Meus amigos e minhas amigas, uma derrota de 5 a 1 doi na alma. E tira o sono. Mas não adianta esmurrar as paredes, beber formicida, enfiar o dedo na garganta ou sair pichando paredes (que, aliás, é crime de vandalismo). Nessa hora é preciso ter a sabedoria para analisar o fracasso e descobrir suas causas.

Para começar, como bons desportistas, vamos reconhecer o mérito do adversário. Sim, o Grêmio é o melhor time do Brasil no momento, superior a Palmeiras, Flamengo, Cruzeiro… Atual campeão da Libertadores e vice-campeão mundial, o time dirigido por Renato Gaúcho é sólido, competitivo e aplicado taticamente. Quando joga em casa não costuma deixar brechas. Agora, vamos analisar o Santos.

É sabido que no futebol, como no xadrez, o domínio do meio campo dita a iniciativa do jogo. Neste setor, em que o Santos ainda está carente, determinou-se a constrangedora predominância gaúcha. Apenas um marcador de verdade – o incansável Alison – e dois outros, ainda instáveis, que não convencem o torcedor, como Jean Motta e Léo Cittadini, são muito pouco contra a avalanche gremista.

Sim, todos sabem que é preciso contar com jogadores mais gabaritados na meiúca do Peixe. Essa conclusão não é demérito aos que atuam por lá. É que o Santos exige um padrão de qualidade bem superior na armação e na orquestração do time. A total falta de recursos tem impedido a diretoria de buscar reforços de peso, mas eles virão, no máximo na janela do meio do ano.

Jogo contra o Real Garcilaso será na Vila
A Conmebol, atendendo a pedido do Ministério Público e da Polícia Militar de São Paulo, transferiu o jogo Santos x Garcilaso, dia 24 de maio, quinta-feira, às 19h15, do Pacaembu para a Vila Belmiro. O clube entrará em contato com os sócios e torcedores que já compraram ingressos a fim de providenciar a troca dos mesmos ou a devolução do dinheiro. As vendas continuam. Com uma vitória o Santos terminará essa fase da Libertadores como líder de seu grupo.

Outro detalhe importante a ser analisado é que o técnico Jair Ventura não tem escalado o Santos de forma defensiva. Na verdade, tem sido até ousado, armando a equipe com três atacantes, no caso Rodrygo, Sasha e Gabigol. Ocorre que não é o número de atacantes que faz um time ofensivo.

Um técnico pode escalar um time com 10 atacantes e mesmo assim, quando a bola rolar, este logo se porá na defesa para evitar o pior. Há, quando o jogo começa, o domínio natural de um time sobre o outro. Esse domínio vem da categoria, da técnica, da personalidade e da disposição maior dos jogadores de uma das equipes.

Se um time só de atacantes partir desenfreadamente para o ataque, sem uma estrutura defensiva montada, fatalmente sofrerá uma goleada acachapante, pois ao perder a bola proporcionará buracos enormes para o avanço do adversário. É preciso, portanto, para atacar com eficiência, ter o respaldo de um bom sistema defensivo e de um meio de campo que saiba controlar o jogo.

O Santos tem um bom sistema de defesa. Ontem, David Braz estava aquém de suas possibilidades e falhou em mais de um gol, mas não se pode cruxificar alguém que vinha jogando até satisfatoriamente. Os jogadores de ataque tentaram, mas lhes faltou o apoio que vem das laterais e do meio campo.

Veja que rodamos para lá e para cá e caíamos de novo no meio. É de lá que vem o comando, o cérebro, o coração do time. Alison pode ser o coração, mas não se pode exigir que Mota e Cittadini sejam os maestros de uma equipe vencedora. Por mais que se esforcem, têm um limite que pode ajudar o time a obter boas vitórias aqui e ali, mas não resolverá o problema desse setor crucial para qualquer equipe.

Precisamos de um armador? De mais volantes? Olha, precisamos mesmo é de um meio de campo forte. O Grêmio tem volantes que marcam e podem atacar bem, como mostraram domingo. Um jogador técnico, versátil e de personalidade pode ser eficiente na defesa e no auxílio ao ataque, como foram Falcão, Zito, Clodoaldo, Mengálvio, Beckenbauer… Claro que os tempos são outros e craques assim não se encontram mais. Mas se ao menos surgirem alguns com algumas das características desses imortais do meio de campo, já poderão contribuir muito para o sucesso do Santos, que não precisa de muito para se tornar um time ajustado.

O amargor da derrota, que nos enche o peito de fel e não nos deixa dormir, faz com que imaginemos que tudo esteja errado, mas uma análise fria mostra que mexendo em algumas peças já se poderá ter uma equipe mais confiante, sólida e competitiva.

Não sei se valorizo tanto o meio de campo porque, nos tempos de peladeiro, jogava por ali. É por ali que se une defesa e ataque com harmonia e fluência. Então, vou me permitir um pequeno palpite e sugerir que ao menos nos jogos fora o Santos atue com quatro jogadores no meio e dois atacantes.

Sei que na janela do meio do ano estão previstas boas contratações e provavelmente não reclamaremos mais da falta de um bom armador ou de mais jogadores de qualidade para o meio. Até lá, acredito, uma das formas de tornar o Santos mais competitivo é mudar umas pecinhas no sistema tático, principalmente em jogos no campo do adversário. O Four Four Two, esquema preferido dos ingleses, pode ser a solução enquanto os homens do meio não vêm.

E você, o que acha disso?