Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

film izle

Tag: Tostão (page 1 of 2)

Primeira vez inesquecível

Creio que nenhum torcedor se esqueça de seu primeiro dia em um estádio de futebol. O meu ocorreu em 13 de outubro de 1968, aos 16 anos, ao lado de meu irmão Marcos, então com 12. Afortunados, vimos o Santos de Pelé enfrentar o Cruzeiro de Tostão, dois dos melhores times do mundo na época. Difícil descrever o impacto que aquela tarde de domingo, no Morumbi, exerceu sobre nós. A arte e a emoção do futebol se miscigenam em um sonho eterno na mente e no coração de quem é tocado por ele.

Nosso Santos, do técnico Antoninho, jogou com Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Toninho, Douglas (Edu), Pelé e Abel. O Cruzeiro foi escalado por Orlando Fantoni com Fazano, Pedro Paulo, Procópio, Darci e Murilo; Zé Carlos (Piazza) e Dirceu Lopes; Natal, Evaldo, Tostão e Rodrigues (Hilton Oliveira).

Naquela partida a bola correu de pé em pé, macia e seduzida. O primeiro gol que vimos foi o de Pelé, após sensacional jogada de Douglas. O segundo, de Toninho Guerreiro, um dos mais notáveis artilheiros que já passaram pelo Alvinegro Praiano. Como nesse domingo teremos novamente, na Vila Belmiro, esse encontro memorável, faço questão de reproduzir o texto que ocupa parte das páginas 188 e 189 do livro Time dos Sonhos, em oferta na livraria deste blog:.

O Santos ia bem, com vitórias sobre Flamengo (2 a 0), Fluminense (2 a 1), Corinthians (2 a 1) e uma goleada estrepitosa sobre o Bahia, no Pacaembu, por 9 a 2. Algo nos dizia – a mim e ao meu irmão Marcos, tão ou mais fanático do que eu –, que os bons tempos tinham voltado. O jogo com o Bahia foi numa quinta-feira à noite. No domingo, 13 de outubro, à tarde, jogariam Santos e Cruzeiro, no Morumbi. Julgamos que era o momento ideal para irmos assistir nossa primeira partida em um estádio. Eu tinha 16 anos completados dia 17 de setembro, Marcos faria 13 em 15 de dezembro.

Até ali nossa paixão pelo futebol era alimentada pelo matraquear dos locutores de rádio, ou das imagens em preto e branco da tevê. Nunca tínhamos visto um jogo de perto, ouvido a torcida com seus urros que parecem brotar do concreto, percebido o contraste entra a roupa muito branca do Santos e a grama verde.

Descemos no Brooklin e fomos a pé até o Morumbi. Comprei os ingressos da geral de um cambista, que parecia muito preocupado em não nos ver perdendo tempo na fila. O anel das arquibancadas do Morumbi não tinha sido completado. A geral ficava exposta ao sol, mas era possível sentar nos degraus largos. A primeira visão de quem vai ao estádio pela primeira vez é um sonho. Principalmente se dali a instantes você vai ver o Santos de Pelé enfrentando o Cruzeiro de Tostão. Chegamos cedo e ficamos ali embaixo, apreciando as arquibancadas se encherem.

Os times entraram em campo, posaram para as fotos e logo os jogadores se dispersaram pelo gramado, correndo, petecando a bola, aquecendo-se para o jogo. O Cruzeiro tinha um lindo uniforme azul-escuro, mas os santistas se destacavam, pareciam maiores com a roupa branca refletida pelo sol da primavera. Era como se flutuassem pelo gramado, tocando a bola com uma maciez que nunca tínhamos visto antes.

A impressão continuou com o início do jogo. Ficamos admirados com a categoria dos jogadores, que não erravam passes e tinham um controle invejável. Como eram dois times clássicos; como não corriam, desenfreados, e nem davam pontapés, era difícil alguém roubar a bola, que invariavelmente prosseguia de pé em pé até a conclusão do ataque.

Ao nosso lado, dois irmãos mais novos conversavam. A certa altura o mais velho, protetor, perguntou ao menor, mirradinho, que não deveria ter mais do que 10 anos: “Ainda tá com fome?”. O garoto, olhos vivos abertos para o campo, respondeu sem piscar: “Estava, mas já passou. Ver o Santos jogar me tirou a fome”.

Comentei isso com o Marcos. Engraçado, nós entendemos perfeitamente o que aquele garotinho dizia. Sentíamos o mesmo deslumbramento. Ainda fico imaginando, hoje, se já existiu uma paixão mais pura pelo futebol do que aquele garotinho demonstrou aquele tarde, com aquela frase. Não se tratava, simplesmente, de amor por um time, mas pela beleza, pelo encantamento do futebol.

Emoção que virou arrebatamento quando Douglas entrou driblando em zigue-zague pela meia-esquerda, passou por dois ou três jogadores e a bola sobrou para Pelé chutar quase embaixo do gol. Faltando uns quinze minutos para acabar o jogo, do outro lado de onde estávamos, o Santos atacou pela esquerda, a bola foi cruzada e Toninho entrou para fazer o segundo e definir a vitória. Percebemos que a jogada seria perigosa não só por vê-la – pois do outro lado do campo se perde a noção da distância -, mas pelo barulho crescente da torcida, que acabou explodindo no gol. Voltamos para casa felizes, de alma lavada.

E você, qual foi seu primeiro jogo em estádio?

Baixei os preços pensando em você! Leia e divulgue a rica história santista

Bastaram algumas reclamações de santistas que queriam comprar o livro Time dos Sonhos pelo preço antigo e decidi voltar a promoção para todos os livros da Livraria do Odir até o final do estoque. Agora, tanto o Dossiê Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959 como o Time dos Sonhos voltam a custar 39 reais o exemplar e apenas 69 reais dois exemplares. Também dá para comprar um exemplar de cada um por 69 reais a dupla. Os PDFs também estão quase de graça.

time-dossie ok
1 Time dos Sonhos + 1 Dossiê + 3 PDFs + dedicatórias + frete pago = apenas 69 reais.

A história do Santos em PDFs a preços simbólicos
DonosdaTerraNa Raça!Ser SantistaPedrinho escolheu um time

Diante de constantes pedidos de livros já esgotados em papel, como Donos da Terra, Na Raça, Ser Santista e Pedrinho escolheu um time, o blog está oferecendo cópias em PDF dessas obras por preços simbólicos. O PDF é enviado pelo e-mail que o comprador designar no endereço para a entrega.

Clique aqui para maiores informações e para adquirir bem baratinho PDFs de livros históricos do Santos já esgotados em papel. Os preços vão de R$ 2,50 a R$ 6,50.

Que tal conhecer um pouco mais a história do Santos?


Santos e Cruzeiro, hoje, na Vila. Este jogão tem história…


Ricardo Oliveira e Renato: experiência em campo (Ricardo Saibun/ Santos FC)

Leonardo está de volta. E feliz:

Este Cruzeiro que o Santos enfrenta neste domingo, a partir das 16 horas, na Vila Belmiro, é um time que merece respeito, mas não mete medo. Sem tantos bons jogadores como nos anos anteriores, o time mineiro ainda está dividido entre o campeonato nacional e a Copa Libertadores, pela qual joga na próxima quinta-feira, com o River Plate, que se classificou devido à justa exclusão do Boca Juniors e sua violenta torcida.

Com a única substituição de Valencia – que foi à Colômbia conhecer sua filhinha de três meses – pelo garoto Lucas Otávio, o Santos entrará em campo com boas possibilidades de vitória. E será mesmo importante ter uma boa atuação, pois o jogo será transmitido pela tevê aberta para todo o Brasil.

A Globo transmitirá para os estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais (menos Juiz de Fora, Uberlândia e Ituiutaba), Rio Grande do Sul, Goiás, Tocantins, Bahia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (Menos Corumbá). A Bandeirantes transmitirá para os mesmos estados e ainda para Sergipe.

Os elencos se equivalem, mas do meio-campo para a frente, com Lucas Lima, Geuvânio, Robinho e Ricardo Oliveira, o Santos tem alguma vantagem. O Cruzeiro, cujo centroavante é Henrique Dourado, que teve uma passagem sem brilho pela Vila Belmiro, ainda possui outros dois ex-santistas: o meio-campo Henrique, que será improvisado na lateral-direita, e o zagueiro Bruno Rodrigo.

Este jogo é especial para mim, e para meu irmão, Marcos, porque foi o primeiro que assistimos no estádio. Estávamos entre os 29.469 pagantes que na tarde de 13 de outubro de 1968 vimos o Santos vencer por 2 a 0, no Morumbi, com gols de Pelé e Toninho Guerreiro.

Veja só qual o nível dos jogadores que, adolescentes, já assistimos na nossa primeira experiência em um estádio: Cláudio, Carlos Alberto, ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Toninho Guerreiro, Douglas (depois Edu), Pelé e Abel. O técnico era Antoninho.

O Cruzeiro tinha Fazano, Pedro Paulo, Procópio, Darci e Murilo; Zé Carlos (depois Piazza), e Dirceu Lopes; Natal, Evaldo, Tostão e Rodrigues (depois Hilton Oliveira). Seu técnico era Orlando Fantoni. Falo sobre este jogo nas páginas 188 e 189 do livro Time dos Sonhos (que, infelizmente, está esgotado. Leia o trecho:

O Santos ia bem, com vitórias sobre Flamengo (2 a 0), Fluminense (2 a 1), Corinthians (2 a 1) e uma goleada estrepitosa sobre o Bahia, no Pacaembu, por 9 a 2. Algo nos dizia – a mim e ao meu irmão Marcos, tão ou mais fanático do que eu -, que os bons tempos tinham voltado. O jogo com o Bahia foi numa quinta-feira à noite. No domingo, 13 de outubro, à tarde jogariam Santos e Cruzeiro, no Morumbi. Julgamos que era o momento ideal para irmos assistir nossa primeira partida em um estádio. Eu tinha 16 anos completados dia 17 de setembro, Marcos faria 13 em 15 de dezembro.

Até ali nossa paixão pelo futebol era alimentada pelo matraquear dos locutores de rádio, ou das imagens em preto e branco da tevê. Nunca tínhamos visto um jogo de perto, ouvido a torcida com seus urros que parecem brotar do concreto, percebido o contraste entra a roupa muito branca do Santos e a grama verde.

Descemos no Brooklin e fomos a pé até o Morumbi. Comprei os ingressos da geral de um cambista, que parecia muito preocupado em não nos ver perdendo tempo na fila. O anel das arquibancadas do Morumbi não tinha sido completado. A geral ficava exposta ao sol, mas era possível sentar nos degraus largos. A primeira visão de quem vai ao estádio pela primeira vez é um sonho. Principalmente se dali a instantes você vai ver o Santos de Pelé enfrentando o Cruzeiro de Tostão. Chegamos cedo e ficamos ali embaixo, apreciando as arquibancadas se encherem.

Os times entraram em campo, posaram para as fotos e logo os jogadores se dispersaram pelo gramado, correndo, petecando a bola, aquecendo-se para o jogo. O Cruzeiro tinha um lindo uniforme azul-escuro, mas os santistas se destacavam, pareciam maiores com a roupa branca refletida pelo sol da primavera. Era como se flutuassem pelo gramado, tocando a bola com uma maciez que nunca tínhamos visto antes.

A impressão continuou com o início do jogo. Ficamos admirados com a categoria dos jogadores, que não erravam passes e tinham um controle invejável. Como eram dois times clássicos; como não corriam, desenfreados, e nem davam pontapés, era difícil alguém roubar a bola, que invariavelmente prosseguia de pé em pé até a conclusão do ataque.

Ao nosso lado, dois irmãos mais novos conversavam. A certa altura o mais velho, protetor, perguntou ao menor, mirradinho, que não deveria ter mais do que 10 anos: “Ainda tá com fome?”. O garoto, olhos vivos abertos para o campo, respondeu sem piscar: “Estava, mas já passou. Ver o Santos jogar me tirou a fome”.

Comentei isso com o Marcos. Engraçado, nós entendemos perfeitamente o que aquele garotinho dizia. Sentíamos o mesmo deslumbramento. Ainda fico imaginando, hoje, se já existiu uma paixão mais pura pelo futebol do que aquele garotinho demonstrou aquele tarde, com aquela frase. Não se tratava, simplesmente, de amor por um time, mas pela beleza, pelo encantamento do futebol.

Emoção que virou arrebatamento quando Douglas entrou driblando em zigue -zague pela meia-esquerda, passou por dois ou três jogadores e a bola sobrou para Pelé chutar quase embaixo do gol. Faltando uns quinze minutos para acabar o jogo, do outro lado de onde estávamos, o Santos atacou pela esquerda, a bola foi cruzada e Toninho entrou para fazer o segundo e definir a vitória. Percebemos que a jogada seria perigosa não só por vê-la – pois do outro lado do campo se perde a noção da distância -, mas pelo barulho crescente da torcida, que acabou explodindo no gol. Voltamos para casa felizes, de alma lavada.

Gols do primeiro jogo que vi em um estádio:

Quanto ao jogo de hoje, mesmo sem ter aqueles craques de uma era de ouro, em que o Brasil tinha os melhores times do mundo – entre eles, Santos e Cruzeiro –, creio que o time de Minas entrará precavido, buscando jogar no erro do Santos. Porém, incentivado por sua torcida, o Alvinegro Praiano buscará a iniciativa e e tem tudo para conseguir sua primeira vitória neste Brasileiro.

Santos x Cruzeiro

2ª rodada do Campeonato Brasileiro 2015
Vila Belmiro, 17/05/ 2015, 16 horas

Santos: Vladimir, Victor Ferraz, David Braz, Werley e Chiquinho; Lucas Otávio, Renato e Lucas Lima; Geuvânio, Ricardo Oliveira e Robinho. Técnico: Marcelo Fernandes.

Cruzeiro: Fábio, Henrique, Manoel, Bruno Rodrigo e Fabrício; Willian Farias e Willians; Marquinhos, De Arrascaeta e Willian; Henrique Dourado. Técnico: Marcelo Oliveira.

Arbitragem: Péricles Bassols (RJ), auxiliado por Rodrigo Henrique Correa (RJ) e Rodrigo Pereira Joia (RJ).

Em 2012, lá no Estádio Independência, foi assim:

E você, o que espera do jogão Santos e Cruzeiro, logo mais?


Santos merecia perder de mais. Cruzeiro ganhou sem fazer força

ricardo saibun
Geuvânio entrou no final e acertou o único chute perigoso no gol do Cruzeiro (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

Mais organizado, com toque de bola mais preciso, defesa mais eficiente e ataque que criou mais chances para marcar, o Cruzeiro mereceu amplamente a vitória de 1 a 0 sobre o Santos, na Vila Belmiro, e já é o campeão virtual deste Brasileiro. O gol, muito bonito, foi de Everton Ribeiro, aos 9 minutos do segundo tempo, depois de driblar Mena e Alison. Como a maioria dos leitores deste blog previa, o ataque santista, com Everton Costa e Willian José, nada produziu. Ambos foram substituídos por Geuvânio e Victor Andrade, mas não houve grandes melhoras. Ao menos Geuvânio deu o único chute perigoso ao gol de Fábio. 9.460 pessoas pagaram para ver o jogo, proporcionando renda de R$ 278.156,00. Com a derrota o Santos permanece com 44 pontos e ainda precisa de no mínimo mais seis pontos para afastar qualquer possibilidade de rebaixamento. O próximo jogo será contra o desesperado Vasco, em São Januário.

Veja os melhores lances da partida:

Enquete para escolher o técnico de 2014 continua

O post muda, pois temos de falar do jogão deste domingo – o primeiro que, ao lado de meu irmão Marcos, assisti em um estádio, há 45 anos –, mas a enquete para escolher o técnico do Santos em 2014 continua. Se ainda não votou, ela está à sua direita. Vote lá!

montillo chuta
Montillo enfrenta seu ex-time tentando, mais uma vez, corresponder às expectativas dos santistas (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

O Cruzeiro vai ser campeão, mas neste domingo tem de dar Santos

Ninguém tira o título do Cruzeiro este ano e a conquista é realmente justa. Em meio a um campeonato bagunçado e de baixo nível técnico, a Raposa sobrou em regularidade e competência. Mas neste domingo a motivação maior deve e precisa estar do lado do Santos, pois os três pontos são muito mais importantes para o Alvinegro Praiano, que precisa ganhar no mínimo cinco dos sete jogos que faltam para brigar por uma vaga na Copa Libertadores.

Com 12 pontos e quatro vitórias a mais do que os segundos colocados Botafogo e Grêmio, o Cruzeiro caminha tranqüilamente para o seu terceiro título brasileiro. A dianteira é tão grande, que mesmo com a derrota neste domingo, a partir das 17 horas, na Vila Belmiro, ainda assim sua conquista não correrá maiores perigos. Ao nosso Santos, porém, que tem 44 pontos e está em nono lugar, só a vitória interessa.

O técnico Claudinei Oliveira ao menos tem sido coerente. O time será o mesmo que vem sendo escalado nos últimos jogos, com Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Gustavo Henrique e Mena; Alison, Arouca, Cícero e Montillo; Everton Costa e Willian José.

Cicinho e Cícero estavam ligeiramente contundidos, mas treinaram normalmente na sexta-feira e devem jogar. Claudinei continua mantendo o contestado Everton Costa no ataque. A única dúvida do técnico era entre Willian José e Victor Andrade, mas como Willian treinou bem e marcou os três gols na vitória sobre os reservas por 3 a 0, será o escalado. Victor só entra se o Santos estiver perdendo e o estádio inteiro gritar seu nome.

O Cruzeiro, que desta vez não terá o atacante Willian, com estafa muscular, deverá ser escalado por Marcelo Oliveira com Fábio, Ceará, Dedé, Léo e Egídio; Nilton, Lucas Silva, Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart;Dagoberto e Borges. A arbitragem será de Marcelo de Lima Henrique (RJ), auxiliado por Bruno Boschilia (PR) e Neuza Ines Back (SC).

O Santos costuma se dar bem contra o Cruzeiro e algo me diz que isso ocorrerá novamente neste domingo. Porém, será essencial que os laterais apóiem e que os meias Montillo e Cícero também se aproximem mais do ataque. Não dá para esperar que Willian José e Everton Costa resolvam as coisas sozinhos lá na frente.

Na minha primeira vez, Pelé versus Tostão

Eu tinha 16 anos e 26 dias quando fui ao estádio pela primeira vez, com meu irmão Marcos, três anos mais novo. E vimos, no ainda inacabado Morumbi, justamente o jogo que reunia as melhores equipes daquela era de ouro do futebol brasileiro: o Santos de Pelé e o Cruzeiro de Tostão.

Treinado pelo técnico Antoninho, o Santos tinha Cláudio, Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Toninho Guerreiro, Douglas (depois Edu), Pelé e Abel.

O Cruzeiro, de Orlando Fantoni, tinha naquele domingo alguns jogadores de extrema categoria, como Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Piazza, Procópio, Evaldo, Zé Carlos… Era um timaço, que dois anos antes tinha sido campeão brasileiro ao vencer o Santos na final da Taça Brasil por 6 a 2 e 3 a 2.

Perceba que o narrador, Fernando Solera, diz, antes do primeiro gol, que aqueles eram os dois melhores times do Brasil – justamente na era de ouro do futebol brasileiro, em que três Copas do Mundo foram conquistadas em 12 anos, de 1958 a 1970, com todos os jogadores em atividade no Brasil.

Perceba, ainda, que entre esses jogadores nada menos do que cinco seriam titulares da Seleção Brasileira na Copa de 1970: Carlos Alberto Torres, Piazza, Clodoaldo, Tostão e Pelé. Sem contar Edu, que também atuou no Mundial do México.

Eu e meu irmão Marcos estávamos atrás do gol do Cruzeiro no primeiro tempo, éramos dois dos 29.469 pagantes daquela partida. A geral é mostrada depois do gol de Pelé, aos quatro minutos de partida, após jogada magistral de Douglas, que passou por quatro jogadores adversários. De onde estávamos achamos o gol de Pelé muito fácil, pois ele só teve o trabalho de se esticar e chutar a bola, depois que Douglas limpou o lance com espantosa habilidade.

No segundo tempo, Toninho, aos 41 minutos, completou o marcador após boa jogada de Abel. Um pouco antes Procópio tinha saída de campo com o tendão rompido, depois de choque com Pelé. Enfim, recordações de 45 anos atrás que parecem brotar com frescor e clareza na memória. Quantos garotos têm a felicidade de, na sua primeira vez em um estádio, assistir a um jogo assim?

Bem, já escrevi demais, Reveja os gols de Santos 2, Cruzeiro 0, de 13 de outubro de 1968, válido pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata, competição que acabaria dando ao Santos o seu sexto título brasileiro:

E pra você, o Santos vencerá o Cruzeiro neste domingo? Como?


Festival de besteiras que assola o país na questão Neymar

Carta a Odir Cunha

Por Marcelo Da Viá

Odir, mais uma bobagem sobre a pseudo-necessidade de Neymar jogar na Europa. Além disso, agora deram para falar besteira sobre Pelé e o grande Santos dos anos 60, assunto do qual você é um dos maiores especialistas. Por que digo isso? Ontem, em sua coluna na Folha, Tostão, uma das vacas sagradas da crônica esportiva brasileira, saiu com a seguinte pérola: Pelé não “precisou” sair do Santos porque já jogava no melhor time do mundo. Raciocínio torto que, na melhor das hipóteses, só consegue ser mais um bom argumento a favor da permanência de Neymar.

Na verdade, não precisa ser um gênio para intuir (ou constatar) que foi JUSTAMENTE porque Pelé ficou que o Santos se tornou de fato o melhor time do mundo na época. E não aconteceu de uma hora para outra, como você bem sabe: por não ter uma defesa sólida e precisar amadurecer, o Santos perdeu a Taça Brasil para o Bahia e o Paulistão para o Palmeiras em 59. Aí o clube contratou Gylmar e zagueiros melhores. Ao mesmo tempo, Pelé funcionou como um imã, atraindo para a Vila alguns dos melhores jogadores (juvenis, jovens e veteranos) do Brasil, e deu no que deu. É fato, não achismo.

Se Tostão argumentasse que Neymar não é Pelé e não deve perder tempo tentando repetir essa história incrível de sucesso pessoal e coletivo, eu continuaria a discordar enfaticamente, mas pelo menos ele estaria sendo coerente.

O próprio Barcelona de hoje foi se moldando a partir do trio Messi-Iniesta-Xavi. Imagine se um deles tivesse caído fora uns dois, três anos atrás. E é bobagem atribuir ao genial (jogador, não técnico) Johan Cruijff o grande futebol que o Barça joga atualmente, no sentido de que tudo teria sido “cumulativo” etc. São os jogadores de hoje, comandados pelo ótimo Guardiola, que sobressaem, nada mais que isso. Messi e Xavi estão, respectivamente, à altura de Cruijff e Neeskens, e isso não é nada pouco. Bem, o Santos já tem Ganso e Neymar, e na flor da idade, então por que não poderia sonhar em fazer o mesmo, nos seus moldes? Tostão foi muito infeliz. Daria para elencar mais algumas contradições, mas dá preguiça. A inteligência não pode, não deve atentar contra a lógica e contra os fatos.

Um forte abraço, Marcelo Da Viá.

E pra você, Tostão pisou na bola ao fazer coro aos que pedem a saída de Neymar?

Agora, pegando o gancho da carta do Marcelo Da Viá, a quem agradeço e mando um forte abraço também, gostaria de dar uma palavrinha sobre Tostão: já disse aqui que foi um craque, um jogador inteligente, dentro e fora do campo. Porém, nunca foi um artilheiro nato e digo e repito que o Brasil seria campeão em 1970 também com Toninho Guerreiro na posição de centroavante. Toninho foi preterido a favor do grosso Dadá Maravilha, o preferido do presidente Garrastazu Médici, em gozo de seus plenos poderes dados pela ditadura militar que assolou o País. Dadá, como se esperava, passou a Copa no banco de reservas. Assim como Roberto, outro centroavante inventado por Zagalo por pertencer ao seu Botafogo. Tostão não teve nenhuma sombra. Mas, como centroavante, repito, Toninho sempre foi muito mais efetivo do que Tostão. O técnico João Saldanha, demitido antes da Copa, disse que não foi ele quem cortou Toninho e que a ordem veio de cima. Então, todos nos lembramos de Tostão na Copa de 70 e por ter liderado o ataque do Cruzeiro no título brasileiro de 1966, ao vencer o Santos na final da Taça Brasil, mas quase todos se esquecem de que este mesmo Cruzeiro jamais ganhou outro título importante e que Tostão, em toda a carreira, marcou a metade de gols de Toninho Guerreiro (292 contra 583). Toninho, que morreu aos 49 anos, fez apenas dois jogos pela Seleção Brasileira e marcou quatro gols, ou seja, tem a espantosa média de dois gols por jogo e mais espantoso ainda é o fato de jamais ter jogado novamente pela Seleção.
Então, a verdade é que mitificamos o ex-craque “que jogava sem bola” Tostão por ter dois neurônios em um meio – jogadores de futebol – no qual muitos não têm nenhum. Porém, mesmo ele, hoje comentarista, pisa feio na bola e não está com essa bola toda. Um conselho de Pelé a Neymar tem muito mais valor. Afinal, o que é a pérola de um tostão diante dos tesouros infindáveis de um Rei?


A falácia da Europa e os idiotas da subjetividade

Comandados pelo locutor de futebol que se acha também repórter, comentarista e, de vez em quando, Deus, o bloco Idiotas da Subjetividade defende que Neymar só será um jogador de verdade se for para a Europa. Não há nenhum argumento plausível que justifique essa tese, a não ser o de esconder o próprio Neymar – hoje o maior ídolo do futebol sul-americano – e diminuir o Santos, time que atrapalha os planos de certa TV que quer espanholizar o futebol brasileiro.

Se jogar na Europa aumentasse a chamada “qualidade” nos jogadores, como se explica que de 1958 a 1970, em 12 anos, o Brasil tenha conquistado três Copas do Mundo, com todos os jogadores em atividade no País (titulares e reservas) e nos 39 anos seguintes, quando começou o êxodo dos craques nacionais para o velho continente, só duas Copas tenham sido conquistadas, e mesmo assim na bacia das almas?

Como explicar que os grandes ídolos dos clubes brasileiros jamais tenham vestido a camisa de um clube europeu? Casos de Pelé, Coutinho, Pepe, Tostão, Ademir da Guia, Dudu, Dirceu Lopes, Reinaldo, Rivellino, Gérson, Garrincha, Nilton Santos, Mauro Ramos de Oliveira, Gylmar dos Santos Neves, Leônidas da Silva, Friedenreich, Ademir de Menezes…

E que outros, mesmo tendo jogado na Europa, tiveram a melhor fase de suas carreiras no Brasil? Casos de Zico, Sócrates, Júnior, Roberto Dinamite, Pita, Careca, Diego, Robinho, Luís Fabiano, Giovanni, Luis Pereira, Marinho Perez, Nilmar…

Sim, alguns brasileiros jogaram melhor na Europa, como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Kaká, Falcão… Mas, além de serem exceções, não mostraram esse progresso quando voltaram a atuar no Brasil. Portanto, o futebol brasileiro não ganhou nada com a saída desses jogadores.

A tese de que enfrentar zagueiros mais duros fará o futebol de Neymar melhorar não tem o menor sentido. Ou melhor: é totalmente subjetiva. E idiota. Pelé não precisou jogar na Europa para saber como lidar com os zagueiros europeus, a quem fez bailar incansavelmente nos Mundiais de 1958 e 1970. Sem contar o Mundial de Clubes de 1962, em que marcou cinco gols contra o campeão europeu Benfica em apenas dois jogos. E sem contar, ainda, a infinidade de jogos contra equipes européias em torneios internacionais.

A próxima Copa será no Brasil, com o ambiente, a torcida, o clima favoráveis a boas exibições da Seleção Brasileira. Que o técnico faça o óbvio e que os jogadores tenham apenas a liberdade de mostrar o verdadeiro futebol brasileiro. O resto será conseqüência.

Você acha que a Europa ajuda a melhorar o futebol do jogador brasileiro?


Older posts

© 2018 Blog do Odir Cunha

Theme by Anders NorenUp ↑