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Luiz Flávio de Oliveira expulsa Neymar depois de ser alertado por Rodrigo Braghetto

O árbitro Rodrigo Braghetto, escalado para apitar o jogo decisivo do Campeonato Paulista, na Vila Belmiro, entre Santos e Corinthians, tem uma empresa de eventos – a Apto Assessoria – da qual um dos maiores clientes é o alvinegro de Itaquera. Como ninguém no Brasil consegue viver de arbitragem, atividade que ainda não é profissional por aqui, Braghetto ganha o pão com sua empresa, ou, em outras palavras, depende da verba que recebe do alvinegro paulistano. Por isso, é no mínimo antiético escalá-lo para um jogo tão importante que envolve o seu cliente.

Substitua Braghetto por Carlos Amarilla e veja que a coisa não está certa. Imagine se Amarilla tivesse uma empresa de eventos da qual o Corinthians fosse um dos principais clientes. Você acha que o contrato entre o clube e a empresa seriam renovados depois da atuação desastrosa do paraguaio quarta-feira? Que corintiano gostaria de saber que seu clube gasta dinheiro com um árbitro que foi o responsável pela eliminação do time na Copa Libertadores?

Por outro lado, coloque-se no lugar de Braghetto. Qual será a sua tendência no momento de julgar os lances duvidosos? Favorecer o Santos, que não lhe paga nada, ou ficar bem e evitar controvérsias com a agremiação que lhe reserva, regularmente, um certo faturamento?

Baseado no mesmo princípio é que o testemunho de parentes e amigos não têm valor em um julgamento, por serem suspeitos. O fato de ter um vínculo financeiro com um dos times na disputa torna Braghetto justamente isso: um árbitro sob suspeita. Conhecendo o passionalismo que assola nosso futebol, e prevendo as consequências danosas que uma atuação equivocada de Braghetto podem trazer ao campeonato, a Federação Paulista de Futebol jamais deveria tê-lo escolhido e o Santos Futebol Clube jamais poderia ter aceitado seu nome.

Hoje o futebol está repleto de lances polêmicos. A tevê, com o replay, a câmera lenta, superlenta, e o tira-teima, potencializou os erros da arbitragem. Mesmo o melhor e mais preciso árbitro do mundo não consegue passar incólume por uma partida. Por isso é importante que não haja a mínima suspeita sobre um árbitro, ou se correrá o risco de que sua atuação, mesmo bem intencionada, provoque clima hostil, revolta e descrédito.

Perceba que não estou dizendo que Braghetto é desonesto e que foi escolhido para ajudar o time da capital. Mas é a impressão que ficará se, por uma infelicidade, cometer erros decisivos que favoreçam o alvinegro itaquerense e roubem do Santos a rara oportunidade de alcançar o tetracampeonato estadual.

O bom senso dizia que a escolha fosse outra. A própria sensibilidade do momento pedia outra atitude da Federação Paulista. A torcida corintiana está amargurada, e com razão, pela atuação tendenciosa de Amarilla. Qualquer árbitro que fosse escolhido para a decisão de domingo já entraria em campo com essa pressão, ainda mais um que tem o Corinthians como cliente preferencial.

Espero que a escolha de Rodrigo Braghetto seja revista pela Federação Paulista de Futebol e que outro nome venha dirigir o grande jogo que define o Campeonato Paulista de 2013. Sou contra chorar depois do leite derramado. O momento da diretoria do Santos agir é agora.

E você, acha que Rodrigo Braghetto é o melhor árbitro para domingo?