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O mau marketing está matando o futebol brasileiro

Teoricamente, marketing é uma coisa boa. Divulga, gera interesse por assuntos ou pessoas. Mas o marketing utilizado no futebol brasileiro tem mais atrapalhado do que ajudado. Tornou os melhores jogadores individualistas, narcisistas, e resolveu que apenas um ou dois clubes merecem atenção especial da mídia.

Recebo reclamações dos amigos santistas de que Santos e Palmeiras era um jogão para ser valorizado e transmitido no horário nobre desta quarta-feira. Realmente. Não seria favor algum. Em campo, teremos 16 títulos brasileiros e quatro Libertadores; o clube que recentemente revelou Neymar e aquele que está construindo, com dinheiro e risco próprios, a melhor arena do futebol brasileiro.

Como não há nenhuma pesquisa à mão, dou uma olhada na Timemania de quatro dias atrás e constato que as 988.000 apostas, em todo o Brasil, deixaram o Santos em terceiro lugar na preferência do torcedor, e o Palmeiras em sexto. Inegavelmente trata-se de um clássico nacional, de dois times que têm torcedores em todo o País.

Em vez de promover o espetáculo futebol, fortalecer os grandes clubes igualmente e incrementar a competivididade, a televisão adota o marketing direcionado, político, com o fim específico de dar mais visibilidade aos seus times preferidos e alterar o equilíbrio do futebol brasileiro. A lição da Alemanha terá muita dificuldade de vingar no Brasil, de superar a reserva de mercado que se pratica por aqui.

O individualismo como resultado da necessidade de aparecer

Um pouco antes de sofrer a joelhada, Neymar tinha perdido a bola duas vezes no meio de campo tentando fazer jogadas sem nenhum sentido prático para o time. Em uma delas arriscou um chapéu no meio de campo, atrasando o ataque. Da mesma forma, um pouco antes da avanlanche de gols da Alemanha, o zagueiro David Luiz foi visto parado na área adversária, como se fosse um atacante, deixando um buraco na defesa brasileira.

O lateral-esquerdo Marcelo liberou uma free way pela direita do ataque alemão; Hulk tentou chutar a gol de qualquer ângulo e Oscar só faltou levar a bola para casa. Muitos jogadores brasileiros jogaram apenas para si mesmos. É verdade que a Seleção Brasileira precisa de uma reformulação tática e, por que não, de um técnico estrangeiro que sacuda esse marasmo de Felipões, Parreiras, Manos, Tites e quetais, mas também não se pode negar que a vaidade e a falta de espírito de equipe do jogador brasileiro têm grande parcela de culpa no vexame sofrido nesta Copa.

E por que o jogador do Brasil não fez o jogo de marcação que deveria ser feito, e que tornou mesmo as modestas Costa Rica e Argélia adversários dificílimos para os grandes favoritos? Ora, porque o brilho individual, que vem com o gol ou uma jogada de efeito, é o que dá mais visibilidade e ganha mais espaço na mídia.

Nem digo apenas imprensa, pois o Youtube é, hoje, a mídia eletrônica mais assistida no mundo – e nela os jovens fãs do futebol só querem ver gols, dribles e jogadas vistosas. A eficiência dos zagueiros não interessa à nova geração do futebol, nem aos homens do marketing. Para se destacar e, com isso, atrair patrocinadores e aumentar o faturamento, o jogador precisa ousar, aparecer. A sóbria eficiência dos grandes defensores está em baixa.

A generosidade dos verdadeiros craques

Os gênios do futebol, por enxergarem além, também foram generosos, souberam associar o seu sucesso pessoal ao sucesso do time em que jogavam. Veja Garrincha, indo sempre à linha de fundo para dar gols e glória a companheiros que só tinham de empurrar a bola para as redes. Veja Maradona, driblando vários adversários para servir a Caniggia o gol que eliminou o Brasil na Copa de 1990. E, acima de tudo, veja Pelé.

Os filmes que se fizeram sobre o Rei do Futebol e a admiração que seus 1.282 gols provocam, podem ter deixado em muitos a ideia de que Pelé também era individualista, que a todo momento estava tentando driblar dois, três, quatro jogadores para fazer gols de placa. Não é verdade e, para provar isso, consegui encontrar um vídeo muito interessante que mostra bem o lado solidário e, repito, generoso do Rei.

Como veremos a partir da metade do vídeo abaixo, Pelé era tão preciso no passe como nos outros fundamentos. Ocorre que nem sempre seus companheiros concluiam bem as jogadas, que acabaram esquecidas, já que não terminaram em gols. Mas repare que até no passe Pelé coloca a força e o efeito exatos. Já não se vê mais passes assim no futebol.

Destaco os lances da partida contra Portugal, pela Copa de 1966, em que mesmo com a perna enfaixada e mancando – estava machucado, mas as substituições eram proibidas –, Pelé acerta passes precisos. Esse espírito de equipe, tão comum nos craques brasileiros de outras épocas, faltou a muitos jogadores que representaram o Brasil nesta malfadada Copa.

E você, não acha que o mau uso do marketing está matando nosso futebol?


Santista, prepare o bolso: você continuará vendo futebol pelo pay per view


Clube dos 13 anuncia: tevê aberta continuará fechada para a maioria dos clubes

Pouca coisa deverá mudar nas transmissões, pela tevê, dos Campeonatos Brasileiros de 2011 a 2013. Os clubes de maior torcida, mesmo em fase técnica ruim, serão os preferidos da tevê aberta, enquanto os outros – entre eles o Santos – irão para o pay per view. Ou seja: o mérito esportivo continuará cedendo lugar ao ibopismo.

Como se imaginava, de nada adiantou o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) determinar que a Rede Globo não terá mais o direito de cobrir qualquer proposta rival e será obrigada a competir normalmente com as outras emissoras. O canal que ganhar a concorrência poderá adotar critérios similares ao da empresa carioca, ou ainda mais exclusivistas.

A tevê aberta que ganhar a concorrência continuará com a exclusividade sobre todo o campeonato, com direito a transmitir um jogo por rodada. Não será permitida a transmissão, por outra tevê, mesmo de jogos em dias diferentes (quinta-feira ou sábado, por exemplo). E o pay per view crescerá ainda mais como fórmula de transmissão da maioria das partidas.

Ainda não está definido, entretanto, se a exclusividade se estenderá a outras mídias. Há a possibilidade de que tevê por assinatura e internet tenham mais de um contratante. Redes sociais também devem entrar no pacote de produtos oferecidos pelo Clube dos 13.

Quem deu as más notícias é Ataíde Gil Guerreiro, diretor de marketing do Clube dos 13, que participa da Soccerex, feira de futebol no Rio de Janeiro. Ataíde é o responsável pela comissão de televisão que negocia os contratos com as tevês em nome dos clubes.

Fórmula permite a manipulação

Deixar nas mãos de uma emissora comercial o direito de decidir sobre os jogos de futebol a serem transmitidos para um país de 185 milhões de habitantes e em que 95,1% dos lares possuem aparelho de televisão, é dar um poder imenso a uma empresa sem exigir nenhum compromisso ético.

Todos sabem que a Rede Globo fez parceria com o Corinthians em 2008 e privilegiou as transmissões de seus jogos, mesmo na Série B, em detrimento de partidas da Série A, histórica e tecnicamente mais importante. Ou seja: o mérito esportivo foi pro ralo, vencido por claros interesses comerciais.

Ao colocar o retorno financeiro em primeiro plano, o Clube dos 13 novamente entregará o futebol brasileiro de bandeja para a tevê, que poderá se servir dele da maneira que lhe convier – desde estabelecer datas e horários inapropriados para a transmissão das partidas, até selecionar jogos sem levar em conta a importância dos mesmos para a competição.

Será que a tevê não tem outra opção comercial, a não ser priorizar a transmissão de jogos dos times mais populares? Ou alguns times se mantêm mais populares porque seus jogos são mais transmitidos pela tevê?

As pesquisas e a vivência no mundo do futebol comprovam que torcidas não são estáticas e sobem ou descem – às vezes dramaticamente – dependendo basicamente de dois fatores: 1 – Sucesso esportivo (títulos, grandes vitórias, ídolos) e 2 – Exposição na mídia, mesmo “forçada”.

Nenhum time deixa de perder torcedores após um longo período sem títulos. O único fator que pode alterar isso é uma exposição injustificada e desmesurada na mídia. O torcedor já percebeu quando a pauta jornalística força a barra apenas para mostrar um time popular. O mesmo ocorre com a transmissão de partidas de futebol.

No Brasil é comum o espectador da tevê aberta ser obrigado a assistir a um jogo de times em posição inferior na tabela, ou então pagar pay per view para ver o líder do campeonato jogar. Isso porque, repito, o mérito esportivo é colocado em segundo plano.

Ao Santos só resta vencer, vencer, vencer…

Não é segredo para ninguém que a quantidade de torcedores é um dos maiores instrumentos de marketing que um clube de futebol pode ter. Grandes contratos de patrocínio e uma cota maior nos direitos de tevê dependem da porcentagem de aficionados de uma equipe – e ela é calculada na média de algumas pesquisas e nos índices de audiência da tevê.

Em 2010, graças ao primeiro semestre maravilhoso e vencedor, e ao fato de ter mantido Neymar e Paulo Henrique Ganso no time também no segundo semestre, o Santos – somando-se programas de tevê e transmissões de jogos – é o time brasileiro que até hoje teve a maior visibilidade, superando o próprio Corinthians e bem à frente do Flamengo.

Todos sabemos, porém, que o Santos só conseguiu isso devido a um período espetacular e incomum. Assim como, para o árbitro tendencioso, lance duvidoso é sempre apitado a favor de determinada equipe, para a tevê esportiva brasileira Corinthians e Flamengo são as “bolas de segurança”.

Para os homens da tevê, o Santos só é notícia quando faz algo maravilhoso. Se estiver no mesmo nível técnico de Corinthians e Flamengo, por exemplo, naturalmente terá menos espaço na mídia. Isso tem um lado bom: o Alvinegro Praiano tem de estar sempre um passo à frente de seus rivais.

Santista, torcedor de pay per view

As características da torcida do Santos tornaram-na uma das maiores, se não a maior, assinante de jogos por pay per view. Como o Santos só tem jogado na Vila Belmiro, a grande maioria dos seus torcedores não mora em Santos e mesmo os que moram preferem ver o jogo pela tevê, é evidente que este sistema se transmissão é o mais adotado pelos santistas.

Sei que o pay per view rende algum dinheiro a mais para os clubes, porém diminui a visibilidade desses clubes por não mostrá-los na tevê aberta. Acho que para um projeto a médio e longo prazos, não é interessante virar time de pay per view, pois isso diminui a possibilidade de se aumentar substancialmente a torcida, que deve ser o principal objetivo de marketing de um time grande brasileiro.

Fale com o Ministério de Esportes

Você concorda que a tevê ganhadora da concorrência do Clube dos 13 tenha exclusividade na transmissão dos jogos, ou gostaria que mais emissoras de participassem do bolo, o que daria a ais equipes a possibilidade de serem transmitidas pela tevê aberta?

Você acha que deveria haver uma cláusula para que a partida do líder do campeonato tivesse de ser obrigatoriamente transmitida ao menos durante um terço das vezes? Isso ao menos garantiria um certo mérito esportivo nas transmissões de futebol pela tevê.

Se tem algo a dizer sobre o assunto e quer enviar a sua sugestão para Orlando Silva, o Ministro dos Esportes, fique à vontade:

Envie ao Ministro Orlando Silva sua opinião sobre a transmissão do futebol pela tevê


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