Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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As vantagens de apostar nos Meninos da Vila

alan santos
Alan Santos domina a bola diante de dois jogadores da Portuguesa. Calmo, seguro, com bom passe, esse Menino da Vila já é uma realidade (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgaçnao Santos FC).

Não entendo a desconfiança com a juventude. Os grandes gênios da humanidade já demonstravam seu talento ainda bem jovens. O austríaco Wolfgang Amadeus Mozart – que ontem me fez ficar acordado até além da meia-noite para assistir Don Giovanni – compôs mais de 400 obras até os 16 anos. Se passarmos para o futebol, constataremos que os santistas Pelé, Edu, Araken, Coutinho, Neymar, Diego, Robinho, e Juary, entre outros, tinham menos de 18 anos quando mostraram que estavam bem acima da média. Hoje ainda há quem duvide da capacidade dos Meninos do Claudinei.

Nem vou falar do Neilton e do Giva, pois acredito que não haja mais nenhum santista que desconfie da capacidade de ambos. No mínimo estão da média dos atacantes da Série A do Campeonato Brasileiro. O mesmo digo de Leandrinho, um volante mais técnico do que a maioria que se vê por aí, e de Alan Santos, este jogador discreto, mas extremamente promissor.

Cabeça erguida, viradas de jogo perfeitas, firme no combate e participativo (não é daqueles que se exigem da jogada, deixando a bucha para o companheiro). Discreto, não enfeita as jogadas e nem tenta o gol, mesmo dando a impressão de que poderá ser bem-sucedido se tentar. Este é Alan Santos, que substituiu muito bem a Arouca na difícil partida contra a Portuguesa (ficou fácil devido à aplicação do time e à grande atuação de Aranha, mas não era para ser).

Há outros Meninos que não são titulares, mas que poderão se tornar. O caso dos zagueiros Gustavo Henrique e Jubal é o mais flagrante. Alguém duvida de que ambos podem formar uma dupla tão ou mais eficiente do que Edu Dracena e Durval? Ou que também possam se firmar entre os profissionais os atacantes Victor Andrade, Gabriel e Geuvânio e os meio-campistas Lucas Otávio, Pedro Castro, Alison e Léo Citadini? Eu confio muito neles todos.

Vantagens da garotada

Você já viu garoto “chinelinho”? Muito difícil, não é mesmo? Sim, pois garotos querem mostrar serviço, precisam conquistar a posição e fazer um nome – com vitórias e títulos. Não podem colocar o burro na sombra e calçar os chinelos dos que fizeram a fama e agora deitam na grama, ou melhor, na cama.

Garotos dão menos trabalho ao departamento médico porque são mais fortes, resistentes e flexíveis. Suas contusões têm uma recuperação mais rápida. Veteranos ficam muito mais tempo na enfermaria. Sentem mais problemas musculares – não só distensões, mas apenas dores, suficientes para que façam uma partida e fiquem outra fora do time.

Sem vícios e sem tantas vaidades, garotos ouvem mais o treinador e costumam ser mais disciplinados taticamente. Sabem que precisam fazer isso, ou perdem seu lugar na equipe. Veteranos nem sempre são aplicados e costumam se rebelar mais contra o técnico (veja o São Paulo, cujo maior problema é a liderança paralela exercida pelos macacos velhos Rogério Ceni, Lúcio e Luis Fabiano).

Outro detalhe essencial é que Meninos ganham salários menores, pois estão começando a carreira. Isso dá ao clube, ainda mais um clube que se colocou em precária situação financeira, como Santos, a possibilidade de adquirir um equilíbrio que seria impossível se prosseguisse na filosofia de contratar jogadores rodados caros e, geralmente, em má forma e má fase.

Poder lançar e confiar em Meninos é uma bênção que historicamente favorece o Santos. Deixar de lado essa opção não é nada inteligente. Até porque o Alvinegro Praiano já tem uma boa cota de jogadores maduros, como Aranha, Edu Dracena, Durval, Léo, Arouca e Montillo, e ainda acaba de contratar dois laterais que têm tudo para se firmar nas posições, como Cicinho e Mena.

O melhor negócio agora é valorizar os Meninos e, desde já, assinar contratos duradouros com eles. Quanto aos veteranos, que sejam gradativamente substituídos por garotos, até que estes assumam seus lugares. E se for para contratar, que tragam a cereja do bolo.

E você, como vê essa relação entre juventude e maturidade no futebol?


Agora é começar de novo!

gabriel
Rei morto, rei posto. Gabriel treinou bem, está relacionado e pode jogar contra o Flamengo, amanhã. Para muitos, ele será o novo Menino de Ouro da Vila (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

Só estes dias eu soube que o hino do Olimpiakos, um dos grandes da Grécia, cita os nomes do Santos e de Pelé. Dá pra imaginar isso? O hino de um tradicional clube europeu citar, com reverência, os nomes de um clube de outro continente e de um jogador estrangeiro? Um amigo, por sinal corintiano, ficou sabendo disso e me perguntou, admirado: “O que mais vocês querem? O que mais um time pode querer do que ser cantado no hino de outro?”.

Realmente. O Santos já atingiu patamares tão elevados que o santista não se conforma com pouco. Vender um craque – como o São Paulo fez com Kaká e Lucas, sem a menor reação de sua torcida – é algo que incomoda profundamente o torcedor do Santos. Porque quando isso acontece é como se o Alvinegro Praiano estivesse dando um passo atrás no grande objetivo que é voltar a ser o melhor, o time mais deslumbrante do mundo. A ausência de Neymar será uma perda terrível, mas não restará outra alternativa a não ser começar tudo de novo em busca de um jogador excepcional e que eleja o Santos como o seu time para sempre.

Este blog, você sabe, fez o que pôde – até apelar para a consciência das pessoas – para que Neymar não fosse embora do Santos e do Brasil. Sua permanência, contra tudo e contra todos, poderia representar o início da redenção do futebol brasileiro, hoje inferiorizado, sucateado, irrelevante. Mas os dinheiristas, os colonizados e os idiotas crônicos venceram e o sinal está fechado para nós, que acreditamos na volta dos grandes craques aos nossos campos, no futebol bonito e ofensivo, na ética e no mérito esportivo, que acreditamos também que há valores muito mais relevantes do que o dinheiro ou o marketing instantâneo, que não resiste à história.

Quem viveu os tempos em que o futebol brasileiro – dignamente representado pelo Santos, em primeiro lugar, e depois por outros também grandes – era reverenciado como o melhor do mundo, nunca poderá se conformar passivamente com a posição de coadjuvante que adquiriu hoje. Mas parece que para a despreparada mídia esportiva do nosso País e, por extensão, para a maioria dos torcedores imbecilizados pela tevê, é assim mesmo que deve ser. Nossas crianças devem adorar os times europeus e um jogador brasileiro, para mostrar o seu real valor, tem de ir pra Europa. Paciência.

Não se pode culpar Neymar, ou seu pai, ou seus assessores, por esta decisão. Em uma sociedade em que a qualidade das pessoas é medida por quanto conseguem faturar por ano, agiram como “profissionais”. A mina de dinheiro do Santos está secando, então melhor procurar outra. Há controvérsias, entretanto, se entre os países europeus possíveis, a Espanha seria o ideal para quem pensa em um futuro brilhante no futebol ou em qualquer outra atividade.

Um país em que metade dos jovens e 27% da população está sem emprego, em que os custos sobem e os salários diminuem e que, para muitos especialistas, está à beira de uma conturbada crise social, não é o lugar para onde eu iria ou levaria meu filho. Hoje os espanhois estão saindo de sua terra em buca de trabalho, a coisa está realmente feia por lá… Mas jogadores de futebol, ou os que lidam com suas carreiras, e que só consegum enxergar o momento seguinte, acham que não precisam entender desses aspectos sociais e geopolíticos para definir em que time se deve jogar. Paciência.

A responsabilidade da diretoria do Santos

Pena que aquele timaço do primeiro semestre de 2010 tenha caído nas mãos de uma diretoria inexperiente, sufocada pela própria vaidade. Mais do que os valores individuais, era a harmonia entre aqueles jogadores talentosos e irreverentes que produzia aquele futebol fantástico. Porém, ao contrário do que apregoou o presidente, os craques foram saindo, um a um, e o encanto se quebrou.

Qual era o salário de Wesley quando foi embora? E André, um Menino da Vila que saiu quando recebia 120 mil por mês, para voltar, por empréstimo, ganhando 300 mil e totalmente fora de forma? E Madson, tão barato, demitido por indisciplina… O certo é que dos virtuosos de 2010 só restaram Neymar e Ganso, dupla genial que se desfez no ano passado quando o meia, em transação tumultuada, foi para o São Paulo.

De 2010 para cá muitos foram contratados pelo Santos e pouquíssimos justificaram o investimento. Keirrison e Ibson foram exemplos de péssimo negócio, mas a pérola consistiu em adquirir 100% do passe de Bill e rejeitar Romarinho, santista desde pequeno, que implorava vir para a Vila Belmiro. A última tentativa de dar a Neymar um companheiro à altura foi trazer o argentino Montillo, que até agora não mostrou nada que justificasse a fortuna paga por seu passe.

De qualquer forma, a saída de Neymar era morte anunciada. O garoto, seu pai e seus assessores não o tiveram o alcance intelectual necessário para compreender que o garoto não tinha se tornado um ídolo apesar do Brasil, mas sim devido ao Brasil. Na Europa, ele será mais um. Correrá o risco de não se tornar a maior estrela do time que escolher e, se repetir as más atuações que vem tendo pelo Santos há alguns meses, poderá até ir para o banco de reservas.

Por outro lado, seria preciso muita personalidade para continuar resistindo à pressão para ir embora do Brasil. O crescimento do Santos incomodava, incomoda e continuará incomodando muita gente interessada no populismo, na espanholização do nosso futebol. Hoje muitos devem estar comemorando a saída do craque. Acostumados a chafurdar na mediocridade e na subserviência, sentiam-se desconfortáveis com a presença de uma das celebridades do futebol em nossos campos esburacados.

Agora poderão voltar aos seus horizontes limitados, às suas polemicazinhas regionais sem nenhuma relevância. Estão radiantes por voltarem a seus mundinhos de merda. Quando caírem em si, virão que cuspiram no próprio pé, pois não terão mais Neymar para alimentar suas notícias podres. Quanto ao santista, continuará sonhando: com novos Meninos, novos líderes, novos times que encantem o mundo. E só restará a certeza de que é preciso começar de novo!

A saída de Neymar encerra um ciclo. O que o santista espera agora da diretoria do clube é que ela tenha aprendido defintivamente que o projeto de crescimento contínuo do Santos passa pela revelação de jogadores da base. Foi-se Neymar, já deveria haver outros no forno à espera de serem lançados. Agora temos Victor Andrade e Gabriel? Pois que possam mostrar a que vieram. E se o técnico não gosta ou não sabe trabalhar com jovens, troque-se o técnico. Se o Santos é maior do que qualquer jogador, quanto mais de “professores” com colete. O que não se pode é cultivar o medo de assumir o seu destino.

Obrigado Neymar. Valeu mesmo! Mas vamos recomeçar sem você!

Apesar de tantos, amanhã será outro dia!

E pra você, como deve ser o novo Santos?


Muricy, lembra quando você era um garoto vindo da base?

muricy

Derrubar o técnico Muricy Ramalho? Não creio. Ele não quer sair antes do final do contrato e a diretoria, presidida por Luis Álvaro, que é seu fã, não quer demiti-lo. Ao contrário. Parece satisfeita com o seu trabalho. O que o torcedor pode fazer? Abaixo assinado? Manifestação em reunião do conselho? Já houve e não mudou nada. Protestos no estádio? Esqueça. As torcidas organizadas estão comprometidas com essa diretoria. A maior esperança de mudança no estilo de jogo do Santos depende unicamente da cabeça de Muricy. E do seu coração…

Por isso, uso este artigo para fazer um apelo direto ao treinador, pedindo-lhe que permita que sua alma de menino assuma o controle de suas ações. Dispa-se desse velho rabugento que quer tomar o seu corpo e sua mente, Muricy. Volte à sua infância, quando, aos 13 anos, atraiu 20 mil pessoas ao campo do Nacional para vê-lo atuar em uma final do campeonato Dente de Leite.

Lembre-se que você fez a primeira partida entre os profissionais do São Paulo aos 15 anos e chegou a ser considerado pela imprensa como um dos “sucessores de Pelé”. Baixinho e franzino, foi sendo lançado aos poucos, mas em 1975, aos 19 anos, fez uma ótima temporada e foi escolhido como a revelação do Campeonato Paulista. A fama e a fortuna do futebol pareciam se oferecer a você, lembra?

Mas nem tudo são flores para um garoto talentoso e de gênio forte, como você era. Na decisão do Paulista de 1975, contra a Portuguesa, você deu uma entrada dura no meia Dicá e foi expulso pelo árbitro Dulcidio Wanderley Boschilia, colocando em risco o título que o São Paulo acabou conquistando na disputa de pênaltis. Desconsolado, você nem quis ver o resto do jogo e foi chorar no vestiário, lembra? Mas a torcida, reconhecendo seu valor, carregou-o nos braços e cantou o seu nome durante as comemorações. Garotos que vêm da base do clube e se destacam são muito amados pela torcida. Naquele dia você percebeu isso.

Hoje os garotos podem usar o cabelo como querem, mas em 1976, quando você tinha 20 anos, seus cabelos compridos incomodavam o técnico José Poy, que chegou a afastá-lo dos treinos por 10 dias, em uma tentativa de forçá-lo a adotar um corte mais tradicional. Porém, teimoso como é até hoje, você continuou cabeludo, voltou ao time marcando gols e, cheio de moral, decidiu que nunca mais usaria o cabelo curto.

Seu nome era tido como certo para a Copa de 1978, na Argentina, mas 1976 foi um ano ruim para o São Paulo e seu futebol também foi prejudicado pela má campanha do time. Ainda havia tempo para causar uma boa impressão até o Mundial, mas naquele fatídico 18 de maio de 1977, na final do primeiro turno do Campeonato Paulista, você torceu gravemente o joelho e ficou mais de um ano sem jogar, voltando apenas em 4 de junho de 1978, três dias depois do início da Copa da Argentina.

Sei que deixar de ser convocado para aquele Mundial foi sua maior frustração na carreira. Como você queria, aos 22 anos, estar na reserva de seu ídolo Zico! Mas, além de não ir à Copa, sua própria condição de jogador do São Paulo vinha sendo contestada, pois você voltou diferente, com receio de entrar nas divididas, lembra?

Nesse período o Santos tentou contratá-lo, mas o São Paulo pediu um valor considerado muito alto. Seu último jogo pelo São Paulo ocorreu em 25 de julho de 1979, pelo Campeonato Paulista, em uma derrota por 2 a 0 para o Guarani, no Pacaembu, em que você entrou no segundo tempo. Cinco dias depois o São Paulo vendeu seu passe para o Puebla, do México, por 100 mil dólares.

No México você sofreu contusões seguidas e raras vezes repetiu o futebol atrevido e técnico de sua adolescência e início de juventude. No final de 1985, ao completar 30 anos, você decidiu deixar de ser jogador e iniciou sua carreira de técnico, orientando o próprio Puebla.

Em 1994 você voltou ao São Paulo, mas como auxiliar técnico de Telê Santana, com quem aprendeu muito, principalmente “a simplicidade, o sentido de comando e o trabalho individual com os jogadores”, conforme você mesmo revelaria anos depois.

Agora, aos 57 anos, você é um profissional famoso, rico e realizado. O que o destino lhe tirou como jogador, lhe deu como técnico. São nada menos do que 16 títulos, entre eles quatro Brasileiros e uma Libertadores. E veja que curioso: você que foi um menino-prodígio, que viveu toda a glória e todo o dissabor que pode afetar um garoto que se aventura no mundo turbulento do futebol, agora pode ajudar outros garotos a alcançar o sonho que fugiu de suas mãos (ou pés).

Não foi por acaso que “Meninos para Sempre” virou o slogan do Centenário do Santos. O Alvinegro Praiano se orgulha por revelar jogadores, por ter a paciência e o carinho necessários para permitir que o talento e a personalidade desses garotos nasçam, cresçam e se solidifiquem. E você, Muricy, é a pessoa mais importante para eles, pois é quem pode lhes dar a oportunidade de ser um jogador profissional de futebol, de jogar no time que foi de Pelé, Zito, Pagão e tantos outros craques.

Quanto você os está ajudando?

No ano passado, quando, por falta de jogadores experientes, Victor Andrade foi lançado no time – e chegou até a fazer gols – , ele disse que você o estava ajudando, com conselhos. Sorridente, como sempre, o garoto disse que que você parecia bravo, mas no fundo era um bom cara, preocupado com ele. Só que de lá para cá o rapaz nunca mais foi escalado e nem mesmo entrou no decorrer das partidas. Que tipo de ajuda é essa, Muricy?

Lembro de Victor Andrade porque, se um dia Neymar for embora, e parece que um dia irá, quem está sendo preparado para ser o novo Menino da Vila? Victor? Gabriel? Giva? Mesmo que você ache que nenhum deles está pronto, não vale a pena investir tempo e trabalho nesses meninos?

Não podemos nos esquecer, ainda, de que há o aspecto financeiro. Por que o clube precisa pagar salários altíssimos a jogadores que em campo estão rendendo muito pouco, se o Santos acaba de ser campeão com seu time sub-20? Será que dessa garotada não se pode tirar jogadores que supram a falta de experiência com energia e vontade?

Você não acha, Muricy, que se um time é campeão paulista sub-20 e também da disputada Taça São Paulo de Futebol Junior, é porque tem jogadores que podem se tornar bons profissionais? Você não acha que, seguindo o que o mestre Telê Santana lhe ensinou, esses meninos não merecem um trabalho individualizado?

Lembro-me bem de suas atuações em 1975, Muricy, e tenho certeza de que, não fosse a contusão muito grave, você teria feito história como jogador do São Paulo e da Seleção Brasileira. Sinto muito mesmo pela interrupção de seu sonho – e devo lhe confessar que eu também queria ter sido um jogador de futebol, mas aos 15 anos já tinha quebrado duas vezes a perna e o médico sugeriu que eu me dedicasse a um esporte menos violento.

Bem, mas a vida segue. O destino tem planos para nós que às vezes parecem difíceis de serem compreendidos. Mas é só parar um pouco e pensar. E sentir… Ou você acha que foi apenas por acaso que o time dos “Meninos para Sempre” o convidou? O que esse trabalho no Santos significa para a sua vida? Apenas mais alguns títulos e muito dinheiro? Ou uma oportunidade de mudar a sua forma de ver o futebol, de despertar o menino cabeludo e irreverente que ainda mora em você?

Acho que o Muricy ainda pode ajudar muito os Meninos. E você?


Um sábado para Muricy valorizar os Meninos da Vila


Santos vence o São Paulo no Pacaembu, com gol de Giva, e conquista o título estadual Sub-20, o terceiro do futebol no ano do Centenário (foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/ Divulgação Santos FC).

Na hora do almoço o técnico Muricy Ramalho viu os garotos do Sub-20 do Santos vencerem o São Paulo por 1 a 0, no Pacaembu, e conquistarem o título paulista da categoria. À noitinha ele comandou a equipe profissional em uma vitória, de virada, sobre o Palmeiras, por 3 a 1, na Vila Belmiro. Nos dois triunfos sobre os tradicionais clubes da capital, os Meninos formados no Alvinegro Praiano se destacaram. Será que depois deste sábado Muricy ainda continuará tão cético com relação aos jovens vindos da base?

Nas duas partidas o Santos foi mais ofensivo do que tem sido, como se, pressionados pelo anseio dos santistas – protesto que chegou até à então apática Torcida Jovem –, os técnicos Claudinei, do Sub-20, e Muricy, tivessem decidido fazer concessões ao DNA ofensivo do Alvinegro Praiano.

E, como todo mundo já previa neste blog há séculos, o futebol voltou quando o medo foi embora. O Sub-20 merecia vencer por uma vantagem maior, apesar de o adversário ter o mando de campo. Gostei da postura e da personalidade da equipe. É cedo para prever o futuro desses garotos, mas muitos deles – como Giva, Lucas Otávio, Leandrinho – merecem, ser olhados e tratados com mais carinho.

Se o clube não tem dinheiro para grandes contratações, a opção dos Meninos é a mais óbvia, barata e inteligente. Tudo bem que ainda precisam ganhar mais experiência. Mas só a terão jogando. E é aí que o torcedor fica com a pulga atrás da orelha, pois Muricy não tem o perfil de técnico que sabe lidar com os jovens.

No jogo contra o Palmeiras ele chutou o ar, esbravejou e falou palavrões quando Felipe Anderson perdeu uma boa oportunidade, após ótimo passe de Neymar. Porém, duvido que tenha agido da mesma forma quando Neymar perdeu uma chance ainda mais clara, ao receber passe de Felipe Anderson e chutar na trave. Um técnico que queira o respeito e a atenção dos Meninos não pode tratá-los com grosserias e, diante das mesmas situações, fazer vistas grossas às falhas dos mais experientes.

Com um ataque formado por Patito Rodríguez, Neymar e Victor Andrade, apoiados por Felipe Anderson e Arouca, o Santos criou inúmeras oportunidades no primeiro tempo e fez três gols, como poderia ter feito seis. Na segunda etapa, com a expulsão de Alan Santos – outro garoto que se saiu muito bem –, a saída de Arouca, machucado, para a entrada do veterano atrapalhado Gérson Magrão, e o recuo do criativo Felipe Anderson para ajudar na marcação, o Santos voltou ao jogo sem criatividade do segundo semestre.

O santista viveu um sábado feliz, em que suas convicções foram plenamente correspondidas. A base do Santos mostrou qualidades e o time de cima provou que não precisa viver só de Neymar. Não é só uma questão técnica, mas sim tática. Falta assumir definitivamente uma filosofia ofensiva.

Porém, esse mesmo torcedor fica com a pulga atrás da orelha quando ouve que Muricy só elogiou a capacidade de marcação do time Sub-20. Parece que o professor só consegue analisar o sistema defensivo de uma equipe. Talvez se tivesse prestado atenção na lição do Barcelona, saberia que grandes times preferem que os outros é que se preocupem com a defesa.

Na Vila, depois dos 3 a 1, e da forma que a partida se desenrolava, não seria demais esperar uma goleada de seis ou sete gols. Mas, do banco do Santos, só se ouvia os gritos de Muricy pedindo cuidado com a marcação ou para o time tocar a bola. E é claro que as maiores vítimas de sempre eram Victor Andrade, Patito e Felipe Anderson.

Por fim, o torcedor teme que com a s voltas de Henrique e Adriano, Alan Santos e Victor Andrade, ou Patito, voltem para o banco de reservas, e o Santos volte a ser uma equipe burocrática, cuja única prioridade é, como quer o seu comandante, “marcar atrás da linha da bola”.

Entrevista com Alvaro de Souza

Se ainda não enviou e quer fazer a sua pergunta a Alvaro de Souza, importante membro do comitê gestor do Santos, fique à vontade. Selecionarei 20 delas e na segunda-feira as encaminharei ao assessor de imprensa Arnaldo Hase, que deverá repassá-las ao ocupado Alvaro de Souza.

Como o nível das perguntas tem sido excelente e tem preenchido todas as dúvidas que o santista pode ter com relação à administração do clube, provavelmente enviarei apenas perguntas selecionadas entre aquelas enviadas a este blog. Agradeço a colaboração de todos.

Veja o gol de Giva e a festa do Santos campeão paulista Sub-20:

http://youtu.be/urVre1Of4oo

Melhores momentos de Santos 3, Palmeiras 1:

http://youtu.be/5dg6sD38LjE

E você, ficou mais confiante nos Meninos da Vila?


O medo de Muricy impediu essa vitória

Jogo difícil, adversário querendo vencer para completar a festa programada por sua torcida, que lotou o Pacaembu. Mas, em campo, o Santos vencia por 1 a 0 – gol de Felipe Anderson aos 35 minutos do primeiro tempo – e na metade da segunda etapa começava a bloquear bem o ataque corintiano e, ao mesmo tempo, criar bons espaços para contra-atacar.

Por incrível que pareça, Patito Rodriguez já tinha feito duas ou três boas jogadas pela direita, apoiado por Felipe Anderson. Na direita, Bruno Peres encostava em Victor Andrade e, com o apoio de Arouca, o Santos conseguia por ali algumas brechas para chegar à linha de fundo, ou mesmo penetrar pela área adversária. Era possível prever que a qualquer momento o Alvinegro Praiano teria uma oportunidade para chegar ao segundo gol e deixar a vitória bem encaminhada.

Mas eis que por volta de 30 minutos do segundo tempo o técnico Muricy Ramalho resolveu tirar Patito Rodriguez e colocar o volante Adriano, com a clara intenção de “fechar mais o meio”. Ora, imediatamente o alvinegro de Itaquera adiantou a sua defesa – já que Patito era o único atacante santista que estava realizando alguma coisa – e comprimiu o Santos no seu campo.

Por baixo havia mesmo muitas pernas, mas nos cruzamentos pelo alto a defesa santista não inspirava confiança. Rafael, que já tinha falhado bisonhamente em uma saída no primeiro tempo, no segundo soltou uma bola fácil dentro da pequena área. Parecia mesmo bastante improvável que o Santos garantisse a vitória jogando os últimos minutos exclusivamente na defesa.

Aos 34 minutos, como era de se esperar, o adversário chegou ao empate com um gol de cabeça do zagueiro reserva Wallace, após cobrança de falta. O rapaz saltou no meio de dois zagueiros do Santos e cabeceou no canto, diante de um estático Rafael.

O gol animou o alvinegro da capital, enquanto o Santos parecia sem forças para reagir. Uma das últimas esperanças de gol era Felipe Anderson. Mas pouco depois Muricy o tirou para a entrada de Gérson Magrão. Nesse gesto ficou evidente que o máximo que o técnico almejava era mesmo o empate o empate de 1 a 1.

Destaques e decepções

Creio que o destaque do Santos tenha sido Arouca, que parece muito motivado com o prestígio de ser convocado para a Seleção. Acho também que Felipe Anderson está cada vez mais maduro. E estava gostando do Patito Rodriguez quando ele foi substituído.

Desculpe se não cito ninguém da defesa, mas é um bolo lá trás, com tanto encontrão e chutão pra frente, que não sei se podemos chamar a isso de jogar bem. Quanto aos laterais, tiveram espaço, principalmente Bruno Peres, e não souberam o que fazer com ele. E vi ambos – ele e Juan – tomarem dribles desconcertantes, que poderiam ter gerado outros gols ao adversário.

Nem vou falar do goleiro Rafael, que esteve muito inseguro. Outra decepção, de novo, foi André. Tabelou com Felipe Anderson no lance do gol. Só. Muito lento, parece um jovem-velho, outro investimento ruim dessa diretoria. O garoto Victor Andrade não conseguiu muito, mas ao menos fuçou bastante e segurou uns dois zagueiros do adversário na defesa. E tem a indiscutível desculpa de ter apenas 17 anos.

Aliás, esse é um detalhe que merece atenção: com três atacantes, como começou a partida – Patito, André e Victor Andrade –, o Santos ao menos manteve o adversário temeroso de sofrer gols. A partir do momento em que se tornou um time preocupado apenas com a defesa, abdicando do seu decantado DNA, o Santos perdeu também a vontade de ganhar e não inspirou nenhum temor ao oponente, que passou a atacar sem qualquer receio.

Essa falta de vontade de chegar ao segundo gol ficou evidente justamente dos 15 aos 30 minutos do segundo tempo, quando havia espaço – principalmente para fazer o manjado um-dois pela direita –, mas o Santos só girava a bola, até recuá-la para o seu próprio campo. Faltou a ordem de ir pra cima deles quando estivesse próximo da área adversária.

O empate foi um castigo ao time mais medroso. O adversário, mesmo aos trancos e barrancos, quis mais a vitória e por isso mereceu o empate. Muricy começou fazendo a coisa certa e por isso seu time estava ganhando. Pena, porém, que seu lampejo de coragem não tenha durado os 90 minutos.

Veja o gol de Felipe Anderson.Lembra o de Ghiggia, o segundo do Uruguai na decisão da Copa de 1950. A bola passa entre o goleiro e a trave:

http://youtu.be/y6O2XaYI5lQ

E você, o que achou do empate do Santos com o alvinegro de Itaquera?


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