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Gilberto Mendes, um gênio santista da música, hoje no Sesc de Santos

Gilberto Mendes, 88 anos de juventude, autor da polêmica Santos Football Music

Falemos agora de Gilberto Mendes, um expoente da música experimental de vanguarda. Sua música incomum, fragmentada, instigante, tem sido tocada nos cinco continentes. E o melhor é que ele é santista de Santos, onde hoje à noite se apresentará no auditório do Sesc.

Ontem fui com a Suzana e os amigos Débora e Carlos vê-lo no Sesc Vila Mariana. Que criatividade! Que desafio aos nossos ouvidos, acostumados aos ritmos compassados e às rimas cruzadas.

Gilberto é tão criativo como Paulo Henrique Ganso, tão imprevisível como Edu e Robinho, tão sereno como Gylmar e Mauro.

Em pensar que este senhor alegre, cujos olhos brilham como os de um menino, já tem 88 anos. É reconhecido no mundo todo, mas continua morando em Santos, onde nasceu. E apesar de intelectual, gosta de futebol e é torcedor do Santos.

Um dia, ao ouvir a transmissão de uma partida pelo rádio do carro de um amigo, teve a idéia de produzir uma obra que retratasse os sons e os sobressaltos de uma partida de futebol. Assim criou a peça “Santos Football Music”, que conta com a participação da platéia para recriar o clima nervoso de um estádio.

Ontem fui ter com ele, pois havia a idéia de uma ária composta por ele para ser apresentada em um jogo do Santos, com a participação da torcida. Mas chegamos à conclusão de que seria muito complicado e sua música não é para as massas. Entretanto, durante o Centenário do Santos, Gilberto dispôs-se a fazer um concerto em homenagem ao time do seu coração.

Não pude ouvir “Santos Fooball Music” ontem, na apresentação no belo Sesc Vila Mariana. A música não foi incluida no programa. Então, cheguei em casa e a revi através do Youtube. Ficou curioso? Então está aqui a obra revolucionária de Gilberto Mendes. Contate que até na arte pós-modernista o Santos se destaca.

Gostou? Não precisa entender, só sentir. Mas estou achando que a música para um estádio todo cantar tem de ser samba, marcha ou rap. O que acha?


O herói santista do dia

Não, não é Neymar, Paulo Henrique Ganso, André, Madson, Marquinhos, Zé Eduardo, Arouca ou Wesley… O santista consagrado do dia é o promotor Francisco Cembranelli, que nesta madrugada conseguiu, finalmente, condenar Alexandre Nardoni e sua mulher Anna Jatobá pelo assassinato da pequena Isabela, de apenas cinco anos, filha de Alexandre.

Havia advogado que defendia a inocência dos réus sob a alegação de falta de provas. Ora, se o pai e a madrasta estiveram o tempo todo ao lado da criança e ela foi assassinada, quem teria cometido o crime? Um ET?

Este risco, de que assassinos frios e mentirosos saiam impunes – algo comum em nosso país – é que faz o povo comemorar uma condenação como se fosse vitória em jogo final de campeonato e transformar o promotor público em herói. Apesar dos graves problemas sociais que envolvem boa parte da população, felizmente ainda não é comum matar-se crianças em momentos de descontrole.

Que o ser humano é passível de atos escabrosos, todos sabemos. Mas o que mais chocou, no caso, foi o não arrependimento dos assassinos, a tentativa de se livrar da justiça, as mentiras, o jogo jurídico para burlar a decência e a ética.

Coincidentemente, Cembranelli é santista roxo. Sei disso porque José Carlos Peres o conhece e já tinha me falado sobre ele há dois anos, quando o crime da pequena Isabella aconteceu. Como todo santista, Cembranelli é um apreciador do talento, da beleza e da verdade. Além de prezar, como poucos, a justiça, está acostumado a ser provocado e desafiado pelos idiotas da subjetividade.  E, invariavelmente, consegue colocá-los em seu devido lugar.


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