Blog do Odir Cunha

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Existe bobo no futebol…

garfiel no brasileiro de 2016
Ou os bobos somos nós, os torcedores do Santos?

EXISTE BOBO NO FUTEBOL…

A meia frase é do meu irmão, Marcos, que assistiu ao jogo comigo. E ela se completa com as palavras… “quando o Santos joga fora”.

Realmente, tivemos a impressão, principalmente no primeiro tempo, de que os reservas do Atlético Mineiro formavam uma equipe de Champions League, enquanto o Santos era um aparvalhado time amador, que não segurava a bola no meio-campo ou no ataque e tinha uma defesa de jogadores limitados, mal distribuídos e totalmente atrapalhados.

Aos 10 minutos o Atlético já tinha dado três chutes a gol; o Santos, nenhum. Aos 13 minutos, ao tentar sair jogando, David Braz serviu o ataque adversário e Vanderlei teve de se esticar todo para espalmar uma bola que entraria no ângulo. Um minuto depois um chutão da defesa atleticana encontrou Cazares livre, entre David Braz e Renato, e o equatoriano teve tempo de matar a bola e escolher o ângulo, para fazer aquele que seria o único gol do jogo.

Descrever a partida, lance a lance, só vai mostrar o quanto os santistas se mostraram desnorteados durante todo o tempo, a ponto de aos 33 minutos da segunda etapa Gustavo Henrique, sem prestar atenção, cobrar uma falta curta para Renato, que estava de costas, e entregar mais uma bola ao ataque adversário, que por pouco não chega ao segundo gol.

Enfim, o que nós, santistas, temíamos, aconteceu: o time campeão paulista, jogando joga fora de casa, pelo Campeonato Brasileiro, mostrou-se mais uma vez disperso, apatetado, como se só os jogos na Vila Belmiro contassem. Com essa derrota, completaram-se 11 anos que o Santos não estréia no Brasileiro com uma vitória.

Estreias do Santos nos Campeonatos Brasileiros desde 2006

2006 – Goiás 0 x 0 Santos
2007 – Sport 4 x 1 Santos
2008 – Flamengo 3 x 1 Santos
2009 – Grêmio 1 x 1 Santos
2010 – Botafogo 3 x 3 Santos
2011 – Santos 1 x 1 Internacional
2012 – Bahia 0 x 0 Santos
2013 – Santos 0 x 0 Flamengo
2014 – Santos 1 x 1 Sport
2015 – Avaí 1 x 1 Santos
2016 – Atlético/MG 1 x 0 Santos

A última vitória santista em estreia no Campeonato Brasileiro ocorreu em 2005, quando derrotou o Paysandu, no Estádio Anacleto Campanella, por 4 a 1.

A habilidade e a visão de jogo de Lucas Lima e o oportunismo de Ricardo Oliveira fizeram uma falta incrível. Gabriel é jogador para completar jogadas, não para criá-las. Sua deficiência de não chutar, não driblar, não fazer nada com a perna direita, é irritante.

O miolo de zaga do Santos está numa fase muito ruim. Os inseguros e atrapalhados David Braz e Gustavo Henrique não passam um jogo sem entregar, ao menos uma vez, o ouro ao bandido. Faz tempo que David Braz defende e sai jogando com deficiência. Está na hora de ir pro banco.

Quanto a Gustavo Henrique, sugiro que esqueça o desânimo por não ter sido chamado para a Olimpíada. Jogando assim, lento e desconcentrado, não será titular e nem continuará no Santos. Precisa ser mais esperto e mais rápido, garoto. Pare de fazer beicinho e jogue futebol.

Os laterais Zeca e Victor Ferraz foram mal dessa vez. Ferraz parece sem forças até para cobrar escanteios e faltas. Na armação, ambos não deveriam deixar o atacante dominar a bola, pois depois não conseguem roubá-la e têm péssima recuperação.

No meio de campo, não basta voluntariedade. É preciso ter um cérebro, um articulador de jogadas. Sem Lucas Lima, o jeito é insistir com Serginho, pois nenhum outro consegue segurar a bola. Renato está lento e perdendo reflexos. Em todo jogo sai jogando errado e cochila na marcação e na cobertura.

E no ataque, o Santos não teve ninguém. Gabriel tentou resolver tudo sozinho, mas não tem categoria e nem cabeça para tal. O rapaz está à beira de um ataque de nervos. Virou a prima dona do Santos. Ele deveria deixar de acreditar nos que dizem que ele será titular da Seleção Brasileira. Jogando assim, não será titular nem do Santos.

Uma pergunta que o Marcos e a Suzana fizeram, e eu não soube responder: “Se no final do jogo o Santos teve tanta energia para lutar em busca do empate, por que não mostrou a mesma determinação desde o começo?”. Eu complemento: por que esperar ficar atrás do marcador para só depois tentar jogar futebol?

A visão geral que tivemos do jogo é a de que o time experiente, superior, vitorioso, era o dos reservas do Atlético Mineiro. Após mais essa estréia desastrosa em um Brasileiro, além de rever a titularidade de muitos jogadores que não têm futebol e nem autoconfiança para jogar no Santos, o técnico Dorival Junior precisa, ele também, se dedicar mais ao seu ofício. Descansou os reservas durante a semana para quê? Que novidade tática o time apresentou? Que jogada ensaiada pudermos ver? (mais uma vez ficou provado que após um bom descanso, o Santos joga mal).

Enfim, nos acostumamos a ouvir que “não há mais bobo no futebol”, pois quando menos se espera somos surpreendidos com um resultado inesperado, em que um time considerado inferior, com garra e astúcia, supera um favorito. Porém, se é o Santos que joga fora de casa no Brasileiro, pode ter a certeza de que o jogo terá, sim, um bobo em campo.

As autuações dos santistas estão entre parênteses, sendo o sinal = para os mais ou menos: Vanderlei (=), Victor Ferraz (-), David Braz (–), Gustavo Henrique (-) e Zeca (=); Thiago Maia (=), Renato (-)(Maxi Rolón, aos 32 do 2º (=)), Vitor Bueno (=) e Ronaldo Mendes (=) (Matheus Nolasco, aos 19 do 2º (+)); Paulinho (-) (Serginho, no intervalo (=)) e Gabriel (=). Técnico: Dorival Júnior (-).

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Atlético Mineiro 1 x 0 Santos
Estádio Independência, Belo Horizonte, 14/05/2016, 18h30
Atlético Mineiro: Uilson, Gabriel, Edcarlos, Tiago e Carlos César; Lucas Cândido, Eduardo, Carlos Eduardo (Pablo aos 11 do 2º) e Cazares; Hyuri (Yago aos 41 do 2º) e Clayton. Técnico: Treinador: Diego Aguirre.
Santos: Vanderlei, Victor Ferraz, David Braz, Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia, Renato (Maxi Rolón, aos 32 do 2º), Vitor Bueno e Ronaldo Mendes (Matheus Nolasco, aos 19 do 2º); Paulinho (Serginho, no intervalo) e Gabriel. Técnico: Dorival Júnior.
Gol: Cazares, aos 14 min do primeiro tempo.
Arbitragem: Jailson Macedo Freitas (BA), auxiliado por Eduardo Gonçalves da Cruz (MS) e Elicarlos Franco de Oliveira (BA) (marcou dois impedimentos errados que poderiam dar ao Santos a chance de ao menos empatar a partida. Tirando isso, não comprometeu).
Cartões amarelos: Cazares e Carlos Eduardo (Atlético/MG) David Braz e Gustavo Henrique (Santos).

Um jogo de valentes

Para ser campeão no tênis é preciso trabalhar todos os dias, às vezes em dois períodos. Quando não se joga, se treina ou se viaja. As partidas podem demorar três, quatro horas, e se o jogador quiser tirar uns dias de folga, perde por WO e cai no ranking. Para manter os patrocínios é preciso vencer e permanecer entre os melhores do mundo. Os astros não têm moleza. A cada torneio começam da primeira rodada, como os outros. O fato de o sérvio Novak Djokovic, número um do mundo, e o britânico Andy Nurray, número dois, chegaram às finais de Madrid e Roma, em semanas consecutivas, mostra como o tênis é justo e o mérito prevalece. É um esporte de quem tem talento e trabalha, mas também exige muita garra e inteligência. Veja os melhores lances da final de Roma e diga se não tenho razão:

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E você, acha que o Santos ainda pode fazer uma boa campanha no Brasileiro?


Santos deve jogar ponto a ponto, como se faz no tênis

Meus muitos anos como tenista amador e jornalista especializado no esporte me ensinaram variadas técnicas mentais para superar momentos difíceis. Jogar ponto a ponto é a melhor delas e a que recomendo ao Santos para chegar ao título.

O Santos provou ontem que ainda pode, sim, ser campeão brasileiro. Para isso, porém, terá de mudar a forma de enxergar o campeonato. Não adiantar olhar lá pro final e imaginar o exaustivo caminho pela frente. Tem de focalizar cada jogo, como o maratonista que corre 42 quilômetros concentrando-se em cada passo. Tem, enfim, como se diz no tênis, de “jogar ponto a ponto”.

Jogar cada ponto com concentração, determinação e coragem é a atitude responsável por grandes viradas no tênis, um esporte que não termina pelo tempo e, portanto, dá sempre ao jogador inferiorizado no placar a possibilidade de passar à frente.

Às vezes parece que o jogo já está perdido e então é preciso recorrer a artifícios mentais para ganhar motivação e tentar o quase impossível. Já fiz isso algumas vezes e tenho uma história pra contar. Está com tempo? Senta que lá vem a história…

Uma história verídica

Era o ano de 1982 e a Koch Tavares realizava o I Torneio Imprensa de Tênis, em São Paulo. Jogador de futebol frustrado, eu jogava tênis desde 1973 e já tinha um jogo mais consistente do que a maioria de meus colegas jornalistas. Cheguei à final contra José Nilton Dalcin, repórter de A Gazeta Esportiva, hoje editor do site Tênisbrasil.

Personalidades compareceram à final, que tinha até a cobertura da imprensa. Meus amigos do jornal O Globo, meu irmão e minha mulher foram torcer pra mim. Estava confiante e abri 4 a 1, mas arrisquei muito e acabei perdendo o primeiro set por 6 a 4.

No segundo, joguei com medo de errar, só coloquei a bola na quadra, e a tática deu certo. O Zé Nilton é quem forçou mais o jogo, errou muito, e eu venci por 6 a 1. Fui para o terceiro e último set com a convicção de que ganharia a partida e o título sem correr riscos, mas a bola do Zé Nilton começou a entrar e ele chegou a 5 a 1.

Nesta hora, lembro-me perfeitamente que pensei: “Odir, que vergonha! Seus amigos, seu irmão e sua mulher vieram ver seu jogo, torcer para você, e você está dando vexame, jogando com medo, só empurrando a bola. Você já perdeu, mas ao menos termine com a cabeça erguida. Faça o óbvio: fuja de sua esquerda e bata com a direita na esquerda dele. Mexa essas pernas e faça isso até o fim. Perca como homem!”.

Comecei a melhorar, mas ainda 5 a 1 o Zé Nilton chegou a ter dois match points. O fotógrafo já saiu da cabine e ficou ao lado da quadra, para pegar o ponto final e a comemoração do Zé. Mas, não sei como, defendi os dois match points, mantive o serviço e diminui para 5 a 2.

Mais animado, consegui quebrar-lhe o serviço em seguida, depois mantive o meu, mas com 5 a 4 e saque ele teve outro match point. Imaginei-me como um goleiro em um pênalti. Pensei: “Não vou deixar essa bola passar, nem que eu tenha de me atirar nela”. Ele sacou bem, no meio, e eu só tive tempo de esticar a raquete em direção à bola, que bateu no aro e subiu, subiu…

O jogo foi em uma quadra fechada, na antiga academia Back Spin, próxima à Rua Vergueiro, e se a bola batesse no teto a partida terminaria, com a vitória do Zé Nilton. Pois a bola chegou perto, mas não bateu e começou a descer. Fiquei torcendo então para ela cair do outro lado da rede. Caiu. Mas caiu à mercê para o smash do Zé. Se ele desse uma enterrada, o jogo estaria decidido. E foi o que tentou fazer, mas acabou jogando a bola na rede.

Só naquele momento é que comecei a me animar. Pensei: “Ele está nervoso. Não posso mais perder esse jogo”. E segui minha estratégia de mexer as pernas, fugir da esquerda e bater na esquerda dele, até que, naturalmente, eu é que cheguei a 6 a 5 e tive o match point. Joguei com tranqüilidade, chamei-o à rede e joguei a bola no seu pé, provocando o erro no seu voleio.

O fotógrafo, que já estava ali a um tempão, fez a foto de minha mulher me beijando. Ganhei uma infinidade de prêmios e sai em todos os jornais. Fiquei mais conhecido no meio jornalístico por jogar tênis do que pelos dois Prêmios Esso que havia ganho.

No outro dia, só para mostrar como a imprensa vê o fato do ângulo que quiser, enquanto todos os jornais valorizavam minha conquista, o jornal A Gazeta Esportiva, no qual trabalhava meu adversário, dava uma matéria de meia página com o título: “José Nilton vice-campeão!”.

Lições dos mestres para o Santos

Nesses meus quase 34 anos de jornalista convivi com grandes atletas, notáveis desportistas, seres humanos com uma força interior assustadora, que construiram carreiras de muito sucesso. Aprendi muito com eles. Uma frase que ouvi do cestinha Oscar Schmidt, de quem tive a honra de ser o biógrafo, serve agora para o Santos.

Oscar dizia: “Há times (no basquete) que estão muito atrás no marcador e ficam ansiosos para tirar logo a diferença, como se em um ataque pudessem fazer 10, 15 pontos. Mas não é possível. Você só pode fazer três pontos em um ataque”.

É o caso do Santos agora. É impossível, em apenas uma rodada, tirar a diferença de 10 pontos que o separa do Fluminense, mas diminui-la jogo a jogo é mais do que provável. Até porque a tabela entra em uma fase teoricamente propícia para o Alvinegro Praiano.

Cinco jogos decisivos

As duas próximas partidas do Santos serão contra adversários que estão à sua frente, mas serão ultrapassados caso o Santos vença – Atlético Paranaense e Internacional. Depois vem um clássico contra o São Paulo, no Morumbi, em que tudo pode acontecer. Em seguida, mais dois jogos do Santos em casa, contra o praticamente rebaixado Grêmio Prudente e o decadente Vitória.

Com exceção do confronto com o São Paulo, em que a lógica parece ser o empate, em todas as outras quatro partidas o Santos é favorito. No caso do Internacional, um ótimo time, o favoritismo santista se explica pela atenção maior que o time gaúcho está dando aos preparativos para o Mundial Interclubes, seu maior objetivo neste semestre.

Se jogar ponto a ponto, se respirar fundo nas dificuldades e seguir fazendo o que é certo para buscar cada vitória, o Santos saberá defender seus match points e estará preparado para fechar os jogos e alcançar o título quando a oportunidade finalmente estiver ao alcance de suas mãos.

Que tal fazermos um pacto, nós que somos santistas de São Paulo, Santos ou cidades próximas: vamos nos comprometer a ir ao menos a um dos cinco próximos jogos do Santos? Estou certo de que o calor e o amor da torcida, nesta fase crucial, podem criar uma energia irresistível, como aconteceu em 2004. Não custa nada tentar. Topa?


Nadal, um exemplo de determinação para o futebol

Nós, brasileiros, desconfiamos que nossos craques do futebol, ao se tornarem famosos e milionários, não jogam mais com amor à camisa, não se dedicam como deveriam ao esporte que praticam. É só o ídolo fraquejar em uma ou outra partida que, invariavelmente, surgem as suspeitas de que, feita a fama, ele deitou na cama.

Talvez sejamos cruéis ou mal perdedores, destes que acham desculpas para toda derrota. Mas talvez tenhamos razão e os craques brasileiros merecem as críticas porque deixam de se empenhar como devem à medida que vão conquistando a chamada independência financeira.

Qualquer que seja a verdade, o certo é que nos falta cultura esportiva e, talvez, caráter. Cultura para entender o real significado do esporte, que não é só dividir os competidores em vencidos e vencedores; e caráter para assumir com vontade o papel de ser um desportista, com as alegrias, mas também com os dissabores que ele traz.

Sei que muitos que lêem este blog não acompanham, ou não gostam do tênis. Porém, convido-os a prestarem atenção nos exemplos que o tênis pode dar ao esporte – especificamente no exemplo deste jovem espanhol chamado Rafael Nadal, que hoje venceu o russo Mikhail Youzhny por inquestionáveis 6-2, 6-3 e 6-4 e domingo jogará a sua primeira final do Aberto dos Estados Unidos, um dos quatro torneios mais importante do mundo, com o sérvio Novak Djokovic, que derrotou Roger Federer em cinco sets.

Nadal é um operário dedicado. O sucesso é consequência.

O canhoto Nadal, que pela garra foi batizado de El Toro, nasceu em Manacor, Espanha, em 3 de junho de 1986. Tem, portanto, 24 anos, e já acumulou uma fortuna avaliada em 100 milhões de dólares.

Profissional desde 2001, ele é o número um do ranking mundial e se vencer amanhã completará o seu décimo título de Grand Slam – nome dado aos quatro torneios maiores: os abertos da Austrália (Austrália Open), França (Roland Garros), Inglaterra (Wimbledon) e Estados Unidos (US Open).

O rapaz é mesmo um fenômeno. Mesmo assim não é, entretanto, considerado o melhor do mundo, status que pela técnica apuradíssima é dado ao suíço Roger Federer, 29 anos, que já ganhou 16 torneios de Grand Slam. MasNadal, sem dúvida, é o mais determinado, aquele para quem não há bola perdida.

E veja, caro leitor e leitora, que no tênis não há favorecimentos. A regra é realmente igual para todos, não há arbitragem tendenciosa, dirigente protegendo um ou outro, torcida ameaçando invadir o campo, pressão nos bastidores. É tudo resolvido na quadra, como uma rena moderna em que os gladiadores usam raquetes ao invés de espadas.

E neste mundo, justo, em que vence realmente o melhor, é que Rafael Nadal, mais ídolo, mais famoso e mais rico que qualquer jogador brasileiro, dá o máximo de suas energias em busca da vitória, com uma determinação e um espírito de luta que fazem corar outros atletas menos comprometidos com a profissão.

Assim, para que fique bem claro que nada pode acomodar ou esmorecer aquele que é, realmente, um grande desportista, selecionei alguns lances de Rafael Nadal. Já pensou se todos os jogadores de futebol jogassem com a mesma vontade?


Um pouco sobre essa “porra de tênis”

Desculpe repetir o termo chulo, mas já que é assim que o nosso presidente trata o tênis e já que, segundo as pesquisas, seu governo tem 80% de aprovação, provavelmente a maioria das pessoas acredite mesmo que o tênis não passe disso, “uma porra de esporte de burgueses”.

Não me admiro, visto que de uns tempos para cá ser inculto e grosseiro virou moda neste país. Afinal, o exemplo vem de cima. Mas algumas coisas precisam ser esclarecidas:

1 – O tênis é popular em muitos países. Nos Estados Unidos, Rússia, França, Itália, Inglaterra, Austrália há milhares de quadras públicas. Lá não é preciso ser rico, nem burguês, para praticar o esporte, que é um direito de todos.

2 – No período em que deixava de ser um país vira-latas, entre o final dos anos 50 e início dos 60, Maria Esther Bueno venceu Wimbledon, então chamado de “Campeonato Mundial”, e foi recebida com pompa e festa pelo então presidente Juscelino Kubitscheck. Isso, em 1959. Agora, 51 anos depois, é triste ouvir alguém que ocupa o cargo que foi do professor Juscelino tratar o tênis com tanto desprezo.

3 – O Brasil é o único país da América Latina que já teve uma mulher e um homem na liderança do ranking mundial (Maria Esther Bueno e Gustavo Kuerten); já foi o segundo do mundo em número de torneios, Thomaz Bellucci está entre os 30 melhores jogadores do planeta e calcula-se que o esporte tem de 3 a 4 milhões de aficionados no país.

4 – Ter bom gosto, tornar-se culto e educado não é uma questão de dinheiro. Lula, por exemplo, prova que todo o dinheiro que ele – e sua família – têm acumulando nos últimos anos, não contribuiu em nada para melhorar sua educação.

5 – A maneira como Lula e Sérgio Cabral pressionaram e quase agrediram Leandro, o garoto favelado do Rio – que se manteve impassível e mostrou ser mais educado do que os dois políticos juntos – mostrou bem como nossos líderes encaram o povo: como um ser sem vontade própria, que deve agradecer com o voto quando recebe as esmolas do governo e de quem só se espera obediência cega. Vontade própria? Nem pensar.

6 – Finalmente, gostar de tênis não quer dizer que você seja burguês, isto ou aquilo. Quer dizer apenas que você aprecia um esporte completo, bonito, em que prevalece o fair play e que exige o máximo do corpo e da mente. Um esporte que não se vence subornando árbitros ou sendo amigo dos poderosos. Bem, mas o homem que diz ter brigado tanto para trazer a Olimpíada para o Brasil, ao menos deveria saber disso…


LULA, O “AMANTE DOS ESPORTES” MOSTRA SUA VERDADEIRA FACE

Gostaria de saber por que o presidente Lula quis trazer a Olimpíada do Brasil se ele acha que tênis é esporte de burguês.

Ao menos foi o que ele disse a um garoto pobre, mas muito mais sensato e educado do que ele, o governador do Rio Sérgio Cabral e os demais políticos que o rodeavam.

Pelo jeito, os oito anos como presidente do Brasil não contribuíram em nada para aprimorar o cidadão Luis Inácio Lula da Silva. Continua tosco e grosseiro como sempre.

Perguntou ao garoto por que ele quer jogar “essa porra” de tênis. Ao seu lado lado, Sérgio Cabral, governador do Rio, chamou o moleque de “sacana”.

Dá nojo ouvir e ver isso, mas é importante conhecer a verdadeira face de quem nos governa. A mesmo pessoa que chorou ao trazer a Olimpíada para o Brasil divide os esportes em burgueses e proletários? Que bobagem. Isso é que é não entender nada do espírito olímpico.

O mesmo presidente que é considerado “o cara” pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, hoje ficou sem respostas diante de um garoto da periferia do Rio de Janeiro. Isso porque nada é mais poderoso do que a verdade.

Você acha que o presidente estava certo em criticar o garoto e dizer que ele deveria escolher outra atividade, porque tênis é esporte de burguês?


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