Blog do Odir Cunha

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Um projeto inviável financeiramente

Por Tana Blaze, direto da Alemanha

Já em 4 de dezembro de 2015 Marcelo Teixeira, numa entrevista a Armando Gomes, disse que priorizaria um investimento na Vila Belmiro a um investimento no Portuários. A despeito de sua opinião, o Santos, presidido por seu afilhado, assinou uma carta de intenções com uma empresa aparentemente fantasma, a TBZ, sem atividade conhecida nos últimos seis anos e cujo acionista ultimativo, através do Banco Efisa, seria o senhor Miguel Relvas, que tentaria ocultar a sua participação porque, quando membro do governo português, foi suspeito de der participado da privatização do Banco Efisa a seu benefício e que era taxado em Lisboa como “abridor de portas na África e no Brasil”, onde transitava também com uma clientela que hoje é a do Lava Jato. Pelo jeito nenhum dos 300 membros do Conselho Deliberativo não se importou durante meses em saber quem era a TBZ.

Numa entrevista à ESPN em 26/08/2016, Marcelo Teixeira declarou novamente que prioriza um estádio no ABC a um no Portuários. Parece um replay, porque dias depois dessa entrevista Modesto Roma ultimou a formação da comissão de membros do CD para “acelerar a construção do estádio no Portuários”.

Ninguém acredita que Marcelo Teixeira não possa evitar o projeto financeiramente inviável e que não tenha nada a dizer no Santos, principalmente depois que convocou José Carlos Peres para uma primeira reunião, para depois mandar o Modesto contratá-lo. Pode até parece que o ex-presidente apoia o projeto do Portuários, mas ficaria dizendo que é contra, para no caso de uma falência futura do Santos, que se configuraria pelo risco cambial da obrigação assumida pelo clube, alegar “que foi contra” o projeto. Tampouco acredito que esta comissão tenha como objetivo premeditado recomendar o arquivamento do projeto para salvar a face do Modesto.

Aliás falando da TBZ, nos dias da apresentação do projeto ao CD o Lucas Musetti, que escreve para a Globo, cita a TBZ como um dos três membros do consórcio da seguinte forma: “O projeto tem participação das empresas Fernandes Arquitetura, Conexão 3 e o grupo português TBZ”.

Não sei se alertado por comentários neste blog sobre a TBZ, ou porque o “Fundo Americano“ exigiu o óbvio, que não necessitaria deste comensal inútil e o Musetti, desafiado por um twitter, desconversou sobre a TBZ pelas redes sociais: “Atualizei a nota. Me precipitei, amigos. Por enquanto, só Conexão 3 e Fernandes”, ou seja, a TBZ estaria fora.

Lucas Musetti já se fez de porta voz da desinformação do presidente do Santos, quando escreveu que “antes de avançar por uma arena e apresentar o projeto aos conselheiros nesta terça-feira, o Santos estudou a construção de um estádio em São Paulo. As condições, porém, não agradaram.” Ridículo achar que Modesto Roma tenha estudado a construção de uma arena em São Paulo.

A mídia está sendo usada para apresentar uma foto açucarada atrás da outra para animar o apetite pelo estádio, mas não dedica frase sequer sobre qual será o valor da taxa que o Santos deverá pagar por jogo e mês.

Pontos que detonam o projeto

Como prognosticamos em nosso último post, o mais fácil parece ser arranjar investidores para o projeto. Com a possibilidade de ver pago todo o investimento pelo Santos e poder, durante 30 anos, deixar-lhe apenas 12,5% da renda líquida (suponho renda após desconto da taxa a ser paga pelo estádio, ou seja, quase nada ou nada), tendo a possibilidade de se ressarcir pela receitas televisivas e, num caso extremo, podendo lucrar com uma possível privatização do clube no caso de falência deste, os investidores parece que estão fazendo fila. Mal os “investidores ingleses” caem fora, entra o “fundo americano”.

Os pontos questionáveis deste projeto são:

A – Apresentação do projeto ao CD/ Desinformação e inépcia

Lendo os blogs e artigos na mídia sobre a apresentação do projeto ao Conselho Deliberativo nota-se que três dos principais pontos críticos do projeto não foram sequer ou devidamente comentados, devendo se desconfiar que as respectivas informações não foram cobradas pelos conselheiros:

Primeira: o Modesto teria dito que o Santos não será obrigado a jogar no estádio. Parece claro então, que o Santos terá que pagar a taxa da mesma forma, ou seja, ao invés de taxa por jogo, pagaria taxa por mês ou por ano, porque nenhum investidor vai enterrar 450 milhões de reais sem exigir retorno. Resta, portanto a questão fundamental de quanto o Santos será obrigado a pagar pela arena, resposta não obtida pelos conselheiros, mas que o Modesto conhece, porque já andou dizendo que a taxa a ser paga seria “igual à taxa a ser paga pelo Pacaembu”.

Segunda: Como o financiamento vem de um fundo domiciliado nos Estados Unidos, é de se esperar que a taxa a ser paga pelo Santos seja denominada em dólares ou euros, ou que esteja sujeita à cláusula de correção cambial. Uma definição sobre o risco cambial também não foi obtida, embora o Modesto a conheça, porque é à base da oferta do “Fundo Americano”.

Terceira: Pertencendo os direitos de parte do terreno ao Portuários até 2080 e outra parte definitivamente à Portuguesa Santista, como seria possível o Santos tornar-se proprietário do estádio ao cabo de 30 anos, se partes serão consideradas depreciadas em terreno de terceiros? O que diz a legislação a respeito? Uma questão que teria que ser definida antes de se iniciar o projeto.

A falta de dados concretos referentes a estes pontos essenciais e conhecidos pela gestão numa apresentação de várias horas indica, além da descomunal desinformação por parte do presidente, também o despreparo e a inépcia do CD, que como um todo parece não estar à altura do desafio, eventualmente com alguns dos seus membros chave cooptados, como foi o Peres.

B – Cifras enganosas

Projetar um preço médio de ingresso médio de 82,00 reais é enganação. Em entrevista dada na véspera da reunião do CD à Tribuna (“Conselheiros do Peixe conhecem nesta terça projeto…”) Modesto disse que se previa o estádio ter uma lotação de 23.000 a 24.000 espectadores. No mesmo dia em que foi publicada a entrevista, em 23 de agosto de 2016, o mesmo Modesto apresenta ao Conselho Deliberativo uma expectativa média de 18.000 –19.000 espectadores.

Parece que nas 24 horas entre a entrevista e a reunião alguém o alertou o Modesto de que pegaria mal apresentar uma lotação média de 24.000 espectadores e que seria melhor disfarçar a inviabilidade econômica da arena através um preço médio de ingresso irreal de 84 ou 82 de reais.

A desinformação poderia ter evoluído da seguinte forma:

24.000 espectadores x ingresso médio a 62 reais = cerca de 1, 5 milhões de receita média por jogo.

18.000 espectadores x ingresso médio a 82 reais = cerca de 1,5 milhões de receita média por jogo

C – Renda mínima de 1,5 milhões de reais por jogo ou de 3 milhões por mês?

Este jogo de cifras permite suspeitar que para indenizar os investidores será necessária uma RECEITA MÉDIA MÍNIMA de 1,5 milhões de reais por partida, sempre lembrando que esta receita seria o mínimo para satisfazer os investidores, porque o Santos com “12,5% das receitas liquidas” por partida não vai levar nada. Ou que o Santos simplesmente tenha que pagar o valor de duas partidas por mês, perfazendo 3,0 milhões de reais por mês, independentemente do fato de jogar no estádio ou não.

Se a renda média por partida não atingir 1,5 milhões de reais o Santos tenderá a levar prejuízo e ter que sacrificar parte das receitas televisivas para indenizar os investidores durante 30 anos. Seria o haraquiri puro, um grande passo para eliminar o Santos do clube dos grandes e, como veremos adiante, combinado com uma desvalorização cambial, para a falência, possibilitando o takeover do Santos por investidores, sejam os mesmos do estádio ou outros.

Na hipótese de uma anuidade de 36 milhões de reais a ser paga (3 milhões vezes 12), o Santos repagaria sozinho todo o investimento aos investidores, proporcionando-lhes uma taxa de 6 a7 % ao ano e, além disso, os investidores levariam grande parte do lucro das receitas de alugueis de lojas, catering e outros. O Santos pagaria para todos.

Podemos discutir se isso é muito caro ou não. Mas mesmo se não considerássemos caro, o estádio dificilmente vai gerar as receitas para cobrir a taxa que o Santos terá que pagar.

D – A confidencialidade

Se, como foi alegado em blogs, o Modesto tiver informado que a identidade dos investidores seria revelada no caso os conselheiros aprovassem o projeto, se consumaria a falta de vergonha suprema por parte dos dirigentes do Santos. Nesse caso, o presidente acharia que o Santos seria como um noivo/noiva, que é obrigado a casar no escuro para depois de algemado por 30 anos poder pela primeira vez na vida desvendar a cara e o caráter do conjugue.

Evidentemente o presidente tem medo de revelar o nome dos investidores agora, e estes também não desejam se identificar, porque receiam que a sua simples identidade seja motivo para o descontinuamento do projeto. Também a turma do Odílio e a Doyen tinham medo de revelar o teor dos contratos para ocultar o caráter agiota de suas operações.
Se o Santos fosse um clube soberano, o investidor teria que bater na porta e apresentar o seu cartão de visita abertamente.

E – Um conglomerado explosivo

O Palmeiras estaria lutando na justiça em no mínimo SEIS fronts, a saber: 1) Venda dos assentos numerados; 2) Custos das obras do clube social; 3) Danos causados pelos atrasos e desconformidades das obras do clube social; 3) Questões quanto aos jogos realizados no Allianz Parque; 4) Prestações de contas dos jogos realizados no Allianz Parque; 5) Questões econômicas relacionadas entre o programa sócio torcedor do Clube e a Escritura Pública de Direito e Superfície, 6) Adequação das receitas repassadas pela Real Arenas ao Palmeiras.

Ressalte-se se que todo esse imbróglio jurídico, altamente oneroso para as partes, ocorre num projeto de rentabilidade espetacular, com UMA ÚNICA INTERFACE, entre o Palmeiras e o Grupo WTorre, já que os demais parceiros, como a Traffic e a AEG, que caiu fora, não importam.

O Santos monta um projeto de baixa ou nenhuma rentabilidade e explosivo pelas suas MÚLTIPLAS INTERFACES, com cinco entidades querendo dividir os lucros: o Fundo Americano, a construtora, o Santos, a Portuguesa Santista e o Portuários e, talvez, uma sexta, a TBZ. Destes cinco, quatro entidades querendo passar os custos e eventuais prejuízos para o Santos, o único da turma capaz de gerar receitas. Três proprietários de terreno. Três clubes com direito de jogar no estádio, isto se os investidores não trouxerem outros clubes para compensar a falta de receitas.

F – Proliferação de estádios num raio de um quilômetro

Serão construídos ou renovados três estádios, o do Portuários, o da Portuguesa Santista e a reforma da Vila Belmiro. Todos obsoletos, nenhum multiuso verdadeiro com campo rolando para fora e o Portuários e a Vila Belmiro elitizados com camarotes para tentar gerar o máximo de receitas, deixando a jovem torcida com menos dinheiro de fora.

Como o estádio do Portuários não terá rentabilidade significativa, é de se esperar que serão programados shows em número substancialmente maior em relação aos quatro por ano anunciados. O gramado não suportará, vai se botar grama sintética, como acaba de fazer o Atlético Paranaense e como se pensa em fazer no Allianz Parque, sendo talvez por essa razão que a Vila Belmiro seja renovada para o Santos jogar lá. O Santos jogando na Vila, mas pagando outro estádio usado para os shows em grama sintética. Coisa de louco.

A maluquice de três estádios novos ou renovados no raio de um quilômetro reflete a visão de esportes cartoleira do Modesto Roma, que é a de camarotes para convidar os amigos com estacionamento ao lado. Enquanto que a base que poderia gerar receitas expressivas permanece em campos precários.

Numa empresa mediamente profissionalizada, bastaria apenas um desses pontos citados para vetar o início de projeto. O trágico é que isto não ocorre no Santos e aparentemente muitos conselheiros foram “trabalhados” para aderirem ao projeto, sem contar com aqueles que são passivos e ineptos.

Possível falência do clube se houver desvalorização cambial

Caso houver cláusula de correção cambial da taxa a ser paga pelo Santos por jogo ou por ano, o que de é se esperar por ser o fundo domiciliado no exterior, qualquer desvalorização cambial expressiva da moeda brasileira nos próximos 30 anos deverá catapultar o Santos a uma situação falimentar.

Neste caso os investidores irão penhorar tudo ao qual o Santos tem direito e na situação falimentar decorrente seria de se esperar que ofereçam o perdão de parte das obrigações do Santos de pagar a totalidade da taxa, unicamente contra uma transformação do clube em Sociedade de Cotas e venda do clube a um investidor profissional (se não forem eles mesmos).

Os associados do Santos e os conselheiros se veriam diante de duas opções: Ver o Santos definhar e se transformar em um novo Guarani, ou Glasgow Rangers, ou aceitar a extinção do clube na sua forma jurídica atual e refunda-lo como sociedade privada de cotas, para que possa ser vendido.

Pasmem: o comprador só aceitará o negócio se o “fundo americano“ aceitar desvincular o clube de parte de suas obrigações com o estádio, porque pretenderá ganhar dinheiro em São Paulo e ressuscitar o que restar do potencial da torcida no Planalto Paulistano.

A situação em que o Modesto e seus cooptados conselheiros fieis estão pretendendo colocar o Santos atrai especialistas do ramo, sempre interessados em comprar alvos desvalorizados e mal administrados em relação ao seu potencial, para depois valorizá-los. O momento de aquisição se oferece muitas vezes numa situação falimentar ou pré-falimentar. O novo proprietário do Santos eliminaria os Conselhos e Comitês ineptos do clube, colocaria uma administração profissional e faria o Santos jogar diante da sua maior torcida para ganhar dinheiro.

Não digo que este seja o objetivo atual de alguém, nem mesmo do “fundo americano”, mas o Santos seria (já é) um alvo apropriado para um takeover, porque o valor da sua marca, da sua história e da sua torcida está bem acima do valor contábil do clube, que só tem dívidas e é solapado por uma administração pífia atrás da outra. Uma situação que atrai especialistas do ramo, sempre interessados, repito, em comprar alvos desvalorizados por má administração em relação ao seu potencial, para valorizá-los.

Formas societárias com estatutos falhos, que não garantem uma administração profissional, promovem o arbítrio e não protegem contra desmandos e a ignorância dos seus dirigentes são, como no reino animal, condenadas à extinção, um processo puramente darwiniano.

Neste momento grave conviria se preocupar com as próximas eleições

Neste contexto surge a questão do José Carlos Peres, que aderiu à administração que promove o estádio. Não tenho informações, mas seria até possível que o Peres tenha sido contratado para tratar com o “Fundo Americano”. Mesmo se não for o caso, chegou a hora de tecer considerações sobre ele, porque outra razão da sua contratação poderia ser que o Marcelo Teixeira o pretenda lançar como seu candidato às próximas eleições presidenciais.

Em setembro de 2013 fui procurado na Alemanha pelo entrementes falecido empresário Jose Luciano de Carvalho, da ONG Santos Vivo e um dos coordenadores da campanha do Peres. Conversei umas oito horas com o Luciano e com a sua esposa e em certo momento ele disse que DUAS PESSOAS, o JOSÉ CALIL e eu mesmo, tínhamos que trabalhar no Santos do Peres como presidente. Não sei se disse isto pela boa comida e pelo ambiente simpático, mas me senti honrado pra cachorro.

Depois daquela conversa, nada empreendi, não fui ao Brasil para mostrar minha cara, nem me tornei sócio do Santos. Achei que foi uma ótima conversa, mais do que isso, inesquecível, uma das muitas grandes histórias que gosto de lembrar. Tampouco fui convidado para qualquer posto e o convite para integrar a chapa declinei, mesmo porque não tinha me tornado sócio.

Perguntei ao Luciano o que credenciava o Peres como candidato e ele respondeu que era o seu engajamento pelo Santos, exemplificando a cessão da casa para a subsede em São Paulo e que tinha ideias interessantes, principalmente quanto a uma liga com clubes norte-americanos para acessar o dinheiro televisivo dos Estados Unidos.

Em seguida, apoiei o Peres em alguns comentários, mas no decorrer dos meses não consegui vislumbrar qualquer ideia vindo dele que fosse digna de nota, além da retórica habitual das campanhas eleitorais. Não dá para alongar aqui, mas o negócio da liga com os americanos sobre a qual está trabalhando há anos, me parece de realismo limitado.

Quando deu as entrevistas em campanha eleitoral, disse duas coisas que me preocuparam. Primeiro de como resolveria a questão da dívida do Santos e segundo que achava que o futebol não poderia prescindir dos investidores em direitos econômicos de jogadores.

Venho do setor financeiro e comensais como a DIS, a Doyen, TBZs jamais serão minha prioridade. Sei que custam caríssimo. O Peres, apesar de ter trabalhado em banco, não é propriamente do ramo, passou a vida inteira com analista de sistemas.

Supõe-se que o Peres tenha competência de agregador, posta a prova no G4-Paulista, mesmo que esta congregação não tenha importância, porque está sintonizado há anos com o presidente da FPF e CBF Marco Polo Del Nero através do Palmeiras e com a Rede Globo através do Corinthians. O último vexame dos quatro paulistas sempre controlados pelas duas federações, ocorreu há poucas semanas. Todos os clubes grandes brasileiros, até mesmo o Flamengo, cobraram através de oficio, participação nas decisões da CBF, que a Lei do Profut lhes confere, ameaçando em caso contrário acioná-la na Justiça. Exceto os quatro paulistas, que foram os únicos a não assinar o oficio. É este o G4.

Na verdade, a característica do Peres parece ser a de se enturmar com os fortes do momento, sejam as federações, outros clubes, ou investidores. Acaba atuando conforme as ideias da turma. E apesar da sua competência agregadora e do seu passado valoroso para o Santos, não o vejo como candidato ideal à presidência do clube. Me preocupou sobretudo a sua proximidade com a Doyen.

A proximidade de Peres com a Doyen

Já em novembro de 2014, nas entrevistas de campanha eleitoral à Tribuna e ao Ademir Quintino, o Modesto Júnior havia lembrado que “tem outro (o Peres) que durante a eleição de 2009 já trocou de lado e afinou com a atual diretoria (Laor-Odílio) pretendendo ficar em seu cargo no G4 Paulista, ou seja, ele é pelo poder transvertido de novo“.

Logo depois no seu post “Nem forasteiros, nem provincianos. SANTISTAS! Feliz Natal a todos!” o Odir escrevia que: “(O Peres) intercedeu para que a Doyen Sports fizesse o empréstimo de seis milhões de reais (ao Santos dirigido por Modesto) e está a postos para ajudar no que for preciso. Só não quer cargos e nem salários. Quer apenas ajudar“.

Na retrospectiva, vê-se que o Modesto caracterizou o Peres de forma mais precisa, pois acabou reincidente na sua recente virada de lado. Abandonou aos que liderava, dos quais cobrava fidelidade até por mail, abandonou as causas defendidas pelo grupo de oposição no CD, para doravante fortalecer a agenda contrária através do seu apoio a Modesto Roma.

Se um dia a Doyen concedeu um empréstimo de seis milhões de reais a juros decentes ao Santos, fê-lo para manter a vaca leiteira SFC na UTI e para apresentar um cartão de visita para o novo presidente Modesto. A Doyen estava preocupada em evitar que mais jogadores fossem à justiça, entre eles os cinco dos quais detinha participações. A oferta de empréstimo não foi um ato de filantropismo do Peres, mas um ato de defesa de interesses próprios por parte da Doyen.

Depois da comunicação da sua viagem a Madrid para apoiar a Doyen, não me surpreendeu a virada de lado para a situação. Para recordar, vou recorrer novamente a outro post do Odir.

No dia 3 de Abril de 2015 o Odir publicou o post “Em plena Madrid, Peres falará sobre a Espanholizarão”. “No dia 9 de abril, diante de dirigentes de grandes clubes europeus, entre eles Barcelona e Real Madrid, e da Uefa, Peres falará sobre a sagrada competitividade no futebol em um seminário internacional realizado em Madrid e criticará a “espanholização”.

Mas ao contrário do que o Odir escrevera, era evidente que o seminário em Madrid era patrocinado pela Doyen e tinha como objetivo único defender o TPO-Third Party Ownership = Investidores em direitos econômicos e absolutamente nada a ver com espanholização. O seminário foi nada mais que um ato de relações públicas destinado a influenciar o veredicto na primeira instância da Justiça Belga na queixa de que a Doyen havia movido contra a FIFA, pleiteando que a proibição dos investidores era ilegal. Contestei no ato com comentário no mesmo post e de forma mais detalhada num outro comentário feito após o seminário. A Doyen acabou perdendo na primeira instância como também na apelação, respectivamente em julho de 2015 e março de 2016.

Fontes mostram que neste seminário que ninguém falou de espanholização, nem mesmo o Peres. O discurso do Peres é citado da seguinte forma: “José Carlos Peres, executive director of G4 Paulista, finished by insisting: “Brazil cannot be left without investors. We’re here to fight for a good cause and we hope that things change.”

Ao contrário do que informava o post, Real Madrid, Barcelona e UEFA parece que não foram nem convidados, os advogados eram os mesmos que redigiram os contratos altamente lesivos ao Santos.

Também não sei se Xavier Tebas, presidente da Liga Espanhola, compareceu à reunião, pois não foi mais citado, mas, de qualquer forma, Tebas não necessitaria qualquer lição de espanholização de ninguém, muito menos de um Peres, porque foi ele, Tebas, que escrevera carta ao Parlamento Espanhol recomendando a proibição da negociação individual dos direitos televisivos.

Considero não ter sido muito correto com os leitores do blog, o fato do Peres não ter corrigido o equívoco do post do Odir e se deixado festejar como alguém que teria ido a Madrid, na toca do leão, para atacar a espanholização.

Mas o equívoco do post é secundário, relevante foi o apoio do Peres à Doyen. Meu repúdio aos investidores em direitos de jogadores já havia deixado no post “Uma proposta séria para tirar os “empresários” do futebol”, publicado em 13 de agosto de 2014, portanto três meses antes de o Peres defendê-los na sua campanha eleitoral e um ano antes de ir a Madrid.

No mais, a posição de Peres como amigo da Doyen espantou em todos os sentidos, visto que a FIFA banira o TPO os investidores em direitos em dezembro de 2014. Candidato a presidente do Santos tem de saber o que se passa no mundo. Mas o Peres foi a Madrid para ao lado do Twente e do Sevilla defender um cachorro morto e fazer lobby contra a FIFA e a Justica Belga. Por que?

Além do mais, os clubes do G4, que o Peres pelo menos no papel teria representado em Madrid, já haviam repudiado a Doyen. O Corinthians –pós MIS e o São Paulo se recusaram a trabalhar com a Doyen (leia “Parceiro do Santos em Damião foi recusado pelo SPFC”, Perrone 24.12.2013). O Palmeiras do Paulo Nobre, cuja Crefisa cobra juros entre os mais caros do mundo (Banco Central), não precisava de financiamento um setor que enriquece de forma semelhante.

O agravante é o fato de que a Doyen, naquele momento, já tinha efetuado operações ruinosas para o Santos – Damião, Geuvânio, Gabriel e Daniel Guedes – e o Peres se faz de amigo deles e aceita convite para ir à Madrid.

A tese do Peres de que os investidores eram insubstituíveis, que sempre foi furada, acabou provada como absurda pelo simples fato de os clubes brasileiros não terem maiores dificuldades depois da sua proibição. O Santos não teria podido comprar os direitos econômicos ou as respectivas opções de compra de Vitor Bueno, Copete e Jean Mota aos valores acordados, se existissem ainda os investidores atravessadores no mercado. Teria ter de pagar, no mínimo, o triplo pelos mesmos.

A partir do momento em que foi a Madrid, cheguei à conclusão de que o Peres não seria meu candidato à presidência do Santos. Ceder casa, atuar na unificação dos títulos são, inquestionavelmente, pontos de grande mérito, mas não qualificam ninguém a ser presidente.

Tana Blaze é o pseudônimo de um alto executivo brasileiro que vive na Alemanha. Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião do proprietário do blog. No entanto, o blog concorda com as críticas à inviabilidade financeira da parceria entre o Santos e um investidor para se construir uma arena próxima à Vila Belmiro.

A resposta de José Carlos Peres

Recebi, por e-mail, a resposta do amigo José Carlos Peres ao texto de Tana Blaze, a quem não conheço pessoalmente, mas considero também um santista de valor. Fico em uma situação delicada, pois não quero censurar ninguém aqui no blog, mas também não gosto de ver pessoas que admiro em situação de litígio. Entretanto, os debates são normais na democracia e se esses debates podem esclarecer situações obscuras do nosso clube, são bem-vindos. Com relação à arena de Santos, concordo plenamente com Tana Blaze, acho mesmo uma temeridade. Porém, com relação a José Carlos Peres, não concordo. Peres é um santista dedicado, competente e sério, ou não o teria apoiado para presidente do Santos. Bem, mas segue aqui a resposta de Peres ao texto acima. O espaço do blog está aberto para uma explanação mais ampla do Peres se ele julgar necessária.

05/09/16 00:31:32: Jose Carlos Peres: Amigos, nunca ouvi falar desta figura que se utiliza de um pseudônimo Tana Blaze. Fosse uma pessoa séria, utilizaria seu nome. Em relação ao Odir Cunha, que deu espaço a esta enfadonha figura, prefiro entender que já se pronunciou candidato à presidência do Santos e nesta matéria a figura oculta que reside, segundo ele mesmo, há muitos anos na Alemanha, quis me desqualificar para promover o candidato.

Sou amigo do Odir há muitos anos, inclusive entre nossas respectivas famílias, e não pretendo de forma alguma perder sua amizade. Desejo de coração que ele se candidate mesmo, seja eleito, e tenha o maior sucesso do mundo. Não sou candidato, mas como qualquer um de nós, posso ser, por que não?

Ao Tana Blaze, um conselho: Se quiser ser respeitado, pare de mentir, fazer ilações, usar o chutômetro em seus comentários. Use o seu nome próprio, mostre sua cara, isto é coisa de covardes. Nunca vi tantas mentiras gratuitas só para promover seu ídolo. Ele não precisa disso, afinal sempre utilizou de forma digna seu próprio nome e nunca comentou assuntos sem o devido conhecimento. Em suma: Você é uma farsa. Lamento!
José Carlos Peres, nome próprio, sempre responsável por tudo que fiz ou faço nessa vida!

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Conheça os tempos em que o Santos reinava no futebol mundial
odir e joel
Fui o último jornalista a entrevistar Joel Camargo, para o Museu Pelé. Dias depois ele foi internado na Santa Casa de Santos e faleceu em 23 de maio de 2014, aos 67 anos. Tive a felicidade de lhe tirar um sorriso quando lembrei que ele era uma das Feras de Saldanha na Copa de 70, pois as Eliminatórias fazem parte da Copa. Titular em todos os seis jogos do Brasil nas Eliminatórias, participou da partida de maior público oficial no País: a vitória sobre o Paraguai, por 1 a 0, no Maracanã, com 183.341 pessoas. Joel nasceu em 18 de setembro, um dia depois de mim. Somos ambos virginianos, um pouco chatos, exigentes, mas justos. A promoção dos livros nesse mês é uma homenagem ao inesquecível Joel.

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O Estatuto não protege o Santos dos seus dirigentes


Como o articulista Tana Blaze fala da grande torcida do Santos que já lotou os maiores estádios de São Paulo, lembramos esse gol de Serginho, abrindo uma vitória sobre o Flamengo, no Campeonato Brasileiro de 1983, comemorado por um Morumbi com mais de 100 mil santistas, na voz do grande Osmar Santos.

O ESTATUTO NÃO PROTEGE O SANTOS DOS SEUS DIRIGENTES

Por Tana Blaze, direto da Alemanha

O Santos é um dos poucos clubes do mundo cuja torcida em 1965-1970 foi uma das maiores, senão a maior no seu país, mas está regredindo ao pelotão médio do Brasileirão. É hoje um dos clubes mais endividados do Brasil, com receitas despencando percentualmente em relação às dos demais grandes, não tem CT moderno à disposição da base para usufruir da sua vocação de revelar jogadores, é o único dos grandes clubes brasileiros (considerando quatro cariocas, dois mineiros, dois gaúchos e o trio de ferro), que não tem estádio grande à disposição. É o clube que produziu o maior mico no futebol brasileiro e parece ser um dos poucos que registrou fraudes nas eleições, a primeira das carteirinhas falsas, talvez para solapar o quórum para a aprovação do voto à distância (cai nessa) e depois a do mesário. E tem um presidente que se elegeu com 26 % dos votos e prometeu em sua campanha eleitoral fazer jogar o time onde estivesse a torcida, especificamente no Pacaembu, para fazer exatamente o contrário.

Esta ficha decepcionante obriga concluir que a qualidade institucional do clube tem sido inferior a vários outros grandes. Conclusão que não pode ser refutada pelo número de títulos conquistados a partir do ano 2002 por duas razões. Primeira porque dos doze títulos conquistados, excetuados os três paulistas de 2006, 2007 e 2016, nove foram com Robinho e Neymar em campo, jogadores que o destino entregou em bandeja de ouro ao Santos, o Robinho desfilando o seu talento no Portuários e o Neymar na Portuguesa Santista, se restringindo o mérito da administração do Santos em fazê-los atravessar a rua e mantê-los por certo tempo.

A segunda razão é que as janelas de tempo nas quais o Santos, mesmo sem ter um raio em campo, é mais eficiente que seus rivais, como a da conquista do título Paulista de 2016, são curtas e deverão rarear no futuro. A concorrência passará a ser mais produtiva e a supremacia financeira dos rivais prevalecerá. O posicionamento frágil do Santos tornou-se visível mais do nunca quando no início deste ano viu vários zagueiros pelos quais se interessava serem contratados por outros clubes; as deficiências da zaga se fazendo sentir agora.

Claro que os presidentes do Santos empreenderam algumas obras boas, o que, todavia não passou de cumprimento dos seus meros deveres. Fato é que a despeito de alguns fatores negativos externos fora da influência do Santos, como a espanholização promovida pela política, e a convocação de seus jogadores para a Seleção durante torneios oficiais, os grandes atos de gestão ruinosa que levaram à degradação da posição do clube foram imputáveis ao seu executivo, seja a um Presidente, seja a um Comitê de Gestão.

Permitiram jogadores sair do clube sem gerar receitas, venderam jogadores abaixo do seu valor à DIS, ao Barcelona e à Doyen, contrataram um Damião. Hoje um presidente faz o Santos perder três anos ao pretender construir um estádio pequeno em Santos, aparentemente priorizando ter novos camarotes com estacionamento ao lado, mesmo que o Santos seria obrigado a tirar o time do seu principal mercado e maior centro econômico do hemisfério sul, que é o planalto paulistano.

O rosário de exemplos históricos de gestão ruinosa, todos insuficientemente controláveis pelas instâncias do atual Estatuto, mostram a inadequação do sistema quase absolutista de governança do Santos e do seu Estatuto, os presidentes e Comitês de Gestão fazendo o que querem, pouco respeitando a opinião dos sócios e da torcida.

O Odílio deu exemplo de como os presidentes têm desprezado a opinião dos torcedores, ao justificar outro dia ao Ademir Quintino, “que a contratação do Damião foi muito festejada pela imprensa e por TODOS”. Inverdade das grossas, porque não deve ter lido a mídia, nem o post no Blog do Odir do dia 10 de janeiro de 2014, os comentários do Nelson Jafet, Jair Sergio, Barbosa, Ricardo Gomes, Iwan Pereira, Rafa S., Evaldo, Silverado, Roberto, mac, Ricardo, Cleidson, Juliano-Smaug, Leo, para ver que uma maioria de santistas achava. Os opositores desesperados com a contratação do Damião deram goleada nos poucos que eram a favor.

Faltam ao Santos instâncias para coibir a libertinagem incontrolada do seu executivo

Existiriam duas instâncias que poderiam controlar as ações do Executivo, uma através de um CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, tão invocado por candidatos à presidência e comentaristas, e outra pelos CONSELHOS DELIBERATIVO e FISCAL já existentes, desde que tenham os devidos poderes, que o Estatuto atual lhes confere apenas em dose insuficiente.

Um CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, pelo menos no sentido habitual das grandes sociedades anônimas, que com milhares de empregados, produtos e presença em vários países, são indevassáveis como selvas, seria um órgão ocupado por personalidades que têm grande experiência na gestão de sociedades, incumbido em fiscalizar do topo a atuação da presidência e dos principais órgãos dirigentes, o respeito ao Estatuto e às leis, visando preservar os interesses vitais da empresa e dos seus acionistas. Não é um órgão que controla e aprova transações individuais do dia-a-dia. No mais, quaisquer outras funções específicas dependeriam de definições dos respectivos Estatutos, sendo que a simples etiqueta “Conselho de Administração” pode denominar funções e conteúdos diversos em diversos clubes brasileiros de futebol.

Há poucas semanas os santistas assistiram envergonhados que vários clubes assinaram contratos para a venda dos direitos de TV-paga ao Esporte Interativo ou à Globo, após aprovação dos seus respectivos Conselhos Deliberativos, ao contrário do Santos, que divulgou o acordo com o Esporte Interativo sem aprovação e nem mesmo consulta ao seu CD.

Não sei se os demais presidentes fizeram aprovar os contratos televisivos pelos seus Conselhos Deliberativos por mero bom senso e respeito aos conselheiros eleitos, ou se havia obrigação estatutária. Fato é que os dirigentes do Santos têm dado pouca bola à opinião de conselheiros.

Então será necessário armar os CONSELHOS DELIBERATIVO e o FISCAL do Santos com poderes estatuários explícitos para que possam aprovar/vetar as transações de grande impacto, como investimentos a valores expressivos, construção de estádios, venda de direitos econômicos de promessas (que têm sido objeto dos principais contratos lesivos) e outras.

Ao contrário de um Conselho de Administração, que fiscaliza do topo, o CONSELHO DELIBERATIVO, como órgão muito próximo ao dia-a-dia do clube, é adequado para o controle e aprovação prévia das operações individuais em cima da hora. O Santos não sendo uma grande sociedade anônima cotada na bolsa, pagando milhões de bônus a gestores que muitas vezes vêm de fora, poderia prescindir de um Conselho de Administração, bastariam mais poderes ao Conselho Deliberativo para dar conta do recado, como comprovado pelo atual Conselho Fiscal, que com poderes mínimos, vem fazendo um ótimo trabalho.

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A meu ver a doença do Santos tem dois focos fundamentais:

1- O excesso de poder incontrolado e conferido pelo Estatuto ao executivo, seja de um Presidente ou de um Comitê de Gestão

2- A potencial falta de legitimidade e representatividade do executivo, possibilitada pelo sistema eleitoral do Estatuto.

Antes de olhar para estes dois pontos, um capítulo sobre o tão falado Comitê de Gestão.

1- A ETERNA QUESTÃO DO COMITÊ DE GESTÃO

Em campanha para as eleições de Dezembro de 2014 vários candidatos à presidência do Santos comunicaram que tencionavam acabar com o Comitê de Gestão e substituí-lo por um Conselho de Administração. A ojeriza ao Comitê de Gestão deve basear no péssimo exemplo do Comitê de Odílio, que dispensou administradores, imaginando que seria capaz de dar conta do recado e conduziu o clube ao caos.

Mas o exemplo do Comitê do Odílio não prova muita coisa, porque também um presidente único, poderia, como o Odílio, demitir administradores profissionais competentes ou nomear maus administradores ao seu bel prazer. Se um Conselho do Santos fizesse uso do poder de vetar nomeações ou demissões de administradores feitas por um Presidente ou Comitê de Gestão, não faria bem em fazer uso excessivo deste direito, pois um clube não funcionaria com um Presidente ou Comitê de Gestão às turras com um administrador mantido contra a sua vontade.

O exemplo do Barcelona, que é gerido por um órgão colegiado de 14 a 21 diretores (Artigo 30, entre eles o presidente e vice-presidente) todos honorários e não pagos (Artigo 33), prova que um Comitê de Gestão e uma boa administração profissional são compatíveis. Um clube pode ter um Conselho de Administração, um Comitê de Gestão, um Conselho Deliberativo (que seria a “câmara de deputados dos associados”) e uma gerência profissional ao mesmo tempo, instâncias que se bem dosadas, não se excluem e podem se complementar.

A meu ver o Comitê de Gestão oferece a vantagem de que pessoas com competências de alto nível se sintam motivadas a prestar ajuda gratuita ao Santos. A desvantagem é o risco inerente de uma dinâmica de grupo, na qual seus membros deixem de assumir responsabilidade individual e o grupo se julgue onipotente, dispensando as opiniões dos seus administradores, de profissionais, de sócios e torcedores em blogs.

Sabemos perfeitamente em quais situações no mínimo cinco dos nove membros do Comitê de Gestão do Santos falharam, mas não temos a menor ideia a que ponto os sete membros nomeados pelo presidente tenham contribuído positivamente para as ações do Comitê, exceto nos raros casos de cisão tornada pública, como a contratação do Dorival Júnior apoiada pelos sete membros, enquanto que o presidente estava focado no Oswaldo Oliveira. Em outras palavras: conhecemos as misérias do Comitê de Gestão, mas não sabemos até que ponto sem ele a situação teria sido pior. Notou-se que entre os que se demitiram discretamente do Comitê de Gestão estavam os especialistas em finanças, Álvaro de Souza, Eduardo Vassimon, Luiz Fernando Vendramini Fleury e José Berenguer. Será que se viam em ”minoria”?

O ex-presidente Laor, já licenciado, chegou à conclusão que o Comitê deveria ser extinto. Imagino que a sua frustação reflita o fato de que ele mesmo se tornara paulatinamente inadequado como presidente, alguns membros do seu Comitê se despediam discretamente e a facção do Vila Rica, que também não primava pela competência, se rebelou. No fundo o Laor queria decidir tudo sozinho.

Porventura o Modesto tenha ainda a mesma opinião do Laor, pronunciada na sua campanha eleitoral. Mesmo que o Comitê tenha ajudado a sua gestão, recusando a contratação do Oswaldo Oliveira e patrocinando a o Dorival Júnior; o presidente deu várias mostras que querer reinar sozinho. Então ambas as opiniões, a do Laor e do Modesto são valiosas, mas também suspeitas, porque podem refletir apenas as suas frustrações e ambições autocráticas pessoais e a sua incapacidade de agir em grupo.

Uma das grandes confusões a respeito do Comitê de Gestão tem sido a ilusão de que ele se auto-controlaria. O que é um engano porque ninguém pode controlar a si mesmo, o Comitê nada mais é que uma presidência em forma de grupo, que devido a seu desempenho histórico precisa ser controlada.

Acho que o problema maior do Santos não seja a manutenção ou não do Comitê de Gestão, mas o excesso de poder incontrolado que tanto um Comitê de Gestão como um Presidente Único têm pelo Estatuto.

Não estou defendendo a manutenção do Comitê, apenas alertando que o seu mero fechamento, como proposto por vários candidatos à presidência, não vai por si só resolver os problemas do Santos.

Como neste comentário considero uma Presidência Única e um Comitê de Gestão como instituições similares, passarei a denominá-las conjuntamente por “P-CG“.

2- O ARTIGO N°90, A MEU VER O VERDADEIRO VILÃO DO SANTOS

O excesso de poder conferido ao P-CG é exemplificado pela pérola do Artigo n°90, que permite abusos ilimitados, chegando ao cúmulo de sublinhar, que para “QUALQUER TRANSAÇÃO” (como a compra de direitos econômicos de um jogador, como o Damião) a valor SUPERIOR a 20% das receitas orçadas (ou seja, não inferiores, mas superiores a cerca de 35 milhões de reais, com open end para as alturas!), haver necessidade apenas de “PARECER” (ou seja, não de aprovação) “POSTERIOR” (ou seja, não prévio) pelo Conselho Fiscal ao fechamento vinculativo da transação e isto somente para os “ASPECTOS FORMAIS E ÉTICOS“ (ou seja, não para o conteúdo econômico do mesmo).

O Artigo N°90 divide o Santos entre um P-CG com poder quase absolutista e uma espécie de Academia Belmirense de Letras, condenada a tomar chá com torradas e fazer belos discursos, mas sem quase nenhum poder, a não ser fazer vazar um ou outro fato na mídia e denominado por “Conselho Deliberativo”.

Sendo este Artigo expressão da mais delirante cartolice e responsável pelo fato dos P-CG do Santos terem tratado o clube como a casa da mãe Joana, estabelecendo ao seu gosto parcerias com agiotas, negociando direitos econômicos de jogadores aquém do seu valor, quase sempre para o prejuízo do Santos.

A alternativa ao sistema atual P-CG quase absolutista, seria um parlamentarismo mais perto da base dos sócios, com os conselheiros do Santos desempenhando o papel de parlamentares, com maiores poderes de aprovação e veto.

Como no clube lusitano Porto, cujo Estatuto em contraposição ao artigo N° 90 mafioso do Santos, pelo menos impõe no seu Artigo 116, que “obras ou empreendimentos que impliquem responsabilidades financeiras para além do exercício da sua gerência devam ser aprovadas pelos conselhos do clube”, subentende-se: previamente. Portanto no Porto não seria impossível um P-CG assinar um “contrato de empréstimo” para financiar a “compra” dos direitos de um Damião, ou contrato para construção de um estádio sem aprovação prévia dos Conselhos, porque ambos os contratos levariam à reponsabilidades financeiras além do exercício da sua gerência.

Há poucos artigos no Estatuto do peixe que limitam de forma clara e direta a competência do P-CG, como o N° 88 que impede onerar o patrimônio social ou a primeira parte do Artigo N° 91 que proíbe antecipar, nem comprometer as receitas por período superior ao do seu mandato. Ou faltam limitações quantitativas para certas transações ou os artigos em questão são ineficientes ou imprecisos como o N° 89 que se limita apenas ao orçamento e não abrange o mais importante, que são os gastos reais e a segunda parte esdrúxula do Artigo 91 sobre a “venda de direito federativos” sem os econômicos.

Os artigos com os quais o Conselho Deliberativo pode sancionar os dirigentes, como N° 68 e N°92 são necessários, mas não refrescam, porque sancionando um dirigente “a posteriori”, seja não aprovando suas contas, seja decretando o seu impeachment, ou punindo os dirigentes de arcar com o prejuízo causado, não ajudará o Santos, o dano já estará feito e os presidentes não terão patrimônio pessoal para cobrir os danos causados.

3- O MESSIANISMO ILUSÓRIO E PORQUE O CONSELHO DELIBERATIVO É O FUTURO DO SANTOS

Antes de cada eleição certos candidatos à presidência são elevados a salvadores. Mesmo assim as últimas gestões “salvadoras”, inclusive as que por curto espaço de tempo conseguiram manter bons times, deixaram o Santos em posição financeira e estratégica ruinosa.

A mania do torcedor de se autoconsolar com esperanças messiânicas quanto a candidatos à presidência e ao potencial de jovens jogadores, tem ofuscado a percepção da necessidade do aprimoramento institucional do clube pelo Estatuto, que poderia protegê-lo melhor das fraquezas dos seus dirigentes e aprimorar a sua eficiência.

Talvez seja por causa da absoluta falta de poder dos conselheiros do Santos, que a sua maioria se comporte de maneira passiva, quando não bajula o P-CG. Salvo exceções conhecidas, como o Celso Leite, que ousou questionar a compra do Leandro Damião e os 38 heróis que ousaram pedir em abaixo-assinado que no Brasileirão de 2015 uma partidinha ao menos fosse jogada no maior centro econômico e populacional do Hemisfério Sul, onde estão localizados 2,5 milhões de simpatizantes do clube.

Então porque dar maiores poderes para o controle das operações do dia a dia ao Conselho Deliberativo, se a sua maioria tem-se mostrado como um grupo de submissos e omissos, acatando as lambanças do executivo?

Por quatro razões:

Primeira: o CD é a única instância que pode salvar o Santos, não há outra.

Segunda: se forem atribuídos poderes de aprovação prévia ao Conselho Deliberativo, principalmente para transações de vulto e formadas algumas Comissões Permanentes para diversas áreas, é de se esperar que com o maior peso da responsabilidade os seus membros atuais e futuros abandonem a passividade e passem a se empenhar mais a fundo, elaborando posições próprias.

Terceira: o P-CG, desafiado por um poder de veto do CD, se empenhará mais a fundo em apresentar propostas bem elaboradas para qualificarem à aprovação pelo CD. Dividir melhor a responsabilidade entre o CG e o CD poderia resultar numa competição de qualidade para o benefício do clube.

Quarta: com a perspectiva de se poder decidir algo no CD, haverá um maior número de profissionais competentes motivados a ingressar no quadro de sócios do clube e nas chapas futuras para as eleições, o que deverá a longo prazo melhorar a qualificação tanto do CD, como da administração do Santos. ESTE PODERÁ SER O MAIS IMPORTANTE EFEITO DE UMA REFORMA DO ESTATUTO.

Caso contrário, não se poderá contar com qualidade no futuro CD. A cidade de São Paulo abriga o maior número de profissionais altamente qualificados no Brasil, mas qual profissional de alto nível seria bobo a ponto de descer a serra para participar de reuniões nas quais não pode decidir quase nada e ver um grupo provinciano menos qualificado fazendo longos discursos para matar o tempo, a fim de postergar uma votação, até o último ônibus parta para subir a serra?

4-A FALTA DE LEGITIMIDADE DO P-CG DEVIDO À DISCREPÂNCIA ENTRE O SEU PODER E A VONTADE DOS ASSOCIADOS

Boa parte dos associados é impedida de participar das eleições, porque não existe a possibilidade de voto à distância. Com poucas exceções, como as do Grêmio e do Internacional que implantaram o voto à distância, esta ilegitimidade afeta todos os clubes brasileiros, só que o Santos é um dos mais atingidos, devido ao grande espalhamento geográfico de sua torcida.

Acresce de forma dramática o fato singular, de que o Santos é o único clube grande brasileiro que tem sede numa cidade e a maior torcida em outra, cidades separadas por acidente geográfico de relevo, e a atual facção eleita por uma minoria de 26% dos associados, com apenas 35 votos na cidade de São Paulo, está regionalizando o clube contra a maioria dos torcedores, havendo risco real de regionalizar o voto, através do impedimento de uma votação à distância nas próximas eleições.

O que piora tudo é a possibilidade de se poder eleger no Santos um presidente com maioria apenas relativa e não absoluta, possibilitando uma disparidade suplementar entre a vontade dos associados e a distribuição de poder no clube, aliás, ilustrada pela atual presidência.

O atual Presidente, eleito legalmente, mas visivelmente beneficiado pela fraude e anulação da eleição do dia 6 de dezembro de 2014, que fez com que na segunda eleição de 13 de dezembro de 2014 não voltassem às urnas muitos eleitores do interior, obteve apenas 26 % dos votos dos associados e com a eliminação das Chapas Rollo e Nabil acabou posicionando cerca 37% de correligionários da sua chapa ao grupo dos Conselheiros Eleitos, mas domina 100% do Comitê de Gestão, através de conselheiros que ele mesmo escolhe. Estes em casos de incompatibilidade se demitem ou são exonerados e substituídos por mais dóceis.

Esta possível disparidade entre a vontade dos associados e o monopólio de poder do Presidente é o segundo grande problema do Santos, que evidentemente também resulta das lacunas do sistema eleitoral do seu Estatuto.

5-A REFORMA DO ESTATUTO

Os santistas não deveriam se distrair com a decisão acertada e desejada por quase todos de assinar com o Esporte Interativo, com as boas atuações do time e com a administração parcimoniosa do futebol pelo Dagoberto, que com menos dinheiro vem obtendo melhores resultados. Não há tempo a perder para aprimorar o Estatuto. A meu ver, qualquer reforma do Estatuto deverá incorporar:

Obrigação do voto à distância, atualmente apenas opcional, mas não exigida pelo Artigo N° 30.

Obrigação de maioria absoluta nas eleições a presidência, seja por um segundo turno, seja por votos preferenciais.

Ampliar o Estatuto para que nos casos em que a chapa vencedora obtiver mais que 80% dos votos, a que obteve o segundo maior número de votos, não importa com qual porcentagem, possa nomear os seus representantes a conselheiros, guardadas as porcentagens do resultado eleitoral, a fim de evitar efeitos nefastos do monopólio do CD da chapa vencedora, como no caso da chapa Resgate após a reeleição do Laor com 87% dos votos.

Obrigação do P-CG em submeter qualquer transação de vulto à aprovação prévia do CD, (fixando limites mínimos para os diversos tipos de transação).

Obrigação do P-CG em submeter qualquer venda de direitos econômicos de jovens promessas à aprovação prévia do CD (limitada a jovens que jogaram um certo número de partidas no time profissional ou que foram convocados para as Seleções Brasileiras sub).

Imposição da assinatura dupla, inclusive para o presidente dos Santos, tal como exige o clube lusitano Porto (artigos 120 e 121 do seu Estatuto) e o Grêmio para algumas transações (Artigo 83 VIII b “sempre em conjunto”).

Se fosse conselheiro do Santos, investiria todo o meu tempo articulando a introdução voto à distância obrigatório para as próximas eleições.

E você, o que acha do artigo de Tana Blaze?


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