Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Torneio Roberto Gomes Pedrosa (page 1 of 2)

Vitórias e derrotas são passageiras. Títulos são eternos


Cruzeiro, Santos, Palmeiras, Bahia, Fluminense e Botafogo: suas conquistas da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa foram garantidas com o reconhecimento dos títulos brasileiros de 1959 a 1970.

Os resultados que estamos vendo neste Campeonato Brasileiro – como a goleada sofrida pelo Flamengo para o Atlético Goaniense, ontem, no Engenhão, por 4 a 1 – confirmam a máxima de que no futebol ninguém morre na véspera. Não basta ser favorito no papel. É preciso comprovar em campo.

As surpresas, como também foram os empates de São Paulo e Palmeiras, fazem parte do universo do futebol e não devem ser recebidas com estupefação. É evidente que é preciso aprender a evitá-las. Porém, quando acontecem, só resta levantar a cabeça e partir para o próximo jogo.

Um grande time – e uma grande torcida – não podem se amofinar por um resultado negativo. Nem mesmo por uma série deles. Por mais que derrotas doam, são passageiras, não conseguirão diminuir a importância de um time na história. E isto não serve só para os santistas, que em um intervalo de um ano e meio comemoraram quatro títulos…

Veja o Bahia, que por alguns anos penou nas séries inferiores do futebol brasileiro, mas hoje está de volta, tão atrevido e grande como sempre. Veja ainda Palmeiras, Fluminense, Botafogo, que também passaram maus bocados recentemente, mas agora estão aí de novo entre os maiores do País, conquistando troféus importantes ou ao menos brigando por eles.

Nem é preciso lembrar o Cruzeiro, um dos melhores do país dos últimos anos, que costuma disputar, até as últimas rodadas, os títulos mais importantes do nosso futebol. Citei estes seis clubes de propósito, só para lembrar que há feitos históricos que se sobrepõem às instabilidades do momento.

Seis campeões de ontem. E de sempre

Lembro destes seis clubes porque eles foram os primeiros campeões do Brasil, aqueles que reinaram na era de ouro do nosso futebol – a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata, de 1959 a 1970. Como ontem, novamente estão entre os maiores hoje.

Isso apenas prova que as forças do futebol nacional não se alteraram dos anos 60 até hoje. Meio século se passou e todos os campeões do Brasil daquele período estão na seletíssima Série A do Campeonato Brasileiro hoje. Suas vitórias e derrotas ao longo do tempo não diminuíram sua grandeza. Apenas humanizaram e enriqueceram sua história.

Dossiê já está liberado para quem não fez cadastro

Esta noção da importância de cada clube não pode ser vista com lente de aumento, que supervaloriza os detalhes, mas não vislumbra o todo. É preciso ver de longe para que se possa avaliar com perfeição todo o caminho trilhado por uma agremiação. Esta é uma das propostas do Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros, que este blog está oferecendo para torcedores destes seis gigantes do futebol.

Se vivêssemos em um País que respeita a história – e as leis –, certamente José Carlos Peres e eu não precisaríamos nos embrenhar em mais essa empreitada, a de produzir o livro do Dossiê e tornar público um documento antes restrito às autoridades e técnicos da CBF que analisaram essa reivindicação.

Mas, infelizmente, moramos em um país onde leis pegam ou não pegam. E não se pode correr o risco de a Unificação dos Títulos Brasileiros, conquistada depois de tanto esforço, simplesmente voltar a ser ignorada pelos mesmos veículos de comunicação e jornalistas que tentaram apagar da memória coletiva a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

Por isso, mesmo sabendo que passo a impressão de estar legislando em causa própria, peço que ao menos os torcedores de Santos, Palmeiras, Cruzeiro, Fluminense, Botafogo e Bahia, tenham o Dossiê em mãos e o divulguem, e o recomendem aos amigos, pois só com a difusão do conhecimento é que fabricaremos a vacina contra o esquecimento histórico.

A partir desta sexta-feira, 19 de agosto, não é mais preciso fazer cadastro neste blog para adquirir o livro do Dossiê, uma obra finamente encadernada, com 323 páginas, oferecida a um preço de custo, com a facilidade de poder ser paga com boleto ou cartão de crédito e débito, e recebida em sua casa. Conto com você!

Confira a página especial do Dossiê: http://blogdoodir.com.br/dossie-unificacao-dos-titulos-brasileiros-a-partir-de-1959/

Você acha que a Unificação dos títulos brasileiros corre o risco de “não pegar”?


Time que ganha títulos, ganha torcedores. Quem perde, perde

O futebol tem verdades irrefutáveis. Uma delas é a de que time que ganha títulos, ganha torcedores. E a recíproca também é verdadeira. Quem não ergue taças, perde torcida. Ou perde ou ela deixa de crescer, o que dá na mesma. Toco neste assunto porque já ouvi um boato de que a torcida de determinado time continuou aumentando apesar dos 23 anos sem ganhar títulos. Não sei como tem gente que acredita…

Agora mesmo estava relendo o Dossiê da Unificação dos Títulos Brasileiros, que já estará à disposição dos interessados em dez dias, e reparei em uma informação importante: nos 20 jogos de maior público do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, justamente a competição nacional de maior média de público, o único clube paulista que aparece – e em seis jogos – é o Santos.

Repetirei, senhores e senhoras, para que fique bem claro: nos 20 jogos de maior público do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, disputado de 1967 a 1970, na era de ouro do futebol brasileiro, em que todos os jogadores da Seleção tricampeã do mundo jogavam no país, competição esta que teve a maior média de público de todas que decidiram o campeão brasileiro, Corinthians, São Paulo e Palmeiras não aparecem uma única vez, enquanto o Santos está presente em seis partidas.

E olhe que em 1969 o Corinthians lutou pelo título até a última rodada! Outra surpresa é o Palmeiras. Mesmo sendo campeão em 1967 e 1969, o time não atraía multidões. Tanto, que no jogo decisivo do título de 1969, no Morumbi, sua vitória sobre o Botafogo, por 3 a 1, só foi assistida por 8.000 espectadores.

Cota de tevê tinha de ter levado em conta a qualidade do espetáculo

Esta estatística sobre os jogos de maior público no Robertão confirma duas coisas: que em 1968 e 1969, conforme a pesquisa do IBGE na época, o Santos era mesmo o time paulista que levava mais público aos seus jogos. Confirma também que o torcedor vai ao estádio para ver time que joga bonito.

Por isso insisto que a diretoria do Santos deveria ter feito um acordo mais generoso com a Rede Globo. O Alvinegro já era o de maior visibilidade quando o acordo foi assinado e continua sendo agora.

Com todo o respeito aos demais, mas não dá para comparar o apelo que o Santos tem hoje com o nível de atratividade de outros concorrentes que têm nome, tradição, mas lhes faltam craques, carisma e um futebol mais vistoso.

Bem, já falei demais. Confira agora os 20 maiores públicos do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967 a 1970 (neste total estão incluídos também os não pagantes). Veja que, de São Paulo, só aparece o Santos:

20 maiores públicos do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1967/70)

01 – Fluminense 1, Atlético-MG 1, Maracanã, 112.403 pessoas, 20/12/1970
02 – Atlético/MG 1, Cruzeiro 2, Mineirão, 97.928 pessoas, 28/09/1969
03 – Atlético/MG 0, Cruzeiro 4, Mineirão, 91.042 pessoas, 05/03/1967
04 – Fluminense 0, Santos 0, Maracanã, 87.872 pessoas, 26/10/1969
05 – Atlético/MG 0, Cruzeiro 1, Mineirão, 87.360 pessoas, 27/10/1968
06 – Atlético/MG 1, Cruzeiro 1, Mineirão, 85.253 pessoas, 13/12/1970
07 – Flamengo 1, Fluminense 1, Maracanã, 81.616 pessoas, 22/11/1970
08 – Flamengo 0, Vasco 2, Maracanã, 79.894 pessoas, 30/11/1968
09 – Flamengo 0, Santos 2, Maracanã, 78.022 pessoas, 15/09/1968
10 – Atlético/MG 1, Cruzeiro 1, Mineirão, 76.505 pessoas, 25/10/1970
11 – Flamengo 1, Santos 4, Maracanã, 70.322 pessoas, 01/11/1969
12 – Flamengo 1, Atlético/MG 0, Maracanã, 69.156 pessoas, 02/12/1970
13 – Flamengo 1, Fluminense 4, Maracanã, 68.531 pessoas, 28/09/1969
14 – Flamengo 3, Vasco 1, Maracanã, 66.289 pessoas, 05/10/1969
15 – Vasco 1, Santos 2, Maracanã, 65.157 pessoas, 19/11/1969
16 – Flamengo 1, Internacional 0, Maracanã, 62.634 pessoas, 22/11/1970
17 – Vasco 3, Santos 2, Maracanã, 62.145 pessoas (49.394 pagantes), 29/09/1968.
18 – Atlético/MG 2, Santos 2, Mineirão, 61.546 pessoas, 24/11/1968
19 – Botafogo 0, Flamengo 0, Maracanã, 59.083 pessoas, 25/10/1970
20 – Atlético/MG 3, Fluminense 1, Mineirão, 58.059 pessoas, 29/11/1970

O que você achou dessas estatísticas? Ficou surpreso ou já sabia?


Uol mistura épocas para falar sobre a unificação


Olhar o passado com os olhos do presente é cômodo, mas é um erro que deve ser evitado

Em uma matéria publicada hoje, o Uol compara quantos jogos o Santos fez para conquistar seis títulos brasileiros nos anos 60, e quantos fez o São Paulo para obter o mesmo número de títulos. Há uma diferença de quatro décadas entre as duas épocas, além de formatos diversos de competição, mas o Uol achou que poderia misturar tudo. Isso me lembrou uma piada de português.

Quando o português Carlos Lopes venceu a maratona de Los Angeles, veio a gozação: o lusitano precisou correr 42 quilômetros para ganhar a mesma medalha que o norte-americana conseguiu correndo apenas 100 metros.

Alguns argumentos que certos sites desinformados estão usando para tentar diminuir a importância das competições nacionais do Brasil antes de 1971 se parecem com essa piada sobre o herói Carlos Lopes.

Comparar duas competições de épocas e formatos diferentes, distantes quatro décadas uma da outra, é como colocar um corredor de 100 metros e um maratonista frente a frente na mesma competição.

É impressionante que, por mais que se fale sobre isso, poucos conseguem captar o espírito desta unificação. Ou estas pessoas não querem entender de forma alguma, e aí demonstram uma má vontade que não combina com o espírito do jornalismo, que deve estar aberto mesmo para pontos de vista divergentes, ou não entenderam mesmo, e aí talvez tenhamos um problema mais grave, pois não sei desenhar.

O segredo é olhar a unificação como sinônimo de respeito ao passado

Fico aqui imaginando que matéria fantástica o Uol não poderia fazer se fosse um site da Itália. Poderia comparar o campeonato italiano atual, com 20 clubes, em que cada um faz 38 jogos para ser campeão, com as primeiras competições, vencidas pelo Genoa, que fez dois jogos no mesmo dia, em 1898 e 1899.

Não sei precisar agora quantas partidas o Genoa fez para ganhar nove títulos italianos entre 1898 e 1924, mas, certamente, é um número bem inferior ao dos campeões atuais da Itália. No entanto, nenhum time reclama e a imprensa italiana não faz campanha para tirar os títulos de seu primeiro campeão.

Tenho a impressão de que, às vezes, quando você desvia certas pessoas de um pensamento linear, elas se perdem. Compreendem números, quantidades, mas ficam confusas quando precisam lidar com a abstração.

Reconheço que respeito, cultura, história, são coisas abstratas, de difícil quantificação. Porém, mesmo assim, esperava que estes conceitos não fossem tão estranhos mesmo para uma minoria de jornalistas – que parecem só se preocupar como o seu time ficará agora no ranking de campeões brasileiros.

Ora, essa visão estritamente numérica é muito pobre, muito rasteira. Como temos dito, a unificação jogará luzes sobre um período de ouro do futebol brasileiro que estava indo para a lixeira da história. Haverá mais trabalho e mais temas a serem desvendados para quem não se incomoda em trabalhar e pesquisar.

Essa redescoberta de um era dos sonhos é o grande tesouro dessa unificação. Saberá lidar com ele quem tiver disposição, talento e criatividade para mergulhar no passado e sair de lá com histórias e informações enriquecedoras. Porém, comparar conquistas anacrônicas, separadas por quatro décadas, com regulamentos e competições diferentes – apesar de terem a mesma finalidade – é o mesmo que colocar, lado a lado, um corredor de 100 metros rasos e um maratonista.

O que você acha de comparar competições de épocas diferentes? Prova alguma coisa?


O capítulo do Dossiê que cita a revista Placar

O Dossiê é um documento e, como tal, produzido para ser lido e analisado pelas pessoas competentes. Não foi produzido para se obter publicidade ou espaço na mídia.

Como nos sentimos na obrigação de esclarecer as pessoas que acompanham este debate importante para a história do futebol brasileiro, abrimos uma exceção e trazemos, na íntegra, o capítulo inicial deste trabalho:

Pedido pela Unificação dos Títulos Brasileiros de Clubes a partir de 1959

É difícil encontrar um nome para o objetivo deste documento, elaborado a pedido e em nome de seis grandes clubes do futebol brasileiro – Cruzeiro, Palmeiras, Fluminense, Botafogo, Bahia e Santos. Ele não pode requerer a “Oficialização” dos títulos nacionais da Taça Brasil (1959 a 1968), do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, ou “Robertão” (1967/68/69) e da Taça de Prata (1970), visto que estas competições sempre foram e nunca deixaram de ser oficiais para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), pois foram criados e organizados por esta mesma entidade, à época denominada Confederação Brasileira de Desportos (CBD), que através destes certames definiu os primeiros campeões nacionais representantes do Brasil no Campeonato Sul-americano de Clubes, ou Taça Libertadores da América.

Na verdade, nunca houve qualquer dúvida de que o vencedor das competições citadas era também o campeão do Brasil. Muitos brasileiros cresceram ouvindo essa informação, pois por 12 anos, de 1959 a 1970, ela foi divulgada a milhões de pessoas através dos veículos mais importantes da imprensa nacional. Não só as redes de tevê e rádio, mas as revistas mais lidas e os jornais de maior credibilidade e tiragem concordavam que o campeão da Taça Brasil, ou do Robertão/Taça de Prata, era também o campeão brasileiro. Até o popular “Canal 100”, documentário que levava a emoção e a beleza do futebol a cinemas de todo o País, transmitia a mesma mensagem.

Não se sabe ao certo quando esta verdade – oficial, conhecida e reconhecida por todos – foi colocada em cheque, ou passou a ser, gradativamente, “esquecida”. Há teorias a respeito. Uma delas é que com a interferência do Governo Militar – que a partir de 1971 usou o “Campeonato Nacional” para integrar o País – todas as competições nacionais anteriores foram diminuídas ou convenientemente evitadas por boa parte da opinião pública. Outra tese é de que a Revista Placar, grande sucesso editorial lançado em 1970, não teve interesse em valorizar uma época em que ela ainda não existia, e por isso tratou o futebol brasileiro como se ele tivesse começado no mesmo período da fundação da revista, o que acabou influenciando outras publicações.

Quaisquer que sejam os motivos, o certo é que, consciente ou inconscientemente, ao longo do tempo boa parte da opinião pública sabotou justamente o período mais pródigo e vencedor já vivido não só pelo futebol brasileiro, mas por este esporte em qualquer outro país do mundo. É oportuno lembrar que justamente de 1958 a 1970 o Brasil venceu, com folga, três das quatro Copas disputadas e em todas elas usou exclusivamente jogadores em atividade no País.

Hoje é difícil imaginar que houve um tempo em que os times brasileiros conseguiam evitar que seus craques fossem exibir sua arte no exterior, e os campos do País podiam servir de passarela para gênios como Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Didi, Tostão, Gérson, Jairzinho, Rivellino, Dirceu Lopes, Ademir da Guia, Coutinho, Amarildo, Quarentinha, Zito, Mauro, Gilmar, Manga, Zagallo… Pois todos eles, e muitos mais, duelaram pelos títulos da Taça Brasil, Robertão e Taça de Prata, em um período único da história do futebol.

Este documento não pode requerer a oficialização, que já existe, mas pode e deve requerer a ratificação dos títulos nacionais de 1959 a 1970. Nos arquivos da CBF, que são os mesmos da CBD, está lá a informação de que em 1959, atendendo ao pedido da Confederação Sul-americana de Futebol (Conmebol), à época presidida pelo brasileiro José Ramos de Freitas, o presidente da CBD, João Havelange, resolveu criar a Taça Brasil, cujo campeão representaria o Brasil na Taça Libertadores da América.

Devido à imensidão do território nacional e a falta de recursos da CBD, optou-se por uma competição com jogos eliminatórios em melhor-de-três. Isso não era novidade no final dos anos 50, pois competições nos mesmos moldes tinham sido adotadas em países que hoje dominam o futebol mundial. A Espanha, por exemplo, fez suas primeiras competições nacionais usando a mesma fórmula empregada na Taça Brasil e considera os seus primeiros vencedores tão campeões como os de hoje. O mesmo exemplo se aplica à Inglaterra, Alemanha, Itália, Portugal…

Em suma, a competição em jogos eliminatórios era a mais viável para a época e se mostrou eficiente para manter o futebol em evidência e crescimento. No caso da Taça Brasil, as regras eram claras, justas e coerentes. Só podiam participar campeões estaduais, não se admitiam convidados. Sua abrangência também era impressionante, pois teve 20 participantes, em média, em uma época em que o País possuía 22 Estados e o Distrito Federal (hoje apenas 1/3 dos 28 estados e do Distrito Federal são representados na Série A do Brasileiro).

Quanto ao Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata, competição iniciada em 1967, congregou os times mais tradicionais do País, dos centros onde o futebol era mais desenvolvido, e era jogado com uma grande fase preliminar mais longa, de pontos corridos, seguida por uma etapa final curta que reunia os mais bem classificados. Com médias de público jamais igualadas em competições nacionais, o “Robertão”, como ficou conhecido popularmente, também foi amplamente aprovado pela opinião pública, tanto que sua fórmula foi repetida em 1971, no primeiro “Campeonato Nacional”.

Em suma, não há qualquer motivo para se desoficializar a Taça Brasil e o Robertão/Taça de Prata. Ao contrário. Foram competições de um período áureo do futebol brasileiro, que revelou jogadores e times inigualáveis.

Assim, como este documento não pode pedir a oficialização do que já é oficial, ele requere que a Confederação Brasileira de Futebol torne público e claro, para o bem da história e da cultura esportiva, que os campeões brasileiros de clubes devem ser considerados, para efeito da sagrada pesquisa histórica, a partir de 1959, quando a CBD realizou a primeira Taça Brasil – vencida pelo Esporte Clube Bahia, que se tornou assim o primeiro representante do País na Taça Libertadores da América.

CBD e/ou CBF?

Este dossiê, elaborado através de um trabalho de pesquisa técnico, isento e sem qualquer interesse político ou clubístico, dará oportunidade para um esclarecimento definitivo a respeito de uma questão que já incomoda muitos historiadores do futebol brasileiro: devemos dividir o período em que este esporte foi organizado e dirigido pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) daquele em que seu comando passou para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ou as histórias das duas entidades são uma só?

Os títulos conquistados – entre eles as Copas de 1958, 1962 e 1970 – os times e craques memoráveis que compuseram o período mais auspicioso do futebol nacional devem ser incorporados também ao currículo da CBF, ou devem ficar restritos à Confederação Brasileira de Desportos, que dirigiu os esportes praticados no Brasil, o futebol inclusive, até ? Com isso, seria correto afirmar que a CBD ganhou três títulos mundiais, enquanto a CBF ganhou os outros dois, ou ambas são a mesma entidade e, portanto, as conquistas de uma são, também, da outra?

Como se sabe, a Confederação Brasileira de Desportos foi fundada em 20 de agosto de 1919, substituindo a Federação Brasileira de Sports, fundada em 8 de junho de 1914. A Confederação Brasileira de Futebol, por sua vez, só surgiu em setembro de 1979, obedecendo a um decreto da Fifa para que todas as entidades nacionais de futebol fossem exclusivas deste esporte – o que não era o caso da CBD, que congregava várias modalidades esportivas.

O estatuto da CBF foi aprovado em Assembléia Geral Extraordinária realizada em 24 de setembro de 1979, depois da aprovação do Conselho Nacional de Desportos, e homologada pelo ministro Eduardo Mattos Portella, da Educação e Cultura. O primeiro presidente da CBF foi o carioca Giulite Coutinho, que assumiu em 18 de janeiro de 1980, que exerceu dois mandatos: de 1980 a 1983 e de 1983 a 1986.

Vê-se que quando a CBF foi criada o Brasil já tinha uma competição nacional de clubes há 21 anos. Depois da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, já haviam sido jogadas, com nomes diversos, mais nove edições do Campeonato Nacional –competições, todas elas, criadas e geridas pela antecessora Confederação Brasileira de Desportos.

A coerência histórica, aqui, deve ser absoluta. Não se aceita, sob qualquer ponto de vista, que a CBF assuma apenas parte dos eventos oficiais gerados pela CBD, ou apenas suas glórias. Ou ela incorpora toda os atos, responsabilidades e passado da CBD, ou cria a sua própria história a partir de 24 de setembro de 1979.

Como, através do seu site oficial, dos depoimentos de seus dirigentes e das notícias veiculadas pela mídia, a Confederação Brasileira de Futebol toma para si toda a história da Seleção Brasileira e das competições oficiais do futebol nacional desde os tempos da CBD – assumindo, inclusive a totalidade de cinco títulos mundiais em Copas do Mundo –, então, obviamente, a CBF é responsável pela Taça Brasil, Torneio Roberto Gomes Pedrosa e Campeonato Nacional (em suas várias versões), competições nacionais criadas pela CBD.

É importante destacar que todas as competições citadas – Taça Brasil, Roberto Gomes Pedrosa e Campeonato Nacional – foram criadas, organizadas e realizadas sob a presidência do senhor Jean Marie Faustin Goedefroid Havelange, nascido no Rio de Janeiro em 8 de maio de 1916, que dirigiu a presidência da Confederação Brasileira de Desportos de 1958 a 1975, em seis gestões, assumindo depois, com grande sucesso, a presidência da Fifa, órgão do qual hoje é presidente de honra.

Assim, o anúncio da Unificação dos Títulos Brasileiros de Clubes a partir de 1959 não só virá fazer justiça aos clubes e craques do passado, como deixará claro que toda a história do futebol brasileiro, mesmo no período em que era dirigido por entidades de outros nomes, são de responsabilidade da atual Confederação Brasileira de Futebol.

Essa atitude da Confederação Brasileira de Futebol se faz ainda necessária diante da tendência de parte da opinião pública de tentar reescrever a história do futebol brasileiro a seu bel prazer, usando os meios de comunicação para passar informações falsas, que não respeitam fatos consumados e tampouco as entidades esportivas que os organizaram e produziram.

O anúncio de que os Campeonatos Brasileiros – quaisquer que tenham sido suas denominações ao longo do tempo – devem ser computados a partir de 1959, resgatará o imprescindível respeito ao passado mais glorioso de nosso futebol e restabelecerá a justiça que vem sendo gradativamente apagada dos anais esportivos do Brasil. Justiça aos atletas, às equipes inigualáveis e às autoridades esportivas que o escreveram, assim como aos milhões de amantes do esporte que acompanharam aquela fase de ouro do nosso futebol e nunca duvidaram da importância e da oficialidade destas competições.


O debate com Assaf e um pouco mais sobre a Unificação

Frase do dia
Contraditório é ser jornalista esportivo e fazer campanha para apagar a era de ouro do futebol brasileiro

Ouça o meu debate com o jornalista Roberto Assaf, na Rádio CBN:

João Havelange diz que os títulos foram oficiais e pede respeito ao passado:

William Bonner anuncia a unificação no Jornal Nacional:


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