Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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O título ficou com o time que teve mais coração. E fé

Santos lidera o forte Campeonato Paulista desde 1955

Na reunião que iniciou o G4 Paulista, em Santos, fiz um texto sobre aquele que seria o melhor time do mundo. Somei os títulos, os torcedores e os grandes craques dos quatro grandes clubes de São Paulo e ficou evidente que poucos países têm um futebol tão poderoso. Sim, apenas de Mundiais e Libertadores, são oito de cada. Portanto, o Campeonato Paulista, só pelo nível técnico e pela rivalidade desses quatro times, foi e ainda é importante. E se você pegar a história, então, nem se fala. A grandeza dos clubes de São Paulo foi alicerçada por esta competição. O sucesso que o Santos conquistou no Estadual, de 1955 até hoje, é extraordinário!

Basta lembrar que ao terminar o campeonato histórico de 1954, ano do IV Centenário Paulistano, o Corinthians saltava na liderança dos Paulistas com 15 títulos, contra 12 do Palmeiras, sete do São Paulo e apenas um do Santos, aquele conquistado em 1935. Mesmo vencendo o campeão nos dois turnos de 1954, o Santos ainda era considerado a quarta força do Estado, um tipo under dog, um bicão que tentava achar um lugar em uma festa para a qual não tinha sido convidado.

Com o título de 1955, e a geração que veio a seguir, o Santos conquistou 11 títulos em 15 anos, firmando-e entre os grandes do Estado. Como se a história do futebol paulista virasse de cabeça para baixo, de 1955 para cá o Santos ganhou 20 títulos, contra 14 do São Paulo, 12 do Corinthians e 10 do Palmeiras. Destes 20, 10 tiveram a colaboração de Pelé, mas outros 10 foram conquistados sem o Rei.

Também é importante lembrar que de todas as edições do Paulista, desde 1902, o time que mais vezes fez o artilheiro da competição foi o Santos, em 24 campeonatos, contra 22 do Corinthians, 16 do São Paulo e 12 do Palmeiras. Com três tricampeonatos e três bicampeonatos, o Alvinegro Praiano também é aquele que conquistou mais competições seguidas. Outra primazia é a de vencer oito títulos em uma década só, a de 1960.

Na lista dos 10 maiores públicos do Paulista – o menor deles com mais de 110 mil pessoas -, o Santos aparece seis vezes. O Corinthians participou de sete; São Paulo e Palmeiras de três. Um detalhe: os maiores públicos de São Paulo e Palmeiras na competição foram obtidos em jogos contra o Santos.

Hoje há competições mais importantes para os clubes paulistas, como o Campeonato Brasileiro, a Copa Libertadores e, para poucos felizardos, o Mundial Interclubes. Há também a Copa do Brasil, para a qual o Santos já voltou suas atenções e está treinando firme para jogar nesta quarta-feira à noite, no Norte do Paraná, contra o Maringá (em, jogo transmitido pela TV Bandeirantes). Porém, a importância do Paulista, a competição mais antiga e que ainda mantém grande carisma e rivalidade, não pode ser ignorada.

Creio que só mesmo quando um time fica muito tempo sem vencer o Paulista – como ocorreu com o Santos de 1984 a 2006 – é que seus torcedores sentem como é importante ser campeão diante de seus maiores rivais. E rivais que sempre jogam o campeonato com suas equipes titulares, como ocorreu novamente em 2015. É claro que sempre sobrará para os perdedores a desculpa de que estavam mais interessados em outra competição mais importante, como a Copa Libertadores ou mesmo a Copa do Brasil, disputadas simultaneamente ao Campeonato Paulista.

Porém, nada impede que um time, caso seja realmente superior aos demais, vença o Paulista e também a outra competição que estiver disputando, como ocorreu com o Santos em 2010, quando se tornou campeão do Paulista e da Copa do Brasil ao mesmo tempo, e em 2011, quando, com uma diferença de dias, venceu novamente o Paulista e também a cobiçada Copa Libertadores.

Veja este vídeo histórico, produzido por Wesley Miranda, sobre o título do Santos de 1955:

No vestiário, depois do título, em meio à festa, tinha jogador querendo voltar aos treinos só na terça-feira pela manhã, mas Marcelo Fernandes marcou treino para segunda, às 15 horas. Sinal de que o time agora vai em busca do título da Copa do Brasil. Veja:

Tiago Leifert e Globo Esporte SP mostram que a TV Globo, quando quer, pode fazer um ótimo jornalismo esportivo

Ao contrário da ironia, da provocação, da exaltação bajulatória que permeia quase todas as matérias esportivas da nossa imprensa, o filme sobre a final do Campeonato Paulista produzido pela equipe do programa Globo Esporte SP, dirigido por Tiago Leifert, foi baseado, como ele mesmo definiu, no amor de santistas e palmeirenses às suas camisas, aos seus times. Um trabalho de muita sensibilidade, de quem ama o futebol e entende que todos os clubes merecem o mesmo respeito, o mesmo carinho. Este filme é uma lição para todos nós que, em um momento ou outro, nos deixamos levar pela rivalidade e esquecemos que do outro lado há adversários – não inimigos – que amam seus times com a mesma força que amamos o nosso. É por programas como o Globo Esporte SP de hoje e por jornalistas criativos e humanos como Tiago Leifert que acredito que a TV Globo ainda entenderá que o futebol brasileiro só voltará a ser um dos melhores do mundo quando os privilégios acabarem e os nossos grandes clubes tiverem o mesmo tratamento.

Clique aqui e assista a obra-prima que foi o filme do Globo Esporte SP sobre a final do Campeonato Paulista de 2015.

Robinho buscando inspiração em Pelé antes do jogo:

Veja a festa do título pela lente de Ricardo Saibun/ Santos FC:
Lucas Lima, Robinho e David Braz


O time que mais ganhou paulistas na era profissional do futebol

O título ficou com o time que teve mais coração. E fé

Quando o primeiro tempo terminou, o Santos vencia por 2 a 0 e o título parecia apenas uma questão de tempo. Mas quando o Palmeiras marcou o seu gol, aos 19 minutos do segundo tempo, todos os fantasmas do passado pareceram assombrar a Vila Belmiro. Mesmo com jogador a mais, o Santos parecia receoso de ir com tudo para o ataque e permitir ao adversário o gol do empate que lhe daria o título. Ao final, com a disputa de pênaltis no gol onde estava torcida do Palmeiras, outra conquista parecia estar prestes a escapar das mãos do Alvinegro Praiano. Mas aí surgiu o coração e a fé.

A torcida incentivou o goleiro Vladimir a cada pênalti, ele pegou a cobrança de Rafael Marques. Jackson também acertou o travessão. E com dois erros, o Palmeiras só torceu contra os santistas, em vão. David Braz, Gustavo Henrique, Victor Ferraz e Lucas Lima marcaram, decretando a vantagem decisiva nos pênaltis e dando o 21º título paulista ao Santos.

Foi um título com a cara do Santos, que praticou o futebol mais vistoso, terminou com o ataque mais positivo (36 gols) e o artilheiro da competição (Ricardo Oliveira, 11 gols). Essa conquista fecha uma década extraordinária do Santos no Campeonato Paulista. Desde 2006, quando foi campeão depois de 17 anos de fila no Estadual, o Santos já foi campeão seis vezes e conseguiu mais três vice-campeonatos. Ou seja: desde 2006 o Glorioso Alvinegro Praiano só não foi campeão ou vice do Paulista em 2008, quando o título ficou com o Palmeiras.

A conquista dá ao Santos um prêmio de R$ 3 milhões, que certamente servirá para aliviar a pressão das dívidas do clube. Ela não esconde alguns problemas do time e do clube, mas melhora muito a motivação da equipe e certamente melhorará ainda mais o ótimo ambiente entre os jogadores e a comissão técnica.

Nas entrevistas, Robinho falou que o Santos “tem tudo” para ser campeão da Copa do Brasil e também fazer um bom papel no Campeonato Brasileiro. Bem, ele entende mais de futebol que a gente. Tomara esteja certo.

Clique aqui e diga se havia motivo para expulsar Geuvânio. No máximo, cartão amarelo para Geuvânio e Dudu, o que expulsaria o palmeirense mas deixaria o santista em campo.

Dois tempos distintos

Mais ofensivo, o Santos criou melhores oportunidades até que aos 29m13s uma bola chutada apara a frente por Valencia encontrou Robinho livre, mas em condição. Este tocou de primeira para David Braz, que penetrava pelo meio da área e só teve o trabalho de empurrar para as redes.

Nervoso, o Palmeiras não conseguia trocar muitos passes e deixava uns buracos na sua defesa. Aos 43 minutos, depois de um tiro de meta de Vladimir, Robinho tocou, Ricardo Oliveira ganhou a dividida, penetrou, dominou a bola na coxa e tocou de primeira na saída de Fernando Prass. 2 a 0. O placar que o time precisava para ser campeão.

Antes do intervalo, porém, ocorreu um lance que poderia praticamente ter definido a partida. Geuvânio e Dudu se enroscaram e foram ao chão. No máximo o árbitro Guilherme Ceretta de Lima deveria dar cartão amarelo aos dois jogadores. Porém, se fizesse isso, o palmeirense seria expulso, pois já tinha amarelo, e o rápido Geuvânio ficaria em campo. No entanto, o árbitro preferiu fazer média e deu cartão vermelho direto para os dois jogadores.

Como na semifinal do Campeonato Brasileiro de 1995, no Pacaembu, os santistas não foram ao intervalo ao fim do primeiro tempo, preferindo ficar em campo, sentindo a vibração da torcida. Porém, quando a bola voltou a rolar, o jogo parecia outro. Werley, que voltava ao time depois de contrair dengue, saiu de maca e foi substituído por Gustavo Henrique.

Aos 13 minutos Zé Roberto acertou um chute no ângulo, que Vladimir espalmou para escanteio. Aos 16 minutos o palmeiras já tinha tido sete escanteios na partida, contra apenas um do Santos. O domínio do visitante era claro. Valdívia continuava sem uma marcação especial e parecia evidente que dos seus pés poderiam sair boas jogadas de ataque para o Palmeiras.

Aos 19 minutos Valdívia recebeu na entrada da área e eu um passe medido para Lucas. É muito difícil dizer se a posição do atacante palmeirense é legal, mas, em dúvida, o bandeirinha não pode mesmo interromper a jogada, e Lucas penetrou e chutou fraco, mas pegou o goleiro Vladimir no contra-pé.

O gol palmeirense tornou a partida bastante tensa, pois do jogo que estava iria para os pênaltis, mas um gol para qualquer lado provavelmente decidiria o título. A 15 minutos para o final Victor Ramos foi expulso por receber o segundo cartão amarelo. Um minuto depois o técnico Oswaldo de Oliveira tirou Valdívia e colocou o zagueiro Jackson. Era evidente que o Palmeiras tentaria segurar a derrota mínima para decidir tudo nos pênaltis.

Mas Marcelo Fernandes também estava preocupado. Preferiu tirar Valencia e colocar Leandrinho. Em seguida, tirou Robinho e colocou Cicinho. Mesmo com um jogador a mais, o Santos não conseguia se impor e aos 42 minutos Amaral fez o gol de empate, aproveitando uma rebatida de Vladimir. Porém, o jogador estava impedido e gol foi corretamente anulado.

Aos 44 minutos Ricardo Oliveira teve a bola do jogo nos seus pés. Penetrou livre, pela meia esquerda da área, e na saída de Fernando Pras tentou bater de esquerda, rasteira, na paralela, mas o goleiro conseguiu defender. Não teve jeito. A decisão ficou para as cobranças da marca do pênalti.

Os palmeirenses pareciam mais animados para os tiros diretos, mas a partir do momento em que Vladimir defendeu a segunda cobrança, de Rafael Marques – rasteira, no seu canto direito -, o ambiente ficou tremendamente favorável aos santistas. Depois, Jackson ainda acertou o travessão. Apenas Clayton Xavier e Leandro Pereira marcaram para o time da capital. Por outro lado, pelo Santos, David Braz, Gustavo Henrique, Victor Ferraz e Lucas Lima converteram, o que fez com que Ricardo Oliveira nem precisasse fazer a última cobrança.

A vitória foi justa, assim como o título. O triunfo ganha mais importância quando se sabe que desde 2006 o Alvinegro Praiano tem estabelecido uma sólida hegemonia no Campeonato Paulista, outrora tão difícil de ser conquistado. Mais do que completar seis títulos – e três vices – nas dez últimas edições do Estadual, com este título o Santos passa a ser o clube paulista com mais títulos estaduais na Era Profissional, ou seja, desde 1933.

Maiores campeões paulistas na Era Profissional (desde 1933)

1 – Santos, 21 títulos
2 – São Paulo – 20 títulos
3 – Corinthians – 18 títulos
4 – Palmeiras – 17 títulos

Por fim, cumprimento não só jogadores e comissão técnica, como a direção de futebol do Santos, que soube remanejar o elenco de tal maneira que a folha de pagamentos foi reduzida em 50% e mesmo assim o time se mantém competitivo – e campeão. Parabéns!

Torcida do Palmeiras quebrou 45 cadeiras

A torcida do Santos se comportou exemplarmente e não causou nenhum prejuízo ao belo estádio palmeirense. Mas a recíproca não foi verdadeira.
Clique aqui e leia que a torcida do Palmeiras quebrou 45 cadeiras do estádio da Vila Belmiro, mas o presidente Modesto Roma diz que não vai cobrar o prejuízo.

Atuações dos santistas

Vladimir – Defendeu o pênalti cobrado por Rafael Marques e também fez ótima defesa em chute longo de Zé Roberto. Foi pego no contra-pé no lance do gol e espalmou uma bola para dentro da área no lance do gol anulado do Palmeiras. Cresceu na hora da disputa por pênaltis. 8.

Victor Ferraz – Atacou melhor do que defendeu. Incansável, correu até o final. Marcou seu gol na disputa por pênaltis. 7.

Werley – Não estava cem por cento, mas se empenhou o máximo que pode. Saiu de maca no início do 7 segundo tempo. 5.

David Braz – Bem na defesa e melhor no ataque. Fez o primeiro gol do jogo, penetrando pelo meio para receber o passe de Robinho, e fez a cobrança de maior responsabilidade dos santistas, logo depois do gol de Clayton Xavier. 8.

Chiquinho – Apoiou melhor do que defendeu. De regular para bom. 6,5.

Valencia – Apesar de suas limitações, brigou muito pela bola e, mesmo sem querer, deu excelente passe para Robinho no primeiro gol. 6.

Renato – Sóbrio, mas eficiente. Pareceu cansar um pouco no final, quando faltou gás ao Santos para se aproveitar de ter um jogador a mais e definir o jogo. 6,5.

Lucas Lima – Não reeditou suas melhores atuações. Mas mesmo assim armou boa parte das jogadas ofensivas do time. 7.

Geuvânio – Vinha bem até ser expulso. Sua velocidade, habilidade e explosão muscular seriam um perigo constante para o Palmeiras, caso não fosse, erroneamente, expulso de campo. 6,5.

Ricardo Oliveira – Fez um belo gol, típico de centroavante que acredita na jogada, e marcou presença na área adversária. Poderia ter decidido o título aos 44 minutos do segundo tempo, mas chutou fraco para a defesa de Fernando Prass. Nem precisou cobrar o seu pênalti, o último dos cinco. 7.

Robinho – Não marcou nenhum, mas participou dos dois gols do Santos. Fez o máximo e saiu exausto. Chorou ao ser campeão pela primeira vez na Vila Belmiro. 7,5.

Dos que entraram, Gustavo Henrique não comprometeu e teve personalidade na hora de cobrar o seu pênalti. 6,5. Leandrinho e Cicinho entraram mais para fechar o meio de campo e, se possível, participar dos ataques. Não comprometeram, mas não tiveram tempo para ter nota.

Marcelo Fernandes – O técnico santista manteve o time com três atacantes e talvez tenha sido prudente demais quando teve a vantagem de um jogador. Aos 35 minutos do segundo tempo poderia ter colocado Gabriel ou Elano e colocado o time mais em cima do Palmeiras, mas preferiu não arriscar. Bem, dizem que um bom técnico também precisa ter sorte. 7.

Santos 2 (4) x 1 (2) Palmeiras
—– Santos, Campeão Paulista de 2015 —–
Vila Belmiro, 16 horas, 03/05/2015, domingo
Público: 14.662 espectadores. Renda: R$ 1.555.280,00.
Santos: Vladimir; Victor Ferraz, Werley (Gustavo Henrique), David Braz e Chiquinho; Valencia (Leandrinho), Renato e Lucas Lima; Geuvânio, Robinho (Cicinho) e Ricardo Oliveira. Técnico: Marcelo Fernandes.
Palmeiras: Fernando Prass; Lucas, Victor Ramos, Vitor Hugo e Zé Roberto; Gabriel (Amaral) e Robinho (Cleiton Xavier); Rafael Marques, Valdivia (Jackson) e Dudu; Leandro Pereira. Técnico: Oswaldo de Oliveira.
Gols: Santos: David Braz, aos 29 minutos do primeiro tempo, e Ricardo Oliveira, aos 43 minutos do primeiro tempo.
Palmeiras: Lucas, aos 19 minutos do segundo tempo.
Pênaltis: Palmeiras: Cleiton Xavier (gol), Rafael Marques (goleiro), Jackson (trave) e Leandro Pereira (gol)
Santos: David Braz (gol), Gustavo Henrique (gol), Victor Ferraz (gol) e Lucas Lima (gol)
Arbitragem: Guilherme Ceretta de Lima, auxiliado por Emerson Augusto de Carvalho e Alex Ang Ribeiro.
Cartões amarelos: Valencia e David Braz (Santos); Valdivia, Gabriel e Lucas (Palmeiras).
Cartões vermelhos: Geuvânio (Santos); Dudu e Victor Ramos (Palmeiras).

Um detalhe que a mídia certamente não vai lembrar

Como já disse antes neste post, o Santos saiu de uma fila de 21 anos sem títulos Paulistas – o último tinha sido em 1984 – para não só ser campeão em 2006, como iniciar dez anos de uma hegemonia histórica, em que conquistou seis títulos e foi três vezes vice. O detalhe é que o time que venceu hoje não tem nenhum remanescente daquele que venceu a Portuguesa por 2 a 0, também na Vila Belmiro, e comemorou o título. A equipe que enfrentou a Lusa na última rodada de 2006 era formada por Fábio Costa, Ronaldo, Ávalos e Wendel; Fabinho, Maldonado (Heleno), Cleber Santana, Léo Lima (Rodrigo Tabata), e kléber; Geilson (Magnum) e Reinaldo. O técnico era Vanderlei Luxemburgo.

E pra você, o que representa mais este título Paulista do Santos?


Uma aula rápida de jornalismo esportivo

Como se sabe, Seedorf acaba de renovar com o Milan. Antes disso, porém, muitos aqui no Brasil deram como certa sua contratação do pelo alvinegro da capital paulista.

O caso nos dá uma oportunidade de analisar o que é certo e errado no jornalismo esportivo. O correto seria divulgar a notícia como ela realmente é e deixar claro a diferença entre o interesse do clube e a confirmação da contratação do jogador.

Será que este caso Seedord reflete apenas a ânsia pelo furo que acomete os profissionais inexperientes, ou os não profissionais? Ou é mais um episódio de forçação de barra para manter o clube em questão em evidência? Nunca se saberá…

Veja, ouça e tire suas próprias conclusões:

O QUE UM JORNALISTA NÃO PODE FAZER

AGORA, A ATITUDE CORRETA

http://youtu.be/sueCTNcCQOE

Como hoje muitos veículos de comunicação não exigem qualquer formação específica de seus “comentaristas”, ao menos deveriam inscreve-los em um curso de Português e de técnicas e ética jornalísticas. O público seria bem melhor informado. Concorda?


Tiago Leifert: “Ganso no Corinthians foi notícia plantada”


Tiago Leifert, uma lufada de ética na imprensa esportiva brasileira. Novatos, aprendam com ele.

Em palestra na Uninove, Tiago Leifert, apresentador do Globo Esporte, que tem contato pessoal com o 10 da Vila, define como “falsas” as notícias de que Seedorf e Paulo Henrique Ganso já tinham assinado com o Corinthians. Sobre o Ganso, ele completa dizendo que a informação foi “plantada”.

Pois é. E quando eu escrevi que o Lance estava mentindo, alguns “jornalistas” de lá e seus amigos quiseram que a Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo tomasse “uma providência” contra mim. Que ridículos! Aprendam a fazer jornalismo sem inventar, sem puxar saco de time mais popular para vender jornal.

Eu é que deveria pedir que a Aceesp fosse mais rigorosa com relação à ética de nossa profissão. Quem desse uma notícia falsa deveria ser punido por isso.

Abaixo, trecho da palestra de Tiago Leifert na Uninove. Quem lê este blog sabe que admiro o profissionalismo, a criatividade e a irreverência deste rapaz desde que o assisti pela primeira vez apresentando o Globo Esporte. O moço tem personalidade. Dá-lhe Tiago!

O que você acha de “jornalistas” que plantam notícias?


Tiago Leifert volta de férias e dá um basta na campanha anti-Neymar: “ENTÃO CHEGA, VAI!”

Se os programas esportivos tivessem a alegria, o bom humor inteligente e o culto ao futebol bonito que se vê no Globo Esporte apresentado por Tiago Leifert, o futebol brasileiro seria tratado com menos recalque, seria bem mais gostoso de se ver. Hoje o jovem apresentador voltou de férias e já deu um basta no caso Neymar.

Um dos jornalistas que mais cedo identificou no Santos do primeiro semestre uma equipe excepcional, Tiago Leifert cansou de fazer belas e divertidas matérias com os Meninos da Vila e seu programa foi um dos responsáveis pela grande popularidade dos jovens jogadores santistas.

Coincidentemente, enquanto este paulistano de 30 anos (22/05/1980) esteve de férias, tratando de uma contusão no joelho, o mundo desabou sobre a cabeça do Menino de Ouro do Santos. Hoje, no dia da volta, Tiago já deu o tom certo para lidar com o assunto – tom que por descuido, incompetência ou intenção mesmo, escapou de alguns decanos da crônica esportiva.

“Voltamos já para falar sobre o inimigo público número um, hahahahaha”, anunciou o apresentador e em seguida gargalhou, apresentando o bloco principal do programa, que após os comerciais falaria de Neymar.

Depois, enquanto as imagens do chapéu, do passe de calcanhar, das assistências e do belo gol de Neymar eram transmitidas, Tiago disse que o garoto participou dos quatro gols do Santos e elogiou o seu talento.

Disse ainda que Neymar “errou feio”, mas já tinha sido punido e a punição estava de bom tamanho. Não entrou em detalhes, não citou mais nenhum nome.

“Como pegaram no pé do Menino!”, exclamou. E em seguida, enquanto caminhava para a câmera, no final do programa, concluiu: “Então chega vai!”.

Faço minhas as palavras deste jovem e brilhante apresentador, alguém que veio arejar os programas de futebol do Brasil: “ENTÃO CHEGA VAI!”

Tiago Leifert e Neymar jogando videogame no Globo Esporte. Dois jovens se entendem


Som na caixa. Vamos comemorar o título paulista com muita alegria!

Tiago Leifert e o Globo Esporte entenderam o espírito dos Meninos desde o início

Hoje a aceitação é maior, mas, no início, poucos jornalistas entenderam o espírito alegre dos Meninos da Vila. A felicidade, o sorriso, a dança, incomodam muita gente. A imprensa esportiva, como se sabe, é um campo fértil para radicais, agressivos, preconceituosos e machistas. Mas houve quem, desde o início, entendeu que futebol não precisa ser só palavrão, xingamento, marcação cerrada no meio-campo e entradas desleais.

Desde o princípio ficou visível que o novo Globo Esporte, apresentado por esse cara simpático e competente que é o Tiago Leifert, tinha sacado qual era a dos Meninos. Enquanto outros canais gastavam uma eternidade para falar de outros times, na vã esperança de ganharem audiência oferecendo o mesmo de sempre, o Globo Esporte tratou os Meninos da Vila e o Santos com o carinho e o respeito que merecem. Tiago e sua equipe foram extremamente profissionais, sem perder o bom humor.

Ontem, no primeiro programa após o título, era de se esperar que fizessem a melhor e mais criativa homenagem aos bravos e atrevidos campeões paulistas de 2010. Homenagem que também é dedicada ao próprio programa e a alguns santistas da Rede Globo, que entram na dança.

Então, só nos resta aumentar o som da caixa e entrar também na pista para comemorar o título no estilo dos Meninos. Faça da sua sala, do seu quarto, do seu escritório, o campo dos seus sonhos e dê uma gingada aí e agora em homenagem aos campeões.

E o legal do Santos é que até o técnico é um DJ!


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