Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: torcedor de futebol

Ingresso: até quando o torcedor terá de sofrer tanto por ele?


Teve gente que ficou oito horas na fila para garantir seu lugar amanhã. E nem todos conseguiram.

Na maior parte do tempo os jogos do futebol brasileiro são deficitários, cuja arrecadação não paga as contas. E quando surge a oportunidade de um evento concorrido, como será Santos e Táchira, amanhã, no Pacaembu, parece que todo mundo é pego desprevenido, como se nunca tivessem vencido ingressos antes.

A simples tarefa de dar ao torcedor o que ele quer, que é o ingresso, vira uma tortura. Os pontos de venda na capital abriram apenas um guichê para atender a milhares de pessoas, que tiveram de ficar na fila, tomando sol, por horas a fio. Muitas delas voltaram para suas casas, em locais distantes do Estado, sem conseguir o tão sonhado bilhete para ver o jogo.

O Santos ainda facilitou as coisas, colocando um serviço de vendas de ingressos para sócios pela Internet. Quem sabe se este sistema, mais desenvolvido, possa um dia vender todos os ingressos de uma partida, poupando o tempo e as deslocações do torcedor.

Fiz questão de recolher alguns comentários recebidos por este blog. São autênticos, de pessoas exaustas pela batalha que tiveram de lutar para conseguir um lugar no Pacaembu. Outros, infelizmente, de torcedores frustrados por voltar para casa sem a entrada que lhe daria a felicidade de ver o seu time do coração jogando na competição mais importante do continente.

Peço que leia os depoimentos a seguir e, se quiser, também dê o seu sobre este caso que é inconcebível, ainda mais para um país que está a apenas três anos de organizar uma Copa do Mundo:

Boa noite Odir. Consegui comprar meu ingresso no Pacaembu, mas levei 8 horas, isso mesmo 8 horas pra comprar um ingresso.A culpa não foi da fila, que, aliás, estava grande mesmo, mais sim da falta de estrutura. Nunca tem ninguém pra organizar, sempre quem faz é o próprio torcedor. Com isso eu cheguei às 10 horas e só consegui comprar às 18 horas. No começo eram apenas dois guichês, um monte de gente furando fila, pois não tem ninguém pra controlar. Mas apesar de tudo isso, quarta estou eu lá. Saudações.
Magrão

Falta mobilização???
Depois de 8, isso mesmo, 8 horas na fila pra comprar ingresso no Canindé, somente um guichê funcionando, e depois das 6 da tarde é que chegaram mais 2 caras pra ajudar. Um puta desrespeito com o torcedor. Mas agora, com ingressos na mão, vamos pra cima deles SANTOS!!!! Não falta mobilização. A fila no Canindé estava enorme. Falta respeito com o torcedor.

Ivonar

Simplesmente lamentável e uma vergonha tudo que ocorreu na venda de ingressos hoje em São Paulo. Esta empresa irresponsável pela venda é safada e canalha! Eu comprei meu ingresso em Barueri após 4 horas na fila, onde uma zé mané trabalhava em um único guichê!
No Pacaembu e no Canindé a situação foi mais caótica ainda. Não adianta marketing e quetais quando não conseguem sequer vender ingressos de forma correta e sadia para um torcedor que demonstrou mobilização para o jogo e disposição de pagar um preço absurdo para estar lá e incentivar o time.
Relato: Um torcedor morador da Casa Verde, que estava na fila comigo, chegou ao Pacaembu às 10 horas e saiu às 15 horas!!!! de lá sem que a fila tivesse se movido 10 METROS!!! De lá se dirigiu a Barueri, chegando às 16 horas.
MENOS MARKETING E MAIS VERGONHA NA CARA. HONESTIDADE E RESPEITO PELOS TORCEDORES! JÁ!!!!
Saudações

Ricardo Rodrigues

Caro Sr. Odir…
Peço licença para usar o seu blog para reclamar.
Moro em Várzea Paulista (60 KM de SP), fui no Canindé comprar meus ingressos, pois eu iria com toda a família, chegando às 9 da manhã. Uma fila de 400 pessoas. Começou a vender os ingressos por volta de 11 horas. Pois eu fiquei com minha esposa até as 16h40m e não consegui comprar os ingressos. Volto pra casa totalmente indignado, cansado, frustrado e com a certeza de que não vou ao Pacembu.
Colocaram apenas uma pessoa no guichê para vender. Esta demorava cerca de 10 minutos (que absurdo) pra atender uma pessoa, alegando sistema demorado. Outra coisa: a toda hora pessoas cortavam a fila e o policiamento (2 ou 3 policias) nada fazia. Quando foi 16h30m chegou a notícia de que o sistema caiu.
Fica uma impressão de que eles não querem vender o ingresso para apenas uma pessoa. Fiquei o dia todo no sol e não consegui comprar os ingressos.
Outra coisa: avisaram que só era permitido 3 ingressos por pessoas, mas vimos pessoas saindo com 20 ou mais ingressos.
Sr. Odir como que nossa torcida pode ficar maior, se quando estamos entusiasmados com o time e queremos apoiar nos estádios, acontece isso???

Cabelo

Para começar: um absurdo um sócio contribuinte conseguir comprar apenas 1 ingresso através do site, enquanto “qualquer” pessoa (cambistas) pode ir até a bilheteria e comprar 3.
Se sou sócia, quero comprar do meu companheiro também. É ridículo!
Sócio paga meia? Autoriza comprar 1 meia e 2 inteiras pelo site. Isso não seria problema controlar.
Hoje o sócio é obrigado a esperar seus amigos garantirem os ingressos e depois comprar a sua meia pelo site. Não vejo beneficio nenhum nisso. Esse é o único beneficio de um sócio contribuinte: comprar 1 ingresso meia pelo site….grande coisa…O santos precisa facilitar para o torcedor ir ao estádio e não fazer o que faz hoje.
Quer os jogos cheios? Tratem o torcedor com um respeito maior, começando pela venda dos ingressos.

Maeva

Uma vergonha ontem…
Fiquei no Canindé das 13 às 19h30m e não consegui comprar ingresso.
É uma vergonha o que fazem com o torcedor.
A policia mandava o povo bater nos cambistas.

Carlos Eduardo

E você, também já sofreu para comprar ingressos? Como solucionar isso?


O bom técnico ouve a torcida

Dizem que depois do jogo Adilson Batista disse que não escala jogador porque a torcida quer. Se ele fosse o Mourinho, e ganhasse um título importante por ano, e fosse considerado o melhor técnico do mundo, eu ainda acharia a frase prepotente. Mas, vindo de um treinador que em dez anos de carreira só ganhou um campeonato potiguar,com o América de Natal; um catarinense, com o Figueirense e dois mineiros, com o Cruzeiro, a opinião soa de uma arrogância atroz.

Grandes técnicos tiveram a humildade e ao mesmo tempo a sabedoria de ouvir o clamor das massas. Foi pela pressão da opinião pública que Vicente Feola lançou Pelé e Garrincha no terceiro jogo da Copa de 1958; que Zagallo finalmente deu um jeito de encaixar cinco camisas 10 na imortal Seleção de 70 (Jairzinho, Gérson, Tostão, Pelé e Rivelino, todos camisas 10 em seus clubes de origem) e Telê Santana formou um meio-campo com Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico.

Parece que quando coloca um jogador no time que a torcida gosta, Adilson trabalha contra ele, para que não dê certo e ele possa dizer: “Viu como eu estava certo?”. A implicação com Felipe Anderson mostra isso. Ontem o garoto estava muito bem no primeiro tempo. Não errou mais do que ninguém e criou boas coisas, não precisava ter saído para a entrada de Alan Patrick.

Não sei o que faz um técnico de futebol, que aparentemente é um bom sujeito, um cara tranqüilo, agir com tanto autoritarismo. Talvez o salário e a alta multa rescisória dêem aos técnicos esse topete para fazer o que bem entendem e desafiar a torcida, os dirigentes e os próprios jogadores.

A contratação de Adilson Batista, depois que ele tirou o Corinthians do caminho do título brasileiro, para mim foi incompreensível. Um dos maiores erros dessa diretoria. Em Santos há pessoas, como o veterano ídolo Pepe, ou mesmo Serginho Chulapa, que montariam um Santos melhor e mais de acordo com a filosofia do futebol santista.

Mas Adilson ainda tem tempo de corrigir as muitas falhas que vem tendo. É só fazer um exame de consciência e admitir que seu método de trabalho, que sua visão do futebol, não são tudo isso que ele acha que é. Se fosse, certamente não teria um currículo profissional tão insatisfatório.

Que não caia na armadilha de achar que só porque está ganhando muito dinheiro para ser técnico e está treinando um grande time brasileiro, depois de treinar outros dois, já se tornou um gênio do futebol. Cada time tem seu espírito, seu DNA, e Adilson, ao contrário de Dorival Junior, ainda não captou a essência do Santos.

O elenco pode ter suas limitações, e as tem, mas o grande técnico é aquele que consegue fazer jogar bem e com harmonia, mesmo elencos limitados, e o técnico ruim é o que só consegue trabalhar com um time de craques – o que, convenhamos, até minha vovozinha consegue.

O único que sofre nessa situação toda é o torcedor. Ele só dá, nada tira do clube. Seu vínculo é permanente. Não pede demissão, não é demitido, não tem salário nem multa rescisória. E continua torcendo e apoiando o time, mesmo quando não é ouvido por técnicos que se julgam os donos de uma verdade que, se existe, vive somente no coração desse torcedor.


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