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Trabalho e Garra

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Mesmo sem estar vinculado a nenhum portal, este blog tem um número de comentários por post que o coloca como o de maior interatividade entre os blogs sobre futebol no Brasil. Há sete anos no ar, o Blog do Odir Cunha tem debatido temas relevantes não só sobre o Santos, mas sobre o futebol brasileiro. Dele saíram, entre outras, as ideias que geraram a Unificação dos títulos brasileiros desde 1959 e as denúncias da Espanholização do nosso futebol. Vote nele para o Prêmio Ford Aceesp de melhor blog de futebol de São Paulo e você fará justiça.

TROFÉU ACEESP 2016

Como o Santos pode ser campeão
Mesmo a seis pontos do Palmeiras, o Santos ainda pode ser campeão nas últimas quatro rodadas do Campeonato Brasileiro. Como? Vencendo seus dois jogos em casa, diante de Vitória e América Mineiro, o que seriam resultados lógicos; vencendo o Cruzeiro no Mineirão, o que exigirá outra jornada heroica do time e, no mínimo, empatando com o Flamengo no Maracanã. Por sua vez, o Palmeiras teria de perder dois jogos – provavelmente os dois fora de casa, diante de Atlético Mineiro, que luta pelo G3 e talvez pelo título; e diante do Vitória, que busca fugir do rebaixamento. O Palmeiras teria, ainda de empatar com o Botafogo, em casa, e até poderia vencer o Chapecoense, também em casa. Com isso, Santos e Palmeiras terminariam empatados no número de pontos, mas o Santos ficaria à frente na quantidade de vitórias. É difícil? Sim, mas é possível. Então, bora lutar até o fim.

Assim, sempre, até o fim

Com muita garra no segundo tempo, como deveria ter sempre, o Santos virou o jogo contra a Ponte Preta, em Campinas, gols de Ricardo Oliveira e Copete, e segue vivo e forte na luta pelo título brasileiro. O Palmeiras vai tremer? Isso é problema dele e deles. O Santos tem de fazer a sua parte, com coragem e fé. Yuri e Léo Cittadini entraram no segundo tempo e foram importantes na virada. Cittadini, um zero à esquerda como volante, mostrou-se um bom ponta de lança, participando dos dois gols. Beleza, garoto! Aqui cobramos mesmo. Estamos acostumados com um Santos vencedor. Jamais jogaremos a toalha. Trabalho e garra até o último minuto do campeonato! Força que dá!


Em 2003 os Meninos tinham a garra que esperamos do Santos neste domingo.


Este blog é de santistas, mas exemplos de garra a gente admira.

Em primeiro lugar, quero agradecer, mais do que isso, reverenciar, os comentaristas que mantiveram este blog pulsante durante as minhas férias. Acho que esse deve ser mais um recorde santista, pois um blog não receber nenhum post novo por três semanas consecutivas e alcançar, nesse período, a média de 400 comentários diários, é algo histórico. Isso prova que o blogueiro se tornou supérfluo e, como eu já disse, o melhor deste blog são os comentários. Fico muito feliz com isso, pois é mais uma evidência de que este espaço pode continuar vivo e influente sem mim.

Dessa forma, sem querer interromper os temas sempre atuais e interessantes que brotam espontaneamente entre os frequentadores deste espaço, e que certamente seguirão o seu curso, independentemente do assunto do post, volto ao trabalho incorporado pelo objetivo tão desafiador quanto fascinante do título brasileiro, e sobreponho duas imagens para ilustrar meu pensamento.

A primeira, teórica, vem das pesquisas e do texto da norte-americana Angela Duckworth no livro “Garra, o poder da paixão e da perseverança”. A segunda, prática, veio ontem à noite, da Argentina, onde a valente Chapecoense arrancou um empate com o San Lorenzo del Almagro e deu um passo importante para disputar a sua primeira final de uma competição internacional.

O livro de Duckworth nos dá a certeza de que mais do que enfatizar o talento de um jogador, as pessoas que o cercam deveriam ressaltar a necessidade do seu trabalho constante para atingir as metas que o tornarão um melhor profissional. Em vez de se basear em uma ou outra jogada de habilidade que se espalhará pelo mundo pelo Youtube, o ideal é construir um estilo sólido, aplicado, capaz de manter um bom rendimento em qualquer circunstância.

Atrás de um Pelé, um Messi, um Cristiano Ronaldo e mesmo de um Neymar há muito trabalho físico e técnico, há muita tentativa e erro, há muito empenho. Pelé continuava treinando faltas quando todos já tinham ido embora e o zelador não via a hora de apagar os refletores da Vila Belmiro e ir para casa. A mesma história de muito treino de repetição se verá na vida dosa grandes craques. Nenhum jogador melhora o índice de acerto de chutes e cruzamentos sem os treinarem à exaustão.

Corro o risco de dizer que há mais jogadores famosos pelo trabalho, pela garra de vislumbrar um objetivo lá na frente e fazer o possível para alcançá-lo, do que pelo talento puro e simples. Talento não é nada sem garra.

Quando vi o Chapecoense brigando pela bola, no alto ou na grama, e, ao obtê-la, tocá-la com cuidado e precisão para mantê-la em seu poder e criar condições que lhe dariam o empate, como deram, alegrei-me com a disposição e a hombridade do time de Santa Catarina, capaz de demonstrar qualidades que muitas vezes faltaram ao nosso querido Santos, ainda mais em jogos fora de casa.

Escrevi “faltaram”, no passado, porque algo me diz que não faltarão até o final do Campeonato Brasileiro. Analiso novamente os cinco jogos que restam ao Santos e só vejo motivos para confiança e fé. Vejamos os obstáculos a superar:

Ponte Preta, sábado, dia 5, às 21 horas, em Campinas – Jogo tradicionalmente difícil, diante de um adversário valente e ofensivo, que joga e deixa jogar. Caso iguale na luta, o Santos tem tudo para vencer.

Vitória, quarta-feira, dia 17, às 19h30, na Vila Belmiro – Um time que luta para fugir do rebaixamento torna-se ousado e perigoso, mas o Santos não pode nem pensar em outro resultado que não a vitória.

Cruzeiro, domingo, dia 20, no Mineirão – Respeitável, como sempre, mas sem poder ofensivo e um tanto desentrosado, o time mineiro perdeu, em casa, para o Grêmio, por que não pode perder para o Santos?

Flamengo, domingo, dia 17, no Maracanã – Um dos clubes que mais investiu em contratações, este Flamengo lembra aquele que contratou Sávio, Romário e Edmundo para formar o melhor ataque do mundo. Mas aquele, como este, podem ser batidos por um time mais organizado e focado, como esperamos que o Santos seja nessa partida.

América Mineiro, domingo, 4 de dezembro, na Vila Belmiro – Pode se tornar um jogo nervoso, caso o Santos dependa da vitória para se tornar campeão brasileiro, porém o América, já rebaixado, provavelmente só será motivado por prêmio$ oferecidos pelos rivais. Dessa vez não há como não esperar pela vitória do Santos.

Otimismo exagerado? Creio que não. Se lembrarmos que na reta final para o título de 2002 os Meninos da Vila bateram São Paulo e Corinthians, à época com equipes bem mais poderosas do que as atuais, nos jogos de ida e volta, por que não acreditar que com trabalho, determinação e garra o Santos possa repetir aquele doce e inesquecível milagre?

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E você, o que acha disso?


Felipe Anderson é exemplo de que talento não é nada sem trabalho


Oscar Schmidt e Ivan Lendl ajudaram o talento com treinos exaustivos. E chegaram ao topo.

O garoto Felipe Anderson ainda pode ser tímido, mas é inteligente. E inteligência, como em tudo na vida, é essencial para um jogador de futebol. Você já viu um craque burro? Eu, nunca.

E a inteligência não se manifesta só no campo, na hora do jogo, mas bem antes. Perceba que nada impede que qualquer jogador tente um chute a gol de fora da área e acerte o ângulo. Mas só tenta quem tem confiança e só tem confiança quem trabalhou para adquiri-la.

Quando o repórter lhe perguntou o que a água da Vila Belmiro tinha de especial para gerar tantos garotos bons de bola, Felipe respondeu que não era a água, mas o treinamento, o trabalho.

Ouvi a mesma explicação de grandes atletas. Oscar Schmidt, o “mão santa”, maior cestinha da história do basquete, de quem tive o prazer de ser o biógrafo, treinava mil arremessos por dia, mesmo quando teve uma séria contusão na perna e, sem poder se locomover, teve de contar com a ajuda da esposa, Cristina, para lhe passar as bolas.

Hernanes, que hoje faz sucesso na Lazio, continuava treinando chutes a gol após os treinos do São Paulo. Isso lhe dá confiança – e licença dos técnicos e companheiros – para bater de fora da área.

Goleiros, filhos de trapezistas, acrobatas…

Já refletiu sobre a razão de haver tanto goleiro que cobra bem faltas e pênaltis? Ora, porque eles treinam isso todos os dias.

Ao final dos treinos, há sempre jogadores que querem aprimorar suas cobranças e, para não ficar monótono, acabam disputando com os goleiros, que além de defenderem, também batem as penalidades.

Esse treino constante acaba dando ao goleiro mais facilidade para bater na bola, o que faz com que aprimore não só a sua reposição, mas também as suas batidas de pênaltis e faltas, tornando-os, como no caso de Rogério Ceni, o melhor cobrador do time.

Desde criança eu me perguntava por que, no circo, filho do trapezista também virava trapezista. Teriam eles um componente genético especial, como os pais? Com o tempo descobri que talvez até tivessem o chamado dom natural, mas o que os fazia também trapezistas era a prática do trapézio desde crianças, o convívio com a atividade, o conhecimento técnico e o treinamento constante.

Quando fui, com os amigos João Pedro Bara e Luciana Ribeiro, sócio da Ampla Comunicação, tivemos entre os clientes o famoso Circo Acrobático da China. O que estes artistas fazem em termos de equilíbrio e precisão é inacreditável. Pois para atingir aquele nível sobrenatural, treinavam horas e horas por dia.

Todo jogador profissional deve ser capaz de acertar o ângulo

Por essas e outras é que sou mesmo exigente com erros de fundamento. O jogador profissional, principalmente de um clube como o Santos, tem todo o tempo e estrutura para se aprimorar. Se percebe que tem dificuldade em algum requisito do futebol, como o passe, o chute, o domínio de bola, o cabeceio, terá todo o apoio para esticar o seu treino pessoal além do expediente.

Quem disse que passe e chute são atributos que devem ser desenvolvidos apenas por jogadores do meio-campo para a frente? Quem disse que aos zagueiros é permitido serem “grossos”, desde que despachem o perigo? Pois eu afirmo, e o tempo confirmará isso, que no futuro todos os jogadores terão de saber jogar, de ter controle para executar não apenas uma boa jogada, mas a melhor jogada.

Na Festa do Octa, o lateral-esquerdo Dalmo, o menos badalado daquele Santos que foi o melhor time de todos os tempos, definiu o estilo de jogo daquela equipe fantástica ao dizer que, na defesa, “ninguém dava chutão, nós procurávamos os dois do meio que armavam o jogo”. Pura verdade. É só ver os filmes antigos para se comprovar isso.

Recuperar esse estilo de jogo, de bola de pé em pé, de deslocações e passes, dribles e chutes na hora certa – e quase sempre precisos –, é uma meta que o Santos não deve abandonar, pois é sua alma, sua identificação. Mas para isso é preciso implantar nos jogadores a necessidade desse aprimoramento, que só vem com muito trabalho, muito esforço individual.

Na maioria das modalidades esportivas o grande atleta é obrigado a um treino constante. No tênis, o australiano John Newcombe fez horas diárias de saque a vida inteira, mesmo depois de ter conquistado os maiores torneios do mundo e de ter liderado o ranking mundial. Sua meta não era apenas títulos ou a liderança, mas atingir o máximo de seu potencial. E o serviço era o seu ponto fraco.

O tcheco Ivan Lendl, mesmo depois de alcançar a posição de número um do mundo e se tornar imbatível por várias temporadas, resolveu fazer balé para desenvolver seu jogo de pernas (antes que insinuem, um aviso: o rapaz não era gay).

Na ginástica olímpica, os atletas treinam tanto quanto os acróbatas chineses. São horas e horas diárias de exercícios estafantes, que exigem concentração total. Isso serve para o basquete, o vôlei (leia o que o técnico Bernardinho fala sobre seus vitoriosos métodos de preparação), o handebol, a natação, as lutas…

Mesmo Pelé, o Rei do Futebol, aprendeu a matar no peito, a cabecear e a chutar de esquerda com seu pai, Dondinho, e com seu técnico Valdemar de Brito. E veja que, assim como Pelé, Neymar treinou tanto bater com a perna esquerda, que virou ambidestro.

Essa consciência falta à maioria dos jogadores de futebol, que não se dedicam aos fundamentos como deveriam. O garoto Felipe Anderson, por ser mais inteligente do que muitos veteranos, já percebeu que, sem trabalho, de nada lhe valerá o talento que Deus lhe deu. Mais do que um grande jogador que, tenho certeza, ele será, é um exemplo que pode influenciar no surgimento de um Santos preciso, dedicado e talentoso, como nos bons tempos.

Por mais abençoada que seja a água da Vila Belmiro, é o suor que fez, faz e fará dos jogadores melhores do que são, dignos de envergar a camisa do melhor time de todos os tempos.

Reveja o gol de Felipe Anderson contra o Noroeste. Bola no ângulo não foi sorte nem água santa, mas resultado de muito treino.

Bem, mas esta é apenas minha opinião. E você, acha que jogador de futebol já nasce sabendo, ou é importante treinar fundamento?


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