou com os dois times rigorosamente empatado com 14 pontos. Houve a necessidade de jogos de desempate. Na primeira partida, em 10/01/1965 o Botafogo ganhou do Santos por 3 a 2 no Maracanã. Como o calendário das equipes já era preenchido com excursões internacionais (principal fonte da época) não teve o segundo jogo em São Paulo. Sendo assim, as federações declaram as duas equipes campeãs.
Em 1966, o Santos sem Pelé e com dois jogadores expulsos desde os 30 minutos do primeiro tempo, empatou em 0 a 0 com o Corinthians, no Pacaembu. No Rio de Janeiro o Botafogo evitou a conquista do Vasco da Gama com a vitória de 3 a 0. Sendo assim, houve um quadruplo empate entre os quatro alvinegros: Santos, Botafogo, Vasco e Corinthians com 11 pontos. Não houve desempate devido aos preparativos da Copa de 1966.
No Rio-SP o Santos é um dos maiores vencedores com cinco conquistas: 1959, 1963, 1964, 1966 e 1997. O Botafogo tem quatro títulos:1962, 1964, 1966 e 1998.

Base do Tri da Copa do Mundo
Mais do que esquadrões que encantaram o mundo, Santos e Botafogo foram bases das conquistas dos primeiros três títulos da Seleção Brasileira em Copas do Mundo.
1958
Pelé, Zito e Pepe (Santos); Garrincha, Didi e Nilton Santos (Botafogo).
1962
Pelé, Zito, Gylmar, Mauro Ramos, Mengálvio, Coutinho e Pepe (Santos); Garrincha, Didi, Nilton Santos, Amarildo e Zagallo (Botafogo)
1970
Pelé, Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Joel Camargo e Edu (Santos) Jairzinho, Roberto Miranda e Paulo César Caju (Botafogo).

Paulinho, vira Paulinho “Maclaren”
Sem o mesmo brilho da década de 1960, Santos e Botafogo se enfrentaram no Maracanã no dia 23/03/1991 em partida do Campeonato Brasileiro. O Santos venceu o Botafogo por 3 a 0 com 3 gols de Paulinho ainda na primeira etapa. Nesse jogo o centroavante do Santos, que acabaria artilheiro do certame com 15 gols, comemorou como se tivesse manobrando um carro de F1. Vivia a expectativa do GP Brasil, e Ayrton Senna largaria na pole no dia seguinte. Virou Paulinho McLaren. (por problemas de direito, foi introduzido uma letra “a” no apelido do atacante santista.

Épicas partidas em 1995
Santos e Botafogo se enfrentaram três vezes no Brasileiro de 1995. A primeira partida no dia 29/11/1995 fez parte de uma incrível sequência de cinco vitórias que resultaram na classificação do Santos para as semifinais. O Santos ganhou na Vila Belmiro por 3 a 1, com gols de Vágner, Giovanni e Jamelli. Parecia que nada tiraria o título do Alvinegro Praiano.
Até a derrota na primeira partida da final no Rio de Janeiro por 2 a 1, foi visto como bom resultado, já que o Santos tinha feito melhor campanha e necessitava apenas inverter o resultado.
No dia 17/12/1995 Santos e Botafogo se enfrentaram no Pacaembu na disputa do título. O Botafogo saiu na frente aos 24 minutos com um gol irregular, com Túlio em impedimento. O Santos só empatou aos 2 minutos da segunda etapa, com Marcelo Passos depois de Marquinhos Capixaba fazer assistência com a mão. Já perto do fim do jogo e do campeonato, veio o gol que daria o título para o Santo. Marcelo Passos cobrou falta e Camanducaia, em posição legal, marcou de cabeça. Daria… Curiosamente, aquele que foi o único tento legal da partida foi anulado pelo árbitro Márcio Rezende de Freitas, aumentando por mais alguns anos a agonia da torcida santista e alegrando a torcida do Botafogo, que não conquistava um título brasileiro desde a Taça Brasil de 1968, mesmo ano em que o Santos tivera sua última conquista nacional, a do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, ou Robertão.

Outras decisões de Rio-SP
Em 1998 de novo uma semifinal, essa pela Rio-SP, o Santos empatou no Rio a primeira partida por 0 a 0 e na segunda houve novo empate, por 2 a 2. Marcos Assunção e Ronaldo Marconato para o Santos, Túlio e Djair para o Botafogo. Nos pênaltis deu Botafogo por 4 a 3.
No ano seguinte foi a vez do Santos eliminar o time de General Severiano, também no Rio-SP e também na semifinal. Na primeira partida, no Morumbi, o Santos ganhou por 1 a 0, gol de Marcos Assunção. No Maracanã o Alvinegro Praiano venceu novamente, e por 2 a 0, gols de Alessandro Cambalhota e Viola.

Os melhores do mundo
No fim de 2000 a FIFA elegeu os melhores times do século XX . O Santos ficou em 5º no geral e primeiro nas Américas. O Botafogo em 12º empatado com outros seis times.

Inicio da conquista
Após 1995, a torcida do Santos demorou sete anos para soltar da garganta o título de Campeão Brasileiro, que veio com a conquista de 2002. E quis o destino que essa conquista começasse em cima do Botafogo na Vila no dia 10/08/2002. Vitória de 2 a 1, com gols de Elano e do garoto Diego na partida de estreia do Brasileiro. O Botafogo terminou aquele campeonato rebaixado para série B. Pura ironia do destino…

O último encontro
Santos e Botafogo se encontraram no dia 19/10/2011 em partida adiada da 21ª rodada. Focado na disputa do Mundial Interclubes, o Santos não disputava o Brasileiro com a mesma força do adversário. O Botafogo lutava para ser líder de um campeonato que não conquistava há 16 anos.
Logo aos 15 minutos, Neymar, em bela jogada individual marcou mais um de seus golaços. Borges aos 28′, ainda na primeira etapa, deu números finais e marcou o seu 22º gol no campeonato, igualando Serginho Chulapa, artilheiro do Brasileiro de 1983 com 22 gols. Borges terminaria na artilharia com 23 gols.

E para você, o que rolará na Vila Belmiro entre Santos e Bota?


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