Blog do Odir Cunha

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Tag: Uol

A pior derrota

Parabéns, você frequenta o blog mais participativo do futebol

Um amigo já tinha me enviado essa informação, mas não dei muita bola. Hoje fui conferir e realmente ele está certo. Com dados das 8 horas da manhã desta segunda-feira, 29 de maio de 2017, pode-se afirmar que este é, disparado, o blog mais participativo de futebol da imprensa brasileira – mérito seu, claro, querido leitor e querida leitora, que tem o hábito de usar a caixa de comentários não só para opinar sobre o Santos e seus jogadores, mas também para discutir os mais diversos assuntos.

Pelas informações passadas por esse amigo, que comparou este blog aos 17 blogs ativos do UOL que falam de futebol, enquanto nosso post tinha 174 comentários, o blog de futebol com mais comentários no UOL não chegava sequer à metade deste número e todos os 17 blogs do portal, somados, alcançavam 179 comentários, praticamente a mesma quantidade do nosso.

Isso não deixa de ser uma vitória também para o nosso Santos, pois prova que um espaço exclusivo de informações e debates sobre o Glorioso Alvinegro Praiano pode, sim, ser mais atraente e gerar mais participação do leitor do que outros que se propõem a falar de todos os times, com destaque para “os mais populares”, além de usarem da visibilidade preciosa de um grande portal de notícias, como o UOL.

Fico envaidecido por ser o mediador de comentaristas tão inteligentes, sagazes, independentes e, por que não dizer, mordazes, que frequentam regularmente este espaço e o enriquecem com sua visão e sabedoria. A seguir, a quantidade de comentários dos blogs de futebol do UOL às oito horas desta segunda-feira, 29 de maio de 2017:

Blog do Vitor Birner
Ceni foi humilde e competente para ganhar o duelo tático de Cuca
Comentários: 19

Blog do Paulo Vinícius Coelho
O domínio de quem não perde
Comentários: 9

Blog do Menon
Ceni acertou mais do que Cuca. Bem mais
Comentários: 18

Blog do Roberto Avallone
O Corinthians, líder. E justiça a Fernando Prass.
Comentários: 1

Blog do Mauro Beting
De grão em grão…. Atlético-go 0x1 Corinthians…
Comentários: 0

Blog do Rodrigo Mattos
Brasileiro tem início com frente embolada e sem influência da tabela…
Comentários: 0

Blog do Marcel Rizzo
Barcelona sonha com Mina antes do combinado. Falta acertar com o Palmeiras
Comentários: 63

Blog do Milton Neves
O Timão é o favorito ao troféu “Cavalo Paraguaio-2017”!
Comentários: 31

Blog do Ohata
ESPN transmite mesma partida de Fox Sports e vence duelo de audiência
Comentários: 6

Blog do Mauro Cezar Pereira
Cidade eterna. Amor eterno. Todos deveriam ter um Totti para idolatrar
Comentários: 12

Blog do Juca Kfouri
Ninguém 100% e só quatro invictos: é o Brasileirão!
Comentários: 4

Alexandre Praetzel
Guto Ferreira nega contato do Inter e diz que está feliz no Bahia
Comentários: 0

Blog do Rafael Reis
Europa não tinha temporada tão farta em gols desde tempos de Eusébio
Comentários: 0

Blog do André Rocha
Não há razão para crise no Palmeiras. Mas existe um dilema.
Comentários: 4

Futebol em Números
Pratto: gringo com a melhor média de gols do São Paulo no século.
Comentários: 3

Blog do Leonardo Bertozzi
Entre um argentino e um finlandês, Totti quase deixou a Roma antes de virar lenda.
Comentários: 8

Corneta FC
A vitória do São Paulo sobre o Palmeiras em memes
Comentários: 1

Os comentários de todos os 17 blogs do UOL somavam 179. No mesmo horário, o nosso blog, com o título “A pior derrota”, tinha 174 comentários. Mérito seu! Parabéns!

A PIOR DERROTA

Perder para o Cruzeiro, na Vila Belmiro, por 1 a 0, é normal. Porque o Santos estava desfalcado de Lucas Lima, o único que se assemelha a um craque nesse time; porque o Cruzeiro é uma equipe de respeito e porque jogar em um estádio envidraçado por camarotes que abafam os gritos do torcedor, com apenas 7.025 pessoas presentes, não mete medo em ninguém. O que não é normal, o que significa a maior derrota do Santos no momento, é a mentalidade vigente no clube de que encastelar-se nos muros de sua cidade vai salvá-lo das tristezas do futebol.

Muitos santistas, até alguns que trabalham para a gestão que domina o clube, alertaram que três jogos seguidos na Vila Belmiro seria uma fórmula pronta de prejuízo. Nesse domingo, por exemplo, não havia jogo na capital, então por que não marcar Santos e Cruzeiro para o Pacaembu? Sabe-se, porém, que os assessores mais radicais do presidente defendem que só jogos sem expressão sejam levados para São Paulo. Como é ano de eleição, Modesto Roma não quer contrariá-los.

Assim, ignorando o bom senso e os mínimos princípios de planejamento que se espera de um clube de futebol profissional, o Santos fez os três jogos na Vila Belmiro, e obteve os públicos de 5.921 pessoas contra o Coritiba, dia 20 de maio, sábado passado; 6.632 espectadores contra o Sporting Crystal, dia 23, terça-feira, e agora, 7.025 torcedores contra o Cruzeiro, em uma média de 6.526 espectadores por partida.

Contra o Coritiba, segundo o balanço financeiro divulgado pela CBF, o jogo proporcionou um lucro líquido de 32 mil e 661 reais, mas só as “despesas diversas” chegaram a 44 mil e 891 reais. É fácil prever, portanto, o montante que o Santos deixou de ganhar ao contrariar a maioria de seus torcedores e marcar três jogos seguidos para o Urbano Caldeira.

Se o Pacaembu fosse um estádio maldito, onde o Santos perdesse todos os seus jogos, ainda se entenderia. Mas no estádio municipal de São Paulo o Alvinegro Praiano é o detentor do recorde de 19 vitórias consecutivas e mantém uma média de público que se aproxima de 25 mil pessoas. É incompreensível, amadora e discriminatória essa aversão ao estádio mais bem localizado do Brasil, onde o Santos tem uma tradição de grandes públicos, vitórias memoráveis e títulos históricos.

No Campeonato Brasileiro do ano passado foram as derrotas na Vila Belmiro que tiraram do Santos a chance de lutar pelo título. Neste ano o time ganhou do Coritiba devido a uma atuação extraordinária do goleiro Vanderlei e agora perdeu do Cruzeiro em um jogo no qual foi dominado boa parte do tempo. Não dá para dizer que o time jogaria melhor e ganharia no Pacaembu, mas também não dá mais para dizer que na Vila ele ganha todas. Nem uma criança acredita mais nessa crendice.

Assim, é irrelevante destacar quem jogou bem ou mal contra o Cruzeiro. Acho que o time todo se esforçou e deu o máximo que pode. Ocorre que os jogadores não podem dar mais do que isso. Falta ao time, principalmente, um armador talentoso e inteligente, que possa substituir ou jogar ao lado de Lucas Lima. Falta também um atacante mais jovem, rápido e com alguma técnica. Ricardo Oliveira tem técnica, mas já lhe faltam pernas. Na defesa, se continuasse de pé e não desse o carrinho, provavelmente Lucas Veríssimo não teria sido driblado. Porém, são detalhes.

O mais importante não é só ganhar os jogos, mas planejar uma trajetória que torne o Santos saudável financeiramente, com possibilidade de contratar melhores jogadores e se manter ainda mais cativante para os jovens, abrindo assim novas possibilidades mercadológicas. Mas não será jogando para um público médio de 6.500 pessoas que ele conseguirá isso.

E você, o que acha?

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O Santos na mídia, este blog, as contratações e o jogo de hoje

Claudinei mantém o time contra o bom Coritiba

O mesmo Santos que goleou a Portuguesa entrará em campo neste domingo, às 16 horas, na Vila Belmiro, contra o surpreendente Coritiba do jovem técnico Marquinhos (34 anos) e do veterano Alex (35). O técnico Claudinei Oliveira mantém os Meninos Alan Santos no lugar do volante Arouca, machucado; Leandrinho no meio e Neilton no ataque. Na defesa, porém, não mexe na zaga e nem nas laterais, apesar de já poder escalar Cicinho na lateral-direita e Mena na esquerda.

Após três vitórias consecutivas, o Santos se aproximará do G4 se obtiver mais um triunfo hoje, porém o adversário está fazendo ótimo campeonato e poderá voltar à liderança se conseguir os três pontos.

Espera-se um público próximo das dez mil pessoas, já que este Novo Santos tem feito por merecer a confiança do torcedor. De uma equipe que parecia ter como único objetivo não ser rebaixada, o Alvinegro Praiano já se coloca na melhor posição entre os paulistas.

Santos: Aranha; Galhardo, Edu Dracena, Durval e Léo; Alan Santos, Cícero, Leandrinho e Montillo; Neilton e Willian José. Técnico: Claudinei Oliveira.

Coritiba: Vanderlei; Victor Ferraz, Leandro Almeida, Chico e Diogo; Júnior Urso, Bottinelli, Robinho e Alex; Geraldo e Deivid. Técnico: Marquinhos Santos.

Arbitragem: Leandro Pedro Vuaden (RS), auxiliado por Marcelo Bertanha Barison (RS) e Jose Eduardo Calza (RS).

thiago ribeiro
Thiago Ribeiro em ação pelo Cagliari, driblando dois do Pescara.

Como você já deve saber, o Santos adquiriu 100% do passe do atacante Thiago Ribeiro, que estava no Cagliari, e talvez até o fim do dia – o último da janela de transferências – anuncie mais alguma contratação importante. Falaremos sobre isso mais adiante neste post, pois agora gostaria de abordar uma questão recorrente entre os santistas, que é a mágoa pela maneira desleixada como a imprensa da capital paulista trata o Alvinegro Praiano.

A todo momento me deparo com comentários de leitores indignados pelo espaço diminuto que programas de rádio e tevê – só para nos limitarmos à mídia eletrônica – dedicam ao melhor time de todos os tempos. É realmente inconcebível que a imprensa paulistana seja tão bairrista a ponto de esquecer dos quase dois milhões de santistas que vivem na Grande São Paulo.

O mercado que esses santistas representam é, além de numeroso, riquíssimo, pois pesquisas comprovam que são os torcedores de maior poder aquisitivo do eixo Rio-São Paulo. Quem depende de audiência e publicidade deveria estar atento para isso, mas, infelizmente, nenhuma demonstração de incompetência nos assusta mais nesse pobre e empírico Brasil.

Não precisamos ir longe para dar um exemplo da visibilidade e do poder que a torcida do Santos empresta a um veículo de comunicação. E como veículo eu peço a sua permissão, leitor e leitora, para citar este humilde blog. Você sabe que ele, desde que foi fundado, no começo de 2010, só fala do Santos. Poderia falar de tudo, poderia fazer média com esse ou aquele, mas não. Fala do assunto esportivo que mais me interessa: o Santos Futebol Clube.

Você também sabe que este blog não está hospedado em nenhum portal que recebe milhões de acessos por dia, nem é escrito por alguém que está todo dia na mídia. Trabalho numa editora, faço meus livros, estou fora da grande imprensa.

Pois bem. Não sei se você já prestou atenção, ou fez as contas, mas posso lhe adiantar que os dez blogs sobre futebol mais acessados do UOL, com chamadas na home do esporte, não chegam à média de 80 comentários por post. E se tirar o blog do Milton Neves, a média não alcança 50 comentários.

Enquanto isso, este blog nosso de cada dia, só de santistas, mantém a média de 176 comentários liberados por post, mais do que 90% dos blogs de futebol do UOL e uma das maiores participações de leitores em um blog independente de qualquer assunto.

Confira o número de comentários dos últimos 20 posts deste blog

1 – Uma análise fria do elenco do Santos – 271 comentários
2 – As vantagens de apostar nos Meninos da Vila – 234
3 – Santos de Claudinei já é melhor (e bem mais barato) do que o de Muricy – 214
4 – Kléber Gladiador não!!! – 356
5 – Faltou atitude. Desta vez, só Leandrinho se salvou – 201
6 – Que os Meninos mostrem hoje que eles é que são os craques – 120
7 – Santos prova, de novo, que salário alto e fama não garantem bom time – 125
8 – Constatações de uma vitória importante – 111
9 – Claudinei precisa se ajudar. Ou Ney Franco vem aí – 85
10 – Ah, se eu tivesse essa chuteira do Neymar… – 112
11 – Se a Seleção surpreendeu, o Santos também não pode? – 94
12 – Sim, hoje é o dia sem Globo! E mais: Neymar, Brasil, Santos… – 181
13 – Contratação de Gerardo Martino, para variar, já virou novela – 154
14 – Sorry periferia, mas este Neymar ainda é o do Santos! – 228
15 – Luis Álvaro quer dissolver o Comitê Gestor. E a fria contra o Barça… 129
16 – O meu lado, o seu lado, o nosso lado – 173
17 – Vem aí o 1º de julho, o “Dia sem Globo” – 218
18 – O povo brasileiro e a torcida do Santos desconfiam igual – 114
19 – Manifestações provam que Internet é mais importante que a tevê – 204
20 – Loucura é… – 331 comentários.

Quando a Rádio Trianon mantinha um programa diário sobre o Santos – apresentado por José Calil e produzido por Valdir Pereira – a audiência atingiu picos de 400 mil pessoas, superando a maioria dos programas esportivos do rádio de São Paulo.

Dei apenas esses dois exemplos para que o santista perceba que o veículo de comunicação que fala de futebol e esquece o Santos está perdendo audiência e, com ela, boas possibilidades de patrocínio. Em suma, o azar é de quem negligencia a força da comunidade santista.

Thiago Ribeiro, Misael e quem mais?

Até o fim do dia o Santos deve anunciar mais contratações. Por enquanto, diz que comprou 100% dos direitos do atacante Thiago Ribeiro, que estava no Cagliari. O preço anunciado é o de três milhões de euros, ou 8,7 milhões de reais, e o contrato irá até julho de 2017. Ribeiro, que só marcou 10 gols pelo Cagliari, disse que estava voltando ao Brasil por motivos familiares.

De qualquer forma, me parece um bom negócio. Se estiver bem fisicamente, o técnico, jovem (27 anos e cinco meses), alto e forte Thiago Ribeiro pode reviver a dupla com Montillo, que tão certo deu no Cruzeiro. E, se não der muito certo, ele poderá ser negociado talvez por um valor maior.

Outro nome anunciado é o de Misael, jovem volante-meia que estava no Grêmio e tem vínculo com o Deportivo Maldonado, do Uruguai. Com apenas 19 anos, campeão sul-americano sub-17 em 2011, Misael é a chamada aposta. Se der certo, ótimo. Se não, ao menos o clube não gastará muito com ele.

Mas, como eu disse, o dia ainda não acabou, e o Santos continua atrás da cereja do bolo. Parece que há dois jogadores conhecidos em vista. Vejamos. Espero que essa diretoria me surpreenda positivamente.

Reveja algumas boas jogadas – e gols – de Thiago Ribeiro:

E você, tem uma opinião formada sobre os assuntos de hoje?


Mais uma reportagem tendenciosa, do UOL, sobre Neymar e Ganso


“Eles estão distantes”, diz o UOL, esquecendo-se de que ocupam o mesmo quarto na concentração.

Hoje a matéria principal do Esporte do UOL, site que ainda assino, tenta mostrar que os amigos Neymar e Ganso estão distantes. Com o título “Influência de empresários e assessores distancia os amigos Neymar e Ganso”, o texto é assinado por Gustavo Franceschini, João Henrique Marques e Ricardo Perrone. Bem, esta matéria é uma grande forçação de barra.

Com um pouco mais de perspicácia, os três autores teriam feito um trabalho mais honesto, pois ao menos não se “esqueceriam” de um detalhe que faz com que tudo que disseram perca a validade. Ou faltou conhecer melhor como funciona um time de futebol, o que é obrigação para quem acompanha o esporte, ou o “esquecimento” foi proposital, o que denota vontade de arredondar a pauta, ou má fé mesmo.

O xis da questão é quando a trinca de autores afirma que “Ganso e Neymar agora só são vistos juntos durante os treinamentos do Santos”, não dando a real dimensão de tempo que isso significa. Ora, jogadores de futebol solteiros passam a maior parte do tempo no clube, não só treinando, mas tomando as refeições, ouvindo as orientações do técnico e do preparador físico, viajando, se concentrando para os jogos… Enfim, convivem mais com os companheiros de time do que com os familiares.

Ambos dividem o mesmo quarto na concentração

E há um detalhe entre Ganso e Neymar que não poderia ter passado despercebido para quem escrevesse sobre eles: ambos dividem o mesmo quatro no Hotel Recanto Alvinegro, onde o Santos se concentra. Portanto, continuam conversando muito, jogando videogame, dormindo no mesmo ambiente, enfim, compartilhando da companhia um do outro a maior parte do tempo, mesmo longe das câmeras.

Vi nos comentários da matéria do UOL que os santistas já estão dizendo que sempre antes de um jogo importante do Santos, surge esse tipo de reportagem, como se fosse o UOL estivesse de caso pensado para desestabilizar o time. Não acredito nisso.

Acho que a visibilidade maior que estes jogadores gozam no momento, e a circunstância de jogarem no mesmo time, faz com que surjam, naturalmente, pautas que envolvem os dois e o Santos. O que incomoda é que, invariavelmente, puxam para o lado negativo, como se só a polêmica atraísse a atenção dos leitores.

Acho o caminho da polêmica pobre, mesquinho e manjado como saída para um bom jornalismo. Há tantas coisas interessantes para se falar sobre a amizade de Neymar e Ganso, dois jovens geniais que ainda nos dão o prazer de desfilar sua arte pelos campos brasileiros, que escolher a fofoca demonstra, no mínimo, falta de imaginação.

O que você acha do jornalismo que apela para a polêmica para chamar a atenção? É uma saída válida, ou só faz o veículo perder a credibilidade?


Astróloga prevê que editores do UOL serão demitidos por falta de ética

Houve um tempo em que “novo jornalismo” era uma denominação para um estilo de redação jornalística que incorporava técnicas do texto de ficção. Hoje, para muitos veículos, parece que inovar é criar novidades sensacionalistas para atrair audiência. As previsões da astróloga Mari de Moraes, publicadas no UOL em 12 de janeiro, são um bom exemplo dessa “criatividade” que burla não só as regras do bom jornalismo, mas também a legislação e a ética.

Todos sabem que calúnia e difamação são crimes. Matérias mentirosas, que prejudicam a imagem de alguém, podem resultar em processos com sérias consequências para o jornalista e para seu veículo.

Porém, o UOL parece ter descoberto uma saída genial para o caso: ao fazer com que as nefastas “previsões” partam da boca de uma vidente, o portal sente-se livre para divulgar os mais terríveis absurdos sobre a personalidade que lhe convier.

Assim, com a maior naturalidade do mundo, “a publicitária de formação e astróloga por vocação” Mari de Moraes previu que Neymar terá problemas com o álcool em 2011. Na verdade, o texto diz uma coisa e o sub-título outra, bem mais contundente. O texto: “E Neymar corre o risco de virar baladeiro e perder o foco da carreira, gerando novos problemas para o time da Vila Belmiro”. O sub-título: “Astróloga prevê lesão de Ronaldo, alcoolismo de Neymar e queda do Vasco”.

No seu site, Mari de Moraes diz que a Astrologia a faz feliz, pois com ela “consigo ajudar uma pessoa a se encontrar”. Não sei que tipo de ajuda ela está dando a Ronaldo ao dizer que ele passará por mais uma lesão; aos vascaínos, ao afirmar que seu time viverá mais uma vez o trauma do rebaixamento, e a Neymar ao garantir que ele terá problemas com o alcoolismo. Bem, para começar, ela terá de torcer para Neymar começar a beber, coisa que ele não faz.

Bem, sabe-se lá que poderes a mulher tem… Além de astróloga, a guru do UOL se diz especialista em feng-shui residencial e comercial, numerologia, radiestesia e técnicas de realinhamento energético. Ou seja, nas horas vagas ela deve ser consultora de Deus…

Flamengo campeão da Libertadores, acidente grave de Schumacher…

Consultada regularmente pelo UOL, em 30 de dezembro de 2009 a astróloga disse que o Flamengo seria o campeão da Copa Libertadores. Justificou, lembrando que “sete ou oito” planetas estavam alinhados na mesma casa e que por isso o rubro-negro tinha 60% de chances de ser campeão. E nem citou o Internacional, aquele que efetivamente levantou a taça.

Dona Mari também garantiu que Michael Schumacher sofreria um grave acidente na Fórmula-1, entre setembro e outubro, depois de sofrer um acidente menor em maio. O repórter quis saber se havia grandes chances de ele sofrer esse acidente, e ela corrigiu, reafirmando sua certeza de que o piloto alemão sofreria este acidente e que se arrependeria de não ter abandonado a carreira antes.

Você ficou sabendo de algum acidente grave de Schumacher em 2010? Pois acabo de ler que o espanhol Fernando Alonso elege Schumacher como um dos candidatos ao título de 2011. Ah, dona Mari também garantiu que Bruno Senna se estabilizaria na Fórmula-1 em 2010. E o rapaz foi demitido.

Dizer que alguém é ou será alcoólatra pode ser considerado difamação

Dar vazão a todas as profecias da astróloga Mari de Moraes pode causar sérios problemas ao UOL. Não é porque é uma “previsão”, que se está livre das leis de imprensa. Imagine as conseqüências, até diplomáticas, de se “prever” que altas autoridades estarão envolvidas em casos de corrupção, pedofilia, assassinato e quetais…

Há que se ter bom senso para se divulgar certas “previsões”, critério que deve partir da orientação jornalística do veículo. Alcoolismo, todos sabem, é uma das pragas do Brasil. Tornar-se alcoólatra é uma tragédia pessoal e familiar das mais graves. A simples afirmação de que Neymar, um garoto de 18 anos, feliz, bem-sucedido e que nem bebe, passará a faze-lo compulsivamente, já está prejudicando sua imagem. Por isso a tal profecia é um caso evidente de difamação.

Difamar é reputar a alguém um fato que seja ofensivo para sua honra, que ofende o seu crédito ou sua reputação em seu meio social. Pelo artigo 139 do Código Penal Brasileiro, difamar alguém prevê uma detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.

O garoto Neymar é o melhor jogador e o maior ídolo do futebol brasileiro no momento. Falar dele dá audiência e visibilidade aos mais variados veículos de comunicação, portais inclusive. É compreensível, pela preferência ao sensacionalismo que se nota na imprensa, que seus problemas ganhem mais espaço do que seus méritos. Infelizmente, é uma tendência negativa que não se consegue evitar.

Entretanto, que este novo-velho jornalismo dedicado ao mundo cão, aos valores menos nobres do homem, ao menos saiba esperar que os fatos realmente aconteçam para depois divulgá-los. E não contrate videntes para construir informações maliciosas a partir da decantada conjunção dos astros.

Você não acha que essas “previsões” esotéricas também devem estar sujeitas às leis de imprensa sobre calúnia e difamação?


Uol mistura épocas para falar sobre a unificação


Olhar o passado com os olhos do presente é cômodo, mas é um erro que deve ser evitado

Em uma matéria publicada hoje, o Uol compara quantos jogos o Santos fez para conquistar seis títulos brasileiros nos anos 60, e quantos fez o São Paulo para obter o mesmo número de títulos. Há uma diferença de quatro décadas entre as duas épocas, além de formatos diversos de competição, mas o Uol achou que poderia misturar tudo. Isso me lembrou uma piada de português.

Quando o português Carlos Lopes venceu a maratona de Los Angeles, veio a gozação: o lusitano precisou correr 42 quilômetros para ganhar a mesma medalha que o norte-americana conseguiu correndo apenas 100 metros.

Alguns argumentos que certos sites desinformados estão usando para tentar diminuir a importância das competições nacionais do Brasil antes de 1971 se parecem com essa piada sobre o herói Carlos Lopes.

Comparar duas competições de épocas e formatos diferentes, distantes quatro décadas uma da outra, é como colocar um corredor de 100 metros e um maratonista frente a frente na mesma competição.

É impressionante que, por mais que se fale sobre isso, poucos conseguem captar o espírito desta unificação. Ou estas pessoas não querem entender de forma alguma, e aí demonstram uma má vontade que não combina com o espírito do jornalismo, que deve estar aberto mesmo para pontos de vista divergentes, ou não entenderam mesmo, e aí talvez tenhamos um problema mais grave, pois não sei desenhar.

O segredo é olhar a unificação como sinônimo de respeito ao passado

Fico aqui imaginando que matéria fantástica o Uol não poderia fazer se fosse um site da Itália. Poderia comparar o campeonato italiano atual, com 20 clubes, em que cada um faz 38 jogos para ser campeão, com as primeiras competições, vencidas pelo Genoa, que fez dois jogos no mesmo dia, em 1898 e 1899.

Não sei precisar agora quantas partidas o Genoa fez para ganhar nove títulos italianos entre 1898 e 1924, mas, certamente, é um número bem inferior ao dos campeões atuais da Itália. No entanto, nenhum time reclama e a imprensa italiana não faz campanha para tirar os títulos de seu primeiro campeão.

Tenho a impressão de que, às vezes, quando você desvia certas pessoas de um pensamento linear, elas se perdem. Compreendem números, quantidades, mas ficam confusas quando precisam lidar com a abstração.

Reconheço que respeito, cultura, história, são coisas abstratas, de difícil quantificação. Porém, mesmo assim, esperava que estes conceitos não fossem tão estranhos mesmo para uma minoria de jornalistas – que parecem só se preocupar como o seu time ficará agora no ranking de campeões brasileiros.

Ora, essa visão estritamente numérica é muito pobre, muito rasteira. Como temos dito, a unificação jogará luzes sobre um período de ouro do futebol brasileiro que estava indo para a lixeira da história. Haverá mais trabalho e mais temas a serem desvendados para quem não se incomoda em trabalhar e pesquisar.

Essa redescoberta de um era dos sonhos é o grande tesouro dessa unificação. Saberá lidar com ele quem tiver disposição, talento e criatividade para mergulhar no passado e sair de lá com histórias e informações enriquecedoras. Porém, comparar conquistas anacrônicas, separadas por quatro décadas, com regulamentos e competições diferentes – apesar de terem a mesma finalidade – é o mesmo que colocar, lado a lado, um corredor de 100 metros rasos e um maratonista.

O que você acha de comparar competições de épocas diferentes? Prova alguma coisa?


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