Como santistas, é claro que queremos o título mundial com todas as forças. Olho a enquete aí do lado direito do blog e vejo que 30% dos que votaram, quase 350 pessoas, acham que não há nenhuma possibilidade de o Santos deixar escapar a sua terceira estrela, mesmo para a formidável equipe do Barcelona. Meu lado torcedor também confia na vitória. Mas, ao se analisar time por time, não dá para ficar tão otimista.

Bem, antes da provável decisão com o Barça, o Santos terá de enfrentar o Kashiwa Reysol, do Japão, na manhã da quarta-feira (horário do Brasil). E o que esperar do time do técnico Nelsinho Baptista e dos brasileiros Jorge Wagner e Leandro Domingues?

No mínimo correria e muita disposição não deverão faltar à equipe japonesa, que se valeu dessas armas para equilibrar o jogo contra o Monterrey, do México, e buscar a classificação na disputa de pênaltis. Mas não estão apenas bem motivados.

Os dois jogadores brasileiros, mais técnicos, jogam preferencialmente na meia e por eles passa toda jogada de ataque do Kashiwa. Jorge Wagner atua entre o meio e a esquerda, tabelando e virando o jogo com passes longos; enquanto Leandro é um atacante que joga recuado e tem autorização para tentar as arrancadas pelo meio da defesa adversária. Ambos devem ser bem marcados.

Como a resistência física é uma das qualidades do time japonês, seria ideal que o Santos conseguisse uma vantagem de, digamos, dois gols, logo no primeiro tempo, o que obrigaria o adversário a atacar e abrir mais buracos em sua insegura defesa.

Enfim, por mais que o exemplo do Mazembe deixe os favoritos com as barbas de molho, não dá para imaginar o Santos sendo surpreendido pelo Kashiwa. Na tática e no físico podem se equivaler, mas a diferença técnica é muito grande.

Como vencer o Barcelona

A expressão do técnico Muricy Ramalho ao analisar a atuação do Barcelona na vitória de 3 a 1 sobre o rival Real Madrid já disse tudo. O técnico santista só faltou coçar a cabeça e abrir os braços, como quem diz: sei lá como vamos ganhar desses caras…

Confesso que também fiquei muito bem impressionado com o rendimento do Barça no clássico espanhol. Impressionado com a precisão dos passes, com a inteligência das jogadas, com a união mortal entre a rapidez, a eficiência e a tranquilidade. Sim, porque ter uma dessas qualidades todo time grande tem, mas unir todas é que são elas.

Quando avança, o Barcelona tem opções nas duas extremas e no meio, o que deve enlouquecer qualquer defesa. Por isso, por mais que alguns apostem em um jogo aberto, não creio que o Santos deva correr o risco de dar espaços a adversário tão perigoso.

Contra o Real Madrid, uma jogada que se repetiu, sempre com a mesma eficácia, foi a penetração de Messi pela meia-direita, seguida do passe aberto para Daniel Alves cruzar, de curva, pegando o atacante de frente para o gol. Isso acontecia porque Marcelo avançava e deixava um boulevard às suas costas. Durval não pode incorrer nesse erro.

E o problema do Barcelona é que se Messi está bem marcado, Iniesta pode fazer diabruras pela direita. E ainda há Xavi, David Villa… De qualquer forma, Messi requer mais cuidados. Mesmo quando não vai pra cima da defesa contrária, é ele quem dita o ritmo do ataque e passa tranqüilidade ao time.

A defesa e a soberba – pontos fracos do Barça

A defesa do Barcelona não tem a mesma categoria ou eficiência de seu ataque. Mas às vezes acha que tem. E é aí que mora o perigo para os espanhóis. O gol do Real Madrid saiu justamente de um passe errado na defesa do Barcelona. E outras oportunidades surgiram quando o ataque de Madrid pressionou a saída de bola do melhor time do mundo. Esta é uma atitude que pode trazer dividendos também ao Alvinegro Praiano.

Neymar, Borges e Paulo Henrique Ganso, ajudados por Elano, precisam apertar os zagueiros do Barça, que são avessos a dar chutões e preferem sair jogando de pé em pé. Só que Puyol, Piquet & Cia costumam confessar quando pressionados.

(Se técnico do Santos eu fosse, não colocaria os atacantes em cima dos zagueiros logo na saída de bola. Daria um espaço para que eles se sentissem relaxados e depois, em um sinal, avançaria Neymar, Borges e Ganso em cima deles, de uma vez só. Creio que ficariam apavorados).

Outra maneira de furar a defesa espanhola, como bem mostrou o Getafe, é na velha e versátil bola parada. Nos escanteios ou cobranças de falta sobre a área, as presenças de Edu Dracena e Durval podem ser muito úteis (mas que o Santos tenha um esquema armado para se recompor rapidamente na defesa, pois o contra-ataque do adversário é desesperador).

Estranhei ao ver o time do decantado José Mourinho abrir-se tanto contra seu temido rival. Em determinado momento, o Real Madrid parecia não obedecer a tática alguma, mas apenas à ansiedade de chegar ao gol a qualquer preço. Vi Cristiano Ronaldo querendo resolver tudo sozinho, depois vi Kaká tentar alguma coisa, mas a defesa do Barcelona conseguia isolar os atacantes do Real, de forma que não pudessem tabelar. Fiquei com a impressão de que o ataque do Santos poderá conseguir mais do que Cristiano Ronaldo, Kaká e seus companheiros.

Que outros dividam a responsabilidade com Neymar

Não sei se é tão evidente que Pepe Guardiola não dará liberdade a Neymar. No clássico espanhol, Cristiano Ronaldo teve liberdade para dominar a bola e avançar com ela. Não acho, porém, que Guardiola correrá o mesmo risco em um jogo que pode decidir tanto e contra um adversário que ele não conhece, mas respeita.

Como marca por zona, acho que o Barcelona reforçará a cobertura na ala direita de sua defesa, precavendo-se dos repentes de Neymar (e de uma potencial expulsão de Daniel Alves). Mas, por outro lado, pensando com a cabeça de Muricy, creio que o Menino de Ouro terá liberdade para flutuar no ataque, deslocando-se constantemente para embananar a marcação. Se ele, Borges e Ganso trocarem de posição de vez em quando, já será suficiente para tirar a tranqüilidade dos zagueiros.

Porém, o Santos não pode esperar que o terceiro título Mundial venha apenas da genialidade e da personalidade vencedora de Neymar. É preciso que outros assumam a responsabilidade de buscar a vitória. Borges é um artilheiro, tem de batalhar pelo espaço e pelo arremate o tempo todo; Ganso pode decidir com seus passes, seus chutes de fora da área e suas penetrações; Danilo também já nos deu grandes alegrias indo pra cima da defesa contrária e batendo a gol com extrema felicidade; Elano é outro que pega bem na bola; Arouca pode ser o chamado elemento surpresa, como nas finais do Paulista e da Libertadores…

Enfim, do meio para frente o Santos não poderá e não deverá respeitar demais o Barcelona. Até porque o forte do Santos é o ataque e o ponto fraco do inimigo é justamente a sua defesa. Concordo que a recíproca é verdadeira. O que pode fazer a diferença é que o Santos tem consciência disso. Enquanto os zagueiros alvinegros despacharão o perigo sem nenhum pudor, os do Barça tentarão mostrar que são tão craques como seus atacantes. E nessa diferença de postura pode estar a brecha que levará o Santos à vitória e ao título tão esperado.

E para você, quais são as chances do Santos no Mundial?