Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

film izle

Tag: Santos dos anos 60

Fluência. É isso que falta


Será que é difícil chutar assim, atacantes do Santos?

Fiquei de fazer um post analisando a situação do Santos, e como estou com a cabeça voltada para as excursões internacionais do Alvinegro Praiano nos anos 60, devido ao livro que escrevo em parceria com o amigo Marcelo Fernandes, a tarefa não me parece tão difícil. É só lembrar o que dava certo naquele grande Santos para se chegar à conclusão de que o que falta no Santos atual é fluência.

“Espere aí, Odir”, dirão meus críticos, e não são poucos. “Fluência é um termo muito vago. Você quer dizer incompetência, intransparência, ou qualquer outra “ência” mais objetiva?” Sim e não, responderei. Fluência envolve isso tudo. Mas, para evitar maiores delongas, vou ao ponto.

Veja, querido e querida santista, que o Santos de Athié, Lula, depois de Antoninho, fluía naturalmente. Aliás, fluência quer dizer exatamente o que flui, é natural e espontâneo. Há uma atitude que pressupõe outra consequente, e mais outra e outra. Quanto os atos têm consequências lógicas, fluem e nos dão uma sensação de confortável previsibilidade. Se o processo natural é interrompido, fica a sensação desagradável de incompletude.

Como isso se manifesta no futebol? Olha, é o caso do jogador que faz uma partida bem, ou está em uma sequência boa, e é tirado do time e não volta mais. Ou, caso inverso, do perna de pau que está sempre afundando a equipe, mas é sempre escalado. São coisas que deixam o torcedor, com o perdão da palavra, com o saco na lua (no caso dos torcedores masculinos, claro).

Assim, quando o goleiro Lalá veio do Ferroviário para o Santos, em 1959, já foi integrado à delegação que viajou para a Europa e entrou como titular contra grandes clubes europeus, chegando a conquistar o Troféu Teresa Herrera. O mesmo ocorreu com Orlandinho, ponta-direita do Comercial de Ribeirão Preto, que chegou ao Santos no começo de 1968 e imediatamente viajou com o time para participar do Octogonal do Chile, ajudando a equipe a ser campeã do torneio.

O que quero dizer com isso? Que se o jogador era contratado, era porque merecia a confiança da diretoria e do técnico. Não tinha de esquentar banco. Se não desse certo, iria para a reserva, entraria só de vez em quando e no final do ano seria negociado. Mas, antes disso, teria sua chance. O Santos não ficava com jogadores encostados, como hoje é o caso de tanta gente no elenco. Isso é falta de fluidez.

Foi contratado? Tem de ter as suas chances. Jogou bem? Fica. Não está conseguindo render o esperado? No ano seguinte não estará mais na Vila Belmiro. Isso se chama fluidez, a maneira lógica e justa de administrar um elenco. O que está ocorrendo no Santos, hoje, é uma verdadeiro bagunça.

O técnico Dorival Junior pede contratações nominais, não dá oportunidade ou encosta os jogadores que ele mesmo pediu, e quando o clube pretende negociá-los, casos de Rafael Longuine e do próprio Léo Cittadini, interfere e pede que os jogadores continuem no clube. Ora, essa falta de decisão do técnico incha o elenco, faz o Santos pagar uma fortuna de salários, divide os jogadores em vários igrejinhas e o time não anda.

O grande Santos tinha 18 jogadores, só. E jogava bem mais do que o atual. Você sabe quantos o atual tem? Vinte e cinco? Trinta? O número é incalculável, já que tem muita gente encostada, recebendo salário para não jogar. É o cúmulo do desperdício de dinheiro, de energia e de falta da famosa fluidez.

Agora leve esse conceito para os atos da direção do clube e veja como essa mesma espontaneidade faz falta. Aqui abro um parêntese para dizer que não pode haver naturalidade sem verdade, sem sinceridade. O natural é o óbvio, o que obedece ao inconsciente coletivo do santista. Por que o Pacaembu atrai 24 mil torcedores em um domingo de sol a pino e a Vila Belmiro, em uma agradável noite tropical, não chega a seis mil assistentes? Nem, vou responder, deixarei a pergunta no ar para que as pessoas sintam o quanto é antinatural se pensar em uma arena em Santos.

Na verdade, ninguém está pensando nessa arena, só o presidente, porque ele não segue o pensamento coletivo do santista, só o seu. Uma arena sem espectadores, o que será? Um elegante ou um baleia branca? Ainda bem que quase todos os santistas não acreditam na história da arena do Modesto, como jamais acreditaram na do superávit, pois já perceberam que para essa gestão vale tudo, mesmo as mentiras mais cabeludas, apenas para continuar sugando até a última gota do pobre Alvinegro Praiano, que consideram propriedade sua.

Uma mentira é algo que destrói a fluência de qualquer comunicação, de qualquer projeto, de qualquer relação entre o clube e o associado, entre o time e o torcedor. Não culpo apenas os jogadores pela situação depressiva em que o Santos entrou nesse início de 2017. Sei que têm, sim, sua responsabilidade, mas também estão sendo usados por uma gestão sem… sem… sem… digamos, sem fluência.

E você, o que pensa sobre isso?

A seguir, dois livros meus sendo lançados. O do Guga, que escrevi com o amigo Ricardo Lay, nesta quinta-feira na Livraria Travessa, do Rio de janeiro. E o Lições de Jornalismo, dia 14 de março, na Livraria da Vila do Shopping Pátio Higienópolis.

Convite-Guga

Convite - Lições de jornalismo


Não há bem que sempre dure… Nem mal que nunca se acabe

Alguns santistas ficaram bravos comigo, decepcionados mesmo, por eu ter escrito que o que interessa agora é concentrar as forças na busca do histórico e praticamente secular tetracampeonato paulista. Querem mudanças drásticas e rápidas no time e, entre elas, a troca do técnico. Pois, na minha breve vida ligada ao futebol, aprendi que mudanças em horas erradas são piores do que as não mudanças.

Perceba, amigo leitor e amiga leitora, que os times vitoriosos têm algo em comum, assim como os fracassados. Os vitoriosos mantêm uma estrutura por mais tempo, seguem uma filosofia de trabalho contínua, enquanto os fracassados estão tentando pular daqui para ali a todo o momento.

Obviamente não sou contra as mudanças, mas não acredito que precisem ser radicais. A vida ensina isso. Vejo o Grêmio em ação e olhe quem vai pela extrema-direita e cruza para outro ex-santista marcar. Esfrego os olhos e confirmo: Pará fez jogada de craque, passou pelo marcador, e deu cruzamento preciso para Zé Roberto empurrar para as redes do adversário. E no Santos não temos, hoje, um lateral-direito que, ao menos nos últimos dez jogos, tenha feito isso.

Portanto, sou contra mudanças radicais, a não ser que o momento exija, que nossos pés estejam tocando na lama escura do fundo do poço, o que ainda não é o caso do Santos. Posso parecer otimista demais, até ingênuo, mas algo me diz que Montillo, Cícero e Marcos Assunção ainda darão grandes alegrias aos santistas. Sem contar que continuo confiando em Miralles, Patito, Felipe Anderson, Victor Andrade e Gabriel, Giva, Gustavo Henrique, Jubal, Émerson Palmieri, Leandrinho, Pedro Castro…

De repente um jogador se entrosa com outro, esses dois com mais outro e a coisa começa a fluir. Por exemplo: acho que Miralles e Felipe Anderson se entendem. Sempre que estão em campo fazem alguma coisa de bom, como aquela tabela que terminou em um golaço contra o Cruzeiro, lembram?

Enfim, as peças do quebra-cabeça estão aí. Resta esperar que nosso professor ponha seus neurônios para funcionar. Que jogador combina com qual? Que formação seria a mais eficiente para o Santos? Como motivar esse time, se é que precisa, em busca de um título que só se vê de 96 em 96 anos?

Por outro lado, amigo e amiga, olhe ao seu redor e veja times que vinham vencendo seguidamente começarem a perder. Essa é a lei inexorável do futebol. Ou você acreditou que o Barcelona poderia se comparar ao Santos dos anos 60? Ou, ainda, que Fluminense e Corinthians continuariam como os melhores do Brasil, como em 2012?

E aí, que tal dar um crédito de confiança a este Santos?


© 2017 Blog do Odir Cunha

Theme by Anders NorenUp ↑