Ao ataque contra o Náutico

Sem Tiago Ribeiro, suspenso, o Santos deve atacar o Náutico – agora comandado pelo ex-santista Marcelo Martelotte – no jogo desta noite, às 21 horas, na Vila Belmiro, para conquistar os trIes pontos e fiacr a apenas quatro do Grémio, o quarto colocado do Brasileiro. Mas não creio que Claudinei Oliveira optará por três atacantes, preferindo manter apenas dois lá na frente e um meio-campo com dois volantes e dois meias, podendo tornar o time ofensivo quando tiver a posse de bola, mas sem se expor demais.

Como Arouca também não joga, igualmente suspenso, acredito que Claudinei escalará Alison e Cícero mais atrás, e Leandrinho e Montillo como meias. Na verdade, Leandrinho será um meia-volante, enquanto Cícero um volante-meia. Na frente, acho que os preferidos serão Giva e Willian José, mas gostaria de ver Gabriel, Neilton ou Victor Andrade no time.

O Náutico está virtualmente rebaixado, mas ainda tem tirado pontos importantes de equipes consideradas favoritas. Aliás, o Santos só é o primeiro dos paulistas porque o time pernambucado empatou com o Corinthians no Pacaembu. Portanto, que o Alvinegro Praiano ataque, com precisão, mas sem descuidar da defesa.

O mapa da mina será atacar pela direita, pois Martelotte terá de improvisar o zagueiro Luiz Eduardo ou o volante Dadá na posição. O goleiro Gideão, que teve uma atuação bíblica no empate com o Flamengo, no domingo, prossegue no lugar de Ricardo Berna, machucado.

O Santos deverá jogar com Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Gustavo Henrique e Mena; Alison, Cícero, Leandrinho e Montillo; Giva (Gabriel ou Neílton ou Victor Andrade) e Willian José. O Náutico, com Gideão, Derley, João Filipe, Leandro Amaro e Luiz Eduardo (Dadá); Elicarlos, Martinez, Diego Morales e Tiago Real; Hugo e Rogério. A arbitragem será de Francisco Carlos do Nascimento (AL), auxiliado por Thyago Costa Leitão (PI) e Gean Carlos Menezes de Oliveira (RR).

Só vejo a vitória na minha frente, e você?

O futebol muita vez exige ação, inconformismo, mas em outras o mais sábio é ter paciência e fazer o melhor com o que se tem. Não estou sugerindo indiferença ou negligência diante dos fatos, mas apenas paciência temperada com um pouco de sabedoria e atitude positiva.

O Santos vai mandar embora o treinador e metade dos jogadores e contratar outros? Não. Até porque sairia uma fortuna fazer uma barbaridade dessas. Por outro lado, se até o atual campeão do mundo, com uma folha de pagamentos maior do que tinha no ano passado, está atrás do Santos na classificação do Brasileiro, será que o time é tão ruim assim como querem alguns santistas?

Eu acredito que não e tenho apenas a minha experiência de vida para recorrer às lições da história, que é cíclica, e perceber que nenhum grande time nasce pronto e mesmo os maiores são obrigados a viver períodos trágicos. Para evitar que eles ocorram, é importante entender as circunstâncias do momento pelas quais o clube passa e apoiar os jogadores – como na partida desta noite, contra o Náutico.

Mas já está rebaixado, Odir, que perigo pode representar? Bem, veja os últimos jogos do time pernambucano e constate que tem tirado pontos importantes de concorrentes bem mais gabaritados. O próprio campeão do mundo não saiu do zero contra o Náutico no Pacaembu.

Agora farei um teste com você e espero que tente entender e responder a pergunta, no fim:

Em determinado ano de sua existência, encravado em uma época em que ganhava a média de dois campeoantos oficiais por temporada, o Santos viveu também uma fase de transição e obteve os seguintes resultados no Campeonato Paulista:

10 de agosto: Empate por 3 a 3 com a Portuguesa Santista na Vila Belmiro.

17 de agosto: Empate por 1 a 1 com o Juventus na Vila Belmiro.

7 de setembro (após uma breve excursão internacional): Derrota para o Guarani por 3 a 0, em Campinas.

14 de setembro: Derrota para a Portuguesa de Desportos por 2 a 0, na Vila Belmiro.

18 de setembro: Derrota para o Comercial por 3 a 1, em Ribeirão Preto.

22 de setembro: Empate com o Palmeiras por 2 a 2, no Pacaembu.

25 de setembro: Derrota para o Botafogo por 2 a 1, em Ribeirão Preto.

Veja que o Santos teve quatro derrotas e três empates na fase inicial do Campeonato Paulista, o que praticamente tirou sua chance de lutar pelo tricampeonato estadual. Agora me diga que ano foi esse e que jogadores atuavam no Santos…

Já sabe de que ano se trata? E quais eram os jogadores? Bem, esse quiz é relâmpago, pois já vou lhe dar a resposta: isso ocorreu em 1966 e o elenco santista era estrelado por ninguém menos do que Gylmar, Laércio, Carlos Alberto Torres, Mauro Ramos de Oliveira, Oberdã, Joel Camargo, Lima, Orlando Peçanha, Zito, Haroldo, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé, Toninho, Edu… E o técnico era o Lula.

Espantado? Achou que o grande Santos não ficava tantos jogos sem vencer e nem tinha dificuldades, na Vila Belmiro, até contra equipes humildes, como Portuguesa Santista e Juventus? Pois é…

Bem, não quero dizer com isso que este Santos atual possa se comparar ao de 1966, mas gostaria de enfatizar que se mesmo um grande time pode viver períodos terríveis, por que, ao invés de querer que os jogadores do Alvinegro Praiano se tornem craques à força, não reconheçamos as limitações de cada um e os apoiemos mesmo assim?

Garotos evoluem ou se apagam de vez. É claro que tudo depende da personalidade e da força psicológica de cada um, mas fica bem mais fácil quando o torcedor o incentiva, ao invés de vaiá-lo. Na verdade, a regra vale para todos, veteranos inclusive. Se o santista quer ocupar apenas um terço da capacidade da Vila Belmiro e ainda ter a petulância de vaiar o time, será que não seria mesmo melhor ficar em casa?

Reveja os melhores momentos de Náutico 1 x 2 Santos,em 2009:

Será que neste post fui muito paternalista? Será que a vaia resolve?