Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Boa estreia, Levir!

Sereias da Vila a um passo da final
Neste sábado, às 21 horas, com transmissão do Sportv, o Santos enfrenta o Iranduba, na Vila Belmiro, e com um empate já garantirá vaga na final do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino. A outra semifinal reúne Rio Preto e Corinthians. Logo mais informo sobre a partida das Sereias, comento os últimos fatos no Santos, como a bela enquadrada de Levir Culpi, e apresento o clássico de amanhã entre Santos e São Paulo, também na Vila. Até mais…

Menos tic, mais taca!


Desta vez os santistas jogaram com coragem

Um Santos mais objetivo e determinado, que não ficou todo encolhido atrás depois de conseguir alguma vantagem, foi o que se viu em Curitiba, ao contrário da equipe que era orientada por Dorival Junior. Os santistas começam a ter mais esperanças nessa Copa Libertadores.

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Hoje à noite o curitibano Levir Culpi terá o seu jogo mais importante desde que foi contratado e, provavelmente, o primeiro em que assumirá de fato o comando da equipe. A Copa Libertadores é a grande motivação do Santos neste ano e o confronto com o Atlético Paranaense, a partir das 19h15, na Vila Capanema, com transmissão da Fox, tem um grande significado para Levir, que em 2004, dirigindo o mesmo Atlético, perdeu o título brasileiro para o Santos nas últimas rodadas. Cada vez que ele enfrenta o seu antigo clube, a história do “piloto automático”, vem à tona.

No momento, os dois times não são os melhores do Brasil, como há 13 anos, mas correm atrás da bola e esperam que o imponderável do futebol os premie com vitórias surpreendentes. Sim, qualquer vitória hoje, assim como algum título para um dos dois em 2017, seria uma surpresa. Para esta noite a lógica indica o empate, e na temporada chegar às finais já seria razoável.

Fiquei triste com a séria contusão do garoto Vitor Bueno, que só voltará aos campos em 2018. Espero que sua recuperação não seja tão complicada como as Luiz Felipe e Gustavo Henrique, também com problemas no joelho, mas os antecedentes dizem que é melhor esquecermos de Bueno por um longo tempo. Ricardo Oliveira, Zeca e Caju também estão machucados.

As notícias dizem que Levir armará um Santos ofensivo, mas a verdade é que a escalação provável é a do mesmo time que vinha jogando e marcando poucos gols: Vanderlei, Lucas Ferraz, David Braz, Lucas Veríssimo e Jean Mota; Renato, Thiago Maia e Lucas Lima; Bruno Henrique, Kayke e Copete.

Com uma saída rápida para o ataque, se Lucas Lima girar menos sobre o próprio corpo e der andamento às jogadas com precisão e velocidade, o Santos poderá chegar ao gol de Weverton com perigo. Se voltar ao estilo Dorival Junior de rodar para lá e para cá, certamente terá mais pose de bola, mas correrá o risco de voltar para Santos com mais uma derrota fora de casa.

Do lado do Atlético, Eduardo Baptista não tem muitas opções técnicas. A força do seu time está na disciplina tática e em seu bom retrospecto quando joga em casa. Ele deve enfrentar o Santos com Weverton, Jonathan, Paulo André, Thiago Heleno e Sidcley; Otávio, Matheus Rossetto e Lucho González; Douglas Coutinho, Nikão e Grafite (ou Éderson).

Como disse, acredito mais no empate, se bem que tenha esperanças de uma boa vitória santista, claro. A arbitragem será de Roberto Tobar, auxiliado por Marcelo Barraza e Claudio Rios, todos do Chile. Que não sejam caseiros.

Ticket médio

Domingo fui jantar na casa do Vinicius, meu sobrinho e afilhado, e fiquei sabendo que o ticket médio do supermercado Dia é 25 reais. Sou cliente de uma unidade do Dia perto de casa e comentei sobre uma boa promoção que a loja está fazendo. Especialista em marketing e muito bem informado, Vinicius explicou que o público deste supermercado costuma fazer compras pequenas e por isso o Dia está fazendo essas promoções para estimular as pessoas a gastar mais.

Você, leitor e leitora, deve estar se perguntando o que essa informação tem a ver com o Santos. Eu respondo: tem tudo! Pois lemos novamente que Modesto Roma, mesmo nos estertores de seu mandato, não desistiu de lançar a pedra fundamental de uma arena para 28 mil pessoas em Santos, e para que o negócio dê certo será preciso cobrar um ticket médio superior a 80 reais por 20 anos seguidos.

Ora, o ticket médio suportável em Santos, para jogos de futebol, é bem parecido com o do Dia, e assim tem sido desde que a Vila Belmiro foi fundada, há 101 anos. E olhe que Santos até os anos 50 era a décima cidade brasileira em população, com uma pujança econômica e um poder aquisitivo bem maiores do que hoje, em que se encontra em 48º lugar entre as cidades mais populosas do país. Ou seja, impor ao santista e ao morador das cidades da Baixada um ingresso caro, que vai além de seus hábitos de consumo, será a melhor receita para se criar um elefante branco e, consequentemente, falir o nosso querido Alvinegro Praiano, que mesmo sem o estádio já está quase chegando lá.

“Ah, mas os santistas da capital e do interior descerão a serra para ver o Santos e eles é que garantirão a lotação do estádio…” Ah, é? Quer dizer que trazer o time para jogar no Pacaembu não pode, mas esperar que um santista do planalto gaste 200 reais para ver, da arquibancada, uma partida de futebol, correndo riscos na volta noturna para casa, pode? Sei não, mas essa arena em Santos entrará na turma das arenas do Pantanal, de Manaus e Natal. Elefante, ou melhor, baleia branquíssima.

Minha esperança, assim como a da maioria dos santistas, é a de que Modesto Roma não seja reeleito e não leve adiante essas suas ideias tresloucadas, que podem transformar o Santos, definitivamente, em um time apenas de sua cidade, desperdiçando o incomensurável patrimônio deixado por Pelé & Cia e representado por sua imensa torcida. Esperamos que o Alvinegro que já foi o maior espetáculo da Terra possa ser dirigido por um ser humano racional, que apenas faça o que tem de ser feito, obedecendo às leis da lógica e do marketing.

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Este livro de arte nenhum time tem e nunca terá. Chegou o livro que traz as maravilhosas viagens do Santos pelo mundo. Um livro único, que vale por um título mundial.

Este livro de arte nenhum time tem e nunca terá. Chegou a esperada obra que conta as maravilhosas viagens do Santos pelo mundo. Um livro único, que vale por um título mundial e está sendo oferecido por um preço super acessível e ainda dá ao comprador a honra de ter o seu nome impresso em suas páginas. Não perca essa oportunidade de ter o seu nome em um dos livros mais importantes da literatura futebolística mundial!

Prossegue a campanha de financiamento coletivo para o lançamento do livro “Santos FC, o maior espetáculo da Terra”, uma obra única, que nos encherá de orgulho e consolidará o Santos em outro nível na história do futebol mundial. Os autores são Marcelo Fernandes e eu. Prestigie. Garanto que não vai se arrepender. Há muitas recompensas para quem adquirir o livro nesta fase de pré-lançamento.

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E você, como acha que o Santos de Levir se sairá em Curitiba?


Voluntários para Pesquisa

Meus amigos, uma pesquisa que chega à conclusão de que a torcida de um time carioca é igual à do Santos no centro de São Paulo no mínimo está de sacanagem com a imensa torcida santista. Mas, como os idiotas da objetividade acham que os números podem provar tudo, até as maiores besteiras do universo, não adianta discutir com eles. O melhor e a única solução verdadeira é fazer a nossa própria pesquisa.

Isso de ouvir 100, 200 pessoas, a gente faz em uma tarde, ou manhã. Só preciso de uns voluntários que, de preferência, morem próximos a Santo Amaro. Não há pagamento em pecúnia, mas divulgarei os nomes das almas bondosas que participarão do evento aqui no blog e darei um exemplar do Time dos Sonhos, ou do Dossiê, para cada um. Vamos fazer história garotada!

A ideia é realizar a pesquisa em um dia da semana que vem. Os interessados devem enviar e-mail para blogdoodir@blogdoodir.com.br

Liquidação Total dos livros em 60 dias de aniversário!

Como prometi, este blog comemorará o aniversário de 105 anos do nosso amado Santos Futebol Clube nos meses de março e abril. E nessa comemoração, para tornar a rica história santista mais acessível a todos, reduzi ainda mais os preços dos livros oferecidos na livraria do blog e ainda mantive o frete grátis e a dedicatória, claro.

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E você, o que acha disso?


Fluência. É isso que falta


Será que é difícil chutar assim, atacantes do Santos?

Fiquei de fazer um post analisando a situação do Santos, e como estou com a cabeça voltada para as excursões internacionais do Alvinegro Praiano nos anos 60, devido ao livro que escrevo em parceria com o amigo Marcelo Fernandes, a tarefa não me parece tão difícil. É só lembrar o que dava certo naquele grande Santos para se chegar à conclusão de que o que falta no Santos atual é fluência.

“Espere aí, Odir”, dirão meus críticos, e não são poucos. “Fluência é um termo muito vago. Você quer dizer incompetência, intransparência, ou qualquer outra “ência” mais objetiva?” Sim e não, responderei. Fluência envolve isso tudo. Mas, para evitar maiores delongas, vou ao ponto.

Veja, querido e querida santista, que o Santos de Athié, Lula, depois de Antoninho, fluía naturalmente. Aliás, fluência quer dizer exatamente o que flui, é natural e espontâneo. Há uma atitude que pressupõe outra consequente, e mais outra e outra. Quanto os atos têm consequências lógicas, fluem e nos dão uma sensação de confortável previsibilidade. Se o processo natural é interrompido, fica a sensação desagradável de incompletude.

Como isso se manifesta no futebol? Olha, é o caso do jogador que faz uma partida bem, ou está em uma sequência boa, e é tirado do time e não volta mais. Ou, caso inverso, do perna de pau que está sempre afundando a equipe, mas é sempre escalado. São coisas que deixam o torcedor, com o perdão da palavra, com o saco na lua (no caso dos torcedores masculinos, claro).

Assim, quando o goleiro Lalá veio do Ferroviário para o Santos, em 1959, já foi integrado à delegação que viajou para a Europa e entrou como titular contra grandes clubes europeus, chegando a conquistar o Troféu Teresa Herrera. O mesmo ocorreu com Orlandinho, ponta-direita do Comercial de Ribeirão Preto, que chegou ao Santos no começo de 1968 e imediatamente viajou com o time para participar do Octogonal do Chile, ajudando a equipe a ser campeã do torneio.

O que quero dizer com isso? Que se o jogador era contratado, era porque merecia a confiança da diretoria e do técnico. Não tinha de esquentar banco. Se não desse certo, iria para a reserva, entraria só de vez em quando e no final do ano seria negociado. Mas, antes disso, teria sua chance. O Santos não ficava com jogadores encostados, como hoje é o caso de tanta gente no elenco. Isso é falta de fluidez.

Foi contratado? Tem de ter as suas chances. Jogou bem? Fica. Não está conseguindo render o esperado? No ano seguinte não estará mais na Vila Belmiro. Isso se chama fluidez, a maneira lógica e justa de administrar um elenco. O que está ocorrendo no Santos, hoje, é uma verdadeiro bagunça.

O técnico Dorival Junior pede contratações nominais, não dá oportunidade ou encosta os jogadores que ele mesmo pediu, e quando o clube pretende negociá-los, casos de Rafael Longuine e do próprio Léo Cittadini, interfere e pede que os jogadores continuem no clube. Ora, essa falta de decisão do técnico incha o elenco, faz o Santos pagar uma fortuna de salários, divide os jogadores em vários igrejinhas e o time não anda.

O grande Santos tinha 18 jogadores, só. E jogava bem mais do que o atual. Você sabe quantos o atual tem? Vinte e cinco? Trinta? O número é incalculável, já que tem muita gente encostada, recebendo salário para não jogar. É o cúmulo do desperdício de dinheiro, de energia e de falta da famosa fluidez.

Agora leve esse conceito para os atos da direção do clube e veja como essa mesma espontaneidade faz falta. Aqui abro um parêntese para dizer que não pode haver naturalidade sem verdade, sem sinceridade. O natural é o óbvio, o que obedece ao inconsciente coletivo do santista. Por que o Pacaembu atrai 24 mil torcedores em um domingo de sol a pino e a Vila Belmiro, em uma agradável noite tropical, não chega a seis mil assistentes? Nem, vou responder, deixarei a pergunta no ar para que as pessoas sintam o quanto é antinatural se pensar em uma arena em Santos.

Na verdade, ninguém está pensando nessa arena, só o presidente, porque ele não segue o pensamento coletivo do santista, só o seu. Uma arena sem espectadores, o que será? Um elegante ou um baleia branca? Ainda bem que quase todos os santistas não acreditam na história da arena do Modesto, como jamais acreditaram na do superávit, pois já perceberam que para essa gestão vale tudo, mesmo as mentiras mais cabeludas, apenas para continuar sugando até a última gota do pobre Alvinegro Praiano, que consideram propriedade sua.

Uma mentira é algo que destrói a fluência de qualquer comunicação, de qualquer projeto, de qualquer relação entre o clube e o associado, entre o time e o torcedor. Não culpo apenas os jogadores pela situação depressiva em que o Santos entrou nesse início de 2017. Sei que têm, sim, sua responsabilidade, mas também estão sendo usados por uma gestão sem… sem… sem… digamos, sem fluência.

E você, o que pensa sobre isso?

A seguir, dois livros meus sendo lançados. O do Guga, que escrevi com o amigo Ricardo Lay, nesta quinta-feira na Livraria Travessa, do Rio de janeiro. E o Lições de Jornalismo, dia 14 de março, na Livraria da Vila do Shopping Pátio Higienópolis.

Convite-Guga

Convite - Lições de jornalismo


Hora de pôr ordem na casa

A derrota para a humílima Ferroviária, na Vila sagrada, ainda ribomba nas nossas cabeças. É óbvio que há muita coisa errada no Santos e é natural que o torcedor se preocupe com a sorte do time na Copa Libertadores, a competição mais importante de 2017 (fora o Mundial, claro).

Não finjamos o contrário, por favor. Paulista, Copa do Brasil, Brasileiro, todos os títulos têm a sua importância, mas a Libertadores vale mais, até porque pode colocar o Santos em um patamar acima de todos os outros clubes brasileiros.

Porém, se a equipe tem dificuldades em sua própria casa, o que esperar do Glorioso Alvinegro Praiano em 9 de março, uma quinta-feira à noite, quando iniciará a competição sul-americana de clubes enfrentando o respeitável Sporting Crystal, do Peru, em Lima?

Se o clima entre diretoria e comissão técnica, comissão técnica e jogadores, jogadores e torcida não melhorar, será mais sensato tirarmos o cavalinho da chuva, ou o peixe do mar, pois nem passaremos da primeira fase da Libertadores. Digo nós porque o momento é de união entre os santistas.

Um espírito de porco pode dizer: “Mas Odir, se o Santos for campeão da Libertadores, você jamais será eleito presidente do clube”. Pois eu respondo: ser campeão da Libertadores em 2017 é de importância fundamental para a história do Santos, perto desse feito quem será o próximo presidente santista não tem importância.

E como a gente critica, mas sugere soluções, apelo para que o presidente Modesto Roma, a direção de futebol, o técnico Dorival Junior e a comissão técnica tenham uma longa reunião para detectar o que está havendo e estabelecer metas e compromissos. Depois, que outra reunião, entre a direção do clube e os jogadores, seja realizada.

É preciso botar para fora tudo que está engasgando todo mundo. Sem lavar a roupa suja e colocar ordem na casa, o Santos vai passar um ano difícil. Não é hora de beicinho, nem de mimimi, nem de mentiras ou desculpas. Quem estiver incomodado, peça para sair. O time está diante de seu maior desafio desde 2012. É hora de ser forte, determinado, corajoso e de fazer jus a ser lembrado, para todo o sempre, na história do Santos e do futebol.

Sete providências recomendadas

1 – Priorizar a Libertadores, Usar o Campeonato Paulista para testar e dar ritmo a todos os contratados e aos garotos da base, mas não estafar os titulares absolutos nos jogos do Estadual.

2 – Criar um sistema de jogo mais precavido para os jogos fora de casa. Que Dorival e seu filho não se iludam. Fora de casa o bicho vai pegar. Mesmo o grande Santos, no seu melhor ano, que foi 1962, empatou em 1 a 1 tanto com o Cerro Porteño, em Assunção, quanto com a Universidad Católica, em Santiago, e só ganhou do Deportivo Municipal, da Bolívia, por 4 a 3, porque virou ao final da partida, após estar perdendo por 3 a 2.

3 – Escolher jogadores com espírito de Libertadores, ou preparar o espírito de quem for escolhido. Além de ter calma, será preciso inteligência, além de tranquilidade para não revidar ao ser provocado, e nem afrontar o árbitro.

4 – Oferecer um bom prêmio em dinheiro a cada jogador em caso de título. Sabemos que eles já ganham bem, mas é uma regra de mercado. Todos os outros clubes motivam, o Santos não pode deixar de fazê-lo.

5 – Ficar atento às arbitragens. Há muito direcionamento nas arbitragens do campeonato sul-americano de clubes.

6 – Promover uma pacificação com a torcida. Se não houver o famoso pacto, o ambiente se degringolará e os jogadores, em vez de motivados, se sentirão enojados e temerosos. Se não der para ganhar o Paulista, dane-se, o que importa é a Libertadores.

7 – O jogador deve encarar cada partida da Libertadores como se fosse a última de sua vida. Para ter força, deve lembrar dos ídolos do passado e se espelhar neles. Enfim, fazer jus a vestir essa camisa.

O quarto título da Libertadores colocará o Santos como o time brasileiro mais vitorioso em competições internacionais. É uma meta difícil e ousada, mas, como diz o outro, se não for para sonhar, é melhor nem viver.

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Quanto menor, melhor


Agora Modesto Roma fala em erguer a areninha no Estádio do Jabaquara.

A cada vez que Modesto Roma visita o Conselho Deliberativo, os conselheiros saem com a impressão de estarem sendo enrolados. Na quinta-feira à noite, misturando esquecimentos importantes com discursos batidos, ele deixou claro que não fará nenhum acordo com a Prefeitura de São Paulo para o uso do Pacaembu, reafirmou seu desejo de construir uma areninha em Santos – nem que tenha de fazer uma parceria com o Jabaquara –, justificou o aumento do quadro de funcionários e de sua elevada despesa, tentou explicar, ainda, sua parceria com o empresário Taveira, assim como a fabricação do próprio uniforme, anunciou que hoje iria para Brasília assinar um patrocínio com a Caixa, confirmou que é candidato à reeleição e disse que pretende terminar o ano como campeão mundial.

Digo esquecimentos importantes porque ele não se lembrou da comissão paga a Taveira pela venda de Geuvânio. Falou em sete, depois cinco por cento, e por fim, como faz sempre que esquece os números corretos, convidou quem quisesse para, em outro dia qualquer, ir à sua sala para ver os documentos.

Sempre muito despreparado, Roma dá a impressão de que vai ao Conselho confiante na sua morosa oratória e no fato de ter maioria de conselheiros ao seu lado. Assim, por mais direta e incisiva que seja a pergunta, ele sabe que poderá tergiversar à vontade e no final sempre será aplaudido pelos seus fieis correligionários.

O caso das contas de 2015 reprovadas é tratada pelo presidente do Conselho, o senhor Fernando Bonavides, como sub judice, o que significa o mesmo que seguir em frente, sem nenhuma consequência imediata. Conselheiros advogados têm alertado que não é assim, que o caso deve voltar para a decisão do órgão, mas Bonavides faz ouvidos de mercador.

O acordo do Santos com a Kappa para o clube produzir o seu próprio material esportivo, que, conforme o prometido, deveria gerar produtos bem mais baratos e uma grande lucratividade para o clube, tem sido um enorme fracasso em todos os sentidos, mas o presidente disse que continuará do mesmo modo em 2017.

Sobre o Pacaembu, disse que o Santos só alugará o estádio, e de vez em quando, mas não tem interesse de fazer uma parceria com a prefeitura de São Paulo. Prometeu alguns jogos na capital, “se a PM deixar”, mas não falou mais em 15 partidas neste ano, como se chegou a anunciar.

Um representante da comissão formada para estudar o caso da areninha no terreno do Portuários disse que ainda não sabia nem o nome do pretenso investidor e não tinha elementos sequer para analisar a viabilidade do negócio. Mesmo diante da recusa, por unanimidade, dos conselheiros da Portuguesa Santista, Roma alegou que o clube vizinho ainda está indeciso e que ainda pode fechar o negócio (na verdade, só o presidente da Portuguesa Santista parece indeciso, pois todos os 41 conselheiros da Briosa são radicalmente contrários a essa parceira com o Santos).

Obviamente não se falou em planos de aumentar o número de associados, nem de melhorar as arrecadações, pois isso, inevitavelmente, incluiria jogar mais em São Paulo, o que atrairia mais sócios de fora da cidade e colocaria em risco o plano de poder em curso. Assim, a marca Santos, tão forte e universal, é amputada para caber no tamanho dos medíocres anseios regionais do atual presidente e sua trupe.

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