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Eleições no Santos

Tana Blaze é um executivo brasileiro que vive na Alemanha. Ele já escreveu outras vezes aqui no blog e seus artigos estão repletos de reflexões importantes sobre o nosso Santos. Nem sempre concordo plenamente com o que ele escreve, mas o admiro como pessoa e respeito seu direito de expressão. Ele acaba de me enviar o artigo abaixo sobre as eleições presidenciais do Santos, em dezembro. Estou certo de que vale a pena ser lido.

PELO VOTO À DISTÂNCIA E UM SEGUNDO TURNO NAS ELEIÇÕES

Por Tana Blaze, direto da Alemanha

1- A reforma do Estatuto do Santos em banho-maria

Não há dúvidas que a maioria dos santistas deseja que seja introduzido o VOTO À DISTÂNCIA e um SEGUNDO TURNO nas eleições de 2017 a fim de impedir um desfecho igual ao de dezembro de 2014 e um presidente eleito com apenas 26% dos votos.

Quando foi fixado o dia 10 de junho de 2016 como data limite para a coleta de proposições, mandei minhas sob forma do post “A reforma do Estatuto: uma encruzilhada despercebida” publicado no Blog do Odir em 7 de junho de 2016.

Dias após, 16 conselheiros do Santos enviaram o texto do post como proposição deles ao CD, sendo claro que a Comissão de Estatuto poderia a seu bel prazer ou acatar estas sugestões, passando-as em seu próprio nome ao CD ou simplesmente jogá-las no cesto de lixo.

Teria sido diferente se ao invés de apenas 16, um número mínimo de 30 conselheiros tivesse assinado esta proposta, que passaria a ter peso jurídico com base nos Artigos 45 (h) e 58 da carta magna do Santos. Neste caso a Comissão de Estatuto seria obrigada a dar andamento à proposta nos termos do Estatuto.

Ninguém sabe quais foram as outras propostas feitas para melhorar o Estatuto e os seus respectivos teores. Fato é que o Santos continua cozinhando a reforma em banho-maria, com a intenção cada vez mais delineada de não a implementar antes das eleições de dezembro de 2017, visando obviamente facilitar a reeleição do grupo situacionista.

Estariam querendo impedir o VOTO À DISTÂNCIA, resultando que torcedores do interior sejam menos motivados a se tornarem sócios e não podendo participar dos pleitos em igualdade de condições com os das cidades de Santos e São Paulo. Imagino que a direção argumentaria com o álibi de que uma votação à distância não ofereceria segurança. Alegação que seria tão falsa, como é verdadeiro o fato que o GRÊMIO e o INTERNACIONAL votarem a distância há alguns anos, sem que qualquer problema os tenha demovido do sistema.

Pretenderiam evitar que haja a obrigatoriedade de maioria absoluta na eleição presidencial através de um SEGUNDO TURNO nas eleições, para guardar a possibilidade de reeditar a tomada de poder com uma maioria apenas relativa de votos, como a de 26% nas eleições de dezembro de 2014.

Sem um artigo que possibilite a REMUNERAÇÃO DO PRESIDENTE pelo clube, certos candidatos qualificados ao cargo, mas que não disponham de recursos pessoais, desistirão de uma candidatura ou caso eleitos se tornarão financeiramente dependentes. Aliás o SÃO PAULO e o BAHIA já introduziram no seu Estatuto a possibilidade de pagar um salário ao presidente.

2 – O poder no Santos após o resultado eleitoral de dezembro de 2014

Conviria resumir em quatro pontos como seria exercido o poder no Santos:

1) Pela presidência do clube conjugada à circunstancia do presidente do Santos não ter que conviver com membros do Comitê de Gestão incômodos, que não sendo eleitos com a chapa, mas apenas nomeados por ele, podem ser exonerados, tal como o Laor e o Modesto exoneraram. O poder do CD em aprovar ou vetar a destituição de membros segundo Art. 45 (b) tem se mostrado apenas teórico ou formal.

2) Pelo poder quase absolutista conferido ao presidente do Santos nas decisões operacionais individuais por meio do seu Comitê de Gestão, moldado por suas nomeações e exonerações.

Ficando o poder de controle do Conselho Deliberativo limitado a algumas funções institucionais, como deliberar sobre as Demonstrações Financeiras, mas sem qualquer competência para aprovar de forma prévia as ações operacionais individuais do presidente, como por exemplo, investimentos em estádios a quaisquer condições, compra dos direitos a
quaisquer valores, como os de um Damião, para a qual, segundo o Artigo 90, só poderia dar pareceres posteriores e somente quanto aos aspectos formais do contrato. Chamou atenção que por ocasião da disputa entre o Esporte Interativo e Globo para a venda de direitos televisivos, a grande maioria dos clubes submeteu a aprovação dos seus contratos a seus Conselhos Deliberativos, ao passo que no Santos o CD foi apenas informado.

3) Através da função legislativa do Conselho Deliberativo que na base dos Artigos 45(h) e 58, permite a maioria dos seus membros orientar e cercear os planos do presidente através de mudança do Estatuto a qualquer hora, sem que as mudanças possam ser impedidas pela administração. Para tanto basta que 30 conselheiros façam proposição de mudança, que dependendo do parecer do Conselho do Estatuto, seja aprovada ou por uma maioria de conselheiros com 50 %
presentes, ou por uma maioria no plenário, pressupondo-se sempre que seja posteriormente aprovada por ¾ na Assembleia Geral dos sócios.

4) Através da presidência da Mesa do Conselho Deliberativo, que sobretudo tem o poder de tomar ou deixar de tomar uma série de inciativas importantes e que deveria ser competente, neutra e transmitir confiança, o que algumas vezes não vem sendo o caso.

As eleições de dezembro de 2014 as chapas do Peres e do Fernando Silva elegeram ao todo entre 130 e 120 conselheiros, contra apenas 77 do Modesto Roma, resultando no papel uma maioria de cerca de 50 conselheiros eleitos a favor da oposição para se impor no Conselho Deliberativo.Supremacia que estabeleceria algum de equilíbrio contra o poder quase absoluto de um presidente eleito com 26% dos votos apenas.

Com esta maioria no CD, uma oposição unida em torno do José Carlos Peres e do Fernando Silva poderia ter por conta própria apresentado à Assembleia Geral as mudanças do Estatuto desejadas, sem que a direção tivesse a possibilidade de impedir a iniciativa. E teria em poucos meses conseguido integrar no Estatuto artigos que, por exemplo, determinassem a aprovação pelo Conselho Deliberativo investimentos imobiliários, como em estádios, a obrigatoriedade do voto a distância, de um segundo turno nas eleições presidenciais e a remuneração do presidente eleitos e outras.

Sobretudo a oposição unida deveria ter eleito um candidato próprio à presidente da mesa, como praticado universalmente em todas as associações e parlamentos do mundo, para controlar o executivo de forma independente.

A guinada inicial do Peres que fragmentou a oposição

Mas após a eleição de dezembro de 2014 o líder de chapa José Carlos Peres nem pensou em eleger o candidato escolhido por sua própria chapa e a do Fernando Silva para a presidência da Mesa do CD, logo apoiando o candidato da direção do clube, Fernando Bonavides.

Na eleição que se seguiu para a presidência da Mesa, no mínimo 15 conselheiros da chapa do Peres votaram no Bonavides e no mínimo 29 conselheiros votaram para o Pfeifer e os demais, se abstiveram ou nem compareceram à reunião, alguns constrangidos pela ação do Peres.

Os 15, incluindo o próprio Peres, que votaram a favor do Bonavides, causaram um declive de 30 votos, sendo assim inteiramente responsáveis pela sua vitória sobre o Alberto Pfeifer por 112 a 85, ou seja, por 27 votos. Se tivessem votado a favor do candidato da sua chapa, Pfeifer teria vencido a eleição com 3 votos de vantagem.

Muitos eleitores que elegeram o Peres, na esperança deles a antítese da gestão do Marcelo Teixeira encerrada em 2009 da do Resgate encerrada em 2014, devem ter-se sentido traídos quando ele entregou o ouro justamente ao Marcelo Teixeira.

Entrementes as queixas sobre o Bonavides quanto ao que se passa no CD se acumulam. Outro dano foi causado pelo vácuo de liderança na oposição no CD, decorrente da perda de credibilidade do Peres com fragmentação da oposição em subgrupos, enfraquecendo-a pelo resto do triênio.

Em suma, das quatro alavancas de poder do Santos lembradas no capítulo anterior, o Modesto Roma conquistou duas com 26% dos votos e as outras duas lhe foram facilitadas pelo Peres depois da eleição.

Foi emblemático que o Peres e o Fernando Silva, dispondo de uma maioria de conselheiros, não tomarem qualquer iniciativa para melhorar o Estatuto nos quesitos que mais os prejudicaram pessoalmente em 2014, quando perderam as eleições justamente por não ter havido votação a distância e segundo turno, assumindo-se que o Modesto não teria ganho votos no interior, pois na cidade de São Paulo obteve apenas 35.

A trajetória do pressuposto líder da oposição José Carlos Peres

Para entender a falta de liderança e iniciativa da oposição no triênio 2015-2017 é preciso considerar também a trajetória do Peres no G4 Aliança Paulista, do qual foi presidente executivo.

No capital social do G4 participam com 25% cada os 4 grandes paulistas, e o Artigo n° 17 do Estatuto desta Associação estipula que cada decisão do Conselho de Presidentes (composto pelos presidentes dos quatro grandes paulistas) tem que ser unanime, incluindo também o voto de um presidente que porventura esteja ausente numa reunião. Decorre deste “artigo de unanimidade”, que não existe nas sociedades anônimas e na maioria das limitadas, o óbvio que cada um dos presidentes dos 4 clubes tem o direito de vetar, nomear ou demitir o Diretor Executivo. Cada clube controla apenas 25% do capital, mas 100% das operações da associação. Ou seja, para se nomear um diretor executivo não basta uma maioria de 3×1, tem que ser 4×0. Por outro lado, basta que um presidente de clube queira
exonerá-lo, para que este tenha que ser demitido. De forma inversa o diretor executivo tem que convencer e agradar aos quatro e não apenas a três presidentes para permanecer no seu posto.

Neste contexto foi precisa a definição do Modesto Roma em sua entrevista de campanha eleitoral em novembro de 2014, explicando a permanência do Peres como diretor executivo do G4 durante a gestão do Laor e do Odílio: “…tem outro (o Peres) que durante a eleição de 2009 já trocou de lado e afinou com a atual diretoria (Laor-Odílio) pretendendo ficar em seu cargo no G4 Paulista, ou seja, ele é pelo poder travestido de novo“.

No primeiro semestre de 2016 inesperadamente um dos quatro grandes paulistas teria se retirado do G4, pelo que a associação teria deixado de ser atuante. Com o fim do seu cargo no G4, que até então teria sido remunerado, o Peres foi falar com o Marcelo Teixeira, que o teria recomendado ao Modesto para que fosse empregado. Se esta história não for correta, que o Peres explique porque abandonou o emprego pleno do G4 para ser empregado pelo do Santos.

Caso tenha sido remunerado como diretor executivo do G4 de janeiro de 2015 até junho de 2016, a sua atuação como conselheiro poderia ser considerada como ferimento do Artigo 41 (g) do Estatuto do Santos, que impede que um membro do Conselho Deliberativo seja remunerado pelo clube.

Poder-se-ia contrapor que o G4 Aliança Paulista não é o Santos e consequentemente uma remuneração do Peres no G4 não pode ter ferido o Estatuto. Se não tiver sido ferido do ponto de vista formal, feriu no mínimo o espírito do artigo, porque não se pode fazer de conta que direitos ou obrigações de associações plenamente regidas pelo clube sejam coisa alheia. O que pode ser ilustrado pelo fato de que em vários países, como possivelmente também pelos US-GAAP Generally Accepted Accounting Principles e dependendo da significância dos valores, o G4 Aliança Paulista teria que ser consolidado proporcionalmente (25%) no balanço do Santos, porque é plenamente controlado pelo clube através do seu Artigo 17.

Mas pouco interessa uma eventual violação do Estatuto do Santos sob o ponto de vista formal e jurídico, deixo para outros. O que interessa é o conflito de interesses que decorria da dependência do Peres da graça do Presidente do Santos, ou do mentor deste, Marcelo Teixeira, que poderia sacá-lo da sua função de Diretor Executivo do G4 Aliança Paulista a qualquer momento, caso se tornasse inoportuno como líder da oposição no CD. Conflito que existiria mesmo se a função do Peres no G4 não fosse remunerada. É justamente este tipo de conflito de interesses que o Artigo 41 (g) tenta impedir.

Não cabe a mim, mas aos conselheiros do Santos que testemunharam as ações do Peres no dia a dia, opinar se este conflito de interesses influenciou ou não as suas ações ou omissões.

Não há maioria que dure, deve ser possível alterar o Estatuto antes das eleições

A “maioria da situação” que vem agora sendo cantada, se não for a maioria geográfica dos conselheiros residentes em Santos, devida a maior facilidade de comparecer às reuniões, poderia até servir de álibi para certos conselheiros justificarem omissões em desafiar a direção, sem que isto seja perceptível ou possa ser provado. Para mim não cola tanto assim.

Hillary e Theresa exemplificam que jamais existiu qualquer tipo de maioria que dure. Além disso a prova cabal de que muitos conselheiros não agem como marionetes da direção foi dada no caso de grande importância para o Modesto, da reprovação das contas pelo plenário do CD por 83 x 81 votos e o sucesso da lista “O Santos merece respeito”, que obteve 116 assinaturas, provando a independência e do bom senso de vários conselheiros.

Quanto à falta de TEMPO para fazer mudanças estatutárias, acho que é escasso, mas não insuficiente. Não há necessidade de se reformar todo o Estatuto de uma vez só, algumas mudanças podem ser antecipadas desde que sejam importantes.

O VOTO À DISTÂNCIA já está previsto no Estatuto, sem ser obrigatório, sendo que o Conselho Deliberativo (e não o Comitê de Gestão) tem o poder de decidir soberanamente se vai haver votação a distância ou não em dezembro de 2017. Se o CD decidir, a direção do clube terá que cumprir. Pois diz textualmente o Artigo 30: “Por decisão do Conselho Deliberativo, a eleição poderá também ser realizada por meio de canais diferenciados (correio ou internet), desde que sejam garantidas a segurança e a confidencialidade das votações.

Então a boa notícia para implantar o voto à distância para as eleições de 2017, é que não há necessidade de Assembleia Geral Extraordinária, precedida de um período de convocação de 30 dias a partir da data da Reunião Extraordinária do CD. Portanto desde agora o tempo disponível até as eleições poderia ser empregado inteiramente na campanha de cooptação dos conselheiros para a aprovação no CD e a para a implantação técnica do sistema. Em 2014 a Reunião do CD, que na sombra da fraude das carteirinhas rejeitou o voto a distância, foi realizada no dia 24 de julho.

Portanto neste momento se constata ainda uma vantagem temporal de cinco semanas em relação a 2014.

Para o SEGUNDO TURNO e a REMUNERAÇÃO DO PRESIDENTE será necessária mudança do Estatuto, mas a boa notícia é que a implantação de um segundo turno não consumiria tempo adicional para a implantação técnica, pois iria a reboque do sistema do voto em vigor, seja presencial ou à distância.

Deveria ser fácil angariar conselheiros para introduzir a obrigatoriedade de um segundo turno nas eleições, considerando o óbvio de que no sistema atual os dados são jogados apenas uma vez, e vence quem obter a maioria relativa, ou seja, provavelmente o candidato do Marcelo Teixeira, com base de votos de sócios residentes na cidade de Santos. Mas que jogando os dados uma segunda vez num segundo turno, cada um dos outros candidatos terá duas chances; vantagem que deveria propulsionar todos os candidatos, fora o do Marcelo Teixeira, a movimentar mundos e fundos para introduzir a alteração estatutária.

Implementar a introdução do voto à distância e uma alteração estatutária para a introdução de um segundo turno e a remuneração do presidente, ainda antes das eleições, requereria um planejamento profissional por parte da oposição. Seria talvez necessário criar uma central fora do clube, com assessoria técnica e jurídica a fim de preparar as seguintes medidas para os conselheiros:

1) Entrar em contato individual com cada conselheiro, inclusive os efetivos, para convencê-los a votar pelo voto à distância, segundo turno e remuneração do presidente e testar com cada conselheiro cada um dos três pontos, para ver para os quais há maioria.

2) Elaborar proposta apara alterar o Estatuto em apenas dois quesitos para as eleições, segundo turno e remuneração do presidente eleito. Uma proposta simples e clara, sem arestas que possibilitem a situação protelar o andamento. Uma desta arestas poderia ser o voto preferencial, referido no meu post de 7/6/2016, sendo por esta razão conveniente limitar a presente proposta unicamente ao sistema de dois turnos. Proposta deveria ser assinada por 30 conselheiros e remetida ao CD antes do final de junho.

3) Prospectar a nível de projeto, a técnica TI, os custos e o calendário da implantação das diversas etapas do voto a distância para contrapor quaisquer falsas alegações da direção a respeito. Informar os torcedores e sócios, divulgando na mídia os dados com as diversas etapas técnicas e o calendário.

Mesmo se esta operação falhar por qualquer imprevisto ou ação da situação, serviria para demonstrar à grande torcida do Santos, aos sócios eleitores e ao público quem é quem, pelo menos um pouco de transparência para as eleições vindouras.

Espera-se que os conselheiros finalmente correspondam à expectativa dos que os elegeram.


O futuro do Santos

Por Tana Blaze, direto da Alemanha

1 – Meu agradecimento ao Odir

Iniciado o ano das eleições do Santos, já tardou demais a hora deste agradecimento ao Odir pelo nosso encontro no dia 19 de setembro de 2016, o convite para o almoço e, sobretudo pelo espaço que me deu no blog. Sem falar da mãe de todas as perguntas que fez, seu eu pretendia ser candidato à presidência do Santos, pergunta tão honrosa quanto irrealista sob alguns aspectos, começando pela circunstância de que se tivesse esta ambição já teria sido sócio do clube há dez anos, o que não sou até hoje. Deve ter sido uma gentileza da parte dele para retribuir minha sugestão que antecedeu o nosso encontro, feita no texto do último post de início de setembro de que ele mesmo se tornasse candidato à presidência, trecho que pediu para não publicar.

No relato do nosso encontro há um pequeno mal entendido, que mesmo sem qualquer interesse para os leitores convém retificar. Acho que tentei dizer que minha família estava enraizada em São Vicente desde a década de 1880 (há tempos não mais) e que quando jovem passava lá as férias de janeiro, fevereiro e julho, “tendo sido praticamente criado por lá”, mas saiu que eu tinha nascido e criado lá de fato. Na realidade nasci e fui criado em SP.

Deixando os assuntos pessoais de lado e voltando ao importante, acho que devemos celebrar sem restrições os bons encaixes do time em 2016 e felicitar os seus protagonistas, os jogadores, o Dorival e, sobretudo o Dagoberto. Porque mesmo que improvável, encaixes felizes de um time podem levar até ao título da Libertadores, tal como o Guarani foi campeão brasileiro e o São Caetano disputou a final da Libertadores. No entanto o que faz um clube ser grande não são encaixes felizes, transitórios por natureza, mas uma base institucional ancorada num estatuto à prova de água e orientado para a transparência e o sucesso, inteligência estratégica dos investimentos e a amplitude e engajamento da torcida, de espectadores e dos sócios.

2 – A nova ordem do futebol

Empresas ou clubes que nos momentos em que ocorrem fatos de grande envergadura como inovações tecnológicas ou mudanças políticas não reagem, acabam apequenadas ou desaparecem do mapa, como dezenas de empresas sumiram da lista das maiores da revista Fortune nas últimas décadas. Depois de longo período de condições relativamente equitativas, dois fatos de grande envergadura mudaram o antigo equilíbrio do futebol brasileiro.

O primeiro foi a espanholização promovida por políticos com a CBF e a Globo à custa da maioria dos clubes. Pelos dados disponíveis de 2016 a 2019 Flamengo e Corinthians receberão cada 170 milhões de reais anualmente pela transmissão na TV aberta, mais que o dobro da cota anual de 80 milhões do Santos, portanto pelos 4 anos 360 milhões de reais mais que o Santos (170-80 =90 milhões anuais x 4 anos). Uma diferença que em cinco anos e dois meses financiaria o custo de 450 milhões reais do um estádio novo proposto pelo Modesto, o que ilustra a magnitude do desastre promovido pela Globo.

O segundo fato de envergadura foi à decisão acertada do Palmeiras de construir um estádio multiuso, colhendo receitas que deixam os demais clubes parecer anões.

Mas o Santos administrado pelo mesmo grupo dos atuais gestores, se moveu em direção contrária ao desenvolvimento do futebol quando em janeiro de 2009 deixou cair a peteca do projeto de estádio moderno proposto pela Hellmich numa área de 600.000 m2 disponibilizada pela Prefeitura de Diadema. Relembrando mais uma vez o que publicava o Diário do Grande ABC em 8 de Janeiro de 2009: “Santos não vê mais motivo para construir estádio em Diadema .O Marcelo Teixeira, declarou que o clube não tem mais interesse em erguer uma arena na cidade. É um assunto encerrado. Existia a intenção de construir um estádio em Diadema, mas o governo escolheu o Morumbi como sede para a Copa de 2014. Além da exclusão da arena nos planos para o Mundial”.

Enquanto isto o Grêmio e o Palmeiras, mesmo vendo seus projetos fora da Copa do Mundo, não hesitaram em erguer os seus estádios ao mesmo tempo em que os da Copa do Mundo eram construídos e hoje estão colhendo frutos milionários. O Santos que estava na pole position, quase três anos à frente do Palmeiras, acabou na lanterna, é hoje o único clube grande brasileiro que não dispõe de estádio próprio ou público, grande ou moderno.

Os resultados do distanciamento financeiro entre Palmeiras e Santos foram inteiramente previsíveis e começaram a fazer se sentir nas duas últimas temporadas com o Palmeiras sendo campeão em cima do Santos, na Copa Brasil de 2015 e no Brasileirão de 2016. Além disso, o Palmeiras vem contratando jogadores que o Santos pretendia, Keno e Guerra e o Flamengo já se empenhando pelo concurso do Marcos Guilherme.

A tendência desvantajosa para o Santos deverá se acentuar na medida em que os três clubes novos-ricos terminarem de pagar a suas dívidas e aprenderem a manejar com maior eficiência a sua riqueza. Os futuros Real e o Barça brasileiros talvez não sejam Corinthians e Flamengo, mas Palmeiras e Flamengo, porque o Corinthians cometeu o erro de construir um estádio que não é multiuso e consequentemente de amortização extremamente onerosa apenas com o futebol.

Na época de ouro do Santos eventuais diferenciais entre as receitas de bilheteria da Vila Belmiro e as do Trio de Ferro em estádios paulistanos, bem como a folha de pagamentos do clube relativamente elevada em relação ao trio, eram compensados pelo dinheiro das excursões anuais ao exterior do seu fantástico time. Depois tapou os diferenciais através da venda de direitos econômicos. Mas a partir de 2014 com a nova geração de estádios modernos nas grandes capitais tipo Allianz Parque, lotados a preços de ingressos elevados, o diferencial de receitas se tornou fatal para o Santos, se continuar jogando exclusivamente em Santos. A receita bruta dos 19 jogos todos realizados na Vila Belmiro pelo Brasileirão de 2015 de 5.186.000 reais foi superada pela receita de um jogo apenas, o da final da Copa Brasil do Palmeiras contra o Santos no Allianz Parque em Dezembro do mesmo ano de 5.336.000 reais.

Na nova ordem do futebol brasileiro darão a bola alguns poucos clubes como o Palmeiras e o Flamengo. Aos demais restarão as sobras. Mesmo que esta conclusão pareça excessivamente lapidar e polêmica, é preciso encarar a realidade.

3 – O terceiro pelotão à vista

A meu ver o Modesto Junior anda irreversivelmente obstinado na questão de um estádio pequeno em Santos e receio que estejam enganados os que acham que o revés da Briosa o demova desta ideia fixa. Receio que o terceiro ano do atual mandato e mais três anos de um eventual segundo mandato seriam dedicados inteiramente à realização deste projeto.

A mesma turma que estava no Santos em 2009 quando caiu a peteca em Diadema deixando clube posicionado na contramão da nova ordem do futebol ditada por receitas fantásticas de estádios, Marcelo Teixeira, Modesto Roma e José Carlos Peres, está de volta ao clube, (Marcelo Teixeira fora do clube, mas como seu patrono e tutor do novo presidente), arrisca agora com um estádio pequeno em Santos jogar a pá de cal nas pretensões do clube de permanecer no topo. Cimentaria de vez a enorme distância financeira do clube ao primeiro pelotão liderado pelo Palmeiras e Flamengo por 30 anos, o período de amortização do projeto de insuficiente retorno na Baixada Santista.

As prioridades estratégicas do Santos que decorrem lógica financeira parecem claras, primeiro investir num CT para a base santista na zona urbana de Santos, com investimentos que podem ser parcelados de acordo com as disponibilidades e num estádio multiuso no Planalto Paulistano, projetos que prometem gerar um bom fluxo de caixa e somente como terceiro investimento um estádio butique moderno em Santos, que sem dúvida também é necessário. Inverter a ordem seria fatal porque se colocar o estádio butique em Santos em primeiro lugar, um projeto de baixo fluxo de caixa, o clube arriscaria de ficar financeiramente atolado devido às dificuldades em amortizá-lo com lucros, não sobrando recursos para quaisquer outros projetos.

O Pacaembu alugado por partida ou por período será uma ótima alternativa para se jogar em São Paulo e evitar que o diferencial para as receitas do Palmeiras se torne excessivo. Mas não se sabe por quanto tempo e a quais condições o belo estádio permanecerá acessível ao Santos. Um dia o prefeito atual deixará o cargo e quaisquer investimentos do Santos no Pacaembu seriam no meu entender irresponsáveis.

Como tentamos expor no post “Estádio ou CT para a base no terreno dos Portuários?” publicado em 7/12/ 2015, a rentabilidade de um CT para a base é óbvia. Enquanto que a China aquece o mercado mundial de direitos econômicos de jogadores, oferecendo supostamente o maior salário do futebol mundial ao Carlos Tévez e 300 milhões de euros pelos direitos do R7, o que deveria levar qualquer cartola mediano a acelerar a formação de novos craques, o presidente do Santos despreza investimentos na base, que além do potencial de retorno, seriam obrigação moral e social de um grande clube de futebol e tributo a história do clube, podendo ser financiados por Incentivos ao Esporte. Deixa os meninos na precariedade, priorizando camarotes com estacionamento ao lado.

Poderíamos comparar a nova hierarquia do futebol brasileiro com uma prova de ciclismo de estrada tipo Tour de France com as diversas etapas correspondendo aos campeonatos anuais. Na base de frequências estatísticas o pelotão líder nos próximos 10 anos seria composto por dois a quatro clubes, entre eles o Palmeiras e o Flamengo. O segundo pelotão teria uns sete ciclistas, dos quais um ou dois podem em determinadas etapas desgarrar e chegar ao pelotão líder. O terceiro pelotão será composto por uns 30 ciclistas dos quais um ou outro pode arrancar ao segundo pelotão, mais dificilmente ao pelotão líder, sendo que os demais ciclistas deste grupo oscilarão entre as Séries A e B, a última sendo o quarto pelotão.

Opiniões divergem, mas acho que se o Santos ficar trancado contratualmente num pequeno estádio em Santos estará condenado a ser relegado ao terceiro pelotão. Se, no entanto construir um CT moderno para a base em Santos e jogar um certo número de partidas perante a sua maior torcida em São Paulo, digamos no Pacaembu, poderá ter cadeira cativa no segundo pelotão com acessos esporádicos ao primeiro. Na hipótese de investir na base e construir um estádio multiuso no Planalto qualificará ao pelotão líder, mesmo continuando prejudicado pela Globo.

Clube que pretende galgar ao topo terá que se ajustar à nova ordem ou derrubá-la. O Santos não terá alternativa senão construir um estádio próprio no planalto, caso queira fazer parte da elite. Não tem outro jeito. E poderá contribuir a médio prazo para derrubar a espanholização ao lutar com outros clubes pela proibição das negociações individuais com as emissoras de TV e por uma Nova Liga, na qual mandem os próprios clubes.

4 – Qual tipo de multiuso?

A fim de reduzir a ociosidade de um estádio novo, que no caso de 36 partidas de futebol de mando próprio seria de 329 dias ao ano, é quase mandatório que seja multiuso total, o que significa que tenha um gramado que possa rolar para fora do estádio, onde ficará exposto ao sol e ao arejamento e cobertura total retrátil, permitindo quaisquer eventos a qualquer tempo. Jogos de basquete, motocross, missas, shows, circos, congressos e outros de qualquer espécie.
O estádio multiuso total do Schalke construído pela Hellmich, a mesma que fez a proposta para o Santos em, estará completamente amortizado em 2019, portanto em apenas 15 anos de uso.

O estádio do Palmeiras é multiuso apenas parcial e dificilmente suporta maior número de shows que o atual, já se discutindo seriamente em colocar grama artificial, não servindo para uma série de eventos.

A tabelinha abaixo visualiza o óbvio, de que o valor absoluto a ser amortizado pelo futebol num multiuso total pode ser menor do que num estádio apenas para o futebol ou multiuso parcial.

Clique-aqui-para-visualizar-a-tabela

Os valores de investimentos de 550 a 850 milhões de reais foram inventados apenas para visualizar possíveis tendências. A lógica da tabelinha pressupõe que a margem bruta de uma partida de futebol seja idêntica à margem bruta (receita menos os custos cobrados por agentes e protagonistas) de um evento, o que na prática pode ser considerado pessimista, devendo em muitos casos a margem bruta de eventos ser superior à do futebol, sendo que neste caso a contribuição do futebol para amortizar o estádio poderá ser menor ainda.

Para o multiuso total foi considerado 1 evento por semana, ou seja, 48 ao ano, o que pode ser ampliado por eventos duplicados, como os dois shows do Justin Bieber em dois dias seguidos previstos no Allianz Parque no início de abril de 2017, ou da Helene Fischer na Arena do Schalke no passado. O número de eventos poderia ser menor sem alterar a tendência, se for considerado que alguns eventos podem ser altamente rentáveis.

Outro mérito do multiuso total é que teoricamente comportaria um número maior de eventos de que os que foram assumidos na tabelinha, até 7 eventos por semana, sem danificar o gramado.

O modelinho é aplicável sempre quando houver mercado suficiente, como é o caso da megalópole paulistana com seus 20 milhões de consumidores. Na Baixada Santista um multiuso total arriscaria de virar um tiro duplo pela culatra, caso não houver perspectiva de mercado suficiente tanto para o futebol, como para o conjunto de atividades multiuso a níveis suficientes para amortizar o investimento.

Face à queda incrível dos preços dos imóveis decorrente da atual depressão econômica brasileira, com fechamento de indústrias e liberação de grandes áreas, o Santos teria que comprar um terreno, ou opções de compra com certa urgência, antes que feche esta janela de oportunidade.

O estádio teria que ser posicionado em local de boa acessibilidade, idealmente ao lado de trilhos, sejam os do metrô ou os que encontram com o Rodoanel (como em Ribeirão Pires).

5 – A eleição de 2017, talvez a última cartada

Fora alguns pontos como o elogiado encaixe do time e a assinatura com o Esporte Interativo que devem ser aplaudidos, a gestão Modesto tem primado por intransparência, autocracia e a meu ver, cegueira estratégica.

• Desperdiçou irresponsavelmente dois anos preciosos tentando com diletantismo ímpar articular na base do “trial and error” um estádio num local de mercado insipiente para amortizar o montante de investimento anunciado, a condições financeiras que nem ousou revelar. Enquanto que continua a divulgar que o Santos “não pagaria nenhum tostão”, o relator do projeto no Conselho Deliberativo, pressionado por alguns conselheiros indicou que o investidor reteria 87,5% dos “lucros” (Post “Balão de ensaio” de 24/8/2016). O presidente acha que ceder 87,5% dos “lucros” por 20 anos equivale a pagar nenhum tostão. O amadorismo irritante do presidente acabou atestado pela goleada de 40×0 aplicada pelos conselheiros da Briosa nos coirmãos do Comitê de Gestão do Santos.

• Ao rejeitar jogar em São Paulo privou o clube de receitas significativas causando danos financeiros ao clube.

• O Conselho Fiscal acaba de deixar passar um orçamento com 92 milhões de reais de receitas de venda de direitos econômicos, o que equivaleria vender os direitos do Thiago Maia e do Zeca por quase 18 milhões de euros cada (100%), auferindo o Santos respectivamente 70% e 75% destes. Ao mesmo tempo gastaria apenas 6,4 milhões com a aquisição de novos direitos. Se não for enganação orçamentária para tapar com uma peneira um rombo financeiro previsto, o fato demonstra no mínimo o enorme aperto financeiro do clube que prefere jogar para poucos pagantes em Santos. Outro fato citado pelo Odir de que no CD “ninguém entendeu por que o departamento de marketing do Santos, tão pouco produtivo, precisará dessa fortuna (21,9 milhões de reais) no ano vindouro. Como ninguém na presidência, diretoria ou comitê gestor estava presente, discutiram-se conjecturas” mostra até que ponto chegou esta administração. Uma falta de responsabilidade do Presidente da Mesa não ter exigido a presença de um membro do GG, do Conselho Fiscal para responder perguntas. A discussão sobre as despesas de marketing mostra também que muitos conselheiros aprovaram um orçamento que não saberiam explicar, devendo alguns ter comparecido como pau mandados.

Há o temor na oposição que o Modesto não queira alterar o Estatuto em dois quesitos essenciais para a democratização do clube, o voto à distância e um segundo turno. Veremos.

Quanto ao voto à distância, sugeri em minha conversa com o Odir que com base no Artigo 45 (h) do Estatuto atual, trinta conselheiros lançassem uma petição de reforma do Estatuto, que no caso de ser derrotada no Conselho Deliberativo, serviria para expor na mídia os nomes dos conselheiros que votaram contra. Afinal de contas os sócios santistas têm o direito de saber quem vota contra a democracia e pela exclusão. O Odir achou que iria fazer uma enquete a respeito.

Honestamente estou pessimista quanto ao futuro do Santos, dado o número insuficiente de pessoas competentes, informadas e independentes nas diversas facções políticas e nos Conselhos do clube. Não vejo gente de nível em número suficiente para defender e tocar um projeto que aparentemente parece o mais ousado, mas que poderá sair mais barato e ser o único possível para catapultar o Santos ao topo. Há anos que o Santos se aproxima de entidades duvidosas como o Iraty, a DIS, a Doyen, TBZs e outros, talvez porque aparentemente seus gestores não tem visão nem competência de tocar qualquer projeto próprio, enquanto que clubes profissionais como o Grêmio montam um projeto e se refinanciam com o BNDES.

Diante desta situação de difícil senão impossível virada, julgo essencial uma reforma do Estatuto para atrair santistas profissionalmente qualificados a serem sócios e conselheiros. Fato é que entre os torcedores santistas deve existir um número maior de profissionais qualificados residentes na cidade de São Paulo do que em Santos, proporção dada pelos tamanhos das economias das cidades. Mas nenhum candidato de nível residente em São Paulo vai topar ser conselheiro para descer a serra e deparar com o que se está se vendo hoje no CD e não ter o poder para decidir ou votar nada. Pessoas de nível só topam sacrificar seu tempo e entrar em cena se podem influenciar, fazer ou decidir.

Temo que o peixe esteja morrendo pela cabeça.

6 – Candidatura do Odir

Seria redundante apresentar ou fazer campanha pelo Odir. Imagino que ele, apoiado por um grupo de alguns valorosos conselheiros, sócios e torcedores possa constituir um ótimo núcleo para uma chapa. Considero-o mais adequado que os candidatos que se apresentaram nas últimas eleições.

Provou ter caráter, coragem, tolerância para opiniões diversas e equilíbrio. Quando criticado, contesta com fatos e ideias, sem recorrer a insultos, chamar os críticos de mentirosos, covardes, arrogar-se a dar-lhes conselhos de conduta ou outras bobagens.

A despeito das calorosas cornetagens inerentes às paixões do futebol, da qual não me eximo de qualquer culpa pela parte que me cabe, o nível relativamente cordial e objetivo que foi mantido no blog por anos a fio deve ser o resultado da consideração por parte dos participantes pelo jeito de ser do Odir. No caso de eleito acho que a consideração que lhe é prestada no blog possa ser transportada à comunidade santista.

Tem uma ótima visão não apenas do futebol e do Santos, mas dos esportes em geral.

Defende o desejo da maioria dos torcedores de ver o time dividir os jogos entre Santos e São Paulo e partilha comigo e com outros santistas a opinião quanto à prioridade de um CT para a base em Santos que se torne referência internacional, tornando a cidade um centro para o futebol, que por si só atrairia os jovens e respectivos pais.

Necessitará acercar-se de profissionais nas áreas de administração, projetos, nas quais lhe faltam conhecimentos e experiência e ter a coragem de confiar neles. Deverá reintegrar profissionais que já prestaram, ou estão prestando sob o Modesto bons serviços ao clube.

Tenho certeza de que o Odir será o primeiro presidente a impor transparência ao Santos, porque o jogo aberto faz parte do seu natural e das suas convicções, o que por si só motivará a adesão de sócios e torcedores a incentivar melhorias.

Em todos os casos, mas principalmente se não houver um segundo turno garantido pelo Estatuto, não restaria alternativa senão recomendar que candidatos que tenham um programa de gestão similar se unam em torno de um apenas. Recomendaria também que os assim unidos façam campanha eleitoral juntos, digamos em duo ou trio.

Ante a falta de transparência do clube e a obstinação contra todas as evidências berrantes do atual presidente por um projeto perdulário, receio que esta eleição seja a última cartada para aprumar o clube a fim de mantê-lo com chances ao topo.

7 – Já disse o que o tinha a dizer

Finalizo com outro assunto reportado pelo Odir, de eu me tornar raro no blog. Desculpo-me pela petulância de comentar este assunto pessoal e sem interesse para a maioria, mas não foi novidade, pois já há um ano havia anunciado numa discussão com o Dr. Alvinegro no post de 22/12/2015 que pretendia finalizar a minha fase assídua com um post sobre o Estatuto. Trata-se portanto de um recuo planejado.

No preâmbulo do pretendido do último post “A reforma do Estatuto: uma encruzilhada despercebida”, que saiu em 6 de junho de 2016, fiz constar propositalmente “antes de me tornar mais raro neste blog… “. O post parecia ser um fecho de certa utilidade, porque 15 conselheiros do Santos pediram o texto em PDF e o submeteram à Comissão do Estatuto do clube, a fim de que algumas sugestões fossem consideradas.

Quando dei por encerrada a minha participação assídua com os dois posts sobre o Estatuto, eis que de repente o Modesto insiste em divulgar seu projeto de um estádio pequeno com duas frases que arriscam iludir incautos: “Conseguimos o mais difícil, o financiamento” ou “o Santos não vai pagar um tostão”, o que me levou a mandar mais três posts que não estavam previstos à queima roupa: “Tive um pesadelo com grama sintética e camarotes”, “A fábula do estádio gratuito“, “Um projeto inviável financeiramente”.

Como disse à Susana, um dos motivos de tornar-me raro é que já disse o que tinha a dizer, não faria sentido ficar repetindo o já dito. A prova de que ando me repetindo é este próprio post, no qual defendo a necessidade de um multiuso total no planalto, conteúdo praticamente similar ao post de quatro anos atrás, “Os riscos proibitivos de um estádio em Cubatão”, publicado em 20/12/2012.

No encontro com o Odir clamei para que mantivesse o blog, um grande pilar do Santos. Terei o prazer de continuar lendo os textos seus e de vários comentaristas, que considero amigos secretos e companheiros de jornada.

“Tornar-se raro” não significa “voltar jamais“. Obrigado e um grande abraço ao Odir e a todos.

E salve o Santos!

Tana Blaze

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A verdade e a politicagem

Em conversa com Tana Blaze, há duas semanas, oportunidade em que o conheci pessoalmente, ele disse que para evitar as desagradáveis reações que geralmente acompanham opiniões sinceras sobre o aspecto administrativo dos clubes, no caso o nosso Santos, não escreverá mais para o blog. Uma pena, claro. Pois o mundo da Internet e o mundo em geral seriam melhores se as pessoas pudessem ser sinceras e, mesmo assim, respeitadas. Evitaria a politicagem, a babação de ovo e também as dores de cotovelo tão comuns nas relações atuais. De qualquer forma, aproveitei nossa conversa e quis extrair dele, um homem experiente, acostumado a acompanhar o bem sucedido futebol europeu, quais seriam as saídas reais para o nosso Santos no quesito estádio.

Mesmo criado em São Vicente, Tana é um homem universal, cujas ideias não estão restritas a limites geográficos. Respondeu que o momento é bom para se comprar um belo terreno no melhor lugar para se erguer um estádio do Santos. Argumentei que o clube tem mais de 400 milhões de reais em dívidas, como poderia fazer isso? Ele explicou que não precisa comprar, mas conseguir uma opção de compra. Com essa opção de compra na mão, o clube atrairia empresas interessadas na parceria, pois quem não quer ser sócio de um estádio do Santos na Capital?

Na Capital?, estranhei, sabendo como essa informação mexeria com os humores de algumas pessoas. Tranquilamente, ele explicou que um investidor quer se envolver em um negócio à espera do maior retorno possível, e em São Paulo o Santos teria um público médio similar ao dos outros três grandes do Estado. Sempre foi assim, por que mudaria agora?

Como Tana mora em Munique e conhece muito bem o futebol alemão, argumentei que a cidade de Dortmund tem 580 mil habitantes, apenas 160 mil a mais do que Santos, e o estádio do Borussia Dortmund, que comporta exatos 81.359 espectadores, está quase sempre lotado. Por que Santos não poderia lotar um estádio com, ao menos, 28 mil pessoas, por exemplo?

Tana explicou, pacientemente, que, na verdade, Dortmund fica em uma região formada por outras cidades que no total somam cinco milhões de habitantes. Lembrou, ainda, que cerca de 15 mil lugares do estádio estão reservados para quem se sujeita a assistir aos jogos de pé. Geralmente os jovens optam por essa alternativa mais barata. Além do mais, cada jogo é muito bem promovido, com muitas facilidades para o torcedor.

Confessei a ele que torci muito para o pré-sal dar certo, pois Santos ganharia milhares de assalariados bem pagos pela Petrobrás e isso, certamente, aumentaria a média de público nos jogos na Vila Belmiro, hoje uma das menores da Série A do Brasileiro. Para complicar, a Usiminas e o Porto estão com dificuldades e aumentou o número de desempregados na cidade, assim como aumentou na Capital. Sem o rodízio de jogos entre Vila e Pacaembu, ressaltei, a média de público das partidas do Santos cairá ainda mais.

Tana só ouviu. Com o pragmatismo de um brasileiro-alemão que agora é, já tinha dito o mais importante que tinha a dizer e se calou. Concordei que o melhor lugar para um novo estádio do Santos, diante do momento econômico que o País atravessa e diante das projeções de crescimento para a metrópole e para a Baixada Santista, seria mesmo a região da Grande São Paulo, mas disse que ainda achava mais econômica a possibilidade de alugar o Pacaembu, quando preciso.

Quanto à formação dos Meninos da Vila, continuaria sendo feita na Vila Belmiro. Assim como a Flórida é a região das academias de tênis, por que Santos não poderia se transformar na cidade do futebol, atraindo jovens de todo o mundo para se aperfeiçoarem ali no esporte mais popular do planeta? Isso geraria empregos para os profissionais do futebol santista e movimentaria ainda mais o turismo da cidade. Tana gostou dessa ideia. A formação de jovens continuaria na aprazível Santos e os jogos seriam na efervescente São Paulo. O clube usufruiria o bom das duas regiões.

O patrocínio da Caixa

Tenho sido inquirido sobre esse provável patrocínio da Caixa ao Santos, que deve se confirmar no ano que vem. Para ser coerente com tudo o que já expusemos aqui, não sou favorável a que uma empresa estatal, ainda mais em situação financeira difícil, invista em clubes de futebol. Sei que alguns queridinhos pagaram e pagam suas dívidas graças a essas benesses, mas há tantas empresas privadas no mercado, que não vejo necessidade de se buscar dinheiro em uma estatal.

Presidente do Conselho aceitou abaixo-assinado

O presidente do Conselho Deliberativo do Santos, Fernando Gallotti Bonavides, deferiu o documento assinado por 80 conselheiros, pedindo que dê andamento ao processo de rejeição das contas do clube em 2015, o que exigirá as devidas explicações da diretoria presidida por Modesto Roma. Segue abaixo a íntegra do documento:

Santos, 5 de outubro de 2016.

Ofício nº 476/16.

Ilustres Senhores Conselheiros:

Considerando o requerimento assinado por 80 membros do Conselho Deliberativo, encaminhado à Presidência da Mesa Diretiva deste Egrégio Conselho, pelo Nobre Conselheiro Alberto Pfeifer Filho, no dia 30 de setembro p.p., solicitando a reconsideração da decisão da Mesa de se aguardar o trâmite processual da citada ação, em grau de recurso, alusiva as Demonstrações Financeiras do ano de 2.015 e examinado a invocação do “trâmite legal estabelecido no Estatuto Social do Clube”, em consonância a existência do interesse do Santos Futebol Clube na solução do impasse, a Mesa defere esse requerimento, encaminhando para o Conselho Fiscal, nos termos do artigo 93, § 6º; letra “e”, com os esclarecimentos prestados pela Gerência Jurídica do S.F.C., datada de 9 de maio de 2.106, para após, análise do respeitável Conselho Fiscal e expedição de “novo parecer”, conforme previsão Estatutária.

Atenciosamente;

Fernando Gallotti Bonavides
Presidente

Bolívia ou Alemanha?

Quem tem acompanhado as manifestações de júbilo de nossa imprensa esportiva pode até imaginar que o Brasil não goleou a débil Bolívia, mas sim a poderosa Alemanha. Com todo o respeito aos bolivianos, até este Santos, com suas conhecidas limitações, enfiaria um chocolate goela adentro dos nossos queridos vizinhos. Já tem gente comparando o Tite ao Rinus Mitchel. Menos, menos… Como não está dando para falar do alvinegro da capital, falam do Tite, do Renato Augusto e, às vezes, do Gabriel Jesus. Mas quem está arrebentando é o Neymar, como sempre.

Festa na embaixada de São José dos Campos

Alô, alô, santistas de São José dos Campos e região. Neste domingo, dia 9, a partir das 9 horas, a Embaixada do Peixe em São José dos Campos promove a festa “Futebol e Churrasco”, com a exposição da Taça de Campeão Paulista de 2016 e a apresentação da Nova Camisa III.
O evento será realizado na Associação Sabesp, na Travessa Lineu de Moura, 522, próximo ao Clube Santa Rita.
Contribuições para participar da festa:
Futebol: 10 reais.
Churrasco individual: 25 reais. Churrasco dupla: 40 reais. Número da rifa, com diversos prêmios: 10 reais para Sócio e 15 reais para não sócio.

Promoção dos livros Time dos Sonhos e Dossiê acaba neste domingo

Só para lembrar que nesse domingo, às 24 horas, acaba a promoção do livro Time dos Sonhos. Até lá, quem comprar apenas um exemplar do livro que é chamado A Bíblia do Santista, receberá mais um exemplar gratuitamente, ou, se preferir, um exemplar do Dossiê, além de três livros eletrônicos: Donos da Terra, Ser Santista e Pedrinho escolheu um time. Tudo isso por apenas 68 reais, com as despesas de correio incluídas.

A partir de segunda-feira a livraria do blog zerará o seu estoque e só voltará a funcionar em novembro. Se quer receber um livro nesse período, vá à página “Comprar Livros” neste blog, ou clique no link abaixo para comprar apenas um exemplar do livro Time dos Sonhos e receber outros quatro de presente:
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E você, o que acha disso?


Para votar, fique sócio


Santos vence, mas poderia ser melhor
A sorte parecia estar ao lado do Santos no início do segundo tempo. Copete e Rodrigão, os jogadores mais fracos do time na primeira etapa, marcaram gols da pequena área e o terceiro gol santista parecia a caminho. A classificação para a semifinal da Copa do Brasil parecia sacramentada. Mas o Inter, mesmo com reservas, começou a atacar um pouco mais e as falhas da defesa do Santos apareceram.
O time do Sul avançava pela extrema esquerda, forçando o jogo pra cima de Victor Ferraz, que perdia todas por ali. Finalmente, depois de levar mais um drible previsível, Ferraz fez falta desnecessária e o Inter cobrou para fazer um gol que novamente torna a partida de volta dramática, pois se perder por 1 a 0, resultado normal em jogos fora de casa, o Santos estará eliminado.
Na tentativa de tornar o time mais ofensivo, Dorival Junior substituiu Vecchio e por Paulinho; Rodrigão por Joel e Thiago Maia por Rafael Longuine, mas o Santos piorou ao perder o domínio do meio de campo. Agora, as atuações dos santistas:
Vanderlei – A bola que foi, entrou. 5.
Victor Ferraz – Se apresenta no ataque, mas é nulo na defesa. 3.
Luiz Felipe – Deu algumas bobeadas. 5.
David Braz – Titubeou, mas não comprometeu. 5,5.
Zeca – Atacou e apoiou satisfatoriamente. 6.
Thiago Maia – Está enfeitando as jogadas, coisa que não sabe. Perdeu bolas bobas. 4.
Renato – Discreto até demais. 4.
Vecchio – Tocou bem a bola. 5.
Lucas Lima – Individualista. Mesmo assim, é o que tem mais categoria no time. 6,5.
Copete – Lutou, trombou, errou chutes, mas fez seu golzinho. 6.
Rodrigão – Igual ao Copete. 5,5.
Dos que entraram, nenhum fez algo digno de registro.
Dorival Junior – Poderia ter substituído Victor Ferraz por Daniel Guedes quando o Santos fez 2 a 0 e o Inter passou a forçar daquele lado.
Arbitragem: Gilberto Rodrigues Castro Junior, de Pernambuco, não viu uma agressão sem bola em Lucas Lima e fez vistas grossas à cera e às faltas consecutivas do time gaúcho. Se o jogo tivesse sido arbitrado com o mesmo rigor que o último Santos e Inter, aquele raposado, o time do Sul teria terminado a partida sem, no mínimo, dois jogadores.
Público: Apenas 6.592 pessoas assistiram à partida, proporcionando renda de R$ 239.880,00, o que dá um ticket médio de 36 reais. Note-se que não era um jogo qualquer, mas uma partida pelas quartas de final da Copa do Brasil. Pois bem, se mesmo um jogo mais importante do que a maioria dos que são jogados pelo Santos na Vila Belmiro deu um público inferior a sete mil pessoas e um ticket médio de 36 reais, como acreditar que será viável conseguir, por 20 anos consecutivos, um público superior a 18 mil pessoas e um ticket médio de 82 reais?! Pois são essas condições que o Santos teria de aceitar para ficar com apenas 40% da pretensa arena. Outro detalhe: se esse jogo fosse na pretensa arena, o clube ficaria apenas com 12,5% do lucro líquido da partida, ou algo em torno de irrisórios 20 mil reais.

Hoje é dia de jogar 110%

Esqueça o Garfield. Hoje o Santos correrá mais. E será mesmo preciso, pois só uma boa vitória sobre o mistão do Internacional, às 19h30, na Vila Belmiro, deixará o torcedor santista tranquilo para o jogo de volta, no Beira-Rio, pelas quartas de final da Copa do Brasil.

Mesmo desfalcado de Gustavo Henrique, Vitor Bueno e Ricardo Oliveira, machucados, e sem poder contar com Jean Mota, que já atuou pelo Fortaleza nessa Copa do Brasil, o Santos é franco favorito contra o Internacional, apesar de o time gaúcho, que já venceu o Alvinegro Praiano duas vezes este ano, não vir com uma escalação tão fraca como parece. Do meio-campo para a frente o Inter vem com jogadores respeitados, como Fernando Bob, Seijas, Valdívia e Nico López.

Pela primeira vez Vecchio deverá iniciar uma partida pelo Santos, e finalmente teremos uma boa oportunidade de avaliar o nível técnico e físico do argentino. Dorival Junior preferiu manter Rodrigão no ataque, já que o time precisa de gols. Todos sabemos que se vencer por uma diferença inferior a três gols o Santos passará sufoco no Sul.

Uma outra alternativa, porém, seria colocar Yuri no meio campo, liberar mais Lucas Lima para o ataque e escalar Copete de centroavante, com liberdade para cair pelos flancos do campo. Mesmo sem ser nenhum primor, Copete é mais técnico do que Rodrigão. Veremos se o pedreiro artilheiro volta a marcar e até quando a torcida terá paciência com suas caneladas.

O Santos deverá entrar em campo com Vanderlei; Victor Ferraz, Luiz Felipe, David Braz, Zeca; Renato, Thiago Maia, Lucas Lima, Vecchio, Copete; Rodrigão. O Internacional deverá ser escalado por Celso Roth com Danilo Fernandes; Rak, Eduardo, Ernando e Artur; Fernando Bob, Fabinho, Eduardo Henrique e Seijas; Valdívia e Nico López.

A arbitragem será de Gilberto Rodrigues Castro Junior (PE), auxiliado por Alessandro Rocha de Matos (BA) e Fabiano da Silva Ramires (ES). Só se espera que não inventem e não prejudiquem nenhuma das equipes. Todos sabemos como o senhor Rodrigo Batista Raposo raposou o Santos na última partida entre ambos, em Porto Alegre.

E você, o que espera do jogo de logo mais?

À procura de boas ideias, tenho ouvido santistas experientes, criativos, competentes, quase todos bastante preocupados com a sorte de nosso clube. Sugeriram-me Amir Somoggi, tomei um café com ele e, realmente, fiquei admirado com seu conhecimento e sua postura ética diante do futebol. Na semana passada Tana Blaze passou por São Paulo, a caminho de Mato Grosso, onde visitaria parentes, e não só tomei um café da amanhã com ele, como almoçamos, tanta coisa tínhamos para falar.

Natural de São Vicente, aos 33 anos foi trabalhar na Alemanha e hoje, 36 anos depois, vive em Munique com mulher e dois filhos que sequer falam o Português. Não voltará mais ao Brasil, mas continua amando o Santos como nos tempos em que frequentava a Vila Belmiro. Revelou-me seu nome verdadeiro, mas não me permitiu divulgá-lo. Tana prefere manter-se incógnito no mundo efervescente e às vezes perigoso do futebol. É compreensivo.

Outro santista amigo e com o qual aprendi e aprendo muito sobre o futebol é José Carlos Peres, meu parceiro no Dossiê, hoje responsável por contatos internacionais que poderão levar as escolinhas do Santos para recantos longínquos do planeta, trazendo importantes dividendos ao clube. Sonho um dia reunir os santistas de boas ideias e bom coração em uma mesma equipe, que trabalhe sem vaidades pessoais por um Santos melhor.

Sinto, não só aqui no blog, mas nas ruas, nas arquibancadas, no egrégio Conselho Deliberativo do nosso clube, um grande descontentamento com essa gestão atual, eleita com apenas um quarto dos votos, mas que age de maneira absoluta, sem dar satisfações de seus atos nem mesmo para o Conselho Fiscal. A propósito, Tana Blaze defende que o Conselho Deliberativo seja o órgão mais forte do clube e que as eleições presidenciais tenham segundo turno entre os dois candidatos mais votados, justamente para impedir que uma minoria assuma o comando do Santos e o trate como se fosse propriedade sua, tal qual vem ocorrendo.

Para todos os lados que olhamos, testemunhamos a incapacidade e a negligência dessa gestão, que aumenta desmesuradamente as despesas, fazendo ouvidos de mercador às recomendações dramáticas do Conselho Fiscal, ao mesmo tempo que não consegue incrementar as receitas, reduzindo-as até mesmo em quesitos básicos, como patrocínio de material, captação de sócios e bilheteria dos jogos.

Aos que me perguntam como mudar isso, só posso responder que o meio mais eficaz é votar nas próximas eleições, no final de 2017. E votar, obviamente, no candidato e na chapa que transmitirem mais credibilidade e apresentarem as melhores propostas para o clube.

Sei que alguns poderão dizer que escrevo este post porque tenho interesse de ser presidente do Santos. Quem me conhece bem sabe que estou livre dessa vaidade, meu maior sonho é, um dia, escrever um romance decente. Com relação ao Santos, meu desejo é vê-lo próspero, bem sucedido, forte, nos enchendo de orgulho. Sinceramente, não me interessa quem será o novo presidente, contanto que seja honesto, competente e faça aquilo que tem de ser feito, sem inventar e sem se julgar melhor do que todos os outros santistas, como vem ocorrendo.

Posso votar e pedir votos para qualquer um que me convença, não só com palavras, mas com atitudes e folha de serviços prestados ao Santos, que pode ser o instrumento de uma mudança na política administrativo-financeira do nosso clube, colocando-o no caminho da sustentabilidade e do progresso. Sem messias, sem caudilhos, sem heróis, apenas boas ideias, trabalho, honestidade e competência podem salvar o Glorioso Alvinegro Praiano.

Se você quer influir diretamente na escolha dos destinos do Santos, votando para presidente do clube no final de 2017, o tempo é curto. Como é preciso ter um ano como associado para votar, calculo que só há mais um mês de prazo para os interessados se associarem. Não dá para perder mais tempo.

É mais fácil e rápido ficar sócio enviando um e-mail ou comparecendo pessoalmente à sub-sede do Santos em São Paulo, situada na Avenida Indianópolis, 1772 – Indianópolis, São Paulo – SP, 04063-003. Telefones: (11) 3181-5188 ramal 5000 ou (13) 3257-4000 ramal 5000. O e-mail é subsedesp@santosfc.com.br Horário: das 9 às 18 horas.

Uma coisa puxa a outra
Tenho lido muitas queixas dos santistas com relação ao pouco empenho do clube na contratação de Diego e Robinho, dois ex-Meninos da Vila que poderiam formar novamente uma dupla poderosa no Santos atual. Para um contrato de um ano provavelmente o clube teria de ter uns 21 milhões de reais para contar com os dois, e essa verba o Santos não tem.
Porém, imaginemos que o fornecimento de material esportivo fosse vendido a uma marca conhecida, em vez de o próprio clube ter cismado de produzi-lo e comercializá-lo. Só aí haveria um ganho, mínimo, de 6,3 milhões. Imaginemos, ainda, que os grandes jogos do Santos tivessem sido realizados no Pacaembu, com públicos médios de 18 mil pessoas. Somemos mais uma dezena de milhões que foram desperdiçados com a mania de jogar só na Vila. Há ainda o que poderia ter sido arrecadado com uma campanha nacional de associados. 50 mil associados a 300 reais de anuidade para cada um, dá 15 milhões brutos, uns 12,5 milhões líquidos. Somemos essas três iniciativas, óbvias, e teríamos, mesmo sem o patrocínio máster e sem a verba de tevê, 28,8 milhões de reais, mais do que o suficiente para ter Robinho e Diego lutando pelo título brasileiro, da Copa do Brasil e já garantidos para a Copa Libertadores do ano que vem. Fora a enorme visibilidade e atração que a dupla exerceria em novos, velhos e futuros santistas.

E você, o que acha disso?


Um projeto inviável financeiramente

Por Tana Blaze, direto da Alemanha

Já em 4 de dezembro de 2015 Marcelo Teixeira, numa entrevista a Armando Gomes, disse que priorizaria um investimento na Vila Belmiro a um investimento no Portuários. A despeito de sua opinião, o Santos, presidido por seu afilhado, assinou uma carta de intenções com uma empresa aparentemente fantasma, a TBZ, sem atividade conhecida nos últimos seis anos e cujo acionista ultimativo, através do Banco Efisa, seria o senhor Miguel Relvas, que tentaria ocultar a sua participação porque, quando membro do governo português, foi suspeito de der participado da privatização do Banco Efisa a seu benefício e que era taxado em Lisboa como “abridor de portas na África e no Brasil”, onde transitava também com uma clientela que hoje é a do Lava Jato. Pelo jeito nenhum dos 300 membros do Conselho Deliberativo não se importou durante meses em saber quem era a TBZ.

Numa entrevista à ESPN em 26/08/2016, Marcelo Teixeira declarou novamente que prioriza um estádio no ABC a um no Portuários. Parece um replay, porque dias depois dessa entrevista Modesto Roma ultimou a formação da comissão de membros do CD para “acelerar a construção do estádio no Portuários”.

Ninguém acredita que Marcelo Teixeira não possa evitar o projeto financeiramente inviável e que não tenha nada a dizer no Santos, principalmente depois que convocou José Carlos Peres para uma primeira reunião, para depois mandar o Modesto contratá-lo. Pode até parece que o ex-presidente apoia o projeto do Portuários, mas ficaria dizendo que é contra, para no caso de uma falência futura do Santos, que se configuraria pelo risco cambial da obrigação assumida pelo clube, alegar “que foi contra” o projeto. Tampouco acredito que esta comissão tenha como objetivo premeditado recomendar o arquivamento do projeto para salvar a face do Modesto.

Aliás falando da TBZ, nos dias da apresentação do projeto ao CD o Lucas Musetti, que escreve para a Globo, cita a TBZ como um dos três membros do consórcio da seguinte forma: “O projeto tem participação das empresas Fernandes Arquitetura, Conexão 3 e o grupo português TBZ”.

Não sei se alertado por comentários neste blog sobre a TBZ, ou porque o “Fundo Americano“ exigiu o óbvio, que não necessitaria deste comensal inútil e o Musetti, desafiado por um twitter, desconversou sobre a TBZ pelas redes sociais: “Atualizei a nota. Me precipitei, amigos. Por enquanto, só Conexão 3 e Fernandes”, ou seja, a TBZ estaria fora.

Lucas Musetti já se fez de porta voz da desinformação do presidente do Santos, quando escreveu que “antes de avançar por uma arena e apresentar o projeto aos conselheiros nesta terça-feira, o Santos estudou a construção de um estádio em São Paulo. As condições, porém, não agradaram.” Ridículo achar que Modesto Roma tenha estudado a construção de uma arena em São Paulo.

A mídia está sendo usada para apresentar uma foto açucarada atrás da outra para animar o apetite pelo estádio, mas não dedica frase sequer sobre qual será o valor da taxa que o Santos deverá pagar por jogo e mês.

Pontos que detonam o projeto

Como prognosticamos em nosso último post, o mais fácil parece ser arranjar investidores para o projeto. Com a possibilidade de ver pago todo o investimento pelo Santos e poder, durante 30 anos, deixar-lhe apenas 12,5% da renda líquida (suponho renda após desconto da taxa a ser paga pelo estádio, ou seja, quase nada ou nada), tendo a possibilidade de se ressarcir pela receitas televisivas e, num caso extremo, podendo lucrar com uma possível privatização do clube no caso de falência deste, os investidores parece que estão fazendo fila. Mal os “investidores ingleses” caem fora, entra o “fundo americano”.

Os pontos questionáveis deste projeto são:

A – Apresentação do projeto ao CD/ Desinformação e inépcia

Lendo os blogs e artigos na mídia sobre a apresentação do projeto ao Conselho Deliberativo nota-se que três dos principais pontos críticos do projeto não foram sequer ou devidamente comentados, devendo se desconfiar que as respectivas informações não foram cobradas pelos conselheiros:

Primeira: o Modesto teria dito que o Santos não será obrigado a jogar no estádio. Parece claro então, que o Santos terá que pagar a taxa da mesma forma, ou seja, ao invés de taxa por jogo, pagaria taxa por mês ou por ano, porque nenhum investidor vai enterrar 450 milhões de reais sem exigir retorno. Resta, portanto a questão fundamental de quanto o Santos será obrigado a pagar pela arena, resposta não obtida pelos conselheiros, mas que o Modesto conhece, porque já andou dizendo que a taxa a ser paga seria “igual à taxa a ser paga pelo Pacaembu”.

Segunda: Como o financiamento vem de um fundo domiciliado nos Estados Unidos, é de se esperar que a taxa a ser paga pelo Santos seja denominada em dólares ou euros, ou que esteja sujeita à cláusula de correção cambial. Uma definição sobre o risco cambial também não foi obtida, embora o Modesto a conheça, porque é à base da oferta do “Fundo Americano”.

Terceira: Pertencendo os direitos de parte do terreno ao Portuários até 2080 e outra parte definitivamente à Portuguesa Santista, como seria possível o Santos tornar-se proprietário do estádio ao cabo de 30 anos, se partes serão consideradas depreciadas em terreno de terceiros? O que diz a legislação a respeito? Uma questão que teria que ser definida antes de se iniciar o projeto.

A falta de dados concretos referentes a estes pontos essenciais e conhecidos pela gestão numa apresentação de várias horas indica, além da descomunal desinformação por parte do presidente, também o despreparo e a inépcia do CD, que como um todo parece não estar à altura do desafio, eventualmente com alguns dos seus membros chave cooptados, como foi o Peres.

B – Cifras enganosas

Projetar um preço médio de ingresso médio de 82,00 reais é enganação. Em entrevista dada na véspera da reunião do CD à Tribuna (“Conselheiros do Peixe conhecem nesta terça projeto…”) Modesto disse que se previa o estádio ter uma lotação de 23.000 a 24.000 espectadores. No mesmo dia em que foi publicada a entrevista, em 23 de agosto de 2016, o mesmo Modesto apresenta ao Conselho Deliberativo uma expectativa média de 18.000 –19.000 espectadores.

Parece que nas 24 horas entre a entrevista e a reunião alguém o alertou o Modesto de que pegaria mal apresentar uma lotação média de 24.000 espectadores e que seria melhor disfarçar a inviabilidade econômica da arena através um preço médio de ingresso irreal de 84 ou 82 de reais.

A desinformação poderia ter evoluído da seguinte forma:

24.000 espectadores x ingresso médio a 62 reais = cerca de 1, 5 milhões de receita média por jogo.

18.000 espectadores x ingresso médio a 82 reais = cerca de 1,5 milhões de receita média por jogo

C – Renda mínima de 1,5 milhões de reais por jogo ou de 3 milhões por mês?

Este jogo de cifras permite suspeitar que para indenizar os investidores será necessária uma RECEITA MÉDIA MÍNIMA de 1,5 milhões de reais por partida, sempre lembrando que esta receita seria o mínimo para satisfazer os investidores, porque o Santos com “12,5% das receitas liquidas” por partida não vai levar nada. Ou que o Santos simplesmente tenha que pagar o valor de duas partidas por mês, perfazendo 3,0 milhões de reais por mês, independentemente do fato de jogar no estádio ou não.

Se a renda média por partida não atingir 1,5 milhões de reais o Santos tenderá a levar prejuízo e ter que sacrificar parte das receitas televisivas para indenizar os investidores durante 30 anos. Seria o haraquiri puro, um grande passo para eliminar o Santos do clube dos grandes e, como veremos adiante, combinado com uma desvalorização cambial, para a falência, possibilitando o takeover do Santos por investidores, sejam os mesmos do estádio ou outros.

Na hipótese de uma anuidade de 36 milhões de reais a ser paga (3 milhões vezes 12), o Santos repagaria sozinho todo o investimento aos investidores, proporcionando-lhes uma taxa de 6 a7 % ao ano e, além disso, os investidores levariam grande parte do lucro das receitas de alugueis de lojas, catering e outros. O Santos pagaria para todos.

Podemos discutir se isso é muito caro ou não. Mas mesmo se não considerássemos caro, o estádio dificilmente vai gerar as receitas para cobrir a taxa que o Santos terá que pagar.

D – A confidencialidade

Se, como foi alegado em blogs, o Modesto tiver informado que a identidade dos investidores seria revelada no caso os conselheiros aprovassem o projeto, se consumaria a falta de vergonha suprema por parte dos dirigentes do Santos. Nesse caso, o presidente acharia que o Santos seria como um noivo/noiva, que é obrigado a casar no escuro para depois de algemado por 30 anos poder pela primeira vez na vida desvendar a cara e o caráter do conjugue.

Evidentemente o presidente tem medo de revelar o nome dos investidores agora, e estes também não desejam se identificar, porque receiam que a sua simples identidade seja motivo para o descontinuamento do projeto. Também a turma do Odílio e a Doyen tinham medo de revelar o teor dos contratos para ocultar o caráter agiota de suas operações.
Se o Santos fosse um clube soberano, o investidor teria que bater na porta e apresentar o seu cartão de visita abertamente.

E – Um conglomerado explosivo

O Palmeiras estaria lutando na justiça em no mínimo SEIS fronts, a saber: 1) Venda dos assentos numerados; 2) Custos das obras do clube social; 3) Danos causados pelos atrasos e desconformidades das obras do clube social; 3) Questões quanto aos jogos realizados no Allianz Parque; 4) Prestações de contas dos jogos realizados no Allianz Parque; 5) Questões econômicas relacionadas entre o programa sócio torcedor do Clube e a Escritura Pública de Direito e Superfície, 6) Adequação das receitas repassadas pela Real Arenas ao Palmeiras.

Ressalte-se se que todo esse imbróglio jurídico, altamente oneroso para as partes, ocorre num projeto de rentabilidade espetacular, com UMA ÚNICA INTERFACE, entre o Palmeiras e o Grupo WTorre, já que os demais parceiros, como a Traffic e a AEG, que caiu fora, não importam.

O Santos monta um projeto de baixa ou nenhuma rentabilidade e explosivo pelas suas MÚLTIPLAS INTERFACES, com cinco entidades querendo dividir os lucros: o Fundo Americano, a construtora, o Santos, a Portuguesa Santista e o Portuários e, talvez, uma sexta, a TBZ. Destes cinco, quatro entidades querendo passar os custos e eventuais prejuízos para o Santos, o único da turma capaz de gerar receitas. Três proprietários de terreno. Três clubes com direito de jogar no estádio, isto se os investidores não trouxerem outros clubes para compensar a falta de receitas.

F – Proliferação de estádios num raio de um quilômetro

Serão construídos ou renovados três estádios, o do Portuários, o da Portuguesa Santista e a reforma da Vila Belmiro. Todos obsoletos, nenhum multiuso verdadeiro com campo rolando para fora e o Portuários e a Vila Belmiro elitizados com camarotes para tentar gerar o máximo de receitas, deixando a jovem torcida com menos dinheiro de fora.

Como o estádio do Portuários não terá rentabilidade significativa, é de se esperar que serão programados shows em número substancialmente maior em relação aos quatro por ano anunciados. O gramado não suportará, vai se botar grama sintética, como acaba de fazer o Atlético Paranaense e como se pensa em fazer no Allianz Parque, sendo talvez por essa razão que a Vila Belmiro seja renovada para o Santos jogar lá. O Santos jogando na Vila, mas pagando outro estádio usado para os shows em grama sintética. Coisa de louco.

A maluquice de três estádios novos ou renovados no raio de um quilômetro reflete a visão de esportes cartoleira do Modesto Roma, que é a de camarotes para convidar os amigos com estacionamento ao lado. Enquanto que a base que poderia gerar receitas expressivas permanece em campos precários.

Numa empresa mediamente profissionalizada, bastaria apenas um desses pontos citados para vetar o início de projeto. O trágico é que isto não ocorre no Santos e aparentemente muitos conselheiros foram “trabalhados” para aderirem ao projeto, sem contar com aqueles que são passivos e ineptos.

Possível falência do clube se houver desvalorização cambial

Caso houver cláusula de correção cambial da taxa a ser paga pelo Santos por jogo ou por ano, o que de é se esperar por ser o fundo domiciliado no exterior, qualquer desvalorização cambial expressiva da moeda brasileira nos próximos 30 anos deverá catapultar o Santos a uma situação falimentar.

Neste caso os investidores irão penhorar tudo ao qual o Santos tem direito e na situação falimentar decorrente seria de se esperar que ofereçam o perdão de parte das obrigações do Santos de pagar a totalidade da taxa, unicamente contra uma transformação do clube em Sociedade de Cotas e venda do clube a um investidor profissional (se não forem eles mesmos).

Os associados do Santos e os conselheiros se veriam diante de duas opções: Ver o Santos definhar e se transformar em um novo Guarani, ou Glasgow Rangers, ou aceitar a extinção do clube na sua forma jurídica atual e refunda-lo como sociedade privada de cotas, para que possa ser vendido.

Pasmem: o comprador só aceitará o negócio se o “fundo americano“ aceitar desvincular o clube de parte de suas obrigações com o estádio, porque pretenderá ganhar dinheiro em São Paulo e ressuscitar o que restar do potencial da torcida no Planalto Paulistano.

A situação em que o Modesto e seus cooptados conselheiros fieis estão pretendendo colocar o Santos atrai especialistas do ramo, sempre interessados em comprar alvos desvalorizados e mal administrados em relação ao seu potencial, para depois valorizá-los. O momento de aquisição se oferece muitas vezes numa situação falimentar ou pré-falimentar. O novo proprietário do Santos eliminaria os Conselhos e Comitês ineptos do clube, colocaria uma administração profissional e faria o Santos jogar diante da sua maior torcida para ganhar dinheiro.

Não digo que este seja o objetivo atual de alguém, nem mesmo do “fundo americano”, mas o Santos seria (já é) um alvo apropriado para um takeover, porque o valor da sua marca, da sua história e da sua torcida está bem acima do valor contábil do clube, que só tem dívidas e é solapado por uma administração pífia atrás da outra. Uma situação que atrai especialistas do ramo, sempre interessados, repito, em comprar alvos desvalorizados por má administração em relação ao seu potencial, para valorizá-los.

Formas societárias com estatutos falhos, que não garantem uma administração profissional, promovem o arbítrio e não protegem contra desmandos e a ignorância dos seus dirigentes são, como no reino animal, condenadas à extinção, um processo puramente darwiniano.

Neste momento grave conviria se preocupar com as próximas eleições

Neste contexto surge a questão do José Carlos Peres, que aderiu à administração que promove o estádio. Não tenho informações, mas seria até possível que o Peres tenha sido contratado para tratar com o “Fundo Americano”. Mesmo se não for o caso, chegou a hora de tecer considerações sobre ele, porque outra razão da sua contratação poderia ser que o Marcelo Teixeira o pretenda lançar como seu candidato às próximas eleições presidenciais.

Em setembro de 2013 fui procurado na Alemanha pelo entrementes falecido empresário Jose Luciano de Carvalho, da ONG Santos Vivo e um dos coordenadores da campanha do Peres. Conversei umas oito horas com o Luciano e com a sua esposa e em certo momento ele disse que DUAS PESSOAS, o JOSÉ CALIL e eu mesmo, tínhamos que trabalhar no Santos do Peres como presidente. Não sei se disse isto pela boa comida e pelo ambiente simpático, mas me senti honrado pra cachorro.

Depois daquela conversa, nada empreendi, não fui ao Brasil para mostrar minha cara, nem me tornei sócio do Santos. Achei que foi uma ótima conversa, mais do que isso, inesquecível, uma das muitas grandes histórias que gosto de lembrar. Tampouco fui convidado para qualquer posto e o convite para integrar a chapa declinei, mesmo porque não tinha me tornado sócio.

Perguntei ao Luciano o que credenciava o Peres como candidato e ele respondeu que era o seu engajamento pelo Santos, exemplificando a cessão da casa para a subsede em São Paulo e que tinha ideias interessantes, principalmente quanto a uma liga com clubes norte-americanos para acessar o dinheiro televisivo dos Estados Unidos.

Em seguida, apoiei o Peres em alguns comentários, mas no decorrer dos meses não consegui vislumbrar qualquer ideia vindo dele que fosse digna de nota, além da retórica habitual das campanhas eleitorais. Não dá para alongar aqui, mas o negócio da liga com os americanos sobre a qual está trabalhando há anos, me parece de realismo limitado.

Quando deu as entrevistas em campanha eleitoral, disse duas coisas que me preocuparam. Primeiro de como resolveria a questão da dívida do Santos e segundo que achava que o futebol não poderia prescindir dos investidores em direitos econômicos de jogadores.

Venho do setor financeiro e comensais como a DIS, a Doyen, TBZs jamais serão minha prioridade. Sei que custam caríssimo. O Peres, apesar de ter trabalhado em banco, não é propriamente do ramo, passou a vida inteira com analista de sistemas.

Supõe-se que o Peres tenha competência de agregador, posta a prova no G4-Paulista, mesmo que esta congregação não tenha importância, porque está sintonizado há anos com o presidente da FPF e CBF Marco Polo Del Nero através do Palmeiras e com a Rede Globo através do Corinthians. O último vexame dos quatro paulistas sempre controlados pelas duas federações, ocorreu há poucas semanas. Todos os clubes grandes brasileiros, até mesmo o Flamengo, cobraram através de oficio, participação nas decisões da CBF, que a Lei do Profut lhes confere, ameaçando em caso contrário acioná-la na Justiça. Exceto os quatro paulistas, que foram os únicos a não assinar o oficio. É este o G4.

Na verdade, a característica do Peres parece ser a de se enturmar com os fortes do momento, sejam as federações, outros clubes, ou investidores. Acaba atuando conforme as ideias da turma. E apesar da sua competência agregadora e do seu passado valoroso para o Santos, não o vejo como candidato ideal à presidência do clube. Me preocupou sobretudo a sua proximidade com a Doyen.

A proximidade de Peres com a Doyen

Já em novembro de 2014, nas entrevistas de campanha eleitoral à Tribuna e ao Ademir Quintino, o Modesto Júnior havia lembrado que “tem outro (o Peres) que durante a eleição de 2009 já trocou de lado e afinou com a atual diretoria (Laor-Odílio) pretendendo ficar em seu cargo no G4 Paulista, ou seja, ele é pelo poder transvertido de novo“.

Logo depois no seu post “Nem forasteiros, nem provincianos. SANTISTAS! Feliz Natal a todos!” o Odir escrevia que: “(O Peres) intercedeu para que a Doyen Sports fizesse o empréstimo de seis milhões de reais (ao Santos dirigido por Modesto) e está a postos para ajudar no que for preciso. Só não quer cargos e nem salários. Quer apenas ajudar“.

Na retrospectiva, vê-se que o Modesto caracterizou o Peres de forma mais precisa, pois acabou reincidente na sua recente virada de lado. Abandonou aos que liderava, dos quais cobrava fidelidade até por mail, abandonou as causas defendidas pelo grupo de oposição no CD, para doravante fortalecer a agenda contrária através do seu apoio a Modesto Roma.

Se um dia a Doyen concedeu um empréstimo de seis milhões de reais a juros decentes ao Santos, fê-lo para manter a vaca leiteira SFC na UTI e para apresentar um cartão de visita para o novo presidente Modesto. A Doyen estava preocupada em evitar que mais jogadores fossem à justiça, entre eles os cinco dos quais detinha participações. A oferta de empréstimo não foi um ato de filantropismo do Peres, mas um ato de defesa de interesses próprios por parte da Doyen.

Depois da comunicação da sua viagem a Madrid para apoiar a Doyen, não me surpreendeu a virada de lado para a situação. Para recordar, vou recorrer novamente a outro post do Odir.

No dia 3 de Abril de 2015 o Odir publicou o post “Em plena Madrid, Peres falará sobre a Espanholizarão”. “No dia 9 de abril, diante de dirigentes de grandes clubes europeus, entre eles Barcelona e Real Madrid, e da Uefa, Peres falará sobre a sagrada competitividade no futebol em um seminário internacional realizado em Madrid e criticará a “espanholização”.

Mas ao contrário do que o Odir escrevera, era evidente que o seminário em Madrid era patrocinado pela Doyen e tinha como objetivo único defender o TPO-Third Party Ownership = Investidores em direitos econômicos e absolutamente nada a ver com espanholização. O seminário foi nada mais que um ato de relações públicas destinado a influenciar o veredicto na primeira instância da Justiça Belga na queixa de que a Doyen havia movido contra a FIFA, pleiteando que a proibição dos investidores era ilegal. Contestei no ato com comentário no mesmo post e de forma mais detalhada num outro comentário feito após o seminário. A Doyen acabou perdendo na primeira instância como também na apelação, respectivamente em julho de 2015 e março de 2016.

Fontes mostram que neste seminário que ninguém falou de espanholização, nem mesmo o Peres. O discurso do Peres é citado da seguinte forma: “José Carlos Peres, executive director of G4 Paulista, finished by insisting: “Brazil cannot be left without investors. We’re here to fight for a good cause and we hope that things change.”

Ao contrário do que informava o post, Real Madrid, Barcelona e UEFA parece que não foram nem convidados, os advogados eram os mesmos que redigiram os contratos altamente lesivos ao Santos.

Também não sei se Xavier Tebas, presidente da Liga Espanhola, compareceu à reunião, pois não foi mais citado, mas, de qualquer forma, Tebas não necessitaria qualquer lição de espanholização de ninguém, muito menos de um Peres, porque foi ele, Tebas, que escrevera carta ao Parlamento Espanhol recomendando a proibição da negociação individual dos direitos televisivos.

Considero não ter sido muito correto com os leitores do blog, o fato do Peres não ter corrigido o equívoco do post do Odir e se deixado festejar como alguém que teria ido a Madrid, na toca do leão, para atacar a espanholização.

Mas o equívoco do post é secundário, relevante foi o apoio do Peres à Doyen. Meu repúdio aos investidores em direitos de jogadores já havia deixado no post “Uma proposta séria para tirar os “empresários” do futebol”, publicado em 13 de agosto de 2014, portanto três meses antes de o Peres defendê-los na sua campanha eleitoral e um ano antes de ir a Madrid.

No mais, a posição de Peres como amigo da Doyen espantou em todos os sentidos, visto que a FIFA banira o TPO os investidores em direitos em dezembro de 2014. Candidato a presidente do Santos tem de saber o que se passa no mundo. Mas o Peres foi a Madrid para ao lado do Twente e do Sevilla defender um cachorro morto e fazer lobby contra a FIFA e a Justica Belga. Por que?

Além do mais, os clubes do G4, que o Peres pelo menos no papel teria representado em Madrid, já haviam repudiado a Doyen. O Corinthians –pós MIS e o São Paulo se recusaram a trabalhar com a Doyen (leia “Parceiro do Santos em Damião foi recusado pelo SPFC”, Perrone 24.12.2013). O Palmeiras do Paulo Nobre, cuja Crefisa cobra juros entre os mais caros do mundo (Banco Central), não precisava de financiamento um setor que enriquece de forma semelhante.

O agravante é o fato de que a Doyen, naquele momento, já tinha efetuado operações ruinosas para o Santos – Damião, Geuvânio, Gabriel e Daniel Guedes – e o Peres se faz de amigo deles e aceita convite para ir à Madrid.

A tese do Peres de que os investidores eram insubstituíveis, que sempre foi furada, acabou provada como absurda pelo simples fato de os clubes brasileiros não terem maiores dificuldades depois da sua proibição. O Santos não teria podido comprar os direitos econômicos ou as respectivas opções de compra de Vitor Bueno, Copete e Jean Mota aos valores acordados, se existissem ainda os investidores atravessadores no mercado. Teria ter de pagar, no mínimo, o triplo pelos mesmos.

A partir do momento em que foi a Madrid, cheguei à conclusão de que o Peres não seria meu candidato à presidência do Santos. Ceder casa, atuar na unificação dos títulos são, inquestionavelmente, pontos de grande mérito, mas não qualificam ninguém a ser presidente.

Tana Blaze é o pseudônimo de um alto executivo brasileiro que vive na Alemanha. Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião do proprietário do blog. No entanto, o blog concorda com as críticas à inviabilidade financeira da parceria entre o Santos e um investidor para se construir uma arena próxima à Vila Belmiro.

A resposta de José Carlos Peres

Recebi, por e-mail, a resposta do amigo José Carlos Peres ao texto de Tana Blaze, a quem não conheço pessoalmente, mas considero também um santista de valor. Fico em uma situação delicada, pois não quero censurar ninguém aqui no blog, mas também não gosto de ver pessoas que admiro em situação de litígio. Entretanto, os debates são normais na democracia e se esses debates podem esclarecer situações obscuras do nosso clube, são bem-vindos. Com relação à arena de Santos, concordo plenamente com Tana Blaze, acho mesmo uma temeridade. Porém, com relação a José Carlos Peres, não concordo. Peres é um santista dedicado, competente e sério, ou não o teria apoiado para presidente do Santos. Bem, mas segue aqui a resposta de Peres ao texto acima. O espaço do blog está aberto para uma explanação mais ampla do Peres se ele julgar necessária.

05/09/16 00:31:32: Jose Carlos Peres: Amigos, nunca ouvi falar desta figura que se utiliza de um pseudônimo Tana Blaze. Fosse uma pessoa séria, utilizaria seu nome. Em relação ao Odir Cunha, que deu espaço a esta enfadonha figura, prefiro entender que já se pronunciou candidato à presidência do Santos e nesta matéria a figura oculta que reside, segundo ele mesmo, há muitos anos na Alemanha, quis me desqualificar para promover o candidato.

Sou amigo do Odir há muitos anos, inclusive entre nossas respectivas famílias, e não pretendo de forma alguma perder sua amizade. Desejo de coração que ele se candidate mesmo, seja eleito, e tenha o maior sucesso do mundo. Não sou candidato, mas como qualquer um de nós, posso ser, por que não?

Ao Tana Blaze, um conselho: Se quiser ser respeitado, pare de mentir, fazer ilações, usar o chutômetro em seus comentários. Use o seu nome próprio, mostre sua cara, isto é coisa de covardes. Nunca vi tantas mentiras gratuitas só para promover seu ídolo. Ele não precisa disso, afinal sempre utilizou de forma digna seu próprio nome e nunca comentou assuntos sem o devido conhecimento. Em suma: Você é uma farsa. Lamento!
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