Precisa-se de torcedor disposto a sofrer (minha coluna de hoje no Metro Jornal)

A torcida do Santos já foi a mais mobilizada de São Paulo. Nas estatísticas nem sempre era a segunda do Estado, mas nos estádios às vezes era a primeira. Seu período de esplendor, em que ela participou de vários recordes de público, ocorreu entre 1973 e 1984. Hoje, provavelmente, ela seja ainda maior do que era, só que não comparece aos estádios. Isso precisa começar a mudar. Por que não a partir deste sábado, quando jogam Santos e Vitória, no Pacaembu, às 18h30?

Pequenos movimentos podem iniciar grandes transformações. O santista, inteligente que é, sabe disso e tem consciência da importância de suas ações para a mudança das coisas. Meu amigo e minha amiga, chegou um momento em que não dá para ser apenas um voyeur do Santos, é preciso torcer de verdade. Se for para sofrer, vamos nessa. Mas vamos sofrer de corpo presente.

Chega de ficar no sofá ou no boteco. De que adianta ter 50 mil sócios e um público médio de seis mil pessoas no estádio? Isso é uma piada que jamais pode voltar a ser contada. Não tenho esperanças, porém, de que a situação mude radicalmente enquanto essa diretoria atual estiver no comando. Parece que essas pessoas não conhecem o Santos e os santistas. São extraterrestres tentando administrar um clube de futebol.

Pra começar, a falta de clareza para os sócios interessados em comprar ingresso pelo site oficial do clube é absurda. O sócio entra no site e é encaminhado ao site do Sócio Rei. Lá, se tiver alguma dúvida, e certamente as terá, pode ligar para um número cuja telefonista lhe dará quatro opções, mas nenhuma é a tão esperada “Como comprar o seu ingresso”.

Ora, qual é a grande vantagem de ser sócios do Santos? Comprar ingressos com desconto e rapidamente, certo? Certo. Como não consegue um bom acordo com a tevê e não tem patrocínio máster, qual é ou deveria ser a maior fonte de renda do Santos? O seu sócio e torcedor, que pagam para serem sócios e/ou irem aos jogos do time, certo? Certo.

Como não tem piscina, restaurante, salão de festas e essas coisas que todo clube tem, o Santos sabe que a única coisa que pode oferecer aos sócios é a possibilidade de assistir aos jogos do time, certo? Certo. Então, Nossa Senhora do Monte Serrat, por que o site oficial do clube já não começa com um título do tamanho de um bonde direcionando o torcedor para a compra do ingresso?

Por que não se criam todas as facilidades para este sócio ir ao jogo? Por que é tão difícil ao sócio gastar dinheiro para assistir aos jogos do Santos? Grosso modo, o torcedor é o público consumidor do produto Santos. Se ele é ignorado, ou mal tratado, de onde virá o dinheiro para o Santos crescer?

Desculpem-me os responsáveis, mas o site do Santos é confuso e ruim. Conseguiram piorar algo que funcionava bem. E não falo só pela questão da compra de ingressos, mas no todo. Quanto será que pagaram para piorar o site? Não sei e no momento nem quero saber para não ficar nervoso. Só sei que neste sábado estarei no Pacaembu e gostaria de ver você lá. Abraço!

Recordes de público da torcida santista

Mesmo depois que Pelé parou de jogar, o time continuou atraindo multidões aos estádios e ainda hoje detém vários recordes de público, tais como:

Recorde de público no Pacaembu
68.327 pagantes, 11/12/1977, Palmeiras 1, Santos 1

Recorde de público em clássicos paulistas
127.423 pessoas, 15/10/1978, Palmeiras 2, Santos 0, Morumbi (maioria de santistas)

Recorde de público em jogos do São Paulo
122.209 pessoas, 16/11/1980, São Paulo 1, Santos 0, Morumbi

Recorde de público em jogos da Portuguesa
116.156 pessoas, 26/08/1973, Santos 0, Portuguesa 0, Morumbi

Clássico paulista que mais vezes ultrapassou a marca de 100 mil pessoas
Santos e Corinthians: sete vezes

Jogos interestaduais que mais vezes ultrapassaram a marca de 100 mil pessoas
Santos e Flamengo, Flamengo e Atlético: quatro vezes

Recorde de público no Campeonato Brasileiro
155.523 pessoas, 29/05/1983, Flamengo 3, Santos 0, Maracanã

Recorde de público no Torneio Rio-São Paulo
132.500 pessoas, 01/05/1964, Flamengo 3, Santos 2, Maracanã

Recorde de público da Taça Brasil
102.260 pessoas, 31/03/1963, Botafogo 3, Santos 1, Maracanã (o segundo maior público também é do Santos, no jogo contra o Cruzeiro, no Mineirão, em 30/11/1966, que o time de Inas venceu por 6 a 2).

Maior média de público de um clube paulista em uma edição de Campeonato Brasileiro
Santos, em 1983 – com 49.306 pessoas

Único time paulista que aparece entre os 20 maiores públicos do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1967 a 1970)6 (seis vezes)

Times paulistas que mais vezes tiveram públicos superiores a 100 mil pessoas
Corinthians – 23 vezes
Santos – 19 vezes
São Paulo – 16 vezes
Palmeiras – 12 vezes

Enderson Moreira pode optar pelo 4-4-2

No primeiro coletivo que deu no CT Rei Pelé, e sem poder contar com Robinho (Seleção Brasileira), Mena (Seleção Chilena) e Alison (Seleção Brasileira sub-21), Enderson Moreira escalou o Santos com Aranha; Cicinho, Edu Dracena, David Braz e Zé Carlos; Souza, Arouca e Lucas Lima; Gabriel, Thiago Ribeiro e Leandro Damião. No transcorrer do treino, porém, Gabriel foi substituído por Alan Santos, o que deixa no ar a possibilidade de o novo técnico optar pelo 4-4-2, com apenas dois atacantes.

Após o treino os jogadores Edu Dracena e Arouca, dois dos veteranos do elenco, foram falar com Enderson e lhe dar apoio. Legal isso, mas o subordinado dar apoio ao chefe é meio estranho. Se eu fosse o técnico, eu responderia: “Agradeço pelo apoio verbal, mas peço que vocês apoiem o time treinando duro, jogando bem e não colocando obstáculos ao meu trabalho”.

E aí, vamos exercer nossa função de torcedor neste sábado, no Pacaembu?