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Sem costas quentes, Felipe Anderson vai pra reserva na Sub-20

Com 58 jogos e sete gols marcados pelo time profissional do Santos, o meia Felipe Anderson, 19 anos, que tem no chute e no passe as suas principais qualidades, foi convocado pelo técnico Émerson Ávila para ser o camisa 10 da Seleção Brasileira que disputa o Campeonato Sul-americano da categoria, mas só jogou meio tempo e não foi mais aproveitado.

Bastou não ir bem na primeira etapa do jogo de estreia, contra o Equador, e Felipe Anderson não voltou para o segundo tempo. E na noite deste sábado, contra o Uruguai, não foi escalado e nem entrou durante a partida. Ou seja, de todos os titulares originais de Émerson Ávila, o meia do Santos é o único que só jogou 45 minutos e não voltou mais.

É claro que se as substituições tivessem dado certo e o Brasil, como era de se esperar, tivesse vencido seus dois adversários com facilidade, eu me renderia às evidências. Mas a verdade é que a saída de Felipe Anderson diminuiu ainda mais o poder ofensivo da confusa Seleçãozinha, que empatou por 1 a 1 com o Equador e perdeu para o Uruguai por 3 a 2.

Nos dois jogos a Seleção atuou como se estivesse numa pelada, com todo mundo querendo fazer gol e pouca gente se dedicando com afinco e disciplina à defesa. Nem falarei de passes errados, dificuldade extrema com os fundamentos e das muitas bolas perdidas, pois o texto se tornaria longo e repetitivo. Para resumir, nenhum jogador se destacou e o jogo foi duro de assistir.

Espantado com a ruindade do Escrete Canarinho, pesquisei o currículo de Émerson Ávila e descobri que o rapaz, mineiro de Belo Horizonte, foi efetivado como técnico do Cruzeiro com a saída de Joel Santana e depois de não ganhar uma partida em sete jogos (dois empates e cinco derrotas), acabou demitido. Dirigiu ainda um tal de Nacional de Nova Serrana, também em Minas Gerais, e em quatro partidas perdeu três e ganhou uma. Isso dá uma vitória em 11 jogos!

Indicado por Ney Franco, Ávila assumiu a Seleção brasileira Sub-17 e acabou campeão sul-americano da categoria. No Mundial, entretanto, o Brasil foi derrotado pelo Uruguai por 3 a 0 na semifinal e pela Alemanha por 4 a 3 na disputa pelo terceiro lugar.

Você é filho de quem?

Mesmo podendo convocar jogadores mais velhos, Emerson Ávila preferiu chamar Mattheus (sete jogos e nenhum gol como profissional) e Adryan (14 jogos, 3 gols), ambos do Flamengo, que atuavam na Seleção Sub-17 no ano passado. Mattheus, filho do ex-jogador Bebeto, atuou o tempo todo nas duas partidas, e Adryan, mesmo sem fazer nada de útil, só foi substituído no jogo contra o Uruguai.

Além do filho de Bebeto, há um outro filho de ex-jogador que está prestigiado: trata-se de Rafinha Alcântara, do Barcelona, herdeiro de Mazinho, campeão do mundo em 1994. Rafinha entrou contra o Uruguai e apesar da derrota brasileira foi muito elogiado pelo comentarista do Sportv, que jamais voltou a cogitar a volta de Felipe Anderson. Na verdade, o sibilante comentarista nem citou mais o nome de Felipe Anderson, que é o jogador com mais experiência deste sofrido elenco.

Não sou bairrista, mas confesso que acho bem estranho uma Seleção Brasileira Sub-20 ter apenas um titular de São Paulo – o atacante Edmilson, do São Paulo – e de seis a sete titulares oriundos de clubes do Rio. Todos sabemos que os clubes paulistas têm melhor estrutura, investem mais e montam equipes de base mais fortes e vencedoras. A Copa São Paulo está aí para confirmar isso.

Pode parecer bobagem, mas quando se viu uma grande defesa carioca? O futebol do Rio é tradicionalmente ofensivo. A defesa da Seleçãozinha só tem zagueiros de times cariocas – Wallace, Igor Julião, Luan, Dória – daqueles louquinhos pra apoiar o ataque. Não é à toa que já sofreu quatro gols em dois jogos.

Como o Sul-americano é uma boa vitrine para os jogadores, fico aqui pensando se alguns rapazes não estão sendo escalados por pressão de seus agentes, ou progenitores. Conheço Felipe Anderson e sei que é um garoto tímido, na dele, que aceita as decisões superiores pacificamente e não tem ninguém para defender seus interesses.

É evidente que um jogador tem de se preocupar, acima de tudo, com jogar bola, e bem. Mas pelo que já mostrou como profissional, Felipe Anderson não pode ficar na reserva de jogadores com muito menos experiência, que talvez corram mais do que ele, mas nada produzem de prático e não têm a mínima categoria.

A única coisa boa que pode advir desse estranho esquecimento do meia do Santos é que ele não correrá riscos de contusão e poderá voltar bem rápido para ajudar o Alvinegro Praiano no Campeonato Paulista, pois pelo andar da carruagem a desarrumada Seleçãozinha de Émerson Ávila vai voltar mais cedo pra casa.

Você acha que Felipe Anderson está sendo boicotado na Seleção Sub-20?


Se Neymar não brilha, o Brasil é uma Bolívia

Hoje Neymar não brilhou. Deu alguns passes ótimos, tentou duas ou três arrancadas, mas não foi o mesmo de sempre. Isso bastou para que o Brasil empatasse com a Bolívia.

O técnico Paulo César Carpeggiani esta semana pediu que os jogadores do São Paulo que servem a Seleçãozinha deixassem Neymar de lado e tratassem de jogar bola. Entendi isso como um incentivo a não passarem a bola para o Neymar, suspeita que eu já tive no jogo contra o Paraguai.

Hoje a coisa melhorou um pouco, até que o atacante santista recebeu alguns passes, mas o enceradeira Lucas, aquele que gira, gira, até perder a bola, evitou lançar o santista em boas condições. Aliás, se Neymar não saísse da ponta-esquerda, estaria esperando um passe em profundidade até agora.

Pois bem. Os pupilos de Carpeggiani hoje puderam mostrar todo o seu futebol, já que além de pegar menos na bola, Neymar não brilhou. E o que fizeram Lucas, Casemiro, Bruno Uvini e Willian?

Os dois primeiros pouca coisa, pois acabaram se enrolando com a marcação contrária. O zagueiro Bruno vacilou na frente do limitadíssimo atacante boliviano e cedeu o gol de empate ao adversário. Ela já tinha cometido um pênalti bobo contra o Paraguai, depois de levar um drible também bobo. E Willian chuta a gol sempre que pode e também quando não pode.

Gostaria de perguntar ao Carpeggiani se ele também orienta seus jogadores a não passarem bola para o melhor jogador do seu time, que é o… o… o… Bem, está certo que hoje o São Paulo não tem um melhor jogador, mas vamos que tivesse. Não seria lógico passar mais vezes a bola para ele? Se é melhor, se dribla e arremata melhor, tem mais condição de definir o jogo.

Hoje o Brasil provou que sem Neymar, sem o brilho de Neymar, é um time que se equipara à Bolívia. Se a ciumeira continuar, se Lucas, Casemiro, Willian e Oscar continuarem passando a bola só do lado contrário onde Neymar está, o Brasil não irá para a Olímpiada.


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