Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: TV

Mídia dá mais espaço a times que têm mais torcida, ou times têm mais torcida porque têm mais espaço na mídia?

Só a reflexão sobre este título daria um livro. Creio não haver dúvida de que a preferência da tevê e da mídia em geral por certos times dá a eles uma popularidade maior, ou no mínimo impede que sua popularidade diminua, em um moto perpétuo baseado na busca pelo ibope.

Falar dos mais populares, dos que congregam as maiores torcidas significa aumentar as probabilidade de se obter patrocínio, ou seja, de se conseguir dinheiro, que é objetivo final dessa estratégia.

A priorização do mérito esportivo, que seria o objetivo normal da imprensa em uma sociedade ética, justa e democrática, eventualmente daria um espaço maior a clubes sem grande apelo popular, o que não interessaria aos executivos da comunicação.

O Brasil ainda está distante de ser um país ético, justo e democrático. Portanto, a atitude da imprensa esportiva, de privilegiar certos times, mesmo quando estes não fazem por merecer, apenas reflete o caráter da sociedade em que ela está inserida.

A função do jornalista esportivo

Minha escola de Jornalismo – não estou falando da faculdade, a FIAM, mas onde aprendi mesmo as bases da profissão – foi a redação do Jornal da Tarde nos bons tempos. Digo bons tempos porque se tratava de um Jornal da Tarde superior, repleto de profissionais excelentes, com uma visão revolucionária e corajosa do Jornalismo, diferente do JT de hoje, apelativo, que luta para sobreviver como pode.

Lá, no antigo JT, comecei como foca, cheguei a editor e aprendi, principalmente, a contestar as verdades, mesmo as absolutas. Hoje percebo claramente a ingerência da TV Globo na tabela da próxima Copa Libertadores e não ouvi, vi ou li nenhum veículo questionar essa relação promíscua entre a rede de tevê que transmitirá os jogos e a entidade que comanda o futebol sul-americano.

Este é apenas um caso dos muitos que poderia citar. Ficou evidente no trabalho que fiz com José Carlos Peres pela Unificação dos Títulos Brasileiros, que muitos jornalistas recebem salários para serem imparciais, mas agem como se fossem assessores de imprensa de seus clubes do coração.

O assessor de imprensa está sempre ponto para defender, divulgar e ressaltar os aspectos positivos de seu cliente, e ao mesmo tempo minimizar ou mesmo ignorar os méritos dos concorrentes. Pois é exatamente isso que muitos jornalistas fazem.

Seria mais honesto que mantivessem um veículo de comunicação próprio e nele abordassem o assunto de sua preferência – como, aliás, eu faço neste blog. Não é ético ser contratado para ser imparcial e usar o espaço para defender os interesses de seu time do coração.

A única saída dos outros é vencer, vencer, vencer

Um leitor deste blog lembra que nos tempos de Dorival Junior o futebol do Santos foi tão encantador que roubou as manchetes. Se continuasse assim, o clube continuaria tendo mais espaço na mídia até hoje. Concordo, porém, por que um time precisa ganhar sempre, ser seguidamente campeão para obter a mesma divulgação que um outro consegue sem os mesmos resultados? Onde está a justiça nisso?

O que determina o interesse do público por um ou outro time é a exposição contínua deste na mídia, independentemente de realizar grandes façanhas ou não. E esta exposição contínua é privilégio de um ou dois. Os outros podem até aparecer por um tempo, mas só se fizerem algo excepcional.

E é justamente nos períodos “mortos” – como agora, nas férias – em que não há assuntos relevantes a tratar, que os assessores de imprensa informais mais atuam, forçando pautas, destacando e mantendo em evidência seus times-clientes. Isso tudo posto, volta-se à mesma indagação:

Será que falam mais destes times por que são os que têm mais torcida, ou estes times têm mais torcida porque continuam falando mais deles?


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Se estiver realmente disposto, não marque mais nada para o fim de semana, pois ficaremos imersos no Curso sábado e domingo das 9 da manhã às 6 da tarde.

Garanto, porém, que após fazer este Curso você terá muito mais facilidade e recursos para se expressar através da palavra escrita.

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Garanta o seu lugar na classe. Não serão aceitos mais do que 30 alunos.

Leia a seguir o boletim de divulgação da ACEESP. Até a manhã de sábado. 

 Informações e Incrições

Aceesp – Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo

Avenida Paulista, 807, 9º andar, conj. 904.

Tels.: (11) 3251-2420 2 3289-8409

E-mail: contato@aceesp.org.br

Falar com Carina ou Ana Marina


O futebol brasileiro não precisa mais ser deficitário

A Vila nos tempos em que o Santos vivia só da bilheteria

Poucas marcas são tão conhecidas no Brasil como a do Flamengo. No entanto, nenhum outro clube deve tanto neste país. Há coisa de seis meses, Leonardo, hoje dirigente do Milan, disse que a dívida do rubro-negro era “impagável”. Uma fonte confidenciou-me que chegava a R$ 1 bilhão. Mesmo com os juros bancários mais baixos que se encontrar, é fácil perceber que a estrutura atual do futebol nacional não permite que se quite esse enorme passivo.

Outra agremiação de grande contingente de torcedores é o Corinthians. No entanto, só agora, com uma gestão mais moderna, o Alvinegro da Capital está conseguindo acalmar os credores. E quanto ao Santos? Bem, as últimas análises dão conta de que a dívida está em R$ 177 milhões, dos quais cerca de R$ 100 milhões são de impostos antigos.

“Santos” e “dívida” são duas palavras que há anos se relacionam – com alguma turbulência no começo, mas agora sob o acomodado clima de tolerância mútua. Parece uma praga, um gripe que volta todo ano, um mal que quase chega a ser necessário. Clube de futebol no Brasil e “problemas de fluxo de caixa” não se desgrudam. Mas será que tem de ser assim?

Confesso que quando Pelé parou e o clube não era mais capaz de pagar altos salários e manter um elenco forte, temi pelo pior. Estava começando a carreira jornalística e nas idas à Vila Belmiro, em meados dos anos 70, a visão era desoladora. O campo esburacado e o estádio caindo aos pedaços me faziam ter inveja, por exemplo, do Brinco de Ouro da Princesa, do orgulhoso Guarani, que em 1978 tornou-se campeão brasileiro.

Como a Ponte Preta foi vice-campeã paulista em 1977 e 79, o título brasileiro do Guarani marcou uma época em que muitos diziam que o futebol de Campinas ultrapassaria o de Santos, onde o Jabaquara já estava nas últimas, a Portuguesa Santista se contentava em não ser rebaixada e o Alvinegro Praiano claudicava a cada competição.

A revista Placar chegou a publicar que o Santos teria de se acostumar a ser pequeno e que Guarani e Ponte eram os novos grandes de São Paulo. O presidente do Juventus, José Ferreira Pinto, foi a um programa de tevê para mostrar o plano que tornaria o seu clube o novo grande da Capital. Pelos cálculos do dirigente, a torcida santista debandaria toda para o time da Moóca com a ausência de Pelé.

Em uma de minhas primeiras entrevistas, perguntei a Zito, então dirigente do clube, como sanar as dívidas do Santos. Ele, naquele jeitão tranqüilo, respondeu apenas que sempre ouviu falar de dívidas no Santos, mas isso nunca impediu o time de ganhar títulos e revelar grandes jogadores.    

De fato. Como do nada, surgiram os Meninos da Vila que, com algumas modificações, deram alegrias e esperanças aos santistas de 1978 a 84. Percebi, ali, ao ver Pita, João Paulo, Juary, Nilton Batata e Ailton Lira, entre outros, que grandes times não se formam só com dinheiro, mas com paixão, com carisma, com a força da camisa, coisas que o Santos tem de sobra. 

Antes, até o sucesso gerava o fracasso

Parece brincadeira o que vou dizer agora, mas durante muitos anos a verdade é que a estrutura do futebol brasileiro fazia com que o sucesso trouxesse o fracasso… Explico:

Imagine um time grande qualquer, com um elenco razoável, um técnico compatível com a equipe, torcida numerosa e quer ainda assim conseguia manter suas finanças em dia. Ótimo. Se fosse uma equipe que só almejasse não ser rebaixada, talvez pudesse viver dessa maneira anos e anos sem maiores problemas. Mas time grande quer ser campeão. Eternamente. E aí começava o problema.

Se o título demorasse a vir, certamente a despesa com o elenco seria maior a cada temporada – atendendo aos apelos cada vez mais desesperados da torcida – o ponto de equilíbrio financeiro seria atropelado, os presidentes e seus planos mirabolantes se sucederiam e em menos de uma década a orgulhosa agremiação, além de continuar na fila, estaria falida. 

Se um ótimo time fosse formado e os títulos viessem, obviamente tudo ficaria melhor no começo, mas seria apenas uma questão de tempo para que os problemas ressurgissem. Vejamos:

Jogadores campeões querem aumento, sem contar que alguns se tornam ídolos e mui justamente exigem receber como tais. A folha de pagamentos é a maior despesa de um clube de futebol e logo o seu inchaço jogava o balanço no vermelho. Ainda não havia patrocínio de camisa ou a verba milionária da tevê. A única saída era negociar os melhores jogadores, às vezes a preço de banana, pois até pagar os seus salários se tornava impossível.

Assim, em um período máximo de cinco anos, um clube que tivesse encantado o Brasil voltava novamente à estaca zero, à espera do imponderável surgimento de novos craques, que ganhariam títulos, seriam ídolos e depois iriam embora. Naquela realidade, não havia como impedir isso. 

Fontes de renda x despesas

Segundo José Carlos Peres, ex-superintendente do Santos em São Paulo, hoje executivo do G4 Paulista, um clube como o Santos, sem parque esportivo e social, voltado exclusivamente para o futebol, pode ser mantido com uma verba de R$ 3 milhões mensais. “Com este valor você mantém um time top”, diz ele.

Bem, isso dá R$ 36 milhões por ano. Como os orçamentos nunca batem,  arredondemos para R$ 40 milhões anuais de despesas. Muito bem, agora vamos às receitas estimadas do Santos em 2010:

TV – R$ 7,6 milhões pelo Campeonato Paulista e R$ 20 milhões pelo Campeonato Brasileiro. Com Copa do Brasil e Copa Sul Americana, fechamos conta em R$ 29 milhões.

Camisa – Com os calções deve-se chegar a R$ 15 milhões.  

Bilheteria – Líquido de R$ 10 milhões por ano (revezando Pacaembu e Vila Belmiro).

G4 Paulista – Já entrou R$ 3 milhões e há a possibilidade de se entrar mais R$ 10 milhões para cada um dos quatro grandes de São Paulo.

Marketing (Licenciamento) – Por enquanto tem dado cerca de R$ 900 mil.

Veja, leitor e leitora, que mesmo sem conseguir a meta estabelecida para a camisa e ainda sem o contrato assinado pelo G4, que pode dar mais R$ 10 milhões ao clube ainda este ano, o Santos deve arrecadar R$ 57,9 milhões em 2010, R$ 17,9 milhões a mais do que seria o suficiente para se manter um time de ponta no Brasil.

Claro que boa parte dos direitos de tevê já devem ter sido antecipada e que os juros das dívidas comem uma fatia generosa da receita, de forma que este cálculo deve ser visto apenas como um exemplo de que é possível, sim, um clube com a estrutura enxuta do Santos conservar-se competitivo e extremamente saudável financeiramente.

Como os valores da TV, do patrocínio de camisa, das arrecadações e do marketing só tendem a crescer, é impossível não ficar otimista com o futuro do Santos, apesar desta dívida anunciada de R$ 177 milhões.

E note que, de propósito, eu nem citei o que para os grandes clubes do Brasil já é o principal item de receita, que é a venda de seus melhores jogadores para o exterior. Porque o ideal seria faturar o suficiente para manter os seus astros, o que aceleraria não só o crescimento do Santos, mas do mercado brasileiro de futebol.

Tanto no passional, como no profissional…

Minhas duas últimas entrevistas para a seção Cara a Cara da revista FourFourTwo – João Paulo Rosenberg, diretor de marketing do Corinthians, e J Hawilla, diretor-presidente da Traffic, parceira do Palmeiras – trazem, basicamente, a mesma mensagem: para crescer e marcar presença no mundo competitivo do futebol moderno, os clubes não podem mais contar com amadores em cargos importantes.

A mesma paixão que é importante em campo, pois costuma levar a equipe a vitórias empolgantes, pode ser extremamente prejudicial fora dele, quando a vaidade pueril de alguns diretores pode afastar pessoas essenciais para o crescimento do clube. Quantos técnicos e jogadores de prestígio e alto salário já não foram marginalizados ou demitidos após uma discussão à toa com um dirigente não remunerado, que ambiciona o cargo apenas para exibi-lo como um troféu?

Felizmente, os grandes clubes de São Paulo parecem estar, a cada dia, mais alertas para esta armadilha que é deixar uma fortuna nas mãos de pessoas que mal sabem cuidar das finanças pessoais. A profissionalização chega decididamente aos clubes e aquele que não a adotar, que preferir continuar montando suas equipes de trabalho pela amizade e camaradagem, ficará para trás.

E você, leitor e leitora, acha que há remédio para a terna penúria dos clubes brasileiros? Tem alguma idéia que pode aumentar o faturamento de seu time? Vá aos comentários e mande ver.


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