Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Depois de conversar com Dunga, saí com a certeza de que Ganso está na lista. Neymar é dúvida…

Dunga: "Mas o Neymar não é franzino?"

Já tinha visitado minha mãe e minha sogra. Estava assistindo a Ceará e Fluminense quando minha mulher trouxe o telefone sem fio. “Quer falar com você. Jorge”. Jorge? Pensei em um velho amigo professor de tênis e atendi animado – Jorjão!”. Mas a voz do outro lado era desconhecida, baixa e quase formal. “Você é o jornalista Odir Cunha?”. Imaginei um editor me oferecendo um frila, ou um alguém querendo agendar uma palestra, ou pedindo um livro autografado. Mas o assunto era bem diferente…

“Aqui é o Jorginho, da comissão técnica da Seleção Brasileira. Estamos em São Paulo e o Dunga queria falar com você. Já jantou?”. Engoli em seco. Será que nas minhas críticas tinha atravessado o sinal e ofendido o técnico da Seleção Brasileira, que queria me processar? Rememorei meus artigos e constatei que não havia nada de ofensivo demais neles. “Ah, já comi uma pizza na casa da sogra…”, tentei descontrair. “Então vem tomar um café com a gente”, ele insistiu.

Ambos estavam em um hotel da Rua Augusta. Tinham assistido, disfarçados, ao jogo do Corinthians. Acho que queriam tirar as últimas dúvidas antes da divulgação da lista para a Copa, amanhã. Claro que fiquei honrado com a lembrança. Respondi que em meia hora estaria lá.

Conheci Dunga quando ele jogou no Santos, em 1986. Até ali tinha a fama de jogador medíocre, volante só de destruição. Mas nos demos bem. Também pelo fato de ele ser da mesma cidade de Ijuí, onde nasceu o grande tenista e meu amigo Marcos Hocevar, cinco anos mais velho do que Dunga.

Por falar em idade, fiz as contas e vi que em 1986, quando o conheci, Dunga tinha apenas 22 anos – era um garotão, enquanto eu, com 33, já cobria futebol há sete anos. Talvez pela minha mania de dar conselhos aos mais jovens a gente tenha se aproximado. Não sei, só sei que enquanto dirigia para o nosso encontro, tive a sensação de que não havia e nem haveria qualquer problema entre nós.

“Agora também é compositor, é?”

Dunga e Jorginho eram os únicos clientes no restaurante e ocupavam uma mesa no fundo, em um canto propositalmente escuro. Jorginho foi o primeiro a se erguer e me cumprimentar. Apertei sua mão e depois abracei Dunga. Sorrimos. Ele quebrou o gelo:

“Agora também é compositor, é? Que pagodinho sem vergonha é esse?” (referia-se ao sambinha que compus “Dunga me escuta”, que está no youtube na interpretação dos irmãos Claudio e Fernando).

“Uma brincadeira bem-humorada. Mas que diz uma grande verdade”, respondi.

“Não precisa de uma música para eu te escutar. É só me procurar…”.

“Hoje você é o técnico da Seleção Brasileira, um dos caras mais importantes do Brasil…”.

“Sem essa… Fica com meu e-mail. Jorge, depois dá meu e-mail e telefone pro Odir”.

Enquanto Jorginho se apressava em anotar em um papel o e-mail e o celular pessoais de Dunga, este, sempre muito objetivo, foi direto ao ponto:

“Você é santista pra caralho… nem sei se deveria te ouvir. Mas confio nos teus critérios. Diz pra gente por que eu deveria convocar o Paulo Henrique e o Neymar. E anda logo que a gente já tem vôo marcado…”.

Ganso, um maestro precoce

“O fato de ser santista e de acompanhar esses garotos desde as divisões de base é uma vantagem, ou não?”, retruquei. “Conheço os dois, sei do que são capazes, por isso não tenho nenhum receio de afirmar que deveriam ir pra Copa…”.

“Mas por que devem ir?”, Jorginho interrompeu.

“É, tu fala de um primeiro e depois do outro”, reforçou Dunga.

“Está bem. Vamos lá: primeiro, Paulo Henrique Ganso. Dá assistências como nenhum outro jogador brasileiro, dentro ou fora do País. Bola no pé dele tem destino certo. O jogo está aquele bate e rebate, de repente a bola cai no pé do Ganso e a gente já espera que ele coloque alguém na cara do gol, ou limpe a jogada. Tem uma visão de jogo impressionante, descobre espaços que nem você assistindo à tevê consegue enxergar…”.

Percebi que Jorginho olhou para Dunga e ambos sorriram discretamente. Prossegui, mais empolgado: “Nota máxima em habilidade. Dribla no chão ou pelo alto, se vira bem nos menores espaços e se tiver de segurar a bola, então, ninguém tira dele”. Neste momento percebi que Dunga ficou mais interessado. Acho que ele imaginou um jogo duro, em que o Brasil terá de prender a bola nos últimos minutos. Há um cara melhor do que o Ganso para isso?

“E o detalhe mais importante: tem só 20 anos, fará 21 em outubro, mas já é maduro. Viram como ele jogou na final do Campeonato Paulista? Enquanto os veteranos Léo, Marquinhos e Roberto Brum foram expulsos, ele fez questão de ficar em campo, pôs a bola embaixo dos asas e garantiu o título…”.

“Outra coisa: tem um bom porte físico: 1,84m e está mais forte. Também é uma opção em bola alta e já fez gols de cabeça pelo Santos…”.

“Mas ele saber marcar?”, interrompeu Jorginho, provavelmente antecipando-se a uma pergunta de Dunga.

“Olha, tem marcado melhor”, respondi. “Não é um marcador nato, mas cerca bem e já está conseguindo roubar algumas bolas. E marca sem fazer falta escandalosa. É inteligente até nisso… Mas sobre isso tenho uma opinião: é mais fácil você fazer um craque ajudar na marcação do que um marcador virar craque. Ou não?”.

Jorginho e Dunga olharam-se significativamente. Completei as informações sobre Paulo Henrique dizendo que era canhoto (os canhotos costumam ter algo especial no futebol) e que seria o reserva ideal do Kaká, apesar de considerá-lo, hoje, melhor do que o titular da Seleção.

Neymar, aquele que vai pra cima

Percebi que não havia mais nada de essencial a falar sobre Ganso e tratei de dar minha opinião sobre Neymar. Destaquei, em primeiro lugar, sua inteligência. Sem ela, qualquer jogador profissional sabe, não se obtém sucesso no futebol…

“Na primeira vez que pegou na bola como profissional, há mais de um ano, pelo Campeonato Paulista, ele recebeu na lateral direita, driblou o zagueiro com uma facilidade espantosa e tocou de cobertura, quase sem ângulo”, comecei.

“Gol?”, quis saber Jorginho. “Não, travessão”, respondi, “mas sabe aquele lance que já deixa em todos a certeza de que se está diante de um cara iluminado?”

“Vocês dizem que estou pedindo pelos dois na Seleção porque sou santista”, retruquei, “mas o fato de torcer para um time não muda meus conceitos sobre o futebol. E eu digo que se fosse técnico e tivesse de escolher entre Neymar e Robinho, escalaria o Neymar. Hoje ele é mais decisivo…”.

“Como assim?”, perguntou Dunga.

“Dribla e passa melhor, ou seja, dá mais sequência às jogadas. Também arremata bem melhor a gol. Já estamos em maio e o garoto mantém a média de quase um gol por jogo este ano. Assim como marca, serve aos companheiros. É um jogador de equipe, mas se preciso sabe usar muito bem sua capacidade individual…”.

Percebi que Dunga e Jorginho mexeram-se nas cadeiras esperando mais informações sobre o talento de Neymar, e prossegui: “O garoto vai pra cima mesmo, não tem medo de botinada e nem de perder a bola. Não é aquele cara que diante de uma dificuldade toca de lado ou pra trás. Deve ser um inferno marcar o Neymar, pois ele não para. É ágil, esperto. Em um time com tantos jogadores bons, como a Seleção, ele iria deitar e rolar”.

“Não sei… Não é muito franzino para agüentar uma Copa?”, resmungou Dunga.

“Está mais forte e mais alto este ano. Aumentou dois centímetros e quatro quilos. Mas cair, pra ele, é uma defesa. Se deixar o corpo firme, podem lhe quebrar. Cai porque amortece a pancada. Mas não passa um jogo que não provoque cartões amarelos nos adversários. E num jogo duro, amarelar os inimigos e cavar bolas paradas perto da área é bom, não?”

“Acho que ele estará no ponto em 2014, mas agora não sei, tenho o Nilmar, ou mesmo o Tardelli…”, ponderou Dunga.

“Olha, tinha um chefe de reportagem, o Roberto Avallone, que dizia que futebol é o momento. E no momento os dois garotos estão comendo a bola. Não se sabe como será em 2014, mas hoje eles têm de ser titulares em qualquer time. Com eles em campo, a preocupação passa para o outro lado. Eles criam jogadas, criam opções…”

“Futebol não é só criar, também é destruir as jogadas do adversário. Para você ter a bola, precisa roubar do outro time”, interrompeu Jorginho.

“Sim”, concordei. “Mas depois de roubar a bola do adversário, vem a questão do que fazer com ela. O forte do futebol brasileiro sempre foi a criatividade. Sem jogadores criativos, o Brasil se igualará às outras equipes”.

“ A gente não precisa ter muitos criativos. Igualando-se aos gringos na marcação, a gente acaba decidindo na habilidade individual”, enfatizou Dunga.

“Sim”, concordei, “há mais de um jeito de ganhar uma Copa. Pode ser de um jeito lotérico, como uma disputa de pênaltis, como foi em 1994, ou com uma série de goleadas, como em 1958 e 1970, quando a Seleção tinha vários jogadores criativos, vários craques no ataque…”

“Valeu, Odir. Obrigado por suas informações. Agora a gente tem mesmo de ir, não é Carlos?”, encerrou bruscamente Jorginho, que às vezes chama Dunga pelo nome de batismo.

“Eu é que agradeço pela honra de me ouvirem. Mas não comecei a campanha #gansoeneymarnacopa no twitter por ser santista, podem crer nisso. Pois considero Elano e Robinho tão santistas como o Ganso e o Neymar e hoje, se fosse escolher, levaria os dois moleques, de olhos fechados” (fiz questão de usar a expressão ‘olhos fechados’ para que Dunga e Jorginho se lembrassem de que Zico também a utilizou para falar da vontade de ver Neymar na Copa. Todos os grandes craques do futebol brasileiro, aliás, têm concordado que Ganso e Neymar devem jogar na África do Sul).

Despedimo-nos rapidamente. No estacionamento tirei o gravador do bolso e confirmei que toda a conversa tinha sido gravada. Agora você, leitor do Blog do Odir, a tem em primeira mão.

Tire suas conclusões. Será que Dunga e seu conselheiro Jorginho ficaram convencidos de que Ganso e Neymar devem ser chamados para a Copa? Eles estarão na lista amanhã? Fiquei com a impressão de que Paulo Henrique Ganso é nome certo. A dúvida é Neymar.


#gansoeneymarnacopa – Uma campanha a favor do talento

Por volta das duas horas da manhã de hoje, portanto apenas duas horas depois do início da campanha, a tag #gansoeneymarnacopa era a mais vista em São Paulo e a quarta do Brasil. E isso porque concorria com o abominável BBB.

Este sucesso demonstra que há muita gente querendo mais talento nesta Seleção Brasileira; que Paulo Henrique Ganso e Neymar já são considerados aptos a jogar uma Copa do Mundo e que nós, um detalhe chamado povo, quando queremos e temos uma boa causa para nos motivar, podemos fazer a diferença.

Ouça a composição Dunga me escuta!

http://blogdoodir.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Dungameescuta.mp3

Imprensa apoia

Como passei a maior parte do tempo na frente do computador, não acompanhei a maioria dos programas de rádio e tevê ontem, mas fiquei sabendo que o Arena Sportv falou da campanha, assim como o Milton Neves em seu twitter. A melhor matéria, porém, veio de A Tribuna Online, que mostrou o samba “Dunga me escuta”, arranjado e interpretado pelos irmãos Cláudio e Fernando, do SantosGol.

Clique e veja a matéria com o vídeo

Muitos jornalistas já  tinham dito que o técnico Dunga deveria chamar estes dois jogadores do Santos para a Copa. Os especialistas concordam que não há um reserva ideal para Kaká no elenco que deve ir para a África do Sul. Ganso seria o cara. Quanto a Robinho e Neymar, o estilo é o mesmo, mas, acredito, Neymar tem uma visão de jogo ainda maior do que o R7 e poderá ser uma opção interessantíssima para o técnico da Seleção.

Campanha não é contra o Dunga

O objetivo não é criticar o técnico Dunga, nem ofende-lo ou ameaça-lo. Ao contrário. Resultado por resultado, creio que seja o melhor técnico da Seleção Brasileira dos últimos 24 anos. De quatro competições, ganhou três. Não se classificou para a Copa com as calças na mão, como seus antecessores. Enfim, a questão não é ser contra o Dunga, mas ser a favor do talento.

É normal que o técnico desconfie de dois jovens que ainda não jogaram na Seleção principal, mas no futebol a bola e as dimensões do campo são as mesmas, assim como a violência dos adversários. E as dificuldades que se tem diante de equipes como São Paulo, Corinthians e Palmeiras é similar às que serão encontradas na Copa.

É uma bobagem dizer que eles só enfrentaram equipes fracas. Até porque, os outros grandes de São Paulo enfrentaram as mesmas equipes e não fizeram metade dos gols e nem deram um décimo do espetáculo. A tabela do Campeonato Paulista prova claramente isso.

O que se quer é que o técnico e a CBF prestem muita atenção nestes dois jogadores e façam o que é certo: levem ambos para a Copa da África do Sul. Alguns do grupo fechado terão de sair? Paciência. Muitos estão jogando mal há algum tempo e nenhum tem o talento e o potencial de Ganso e Neymar. Com os garotos geniais o Brasil estará mais forte, com mais alternativas de ataque e será um adversário mais temido. Quem pode duvidar disso?

A Campanha #gansoeneymarnacopa continua direto

A Campanha #gansoeneymarnacopa no twitter é apenas uma forma visível de alertar para a questão. Quem está de acordo com a Campanha, a cada mensagem que teclar no twitter, que dê um jeito de incluir a tag #gansoeneymarnacopa
Desta forma, ficará  evidente que não descansaremos enquanto não vermos, na última lista para a Copa do Mundo, os nomes de Neymar da Silva Santos Júnior e Paulo Henrique Chagas de Lima.

Se os homens que comandam a Seleção não quiserem mesmo que estes jovens e extraordinários talentos do futebol brasileiro joguem a Copa do Mundo da África do Sul, paciência. Mas que os responsáveis pela ausência de ambos assumam as responsabilidades pela decisão.

Quanto a nós, que nos engajamos na Campanha, teremos nossas consciências tranqüilas. Fizemos o que estava ao nosso alcance em prol do jogo bonito, do talento no futebol.

Não posso falar por todos, mas quanto a mim, torcerei, sempre, pela Seleção Brasileira. Mas que seria mais fácil torcer para um time que toda hora está na cara do gol, ah, como seria…

E você, já deu sua twittada hoje? Vai lá e escreva #gansoeneymarnacopa. Dê um click para o bem do Brasil.


Dê 30 segundos em prol do futebol-arte. Vá ao twitter a partir da meia-noite e participe da campanha #gansoeneymarnacopa

Logo mais, um segundo depois da meia-noite, será deflagrada a “Campanha Ganso e Neymar na Copa”, que visa não só tentar convencer o técnico Dunga e a CBF a incluir estes dois indiscutíveis talentos no elenco que disputará o Mundial da África do Sul, como despertar a consciência das pessoas para a necessidade de se valorizar e preservar o futebol bonito – uma das manifestações responsáveis pela construção da alma brasileira.

Ilustradores, compositores, poetas, escritores e, principalmente, o torcedor comum, estão convidados a se engajar nessa causa mais do que justa. Quem valoriza a arte e o talento não pode, ou não deve, se omitir.

Aos poetas, sugiro que façam versos e os divulguem; aos compositores, que criem canções, aos escritores, que tirem o branco da tela… O espaço do Blog do Odir estará sempre aberto a manifestações que apoiem o futebol bonito, razão primordial da Campanha #gansoeneymarnacopa

Mesmo quem não tem qualquer dom artístico (todos têm, mas alguns acham que não) devem apoiar o movimento apenas entrando no twitter e teclando mensagens com a tag #gansoeneymarnacopa

Cada um de nós é uma formiguinha, eu sei bem, mas a união de todos pode fazer a diferença. No mínimo estamos tentando, e por uma causa justíssima. Estou certo de que se forem, estes dois podem fazer a diferença na Copa do Mundo. Por isso, tecle com determinação: #gansoeneymarnacopa

Clique AQUI para ver o filme do Diego Carvalho e o samba tocado e interpretado pelos irmãos Claudio e Fernando, do SantosGol


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