Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Por que o maior medo dos santistas é a arbitragem

Primeiro jogo da final alcança 23 pontos no Ibope

Como se previa, a audiência de Palmeiras e Santos bateu o recorde do futebol na Globo neste Campeonato Paulista. No próximo domingo é bem possível chegar a 25 pontos.
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Marcelo Rogério e Valdívia, ambos do time da Crefisa, durante jogo contra o Botafogo de Ribeirão Preto.

Sinto que muitos santistas ficaram bem desconfiados depois do primeiro jogo da decisão, no estádio palmeirense. A arbitragem de Vinicius Furlan, extremamente danosa ao Santos, foi decisiva para a vitória do time da casa e aumentou o temor de que as coisas já estejam encaminhadas neste Paulistão.

Por tudo que se ouve e se lê, parece que os “astros” estão convergindo para tirar o Palmeiras de uma fila sem títulos. Do site Yahoo Esportes leio a seguinte frase de um artigo do colunista Jorge Nicola: “O mais curioso é que nenhum outro clube tem tão boa relação com a cúpula da FPF quanto o Palmeiras. A sintonia tem a ver com a amizade entre Nobre e Marco Polo Del Nero… Del Nero votou em Nobre nas últimas duas eleições presidenciais do Verdão. Sucessor de Del Nero na Federação, Reinaldo Carneiro Bastos também é alinhado ao Palmeiras…).

Então, temos uma Federação simpática ao Palmeiras? Isso não é novidade, já que se chegou ao cúmulo de o clube da Água Branca e a equipe de árbitros estampar no uniforme o mesmo patrocínio da Crefisa. Imagine o Museu Pelé com seu nome nas camisas do trio de arbitragem e o Santos, com o mesmo patrocínio, decidindo o título em casa, ao lado do Museu do Rei do Futebol… Seria uma falta de ética incrível, não é mesmo? Pois é o que está havendo, só que do outro lado.

O que posso dizer, sem tirar os méritos do Palmeiras, é que o alviverde realmente tem tido, digamos, muita sorte com as arbitragens, que têm errado em lances capitais a seu favor. Na partida contra o Botafogo de Ribeirão Preto, pelas quartas-de-final, já se anulou equivocadamente o gol do time do Interior, que terminaria o primeiro tempo com a vantagem de 1 a 0.

Sei que alguns árbitros, como Sálvio Spínola, mais um que veio do futebol para virar jornalista esportivo, dizem que houve falta em Fernando Prass, porque ele já estava com a bola dominada naquele gol do Botafogo. Mas não mesmo. Quantas vezes você já não viu, querido leitor e leitora, um goleiro fazer uma ponte, dominar a bola com categoria, e soltá-la ao cair ao gramado? Pois a defesa só está completa quando o lance termina e o goleiro tem a bola totalmente dominada.

Naquela jogada da partida do Botafogo, ato contínuo ao pegar a bola, Prass se chocou contra o jogador adversário e a soltou, propiciando o gol contra sua equipe. Em nenhum país do primeiro mundo do futebol seria marcada falta naquele lance.

Dois pesos e duas medidas

Vamos, agora, ao jogo deste domingo, em que Vinicius Furlan aplicou dois pesos e duas medidas em várias jogadas, invariavelmente beneficiando o time patrocinado pela mesma empresa que patrocina o departamento de árbitros da Federação Paulista de Futebol. Logo no início, causou espécie a inversão de dois laterais, um deles contrariando a sinalização do bandeirinha, que confirmava o arremesso para o Santos.

Cobrado rapidamente, quando os jogadores do Santos já tomavam posição de ataque, o lateral pegou a defesa santista desprotegida e quase provoca um lance de gol para o Palmeiras. Depois, houve o impedimento mal marcado de Geuvânio, que teria a oportunidade de penetrar pela esquerda, levando perigo à meta palmeirense.

Isso tudo logo nos primeiros minutos, enervando os jogadores do Santos e criando um clima de insegurança na equipe. Pois, experientes que são, jogadores profissionais de futebol sabem que no dia em que a arbitragem está errando muito para o adversário, tudo fica muiiito mais difícil.

Então, aos 29 minutos de um jogo equilibrado e até certo ponto amarrado, em que o Palmeiras não tinha dado um único chute ao gol, veio o lance que abriu o marcador. Já falei sobre ele e volto a repetir: um jogador que recebe a bola naquelas circunstâncias e faz um corta-luz que engana o defensor e favorece a penetração de seu companheiro, obviamente influiu na jogada e, como estava em impedimento, a jogada deveria ter sido imediatamente paralisada pelo bandeirinha – que, diga-se de passagem, estava a dois metros dela.

Depois, em outro lance decisivo, tivemos a marcação do pênalti e a expulsão do zagueiro do Santos, Paulo Ricardo. Nessa hora, todos nós sabemos que a marcação depende dos humores do árbitro. Se ele quiser, marca quando a falta começou, bem fora da área; se também quiser, dá o cartão amarelo. Mas, se preferir, dá pênalti e expulsa o defensor, usando da maior severidade que a regra lhe confere. Okay. Vamos aceitar que tenha agido corretamente neste caso.

Porém, se a intenção do árbitro era seguir a regra à risca, deveria, no mínimo, ter aplicado o cartão amarelo, por simulação, ao jogador palmeirense que deu um salto acrobático quando foi marcado por Geuvânio na área santista. Você já viu um jogador ser calçado e, ao invés de cair ao chão, voar pelos ares? Pois foi exatamente isso que o palmeirense fez, tentando forçar um pênalti no qual nem foi tocado, jogando o estádio lotado contra a arbitragem.

Aliás, vendo e ouvindo as reclamações de alguns palmeirenses da mídia, fico aqui pensando quantos gols irregulares, quantos pênaltis e quantas expulsões de santistas eles ainda queriam para achar que a arbitragem de Vinicius Furlan foi boa para eles?

Enfim, como todo santista, eu só quero que a arbitragem na Vila Belmiro seja justa, imparcial, e que ganhe o melhor time. E, é claro, que o título fique com a melhor equipe ao longo de todo o campeonato. E quero também que o Santos entre em campo com o mesmo espírito que o levou ao título brasileiro de 2004: que às vezes é preciso marcar dois gols para valer um.

Vladimir
Contra o Palmeiras, por duas vezes Vladimir foi abalroado por jogadores adversários ao interceptar um cruzamento. Esta foi uma delas. Em nenhuma das oportunidades foi marcada falta no goleiro santista. Fernando Prass já teve mais sorte contra o Botafogo de Ribeirão Preto (Ivan Storti/ Santos FC).

Atitude civilizada e exemplar da torcida do Santos

Nenhuma cadeira foi quebrada, nenhum dano ao estádio do Palmeiras foi causado pelos torcedores santistas que foram ao primeiro jogo da final do Campeonato Paulista. Essa atitude, que não passa de obrigação em um país civilizado, deve ser elogiada e servir de exemplo no futebol brasileiro. Isso é bonito e enche de orgulho a todos os santistas. Principalmente porque a torcida do Corinthians tinha quebrado mais de 40 cadeiras no estádio palmeirense e, por sua vez, os palmeirenses quebraram 800 cadeiras, além dos banheiros, no estádio do Corinthians. Quando isso voltar a acontecer, os clubes não devem ser responsabilizados, mas sim os torcedores, ou as torcidas organizadas que praticaram o vandalismo. Creio que hoje todos os santistas estão percebendo como é bom agir corretamente. Comportamentos assim acrescentam muito mais para o clube do que demonstrações de selvageria. Parabéns aos torcedores do Santos que foram ao estádio do Palmeiras. Vocês agiram como verdadeiros SANTISTAS!

E você, acha que o santista tem motivos para temer a arbitragem na Vila?


Santos sobrevive aos desfalques, ao Palmeiras e aos erros da arbitragem

Vladimir
Saiiii!!! Palmeiras perde pênalti e Santos ganha nova vida! (Ivan Storti/Santos FC)

Ricardo Oliveira
Ricardo Oliveira é travado na hora do chute, na maior chance do Santos (Ricardo Saibun/ Santos FC)

Os melhores momentos do jogo:

Os melhores momentos pela lente da SantosTV:

Santos sobrevive aos desfalques, ao Palmeiras e aos erros da arbitragem

Se o Palmeiras faz aquele gol de pênalti e, com a vantagem de um jogador a mais, continua pressionando, provavelmente ganharia por três ou mais gols de diferença e definiria o título no primeiro confronto. A derrota por apenas 1 a 0 deixa o Santos com boas possibilidades de ser campeão no próximo domingo, na Vila Belmiro, quando deverá ter a volta de Robinho e outros titulares e dificilmente será tão prejudicado pela arbitragem.

Robinho fez mais falta do que se podia imaginar. Mas Valencia também daria mais solidez ao meio de campo. Lucas Otávio começou animado, mas foi se apagando. Na zaga, gostei de Paulo Ricardo. Pena ter dado espaço para a corrida de Leandro Pereira e depois ter agarrado o palmeirense, que espertamente correu até cair dentro da área. Apesar da jogada, que provocou sua expulsão, Paulo Ricardo aprovou.

Na verdade, mesmo sem fazer uma grande partida, o Santos segurava bem o Palmeiras até sofrer o gol, aos 29 minutos do primeiro tempo, no primeiro chute do adversário à meta de Vladimir. A jogada foi irregular, pois Robinho, em impedimento, fez um corta-luz para Lucas, que cruzou para a conclusão de Leandro Pereira.

Foi irregular porque Robinho, em impedimento, interferiu na jogada. Se ele não se colocasse na trajetória da bola e não abrisse as pernas para que ela passasse, mansamente, entre elas, ou seja, se Robinho não estivesse ali, Vitor Ferraz teria se projetado imediatamente para cortar o cruzamento de Lucas, pois havia tempo para isso. Mas o santista parou para esperar a reação do Robinho genérico e este não tocou na bola, retardando a ação do defensor. Lance claríssimo!

Não é a primeira vez que o Palmeiras é ajudado em lances decisivos neste campeonato e entre os torcedores cresce a impressão de que há alguma coisa estranha no ar. Antes do gol a arbitragem de Vinicius Furlan já tinha invertido dois laterais do Santos a favor do adversário e também tinha marcado erradamente um impedimento de Geuvânio na cara do auxiliar.

Acho que no lance do pênalti, aos 10 minutos do segundo tempo, faltou experiência ao zagueiro santista. Ao correr o tempo todo com a mão no peito do adversário, ele criou a situação ideal para o atacante cavar a penalidade. Não dá para dizer se o santista freou a corrida do palmeirense, mas é o tipo do pênalti que o árbitro sempre dá.

E deveria expulsar? Se deu o pênalti, o correto seria expulsar mesmo, mas os árbitros só seguem essa regra quando lhes convém. E neste lance Furlan estava tão distante da jogada que na hora de expulsar deu o cartão vermelho para David Braz, de aparência bem diferente da de Paulo Ricardo.

Com o pênalti e um a menos, vi a viola em cacos. Mas a péssima cobrança de Dudu colocou o Santos de novo no campeonato. A situação seria ainda melhor se Ricardo Oliveira, na melhor oportunidade do time, não tivesse demorado demais para chutar e permitido o corte do zagueiro. Por sinal, Oliveira desta vez não jogou.

Agora o Santos precisará ganhar na Vila Belmiro por dois gols de diferença para ser campeão paulista. É evidente que é possível, como seria possível se a situação fosse inversa. Qualquer time grande pode ganhar um clássico por dois gols de diferença jogando completo e em casa. Eu acredito!

Notas para os santistas

Vladimir – Não teve culpa no gol e teve muita sorte no pênalti. 6
Cicinho – Começou bem, deu umas cicinhadas, mas no todo não comprometeu. 6.
Paulo Ricardo – Vinha muito bem até cometer o pênalti e ser expulso. 6.
David Braz – Discretíssimo. 5.
Vitor Ferraz – Abaixo do que tem jogado, bobeou no lance do gol. 4.
Lucas Otávio – Lutou, marcou, mas parecia sem posição. 4.
Chiquinho – marcou e apoiou como pode. Regular. 6.
Renato – Marcou e girou algumas bolas. 5.
Lucas Lima – Mesmo sem brilhar, foi o melhor do time. Deu um passe espetacular para Ricardo Oliveira, que perdeu o gol de empate. 7.
Geuvânio – Lutou sozinho contra dois, três, mas conseguiu criar pouco. 6.
Ricardo Oliveira – Desta vez decepcionou. Perdeu grande chance. 3.
Dos que entraram no transcorrer do jogo, Jubal se mostrou lento com a bola, mas não comprometeu na marcação. 5. Gabriel entrou descansado para valer por dois e não jogou por meio. Mesmo cansado, Geuvânio era mais útil ao time. 2. Leandrinho ajudou a fechar o meio e segurar a derrota mínima.
Marcelo Fernandes – Diante das circunstâncias, fez o melhor que podia. O único senão que eu faria se refere quanto à saída de Vitor Ferraz. Creio que o ideal seria tirar Cicinho e colocar o Vitor por aquele setor. Mas isso não iria mudar o preço do dólar. 7.

Palmeiras 1 x 0 Santos
26/04/2015, Allianz Parque, domingo, 16 horas
Público pagante: 39.479. Renda bruta: R$ 4.181.281,25.
Palmeiras: Prass; Lucas, Victor Ramos, Vitor Hugo e Zé Roberto; Arouca (Cleiton Xavier) e Gabriel; Dudu, Robinho (Kelvin) e Rafael Marques; Leandro Pereira. Técnico: Oswaldo de Oliveira.
Santos: Vladimir, Victor Ferraz (Jubal), Paulo Ricardo, David Braz e Cicinho; Lucas Otávio, Renato, Chiquinho e Lucas Lima; Geuvânio (Gabriel) e Ricardo Oliveira (Leandrinho). Técnico: Marcelo Fernandes.
Gol: Leandro Pereira, aos 29 minutos do primeiro tempo.
Arbitragem: Vinicius Furlan, auxiliado por Carlos Augusto Nogueira Junior e Anderson Jose de Moraes Coelho.
Cartões amarelos: Cleiton Xavier, Vitor Hugo, Gabriel e Victor Ramos (Palmeiras); Lucas Lima (Santos).
Cartão vermelho: Paulo Ricardo (Santos).

E você, o que achou de Palmeiras 1 x 0 Santos?


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